Combatentes
19 ERROR 404 - Parte I
Notas iniciais
Respiração acelerada, pupilas dilatadas e passos apertados. Em sua cabeça a única frase que repetia diversas vezes era: estou sozinha e preciso sair. Dobrou um corredor, andou mais uns metros e chegou ao seu destino.
Puxou a única arma branca que tinha consigo, a única que sobrou. Hinata inspirou fundo ao mesmo tempo em que o inimigo se aproximava afoito. Tudo tinha dado errado e agora ela tinha que sair.
— Não vai dar. – Olhou para grande vidraça a sua frente. Verificou o corredor e o desespero zombar de si. Visualizou suas mãos sujas de sangue e as íris de tonalidade tão incomuns brilharam ainda mais. Ela não iria chorar, não. Porque como disse Naruto.
— Piloto cai e explode. – Lembrou, firmou os pés e correu em direção até a vidraça ampla. Não tinha opção: ou pulava ou morria, mesmo que pular não a levaria a situação diferente.
Hyuuga Hinata morta em combate.
******
3 horas antes, evento Hozai – Bangladesh.
De salto alto ou como suas novas amigas costumavam dizer: salto de stripper, usando um vestido formal no tom preto e com um singelo colar de pérolas: Hyuuga Hinata uma importante CEO que acabava de ter acesso permitido ao maior evento da Hozai corporação. Ao seu lado, não em trajes muito diversos do formal estava o seu colega de trabalho vestido adequadamente para o evento, Sabaku no Gaara observava Hinata a caminhar e atrair vários olhares para si.
— Se a intenção era não chamar a atenção estamos falhando miseravelmente. – Hinata o olhou rapidamente e os lábios desenhados e tingido de um vinho surreal formou um sorriso efêmero. – O que têm nesta maleta?
Gaara questionou andando ao lado da Hyuuga e sendo cumprimentado com um acenar de cabeça por terceiros. Hinata iria responder exatamente quando um organizador do evento se aproximou sorridente. Ambos olharam-se questionando um ao outro se aquele guia do evento fora previsto no plano.
— Senhores, a Hozai fica contente pela presença no evento. – Um sorriso fino foi sustentando por ambos. – Serei o guia de vocês. Por favor, acompanhem-me.
Hinata afirmou e Gaara manteve uma dureza e frieza no rosto. Quem o olhasse poderia confundir perfeitamente com o seu falecido pai e jamais associaria aquele Gaara ao Gaara de sempre. Parecia pessoas distintas.
Hinata começou a caminhar um pouco atrás enquanto o guia do evento explicava algo a Gaara. Levou a mão até o brinco de perola e o apertou, ativando o comunicador.
— Estamos presos com um guia. – Informou. – Assim que livra-nos dele prosseguiremos adiante.
— Copiado. – Voltou a sorrir, agora mais abertamente para o guia, o qual estranhou a mulher estar falando sozinha aparentemente. Entretanto o detalhe passou batido, quando Hinata exigiu ver as pesquisas referente ao mal de Alzheimer.
*
— Eles estão presos com um organizador. – Shikamaru comentou com Ino e Temari, as quais estavam na equipe de apoio. – Vai demorar até seguir com a infiltração.
— Certo. – Temari ligou o comunicador o sintonizando-o com os outros comunicadores. – Aguardem em seus postos.
Ino apertou o volante mesmo com o carro de alta cavaladas estando desligado. Shikamaru olhou para Temari e afirmou positivo: tinham feito uma ótima escolha. A parte deles seria a seguinte: Gaara e Hinata ingressariam no evento e consequentemente no prédio da Hozai, extrairiam a informação acerca da Iniciativa C e evadiriam pela lateral do prédio, onde Ino os aguardava pacientemente para virar piloto de fuga com os combatentes e a informação.
— Onde está Sakura? – Temari informou olhando para a tela do notebook, o qual exibia a imagem do drone que sobrevoava as proximidades da Hozai. – Achei. Ela está com um Camaro SS 1980?
Temari inquiriu olhando para Shikamaru, o qual continuou a digitar uma sequência sem olha-la. Parou e a encarou.
— Sim, foi o carro que ela pediu. Um V8. – Shikamaru jogou os ombros para cima voltando para sua função. – Ela é a piloto de fuga distrativa. Ao mesmo tempo que evadimos sem chamar a atenção, Sakura atrairá os possíveis perseguidores, caso tudo dê errado.
Como Ino já tinha posto à prova a habilidade que tinha com direção de veículos em alta velocidade ficou com a função de retirar os infiltrados enquanto Sakura a de atrair a atenção, visto que ela era piloto de automobilismo. Tinha experiência.
— Eu sei, não precisa frisar essa informação novamente. – Temari o encarou e negou com a cabeça. – Mas um carro de oito cilindros? Não acho que seja o suficiente para sair ileso de uma perseguição.
— Isso é preocupante. – Shikamaru trincou os dentes rapidamente. – Bom, mas ela que escolheu então deve saber o que está fazendo.
— Pode ter certeza que sim. – Ino comentou pela primeira vez na conversa. Dentre todos os combatentes ela era a mais séria e centrada em sua tarefa mesmo que não estivesse executando-a. – Ela estacionou o carro na frente da Hozai.
— Mesmo assim não deveria ter permitido, Shikamaru. – Temari ralhou nervosa e Ino ficou em silêncio. O Nara parou de morder um palito que estava no canto da boca sem entender o motivo daquela preocupação para com o veículo utilizado pela médica. – Sasuke, está na escuta?
— Na escuta. — Temari obteve resposta e começou a instruir os outros dois combatentes de apoio. Naruto e Sasuke. E Shikamaru parou de observa-la. O que estava havendo com Temari?
*
— Acho que esse é o local mais próximo que podemos chegar. – Sasuke comentou com Naruto, os quais burlaram a segurança e invadiram uma área restrita.
— Aqui está ideal. – Naruto comentou assim que terminou de subir a escada que dava acesso a caixa da água. – Temos uma visão ampla, caso resolva aparecer reforço iremos poder alertar a equipe.
Falou enquanto verificava toda a extensão entorno do prédio da Hozai com um binoculo de uso militar. Sasuke afirmou ao mesmo tempo que observava pessoas participantes do evento adentrarem o colossal prédio.
— Sasuke, não acha estranho a restrição de aérea ser tão ampla? – Naruto encarou o amigo encontrando dois olhos negros e a concentração aparente do Uchiha. Sasuke afirmou.
— Bastante, porque é um evento numa área bem central da cidade, afinal. – Concordou com Naruto e logo apontou para uma rua. – E Sakura está bem lá na frente, caso dê errado ela vai ser a primeira a morrer.
— Sasuke, está na escuta? — O Uchiha escutou a voz de Temari através do fone. Naruto iria comentar algo sobre, mas o viu levar a mão até o ouvido.
— Na escuta. – Respondeu e Naruto voltou a vigiar o local.
*
— Esse Camaro está estacionado aqui desde ontem. – Um trabalhador, da segurança, informou ao colega enquanto averiguavam o perímetro.
— As ordens foram bem claras. – O outro rebateu tentando visualizar o interior do carro aproximando o rosto do vidro fumê, o qual casava muito bem com o tom preto do automóvel. – Nenhum automóvel sem permissão é para ficar dentro do perímetro.
O outro deixou uma expressão lastimável na face. Aquela falha na segurança iria resultar em um belo sermão.
— Vamos chamar o guincho? – Questionou ao cruzar os braços. O outro o olhou, sabendo que aquele era o procedimento cabível.
— Vamos esperar o nosso turno acabar. – O outro comentou. – Deixe para os próximos fazerem isso, afinal esse carro está aqui desde ontem. Deve ter quebrado ou algo do gênero. Não vai sair cantando pneu agora, não é?
O outro segurança concordou sem pensar. Sim, aquele carro não iria sair cantando pneu.
— Está certo. – Arrematou a conversa e continuaram a verificar o local, pois um Camaro era algo bem normal! Obviamente não.
— Essa foi por pouco. – Sakura levantou-se do carpete um pouco torta. Pulou para o banco da frente e colocou as mãos no volante. – Se vamos cantar pneu? É claro que vamos.
Respondeu a si própria de forma animada. Olhou para a fachada do prédio localizado a uns seiscentos metros de distância da onde estava. Esperava que tudo ocorresse certo. Prendeu o cabelo curto em um rabo de cavalo e abanou o próprio rosto.
— Que calor! – Comentou sentindo o ar compactado do automóvel totalmente fechado. – Será que vai demorar?
*
1 hora antes, Hozai – Bangladesh.
— A Hozai agradece a presença na palestra introdutiva ao evento. – Hinata e Gaara escutavam o palestrante, sentados em meio a uma porcentagem notória de participantes. Desde de doutores da área à estudantes e executivos. – Por favor, sigam para ala B do prédio. Dentre minutos a demonstrações experimentais irão ser exibidas.
Gaara e Hinata olharam-se ao mesmo tempo que batiam palmas feito as outras pessoas. Aquele era o momento de sumir do campo de visão do guia que os acompanhava. Levantaram-se e seguiram junto com os outros participantes. Ao atingirem a porta o guia os aguardava com um sorriso aberto nos lábios.
— Temos que nos livrar dele. – Hinata comentou irritada. Gaara a olhou e afirmou.
— Iremos.
— Por favor, senhor e senhora. – Hinata manteve-se séria e Gaara estranhou a perceber que além de algumas outras pessoas, eles eram os únicos a ter guia no evento. De fato, estranho. – Acompanhem-me.
O homem começou a andar em direção oposta da maioria dos participantes e dos outros guias para executivos. Hinata apertou a mão na alça da maleta e Gaara a encarou. Algo estava errado.
— Desculpe-me, mas acho que estamos indo em direção errônea. – Hinata falou, mas não como habitualmente. Sua voz parecia macia e era viciante de se ouvir somando ao sorriso que ela distribuía apenas melhorava o quadro da situação. Gaara arcou as sobrancelhas rapidamente ao captar o quão sedutor era aquele jogo que ela fazia.
— Aparentemente sim, senhora. – O guia informou de forma simpática, colocou as mãos em frente ao corpo entrelaçando os dedos e abriu um sorriso estonteante. – Mas os senhores foram convidados para uma amostra privativa. Por favor, acompanhem-me.
Regressaram a caminhar. A cada momento que se afastavam mais do público, mais pessoas passavam encara-los. Se entreolharam e afirmaram.
A casa tinha caído. Tinham sido descobertos.
*
— Eu estou de castigo, não é? – Tenten, estirada no chão, ao lado de Neji questionava mesmo já sabendo a resposta. – Nem comunicador eles deram-me.
Manteve uma expressão questionável na face: expressando um sentimento de tristeza, o qual não era verdade, pois segundos antes ela estava, literalmente, quase morrendo de tanto rir de algo que ela via no celular. Em mesmo tempo que o Sniper da equipe, a um quilometro do prédio da Hozai, tentava cobrir a maioria dos combatentes.
Tenten não obteve resposta à sua pergunta, a qual parecia mais uma afirmação e revirou os olhos castanhos. Parou de mexer no celular fazendo a menção que iria levantar-se.
— Quantas vezes vou ter que dizer para você ficar deitada? – Inquiriu sem mesmo desviar o olho da mira. Nenhum segundo, nada poderia escapar da sua mira. E bem, se não estivesse olhando provavelmente alguma coisa passaria batido. Tenten inflou as bochechas e retornou a deitar-se contrariada.
— Eu sei que você sabe que estamos em um prédio de trinta andares. – Começou irritada. – A um quilometro de distância! Um quilometro, então acho que não vou levar um tiro na cabeça por sentar-me.
Neji franziu o cenho. Quando Tenten ficou sem função na operação porque não poderia por prédio nenhum abaixo devido a área ser urbana e cheia de civis e quando Shikamaru propôs que ficassem juntos Neji não achou uma péssima ideia. Agora já não tinha tanta certeza. Tenten fazia muito barulho para o seu gosto.
— E o que faz acreditar que não tem outro atirador? – Pela primeira vez Neji deixou o rifle para olha-la nos olhos, mesmo que, por segundos.
— Agora deixou-me sem argumento. – Tenten comentou ao mesmo tempo que mexia na mochila do Hyuuga procurando por algo. – E não é só atirar nele?
Era cada questão que parecia tão fácil de responder, mas que na verdade continha uma explicação complexa e entediante.
— Não. – Neji começou mesmo algo chamando a sua atenção. – Tenho que achá-lo, verificar se o vento está favorável e ter certeza que não vai desviar o curso da bala. Encontrar uma posição que fique a três centímetros abaixo da cabeça do alvo, para que, quando o coice da arma interferir a bala atinja a cabeça. Caso seja na cabeça o tiro. É por isso e por outras coisas que preciso de silêncio e concentração.
Neji terminou e não virou para ver a cara de incrédula de Tenten. Aquilo era muita elaboração para um tiro só! A Mitsashi negou voltando a mexer na mochila.
— É por isso que prefiro explodir as coisas. Apenas colocamos, acionamos e pronto! Tudo vai para os ares ou vem abaixo. – Levantou a aba do boné que usava por conta do sol afim de enxergar melhor o interior da mochila. — Tem nada para comer aqui?
— Não.
— Posso olhar na mira do rifle.
— Não.
— Olha! Um binoculo. – Tenten sorriu. – Isso eu posso pegar, não é?
— Sim. – Respondeu sem dar muita atenção ao capitar uma única movimentação. Tenten o deixou de lado para ficar observando a área com o binoculo.
— Que fachada imponente. Prédio majestoso. – Tenten comentava a arquitetura do prédio ao mesmo tempo que Neji acompanhava um homem a caminhar de forma familiar de mais: praticamente em marcha. – Eu iria adorar por esse prédio abaixo.
— Silêncio, por favor. – Neji pediu e Tenten não deu importância continuando a olhar a edificação.
— Eu teria que descer bem fundo para derruba-lo. – Neji deixou o homem de lado rapidamente.
— Por que? – Questionou interessado voltando para o rifle.
— A estrutura do prédio não vai apenas para cima como também vai para baixo. – Tenten continuou olhando no binoculo. – Tem parte subterrânea, por isso a base sobre a superfície é fina e não reforçada como vemos em prédios comuns.
— Você tem certeza? – Neji inquiriu. Aquilo era uma descoberta em tanto e uma informação perspicaz, visto que a planta que obtiveram do prédio não tinha extensões a subsolo.
— Absoluta. – Tenten o fitou. – Já explodi vários prédios com essa estrutura de sustentação. Temos que pôr dinamite nos alicerces.
— Certo. – Neji ativou o comunicador. – Shikamaru, na escuta?
— Na escuta. – Obteve resposta e Tenten fez bico.
— O prédio tem uma parte extra, no subterrâneo que não consta na planta. – Informou e esperou por uma resposta.
— Entendido. – Regressou para o rifle.
— Tem uma cafeteria naquela direção. – Tenten comentou vendo o comércio e a rua com vários transeuntes apressados. – Vou buscar um café.
— Não vai não. – Neji engatilhou a arma e Tenten não reclamou ao ouvir. O observou fechar um olho e o rifle acompanhar a movimentação de seu alvo. Neji estava mirando para matar.
— Vai ser rapidinho. Vou trazer um para você também. – Escutou, mas não cedeu atenção. Da entrada do prédio saia dois homens de porte atlético, andando de forma sincronizada. Um apontou para frente e Neji desviou a mira para ver o objeto indicado. O Camaro.
— Cinco minutos. – Falou para Tenten delimitando o seu tempo e o seu retorno. O café onde ela queria ir ficava em direção quase oposta da Hozai. E Tenten estava vestida feito uma civil, sendo assim ninguém a interceptaria.
— Apenas isso? Não dá nem tempo de sair daqui. – Tenten reclamou do tempo destinado a si. Cinco minutos! O que dava para fazer com isso?
— Quatro minutos.
— Está bem! – Estalou a língua no céu da boca. – Retorno em quatro minutos.
— Se arrasta até a porta de saída. – Neji orientou e Tenten revirou os olhos. Olhou para porta de metal que dava acesso ao terraço localizada do outro lado. Ótimo! Iria gastar seus quatro minutos arrastando-se. Hyuuga!!
*
—Sasuke! – Naruto sentado observando a área, chamou pelo Uchiha sem necessidade, quando viu uma movimentação estranha. – Por que parece que tem um comboio vindo para cá?
— Parece não. – Sasuke o corrigiu a ver o comboio pelo binoculo. – Estão vindo para cá.
— Vamos dar um fora. – Naruto guardou o equipamento simples que utilizava e desceu de cima da caixa de água deslizando as mãos no ferro da escada simplória. – O combatente mais próximo é a Sakura.
— Temari, temos companhia. – Sasuke informou antes de descer da caixa da água. – Estamos deixando o posto.
— Entendido. – Obteve resposta e desceu igualmente Naruto.
— Espero que já tenham conseguido atingir o objetivo da operação. – Naruto comentou enquanto corria até onde o carro de Sakura estava estacionado. – Temos que sair daqui.
*
— Hinata, na escuta? – Inquiriu rente ao comunicador e aguardou por resposta, a qual não veio. Negou para Temari. – Não obtive retorno.
As coisas estavam-se complicando.
— Deve estar impossibilitada de falar. – Temari respondeu e Shikamaru suspirou. Precisava repassar a nova informação o mais rápido possível, visto que o plano original consistia em subir e não descer alguns andares.
— Acho que temos outro problema além da comunicação. – Temari franziu o cenho ao escutar Sasuke. – Temos companhia.
— Preciso saber em que pé está a infiltração. – Shikamaru tentou invadir o sistema operacional, o que estava evitando fazer até o momento e não conseguiu. – Bom, se eles desconfiam que tinha algo suspeito agora eles têm certeza. Acesso negado ao sistema. Vou derrubar o Drone.
— Certo. – Temari concentrou-se e inflou as bochechas. No banco da frente com as mãos no volante Ino esperava pacientemente. Gaara não iria falhar.
— Shikamaru.— O Nara parou o que estava fazendo quando escutou a voz do Hyuuga. – Estão indo verificar o Camaro. Solicito permissão para efetuar disparo, caso necessário.
— Mais más notícias, Temari. – Shikamaru balançou a cabeça em negativo. Impossível que nada daria certo naquela operação? – Sakura está em risco.
— Vou manda-la sair de lá. – Temari respondeu rapidamente.
— Permissão concedida. – Temari olhou para Shikamaru respondendo no comunicador e negou com a cabeça não entendendo a situação. Pendido uma explicação com o gesto. Permissão para quê? – Neji vai efetuar disparo, caso necessário.
— Isso vai arruinar a operação! – Temari rebateu sentido o nervosismo. Passou uma mão no rosto e tentou contatar Sakura.
— A operação já está arruinada. – Shikamaru manifestou, mas no fundo acreditava que ainda estava em tempo.
— Na escuta. – Escutou a voz de Hinata — Tivemos um pequeno probleminha, mas já está resolvido.
E como se fosse um fio de esperança Gaara retornou o contato, mesmo que, fosse Hinata estar comunicando-se. O que havia acontecido?
*
— Hinata, está na escuta?— Continuaram a seguir o guia do evento. Hinata iria responder, entretanto sentiu uma mão pesar em seu ombro. Gaara alertou-a sobre a observação contínua de terceiros.
— Isso está ficando cada vez mais estranho. – Gaara comentou com a Hyuuga e ingressaram no elevador. Se olharam e depois encararam o guia.
— Iremos para o último andar. – Este informou sorridente. Gaara olhou para a câmera de segurança rapidamente. Estava fácil demais! Tinha algo fora do normal, pois se o que estavam procurando estava nos últimos andares espera-se uma segurança mais reforçada e uma dificuldade maior.
— Não me sinto bem. – Comentou para com Hinata sob o olhar analítico do guia. – Preciso beber um pouco da água.
— Aguarde um momento, senhor. – O guia interferiu. Hinata franziu o cenho, afinal porque era tão importante chegar no último andar?
Hinata apertou o botão para o próximo andar de numeração vinte e o guia deixou o desespero em evidência.
— Vamos a um bebedouro e depois prosseguiremos. – Respondeu duramente e novamente o guia arregalou os olhos.
— Não! Temos que ir ao... – A porta do elevador começou a abrir e pela fresta Hinata pode visualizar o corredor. Seus olhos arregalaram-se rapidamente. Estava sendo levada para o matadouro.
— Soldados! — Bradou e mal a porta se abriu e Gaara evadiu-se do elevador. Hinata olhou para o guia e inclinou a cabeça para o lado antes de acerta-lo com um soco, mas não fora o suficiente para abate-lo. A porta começou a fechar-se e Hinata vendo que iria perder o contato visual com Gaara distraiu-se por segundos. Distração que a presenteou com um belo soco próximo a orelha. De imediato sentiu o gosto metálico do sangue na boca, olhou para o guia e este não estava mais sorrindo simpaticamente.
— Era o que faltava-me. – Hinata cuspiu o sangue que juntou na boca. E acertou o guia com a maleta que carregava até então bem na cabeça. Vendo que o mesmo não iria acordar tão cedo da pancada buscou contato pelo comunicador, mas este havia quebrado no momento que levou o soco.
— Hoje não é meu dia de sorte. – Apertou o número vinte: andar onde Gaara havia descido. A musiquinha irritante de elevador chamou sua atenção. Começou a bater o pé sem paciência. Olhou para sua maleta manchada de sangue e sorriu. Abriu a mesma vendo os revolveres que tinha trazido sem permissão. Olhou para o indicativo de andares do elevador observando-o: 28, 29 e 30. Era a hora de descer, mas Hinata destravou um revolver e esperou a porta abrir-se. Iria balear qualquer um que aparecesse na sua frente.
Todavia ninguém apareceu. O elevador começou a descer e Hinata novamente cruzou os braços.
— Espero que Gaara tenha a mesma sorte que eu.
*
— Soldados! – Escutou Hinata alerta-lo. Gaara franziu o cenho e seguiu para o corredor. Chegando neste deparou-se com três brutamontes, os quais continuaram passivos com sua chegada repentina ao corredor.
O apito soou, a porta fechou-se e foi então que os três soldados despertaram para Gaara, pois aparentemente estavam assistindo o embate dentro do elevador, onde Hinata acabava de levar um soco.
— Ótimo. Boinas verme... – Gaara mal terminou sua frase e levou um soco no maxilar. Fora puxado pela gola da camisa por trás e recebeu um soco no estômago de outro soldado. – Com tantos andares para escolher tinha que ser logo esse, Hinata?
Reclamou. A surra que iria levar tinha tudo para ser boa e seria caso Gaara não soubesse bater. Livrou-se do soldado que o segurava pela camisa com um chute, deferiu uma cotovelada no qual o esmurrou no rosto e viu o que lhe socou no estomago entrar em posição de combate corporal.
Gaara prostrou-se em posição de combate protegendo sua guarda ao mesmo tempo que verificava os dois soldados recuperando-se de seus golpes evasivos. Sorriu debilmente ao ver um cuspindo sangue. Porque quando o cara cospe é porque ele é duro de derrubar.
— Que saudade de você, Ino. – Murmurou antes do embate iniciar-se. Saudades, pois caso ela estivesse ali tudo ficaria bem mais fácil. E ele com certeza apanharia menos.
*
Dois revólveres e uma garota. Poderia ser um nome de um filme, mas era Hinata esperando a porta do elevador abrir. E está mal abriu e o cano longo e metalizado de um revolver ficou em evidência.
Um
Dois
Três.
Efetuou três disparos assim que saiu do elevador. Mesmo Gaara tendo derrubado um no soco e Hinata dois na arma ela atirou na perna do desmaiado.
— Precisamos sair do prédio. – Gaara informou enquanto seu supercilio sangrava. – Soldados das forças especiais. – Apontou para os três soldados abatidos.
– O prédio deve estar cheio.
— Certo. – Hinata entrou novamente no elevador e Gaara a seguiu. Abriu a maleta e deu um revolver para Gaara. Este olhou o conteúdo e viu um taco de beisebol de encaixar. Franziu o cenho em seguida e Hinata levantou as sobrancelhas rapidamente.
— Um taco de beisebol? – Gaara sentia as narinas arder ao respirar devido aos socos que recebeu na face. – Você não transmitia muita agressividade, mas agora que você matou dois caras e está carregando um taco de beisebol de metal...admito que estou com medo de você.
Hinata arregalou os olhos. Não era possível que Gaara estava brincando numa situação daquela, era?
— Preciso do seu comunicador. – Hinata esticou a mão e encarou o ruivo que afirmou sem pensar. Era obvio que, quando as portas do elevador se abrissem um pequeno pelotão estaria pronto para entrar em combate direto.
O plano era: ele batia com os punhos e ela atirava com as armas. Perfeito. E ainda reatava a comunicação com Shikamaru. – Eu era uma ótima rebatedora no colegial.
— Não duvido. – Gaara retirou o paletó enquanto Hinata encaixava o comunicador transparente na orelha.
— Na escuta. – Respondeu Shikamaru. — Tivemos um pequeno probleminha, mas já está resolvido.
Gaara a encarou. Pequeno probleminha? Tinha levado uma surra e estava sentido o estômago reclamar ainda pelo soco.
— Certo.— Escutou Shikamaru. — Onde vocês estão?
— No vigésimo quinto. – Respondeu e esperou o retorno. A franja no tom peculiar azul balançou junto com a cabeça. – Algum problema, Shikamaru?
Aguardou resposta, mas esta não veio. Segundos passaram. O elevador continuou o seu trajeto. E no silêncio do Nara, Hinata soube que tudo tinha ido para os ares. Tinham que deixar o prédio.
— Vocês têm que deixar o prédio agora!— Escutou a voz altera de Shikamaru. — Abortar missão.
Os lábios no tom vinho se abriram rapidamente, formando uma imagem bonita de se ver e ao mesmo tempo desesperadora. Hinata negou para Gaara no exato momento que a porta abriu e por ela pode ver mais soldados.
Um deles em especifico estava com um maldito revolver e este não estava apontado para si.
O som do disparo e dos latidos caninos faziam eco em seu ouvido. Olhou para seu companheiro e tudo pareceu ocorrer em câmera lenta. Nada podia ficar pior, podia?
Para Gaara tinha acabado de ficar e para Hinata ainda ficaria.
*
45 minutos antes, Hozai – Bangladesh
— Sakura, você tem que deixar o local!— A Haruno escutou Temari, literalmente, gritar em seu ouvido, mas não se desesperou por isso ser um sinal bem ruim. Pessoas gritando em missões nunca era um sinal bom porque agora seria? E bem, Sakura estava vendo com os seus próprios olhos o quão ruim a situação estava.
Porque Naruto e Sasuke correndo em direção ao carro não significava algo positivo, ela subentendia. E não mais importante tinha dois caras vindo verificar o Camaro, onde ela estava e colocava um par de luvas rapidamente. Ligou os motores e o som do carro a fez sorrir.
— Entendido. – Respondeu Temari e segurou a ansiedade de dar partida, porque Naruto e Sasuke teriam que chegar até ela. Por conta dos participantes andando de um lado para o outro e atropelar um montante deles estava fora de cogitação.
— Anda, anda. – Murmurou e olhou os dois soldados que marchavam até o Camaro. Cada vez mais próximos. Abriu o porta-luvas e pegou um revolver segurando-o junto do volante. Iria ter que atirar, afinal.
Suspirou sentindo, novamente, a responsabilidade pesar. Nem mesmo questionou se a operação tinha obtido êxito, pois pelo modo que Temari se expressou ficou claro que não.
Abriu a porta do passageiro, escancarando-a. Mirou em um dos soldados, os quais começaram a correr quando notaram a possível fuga do misterioso Camaro preto. Levou o dedo no gatilho exatamente quando o inimigo sacou uma arma. Sakura negou. O evento estava tão bonito. Era uma pena estraga-lo. E de todas as maneiras que pensou que colocaria os pés dentro do domínio da Hozai, corporação que não trazia boas recordações, aquele modo era o mais improvável e imaginável.
Escutou o som típico de disparo e assustou-se instantaneamente. Olhou para Naruto e depois para Sasuke cada vez mais próximos. Estavam servindo de alvos. Novamente o dedo fora para o gatilho e Sakura suspirou ao lembrar o quão eram péssimas suas experiências com armas.
— Que droga. Andem logo! — Gritou para os colegas sentindo um desespero grande a ver o soldado cada vez mais próximo. Convenceu-se a si própria que teria que atirar e era isso que iria fazer, mas Sasuke entrou na frente.
— Ei, espera ai! – Gritou para Sakura não atirar e sentou-se no banco de passageiro. A multidão de participantes naquela altura do campeonato já tinha dissipado aos gritos devido aos disparos dos soldados. – Naruto, anda logo!
Sasuke gritou para o Uzumaki. Uma sensação gélida perpassou por seu corpo a ver que Naruto seria baleado. Sakura prendeu a respiração a ver a arma, o soldado e Naruto correndo sem notar que estava sendo alvo fácil.
Um corpo caiu no chão e junto dele a médica soltou a respiração.
— Meu Deus! – Gritou a ver Naruto ainda correndo e este chegar segundos depois no carro.
— Essa foi por pouco. – Sakura deu partida e acelerou o automóvel ao mesmo tempo que Sasuke fitava Naruto intacto e ofegante sem entender o que tinha acontecido. – Neji.
Explicou o abate do soldado e pelo retrovisor Sakura viu o outro cair do mesmo modo. Olhou para vários arranha-céus e não soube dizer em qual o Hyuuga estava. Sorriu rapidamente, entretanto ao fitar o retrovisor o sorriso morreu. Sasuke, pessoa que o observava deixou um semblante de cansaço em evidência. Também fitou o retrovisor e viu o motivo pelo qual Sakura retomou a seriedade.
— Temos companhia. – Naruto escutou Sakura e olhou para trás visualizando os carros. E tinha uma certa desconfiança de que não era um racha que queriam apostar com a Haruno. – Vamos sair daqui.
Sakura comentou, trocou a marcha manualmente e concentrou-se na estrada. Olhou para a edificação da Hozai e negou. Não deixaria que acontecesse novamente.
— Desta vez não vou capotar. – Comentou somente para si. Sasuke escutou, fitou-a e depois encarou Naruto, o qual parecia ter recebido uma péssima notícia. Qual era o problema do Uzumaki? Pilotos não caiam e explodiam? Então, corredores capotam.
*
O dedo apertou uma e duas vezes o gatilho do rifle de longo alcance. Pela mesma mira do rifle pode ver as pessoas correrem desesperadas, o Camaro preto queimar os pneus e logo sair em alta velocidade.
Desviou o olho da mira rapidamente para pôr sobre o relógio de pulso. Voltou sua atenção para arma a tempo de ver carros em perseguição. Fechou um olho ao verificar o prédio e o abriu em seguida.
— Droga. – Comentou e ativou a comunicação. –Interferência das forças especiais. Repito: boinas vermelhas.
Voltou o olho a mira continuando com o seu trabalho, contudo os olhos desviaram para o relógio de pulso novamente.
— Onde ela se meteu? – Questionou sobre o paradeiro da Mitsashi. Os quatro minutos dela já tinha ido para o espaço e a operação seguiu o mesmo rumo com a chegada de reforço a segurança.
— Copiado. – Shikamaru respondeu e Neji voltou sua atenção para porta que dava acesso ao terraço. Procurou pelo seu celular com a mão esquerda e não o achou. Não demorou mais do que milésimos para a sobrancelhas juntarem-se.
Como iria ligar para Tenten se o celular dela tinha ficado sem bateria de tanto assistir vídeos? E como não fosse o bastante tinha pego o dele também, o qual estava com ela. Inspirou ar e iria praguejar.
Exatamente quando uma informação chegou aos seus ouvidos. E saber de Tenten já não era primordial.
*
Latidos. De todos os sons do mundo, aquele sem sombra de dúvidas, era o que mais o atordoava. E eram eles, os latidos que Gaara escutava enquanto a porta do elevador abria-se.
Medo.
Cada gota do seu sangue gelou, sentiu o frio subir pela espinha e os pelos de seus braços erriçarem. A força da mão sobre o revolver dobrou de tamanho. Sua cabeça automaticamente inclinou para baixo, como se seu inferno estivesse ali: a poucos metros, para baixo, babando e latindo ferozmente.
E estava.
Nos segundos que a porta se abria Gaara conseguia ouvir o próprio som da respiração. Estava pesada. Sentia o peso do corpo dobrar e seus ouvidos zunirem a cada latido.
O som do disparo.
De um único disparo o fez despertar, mas não totalmente. Os olhos verdes reluziram e arderam. Aquilo era um pesadelo. Viu o cano da arma: Metalizado, prateado e tão assimétrico. Sentiu uma mão envolver o seu braço e o tranco ao ser puxado para o lado.
Ouviu mais disparos e encarou os caninos nas coleiras, sendo segurados com força. As patas deslizando no chão ao tentarem escapar do que os seguravam. A baba e os olhos arregalados.
Desviou a atenção dos cachorros a ser empurrado com força para uma das paredes prateadas do elevador. E pelo espelho que tinha pode ver Hinata apertar o botão para descer e efetuar vários disparos.
O ar parecia ter resolvido entrar em seus pulmões assim que a porta, novamente começou a fechar-se. Fitou Hinata nos olhos e a seu ver ela parecia preocupada com algo. Talvez com os cachorros.
Viu mãos tentando impedir que a porta fechasse e Hinata destinar uma bala a cada uma delas. Em todas as vezes, até que sobrasse uma fresta.
E por que ela não fechava?
A garganta ressecou a ver o focinho do cão no vão da porta metálica do elevador. Os dentes amostra, ferozes e afiados. Prontos para pega-lo.
— Gaara! – Escutou o seu nome. Estava perto, mas parecia tão distante e surreal. Outro disparo e o som do fino chorar de um cachorro.
A porta fechou-se por completa assim que Hinata atirou no focinho do cão de laboratório. Criados para caçar e treinados para matar.
Respirou fundo e tudo aparentou retornar ao normal. Escorregou pela parede do elevador e o corpo de Hinata desceu junto ao seu. Estava suando frio. Sentia a barriga arder e as mãos de Hinata apertando o local apenas piorava a queimação.
— Você vai ficar bem. – Escutou a Hyuuga e um flash de memória veio a sua cabeça feito um raio numa noite de tempestade. O fazendo tremer. – Gaara, me escuta!
Olhou para Hinata com as mãos sujas de sangue. Do seu sangue. Tinha sido ferido porque estava com medo. Apavorado. Afirmou positivo para Hinata, visivelmente retomando o controle.
— Você consegue atirar? – Hinata perguntava e fechava a mão do Sabaku no revolver. O viu afirmar e congelou a ver sangue demais. – Vamos sair daqui certo?
— Certo. – Escutou Gaara e observou o número dos andares. Olhou para ele novamente. Ele estava totalmente abalado. Não conseguiria sair dali com ele ferido. Suspirou e cerrou os olhos.
— Shikamaru. – Chamou-o no comunicador. – Gaara foi ferido. Repito: Gaara foi ferido. Precisamos tira-lo daqui.
*
Ferido. Essa palavra rebobinava em sua cabeça. Os olhos negros do Nara desviaram para Temari e depois foram parar em Ino e fecharem-se em seguida.
— Gaara foi ferido. – Repetiu, pois não tinha como informar de modo diferente. Observou Temari abrir a boca e Ino franzir as sobrancelhas. A adrenalina de comandar uma operação fracassada o corroía e estapeava a sua cara a cada informação nova.
— Indique a posição, estou indo cobri-lo. – Mas não foi Ino e nem Temari que Shikamaru escutou. Novamente os olhos cerraram-se. Neji ainda estava na linha de comunicação. Aquele dia não era o seu e definitivamente não seria o seu preferido.
— Certo. Irei falar com Hinata. – Ino e Temari olharam-se. – Aguarde contato.
— Temos que tirá-lo de lá. – Ino retirou o cinto de segurança que usava de forma afoita e Temari levou a mãos até o rosto um pouco anestesiada pela situação. O seu irmão havia sido ferido em combate.
— Eu vou entrar! – Temari empurrou todas as coisas que estavam sobre o seu colo e Shikamaru ficou petrificado diante da situação.
— Ei, calma! – Gritou com ambas e tanto Ino e Temari cessaram. – Primeiro vamos ver onde ele está. Neji já deve estar cobrindo-os nesta altura. Esperem, vou entrar em contato com Hinata.
— Hinata. – Chamou-a e isolou a comunicação. Esperou e não obteve resposta. Logo a mão foi para o rosto. Estava nervoso. – Hinata! Droga, ela não dá retorno.
Desespero não definia nem metade do que cada um estava sentido.
*
Trocou a lente da mira por outra de alta precisão. Levantou-se e girou a 360 graus verificando se não havia outro atirador, pois não teria como dar suporte sendo que também iria ser ferido.
Gaara havia sido ferido.
Perdeu a comunicação com Shikamaru segundos depois te ter ouvido sobre a situação do Sabaku.
Ajoelhou-se no terraço e mirou em direção ao prédio. Nada. Não conseguia achar Gaara. Nem mesmo sinal de Hinata.
Todavia um detalhe não passou despercebido e soube o porquê Gaara tinha sido ferido. Cães. E iria praticar tiro ao alvo em cada um que entrasse em seu campo de visão.
— Vou cobrir a saída planejada e toda sua extensão visível. – Informou para quem quisesse ouvir ou quem estivesse na escuta. Por sorte ou azar, no momento que Temari empurrou todas as coisas de seu colo para o banco todos comunicadores ficaram interligados, assim perdendo o controle da situação e interligando a comunicação entre todos os combatentes, obviamente aqueles que estavam com comunicadores, ou seja, exceto Tenten e Gaara.
Os tiros começaram, as balas seguiam e corpos caiam. Tanto humanos como de animais.
Por que no final das contas feriram o cara errado.
*
Aumentou o som da música que escutava no fone de ouvido exatamente quando empurrou a porta da cafeteria. Lá de cima parecia mais perto. Tenten passou os olhos pelo local e o achou aconchegante. Olhou no relógio digital do celular e trincou os dentes. Neji iria falar um monte.
Iria solicitar o seu café e deixar o local, mas sua música acabou e resolveu escolher outra. Parou próximo a um grupo: o sotaque e idioma chamou sua atenção. As sobrancelhas franziram-se instantemente. Já tinha ouvido Neji falar umas palavras em russo em claros xingamentos para Gaara. Não era muito diferente.
Tenten abaixou ainda mais a aba do boné que usava e de soslaio sentou-se próximo ao grupo. Observou-os e tamanha foi a surpresa ao ver a mesma mulher. A mesma que discursava na reunião secreta que ocorreu na Mongólia.
Virou o rosto para frente rapidamente, quando a mulher também a encarou. Abriu o cardápio e soltou o ar. Logo voltou a verificar o local e as pessoas de porte atlético posicionadas em cantos estratégicos.
Tenten desligou a música e empurrou o celular o mais próximo possível do grupo colocando a conversa para gravar. Abaixou ainda mais o boné a ver que estava sob observação. Pegou o cardápio de variados tipos de café e encobriu o aparelho de comunicação.
Foste o que foste, nada seria perdido. Porque ela não estava fazendo nada mesmo e bem Neji já iria ralhar pela demora. Gravar uma conversa em russo não fazia mal a ninguém.
Se esse alguém não fosse Tenten.
*
Escutou o seu nome ser chamado diversas vezes. Olhou para Gaara e para o elevador que estava chegando no quinto andar. Supôs que o térreo estaria cheio de soldados para bloquear a saída.
— Vou cobrir a saída planejada e toda sua extensão visível. — Escutou segundos depois, reconheceu a voz e uma luz apareceu no fim do túnel, bem como vários gritos. Os quais sabia dizer a quem pertencia. Por algum motivo todos os comunicadores estavam sintonizados.
— Gaara. – Chamou-o e o ruivo afirmou tentando concentrar-se. – Eu tenho um plano.
Gaara afirmou ao mesmo tempo que visualizava Hinata rasgar uma manga do blazer que usava até então. Logo em seguida passar por sua cintura e apertar afim de fazer um compressa no ferimento.
— Desse modo você vai poder usar ambos revolveres. – Gaara escutou e franziu o cenho. – Você vai receber cobertura. Neji está atirando nos cachorros, não se preocupe.
Mentia. Não sabia dizer se os disparos eram em cachorros ou não, mas precisava dizer algo a Gaara. O viu afirmar e sorriu tentando passar confiança.
— Então você vai seguir o mesmo curso planejado de saída. – Hinata o ajudou a levantar e pegou o taco de beisebol que tinha encaixado segundos antes. – Ino e Temari estarão vindo para te ajudar a sair, certo?
— E você? – Gaara perguntou. Estava totalmente submerso em um estado alarmante e preocupante. – Hinata, aonde você vai?
— Eu vou estar logo atrás de você. – Novamente mentiu e Gaara soube. Hinata não pararia soldados das forças especiais com um taco de beisebol.
Seguiram para o corredor/ varanda espelhada do prédio, ou seja, a frente feita de vidro. Gaara olhou para a paisagem e para o tanto de carro que tinha no ambiente. Tinha estragado tudo? Seu cérebro não conseguiu culpa-lo, pois, o alarde que os cães faziam ficaram audíveis. Hinata puxou ar e olhou para trás.
— Estamos no quinto andar. — Apertou o comunicador.— Sairemos pela saída lateral.
— Entendido. — Escutou, mas não soube definir de quem era a voz. Gaara o viu primeiro batendo com violência contra o vidro por não conseguir fixar-se em uma corrida reta por conta do chão deslizante. Odiava cachorros por isso. Era o modo mais aterrorizante de ver um animal incontrolável.
— Corre. – Outro flash de memória. Hinata ordenou e Gaara obedeceu no automático. Viu as costas do ruivo afastando-se e o cão aproximando-se. Apertou o cabo do taco e firmou os pés no chão.
— Por mim você não passa. – Manifestou firme e escutou o medo sussurrar em seu ouvido. Aquilo não era um cachorro, era uma fera e era aterrorizante. Levantou o taco de beisebol para acerta-lo com força assim que o cachorro saltou no ar afim de agarrar seu pescoço com a boca e dilacera-lo, mas antes que isso ocorresse uma bala atravessou a cabeça do mesmo sujando a parede de sangue e a bochecha de Hinata. Limpou o sangue do cachorro com as costas da mão. Olhou as mesmas tingidas com o sangue de Gaara. Olhou para trás, direção a qual Gaara seguiu e não o encontrou. Sorriu a ver que ele não estava mais ali.
Os segundos pareciam congelados. E o sussurrar do desespero em seu ouvido ficava cada vez maior: está sozinha.
Tirou o par de salto alto, os pés pequenos pularam o corpo do cachorro e a poça de sangue. Hinata estava indo bater de frente com o inimigo e ganhar tempo para Gaara sair.
Mesmo que ela saísse morta no final. Porque com certeza ela iria sair.
*
— Gaara não responde. – Ino falou assim que retirou uma arma do porta malas do veículo. Temari afirmou e engatilhou a dose que segurava na mão.
— Deve ter perdido o comunicador. – Shikamaru escutou e retirou o seu a perceber que Hinata não estava junto do Sabaku. Teria ele falecido ou ela sido abatida? Não sabia responder e não queria respostas para tais questões.
— Ele está descendo pela escada, Ino. – A Yamanaka ouviu a voz do Hyuuga. – Terceiro andar. Vai busca-lo.
— Entendido.— Fez sinal com a cabeça para Temari e seguiu para o prédio do modo mais furtivo que conseguia. Temari olhou para o Nara e acenou.
— Cuide do resto do pessoal. – Falou afastando-se. – Vou buscar o meu irmão.
— Certo. – Shikamaru cruzou os braços a ver elas invadirem a grade de proteção com facilidade. Fechou os olhos esperando que nada mais desse errado.
*
— Qual vai ser o seu pedido? – Tenten sorriu para o atendente e puxou o celular para debaixo da mesa. Não o compreendia e a cada gesto negativo que fazia com a mão o atendente aumentava o tom de voz afim de tentar estabelecer uma comunicação e em consequência a isso vários clientes estavam observando-a.
— Não te compreendo. – Falou e levantou-se enfiando o celular no bolso traseiro do jeans. Tenten virou-se e esbarrou na mulher que virá na reunião secreta, quando foi raptar o general Hiruzen. O ar faltou-lhe, assim que um sorriso fino foi destinado a si. Tenten o retribuiu de imediato e afastou-se.
Seguiu para porta de entrada rapidamente. Num golpe de sorte resolveu olhar para a ruiva mais uma vez e captou o gesto de sua cabeça para um dos homens de guarda. Iria ser seguida.
— Maldita hora que resolvi tomar café. – Comentou e apertou o passo. Olhou para trás e visualizou um homem seguindo-a. Não trouxera uma arma de fogo consigo, bem como as intituladas brancas. Tenten retirou os fones de ouvido rezando, para que, a gravação tivesse sido salva.
— Por favor, eu nunca te pedi nada.— Negociou com o celular que nem mesmo era o seu. Virou uma esquina e notou a dispersão da movimentação frenética das pessoas. – Será que aconteceu algo?
Voltou a atenção para o celular afim de transferir o arquivo de áudio da memória interna par a memória externa. Sorriu aberto assim que conseguiu e a ver que o homem estava cada vez mais próximo desesperou-se. Com apenas um murro dele ela iria a nocaute.
O prédio onde estava anteriormente estava próximo, mas não saberia se conseguiria chegar até lá. Removeu o cartão de memória e não soube onde guarda-lo. Provavelmente iria ser revistada das cabeças aos pés, caso não conseguisse chegar até Neji.
Retirou o boné da cabeça e o jogou na lata de lixo, puxou uma amarra dos braços e resolveu fazer um coque alto. Assim que o terminou tratou de enfiar o cartão de memória entre os fios castanhos de forma que ele não viesse a cair.
Problema resolvido. Agora faltava o outro: despistar o cara e esse era mais difícil. Chegou à conclusão assim que olhou para trás e ele o seguia de perto. Seus olhos não a traíram vendo-o encaixar um silenciador no cano da arma. Iria morrer e não tinha como defender-se. Fitou as poucas pessoas que estavam na rua captando a movimentação instantânea de todas elas ao ouvir o som de carros em alta velocidade. Ninguém iria ajuda-la. Estava sozinha.
— Você disse que estaria sempre observando-me. — Tenten olhou para o prédio, para trás encontrando-o seu carrasco sorrindo fino e ao retornar olhar para frente encontrou um Camaro em alta velocidade. Não pode ver os seus ocupantes, mas sabia quem eram.
E caso tudo estivesse bem iria fazer um comentário em relação ao modo de dirigir de Sakura. Ela arrasava. Todavia o medo já segurava a sua mão e a consolava sobre o seu fim.
E tudo por um maldito café.
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