Notas iniciais
Coloquei mais sobre a Quinn nesse capítulo. Espero que gostem!

Quinn esgueirava-se pelos corredores escuros do internato. Não podia arriscar ser pega, muito menos as três da manha. Mas precisava conversar com a única pessoa que a entenderia: Santana. Bem que queria admitir que Rachel fosse sua melhor amiga e que podia contar tudo a ela, mas eram nessas horas que ela mais precisava de Santana. Tinha que ser ela.

Passou pelos quartos velozmente, até parar no número 689. Abriu um meio sorriso e entrou. Desde cedo, Quinn já havia conseguido alguns contatos úteis no internato, então facilmente conseguiu a cópia da chave do quarto de Santana.

A loira tateou pelo quarto até encontrar a cama da latina. Esperou alguns segundos para os olhos acostumarem-se com a escuridão e arregalou os olhos ao perceber que a amiga não estava na cama. Virou-se, pronta para acordar Brittany quando viu a latina abraçada na loira, em um sono profundo. Abriu um sorriso ao vê-la tão tranquila, mesmo em meio a uma noite de tempestade.

Quinn fechou a porta do dormitório das meninas e saiu com um sorriso estampado no rosto. Talvez agora Santana finalmente pudesse ser feliz, talvez conseguisse ficar bem. A latina merecia aquilo mais do que muitas pessoas.

Olhando para os lados meticulosamente, Quinn atravessou o corredor. Estava prestes a descer o lance de escadas que levaria ao seu quarto quando uma voz fez seu corpo congelar.

- Não deveria ficar andando a essa hora pelos corredores, Srta. Fabray.

Quinn girou o corpo devagar e deparou-se com uma mulher loira de cabelos compridos. Tinha uma expressão suave no rosto, mas ao mesmo tempo uma compostura firme. Reconheceu-a como a professora de Espanhol, mas custava a lembrar seu nome.

- Vai me mandar para a Meg... Digo, a Sra. Lewis? – Quinn perguntou de cabeça baixa.

- Por que eu mandaria você à Megera? – A mulher perguntou – Ora, Srta. Fabray. Eu não sou surda, muito menos fã daquela velha. Quem você acha que deu início aos apelidos?

Quinn exibia um sorriso mais relaxado no rosto. O nome da professora, Senhorita H... Holiday! Holly Holiday. Era professora de Espanhol e dava aulas sobre sexologia. Algumas palestras, por assim dizer. Era o tipo de professora que qualquer aluna gostaria de ter.

- Mas me diga, o que faz acordada andando pelos corredores? – A Srta. Holiday perguntou.

- Eu fui ver uma amiga. – Quinn respondeu.

- Às três da manhã? – A professora retrucou arqueando uma sobrancelha.

- Soa estranho. – Quinn disse – Mas eu realmente precisava conversar com ela. E não podia esperar.

- E conseguiu o que precisava?

- Não – Quinn bufou, mas logo abriu um sorriso – Ela estava dormindo.

- Já era de se esperar.

- Com uma amiga.

- Ah. Não era de se esperar. E que mal pergunte, como entrou no quarto dela sem acordá-la?

- Longa história. – Quinn respondeu. – Envolve a máfia do internato. Prefiro não citar nomes. Mas resumindo, eu consegui uma cópia da chave.

- Compreensível – A Srta. Holiday retrucou – Por que não me acompanha até a minha sala? Tenho a leve impressão de que sei sobre o que se trata essa conversa.

- N-n-não sei se é uma boa ideia, Srta. Hol...

- Por favor, Srta. Fabray. Me chame apenas de Holly. Fora das aulas é claro. Senhorita Holiday me deixa com ares de velha.

Quinn esboçou um sorriso e seguiu a professora até a sala de espanhol. A mulher indicou para que Quinn sentasse a sua frente e tomou lugar em sua cadeira.

- Então, Quinn. Quando foi que você se apaixonou? – A mulher perguntou calmamente.

- C-c-como você...

- Seu olhar apaixonado é óbvio até demais. Tenho minhas suspeitas de quem seria a sortuda.

- Eu estou completamente apaixonada por uma mulher. Isso é muito novo para mim. – Quinn disse encostando-se a cadeira. – Mas mesmo assim, eu largaria tudo para ficar com ela. É tão estranho, eu nunca me senti assim por ninguém. Nem mesmo pelo meu primeiro namorado, antes de eu entrar no internato.

- Quinn, você deveria conversar com ela. Diga como está se sentindo. – Holly falou – O amor é um sentimento tão bonito, não deveria ficar trancado em nossos peitos por puro medo da reação de uma pessoa.

- Eu tenho medo de perdê-la...

- Eu tenho certeza que a Srta. Berry não vai se afastar de você se contar a ela.

Quinn arregalou os olhos verdes.

- Como sabe?

- É recíproco, até onde posso ver. Agora é melhor ir para o seu dormitório. Amanhã você tem aula comigo, e tenho certeza que você tem muito o que pensar agora. E não se atrase!

Quinn caminhou com um sorriso satisfeito nos lábios. Entrou no seu quarto e sentou na cama. Esperou os olhos se acostumarem com a escuridão e deitou na cama. Virou-se e observou Rachel, que dormia pesadamente. Um sorriso inconsciente formou-se em seus lábios.

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Santana acordou com o som dos sinos badalando. Abriu um sorriso e encostou o rosto na curva do pescoço de Brittany. A tempestade havia passado e provavelmente o dia estaria nublado, como sempre era naquela cidade. Eram raríssimos os dias de sol.

- Britt, acorda... – Santana disse, apertando o abraço na loira.

- Não... Sono. – Brittany resmungou, virando-se para Santana. A loira deitou o rosto no peito da latina e voltou ao seu sono profundo.

- Britt, vamos. Temos aula, e você sabe o que acontece quando chegamos atrasadas. E além do mais, temos muito que fazer hoje. Ainda nem falamos com as meninas.

Brittany ergueu a cabeça, abrindo os olhos sonolentos e passando a mão pelos cabelos bagunçados.

- Certo, você me convenceu, Srta. Lopez. – Brittany disse, levantando da cama.

As duas se arrumaram rapidamente. Como de costume, Santana pegou a gravata vermelha e aproximou-se de Brittany. A loira sorriu e ajeitou a gravata no pescoço da latina enquanto esta arrumava alguns fios dos cabelos loiros de Brittany.

As duas correram gargalhando pelos corredores até o refeitório, juntando-se as amigas. Quinn tinha um sorriso bobo no rosto enquanto olhava para a latina, mas Santana não deu importância.

- Santana lançou uma proposta para nós. – Brittany falou em tom baixo.

- Qual? – Sugar perguntou.

- A volta das atividades culturais. Em segredo, é claro. A Megera nos mataria se soubesse. – Brittany falou.

- E como faríamos isso? – Tina retrucou interessada.

- Precisamos de um professor, um guia. – Brittany disse – E este, até agora, é o problema maior. Podemos treinar nas salas da rua. Nunca ficam ocupadas durante as tardes, acredito que estejam abandonadas.

- Mas que professor contradiria as regras da Velhaca? – Rachel perguntou.

- Disso eu mesma posso cuidar. – Quinn respondeu sorrindo – Eu sei perfeitamente quem se animaria em nos ajudar.

Dito isso, a Megera entrou no refeitório. Santana lançou seus olhos sobre a freira. Era velha, tinha a cara ranzinza e enrugada. Os olhos raivosos eram de cor escura, assim como os dela, e a pele branca como um morto. O nariz comprido e os óculos redondos na ponta do mesmo a davam uma aparência autoritária e medonha. Ela era de longe a freira mais apavorante do internato.

O silêncio pairava sobre o refeitório. Quinn lançou os olhos para a professora Holiday que a encarava com um sorriso encorajador no rosto. A loira engoliu em seco, ainda não havia decidido o que fazer. Inclinou-se para mais perto de Santana e se aproximou do ouvido da latina.

- Eu fui ao seu quarto ontem – Quinn sussurrou.

- Soa estranho. – Santana retrucou. – Te deixa com ares de tarada.

- Idiota.

- Não te ouvi bater.

- Eu não bati. – Quinn respondeu.

- Medonho isso. Ficou me ouvindo respirar? – Santana perguntou.

- Não. Mas foi muito bonitinho você dormindo abraçada em Brittany.

A latina arregalou os olhos castanhos.

- Como você entrou? – ela perguntou.

- Longa história – Quinn respondeu sorrindo – Mas eu tenho os meus contatos. E você gosta dela.

- Ela tem medo de tempestades.

- Santana se apaixonou...

A latina estava prestes a retrucar quando sentiu o olhar da Megera pesando sobre ela e Quinn. Desviou os olhos rapidamente e voltou a comer em silêncio.

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Quinn correu para a aula de espanhol. Queria chegar o mais rápido possível para conseguir falar com a professora antes da aula.

Entrou na sala e encontrou a figura alegre a encarando sorridente.

- Srta. Fabray! Um pouco mais cedo do que o normal. Precisa conversar? – A mulher perguntou calmamente.

- Na verdade, tenho duas coisas para falar. Na verdade, uma para falar e uma proposta. – Quinn respondeu.

- Certo. Imagino que eu saiba o assunto da conversa.

- Imagino que sim. Como... Como eu falo com ela? Quer dizer, me abro assim, arriscando perder a nossa amizade e a tranquilidade de tê-la como colega de quarto ou faço de outro jeito?

- Arrisque. – A mulher respondeu. – Ela gosta de você, Quinn. Rachel é minha aluna há três anos e eu devo comentar que ela só olha assim para você.

Quinn corou e ficou com um sorriso bobo no rosto. A ideia de Rachel gostar dela alegrava a loira, dando-a mais vontade de conversar com a pequena.

- E qual proposta exatamente a senhorita quer me fazer? – A Srta. Holiday perguntou, tirando Quinn de seus devaneios.

- Oh, certo! Eu e as meninas estávamos conversando hoje de manhã e tivemos uma ideia. Ou melhor, Santana teve.

- Santana... A latina apaixonada pela Srta. Pierce? Elas dariam um bom casal...

- A senhora é muito observadora. – Quinn comentou – E sim, ela mesma. Santana teve uma ideia que tem tudo para dar errado, devo avisar. Mas não vejo porque não daria certo. E seriamos contrárias a pelo menos umas cinquenta regras da escola. E o pior, contrárias a Sra. Lewis.

- E qual seria a brilhante ideia da menina latina?

- Reabrir os grupos culturais. Em segredo, é claro. Temos tudo pronto, mas não temos uma mentora. E, bem... Eu pensei que a senhora daria uma boa mentora. Além do mais, as meninas iam gostar de ter alguma professora que odeia tanto a Velhaca quanto elas. E então, aceita ser a nossa professora?

A senhorita Holiday apenas deu um sorriso.

- Eu achei que você não nunca fosse perguntar.

Notas finais
Aprovado?