Combatentes

18 Gatos, Xylocaína e Duendes verdes


Notas iniciais
Olá, pessoas queridas! Boa leitura! ♥ ♥ ♥ (Sou viciada em coração)

6:00 da manhã — Costa Rica

O dia havia acabado de iniciar-se, mas a falta de claridade ainda permeava o ambiente. Contudo, mesmo com a falta de claridade, sentindo os efeitos colaterais do consumo em excesso de bebida alcoólica, Hinata sentia a cabeça pesar e firmava ainda mais os pés na areia prosseguindo com os movimentos graciosos de Tai Chi. Apenas ela e o mar.

Sentia o vento bater em seu rosto e o som característico das ondas quebrando em um rochedo localizado nas proximidades. O som a trazia paz e o ar de um aroma característico fazia seu estômago revirar.

Hinata abriu um olho assim que prendeu a respiração. A cabeça doía e o corpo não ajudava. A consciência então! Nem se fale, além da cabeça era a que mais pesava.

— De tantos caras para beijar tinha que ser logo o Uchiha. – Soltou a respiração desistindo de prosseguir com a sequência de movimentos. Não sentia culpa e muito menos arrependimento, mas a seu ver teria sido melhor evitar o tal contato afim de não gerar qualquer espécie de mal-entendido entre ela e Sasuke mais tarde.

Suspirou, pois era a única coisa a se fazer visto que não tinha como voltar atrás.

Iria retornar para casa, quando duas figuras conhecidas surgiram na orla em uma corrida atlética. Hinata, novamente, suspirou e em sequência deixou uma expressão de derrota na face a ver Sakura ao lado de Tenten. Foi então que o arrependimento bateu a sua porta.

— Sakura. – Murmurou para si próprio ao lembrar do interesse que Haruno nutria por Sasuke. Colocou as mãos nas cinturas incerta do que iria fazer para evitar qualquer conflito em relação a interesses “amorosos”, mesmo supondo que Sakura detinha discernimento e maturidade suficiente para compreender a situação. Não iria cortar relações por conta disto, iria? Hinata não sabia responder.

— Hinata! – Tenten acenou e Hinata cessou o passo. Estava fugindo? E por que estava sentindo se mal ao lembrar da Haruno? Isso era falta de maturidade? Bem, mesmo não deixando aparentar Hyuuga Hinata tinha sentimentos. Tentou distribuir o mesmo sorriso contido de sempre, quando Tenten chegou e junto dela a moça da madeixa rosa: Sakura.

— Treinando logo de manhã? – Sakura questionou e sorriu como sempre. Hinata cruzou os braços e afirmou positivo. Tenten franziu o cenho rapidamente. Alguma coisa estava errada com Hinata.

— Como sempre, mas você correndo? – Hinata respondeu e inquiriu em sequência olhando para as roupas de Sakura. A Haruno acompanhou o olhar da Hyuuga e arqueou as sobrancelhas em um sinal positivo.

— Tenten precisava de uma companheira. – A morena afirmou positivo. – Como Gaara está indisposto e o resto com uma ressaca terrível fui a escolhida da vez.

Tenten riu rapidamente e negou enquanto na cabeça de Hinata a palavra “escolhida” fazia eco.

— Foi uma ótima companhia. – Tenten chamou a atenção para si, visto que tanto Hinata e Sakura se olhavam. – Vamos tomar café da manhã?

— Já irei. – Hinata informou e fitou Sakura, a qual entendeu o pedido ocular para ela permanecer no local.

— Eu também já irei. – Sakura afirmou e Tenten jogou os ombros para cima retornado a correr até a residência. Por fim deixando-as sozinhas.

Hinata abriu a boca rapidamente, como se fosse falar umas verdades, mas a fechou do mesmo modo que a abriu. Não tinha nada a ser dito. Por que ninguém tinha que dar satisfações e ninguém tinha que receber. Hinata crispou os lábios e levou as mãos para trás enquanto Sakura riu e fez bico logo depois.

— Desculpe-me. – Sakura imitou a feição de Hinata. Algo que expressava um sentimento recente. A processo de se colocar no lugar do outro: empatia. Sakura negou mesmo ciente da pauta discutida mesmo sem ser mencionada.

— Não desculpo. – Hinata riu rapidamente e Sakura a acompanhou. Ambas se sentaram na areia numa distância curta, quase inexistente. – Não precisa se desculpar. Sasuke não tem nenhum compromisso comigo.

— Mas eu tenho com você. – Sakura surpreendeu. Não tinha pensando por aquele ângulo. – Sabia que você está interessada em Sasuke. Eu não gostaria de ver minha amiga beijando o meu Crush.

Sakura gargalhou assim que terminou de ouvir Hinata. A Hyuuga franziu o cenho rapidamente. Tinha dito algo absurdo?

— É Crush que os jovens falam, não é? – Hinata questionou rapidamente um pouco sem graça pela situação. Sakura afirmou. Nenhuma das duas eram totalmente adultas, mas ver uma piloto graduada e tão séria cotidianamente falar Crush era algo inusitado.

— Acho que é isso mesmo o que eles falam. – Sakura apoiou os cotovelos nos joelhos e Hinata abaixou a cabeça rapidamente. Às vezes esquecia completamente do casulo que tinha criado, todavia Sasuke e Sakura conseguiram invadir essa redoma pouco a pouco e desde do episódio do tubo de ventilação as duas compartilhavam momentos e risadas. – Sei que partilha do mesmo sentimento que eu.

Hinata a olhou nos olhos e balançou a cabeça desentendida. Era verdade que projetava o sentimento que certamente iria ter em ver a amiga beijando o cara pelo qual nutria um interesse, mas Sakura parecia estar falando de algo além.

— Já que ver Naruto beijando metade do bar não deve ter sido nada agradável. – O rosto da piloto foi adquirindo um tom avermelhado e Sakura conteve o riso. E antes que Hinata ralhasse consigo a Haruno negou. – Estou brincando!

— É claro que está! – Hinata falou um tanto ríspida, mas logo sorriu. – Bom, não sabia o que estava fazendo e mesmo que pareça uma desculpa esfarrapada: eu realmente estava bêbada.

— Eu sei. – Sakura fitou o horizonte e em seguida encarou Hinata arregalando os olhos. – Eu estava lá.

Engrossou a voz e Hinata riu pela expressão engraçada da Haruno. Sakura era realmente agradável e Hinata não era a única a pensar deste modo.

— Às vezes não sabemos o que estamos fazendo. – Sakura retomou um pouco reflexiva. — E bem, ele estava irresistível ontem e se eu estivesse no seu lugar não faria diferente. E eu no lugar de Sasuke também não pensaria duas vezes. Você estava linda!

Sakura passou o braço pelos ombros de Hinata. A Hyuuga estranhou, mas não se desvencilhou. Era reconfortante e agradável receber carinho e compreensão de terceiros.

— Obrigada. – Respondeu segundos depois o elogio a sua aparência num tom a menos. Sakura não estava encafifada com o que tinha acontecido. – E se ele vier com um papinho de dizem que não beijo tão bem.

— E que deve estar escrito na minha testa? – Sakura quebrou o contato para questionar de forma afoita e quem franziu a testa foi Hyuuga. Como Sakura sabia disto? – Eu já ouvi essa.

— Então não acredite. – Hinata sorriu assim que Sakura mordeu o lábio inferior e negou. Não acreditava que Sasuke usava daqueles meios, mas concordou que casava muito bem com ele. – A não ser que queira.

Hinata levantou-se e estendeu a mão para Sakura, a qual aceitou rapidamente.

— E beija mal mesmo? – Sakura questionou curiosa e Hinata suspirou.

— Na verdade. – Sakura levantou uma sobrancelha pela demora de retorno a sua questão. – Eu não lembro exatamente de como foi...então acho que você vai ter que descobrir.

— Bom, não será nenhum martírio. – Sakura riu e Hinata negou. – Vem! Vamos tomar café.

Toda a preocupação para com aquele assunto se findou e apagou-se como as pegadas na areia, as quais sumiriam assim que o vento uivasse.

*

— Alguém viu o meu iogurte? – Ino inquiriu ao procurar pelo alimento na geladeira. Era o último que finalizava sua dieta regrada. Pela primeira vez em todas tentativas que já tinha fracassado aquela, seria de longe, a qual ela iria conseguir finalizar.

Tenten crispou os lábios e arregalou os olhos em seguida. A casa tinha caído! Levou a xícara até os lábios segurando o recipiente de uma forma estranha. E assim que Ino arrumou a postura, levou as mãos na cintura olhando para os presentes, Tenten deu um grande sorvo no seu chá fervente.

— Eu peguei. – Mas antes de Ino questionar o Hyuuga passou pela cozinha já completamente vestido e com o costumeiro boné na cabeça. – Desculpe. Despois resolvemos isso.

Ino suspirou e fechou os olhos por um segundo enquanto Tenten assistia a cena quieta e sem levar culpa no cartório.

— Tudo bem. – Ino fez um gesto com a mão e puxou uma cadeira. Neji jogou os ombros para cima e serviu-se de café. – Não tem importância.

— Não tem? – Ino ouviu e encarou-o porque aquilo era inacreditável. Não o fato de ser questionada por algo, mas aparentemente o bom humor do homem. Detalhe: as sete da manhã.

— Não. – Sorriu rapidamente e Tenten se perdeu na conversa implícita entre amigos, a qual consistia em zombar um da cara do outro de forma quase imperceptível. Pois Neji sabia que Ino reclamaria por horas por conta da quebra de sua dieta, caso estivesse com seu humor habitual e Ino detinha informação sobre a tolerância a lactose de Neji.

— Tem alguém tentando omitir algo aqui, Tenten. – Ino apoiou uma mão na mesa e com a outra jogou o longo cabelo para trás, o qual estava preso em um rabo de cavalo sem mesmo parar de encarar o Hyuuga num claro “duelo”.

Tenten parou de tomar o chá ao perceber que daquela conversa não sairia nada de positivo.

— Eu concordo com ela, Tenten. – Neji rebateu e Ino tentou não revirar os olhos, entretanto não conseguiu. – Será que Gaara também?

— Eu concordo com o que? – Gaara aproximou ainda passando a mão no rosto um pouco sonolento. – Tenho que dizer: bom dia, amores?

— Não precisa. – Ino e Neji responderam em uníssono enquanto Tenten afirmou positivo. – Precisa sim. – Tenten sorriu e Gaara levantou ambas sobrancelhas mandando um beijo no ar em seguida sob avaliação da Yamanaka.

— Ino. – Neji chamou a atenção da Yamanaka para si. – Sabia que Gaara é alérgico a gatos?

A loira franziu o cenho sem entender o motivo da menção sobre a alergia aos felinos. Cruzou os braços e negou vendo um sorriso aberto de Neji. Aquilo era preocupante, pois aquele sorriso apenas surgia antes do Hyuuga estourar com o Sabaku.

— Não, não sabia. – Neji afirmou diante da resposta. – E o que isso importa-me?

— Não importa. – Neji riu aberto. Para Ino ele estava muito interativo para o seu gosto. – Gaara, vamos!

Chamou o ruivo até então em silêncio. Tenten parou de morder a torrada já na boca para reparar em um detalhe quase imperceptível no corpo do Sabaku e entendeu a menção a alergia aos gatos a ver os leves vergões avermelhados nas costas de Gaara.

Não foram os gatos que fizeram aquilo.

Ino seguiu o olhar da morena e foi a vez de seus olhos arregalarem-se. Logo sua mão foi parar sobre a face ao sentir-se um pouco constrangida a entender a referência de Neji.

— Hyuuga maldito! – O xingou entre dentes de forma baixa e Gaara parou para olha-la ao mesmo tempo em que Tenten segurava o riso com a palma da mão.

— Eu ouvi isso. – Neji apontou para ela e quem levou a mão até a cintura foi Gaara, totalmente perdido na conversa. – Ontem tivemos uma aniversariante, caso estivessem aqui e não sei aonde saberiam.

Tenten inclinou a cabeça e o repreendeu com os olhos. Ino fitou Tenten descrente e Gaara levantou as mãos ligeiramente perdendo-se ainda mais com a alternância de assuntos.

— Parece que temos mesmo uma omissão, Tenten. – Ino deixou ambos homens de lado para sorrir para Mitsashi expressando suas felicitações. – Tem algo a declarar em sua defesa?

Tenten olhou para Ino, depois para Gaara e por fim viu Neji arranhar o próprio braço numa clara indicação de rebate, mas o que o Hyuuga viu foi um par de olhos castanhos perdidos.

— Que eu comi o seu iogurte? – Neji negou aceitando a derrota e Ino virou para encara-lo vitoriosa antes que ele lhe desse as costas. Foi o que ele fez segundos depois junto a Gaara. Ino retornou para a mesa, encontrou um par de olhos curiosos e um sorriso travesso.

— Conte-me tudo e não me esconda nada. – Tenten manifestou e Ino negou no exato momento que Temari chegou. Não iria falar da experiência sexual com o Sabaku sendo que a irmã do indivíduo em questão acabava de juntar-se ao desjejum matinal.

— Por favor, quantas xícaras de café tenho que tomar para meu estado melhorar? – Temari colocou a mão sobre a fronte sentindo a cabeça pesar. – Que droga!

Tenten e Ino observaram Temari. Esta parecia ter sido passada em um triturador de carne. Temari encarou ambas, observou-as e chegou à conclusão sobre o quão ótimas as aparências estavam.

— O que vocês andam fazendo? – Temari franziu o cenho e fechou os olhos em seguida. – Dormindo na argila?

— Sono regulado? – Ino perguntou de forma retorica fazendo Temari abrir os olhos. Estava cansada devido aos exageros com a bebida e pelo o trabalho em geral.

— Talvez gatinhos? – Tenten alfinetou a Yamanaka e Temari estranhou a pergunta ao mesmo tempo em que Ino engasgava com o leite.

— O que tem os gatinhos? – Sakura questionou antes de Temari se sentando rente a mesa logo depois. – São fofinhos.

— Pode ter certeza que são. – Tenten sorriu aberto para Ino. – Mas tem que tomar cuidado com as unhas, sabe? Podem arranhar e tudo mais.

— Está bem, Tenten! – Ino fez sinal de pare com a mão e Tenten sentiu o rosto esquentar ao, novamente, conter a risada.

— Tenho uma leve impressão de que não são de gatos que estão falando. – Hinata puxou outra cadeira e serviu-se igualmente de café. Tenten olhou para Hinata e Sakura avaliando-as, pois tinha visto o beijo com o Uchiha. Afirmou positivo. Para quem vivia em zona de conflito elas sabiam bem como evitar um, que diga-se de passagem, desnecessário e irracional.

— Concordo com você. – Temari relaxou ainda mais na cadeira. – Mas hoje não estou conseguindo somar um mais um. E olha que eu já sei a resposta!

A risada foi geral na mesa de café. A interação era divertida e confortante e cada vez mais natural.

— Ontem foi aniversário da mocinha ali. – Ino apontou para Tenten com o polegar.

— Receba minhas felicitações, Mitsashi. – Temari parabenizou a seu modo. – Se eu não tivesse com tanta ressaca iria brincar com uma cerveja.

— Podíamos comemorar, não? – Sakura sugeriu e todas a encaram rapidamente. – Só as mulheres.

— Acho uma excelente ideia. – Hinata fitou-a rapidamente e logo encarou Tenten. – O que acha, Tenten?

— Conheço um lugar. – O rosto de Tenten iluminou-se deixando Ino levemente preocupada.

— Tenho até medo de saber o que está pensando. – Comentou arrancando alguns risos. – Vou ter que usar salto de Stripper?

— Adoro Strippers. – Temari falou rapidamente recordando-se de ter mencionado as profissionais de dança com Shikamaru.

— Apenas se você quiser. – Tenten piscou para Yamanaka, mas quem sorriu foi Temari ao recordar-se de ter ouvido palavras de igual teor e sonoridade, contudo não havia sido Tenten a dizê-las.

*

Sasuke olhou-se no espelho após terminar sua higiene matinal. Colocou a tolha de banho nos ombros, abriu a porta afim de seguir para cozinha e fazer o que mais amava: tomar café preto.

Mal colocou os pés no corredor e pode ver um par de olhos espreitando-o. Sasuke suspirou a ver Naruto encostado na parede o encarando-o. Previa que o Uzumaki estava aguardando-o e não o banheiro ficar livre como queria.

— Naruto. – Começou. – Ainda está cedo. Depois conversamos.

— Vamos conversar agora, Sasuke. – O Uchiha não deu um passo e encostou no batente da porta. Sermões seus para Naruto era algo corriqueiro agora sermões de Naruto para si era algo raro. E era melhor ouvir de vez do que fugir, pois Naruto não desisti nunca.

O loiro visivelmente intacto como se não tivesse ingerido um pingo de álcool começou a negar sustentando um semblante decepcionado.

— Eu tive tanto trabalho, Sasuke! – Começou. – Tanto trabalho para você conseguir se aproximar da Sakura. Falei bem de você, o fiz notar o quão interessante ela é. E na primeira oportunidade você pisa na bola?

— Estava bêbado. — Sasuke justificou começando a irritar-se. Era verdade, por algum motivo bem visível: o interesse de Sakura em Sasuke, Naruto resolveu dar uma força ao amigo mesmo sem ele pedir ou perceber. – E além do mais porque insiste tanto nisto? Quer que eu fique com a Sakura apenas porque você gosta dela, não é?

— É! Sim, isso mesmo! – Naruto confirmou descaradamente e começou a caminhar atrás de Sasuke. – Nenhuma garota legal se interessa por você, Sasuke. A sua última namorada era possessiva, a penúltima chantagista, a antepenúltima colocou fogo no nosso apartamento só para tirar-me de lá.

— Eu sei que meus relacionamentos não eram perfeitos. – Sasuke virou-se para fita-lo. – Não precisa ficar esfregando na minha cara, Naruto.

— Sabe quem mais sofria nesses relacionamentos? – Sasuke cerrou os olhos e trincou o maxilar. Virou-se e esperou pelo final dramático de Naruto. – Eu!

Naruto apontou para o próprio peito exasperado. A grande vítima dos relacionamentos de Sasuke era, via de regra, Naruto.

— Elas odiavam-me e eu odiava elas. – Naruto fez sinal de pare, quando Sasuke fez menção de lhe dar as costas. – Agora que encontramos uma garota legal, que eu gosto, que você gosta e que aparentemente acha você interessante. Você vai e beija a amiga dela.

Naruto o repreendia por algo que já não tinha mais conserto e nem mesmo como voltar atrás.

— Naruto, eu não vou casar com a Sakura só porque você quer.

— Ninguém falou em casamento aqui. – Naruto defendeu-se. – Ainda.

— Me deixa. – Sasuke retornou a caminhar. – E por que Hinata não?

Naruto iria manifestar mais protestos, mas calou-se ao ouvir o nome de Hinata e a possibilidade de um envolvimento amoroso com Sasuke.

— Você está brincando, não é? – Sasuke sorriu fino da cara do Uzumaki. Aquela relação, caso viesse a existir seria o maior pesadelo da vida de Naruto. – Ela já me odeia e nem é sua namorada.

Sasuke meneou positivo e mordeu o lábio inferior lembrando de algo perspicaz sobre os relacionamentos de Naruto.

— Naruto, estou recordando-me de uma coisa aqui. – Naruto negou e quem começou a caminhar foi ele dando as costas para Sasuke. – Eu e Hinata nos beijamos.

— Cala a boca! – Sasuke riu de Naruto e seu nervosismo apenas por lembrar de um detalhe. – Isso não vai acontecer.

— Por que não? – Sasuke viu Naruto negar com veemência. — Já beijei todas as namoradas que você já teve porque seria diferente agora?

— Eu lembro, bonitão. Não precisa mencionar. – Naruto fez um gesto obsceno para Sasuke, o qual tinha conseguido mudar o rumo da conversa com sucesso. – E arrume o que você fez!

— Dou meu apoio! – Sasuke gritou no corredor, quando Naruto sumiu do campo de visão. E mesmo conseguindo livrar-se da chamada de atenção com aquele argumento Sasuke sabia que Naruto e Hinata jamais se envolveriam um com o outro, bem como sabia que o loiro estava com razão. – Até um certo ponto.

*

— Estou sentido falta. – Gaara esperou o amigo encara-lo para prosseguir.

— Falta de que?

— Do seu mau humor. – Gaara sorriu ligeiramente. – O que andou fazendo para estar de bom humor assim?

— Não é da sua conta. – Arqueou uma sobrancelha. Precisava ser grosseiro?

— Já não estou sentido mais falta. – Bebericou o café e virou-se para trás afim de fitar a mesa na cozinha, mais especificadamente suas ocupantes. Demorando-se como sempre na figura da Yamanaka. Tudo com ela era perfeito.

Neji o acompanhou na observação por um instante e resolveu estalar os dedos com finalidade de despertar Gaara de seu transe rindo do mesmo em seguida. Sabia o que estava acontecendo com Gaara apenas pelo modo como este agia.

— Neji. – Escutou o seu nome no tom sério demais em comparação ao tom usual de Gaara e por isso soube que o amigo não iria brincar no que viesse a dizer. – Podíamos seguir com o nosso plano.

— Podíamos? – Neji largou a xícara sobre a mesa de centro e puxou a caixa de pesca, a qual estava nas mediações para mais perto.

— Podíamos sair. – Gaara o encarou. – É uma boa hora, concorda?

Gaara se referia a pedir exoneração das forças especiais e consequentemente das forças armadas. Neji parou com sua atividade para encará-lo.

— É, parece uma boa hora. – Neji o encarou e depois apontou para a mesa. – Da última vez que você fez essa proposta dias depois quase fomos atropelados pela sua ex-namorada.

— Fazer o que se gosto de mulheres perigosas? – Gaara sorriu abertamente e negou em seguida. – Mas desta vez vai ser diferente.

— Ah, vai? – Neji inquiriu desacreditado e retirou o boné. Gaara era impulsivo e nunca pensava nas consequências.

— Vai. – Respondeu baixo. – Eu gosto mesmo dela.

Neji arqueou as sobrancelhas. Gaara também tinha o lado emotivo bastante aflorado, mesmo não demostrando afetividade e emoções o tempo todo. Neji olhou para Ino, depois para Tenten e por fim Gaara.

— Acho que estamos ficando velhos também. – Neji manifestou e o ruivo afirmou logo depois, mesmo que nada desse certo com a Yamanaka, Neji tinha concordado e estava contente, pois finalmente estava na hora de deixar tudo para trás. – Essa será a nossa última missão.

O Hyuuga sorriu. Gaara sempre falava de ir para casa, que estava na hora e finalmente a hora havia chegado. E a possibilidade de deixar as forças armadas sem o seu amigo não era viável. Os dois saiam ou os dois prosseguiam.

— Estamos. – Gaara referiu-se à idade e Neji afirmou. – Então essa será a nossa última missão. Depois você pode comprar o seu barco de pesca e passar a tão sonhada temporada de pesca em mar aberto.

— Gosto da ideia. – Neji fechou a caixa de equipamentos de pesca para ceder total atenção a Gaara. – Agora coloca um camisa. Suas costas estão arranhadas.

— Agora entendi a referência aos gatos. – Gaara riu e levantou um dedo rapidamente. – Todavia esses leves arranhões foram ocasionados do arame farpado que me enrosquei.

Neji abaixou a cabeça a ver que Gaara estava fazendo piada para encerrar de vez o assunto e anular a carga emotiva que o assunto continha.

— Arame farpado? – Naruto interrompeu jogando-se ao lado de Gaara subentendo a conversa. – Esses arames vivem me pegando, cara.

— Ah, mas se eu tivesse oportunidade também te arranharia. – Naruto tentou, mas não conseguiu conter a risada alta demais. Gaara riu junto do loiro e Sasuke, o qual havia acabado de chegar olhou para Neji em um contato que queria expressar: merecemos mesmo esses dois?

— Eu também, cara. – Naruto continuou.- Mas vou deixar a minha versão feminina fazer isso.

Naruto referia-se a similaridade de características entre ele e Ino.

— Eu prefiro, cara. – Os homens riram exatamente quando o último chegou.

— Prefere o que? – Shikamaru sentou-se no tapete e bebericou o café.

— O mesmo que você. – Gaara respondeu e esperou pela pergunta do Nara, o qual estava aparte do conteúdo da conversa por “cair de paraquedas” no assunto.

— O que eu prefiro? – Neji negou assim que Shikamaru perguntou. Sabia exatamente o que Gaara iria falar. O Sabaku apontou para o cabelo de Naruto.

— Das loiras. – Shikamaru não demorou nem sequer dois segundos para saber ao que Gaara se referia. A mulheres de madeixas loiras, como Ino e como Temari.

— Por favor. – Shikamaru disse sentindo a cabeça a doer. – Diga que estamos falando de cervejas.

Os cinco riram, alguns mais alto, outros mais contidos, pois Shikamaru conseguiu evitar ser chamado de cunhado novamente e encerrar o assunto entorno de mulheres e a tonalidades dos fios ao mencionar a bebida alcoólica, a qual recebia essa gíria por conta da cor de seu líquido.

— Nem me lembre delas. – Sasuke passou a mão no cabelo rapidamente ao recordar-se das coisas que tinha feito sob o governo parcial de bebidas.

— Oras, Sasuke. – Gaara começou e relaxou ainda mais no sofá. – Qualquer coisa é só pôr a culpa na bebida como eu faço.

— Mas acontece que você nunca fica bêbado. – Neji apontou para o amigo. – Esse aí bebe igual carro velho.

— Mal de família. – Novamente os risos regressaram e Shikamaru iria fazer uma observação pertinente sobre o quão Temari conseguia beber, quando o seu celular apitou. Olhou para a tela do dispositivo e o semblante relaxado sumiu dando espaço a concentração.

— Parece que nosso tempo de férias acabou. – Shikamaru comentou e guardou o dispositivo no bolso. – Mais tarde faremos uma reunião. Primeiro preciso falar com Temari.

— Sei. – Gaara riu dos comentários infelizes que fazia, mas brincar com a situação era tão divertido.

— Falar, não? – E para sua sorte Naruto resolveu juntar-se a mesma causa. Sorte para Gaara e azar para Shikamaru.

— Neji, desculpe. – O Hyuuga olhou para o Nara. – Mas vão pescar, vão!

E Neji entendeu o pedido de desculpas, o qual fora feito em uma sátira com sua cara, mas o rebate era para Gaara e Naruto.

— Não me ofendo. – Neji riu rapidamente.

— Já que eu e Gaara vamos pescar. – Naruto começou. – O Sasuke limpa a cozinha.

— Qual é? – O Uchiha questionou em um tom reclamatório enquanto os outros deixavam a sala. O moreno olhou para a cozinha e viu Sakura lavando a louça. Naruto não dava ponto sem nó.

*

— Mãos para o alto mocinha! – Ino virou-se para fitar a porta e abriu um sorriso a ver Gaara imitando um cowboy ao ingressar no quarto. Gaara cessou na brincadeira e seguiu até a Yamanaka arrumando a cama. – Tudo bem?

— Sim, tudo ótimo. – Ino respondeu e sentou-se na cama enquanto Gaara permanecia em pé. Ele não tinha pensado naquela parte. E agora como iria ser?

— Quer ir treinar? – Gaara apontou para qualquer direção, mas em sua cabeça indicava para o salão ao fundo da casa. Ino ponderou e negou e seguida.

— Estava pensando em dormir mais um pouco. – Gaara meneou positivo ao mesmo tempo que Ino o analisava. A ver de Ino Gaara não parecia ter muito tato para conversas após sexo.

— Tudo bem com você? – Ino perguntou quando ele se demorou em manifestar-se.

— Sim, sim. – Gaara sentou-se ao lado de Ino. – É que eu estava pensando aqui se não seria uma boa ideia dormir mais um pouco também. Sabe, não dormi muito na noite passada.

Ino riu e seu rosto avermelhou. Ficaram se olhando por um momento até Ino suspirar. A coisa era mais grave do que ela havia pensando. Estava mesmo nutrindo um sentimento para com Gaara e não sabia avaliar se era positivo ou negativo, porque estava em missão, afinal. Contudo resolveu ignorar esse detalhe por hora.

— Bom, eu falei o que pretendo fazer. – Gaara fitou-a sem entender, mas logo sorriu compreendendo-a. – Qual é a sua parte, Gaara?

Ino inclinou a cabeça para o lado e passou a mão na nuca rapidamente.

— Convidar-me no processo.

— Sim, convidar-se no processo.

— Então, posso?

— Feche a porta. – Ino deitou-se e Gaara entendeu o recado, mas continuou a olha-la nos olhos. – Não quero que pense que somos um casal.

— Seria loucura pensar isso. – O ruivo levantou-se e fechou a porta. – Como se estivéssemos agindo feito um!

— Realmente. – Ino começou, mas esperou Gaara deitar-se ao seu lado para prosseguir. – É muita precipitação. Já dividi uma cama com estranhos.

Ino fundamentou ainda mais os seus argumentos e Gaara concordou sem hesitar.

— Eu também. – Parou de falar para verificar Ino. – E nem sabia os nomes delas.

— Desnecessário. – Ino pontuou e virou de costas, quando Gaara deu entender sobre as parceiras sexuais que teve casualmente. E o Sabaku riu, mas até levar uma cotovelada. Recordou-se que para com Ino o cuidado tinha que ser redobrado.

*

— Bom dia. – Sasuke cumprimentou Sakura começando a ajuda-la com a louça.

— Oi. – Sakura tirou a avental assim que terminou com os utensílios domésticos. – Como vai a cabeça?

— Segue doendo. – Sasuke respondeu e continuou a guardar a louça. Sakura não sorriu apenas afirmou e por algum motivo Sasuke estranhou.

— A sua não? – Questionou sobre a dor de cabeça, a qual estava sendo associada ao tanto de bebida ingerida horas antes.

— Não. – Sakura fitou-o e negou. – Não estou sentido dor alguma.

Sasuke a viu servir-se de café e sentar-se rente à mesa um tanto dispersa.

— Está tudo bem, Sakura? – Sasuke esperou resposta rente ao balcão e viu o acenar positivo logo em seguida. – Está de mau humor?

— Possa ser já que não dormi o suficiente. – Sakura brincou com a bebida e passou a mão pelo rosto.

— Americanos dormem pouco. – Sasuke comentou trivialmente e iria prosseguir com a conversa, caso o riso de Sakura não o interrompesse. Sasuke virou-se para encara-la e tentar decifrar o riso fora de contexto.

— Não sou americana. – Sakura fez bico e o desmanchou para ostentar um sorriso. – Sou Irlandesa.

— Irlandesa? – Sasuke questionou retoricamente e surpreso. – Tem um pote de ouro escondido com você aí?

Sakura escutou o riso de Sasuke e seu morreu automaticamente. Abriu a boca preste a retrucar sobre a menção de uma figura da cultura folclórica irlandesa, o duende-verde, e Sasuke a não escutar risos chegou à conclusão que tinha pisado na bola novamente.

— Vocês americanos fazem sátira com tudo, não? – Sasuke largou o pano e as sobrancelhas franziram instantemente. Não era fazer sátira de uma cultura o que ele pretendia.

— Desculpe, não era essa minha intenção. – Sakura levantou-se e lavou a xícara que estava utilizando a pouco aparentemente irritada.

— Seja qual foste sua intenção não deu certo. – Sakura pegou o pano de prato do ombro do Sasuke com finalidade de enxugar o recipiente. – O tiro saiu pela tangente, Sasuke.

— Não precisa ficar tão irritada, Sakura. – A Haruno afirmou e guardou a xicara sob observação contínua de Sasuke. – E se melhora o quadro da situação eu não sou, originalmente, norte-americano.

Sakura, mulher que deixava a cozinha virou-se surpresa e tentando conter o sorriso no rosto, pois Sasuke novamente, por algum motivo estava preocupando-se demais com o que dizia para com ela. Uma novidade a seu ver, visto que Sasuke não estava nem aí para o que espalhava a quatro ventos mesmo não sendo comunicativo.

— Não?

— Não. – Sasuke negou e sorriu efemeramente. – Sou inglês. Desculpe, mas não quis desmerecer sua cultura.

— Está tudo bem. – Sakura retornou a caminhar.

— Ei, espera! – Mas Sasuke a chamou e se aproximou logo depois. – Desculpe-me por ter deixando-a sozinha ontem. Não devia ter deixando Naruto a raptar, mas sabe como é complicado negar qualquer coisa a ele.

Sakura afirmou positivo e negou logo depois. Afirmou, porque realmente era difícil debater com Naruto e negou, pois não via problema em ter ficado “sozinha”.

— Eu sei, é bem complicado. – Sakura sorriu e Sasuke a acompanhou de forma sucinta. – Está tudo certo e caso eu tivesse um pote cheio de moedas de ouro provavelmente ele já estaria vazio nesta altura do campeonato.

*

— Oi. – Naruto cumprimentou-a assim que entrou na lavanderia e encontrou Hinata no local.

— Oi. – Respondeu no mesmo tom sem pensar muito como falava com o loiro porque ele não media as palavras ao falar com ela. Naruto começou a revirar um montante de roupas limpas, passadas e dobradas bagunçando toda a lavanderia arrumada.

Hinata parou de passar a roupa para vê-lo “destruindo” o seu trabalho. Logo a língua da Hyuuga estava entre dentes. Naruto não estaria fazendo de propósito para provoca-la, estaria? Porque seria muita infantilidade.

Naruto a ver que estava sob observação parou de bagunçar as peças de roupas. Viu o ferro de passar, a tabua e Hinata com o que ele procurava em mãos, preste a passar a sua camisa.

— Pode-me dar? – Hinata olhou para a camisa e a jogou logo depois. – Obrigado.

— Por nada. – Hinata respondeu.

— Tchau. – Naruto despediu-se.

— Tchau. – Delimitou-se a responder. Estava, literalmente, cansada de tudo inclusive de bater boca com Naruto.

*

— Ei. – Tenten chamou a atenção para si. Neji olhou para trás encontrando o rosto de Tenten. – Ainda mexendo com isso?

Tenten rodeou o sofá e sentou-se ao lado de Neji, o qual ainda mexia com o equipamento de pesca.

— Pois é! Por algum motivo está uma bagunça. – Neji a encarou rapidamente retornando para sua atividade. – Precisa de alguma coisa?

— De várias. – Franziu o cenho e Tenten lhe destinou um sorriso fino. – Contudo no momento apenas vim fazer lhe companhia.

— Está entediada a este ponto? – Brincou com a morena e essa negou. Seu conceito sobre companhias tinha mudado depois da noite passada.

— Não, mas quero saber logo o que eles têm a dizer sobre a missão. – Tenten elevou os pés colocando-os sobre o estofado ao mesmo tempo em que mexia numa mecha do próprio cabelo.

— Espero que seja relevante. – Neji comentou. – Dependendo do quão longa essa reunião for a pescaria ficará para outro dia.

— Uma pena. – Tenten fez bico e Neji a olhou com os cantos dos olhos. – Posso te mostrar algo mais divertido do que pescar.

Tenten sorriu e Neji negou. Era estranho pensar que sabia do que ela estava falando mesmo com o outro sentido que aquela frase comportava.

— Não quero perder uma mão mexendo com bombas caseiras e nem mesmo a sensibilidade dos dedos. – Tenten escutou e arregalou os olhos.

— Você nem sabe se era isso! – Rebateu inconformada por ter a sugestão refutada antes mesmo de ser apresentada ao mesmo tempo que o Hyuuga fora agredido levemente por recusar arrancando-o um riso mal dado.

— Era isso sim. – Pegou-se observando os traços do rosto de Tenten. Olhos castanhos, cílios grandes, boca desenhada e de quebra um sorriso doce. – Admita.

— Era mesmo. – Tenten o viu balançar a cabeça como estivesse tentando afastar pensamentos inconvenientes. – Bom, sobre perder a mão eu não posso fazer nada, mas em relação a possíveis queimaduras e a perda de sensibilidade tenho um grande estoque de Xylocaína, então ainda permanece com a mesma resposta?

— Você deve tomar banho nessa pomada anestésica, não? – Neji perguntou já negando com a cabeça e Tenten contentou-se, pois ninguém era obrigado a nada.

— Às vezes mergulho meus dedos. – Tenten mostrou as mãos. – A pasta explosiva queima e nunca sei onde estão minhas luvas.

Escutou o riso que ela dava da situação, para não dizer da própria desgraça, e resolveu deixar sua atividade para segurar as mãos de Tenten.

— Quais dedos não tem mais sensibilidade? – Questionou apertando os dedos de Tenten e está sorriu a ver as mãos masculinas acariciando as suas de unhas esmaltadas de preto.

— Na verdade perdi a sensibilidade dos mendinhos. – Neji negou com a cabeça e esperou pelo restante porque sabia que era muito pouco tratando-se de Tenten. – Dos dois polegares apenas um tem sensibilidade e os indicadores já eram.

— Percebi hoje cedo quando você segurava a xícara com os dedos medianos e anelares afastados algo bem anormal. – Neji comentou o modo estranho de como ela segurava a xícara provavelmente quente demais devido ao liquido fervente. – Tem mais alguma parte do corpo que não é mais sensível?

Tenten não respondeu de imediato. Apenas continuou com um sorriso tonto nos lábios o que fez Neji soltar as mãos e ela esquecer a questão.

— Estou ficando com medo de você. – Escutou a tentativa de riso do homem e o viu regressar para a atividade. – Nada escapa dos seus olhos.

Tenten aproximou-se ainda mais e retirou o boné da cabeça de Neji para encaixar na sua. Esperou pela repreensão, mas esta não veio. Então era assim que as coisas funcionavam com Gaara? Apenas repreensões necessárias.

— Estou sempre te observando, esqueceu? – Neji justificou um habito seu rapidamente de forma evasiva. O habito de observar tudo e todos. – Até prometi.

Tenten ficou observando-o por um instante. Era verdade, ela se recordava e ele também. Tinha falado horrores aquele dia e gostou de saber que ele ainda se recordava mesmo desconfiando que fora apenas uma resposta da boca para fora.

— Que fofo! – Tenten mudou o tom de voz, como se estivesse falando com um bebê afim de tentar retomar o controle da situação. E pela primeira vez no dia conseguiu irritar Neji. – Quer casar comigo?

— Não.

Tenten o encarou com os olhos vazios e Neji sorriu em seguida assim que Tenten levantou-se do sofá.

— Você nem pensou antes de responder. – Tenten fez uma expressão de sentida e levantou-se do sofá.

— Quer ir comigo, caso dê tempo? – Neji referia-se à pescaria aproveitando para encerar de vez o assunto sem pés e nem cabeça. Tenten colocou as mãos na cintura e negou com a cabeça.

— Não vai dar. – Respondeu normalmente. – Eu e as garotas iremos sair, mas obrigada pelo convite.

— Obrigado pelo seu também. – Neji aumentou a voz com finalidade de agradecer e chamar a atenção de Tenten, a qual estava afastando-se. Está virou para olha-lo e o viu apontando para própria cabeça pedindo o boné novamente. Tenten lançou o acessório logo em seguida deixando-o sozinho.

*

16:00 horas – Costa Rica.

— Foi o que pensamos. – Temari comentou com Shikamaru. – Mas precisamos de confirmação.

— Com esquema que montamos vai dar para verificar. – Olharam-se e afirmaram positivo. Finalmente o próximo passo.

— Onde estão? – Temari perguntou pelos membros da equipe, os quais deveriam estar na segunda sala para a reunião. Shikamaru olhou no relógio e inclinou a cabeça para o lado.

— Devem estar chegando. – Respondeu à pergunta. – Quer conversar enquanto esperamos?

— Conversar sobre o que? – Temari o olhou diretamente nos olhos. Não tinha mais nada a ser discutido, apenas repassado.

— Sobre ter me carregado para casa? – Shikamaru sorriu e negou. Logo ele, o conservador e cristalizado machista sendo carregado por uma mulher. Temari podia fazer uso disso em suas piadas, mas Shikamaru já não era o mesmo homem desde que se encontraram pela primeira vez, onde a empatia não era muita.

— E de ter posto para dormir? – Temari comentou séria e negou com a cabeça enquanto Shikamaru levou as mãos para o rosto. – Não, não. Prefiro não comentar.

Temari arrumou o cabelo e cruzou as pernas ao sentar-se sobre a mesa, onde Shikamaru escorava-se até então.

— Quer falar de algo que não envolva o trabalho? – Shikamaru tentou mais uma vez e Temari afirmou positivo.

— Sabe que a chance te termos ficado ontem eram maiores, não é? – Shikamaru fechou um olho e Temari continuou séria mesmo referindo- se a ato sexual de forma reta, curta e direta. Porque entre outras mil coisas sexo não era tabu para a Sabaku.

— Em quanto por cento foram reduzidas? – Shikamaru virou-se para encara-la e Temari sustentou um semblante reflexivo na face.

— Deixe-me ver. – Levou um dedo até os lábios e Shikamaru sorriu fino. Apenas não falava que Temari era um estouro de mulher, pois outra já tinha recebido esse título e literalmente Tenten explodia muitas coisas.

— Em 1 por cento ou talvez 2% — Shikamaru cruzou os braços e Temari sorriu aberto.

— Acho que não está tão ruim, não? – Shikamaru aproximou-se ainda mais de Temari. – 98% não é tão ruim.

— Você tem razão. – Temari falou baixo devido aproximação. – Apenas precisamos beber umas doses.

— Mas dessa vez em menor quantidade.

— Isso. – Temari sentiu os lábios do Nara e logo afastar, pois repentinamente uma voz surgiu próximo ao cômodo.

— Desculpe o atraso, mas fui vestir-me adequadamente para reunião. – Naruto chegou ainda passando a mão na camisa afim de diminuir os amaçados. Temari negou e riu ao mesmo tempo que Shikamaru mordeu o lábio inferior. Por que Naruto era tão pontual? O Uzumaki a ver os dois próximos demais parou de caminhar. – Atrapalhei alguma coisa?

— Não tem nada para atrapalhar aqui, Naruto. – Temari respondeu e retomou a seriedade. O loiro sentou-se após ver Sasuke entrar e sentar-se ao seu lado. Detalhe: sem camisa.

— Sasuke. – Naruto falou baixo. – Onde estão seus modos?

Sasuke o encarou incrédulo, por que se tinha alguém ali que não deveria falar em etiqueta era Naruto.

— Você vive sem camisa e quando veste uma parece que a vaca mascou. – Sasuke referiu-se ao amarrotado da camisa.

— Ao menos estou vestido, legal? – Naruto negou e Sasuke levantou-se indo buscar sua camisa. Quando Naruto queria ele era uma pedra no sapato de muita gente. Sasuke retornou minutos depois encontrando todos da equipe aguardando o início da reunião silenciosamente, o fazendo recordar-se do quartel.

— Finalmente boa parte dos arquivos foram descodificados. – Shikamaru começou calmo. – E graças a eles ficamos sabendo de algumas coisas e precisamos confirmar outras.

— Estamos indo para o próximo passo, pessoal. – Temari prosseguiu e descruzou os braços. Shikamaru puxou uma cadeira a ver que Temari iria tomar a frente das explicações, mas ao sentar-se recebeu um olhar inquisitório e fulminante. – Eu e Shikamaru iremos dizer o que obtemos até o momento.

— Primeiro precisam saber que como o nível de codificação é muito alto o sistema não conseguiu todas as informações. – Temari fez uma pausa. – E por isso podemos estar saltando no escuro.

— Entretanto não podemos esperar por mais tempo. – Shikamaru prosseguiu. – Não temos ideia de quem é o inimigo e nem sabemos com o que estão trabalhando, mas um detalhe chamou nossa atenção no meio das informações incompletas e confusas: a iniciativa C.

— A Iniciativa C é apontada diversas vezes tanto nos relatórios extraídos da Corporação Tauros Colt, bem como da base russa. – Temari pontuou. – Mas não especificam exatamente do que se trata e aparentemente não tem ligação com a Operação Cadillac 52.

— Contudo como foi informado e reforçado nos arquivos houve um grande roubo de urânio enriquecido. – Shikamaru reforçou a informação e acendeu um cigarro enquanto a maioria dos combatentes permaneciam de braços cruzados. – Cogitamos que o urânio fosse utilizado para fazer bombas de grande potencial destrutivo a nível nuclear, mas não há relatos de atividades de teste nucleares em nenhum canto da Terra e por isso e mais um fator descartamos essa hipótese.

Sasuke olhou para Naruto rapidamente e Tenten franziu o cenho ao mesmo tempo que os outros mantiveram-se concentrados nas informações com finalidade de não deixar nenhum detalhe passar despercebido.

— Senhores, além de bombas nucleares para que o urânio é utilizado? – Temari questionou a todos, mais especificadamente olhando para Tenten.

—Urânio é uma fonte de energia e calor muito grande mesmo sendo instável. – Tenten respondeu rapidamente. Sabia para que urânio era utilizado via de regra.

— Exatamente, Tenten. – Temari prosseguiu. – Até então pensamos que estavam utilizando urânio em bombas nucleares, entretanto ao deparar com a Iniciativa C descartamos tal hipótese e chegamos à conclusão que estão utilizando a fonte de calor/energia para manter alguma conter ou alimentar algum organismo biotecnológico.

Alguns entreolharam-se rapidamente e sentindo falta de esclarecimentos e ligação nas informações.

— Para melhor compreensão a Iniciativa C envolve uma grande corporação da indústria farmacêutica de origem norte-americana. – Shikamaru usou o projetor para deixar o logo da empresa visível a todos. – A Corporação Hozai, praticamente detêm o monopólio na indústria farmacêutica.

— Hozai? – Sakura descruzou os braços e apoiou os cotovelos nos joelhos. – A Hozai aplica grande parte de seus rendimentos em pesquisas nas áreas de genética e bioquímica, bem como em química fisiológica.

— Já obteve contato com essa corporação, Sakura? – Shikamaru questionou e captou o olhar de soslaio de Temari.

— Infelizmente não. – Sakura negou. – Sei sobre, pois era para ter acontecido. A junta médica e de pesquisas bioquímica da marinha iriam realizar um estudo em conjunto, mas acabei sendo excluída devido a questões pessoais.

Sakura informou e logo passou a mão na testa sob o olhar analítico de Shikamaru. Que questões pessoais? A mesma pergunta que todos faziam internamente.

— Entendi, mas qual é a relação entre essa corporação e todas as instituições que averiguamos até o momento? – Ino inquiriu interessada.

— Não sabemos qual é a ligação, mas que existe uma: a iniciativa C. – Temari pontuou. – Precisamos descobrir mais informações a respeito e para que o uso do urânio.

— A possibilidade de conter algum organismo vivo com o uso do urânio é bastante válida. – Naruto comentou concentrado. – Precisamos extrair informações dessa iniciativa e principalmente verificar qual é a relação com a Cadillac 52 urgentemente.

— Isso mesmo loirinho. – Temari sorriu um pouco boquiaberta. Naruto era inteligente ao extremo quando queria. – E faremos isso.

— Hoje cedo recebi uma confirmação. – Shikamaru começou a informar enquanto mexia no notebook. – Irá ter uma grande amostra da Hozai em Bangladesh em um evento da vigésima amostra de desenvolvimento biotecnológico e farmacêutico. Dois executivos do ramo inscreveram-se e irão participar. Eis são os caras.

Shikamaru projetou a imagem dos dois executivos e todos prestaram a atenção nos indivíduos até verem as fotos de Gaara e Hinata.

— Ou os agentes da vez. – Temari prosseguiu. – Estávamos pretendendo averiguar a corporação por precaução a um tempo e com antecedência inscrevemos dois combatentes.

— Hinata por mostrar ter grande capacidade de saídas evasivas e Gaara por suas habilidades em combate. – Shikamaru virou sua cadeira. – Alguma objeção?

— Nenhuma. – Hinata e Gaara manifestaram em uníssono.

— O objetivo da pequena operação é, novamente, obter dados precisos da iniciativa C. Seja lá o que for o sigilo entorno desse projeto é muito denso. – Temari inspirou ar. – Elaboramos toda a operação que ocorrerá entre dois dias. Combatentes que não farão parte da infiltração direta farão a parte de suporte, cada qual com uma função especifica.

— Pelo evento em si a segurança estará bem reforçada. – Shikamaru desligou o projetor e tragou o cigarro. – Prevemos que o inimigo associe as operações anteriores e reforce, para que não haja intervenção neste evento. Provavelmente estarão preparados para qualquer intervenção, caso exista mesmo uma ligação entre Inciativa C e a Cadillac 52.

— Calculamos cada passo desta operação. – Temari prosseguiu. – E não vamos falhar.

— Sim, senhora. – Responderam em uníssono e Temari sorriu rapidamente para Shikamaru. Estava tudo planejado agora era apenas executar tudo com perfeição.

— Vamos pegar esses caras. Até o momento isso é tudo, repassaremos as funções de cada um entre horas. – Temari virou-se, mas não ouvindo nenhuma movimentação retornou a fita-los. Virou as palmas das mãos para cima em um claro sinal de: estão esperando o que? – Dispensados!

Notas finais
Caso alguém aviste um duende verde me avisa porque estou atras desses caras faz um tempo já. HAHAHA Eles fazem parte da folclore Irlandês e realmente eles dizem que os duendes tem potinho de ouro. Legal, né? Sakura nasceu lá :D E Sasuke é Inglês! Não quis ofender norte-americano nenhum, hein! Pelo amor de Deus! E além das continuidades de interesses amorosos, entre conversas de sentido explicito, outras implícitas e sermões surgiu mais uma informação sem consistência: a Iniciativa C. Que raios de negócio é esse, gente? Uma operação foi montada para descobrir então aperte o cintos que o próximo capítulo será recheado de ação ;) Até lá, espero que tenham gostado deste! Beijinhos baby's! ♥