Com amor, Léo.
3 Quebrando regras
Notas iniciais
— Que tal um cinema? — Perguntei.
Caramba hein! quer falar logo pra ela que quer ir a algum lugar escuro o suficiente para rolar algo? eu hein... Eu sou muito atirado, meu Deus.
— É uma ótima ideia- afirmou Clarisse — acho que tenho uma boa ideia — ela me olhou com uma cara de observação.
— O que? — perguntei
— Vem...- ela puxou pelo casaco e foi me levando as escadas rolantes. Alguns adolescentes olhavam e em suas caras estavam estampadas que diziam a si mesmo "Que casal bonito"...
Não que eu não gostasse, é óbvio, mas é só que se não for da parte dela. Sinceramente não sei explicar meu ponto de vista.
Subimos as escadas rolantes até a área de cinema, escolhemos qualquer filme e compramos os bilhetes. Começaria dali a 30 minutos, portanto resolvemos passear um pouco pelo shopping. Fomos conversando até uma exposição de alguns animais em um pet shop ainda dentro do shopping.
Entramos e olhamos alguns cachorros, ela adorou um pequeno gato com heterocromia total (cor dos olhos diferentes em cada um dos dois olhos) sendo um azul e o outro castanho, era uma bola de pelos brancos como a neve, pegamos e acariciamos ele, depois colocamos de volta na vitrine, agradecemos a dona da loja e saímos.
— Ei, olha aquele carrinho — Ela apontou
— AM...- procurei para onde ela estava apontando e cheguei a um carrinho comum e pequeno com duas vagas — O carrinho para idosos?
— sim, sempre quis andar em um desses — Ela disse enquanto andava com passadas largas em seus jeans rasgados, abrindo um enorme sorriso.
— Ah não se preucupe, daqui a uns 40 anos você pode subir em um desses — rimos um pouco mas então ela segurou meu braço e olhou para a atendente que supervisionava os carrinhos, estava ocupada falando com um senhor de idade que provavelmente havia perdido algo.
— Anda logo, ela não vai olhar para aquele cara para sempre — e me puxou até o carrinho, pegou a chave e com uma manobra rápida o ligou — vamos! — COMO DEMÔNIOS DEIXAM UM CARRO COM A CHAVE LÁ?
Mas o que diabos estava acontecendo? certo que também já foi meu sonho derrubar um velhinho que anda nesses carrinhos eletrônicos de shopping e andar em um desses sem que fosse derrubado por algum guarda mas a gente ia fazer tudo isso, tirando a parte de derrubar o velhinho, já que não havia nenhum no carrinho
— Ei vocês! o que está acontecendo aqu....- O guarda que estava em frente a uma loja próxima veio falando, mas Clarisse foi muito mais rápida e me puxou para cima do carrinho eletrônico e acelerou.
ACELEROU NADA! APOSTO QUE AQUILO NÃO ALCANÇAVA 20 KM
— Clarisse- falei por trás enquanto ela desviava das pessoas que caminhavam lentamente olhando hipnotizados para cada loja que via — Será que podemos não ser presos essa noite? sabe tenho um trabalho de escola amanhã e talz —
Clarisse apenas riu um pouco e no fim conseguimos meio que despistar o guarda, entramos em uma parte do shopping onde os espaços eram maiores, portanto havia mais espaço. Clarisse parou o carrinho e olhou para mim — Quanto tempo para a sessão? — Seu cabelo havia parado de voar por cima de mim e agora voltavam ao estado normal em suas costas e ainda caindo em cima de seus olhos verdes. Puxei meu telefone
— falta cerca de 15 minutos- disse
— Ótimo, trouxe a gente para uma das minhas lojas favoritas- ela apontou para uma das lojas.
Quando olhei, poderia pensar que era roupas ou algo do tipo, mas não. Parecia apenas uma lanchonete normal. Antes de sairmos do carrinho, Clarisse se levantou para uma idosa que estava sentada em um dos bancos, provavelmente descansando.
— Olá senhora, eu trabalho aqui no shopping e vi que você anda carregando muitas coisas não? para alguém da sua idade me parece tão errado... Pelas câmeras pude ver e trouxe esse carrinho para você, sinta-se a vontade. — Ela puxou as chaves do carrinho as suspendeu em suas mãos, as mostrando para a idosa que agora abria um sorriso de felicidade. A idosa se levantou e puxou uma bolsinha cafona de oncinha e então pegou 20 dólares e disse:
— Muito obrigada, espero que isso sirva de gorjeta ou algo pela sua bondade- Ela estendeu os 20 dólares
— Ah — Clarisse abriu um sorriso e disse- A bondade não pede impostos minha senhora, tenha um bom dia – Ela entregou as chaves rapidamente e jogou simpático beijo no ar. Me levou para a loja que apontara.
Aquela garota era mesmo o máximo, como ela conseguia ser assim? tão misteriosa, rebelde e ao mesmo tempo tão cuidadosa com sua bondade e humildade? Acho que não é a toa que estou louco por ela, mas acho que ela não precisa saber, não é?
A loja cheirava muito bem, mas eram diversos aromas e todos eles eram de todas as formas agradáveis, consegui sentir o cheiro de Café, Uva, Waffles, Chocolate quente e diversos outros. Ela entrou e sentou junto a mim naqueles bancos sociais estilo anos 80, de couro e aberto para quantas pessoas caberem em uma mesa. Era um quadrado com 3 bancos para quem quiser sentar, resumindo, fazendo um formato de U. Mas o mais surpreendente era a decoração de aquários de peixes por todo canto, peixes de todas as formas geométricas e de cores deslumbrantes. Uma adolescente que trabalhava no local veio nos atender, cabelo amarrado e avental da lanchonete, tênis sujo e jeans por baixo...
— Mix de maçã verde para viagem- Clarisse disse.
— Da forma que gosta? — perguntou a adolescente. Pelo jeito já haviam se falado antes.
— Sim. — ela disse e olhou para mim, junto a atendente.
— O mesmo- pedi. Não sabia se era bom o jeito que ela gostava, mas até agora não vi algo ruim em sair com ela.
Minutos depois a atendente trouxe dois copos grandes de Mix de Maçã Verde. Mas pelo incrível que pareça, o liquido não era verde.
— Como assim não é verde? — Eu perguntei olhando para a mistura, era um cor púrpura viva. O cheiro ainda era de maçã verde.
— É minha cor favorita, eles conseguem adicionar algumas frutas com cores fortes que conseguem deixar dessa cor, parece um Milk Shake ou coisa do tipo, é bom. — Ela disse. Pagamos no caixa e levamos para fora da loja a caminho do cinema. Bebi um gole e realmente era muito bom, não se sentia outra fruta além de maçã verde, sua única coisa estranha, era a coloração púrpura.
— Eaí?- disse Clarisse, voltando a beber do seu Mix
— É muito bom- falei
Fomos na bilheteria e entregamos ao cara que recebe os bilhetes. Carimbou os dois ingressos e disse — Sala 4 a esquerda — Fomos a sala 4, abri a porta da sala e Clarisse entrou primeiro. Estava mais ou menos escuro, era um corredor com dois lados, o esquerdo era a entrada do cinema e o outro lado uma porta de madeira com as chaves ainda lá.
Fechei a porta atrás de mim e Clarisse continuou parada me observando enquanto tomava meu Mix. Fui para o lado esquerdo passando na frente de Clarisse quando de repente a sua mão gelada por causa da bebida puxou a parte de trás do meu casaco com força e me trouxe ao outro lado.
— O que foi? — perguntei assustado para Clarisse, baixo.
— Não vamos para esse lado. — Clarisse disse, seus olhos estavam grandes, ela parecia está se divertindo mais do que nunca.
— Como assim? — estava confuso
— Aqui... — Ela empurrou a porta de madeira, estava destrancada e entrei. Era a cabine de filme, onde os funcionários vinham e colocavam o filme para quem ia assistir a partir da enorme janela por onde passava o projetor. Não havia pessoa alguma lá dentro, apenas maquinas, um notebook, um projetor e duas gavetas que iam do chão ao teto armazenando fitas de filmes. As duas gavetas se espaçavam em 1 metro e eram largas. A sombra que fazia a primeira gaveta sobre a segunda no espaço de um metro entre elas as deixavam um vácuo escuro ali.
— puxe a cadeira, não vem pessoa alguma aqui até acabar o filme, confia em mim- ela puxou a cadeira para mais perto. Fiz o mesmo
A seguir veio a coisa mais normal que aconteceu naquele dia, assistimos o filme da grande janela de projeção da cabine, lá no alto do cinema. Foi tão tranquilo, de vez em quando trocávamos olhares, claro. Riamos um pouco das cenas engraçadas enquanto bebiamos Mix de Maçã verde, foi o máximo. Mas como sempre, tudo que é bom costuma acabar rápido.
O filme estava no finalzinho e a porta de madeira lá atrás começou a se mexer, havia alguém querendo entrar.
— RÁPIDO, ENTRA ALI- Clarisse apontava para o pequeno espaço entre as duas gavetas que iam até o teto, o espaço era de um metro, me cabia perfeitamente. Entre ali sem pensar em mais nem menos. Olhei para Clarisse que recolheu os dois copos de Mix em cima da mesa, rebolou as duas cadeiras de lado e adentrou no espaço comigo. ESTAVAMOS CARA A CARA, NO ESCURO, ENTRE DUAS GAVETAS, COM OS CORPOS COLADOS UM NO OUTRO E IMPRENSADO JUNTO A DOIS COPOS DE MIX.
Um cara entrou pela porta, olhou um pouco dos créditos do filme e fechou o notebook, desligando o filme. Meu coração acelerava e eu podia sentir o de Clarisse do outro lado do meu peito, seu coração não batia tão rápido quanto o meu. Ela fez sinal para que não fizesse barulho então evitei respirar rápido e até ela evitou respirar. Suas pernas entre as minhas, seus braços colados nos meus e seu rosto a pouquíssimos centímetros do meu, seria meu sonho se eu não estivesse morrendo.
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