Com amor, Léo.
6 As lágrimas do coração
Estavam todos ao redor da piscina. Todos tomando banho com roupas normais, alguns meninos apenas tiraram a camisa e mergulhavam. Minha roupa pregava todo no meu corpo e meus cabelos caiam nos meus olhos agora. Clarisse ria como nunca dos amigos na piscina, parecia mais feliz nessa ultima semana. Seus cabelos e roupas também pregavam em sua pele, seus olhos brilhavam a luz da piscina, seu sorriso contagiava quem via.
— Clarisse — chamei — Vamos ao shopping de novo amanhã? — Perguntei animado, espalhando um pouco de espuma que estava perto de mim.
— Gostou hein? — ela disse e riu — Combinado, leva aquele seu amigo, ele nunca veio a uma festa que o chamamos.
— Vou trazer- prometi
O resto da festa foi ótima, parecia que ninguém se lembrava que no dia seguinte haveria aula, ou se lembrassem, não ligavam. Ficamos até tarde na piscina que começou a se esvaziar aos poucos, a musica foi ficando mais lenta e estava ficando mais tarde. O céu se fechava mas não fazia tanto frio, talvez a época da neve já se tenha ido, com isso apenas um pouco de chuva comum. E assim aconteceu, chovia levemente com leve gotas de água que caia na piscina. Saí da piscina e fui até a casa junto com o que restava dos convidados. Me secava com uma toalha fornecida por Lizzie. Clarisse conversava com alguns amigos, achei melhor não incomodar então peguei meu celular e chave e fui para casa, a pé.
Abri a porta de casa e não havia nenhuma pessoa acordada, tomei cuidado para não mudar isso. Subi para meu quarto, tirei a roupa molhada e coloquei uma seca. Dormi fácil.
No dia seguinte estava chovendo, dessa vez mais forte. A neve estava derretendo e estava uma sujeira na rua. Lanchei algo e fui para o colégio junto com um guarda-chuva. Era um pouco curioso o modo de se apresentar esse clima de neve em um dia e chuvoso em outro, no dia seguinte seria um dia de sol? quem sabe...
Cheguei no colégio e me sentei ao lado de Nick e disse
— Nick, vamos ao shopping hoje.
— Fazer o que? — Ele perguntou
— O que se faz em um shopping. – disse. Nick não parecia dizer não. Clarisse entrou na sala e deu uma piscada de olho em mim, retribui. A aula passou muito mais rápido, quando o sino tocou peguei minhas coisas e saí com Nick. Liguei para Host Mom e disse que ia almoçar no shopping, Nick fez o mesmo com sua mãe.
— Clarisse?- cheguei perto dela sorrindo.
— Oii...- ela deu um oi para Nick e olhou para mim — Vamos?
Nick parecia surpreso, não sabia que tínhamos voltado a nos falar, mesmo assim nada disse. Apenas veio abrir a boca dentro do ônibus dizendo — Clarisse... Léo disse que você é bastante rebelde no shopping não é? — Ele riu, Clarisse também não sustentou sua risadinha.
— Modéstia a dele, nunca sou — Ela respondeu
Mentira tá? só pra deixar claro nunca vi roubarem carrinho eletrônico de velhinho.
Chegamos e como tinha observado antes, tem muitos adolescentes que trabalham naquele shopping. Sempre fico surpreso com isso. Quando entramos concordamos que não íamos assistir filmes no cinema. Apenas sem vontade de assistir, então só andamos e falamos sobre um pouco a vida. Nick realmente sabia como criar laços de amizade, logo Clarisse e ele estavam debatendo sobre a diferença entre menta e hortelã.
— Ah meu deus- Clarisse exclamou e foi para atrás de mim, se escondendo de alguém.
— Que foi?- perguntei confuso.
— Mark, ele é um cara que é louco por mim. Odeio ele, todo dia manda mensagem — Ela disse com a voz abafada, estava enfiando a cara na minha mochila.
— E por que o ódio dele? — perguntou Nick — Muitas pessoas gostam de você-
— Ele atualmente está com.... am.... com ciúmes do Léo — Ela disse
COMO ASSIM COM CIÚMES DE MIM, EU NUNCA VI ESSE CARA
— Ele sabe de você por causa da festa ontem, ele te viu comigo- A voz de Clarisse saiu mais abafada.
— E qual o problema? — Perguntei
— Ele não vai aceitar levar um fora -
— e se ele estiver vindo agora na nossa direção?- Nick avisou
— OQUE?- Clarisse saiu de trás de mim. Olhou para confirmar se era ele mesmo. Mark era alguém com quem você não gostaria de mexer, loiro e musculoso. Parecia aqueles jogadores de futebol americano que repetiu de série 3 vezes pois estava ocupado demais malhando. — Corre!
— POR QUE VOCÊ ESTÁ ME TROCANDO POR ESSE MAGRELO?- Mark gritou do outro lado, vindo andando rápido em nossa direção.
— Anda Léo — Ela puxou meu braço e começou a correr entrando em algumas lojas e cortando caminho. Mas não dava pra despistar aquele cara, era muito rápido.
— VOLTA AQUI CARA, VAMOS SÓ CONVERSAR! — Mark gritava logo atrás de mim.
Corremos mais um pouco, as pessoas olhavam a correria e davam espaço, mas não queríamos espaço, queríamos apenas nos esconder entre eles. Entramos em um supermercado no centro do shopping e corremos alguns corredores. Nos escondemos em um deles e olhávamos por cima da prateleira, ele nos seguira até lá e agora nos procurava como um louco. Em sua cara via-se uma face psicótica, era certeza me esganar se me visse. Ele perguntou para uma senhora idosa algo que deduzir como: "Por acaso viu 3 adolescentes correrem por aqui?" a velha apontou diretamente para nosso corredor e ele pode ver a gente olhando por cima da prateleira, correu para a gente.
MALDITA VELHA, VAI DEDURAR O CÃO
Corremos algumas dezenas de prateleiras e chegamos a uma área de comidas de cozinha, entramos e corremos mais.
No fim do corredor havia alguém que eu não esperava estar ali, não esperava mesmo.
— Léo? — Era Andy, segurava em suas mãos uma garrafa de vidro de óleo extra virgem. Estava confusa depois que acabara de ver eu, Clarisse e Nick correndo toda aquela maratona. Olhei para traz e lá vinha Mark, correndo a toda. Puxei Clarisse e Nick e virei o corredor com eles e olhei para trás e o que vi foi uma cena perfeita. Preste atenção...
Andy Foi muito mais esperta e rápida que qualquer outra coisa que me veio a cabeça naquela hora. Ela olhou para meus olhos enquanto eu corria e olhou para Mark ainda no corredor em que ela estava. Simplesmente fez de conta que estava com a mão escorregadia e deixou que a garrafa de Óleo se quebra-se no chão. Mark não deu tempo freiar e escorregou no chão com uma queda horrivel de ser vista, apenas parou quando encontrou uma enorme prateleira que caiu em cima dele. Ela soltou um -OPS, caiu- E foi andando até a gente.
— Tudo bem? Nunca gostei muito do Mark.- ela disse para a gente e puxou o telefone dela, foi até a pilha de coisas que era Mark e as tralhas em cima dele. Tirou algumas fotos e disse — Essa vai para o Twitter... E guardou o telefone.
Só ai olhei para Clarisse e Nick, Clarisse estava com os olhos gigantes incrédula e Nick boquiaberto. Acordei os dois do transe e falei — Vamos! você também Andy.
Saímos nós 4 da loja, como aqueles adolescentes que acabaram de assaltar o banco e saem desfilando por ai. MENTIRA . Saímos depressa antes que Mark acordasse e fomos para a praça do shopping e lá sentamos.
— Por que fez isso?- perguntou Clarisse para Andy
— Ah eu.... — Ela foi interrompida por Nick
— Você foi demais, realmente! — ele olhava pra ela como se fosse sua cantora favorita. Ela riu. Convidei ela pra ir comer algo com a gente, Clarisse não gostou muito mas em geral estava feliz que Nick estivesse babando por ela.
— dois Mix de Maçã verde cor púrpura, pra gente- falei para a garçonete.
— Morango — disseram Nick e Andy ao mesmo tempo. — Só que da cor normal tá? – disse Andy olhando estranho para mim mas rindo.
Tomamos nosso Mix lá mesmo. Era um pouco estranho está saindo com aquele grupo, seu melhor amigo, a garota que você gosta e a garota que você beijou ontem, todos comendo algo depois de ser perseguido por um touro que era Mark. Rimos bastante e saímos do Shopping. Pegamos o ônibus e estava tudo bem, sem problemas, sem nada. Nick e Andy sentaram na cadeira da frente do ônibus, eu e Clarisse atrás deles, conversávamos enquanto olhávamos a janela, estava feliz, meu coração estava quente... Os sorrisos agora viam mais fáceis
Se passou uma semana inteira, Clarisse e eu estávamos ficando próximos mas não namorando... Era como se ela tivesse me deixado em uma FRIENDZONE fria e hostil. Não poderia dizer o mesmo de Nick e Andy, já não paravam de se falar e eram até irritantes falando um do outro direto.
— E quando vocês vão se pegar? — Protestou Nick na aula de história.
— Eu não sei, nem namoramos ainda...- Disse enquanto escrevia em meu caderno algo.
— Olha, uma dica própria é não virar tão amigo por enquanto, você se tornará alguém vitima da desculpa "somos próximos e não quero magoa-lo"..- Ele disse empurrando com os dedos o óculos.
— Eu sei, mas ainda não é a hora Nick.
— Se demorar, essa hora nunca vai chegar — ele comentou impaciente.
— Hello- Uma voz vindo mais a frente, era Clarisse vindo — Estava pensando, já invadiram algum hotel abandonado? — Ela se apoiou sentando em cima de uma das carteiras ao lado.
— Eu não acho uma boa ideia- Comentei mas logo fui interrompido por um soco no ombro, vindo do Nick.
— Claro que não, está na minha lista do que fazer antes de morrer! A que horas devemos comparecer a parada de ônibus Srta Wood?- Disse Nick, olhando de Clarisse para mim.
— As 10:00 PM? — Perguntou ela mexendo no celular.
— Ótimo, Léo e eu estaremos lá, adoro sexta feiras! — Disse Nick ainda com mais entusiasmo. Clarisse disse que ia voltar para sua carteira e Léo voltou-se a mim.
— Eis sua chance, escuro e abandonado, ela vai ter medo e você pode chegar nela e... —
— Nick — comecei a rir — Para (risos) -
— Mas é- ele disse ainda meio sério com um sorriso de lado.
10:00 PM
O celular toca, era Nick. Eu já estava na parada de ônibus, onde era nosso ponto de encontro, Clarisse havia chegado e sentado no banco. Atendi o telefone e Nick disse rápido:
— Olha, estou aqui com a Andy e fomos abduzidos por extraterrestre marinhos muito fofinhos e ele estão nos ensinando a teoria da relatividade, por isso acho que vamos demorar mais um pouquinho, vão andando pra lá, chegamos em 20 minutos ou menos.
logo atrás da voz do Nick se pode ouvir a Andy atuando e dizendo "(AI QUE ALIEN FOFENHO )"
Desliguei a chamada, virei-me pra Clarisse e disse — Nick e Andy atropelaram um bode e vão demorar mais alguns minutos pra chegar...
QUE DIABOS DE DESCULPAS É ESSA
— Eles atropelaram um bode? — Perguntou Clarisse, embora não parecesse nem um pouco surpresa, apenas desapontada.
— ERR.. Não, mas foi melhor que a desculpa dos ETs professores fofinhos que eles disseram está ensinando eles.
Rimos um pouco e fomos para o hotel, era uma noite fria, o inverno se passava lentamente. Já não havia neve, mas as ruas estavam sujas por causa da neve derretida. Chegamos no hotel e pulamos uma pequena cerca de um metro para os fundos da hotel. Lá encontramos uma porta entreaberta. Olhei para Clarisse e ela retribuiu, entramos e ouvimos alguns barulhos.
— tá ouvindo isso? — cochichei. Ela assentiu, vimos ao redor e o cenário era de quem realmente havia abandonado aquilo a um bom tempo.
— NÃO SEJAM TIMIDOS, ENTREM ! — Gritou uma voz no andar de cima, com toda certeza era Nick. Havia um ar de alívio e medo ao mesmo tempo, não estava habitada, exceto por um autista e sua PRÉ-namorada Andy.
Subimos as escadas e lá havia algo extremamente bonito de se ver, observem a cena. Uma mesa, velas, quatro lugares. Mais a frente um tapete com almofadas e um Nootbook com um monitor maior e um filme carregando, ia ser uma noite e tanto.
— É...- comecei a dizer- Esses ETs devem ter sido ótimos aliens.
Nick e Andy estavam sorridentes quando chegamos.
— Chegamos numa hora ruim?- perguntei imaginando os amassos que deveriam ter dado enquanto arrumavam o lugar A SÓS. Andy soltou um riso e suas bochechas ficaram vermelhas, Nick a olhou mas acho que não entendeu muito bem. Sentamos nas cadeiras e Nick disse:
— Bom, temos para a janta chique um delicioso spaghetti com almondegas — Ele puxou o spaghetti de outra mesa e posou-a levemente em nossa mesa. Pegamos pratos e enchemos, falávamos sobre tudo, pessoas do colégio, histórias de sua infância e tudo mais... Tudo tava acontecendo como em um sonho, spaghetti com Clarisse era meu sonho.
— Que horas? — Perguntou Andy.
— 11:30 PM- disse Nick- Todos disseram que iriam dormir na casa um do outro certo? Andy no da Clarisse e Léo na minha casa?
Embora ele não tivesse dito que era pra fazer isso, eu já tinha feito, afinal não iriamos passar apenas 30 minutos de diversão em um hotel abandonado. Todos balançamos nossas cabeças positivamente.
— Então, já que acabaram que tal uma dança antes do filme? — Perguntou Andy, parecia bem ensaiado.
— Eu ainda TO... TO comendo — disse Nick levando spaghetti a boca. Andy fingiu que não escutou, pegou o telefone e colocou em uma musica não tão conhecida. Sweater Weather. Ela se levantou, abriu a janela do seu lado e tinha uma visão linda da lua. Pegou a mão do Nick forçando-o a levantar e a dançar com ela.
Ficamos observando os dois, encarando um ao outro com aqueles olhos apaixonados e dançando ao som do Neighbourhood...
— Você vai dançar? – Perguntei. Foi mesmo bem imprevisível até pra mim. Ela se levantou e pegou na minha mão, levantei também e pegamos nas mãos, estavam quentes e macias. Começamos com uma valsa lenta e romântica, pelo menos pra mim estava bem romântico.
Em seguida Nick fez a pior coisa que poderia me vir a cabeça. Ele aproveitou que Clarisse na hora da dança estava de costas pra ele, andou até a mesa com o spaghetti, foi até seu prato e jogou o spaghetti pela janela.
— Ó NÃO, MEU SPAGHETTI SAIU VOANDO PELA JANELA, TEREI QUE PEGA-LO... — Ele soltou andy e foi em direção a escada, todos o olhavam. —ACABEI DE LEMBRAR QUE TENHO MEDO DO ESCURO ENTÃO ANDY VEM COMIGO — ela o seguiu rindo
EU DEFINITIVAMENTE TENHO QUE REVER OS CONCEITOS DE DESCULPA DO NICK, ISSO NÃO VALE.
Clarisse me olhou nos olhos e disse a simples frase que me perfurou como uma bala quente como larva — Estamos sozinhos agora...
É, estávamos realmente sozinhos agora. Mas e agora? o que eu deveria fazer, o que ela iria fazer? E o lance de ir muito rápido? e....
— Olha Léo, eu não sei se realmente deveríamos tent.....- A frase de Clarisse foi interrompida quando me deu a louca. Não escutei nada o que ela havia dito, tudo havia ficado mudo de repente, a luz das velas projetavam nossas sombras na parede de madeira do hotel abandonado. Lá fora as arvores de uma floresta próxima se balançava cuidadosamente, e a lua estava grande e branca como giz.
Então olhei em seus olhos até que fechei os meus, me aproximei do seu rosto, encostei meu nariz no seu e finalmente encostei meus lábios no dela. A sensação era como a de nunca, eu me sentia tão potente, tão superior e tão liberto. Era doce e macio. Minhas mãos assumiram o piloto automático e subiram até sua nuca, afastando os cabelos e apertando o beijo.
De repente, como um puxão de realidade, um choque na água fria, acordei do estado hipnótico quando Clarisse me empurrou. Olhei em seus olhos e ela estava chorando, havia lagrimas saindo dos seus olhos e ela estava com uma expressão muito triste. Não entendi nada.
— Eu... Eu preciso de um tempo sozinha — Ela disse e saiu correndo para algum outro quarto do hotel... Não entendi o que aconteceu, sinceramente não entendi nada. Ela não gostou do beijo? A musica parou, as velas foram derretendo e nenhum sinal de Nick ou Andy, nem de Clarisse.
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