Colégio Interno - Brittana
3 Srta. Holiday
Notas iniciais
Quinn esgueirava-se pelos corredores escuros do internato. Não podia arriscar ser pega, muito menos as três da manha. Mas precisava conversar com a única pessoa que a entenderia: Santana. Bem que queria admitir que Rachel fosse sua melhor amiga e que podia contar tudo a ela, mas eram nessas horas que ela mais precisava de Santana. Tinha que ser ela.
Passou pelos quartos velozmente, até parar no número 689. Abriu um meio sorriso e entrou. Desde cedo, Quinn já havia conseguido alguns contatos úteis no internato, então facilmente conseguiu a cópia da chave do quarto de Santana.
A loira tateou pelo quarto até encontrar a cama da latina. Esperou alguns segundos para os olhos acostumarem-se com a escuridão e arregalou os olhos ao perceber que a amiga não estava na cama. Virou-se, pronta para acordar Brittany quando viu a latina abraçada na loira, em um sono profundo. Abriu um sorriso ao vê-la tão tranquila, mesmo em meio a uma noite de tempestade.
Quinn fechou a porta do dormitório das meninas e saiu com um sorriso estampado no rosto. Talvez agora Santana finalmente pudesse ser feliz, talvez conseguisse ficar bem. A latina merecia aquilo mais do que muitas pessoas.
Olhando para os lados meticulosamente, Quinn atravessou o corredor. Estava prestes a descer o lance de escadas que levaria ao seu quarto quando uma voz fez seu corpo congelar.
- Não deveria ficar andando a essa hora pelos corredores, Srta. Fabray.
Quinn girou o corpo devagar e deparou-se com uma mulher loira de cabelos compridos. Tinha uma expressão suave no rosto, mas ao mesmo tempo uma compostura firme. Reconheceu-a como a professora de Espanhol, mas custava a lembrar seu nome.
- Vai me mandar para a Meg... Digo, a Sra. Lewis? – Quinn perguntou de cabeça baixa.
- Por que eu mandaria você à Megera? – A mulher perguntou – Ora, Srta. Fabray. Eu não sou surda, muito menos fã daquela velha. Quem você acha que deu início aos apelidos?
Quinn exibia um sorriso mais relaxado no rosto. O nome da professora, Senhorita H... Holiday! Holly Holiday. Era professora de Espanhol e dava aulas sobre sexologia. Algumas palestras, por assim dizer. Era o tipo de professora que qualquer aluna gostaria de ter.
- Mas me diga, o que faz acordada andando pelos corredores? – A Srta. Holiday perguntou.
- Eu fui ver uma amiga. – Quinn respondeu.
- Às três da manhã? – A professora retrucou arqueando uma sobrancelha.
- Soa estranho. – Quinn disse – Mas eu realmente precisava conversar com ela. E não podia esperar.
- E conseguiu o que precisava?
- Não – Quinn bufou, mas logo abriu um sorriso – Ela estava dormindo.
- Já era de se esperar.
- Com uma amiga.
- Ah. Não era de se esperar. E que mal pergunte, como entrou no quarto dela sem acordá-la?
- Longa história. – Quinn respondeu. – Envolve a máfia do internato. Prefiro não citar nomes. Mas resumindo, eu consegui uma cópia da chave.
- Compreensível – A Srta. Holiday retrucou – Por que não me acompanha até a minha sala? Tenho a leve impressão de que sei sobre o que se trata essa conversa.
- N-n-não sei se é uma boa ideia, Srta. Hol...
- Por favor, Srta. Fabray. Me chame apenas de Holly. Fora das aulas é claro. Senhorita Holiday me deixa com ares de velha.
Quinn esboçou um sorriso e seguiu a professora até a sala de espanhol. A mulher indicou para que Quinn sentasse a sua frente e tomou lugar em sua cadeira.
- Então, Quinn. Quando foi que você se apaixonou? – A mulher perguntou calmamente.
- C-c-como você...
- Seu olhar apaixonado é óbvio até demais. Tenho minhas suspeitas de quem seria a sortuda.
- Eu estou completamente apaixonada por uma mulher. Isso é muito novo para mim. – Quinn disse encostando-se a cadeira. – Mas mesmo assim, eu largaria tudo para ficar com ela. É tão estranho, eu nunca me senti assim por ninguém. Nem mesmo pelo meu primeiro namorado, antes de eu entrar no internato.
- Quinn, você deveria conversar com ela. Diga como está se sentindo. – Holly falou – O amor é um sentimento tão bonito, não deveria ficar trancado em nossos peitos por puro medo da reação de uma pessoa.
- Eu tenho medo de perdê-la...
- Eu tenho certeza que a Srta. Berry não vai se afastar de você se contar a ela.
Quinn arregalou os olhos verdes.
- Como sabe?
- É recíproco, até onde posso ver. Agora é melhor ir para o seu dormitório. Amanhã você tem aula comigo, e tenho certeza que você tem muito o que pensar agora. E não se atrase!
Quinn caminhou com um sorriso satisfeito nos lábios. Entrou no seu quarto e sentou na cama. Esperou os olhos se acostumarem com a escuridão e deitou na cama. Virou-se e observou Rachel, que dormia pesadamente. Um sorriso inconsciente formou-se em seus lábios.
Xxxxxxxxxxxx
Santana acordou com o som dos sinos badalando. Abriu um sorriso e encostou o rosto na curva do pescoço de Brittany. A tempestade havia passado e provavelmente o dia estaria nublado, como sempre era naquela cidade. Eram raríssimos os dias de sol.
- Britt, acorda... – Santana disse, apertando o abraço na loira.
- Não... Sono. – Brittany resmungou, virando-se para Santana. A loira deitou o rosto no peito da latina e voltou ao seu sono profundo.
- Britt, vamos. Temos aula, e você sabe o que acontece quando chegamos atrasadas. E além do mais, temos muito que fazer hoje. Ainda nem falamos com as meninas.
Brittany ergueu a cabeça, abrindo os olhos sonolentos e passando a mão pelos cabelos bagunçados.
- Certo, você me convenceu, Srta. Lopez. – Brittany disse, levantando da cama.
As duas se arrumaram rapidamente. Como de costume, Santana pegou a gravata vermelha e aproximou-se de Brittany. A loira sorriu e ajeitou a gravata no pescoço da latina enquanto esta arrumava alguns fios dos cabelos loiros de Brittany.
As duas correram gargalhando pelos corredores até o refeitório, juntando-se as amigas. Quinn tinha um sorriso bobo no rosto enquanto olhava para a latina, mas Santana não deu importância.
- Santana lançou uma proposta para nós. – Brittany falou em tom baixo.
- Qual? – Sugar perguntou.
- A volta das atividades culturais. Em segredo, é claro. A Megera nos mataria se soubesse. – Brittany falou.
- E como faríamos isso? – Tina retrucou interessada.
- Precisamos de um professor, um guia. – Brittany disse – E este, até agora, é o problema maior. Podemos treinar nas salas da rua. Nunca ficam ocupadas durante as tardes, acredito que estejam abandonadas.
- Mas que professor contradiria as regras da Velhaca? – Rachel perguntou.
- Disso eu mesma posso cuidar. – Quinn respondeu sorrindo – Eu sei perfeitamente quem se animaria em nos ajudar.
Dito isso, a Megera entrou no refeitório. Santana lançou seus olhos sobre a freira. Era velha, tinha a cara ranzinza e enrugada. Os olhos raivosos eram de cor escura, assim como os dela, e a pele branca como um morto. O nariz comprido e os óculos redondos na ponta do mesmo a davam uma aparência autoritária e medonha. Ela era de longe a freira mais apavorante do internato.
O silêncio pairava sobre o refeitório. Quinn lançou os olhos para a professora Holiday que a encarava com um sorriso encorajador no rosto. A loira engoliu em seco, ainda não havia decidido o que fazer. Inclinou-se para mais perto de Santana e se aproximou do ouvido da latina.
- Eu fui ao seu quarto ontem – Quinn sussurrou.
- Soa estranho. – Santana retrucou. – Te deixa com ares de tarada.
- Idiota.
- Não te ouvi bater.
- Eu não bati. – Quinn respondeu.
- Medonho isso. Ficou me ouvindo respirar? – Santana perguntou.
- Não. Mas foi muito bonitinho você dormindo abraçada em Brittany.
A latina arregalou os olhos castanhos.
- Como você entrou? – ela perguntou.
- Longa história – Quinn respondeu sorrindo – Mas eu tenho os meus contatos. E você gosta dela.
- Ela tem medo de tempestades.
- Santana se apaixonou...
A latina estava prestes a retrucar quando sentiu o olhar da Megera pesando sobre ela e Quinn. Desviou os olhos rapidamente e voltou a comer em silêncio.
Xxxxxxxxxxxx
Quinn correu para a aula de espanhol. Queria chegar o mais rápido possível para conseguir falar com a professora antes da aula.
Entrou na sala e encontrou a figura alegre a encarando sorridente.
- Srta. Fabray! Um pouco mais cedo do que o normal. Precisa conversar? – A mulher perguntou calmamente.
- Na verdade, tenho duas coisas para falar. Na verdade, uma para falar e uma proposta. – Quinn respondeu.
- Certo. Imagino que eu saiba o assunto da conversa.
- Imagino que sim. Como... Como eu falo com ela? Quer dizer, me abro assim, arriscando perder a nossa amizade e a tranquilidade de tê-la como colega de quarto ou faço de outro jeito?
- Arrisque. – A mulher respondeu. – Ela gosta de você, Quinn. Rachel é minha aluna há três anos e eu devo comentar que ela só olha assim para você.
Quinn corou e ficou com um sorriso bobo no rosto. A ideia de Rachel gostar dela alegrava a loira, dando-a mais vontade de conversar com a pequena.
- E qual proposta exatamente a senhorita quer me fazer? – A Srta. Holiday perguntou, tirando Quinn de seus devaneios.
- Oh, certo! Eu e as meninas estávamos conversando hoje de manhã e tivemos uma ideia. Ou melhor, Santana teve.
- Santana... A latina apaixonada pela Srta. Pierce? Elas dariam um bom casal...
- A senhora é muito observadora. – Quinn comentou – E sim, ela mesma. Santana teve uma ideia que tem tudo para dar errado, devo avisar. Mas não vejo porque não daria certo. E seriamos contrárias a pelo menos umas cinquenta regras da escola. E o pior, contrárias a Sra. Lewis.
- E qual seria a brilhante ideia da menina latina?
- Reabrir os grupos culturais. Em segredo, é claro. Temos tudo pronto, mas não temos uma mentora. E, bem... Eu pensei que a senhora daria uma boa mentora. Além do mais, as meninas iam gostar de ter alguma professora que odeia tanto a Velhaca quanto elas. E então, aceita ser a nossa professora?
A senhorita Holiday apenas deu um sorriso.
- Eu achei que você não nunca fosse perguntar.
Fale com o autor