Com amor, Léo.
7 Polícia, mansão e pais loucos.
Notas iniciais
Polícia, mansão e pais loucos.
— ACORDA ACORDA- Nick me sacudia
— As duas garotas vão naquela van e eu levo os dois garotos aqui. – Ouvi outra voz falando
Quando realmente vi o que estava acontecendo fiquei sem entender nada. Duas vans policiais. Clarisse e Andy entraram na primeira e havia um policia do nosso lado falando para seu parceiro que guiava Clarisse.
— O que aconteceu?- pergunto pro Nick, me levantando o mais rápido possível.
— A mãe da Clarisse ligou pra casa da Andy perguntando se ela estava bem, resumindo: Não sabiam onde estavam as meninas e chamaram a policia.- Ele avisou, indo em direção ao policial. – Senhor, temos que ir?
Ele olhou para Nick como se olhasse pra um vira lata pulguento. – SIM, caso uma das mães queiram prestar queixa do sequestro que vocês dois fizeram precisamos levar os dois.
Entro na van, coloco meu sinto e olho para Nick. Era visível seu nervosismo, mesmo não tendo culpa de nada.
— Fica tranquilo- falei para tranquilizar embora eu mesmo precisava ser tranquilizado. Os bancos de couro faziam barulho com o atrito da minha pele, me sentia realmente um condenado.
A van seguiu para algumas quadras dali e foi parar em frente a uma casa grande e chique, com janelas lustrosas, gramado verde e flores no quintal. Era a casa de Andy, lá fora pude reconhecer seus pais e os de Clarisse, esperando ansiosamente para criticar as duas por fazerem tal ato.
— Pra onde vocês foram a essa hora da noite? – Essa foi a primeira pergunta que ouvi fazerem assim que saí do carro, a pergunta era para Andy que se apressou em se explicar, Puxei meu celular do bolso e verifiquei as horas: 02:00 AM. Por quê a mãe da Clarisse ligaria tão tarde para perguntar se estava tudo bem?
Os pais dela também fizeram varias perguntas, enquanto a mim e Nick só nos restou observar calados.
— Só saímos para ver a lua no lago da Eight Avenue. Nada demais, pensamos que poderíamos passar a noite por lá...- explicou Clarisse para seus pais. Ambos os pais começaram a falar freneticamente em tom negativo, reprovando a ação da filha. Quanto a Andy já tinha uma conversa mais calma com os pais, pude ouvir a seguinte frase de sua mãe falando para seu pai:
— Ronald, Andy já está concluindo o ensino médio, é normal que façam coisas como essas antes de virarem adultos. Na verdade é essencial que essas coisas aconteçam nessa idade. – Defendeu a filha.
Ronald agitou as mãos e disse – Não estou preocupado com ela ter saído a noite, estou preocupado com ela ter mentido para nós Elise.- rebateu.
Toda a confusão se passava em meio a rua da luxuosa casa da Andy. Pouco depois as coisas foram se tornando menos escandalosas, Andy abraçou os pais e esses foram falar com a policia. Ambos os pais delas concordaram que os policiais deveriam ir e que fizeram um ótimo trabalho localizando suas filhas. Depois que foram embora, Elise, a mãe de Andy olhou para nós.
— Qual o nome de vocês? – Perguntou, um tanto meio seca.
— Nick, e esse é Léo. Somos amigos da filha de vocês- ele disse também para os pais de Clarisse, estes olharam ainda mais rigorosos.
— Olha, não quero mais confusões, por agora só quero dormir... Vocês dois – Elise apontou para nós dois – Durmam aqui e amanhã se resolvam com seus pais, ou que seja.- Ela virou sutilmente para os pais de Clarisse e seguiu até mais próximos para parecer mais gentil. – Nos perdoe o ocorrido de hoje, Sra e Sr Wood. Podemos por favor conversar lá dentro sobre isso?
Eles se entreolharam e acabaram por entrar na casa. Todos seguiram e entraram na casa de Andy. Era tudo muito grande e fino, parecia um hotel 5 estrelas. Ronald estava no meio da sala, havia uma TV enorme, um sofá bege, um tapete de veludo que cobria a maior parte da sala. Elise vinha em nossa direção com alguns aperitivos comprados.
Ela pediu para que todos sentassem. Sentei e bocejei, aos poucos fui percebendo o quanto estava caindo de sono.
— Quero pedir para que perdoe a nossa filha Andy – Começou Elise
— Nós que pedimos desculpas. Clarisse que deve ter bolado esse plano – A mãe dela começou a se desculpar. Por um momento ambos os casais de pais olharam um para o outro, como se até rissem da situação.
— hmm- a Elise olhou para Clarisse e sorriu. – Nesse caso eu perdoou se ficarem para comer algo nessa madrugada.
O pai de Clarisse olhou meio indeciso para ela e disse: — Eu não sei, posso adiar a reunião de amanhã e ficar para conversar um pouco... O que acha querida?
— Ótimo. É sempre bom conhecer os pais da filha da nossa amiga, não?
Em seguida aconteceu a coisa mais surpreendente que eu poderia imaginar naquela hora. Eles nos ignoraram totalmente. Os pais foram para TV e começaram a conversar sobre esportes alternativos e as mãe conversaram sobre assuntos adversos. Olhei para Nick, que também estava confuso. Andy chegou para nós dois e disse; — Não liguem para meus pais, eles são um tanto estranhos.- Ela disse sentando ao nosso lado, em uma poltrona.
— Por que você nunca nos disse que era rica?- perguntou Nick. Realmente não era de se esperar que Andy viesse de um berço de ouro como essa mansão, minha casa provavelmente era somente o quintal dela.
Ela revirou os olhos e disse – Nunca perguntaram.
— Cadê Clarisse? – perguntei. Ela já não estava mais na sala.
— Bom, olha pros nossos pais... – Andy apontou para eles. Pareciam velhos amigos, rindo e conversando sobre coisas de adulto. Os rapazes já estavam com uma latinha de cerveja cada. Elise com uma taça de vinho e a mãe de Clarisse um copo de suco. Era como se nada tivesse acontecido, sem policia e nem sequestro. – Eu pedi para que ela fosse se trocar e descer para comer alguma coisa de verdade. Sugiro que vá fazer o mesmo, é bem provável que fiquemos aqui até amanhecer. – Continuou ela.
Nick e Eu fomos guiados até um dos (a casa era gigante) quartos de hospede. Lá havia 2 beliches, guarda roupa e o chão era porcelanato escuro.
— O banheiro fica ali – Andy disse apontando para uma porta muito bem escondida entre as decorações de parede do quarto. – Deixem que eu trago algumas roupas para vestirem, sou muito boa nisso!
— Roupas? Como assim? – Perguntei sem entender muito. Ela iria trazer nossas roupas? As roupas do seu pai?
Ela se encostou na porta do quarto e coçou a cabeça. Havia realmente muito que explicar. – Meus pais são donos de uma rede de roupas. Dressing Gold.
— Você realmente precisa ainda estudar para ter um futuro? – Perguntou Nick rindo – A desculpe-me, esqueci da reverência, princesa. – Disse fazendo uma reverência forçada.
— Se poupe – ela riu – Todos os produtos passam pra contagem aqui em casa, se houver algo que não gostemos mandamos devolver. Tem algumas roupas no porão. Vou pegar.
Depois que Andy saiu fechei a porta. O quarto cheirava a sabão de eucalipto e roupa nova. Andei pelas extremidades procurando visualizar o máximo de detalhes possíveis. Era bem maior que o meu. Nick tirou a camisa e abriu o guarda roupa, estava sem óculos e seus cabelos estavam com algumas folhas de arvore e grama. Ele puxou do guarda roupa uma toalha e olhou pra mim.
— Que foi?-
— Tô entendendo nada nesse dia de hoje.- respondi. Rimos um pouco e logo depois ele tomou banho, fiz o mesmo. O banho quente era relaxante, expulsou todos o sono e me deixou devidamente bem, parecia que havia levado todas as borboletas da minha barriga ralo abaixo. Ficamos dentro do quarto com toalhas esperando Andy.
TOC TOC. – Meninos? Estão devidamente vestidos? – perguntou Andy por trás da porta.
— Mas você nem entregou as roupas ainda... – Nick gritou
A maçaneta virou e ela entrou comicamente. Cheia de roupas pelos braços e uma das mãos tampavam seus olhos. Ela soltou a porta e com a mão livre jogou todas as roupas pelo chão do quarto. Balançou o braço cegamente a procura da porta e se retirou do quarto.
Nick pegou algumas roupas e foi para dentro do banheiro se trocar. Fiquei no chão procurando alguma roupa. Achei uma camisa bonita mas assim que peguei senti que o tecido era do tipo de tecido na qual eu tenho alergia, logo larguei. Procurei mais e achei um casaco cor de sangue. Não havia nada estampado e parecia confortável. Peguei uma calça jeans e esperei Nick se trocar. Ele estava com uma camisa estampada com as palavras K I L L onde os dois L foram riscados em vermelho e escrito em baixo S S e depois a palavra me. Kiss me invés de Kill me. Ri um pouco e depois entrei no banheiro e me troquei.
Depois que estávamos devidamente vestidos, saímos do quarto e descemos a lustrosas escadas até a sala de estar. Os adultos ainda conversavam e riam. Puxei meu celular: 03:18 AM. Aqueles pais faltaram as aulas de como ser pais? Não que eu esteja reclamando, mas se fosse minha mãe me mandaria para a cama usando o método do tapa. Procuramos por Andy e Clarisse, ambas não estavam lá. Ninguém da sala percebia nossa presença, éramos fantasmas.
— Ali- Nick apontou para uma janela. Além da janela pude visualizar as duas, cada uma em um dos balanços. Fomos até lá. Lá era uma divisa, uma muralha coberta de plantas e flores, entre a casa de Andy e o vizinho, ficava mesmo a lateral da casa.
Andy e Clarisse estavam lá se balançando, as duas conversavam. Estava um tanto escuro, então chegamos mais perto e só agora nos viram.
— Garanhões – Disse Andy ao nos ver. Seu cabelo estava molhado e usava saia que vinha até os joelhos e uma blusa rosa.
— Não é que ficaram fofos usando essas roupas? – Clarisse disse, esta estava muito bonita. Um vestido branco liso que combinava com a sua palidez e lábios vermelhos. Percebia-se que estava tentando se vestir da mesma forma que sempre, sem chamar atenção. No entanto as roupas produzidas pela loja eram extravagantes demais.
Andamos pela grama limpa e sentamos nos outros balanços e começamos a conversar enquanto nos balançamos. Conversamos sobre a polícia, sobre a casa e sobre os pais. Não era só eu que estava muito confuso com a situação mas aceitei bem. Falamos tanto sobre tudo enquanto balançávamos até que puxei meu celular e vi: 06:00 AM.
Aparentemente todas as pessoas de dentro da casa foram dormir, estava apenas a gente do lado de fora e o céu começava a ficar claro. Clarisse falou:
— Adoro ver o nascer do sol.
— Vamos ficar na grama – comentou Nick
Deitamos na grama verde, estava frio e limpo, não era sintético, parecia muito saudável e limpo. As nossas cabeças encostavam uma na outra, em uma espécie de semicírculo. Esperamos alguns minutos conversando até os raios de sol alcançarem o horizonte. Era muito bonito ver sua chegada.
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