Combatentes
20 ERROR 404 - Parte II
Notas iniciais
— Para o carro! Eu vou descer! – Ele, na maioria das vezes apenas gritava, mas Naruto começou a formular frases desesperadas a cada curva fechada que Sakura fazia. Os olhos verdes foram para o retrovisor, a mão direita trocou de marcha e o pé afundou ainda mais o acelerador. – Sasuke! Sasuke!
Sem dúvidas aquele dia seria o qual o Uchiha teria escutado o seu nome mais vezes a ponto de enjoar. E a pior parte de tudo aquilo era que o dia nem mesmo havia acabado e tinha dúvidas se conseguiria ficar vivo até o cair da noite.
— O que você quer?! – Gritou entre dentes e Sakura franziu o cenho. Não entendia o tamanho desespero de ambos pilotos. Só porque nas últimas três manobras arriscadas o carro pareceu que iria capotar?
— Eu não lembro como é aquela PRECE! – Naruto exaltou-se na última palavra, a qual saiu em tom bem maior do que as outras, quando o carro levou uma batida na traseira e Sakura o jogou para calçada apertando a buzina para alertar os pedestres. Os quais viam o carro e arregalavam os olhos.
— Não é hora para isso, Naruto! – Sakura gritou olhando-o pelo retrovisor. Naruto segurava-se no banco como se aquilo fosse salvar a sua vida, o que de fato, estava salvando-o até o momento.
— Eu te avisei para não dormir na igreja, idiota! – Sasuke gritou para com o loiro e se a situação não fosse crítica, seria cômica. Naruto não era uma pessoa religiosa, mas boa parte da adolescência frequentou a igreja por conta dos pais e dormia todas vezes e como um bom amigo presente Sasuke estava lá. E como não obstante a situação crítica envolvendo perseguição automotiva, Naruto tentava rezar para uma entidade divina, pois a seu ver aquilo era a única coisa que poderia lhe salvar.
— Não acho que seja o melhor momento para chamar a atenção dele, Sasuke! – Sakura gritou e virou o volante ligeiramente com finalidade de devolver o carro para a rua e evitar o atropelamento de pedestres na calçada.
As luvas pretas que usava no momento escondia a força que ela exercia no volante deixando os nós dos dedos esbranquiçados escondidos.
Os olhos azuis arregalaram-se assim que o Camaro SS fora encurralado. Sakura estava sem saída: atrás de si estavam três carros da GMC, os quais pareciam tratores de tão enormes e outros dois acabavam de formar um bloqueio à sua frente.
— Eu vou morrer! – Naruto bradou, quando Sakura não diminuiu a velocidade, pelo contrário. O ponteiro que indicava a velocidade do SS apenas faltava saltar para fora. Tamanha era a velocidade do automóvel.
— Sakura, os carros! – Sasuke apontou para frente indicando os dois automóveis como se a Haruno não os tivesse visualizado. – Vamos morrer ao colidir.
— Ninguém vai colidir aqui, Sasuke! – Sakura levou o carro ao seu limite de velocidade. As pupilas dos olhos verdes dilataram-se ao olhar pelo retrovisor e constatar que os carros que estavam na sua cola tinham aberto espaço suficiente. Sorriu. Era o momento. – A Hozai não vai me ferrar outra vez!
Sakura retirou o pé do acelerador, girou todo o volante para direita e pisou no freio. Realizando o famoso cavalo-de-pau. A lataria do Camaro reluziu a luz do sol e por um triz não atingiu os carros da GMC tão imponentes que faziam o bloqueio. Sakura retirou o pé da embreagem e afundou o outro no acelerador. Novamente trocou de marcha e o som do motor soou como música a seus ouvidos, porque ao ouvir sabia que a lataria estava em perfeitas condições e sua cabeça também.
Passou entre dois carros dos três que a seguia num flash tamanha a velocidade. E ao adquirir distância conseguiu soltar o ar que prendeu nos pulmões. Olhou para o retrovisor encontrando o piloto branco feito papel e os cincos automóveis retomando a perseguição. Droga! Quando iria conseguir livra-se deles? Foi quando está indagação surgiu em sua cabeça que a comunicação entre os membros da equipe sintonizou-se. E a cada informação os seus olhos arregalavam-se.
— Onde o projetil o acertou? – Questionou e tanto Sasuke como Naruto a olharam sem compreender e então encaixaram o comunicador no ouvido ficando a par da conversa.
— Não temos está informação. – Escutaram a voz de Shikamaru.
— Sincroniza o meu comunicador com o dele. – Sakura pediu e soltou um palavrão assim que o carro elevou-se do chão ao passar na lombada. – Droga!
— Ele está sem.— Virou o volante e Sasuke segurou no cinto de segurança com força. Temia ser lançado para fora pela janela, o que de fato era exagero, visto que o vidro estava elevado.
— Hinata! – Sakura gritou ao frear o carro com brutalidade e retornar a correr em seguida. – Vou instrui-la para socorre-lo.
— Não temos tempo para socorros, Sakura. – A Haruno escutou. – E além do mais Hinata não está com ele.
— Onde ela está? – Sasuke inquiriu antes de Sakura, mulher que retornou a concentrar-se somente na direção automotiva. Enquanto a Naruto? Bem, este trincava os dentes.
— Eu não sei.— Ouviram a voz pesada do Nara. Sasuke e Sakura se entreolharam rapidamente. O que tinha acontecido com Hinata?
— Vou tentar comunica-la. – Sakura informou e recebeu um entendido como resposta.
Sakura desviou a direção do carro para uma rua lateral sem aviso prévio assustando os seus passageiros e retornando-o para o prédio da Hozai.
— Sakura, o que você está fazendo? – Naruto perguntou mesmo já sabendo a resposta. Sasuke levou as mãos no rosto assim que, mesmo com civis, os perseguidores começaram a efetuar disparos.
— Vamos busca-la. – Trocou de marcha novamente e o motor rugiu. Naruto bateu a mão na própria testa, quando Sakura arrebentou uns pares de mesa de um café ao levar o veículo potente para a calçada.
— Informe a localização da Hinata, caso encontrem-na. – Sasuke pediu rente ao comunicador. – Caso consigamos sair vivos iremos tira-la de lá.
— Entendido. – Shikamaru respondeu e Sasuke jogou a cabeça no encosto do banco cerrando os olhos. A chance de sair vivo, voltando para a Hozai, era bem reduzida, entretanto ninguém ficava para trás. Devido a um tranco no carro retornou abrir os olhos.
— Sakura, não é um saco de batatas que está no banco detrás não! – Naruto esbravejou, pois com o tranco que o carro gerou Naruto bateu a cabeça no teto.
— Oh me desculpe se não está confortável o suficiente! – Sakura estava desesperada e Naruto não ajudava muito na situação. – Não sei se você notou, mas estamos sendo perseguidos!
— Obrigado por dizer! – Sakura franziu o cenho com a provocação do loiro. – Eu não teria notado sem sua ajuda.
— Dá para calar a boca?! – Sakura gritou com o Uzumaki. – Estou tentando dirigir aqui. Sasuke, dá para você me ajudar?
Sasuke olhou para a Haruno rapidamente e depois para Naruto o fulminando com os olhos.
— Colabora, Naruto! – Sasuke ordenou e balançou a cabeça em negativo. Iria prosseguir com os gritos, entretanto ao reconhecer uma figura na calçada permaneceu em silêncio. Olhou para Tenten, tinha certeza que era a Mitsashi. Seu rosto demonstrava pavor de algo e por isso Sasuke avaliou as pessoas próximas de Tenten. Trincou o maxilar a ver um homem de terno encaixando um silenciador no revolver.
— Joga o carro em cima daquele cara! – Ordenou a Sakura e agarrou o volante fazendo o carro perder o controle.
— Não capota!!! – Sakura gritou e ao tentar colocar o carro sob governo novamente. Quando conseguiu estabilizar o automóvel em um curso reto encarou Sasuke. – Qual é o seu problema?
— Dê a ré! – Sasuke gritou ao mesmo tempo que abria o vidro da janela. Tentou colocar a cabeça para fora do veículo e tentar visualizar Tenten, contudo uma bala o fez recuar. Por milímetros não tinha levado um tiro na cabeça. – Tenten, ela está com problemas.
— Não posso voltar, Sasuke! — Sakura informou verificando os automóveis atrás de si. Sentido os olhos arderem e os pulsos doerem.
— Para o carro, vou descer! – Sakura negou novamente e Sasuke socou a porta do carro. – Tem um cara atrás dela. Um murro e ela já era.
— Se eu parar quem vai morrer somos nós, Sasuke! – Sakura, novamente, gritou mesmo sabendo que Tenten não estava com nenhuma espécie de armamento e não poderia ajuda-la. – Pede ajuda.
Naruto cerrou os olhos. Não tinha dúvida sobre a possibilidade de morrer, porque a sua alma saía de seu corpo todas as vezes que Sakura afundava o pé no acelerador.
— Shikamaru. – Sasuke o chamou e nem esperou para saber se o Nara estava o não na escuta. – Tenten precisa de ajuda.
— Como assim?— Escutou Shikamaru e este parecia bastante irritado mesmo não sabendo ao certo. – Ela estava com Neji.
— Mas não está. – Sasuke falou de forma mais contida, tentando retomar a calma que sempre fora sua aliada, mas que no momento tinha o traído e estapeava lhe a face. – Ela vai ser morta.
Informou com pesar. Tenten, novamente, parecia ser carta fora do baralho. Sakura sentiu o sangue gelar ao ouvir tal fato, Naruto levou ambas mãos na cabeça não vendo saída para a morena e não vendo saída para si próprio.
— Sakura. – Escutou seu nome no fone e a calma habitual do franco-atirador. — Hinata está seguindo para a entrada principal do prédio. Segundo andar.
Respirou ofegante. Não tinha mais tempo. Não conseguiria chegar na Hozai caso prosseguisse na mesma rota. Viu a pista abaixo da sua, a qual era elevada a uns quinze metros do chão. Fitou o retrovisor verificando os automóveis. Engoliu a seco quando uma ideia passou em sua cabeça. Mordeu a língua e suspirou. Não era o único jeito, mas era o mais eficaz.
— Pilotos. – Sasuke e Naruto olharam-na do modo que conseguiram. – Vamos voar.
Naruto arregalou os olhos ao entender o que Sakura iria fazer.
— Não, não, não! Vamos morrer. A altitude é demais. – Naruto alertou Sakura e esta afirmou ao mesmo tempo que tentava igualar a distância do Camaro com o caminhão que seguia na pista abaixo.
— Sakura, Sakura. – Sasuke colocou a mão no ombro da Haruno. – Não precisa tomar decisões drásticas. É duro admitir, mas Naruto está completo de razão.
— Eu ouvi isso, Sasuke!
— Cala a boca, Naruto! – O Uchiha virou-se para encara-lo e Sakura continuou seguindo o caminhão até ver que a via elevada adquiria mais altitude. Estava na hora. – Estou tentando não morrer aqui.
— Cala boca? Essas serão suas últimas palavras para mim, desgraçado?
— Fiquem quietos! – Sakura mandou e ambos ficaram em silêncio. Não pela ordem em si, mas pelo o que viram. – Por que estão tão preocupados? Piloto não cai e explode? O máximo que pode acontecer aqui é capotar.
Afundou o pé no acelerador assim que o carro se alinhou ao caminhão na pista abaixo. A sua alma pareceu desprender do seu corpo assim que as rodas ficaram no ar e a gravidade começou a puxa-la para baixo.
Sakura apenas esqueceu de um pequeno, mas importante detalhe: Apenas capotavam e morriam no processo.
— Eu vou conseguir.
*
Agora, Corporação Hozai – Bangladesh
— Pela lateral. – Temari indicou com um gesto de mão ao mesmo tempo que estava encostada na parede segurando a arma de fogo. Ino afirmou a ver os gestos de mão da Sabaku orientando-a sobre o caminho que deveria seguir para derrubar o último soldado barrando a saída/entrada lateral, pela qual ela entraria no prédio.
Ino aproximou-se sorrateiramente, puxou uma faca da baioneta presa na cintura a posicionando na mão. Mais um passo, era o que ela precisava para cortar a garganta.
Apertou os passos e quando estava próximo o suficiente saltou. O braço esquerdo envolveu o pescoço do homem em um mata leão o impedindo de reagir de modo mais agressivo, visto que o peso da Yamanaka pendurada em suas costas o fazia arcar para trás o imobilizando por segundos. Tempo suficiente para executar o que pretendia.
Temari aproximou-se correndo assim que viu Ino cortar a garganta e o sangue banhar o braço da Yamanaka, mulher que soltou sua vítima, para que, ela engasgasse com o próprio sangue.
— Este era o último. – Ino informou. Gaara deveria estar no primeiro andar. – Vamos entrar.
— Vamos. – Temari estourou o cadeado com um tiro fazendo barulho, mas não importava, pois quando chegassem ali elas já teriam partido. A surpresa foi grande ao empurrar a porta e ver um revólver apontado para si.
— Gaara! – Temari adiantou-se e o ruivo ao reconhecer a irmã abaixou o revolver. Ino não soube definir o que passava consigo. Era um misto de desespero por ver a camisa branca tingida de vermelho e um alivio por vê-lo ainda respirando. Como ela gostava de vê-lo respirando.
— Hinata. – Gaara falou, quando foi suspenso do chão e urrou de dor por isso. – Nos separamos faz uns quinze minutos. Precisamos ir atrás dela.
— Está bem. Vamos encontrá-la. – Temari disse e o ajudou a sair pela porta ao mesmo tempo que Ino permanecia estática até Gaara a olhar e tentar sorrir, mas falhar quando o gosto de sangue na boca provocou ânsia de vomito.
— Shikamaru! – Ino falou de forma altiva. – Gaara não está em condições de locomoção. Vou explodir a grade de proteção.
— O que? Ino espera!— Escutou Shikamaru e Temari ficou estática olhando-a.
— Vai explodir a grade com o que? – Temari inquiriu incrédula. – Tenten ficou de fora, pois, explodir as coisas iria chamar muita atenção e agora você vai mandar a grade para os ares?
Temari encarou-a encontrando um par de olhos determinados. Mas nem que um helicóptero viesse salva-los Ino mudaria de ideia. A Yamanaka retirou um pequeno pacote embrulhado, aparentemente, em papel alumínio do bolso lateral da calça. Ter uma amiga especialista em explosões tinha os seus benefícios.
— Vou. – Ino informou. – Alguma objeção?
— Nenhuma. – Temari conformou-se, porque aquele era o jeito mais fácil de tirar Gaara dali mesmo que chamasse muita atenção.
*
— Ela vai ser morta. — Foi a última frase que o Uchiha disse antes de cortar a comunicação. Shikamaru suspirou e não soube o que fazer.
— Shikamaru. — Novamente o seu nome sendo dito e desta vez era o Hyuuga.— Hinata está indo para a parte central do prédio. Dentre segundos não vou conseguir cobri-la. Gaara, já está com vocês?
Escutou a pergunta e negou. O que Hinata estava fazendo? Suicidando-se? Porque Tenten tinha deixado o posto? E Gaara ainda estava vivo? Sabia que sim, mas não sabia até quando.
— Gaara não está em condições de locomoção. Vou explodir a grade proteção. — Escutou Ino informar e entendeu o recado. Era para ir busca-los e assim que a grade fosse posta abaixo, literalmente, um batalhão de agentes viriam impedi-los.
— Estou indo para aí. — Informou e girou a chave do carro de alta cilindradas, fazendo-o se recordar do outro carro.
— Neji. – O chamou. – Informe Sakura sobre a posição de Hinata. Irei perder o contato. Vá atrás de Tenten, ela precisa de ajuda.
Esperou pela explosão do Sniper. Não respondia as questões de Neji e apenas dava péssimas notícias.
— Como assim? — Escutou. – Não posso parar de cobri-la. Hinata ficaria com problemas.
Escolha.
Era o que Shikamaru queria dizer. Hinata ou Tenten, mas recordando-se da situação que a Mitsashi veio para missão decidiu por Neji.
— Sakura está indo tira-la de lá. Irei sintonizar a frequência dos comunicadores de ambas. – Shikamaru começou no exato momento que escutou a explosão. Ao menos chamaria a atenção e Sakura teria mais facilidade em ingressar no pátio da Hozai.
— Entendido. – Escutou a resposta e cerrou os olhos. Estava na hora de toda a operação acabar. E preferível com nenhuma baixa.
*
Seus punhos estavam firmes no volante. Os fios róseos que se soltaram da amarra subiam enquanto o restante descia. Tentou, mas não conseguiu manter os olhos abertos quando as rodas do Camaro encontraram a superfície metálica do caminhão.
Por milésimos.
Foi o tempo que o carro ficou em cima do caminhão e como ambos automóveis estavam em constância movimentação logo o Camaro encontrou o asfalto após usar o caminhão como “rampa” para diminuir o salto/queda.
Nem mesmo segundos foram-lhe permitidos para refletir sobre o que tinha acabado de fazer. Em sua opinião uma evasiva espetacular. Já na opinião de Naruto: um atentando a sua vida e enquanto a Sasuke? Este estava tentando assimilar como sua cabeça ainda estava junto de seu pescoço naquela altura do campeonato.
O carro regressou a correr, mas não pelas vias e sim pelo gramado diminuindo uma boa porcentagem do trajeto.
— Esquece tudo o que eu disse sobre ela! – Naruto exasperou-se e apontou para a Haruno. – Principalmente a parte do centrada.
— Não é hora para isso, Naruto! – Sasuke olhou nos olhos ao mesmo tempo em que Sakura desviava de várias esculturas arquitetônicas e prestava atenção na conversa. Lembrando-se de seu passado, das coisas que tinha vivido a pouco e das coisas que ainda queria fazer, caso saísse viva daquele trajeto.
Seria o famoso filme de sua vida, o qual passa diante dos olhos antes de morrer?
— Fiquem quietos! – Sakura ordenou sem a paciência e calma que costumava a ter ao falar com as pessoas. Sasuke parou de encarar o loiro e encontrou Sakura passando a mão esquerda nos olhos usando a outra para governar o carro. Estava chorando? Era o que faltava, mas era bem compreensível e aceitável. – Nem mesmo tenho mais habilitação.
Sakura comentou segundos depois e tanto Naruto como Sasuke ficaram em silêncio olhando-se de segundo a segundo. Pelo visto, perseguições mexiam com emocional da esportiva Sakura Haruno.
— Quer falar sobre isso? – Sasuke mal terminou de elaborar sua frase inserindo o tom adequado a ela para trincar os dentes no momento que Sakura governou o carro até o portão semiaberto. O Uchiha a viu afirmar com a cabeça e fechou os olhos.
— Eu quero falar. – Naruto fez uma expressão que queria dizer: “O que?” e “Agora?” Sasuke olhou pelo retrovisor não encontrando nenhum dos automóveis que os seguiam. Meneou positivo para Sakura.
— Lembra quando disse que fui excluída da pesquisa junto a Hozai por motivos pessoais? – Sasuke a viu virar o volante afim de atropelar alguns seguranças enquanto seguia até a entrada principal do prédio. – Eu sempre tive problemas com drogas lícitas.
Sakura parou de fitar o prédio espelhado e majestoso para encarar Sasuke. Em seguida os olhos verdes fitaram o loiro no banco de trás. Eles a entenderiam?
— Piloto cai e explode.— Ouviu em seu fone a voz de Hinata. Naruto forçou a visão observando-o uma pequena parte da vidraça do primeiro andar partir-se em milhares de pedaços.
Sakura arregalou os olhos assim que compreendeu a situação. Hinata iria saltar mesmo que a altura quebrasse suas pernas. Tinha que fazer algo.
— O caminhão! – Naruto gritou algo aparentemente sem nexo fazendo Sakura socar o volante e aumentar a velocidade. Daria certo. Hinata faria a mesma coisa: saltaria em cima do carro consequentemente diminuindo a altura.
— Vai dar. – Sakura manifestou. – Tem que dar.
Trocou a marcha, acelerou ainda mais e novamente o pé foi parar no freio. As rodas marcaram o chão ao derraparem novamente no cavalo de pau. Hinata poderia cair, pois eles estavam embaixo para pega-la.
*
Gastou suas últimas balas atirando contra seus perseguidores. Desde que deixou Gaara, Hinata atraiu mais e mais atenção e tudo o que salvava sua cabeça eram elas: as balas. As que tinha consigo e as que vinham de longe.
Atingiu o primeiro andar e chegou à conclusão que não conseguira mais prosseguir até o térreo. A sensação antes da morte era horrível. Pensou como tudo tinha dado errado para ela naquela operação exatamente quando as balas pararam de derrubar o inimigo. E por algum motivo Neji parou de auxilia-la a continuar mantendo o sangue em suas veias.
Respirou fundo e apoiou na vidraça largando o taco de beisebol, o qual foi utilizado para bater em tanta gente naquele curto trajeto, no chão. Estava cansada e não via saída. Encostou a testa no vidro e cerrou os olhos por um instante. Estava sem alternativas. Riu alto ao continuar escutando a conversa entre Sasuke, Sakura e Naruto pelo fone.
Era a única coisa que poderia fazer, não? Rir. Porque Naruto desesperado era entretenimento puro. E ficou contente por saber que eles estavam voltando por ela e os olhos chegaram a lagrimejar ao, novamente, ouvir o ladrar dos cães cada vez mais próximos. Olhou para o revolver sem balas, para o taco no chão e para o Camaro que vinha abrindo caminho pelo jardim. “Piloto cai e explode” As palavras zombeteiras de Sakura vieram a sua cabeça como se fosse uma última chance.
— Piloto cai e explode. – Repetiu a fala e seu cenho franziu. Ainda havia escapatória. Ela ainda poderia fugir das balas.
E Hinata nunca tinha desperdiçado uma chance em sua vida porque faria diferente no momento? Agarrou o taco e afastou-se da vidraça o suficiente. Levou ar aos pulmões e apertou as mãos no cabo olhando para a vidraça como se aquela tacada fosse a que iria virar o jogo.
Golpeou a vidraça. Uma, duas e três vezes trincando-a em vários lugares. A respiração estava acelerada, as pupilas dilatadas e a adrenalina em um nível alto. Seu subconsciente ainda alertava: precisa sair.
— Não vai dar tempo! – Gritou para quem quisesse ouvir e fez uma última tentativa antes que o cão, que vinha em sua direção, abocanhasse alguma parte de seu corpo. Destinou toda força que tinha aquele golpe.
E a vidraça partindo-se em milhares de pedaços minúsculos foi a coisa mais linda que ela tinha visto no dia. Cedeu a atenção para o cão e apertou o taco acertando-o em cheio. Largou o taco e fitou suas mãos sujas de sangue, o qual não era seu. E a pergunta que evitava em fazer surgiu em sua mente: Gaara ainda estava vivo? Os olhos de tom tão peculiar reluziram ainda mais. Não iria chorar. Não iria chorar porque o resgate estava logo abaixo. Distanciou da vidraça ao mesmo tempo que o inimigo chegou. Não tinha mais saída. Ou pulava ou morria. Definitivamente escolheu pular.
As balas regressaram e os pés descalços sentiram o chão faltar-lhes. Hinata viu o Camaro girar em um cavalo de pau. Aquilo não tinha como dar certo, contudo era tarde demais para voltar atrás.
*
— Finalmente consegui te parar. – O rosto de Tenten fora prensado contra o concreto áspero. – Você anda bem rápido.
Soltou um grunhido, quando o seu braço fora torcido para trás e a arma com silenciador encostou na sua nuca. Seria assim o seu fim? Nem mesmo com direito ao som do disparo? Sentiu a mão máscula apalpar os bolsos do seu jeans e a falta do celular em seguida. O homem de aproximadamente dois metros e com um corte horripilante na face parou de empurra-la contra a parede e a puxou pelo cabelo afim de fazê-la virar-se para olha-la nos olhos.
— Você tentou, mas não conseguiu. – A boca do cano da arma fora parar embaixo do seu queixo. Olhando por baixo ela pode ver o celular do Hyuuga ser batido contra a parede áspera de concreto, a qual esfolou o seu rosto, e ser despedaçado com facilidade. Cerrou os olhos com medo. Um soco daquele homem trincaria o seu crânio. – Vamos acabar logo com isso.
O som da trava do revolver a fez deixar escapar uma lágrima. Iria morrer por ter ido ao café. Os olhos castanhos abriram-se rapidamente, quando sentiu a respiração do seu agressor próxima demais e a mão livre do sujeito invadir a sua camisa.
As mãos tateavam a parede em vão à procura de qualquer coisa que a pudesse livra-la de seu agressor e agora abusador.
— De todas você era a minha favorita. – Escutou e o desesperou dobrou de tamanho a ver que não era apenas a morte que a esperava. – A garota dos explosivos.
Empurrou-o e mesmo com a coronhada do revolver posta com força em seu rosto não a fez se arrepender.
— Não complique tanto as coisas, Tenten. – Chorou ao ouvir o seu nome e ser agarrada pelo pescoço e novamente ter o corpo prensado na parede. – Vamos nos divertir. Fiquei tão ansioso ao saber que viriam para cá, mas tive que ficar como segurança daquela vadia e pensei que não a veria, mas então você resolveu ir aquela cafeteria. Ganhei o dia por ter te visto.
Trincou os dentes, quando a mão repulsiva e invasiva forçou suas pernas abrirem-se. Estava congelada diante a situação. Gritou no momento que sentiu os lábios feito arames ir de encontro a seu pescoço.
— Ninguém vai te ouvir! – Seu agressor irritou-se e forçou a arma contra o queixo a fazendo parar de gritar. – Fique quieta ou vou ter que colocar o revolver em sua boca?
Fitou-a nos olhos já avermelhados, entretanto que demonstravam resistência. E soube que ele poderia estourar seu crânio, mas não o deixaria toca-la mais. O que dementemente o excitava ainda mais.
— Tenho coisa melhor para pôr na sua boca. – Com a mão livre agarrou ambos pulsos os colocando acima da cabeça da Mitsashi ferindo-os ao pressionar contra o concreto áspero. Terminou de imobiliza-la com o peso do corpo. Sorriu fino ao observar o quão desenhado eram aqueles lábios e como eles seriam seus a força em questão de segundos.
Fechou a boca e virou o rosto ao sentir a investida homem, o qual tendo o seu desejo negado deu uma joelhada no estômago de Tenten. A qual não arcou para frente pois estava sendo prensada contra a parede. A sensação de dor e desespero eram agonizantes.
Desesperou-se no momento que sua camisa fora puxada. Tentou livrar os pulsos das mãos e por algum motivo desconhecido as mãos afrouxaram. Abriu os olhos e encontrou um par de olhos arregalados um pouco acima de sua cabeça. Estática Tenten observou o sangue escorrer entre eles em uma fina e contínua cascata. Fitou o buraco feito a bala no centro da testa de seu agressor.
A situação era tão complexa e desnorteante que Tenten permaneceu no mesmo lugar. Do mesmo modo. Olhou para além do agressor encontrando Neji colocando outra bala no rifle ao mesmo tempo que se aproximava.
— Por isso não deve sair por aí quando estiver em missão! – Ouvia, mas não assimilava. Ele estava gritando consigo? Enquanto o seu lábio inferior ainda tremia? O viu puxar o corpo de seu agressor para longe e novamente efetuar mais um disparo totalmente envolvido pela raiva. – Tive que vir te ajudar e deixei a menina que cresceu comigo e meu melhor amigo sem cobertura, Tenten!
Finalmente Neji parou para olha-la. Estava nervoso, estava com raiva e preocupado. Tenten começou a deslizar pela parede levando as mãos para o rosto. Cobrindo-o totalmente desolada. Os olhos treinados viram os pulsos marcados, a camisa fora de lugar e compreendeu a situação.
Tenten não estava apenas sob ameaça de morte. Abaixou o rifle e passou a mão pelo rosto ao entender a situação e a complexidade que ela comportava. Negou arrependido pelo o que tinha dito a ela.
— Me desculpa. – Pediu assim que a levantou pelos cotovelos. – A culpa não é sua.
Falou baixo devido à proximidade. Tenten afirmou e Neji segurou sua cabeça por trás fazendo-a se aproximar ainda mais a ponto de escorar a testa no colete do Hyuuga.
— Eu queria apenas um café. – Escutou-a totalmente abatida e aterrorizada pelo o que tinha acontecido a pouco. Os braços a apertaram em um abraço como se fosse ela fosse a pessoa mais importante de sua vida.
— Eu sei. – Falou. – Não saia mais de perto de mim. Vamos embora daqui.
*
— Sakura, você está assistindo muito Velozes e Furiosos! – Naruto exasperou-se no momento que Sakura virou o carro. Sasuke viu Hinata saltar e ouviu o baque oco sobre o automóvel.
— Se segura! – Sakura pediu a Hinata, mulher que tinha acabado de saltar sobre o carro e voltou a acelerar. Naruto abriu a porta traseira mesmo o movimento sendo contínuo. Hinata sentiu cada músculo do seu corpo reclamar e a visão turvar, mas mesmo assim conseguiu visualizar a madeixa loira do Uzumaki e a mão do mesmo estendida em sua direção.
Hinata a agarrou e sentiu o puxão em seguida. Seu corpo foi deslizando sobre a lataria até que as mãos de Naruto segurassem em sua cintura.
— Não vai me soltar! – Hinata desesperou e gritou com Naruto, quando Sakura perdeu o controle por segundos. Naruto levou uma joelhada no rosto sem querer e do modo que Hinata estava poderia ver sua peça intima, caso a Hyuuga não estivesse com um short de tecido por debaixo do vestido. A puxou para dentro do veículo e sentiu um alívio tremendo. Mesmo que as pernas da mulher continuassem sobre si. Não de uma mulher qualquer: Especificamente Hinata.
Hinata tentou normalizar a respiração ao mesmo tempo que olhava fixamente para o Uzumaki. Ele viu o sorriso dela se abrir cada vez mais e levar a mão até a fronte desacredita.
— Estou tão feliz de te ver. – Disse no calor do momento, pois ver Naruto significava que ela tinha conseguido sair e aparentemente inteira. Naruto sorriu igualmente para Hinata, mulher que se ajeitou no banco de passageiro. Sakura que olhava para os dois pelo retrovisor sorriu a ver a cena.
— Sakura! – Mas a ter seu nome dito de forma tão desesperada e alarmante pelo Uchiha regressou a prestar atenção no trajeto.
— Hinata. – Naruto começou de forma entrecortada e Hinata viu o porquê da gritaria do loiro. Como Sakura ainda não tinha capotado aquele automóvel? – Temos que sair daqui!
Naruto segurou-se como pode, quando Sakura novamente deu um cavalo de pau ao ser bloqueada.
— Dá para você parar de fazer cavalo de pau? – Naruto questionou alto. – Alguém pode dizer que ela é louca?
Hinata arregalou os olhos, quando Sakura subiu no canteiro afim de despistar os automóveis que a seguia. Olhou para Sasuke branco feito papel e para Naruto desesperado. Uma vontade incontrolável de rir a assolou.
Naruto abriu a boca de tamanha incredulidade por ver Hinata gargalhar da situação como se não estivesse no carro. Ne verdade, estava rindo de Naruto.
— Isso não tem graça nenhuma! – Ralhou com a Hyuuga. Sakura fez uma curva fechada fazendo Hinata espremer Naruto em um canto, pois nenhum dos dois estavam com o cinto de segurança.
— Desculpa. – Ela pediu ainda aos risos. Era tanta adrenalina que estava afetando-a. Estava aliviada e ria de incredulidade, pois aparentemente conseguiu sair viva do prédio para morrer por excesso de velocidade.
Naruto agarrou a mão da Hyuuga em completo desespero, quando Sakura pegou uma rampa indo para as pistas suspensas. Hinata sentiu os seus dedos doerem devido a força de Naruto, o qual segurava a mão da mulher como se fosse sua âncora de salvação inconscientemente.
Hinata riu ainda mais da cara que Uzumaki fazia, entretanto, até ver que Sakura estava veloz demais para quem iria fazer uma curva.
— Sakura! – Hinata gritou e fechou sua mão na de Naruto agora partilhando do mesmo desespero. A Haruno trocou de marcha, ouviu os dois pilotos no banco de trás gritando e Sasuke trincando o maxilar desesperado. Na cabeça do Uchiha seria agora: que ele iria morrer.
Tudo rápido demais. Pisou no freio e conseguiu realizar um drifit, manobra que consiste em fazer curva sem diminuir a velocidade, praticamente dirigindo na horizontal. Assim abrindo espaço com os carros que a perseguiam.
Sasuke engoliu a seco no momento que Sakura começou a ultrapassar carros utilitários e vendo que a médica tinha voltado ao seu estado habitual de dirigir, resolveu trazer o assunto à tona novamente. O dos vícios.
— Ser viciada em bebidas alcoólicas e cigarros não é tão ruim. – Sakura o viu falando e afirmou positivo. Naruto e Hinata entreolharam e o Uzumaki jogou os ombros para cima.
— Decidiram partilhar os segredos antes de morrer. – Informou a Hinata, mulher que franziu o cenho. E aquilo era hora?
— Cala a boca, Naruto! – Sasuke e Sakura o repreenderam ao mesmo tempo e o loiro calou-se enquanto o rosto da Hyuuga se avermelhou por conta dos risos. Aquilo tudo era insano demais. Achar graça da situação.
— Então entrei para a marinha. – Sakura continuou no calor do momento. Totalmente desesperada. Correr por correr era um esporte, mas correr para salvar a sua vida e de terceiros? Era uma missão impossível. – Foi quando cortei o insumo de bebidas e afins. Consegui manter-me limpa dessas substâncias até ir para zona de conflito.
Naruto e Hinata olharam-se. E Sasuke afirmou já prevendo o desenrolar da história. Sakura socou o volante incerta sobre se devia ou não prosseguir com o assunto. Afinal, era um pouco embaraçoso para ela.
— E...? – Sasuke a encorajou sem tirar os olhos da pista sendo que era ele o motorista. Era estranho como Sakura dirigia com mais prudência ao falar de sua privacidade.
— Fui ser médica de combate no Iraque. – Sakura fez uma expressão chorosa apenas de lembrar. – Aquele lugar era o inferno! Não demorou muito para eu ficar viciada em morfina.
Por mais inacreditável que poderia ser o silêncio se fez no automóvel e apenas o som do motor ficou audível. Hinata arqueou as sobrancelhas surpresa pela revelação e Naruto negou. Sasuke afirmou procurando por palavras que pudessem, de alguma forma, fazer aquele momento ficar menos dramático, mas ao olhar para Sakura percebeu que ela ainda não havia acabado.
— Estava sob muita pressão e sei que não é justificável. – Sakura prosseguiu. – Tudo bem eu sabia que era errado e perigoso, mas eu não conseguia parar e por isso desenvolvia uma substância inibidora de drogas no organismo. E por conta dela nada apontava nos exames rotineiros e obrigatórios.
Se Sakura soubesse que não era apenas os três ouvindo aquela conversa, com certeza iria parar de falar. E mais tarde diria: malditos comunicadores.
— Foi então que fui convocada para participar de um estudo junto da Hozai. – Lembrava de cada detalhe. – E eu fiquei tão feliz porque iria sair daquele lugar que não me atentei para os exames, os quais denunciaram-me.
— Sakura. – O Uchiha falou normalmente e complacente a situação. Naruto também pretendia manifestar algo em apoio a Haruno, mas Hinata tampou lhe a boca rapidamente. – Você não deve pensar mais nisso.
— Eu sei! – Sakura exasperou-se irritada. – Mas foi por causa dessa corporação que fui afastada das minhas funções e mesmo que o afastamento tenha ajudando-me a findar com o vício. Foi difícil ver todos meus colegas olhando-me com superioridade e fazer piadinhas enfadonhas sobre a situação.
— Eu sinto muito. – Sasuke falou rapidamente. Sabia que aquela carga emocional estava sendo reprimida a anos. E o porquê Sakura levava tudo na esportiva e as vezes rebatia, mas logo era complacente com a situação. Feito no deslize com os duendes verdes. Tinha medo de ficar sozinha novamente.
— Meses depois capotei o meu carro e quase morri. – Sakura contou e os três arregalaram os olhos. – Perdi minha habilitação e a permissão para participar de campeonatos de automobilismo. Perdi todos meus amigos e fui transferida para um lugar no meio do nada para conter uma epidemia.
— Mas agora já está tudo bem, não é?
— Está. – Sakura sorriu e retornou a prestar atenção na pista. – Obrigada por me ouvir na hora errada.
— Não precisa agradecer. – Sasuke rebateu e tentou sorrir, mas ainda estava alarmado com a situação da perseguição e pelos novos fatos apresentados. Principalmente a parte do capotamento.
— Que bonitinho! – Naruto manifestou irritado. – Podem trazer as alianças.
Provocou os amigos e fora fulminado por ambos em seguida. Hinata cruzou os braços e negou com a cabeça pela falta de sensibilidade do Uzumaki.
— Cala a boca!
*
— Não consegui estabelecer contato. – Temari manifestou irritada. Tudo tinha dado mais do que errado. Shikamaru dirigia para longe da Corporação Hozai. Reflexivo em relação a tudo que havia ocorrido, preocupado por não saber que fim levou a Hyuuga, não sabia se Tenten tinha escapado da enroscada que tinha se metido. Se Sakura tinha capotado o carro, pois a área de cobertura dos comunicadores excedeu-se e o contato fora interrompido.
Buscou o retrovisor vendo Ino pressionado gases no ferimento um pouco abaixo do coração do Sabaku, este que repousava a cabeça no colo da Yamanaka sendo avaliado continuamente por Temari sentada no banco da frente. Podia ver seu estado de exaustão e irritação. Porque tudo tinha dado errado.
— Será que eles conseguiram sair? – Shikamaru questionou abatido. Negando a possibilidade de terem ficado para trás. Temari negou igualmente preferindo manter-se em silêncio.
Ino olhou para ambos por um breve momento notando o quão afastado estavam. Não fisicamente, mas aquela concordância e ajuda mútua entre Temari e Shikamaru parecia ter extinguido desde que tudo começou a dar errado.
Passou a mão nos fios em crescimento numa clara carícia, mas Gaara nem mesmo respondeu a isso. Estava distante e de olhos vazios.
— Hinata não deve ter conseguido sair. – Comentou enquanto encarava as árvores sendo deixadas para trás rapidamente. – Ferrei com tudo.
— Não. – Ino adiantou-se. – Tudo já estava ferrado antes de você ser ferido.
Procurou pela mão do Sabaku e a apertou. Vê-lo sangrando não tinha sido algo agradável. E perguntava-se todas vezes seriam assim? Sentir um desespero que nunca tinha conhecido, do qual nunca tinha provado.
Temari encostou a cabeça no banco após colocar o óculos escuros. Tudo o que queria daquele dia era que este terminasse. Shikamaru mordeu o lábio inferior e negou novamente, inconformado com tudo. Fitou o espelho do retrovisor ao ouvir o som de outro automóvel na estrada deserta.
Logo o Camaro preto com algumas amassaduras ocupou a via contramão seguindo na mesma direção. Shikamaru inclinou-se para frente para conseguir ver os ocupantes do automóvel. Sakura foi a primeira. Ainda usando suas luvas e balançado o corpo ao escutar uma música baixa. A Haruno abaixou o óculo escuros para piscar para o Nara o fazendo sorrir, pois caso Hinata estivesse morta Sakura não estaria transbordando energia positiva.
Temari abriu um sorriso a ver Sasuke prestando continência e logo jogando a cabeça contra o encosto do banco tão derrotado feito ela. O vidro fumê do banco de trás começou a descer e por ele apareceu Naruto, o qual colocou o braço para fora.
— Onde está Gaara? – Gritou visto que os carros continuavam a seguir lado a lado. Ino o ajudou a levantar o tronco para poder visualizar o rosto de Naruto. Assim que o de Gaara apareceu Hinata surgiu.
— Ei, meu parceiro está inteiro? – Brincou com Gaara e este sorriu aliviado, visto que já se culpava. Temari a olhou avaliando-a em suas poucas escoriações. – Conseguimos fugir das balas.
Hinata sorriu aberto. Sorriso, o qual por exceção de Sakura ninguém tinha visto. Gaara acenou positivo no momento que Hinata parou de espremer Naruto no banco, visto que este ocupava o lugar ao lado da janela.
— Cadê a Tenten? – Sasuke perguntou no momento que Sakura diminuiu a velocidade. Shikamaru negou deixando a pouca felicidade de ver os colegas intactos esvair-se. Sair de uma operação sem informações era ruim, entretanto não na mesma proporção de ter baixas.
Gaara olhou para Ino e negou sem saber do que tinha acontecido com a Mitsashi, pois até onde sabia ela estava com seu amigo.
— Depois eu explico. – Adiantou-se antes que a questão verbal surgisse. Foi neste mesmo momento que uma moto estilo custom aproximou-se e ficou entre ambos automóveis. A comemoração foi instantânea da maioria a ver os outros dois combatentes. Neji nem mesmo tirou o capacete enquanto pilotava a moto. Apenas levantou a viseira para avaliar o Sabaku, meneou ao vê-lo e abaixou a viseira ao mesmo tempo que Tenten retirou o capacete exibindo o seu novo ralado na bochecha.
— Cuida bem do meu namorado. – Falou para Ino e piscou para Gaara. Olhou para o Camaro e seus ocupantes. Acenou para Sasuke e recebeu um beijo de Sakura lançado no ar, um acenar animado de Naruto e outro de Hinata. Tenten franziu o cenho a ver os dois tão próximos e a Hyuuga tão interativa. O que a adrenalina não fazia com as pessoas?
— Capacete. – Escutou o Hyuuga e colocou-o na cabeça despedindo de seus amigos. Agora os veriam somente na Costa Rica. – Nos vemos em breve.
Assim que o Nara meneou positivo para Neji a moto partiu em uma velocidade absurda. Sakura deixou uma expressão de espanto na face a ver tamanha velocidade e Sasuke riu desacreditado.
— Você vai bem mais rápido. – Ele comentou e Sakura estreitou os olhos para ele. Logo fazendo o motor roncar mais alto.
— Nara. – Chamou Shikamaru. – Vamos correr!
Decretou ao mesmo tempo que Naruto dizia algo como: “chega”. O Camaro retomou a velocidade gritante. Shikamaru trocou a marcha e seguiu o mesmo rumo. Deixando-o tudo para trás.
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Proximidades da Corporação Hozai.
O par de salto alto seguia em linha reta de forma ritmada. A saia tubo preta moldava-se no andar da mulher. A ruiva colocou um par de óculos assim que deixou a cafeteria acompanhada de seguranças.
Os lábios vermelhos estavam curvados para baixo demostrando sua insatisfação. Pegou o celular na bolsa de couro ao mesmo tempo que seguia até o automóvel todo preto a sua espera.
A pessoa do outro lado da linha atendeu.
— A garota dos explosivos reconheceu-me. – Esbravejou rente ao celular. – Isso já foi longe demais.
Escutou com atenção o que foi dito a si e os olhos atrás dos óculos escuros reviraram-se.
— Não, acho que não conseguiram nada relevante. – Retrucou. – Entretanto obviamente farão a ligação em que estamos desenvolvendo.
Parou ao lado do automóvel e esperou que a porta fosse aberta para si. Entrou acomodando-se segundos depois.
— Acabe logo com isso. – Mandou e encerrou a ligação. – Maldita hora que fui tomar um café.
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