Com Todo Amor - O começo
6 O garoto do cinema
Se alguém tivesse me dito, alguns meses antes, que eu estaria sofrendo uma crise existencial em frente ao espelho por causa de um filme e um balde de pipoca com um garoto, eu provavelmente teria rido da cara da pessoa. Mas lá estava eu. Pela terceira vez naquela tarde abafada, desfiz o rabo de cavalo caprichado para prender os fios castanhos exatamente na mesma altura de antes.
— Camille, se você continuar puxando esse cabelo, vai acabar ficando careca antes dos dezesseis.
Olhei pelo reflexo do espelho e vi Florence escorada no batente da porta. Ela segurava um pacote de biscoitos quase do tamanho dela, mastigando distraidamente.
— Você já falou isso três vezes, Flor — revirei os olhos azuis, bufando enquanto tentava domar uma mecha rebelde. — É o cabelo. Ele não está colaborando hoje.
— Não é o cabelo, Cami — ela sorriu, exibindo aquele vinco sapeca nas bochechas que só os irmãos mais novos conseguem projetar quando sabem que estão cobertos de razão. — É o menino. O tal quarterback.
Joguei a primeira almofada que encontrei na cama na direção dela. Florence abaixou num reflexo rápido e saiu correndo pelo corredor, sua gargalhada infantil ecoando pela casa de madeira.
Luke já me esperava na entrada do complexo do cinema quando chegamos. Meu pai estacionou a caminhonete poeirenta alguns metros adiante, sob a sombra de uma árvore do estacionamento.
— Divirta-se, minha filha — antes que eu puxasse a maçaneta, ele abriu um sorriso terno, daqueles que pareciam ler minha alma. — E lembre-se do que conversamos ontem à noite na cozinha, tudo bem?
Assenti com a cabeça, sentindo um nós na garganta.
— Lembro sim, pai.
Respeitar meus próprios limites. Não fazer absolutamente nada só porque os outros — ou um garoto bonito — esperavam que eu fizesse. Era engraçado... a voz do meu pai ecoava exatamente o mesmo conselho que Aidam havia me dado debaixo do velho carvalho.
Quando me aproximei da bilheteria, Luke abriu um sorriso digno de comercial de TV. Seus dentes eram perfeitamente brancos e os olhos brilhavam.
— Oi, Camille. Você está... uau. Linda.
Por um segundo inteiro, meu cérebro simplesmente congelou. É agora?, a pergunta gritou na minha mente. Será que ele vai me beijar aqui mesmo, no meio do saguão? Meu coração acelerou tanto que jurei que ele fosse escutar o batuque contra as minhas costelas. Mas Luke apenas inclinou o corpo e deixou um beijo delicado, levemente demorado, na minha bochecha. O perfume dele, caro e amadeirado, me atingiu.
Todo o ar que eu estava prendendo voltou aos meus pulmões em um alívio cômico. Sorri, relaxando os ombros.
— Oi, Luke. Obrigada. Você também está ótimo.
Foi só quando nos viramos para entrar na fila da pipoca que meus olhos escanearam a entrada do estacionamento por puro reflexo. Alguns metros atrás, parcialmente escondida por uma SUV, a caminhonete preta reluzente dos Wright estava parada. John Wright ocupava o banco do motorista, com o braço apoiado na janela aberta, parecendo conferir o relógio. No banco do passageiro, a silhueta de Aidam era inconfundível. Os fios loiro escuros estavam jogados para trás, e aqueles olhos cor de mel esverdeados olhavam de forma fixa, cirúrgica, na nossa direção, enquanto ele fingia escutar o que o pai dizia.
Levantei a mão discretamente, desfazendo o protocolo de espionagem, e fiz um breve aceno. Aidam sustentou o olhar por mais um segundo antes de responder com um aceno de cabeça quase imperceptível. Logo depois, o motor potente da caminhonete roncou e John seguiu seu caminho. Respirei fundo. O plano do "sinal de emergência" estava cancelado, mas saber que ele tinha ido até ali só para garantir que eu entraria bem me deu uma segurança absurda.
O filme era uma comédia romântica leve. Luke ria alto, sem se importar com as pessoas ao redor, achando graça das cenas mais bobas do roteiro. Eu me pegava rindo mais dele do que da própria tela. Na metade da sessão, no entanto, a atmosfera mudou. Senti o calor do braço dele encostar no meu de leve no apoio compartilhado da poltrona. Olhei de soslaio. Ele parecia concentrado na projeção, mas o movimento seguinte foi calculado: Luke esticou o braço por trás do meu pescoço, pousando-o com cuidado sobre os meus ombros.
Meu corpo enrijeceu por uma fração de segundo. O alerta de "território novo" apitou na minha cabeça. Ele percebeu o susto imediatamente.
— Tudo bem? — ele sussurrou perto do meu ouvido, a voz tão baixa que quase sumiu no sistema de som do cinema.
Respirei fundo, deixando o corpo relaxar contra o peito dele. Assenti.
— Tudo ótimo.
E estava mesmo. Não era ruim, nem esquisito como eu tinha imaginado no banheiro com as meninas. Na verdade, era surpreendentemente confortável. A sensação física de ter alguém querendo ficar perto de mim, me protegendo do ar-condicionado frio da sala, era completamente nova. E agradável.
Quando as luzes se acenderam e os créditos começaram a rolar, atravessamos a rua em direção a uma sorveteria com mesinhas ao ar livre. Pedi uma taça generosa de cookies com calda de chocolate. Luke, para o meu completo espanto, escolheu pistache.
Fiz uma careta automática de puro desdém.
— Sério? Quem, em sã consciência, escolhe pistache numa sorveteria?
Luke soltou uma gargalhada gostosa, apoiando as costas na cadeira de metal.
— Eu escolho. É o melhor sabor do mundo, Camille.
— Tem gosto de comida de adulto esquisito. De gente velha.
— Você está julgando sem propriedade. Você nem provou — ele desafiou, empurrando a taça dele na minha direção e me estendendo a colher.
Peguei o talher sem pedir licença, enfiei no sorvete verde-claro e levei à boca. Fiquei mastigando por alguns segundos, saboreando a textura enquanto ele me observava, divertido.
— E então? — ele perguntou, arqueando as sobrancelhas.
Enruguei o nariz, empurrando a taça dele de volta.
— Continuo achando que cookies com chocolate ganham de dez a zero. Isso aí parece grama doce.
Luke explodiu em uma risada ainda mais alta, chamando a atenção de um casal na mesa ao lado.
— Você faz as expressões mais engraçadas que eu já vi, sabia? Como essa agora de garota emburrada.
Imitei a careta de forma ainda mais exagerada, cruzando os braços, o que só o fez rir mais. Eu nunca fui boa em parecer sofisticada ou em fingir uma etiqueta que não tinha; preferia rir alto, gesticular com as mãos e falar o que vinha à cabeça. Meu pai sempre dizia que eu falava com o corpo inteiro, e eu achava que isso ia afastar os garotos da cidade.
Luke parou de rir aos poucos, limpando o canto da boca com um guardanapo. Ele apoiou os cotovelos na mesa de madeira, inclinando o corpo na minha direção, os olhos castanhos fixos nos meus azuis. — Posso te fazer uma pergunta, Camille?
— Claro. Manda.
— Por que você ficou tão surpresa quando eu te chamei para sair? — ele franziu a testa, genuinamente curioso. — Quer dizer, você parecia achar que era um trote da escola.
Encolhi os ombros, sentindo um rastro de timidez voltar. — É que... tem um monte de meninas lindas naquela escola, Luke. Meninas que fazem ensaios fotográficos, líderes de torcida, filhas de advogados e políticos importantes de Dallas. Eu sou só a filha do capataz. Por que você resolveu prestar atenção logo em mim?
Luke demorou alguns segundos para responder. O olhar dele desceu para as próprias mãos e depois voltou para o meu rosto, com um sorriso mais suave, desprovido daquela pose de jogador de futebol.
— Justamente por isso, Cami. Todas aquelas meninas da Trinity parecem programadas. Elas se vestem igual, andam igual e parecem preocupadas demais em impressionar o tempo todo. Você não. Você ri alto quando quer, fala o que pensa e... bem, você chega na escola com cheiro de couro e campo depois de andar a cavalo e nem parece se importar com o que vão falar.
Abri a boca, encenando uma indignação dramática.
— Ei! Eu não cheiro a cavalo, Luke Carter! Eu tomo banho.
— Às vezes cheira um pouquinho sim — ele rebateu, piscando para mim.
Peguei o guardanapo amassado da mesa e atirei no peito dele. Luke desviou rindo, segurando o papel no ar.
— Está vendo? É disso que eu estou falando. Você é diferente de tudo o que tem naquela escola. Você não tenta ser ninguém além de você mesma. Eu não sei explicar direito... mas eu gosto muito disso.
Senti minhas bochechas queimarem de verdade, um calor gostoso se espalhando pelo pescoço. Ninguém, fora a minha família, jamais tinha dito algo parecido para mim. Pela primeira vez na vida, a ideia de que talvez houvesse algo genuinamente especial na garota desengonçada da fazenda começou a fazer sentido na minha cabeça.
Quando o relógio marcou seis da tarde, o sol do Texas começou a despencar no horizonte, pintando o céu de rosa e laranja. Caminhamos de volta para o estacionamento do shopping. Meu pai já nos esperava, encostado na lateral da caminhonete. Mas o meu estômago deu um pequeno nó quando vi a caçamba: Aidam estava sentado ali, de pernas balançando, com a mochila ao lado, distraído enquanto girava o chaveiro de metal entre os dedos compridos. Assim que nos viu aproximar, ele pulou para o chão com aquela agilidade irritante.
Luke sorriu educadamente para o meu pai, estendendo a mão.
— Senhor Davis. Boa tarde.
— Luke — meu pai apertou a mão dele com firmeza, avaliando o garoto com aquele olhar experiente de caubói.
Luke então se virou para mim, colocando as mãos nos bolsos do jeans. — Eu realmente gostei da nossa tarde, Camille. Obrigado por aceitar o convite.
— Eu também gostei muito, Luke. Obrigada eu.
— Até segunda na escola?
— Até segunda — respondi, com um sorriso bobo que eu simplesmente não conseguia arrancar do rosto.
Observei enquanto ele caminhava em direção ao carro da mãe, que o esperava do outro lado. Girei nos calcanhares e entrei na caminhonete, praticamente flutuando, fechando a porta com um suspiro satisfeito. Meu pai deu a partida no motor, mas não demorou dois segundos para me olhar de soslaio pelo retrovisor interno.
— Então... — ele começou, o tom de voz arrastado e divertido.
Puxei o cinto de segurança, prendendo-o com um clique. — Então o quê, pai?
— Esse sorriso aí atrás está parecendo mais caro do que uma saca de soja premiada — ele brincou, fazendo a caminhonete ganhar a estrada de terra.
Deixei uma risada escapar, cobrindo o rosto com as mãos. — Para com isso, pai. Não começa.
— Estou apenas constatando, ué. O rapaz pareceu bem educado. Cumprimentou direito.
— Ele é muito educado. Um fofo.
— E bonito também, pelo que sua irmã andou fofocando pelas paredes — meu pai soltou uma gargalhada, piscando pelo espelho.
— Pai! Pelo amor de Deus! — corei instantaneamente, olhando para o lado esperando que Aidam entrasse na brincadeira para me defender, ou que soltasse uma das suas piadas ácidas para cortar o romantismo do meu pai.
Mas Aidam não disse uma única palavra.
Ele apenas fechou a porta traseira com um baque um pouco mais seco do que o necessário, jogou a mochila no chão da caminhonete e encostou a cabeça no vidro da janela lateral. Fiquei encarando o perfil dele pelo retrovisor. Seus olhos cor de mel esverdeados estavam fixos na paisagem que passava correndo lá fora, o maxilar tão rígido que uma linha dura se desenhava na lateral do seu rosto.
Achei estranho. Aquilo não era o normal dele.
— O filme foi muito legal, Aidam — tentei puxar assunto, inclinando o corpo um pouco para trás na direção do vão entre os bancos. Nenhuma resposta. Ele sequer piscou. Continuei falando, tentando quebrar o gelo. — Depois a gente foi tomar sorvete naquela cabine do outro lado da rua. Ele pediu pistache, você acredita?
Meu pai fez uma careta instantânea pelo para-brisa.
— Pistache? Credo. Isso nem devia ser considerado comida de verdade.
Ri alto, sentindo o ambiente clarear um pouco. — Foi exatamente o que eu falei para ele, pai! Mas mesmo assim eu fui teimosa e resolvi experimentar na colher dele.
— E qual foi o veredito? — meu pai perguntou, divertido.
— Horrível. Tem gosto de mato doce. Cookies dá de dez a zero.
Meu pai soltou outra risada, e eu continuei a desabafar, animada, contando como Luke tinha achado graça das minhas histórias da fazenda, como ele tinha sido gentil ao colocar o braço ao redor dos meus ombros quando o cinema ficou frio, e como ele tinha dito, com todas as letras, que eu era diferente de todas as outras meninas da Trinity. Que ele gostava do meu jeito autêntico.
Enquanto eu falava com as mãos, empolgada com a sensação de ter sido validada por alguém de fora do nosso círculo, percebi que meu pai mantinha um sorriso discreto e acolhedor nos lábios.
Já Aidam... permaneceu em um silêncio absoluto e intransponível durante todo o trajeto de volta. Ele continuou olhando para a janela, os braços cruzados com força contra o peito largo, como se estivesse profundamente concentrado em contar cada uma das estacas de madeira das cercas que dividiam as propriedades ao longo da estrada escura do Texas.
Naquela noite, sob o som do motor da caminhonete e o farol cortando a poeira, achei que ele estivesse apenas cansado ou entediado por ter tido que esperar o encontro acabar com o meu pai.
O domingo amanheceu com aquele céu típico do Texas: um azul tão limpo e infinito que parecia derreter nas bordas do horizonte. Era o nosso dia oficial de cavalgar. A poeira da tarde anterior parecia ter assentado, mas o silêncio esquisito de Aidam no banco de trás da caminhonete ainda latejava na minha mente.
Quando montei em Ventania, minha égua castanha, e vi Aidam ajustar a sela de seu cavalo com aquela facilidade de quem nasceu fazendo isso, decidi que a tensão do dia anterior era coisa da minha cabeça.
— Ele me mandou uma mensagem ontem à noite — comecei, sem qualquer preâmbulo, enquanto nossos cavalos caminhavam lado a lado pelo pasto alto, em direção ao riacho.
Aidam nem sequer virou a cabeça. Suas mãos, firmes nas rédeas, guiaram o cavalo com um puxão sutil. Seus fios loiro escuros estavam escondidos sob o chapéu, projetando uma sombra que cobria seus olhos cor de mel esverdeados.
— Bom para você, Camille — ele respondeu, a voz barítona saindo num tom arrastado, quase entediado.
— Não seja chato, Wright. Eu estou falando sério! — inclinei o corpo na direção dele, meus olhos azuis brilhando com a ansiedade que vinha se acumulando desde que acordei. — Ele disse que mal pode esperar pela aula de História de amanhã. Eu passei a manhã inteira pensando... será que ele gosta mesmo de mim? Tipo, de verdade? Ou será que ele só foi legal porque meu pai estava no estacionamento? Ai, meu Deus, eu estou muito ansiosa para aquela segunda-feira chegar. Você acha que eu devo sentar perto dele no almoço ou vai parecer que estou sufocando o garoto? Porque a Emma disse que—
— Camille, cala a boca.
O comando veio cortante, de um jeito que me fez puxar as rédeas de Ventania instantaneamente, fazendo-a parar no meio do caminho.
Aidam parou logo adiante. Ele girou o corpo na sela devagar, e quando me encarou, o maxilar dele estava tão travado que parecia feito de pedra. Os olhos dele, sob a aba do chapéu, pareciam muito mais verdes do que mel naquela manhã, faiscando com uma irritação genuína.
— O quê? — pisquei, chocada com a rispidez.
— Dá para parar de falar desse cara por cinco minutos? — ele disparou, a voz firme e perigosamente calma. — Desde ontem à tarde o meu ouvido está sangrando com "Luke isso", "Luke pediu pistache", "Luke colocou o braço no meu ombro". Já deu. Esse assunto está me irritando profundamente.
Fiquei olhando para ele de queixo caído, a indignação subindo pelas minhas bochechas até esquentar minhas orelhas.
— Mas você é o meu melhor amigo! — protestei, cutucando o flanco de Ventania para emparelhar com o cavalo dele novamente. — Com quem mais eu vou falar sobre isso? Com as galinhas do quintal? Faz parte do nosso contrato invisível de amizade, Aidam Wright. Quando você finalmente encontrar uma menina de Dallas, ou alguma líder de torcida da Trinity que te faça perder o rumo, eu vou ter que sentar e escutar você falar dela constantemente, por horas a fio, sem reclamar! É assim que funciona.
Aidam sustentou o meu olhar por um segundo longo demais. O vento do Texas passou por nós, balançando a crina dos cavalos. Um vinco profundo surgiu entre as sobrancelhas dele, e o canto da boca dele subiu bem devagar, mas não era o seu sorriso de canto sarcástico habitual. Era algo mais sombrio, quase desafiador.
— Pode apostar o seu cavalo, tampinha... você é a última pessoa no mundo para quem eu falaria se estivesse gostando de alguém — ele soltou, a voz descendo para um tom quase confidencial.
— Por que?! Eu dou ótimos conselhos!
— Porque você ia estragar tudo com esse seu romantismo de comédia barata — ele desdenhou, soltando uma risada curta e recuperando aquela pose arrogante que eu conhecia tão bem. Ele ajeitou o chapéu na cabeça, me olhando de cima. — E além disso, o seu quarterback corre rápido, mas o papo dele é tão lento que está afetando o seu cérebro. Você está ficando devagar, Camille.
— Eu não estou devagar!
— Está sim. Olha a sua postura nessa sela. Parece um saco de batatas.
— Aidam, eu vou te derrubar desse cavalo! — gritei, a raiva adolescente se transformando instantaneamente naquela nossa velha dinâmica de competição.
— Duvido muito — ele provocou, os olhos cor de mel brilhando com puro deboche quando ele inclinou o corpo para a frente. — Quem chegar por último no carvalho antigo vai ter que limpar os estábulos do outro por uma semana. E eu não aceito trapaça.
Antes que eu pudesse responder, Aidam deu um comando firme com as botas e seu cavalo disparou pelo pasto, levantando um rastro de terra vermelha atrás de si.
— Isso é golpe baixo, Wright! Você saiu antes! — berrei contra o vento, inclinando meu corpo sobre o pescoço de Ventania e soltando as rédeas.
A égua atendeu ao meu comando na mesma hora, galopando com toda a velocidade que tinha pelas terras da fazenda. O som dos cascos batendo forte contra o chão e o vento chicoteando meus cabelos castanhos apagaram, em poucos segundos, qualquer rastro de Luke Carter da minha mente. Enquanto eu tentava alcançar a silhueta loira escura que corria alguns metros à minha frente, rindo alto da minha indignação, a única coisa que importava era o calor daquela corrida.
Nós ainda éramos duas crianças apostando o destino na terra do Texas. Mas, enquanto o carvalho antigo surgia no horizonte, eu mal podia prever que o tempo das brincadeiras estava com os dias contados, e que algumas corridas a gente simplesmente não consegue vencer.
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