Com amor, Léo.
2 Garota prodígio
Notas iniciais
— Clarisse, Clarisse Wood — Ela disse estendendo a mão para um aperto e sentando perto de mim. Era claro que eu já sabia, mas teria que me fazer de desentendido para não parecer estranho.
— Nome bonito — olhei para os seus olhos verdes e penetrantes, fechei os meus e estendendo a mão para a cumprimentar. Digo — Léo Monte.
— Aqui está senhorita... ah, vocês são um casal? — A idosa que me atendera segundos antes estava de volta e agora para me matar... Eu olhei da Clarisse e depois para a idosa e sentia meu rosto corar...
— ah, não — disse um pouco mais baixo e fraco do que o normal. Clarisse soltou um riso e cobriu a boca com a mão. A idosa se virou e foi atender a outra mesa ou limpar o balcão.
— Desculpa- disse Clarisse parando de rir aos poucos, suas bochechas estavam rosadas. Ela havia pedido apenas uma xícara de cappuccino que fumaçava cheirosos aromas de cappuccino e hortelã com chocolate. Ela levou até a boca e bebeu um pouco.
— Então- comecei — Você já foi ao Brasil, o que achou mais legal?
Ela tirou a xícara da boca e estava pensando. Era surpreendente como ela conseguia jogar um charme até mesmo pensando enquanto olha para uma parede a frente. Ela disse — Com toda certeza a paisagem de algumas das cidades. São muito mais bonitas que em cartão postal.
— Concordo — falei — Você sempre vem aqui? — havia retornado a comer meus pãezinhos macios e quentes.
— Am..... as vezes — Ela havia dito, mas havia uma entonação em sua voz que a lhe entregava. Talvez estivesse mentindo.
— Eu preciso pegar alguns documentos que ainda ficaram de ser pegues na central da agência, em meia hora o trem das...- Puxei o mapa novamente — da Avenida Ohey harskye terei que ir lá.
Ela estava bebendo mais um pouco da xícara usando as duas mãos. Olhava um cachorro que estava sentado junto a outro cliente que estava na loja. Eu também bebi da minha xícara.
— Eu acho que posso ir com você, estou sem nada o que fazer- Ela respondeu. O QUE? Isso vai dar tão errado. Eu estou começando a crushar e Clarisse definitivamente não colabora em meu crush anonimato.
— É caminho de casa, e como meus pais estão de viagem não gosto de ficar em casa sozinha... É por esse motivo que estou aqui, evitando ir para casa. — Ela voltou para mim e sorriu. Entendi, peguei mais um pãozinho minúsculo e comi. No bolso do Jeans começa a vibrar, o celular toca e puxo a mão para atender.
"HOST MOM"
Era minha mãe do Canadá — Oi? — Atendi dizendo
— Léo? Só liguei pra dizer que não precisa ir pegar a documentação, passei perto e peguei para você — Ela disse. Droga, e o motivo para pegar o mesmo trem que Clarisse?? Agora iria para casa e o que diria para Clarisse? "vai embora que eu também vou"? eu quero ter um motivo para sair com ela.
— Certo- falei — tchau- Me despedir e guardei o telefone no bolso. Olhei para Clarisse que olhava para mim indiferente.
— O que? — ela perguntou ao ver que ia falar algo
— Minha Host Mom disse que não preciso ir pegar a documentação -
— Ah, tudo bem — Ela puxou para mais perto a mochila e tirou o telefone, havia algumas mensagens.
— Mas a gente pode fazer alguma coisa, você não precisa ir para casa agora certo? — Simplesmente saiu, meu Deus Léo Montes vai se atirar assim para outro canto!
Ela desviou o olhar do telefone para mim e sorriu, quase como agradecendo. — Você não precisa fazer isso se quiser — Ela disse mas logo inclinei a cabeça em um sinal de afirmação — Nesse caso, aqui tem um shopping ótimo –
Ela puxou a mochila e colocou nos ombros, fiz o mesmo. Pagamos a atendente idosa que anormalmente havia em sua cara aquela face de quem sabe o que vai acontecer nos próximos capítulos dessa história.
Seguimos a calçada conversando sobre as pessoas do colégio, professores chatos e coisas do tipo, rimos em algumas ocasiões e continuamos a andar. Em certo local, havia um mendigo que estava deitado em um barraco improvisado antes da neve, devia estar morrendo de frio e fome, nos olhava com uma dor que poderia ser transmitida no olhar. Clarisse parou de andar e pediu licença, foi em uma lanchonete que havia logo em frente, acompanhei ela.
— Bem reforçado! — Ela disse pagando a atendente.
— Já esta com fome? — perguntei. Ela virou para mim e riu um pouco. Recebeu o que eu chamaria de marmita ou quentinha no Brasil. Ela saiu da pequena lanchonete e foi até o mendigo, estendeu a mão e deu para ele. Eu pude ver que aquele cara havia ganhado o dia naquele simples ato. Ele apenas disse um "muito obrigado" mas dava pra sentir que era muito mais que isso... Saímos então voltando a andar mas havia um momento de silêncio entre nós, ela me olhou na mesma hora em que eu a olhava e admirava.
—Que foi? — ela perguntou ao me ver olhando para ela
— Garota prodígio, você é o máximo — disse e ri um pouco junto com ela, que veio para perto e deu um murro fraco como todas as garotas fazem quando estão envergonhada e tem aquele amigo homem.
Logo chegamos ao shopping, era imenso e havia mais adolescentes do que adultos, literalmente era mais adolescentes trabalhando lá do que adultos. Acho que era esporte ou até luxo quando se consegue emprego em uma área que se goste.
— Eai, o que vamos fazer? — ela perguntou, sua diferença de altura com a minha me agradava um tanto...
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