Colégio Interno - Brittana
4 Vinte Segundos de Coragem
Notas iniciais
Santana e Brittany entraram juntas na sala mais isolada do internato. Ficava longe de tudo, pátio, escola, igreja... Era usada como depósito, mas ficou em desuso após certo tempo.
Era perfeita. Espaçosa e com algumas cadeiras espalhadas. Um piano velho jazia no canto da sala, com poeira por todas as teclas. Santana aproximou-se e testou alguns acordes. Perfeitos. Uma limpeza na sala e elas poderiam começar a usá-la.
- O que achou? – Santana perguntou.
- É perfeita. Você é genial, San. – A loira disse sorrindo.
Santana apenas sorriu de volta. A latina sentou na banqueta do piano e começou a tocar a primeira música que lhe veio à mente. Tocou como nunca tocara a tempos, tocou com o coração. Brittany assistia a morena com um sorriso bobo no rosto, um sorriso apaixonado.
Assim que a latina terminou, Brittany caminhou até o lado dela e passou o braço ao redor de seus ombros.
- Foi lindo. – ela sussurrou.
- Não foi nada de mais. – Santana respondeu corando.
- Foi sim. Você é ótima nisso, San. Não sabia que tocava. Você é mesmo brilhante.
- Você é um amor, Britt. – a latina disse pousando os lábios na bochecha rosada da loira.
Brittany sorriu e tomou a mão da latina, puxando-a para fora da sala. Ainda tinham muito o que fazer.
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Quinn mordia os lábios nervosamente. Rachel estava a alguns passos dela. É só dizer, a loira pensou.
- Certo. Vai me dizer o que está errado? – Rachel perguntou.
- O quê?
- Quinn, você vai arrancar um pedaço do seu lábio se continuar mordendo desse jeito. Vai com calma. Você faz isso quando está nervosa. – a morena explicou calmamente.
Quinn suspirou e tentou encontrar coragem para dizer. Mas ela parecia ter sumido. Lembrou-se das palavras de sua irmã mais velha. Vinte segundos da mais estúpida coragem podem te levar a coisas maravilhosas. Vinte segundos. É, podia funcionar.
- Rachel, vem aqui. – Quinn chamou, fazendo sinal para a sua cama.
Dezessete, Dezesseis.
- Eu preciso te contar uma coisa. Não consigo mais esconder isso, nem de você e nem de mim. – Dez, nove – Eu... Eu estou apaixonada por você. Eu estou completamente, estupidamente, insuportavelmente apaixonada por você. E eu cansei de manter isso dentro de mim por tanto tempo. Eu quero ficar com você, mas eu não posso te o...
A loira foi interrompida pela pressão dos lábios de Rachel nos seus, empurrando seu corpo contra o colchão em um beijo urgente e cheio de sentimentos. Pela primeira vez em meses, a loira sentiu-se livre.
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Brittany observava as estrelas no pátio da escola. Eram raras as noites sem nuvens, e quando elas vinham a calhar, a loira passava longa parte da noite apenas olhando para elas. Lembrava dos amigos, da família... Lembrava-se da vida antes de entrar em um internato, como tudo era diferente e melhor. Por impor a sua opinião, seus pais a jogaram em um colégio interno, onde ela havia passado os últimos anos de sua vida. Raramente via aos pais. Eles não se importavam mais, não escreviam mais. Quando se viam, era como encontrar com completos desconhecidos.
Nunca fora muito inteligente. Nunca fora a melhor da turma. Nunca fora a mais bonita ou a mais popular, de fato, tinha pouquíssimas amigas. Mas mesmo assim, Santana parecia ver algo especial nela, fazia a loira sentir-se especial. E isso era uma das coisas que ela mais gostava na latina.
- Você não veio jantar... – Uma voz disse cortando Brittany de seus pensamentos.
Brittany virou-se e sorriu ao ver Santana aproximando-se.
- Quis vir ver as estrelas. – A loira respondeu, indicando para que Santana sentasse.
- Eu imaginei. Roubei um pedaço de pizza para você. – Santana retrucou, entregando a loira uma fatia com um guardanapo.
Brittany abriu um sorriso bobo no rosto e abraçou a morena. Não sabia ao certo porque, apenas o fez. Sentiu necessidade de ter o corpo de Santana colado ao seu por alguns segundos. Sentiu vontade de ter o corpo da latina em seus braços.
- Você é a melhor amiga do mundo. – Brittany murmurou sorrindo.
- Não. – Santana respondeu sorrindo – Você é a melhor de todas.
Brittany encostou-se ao ombro da latina e as duas ficaram admirando as estrelas.
- No que você pensa quando olha para elas? – Santana perguntou.
- Em tudo. Mas principalmente na minha vida antes do internato. – Brittany respondeu.
- Por que veio para cá?
- Fala como se fosse um castigo. Parece que estamos na penitenciária ou algo do tipo.
- Você sabe que é. – Santana respondeu – Ninguém vem para um internato nos dias de hoje, a não ser que tenha feito algo errado. E... Bom, não podemos sair daqui. É quase uma penitenciária.
Brittany suspirou e deitou a cabeça no colo da morena.
- Eu vim para cá na sétima série. Disse para os meus pais que não queria fazer faculdade. Eles ficaram irritados, disseram que eu não tinha jeito. Falaram algo sobre eu ter que decidir o que fazer com o meu futuro, mas eu não escutei. Disse que o meu sonho era ser uma dançarina, não uma executiva, e que não havia nada a ser discutido sobre isso. Então, na manhã seguinte eu acordei com minha mãe fazendo as minhas malas. E aqui estou – Brittany finalizou abrindo um sorriso amargurado.
- Sinto muito. – Santana disse baixinho.
- Não sinta. Se eu não estivesse aqui... Bem, eu não ia conhecer você.
Santana sorriu alegre e deitou de costas na grama. Brittany passou as pernas ao redor de sua cintura e ficou sentada em cima de Santana, olhando para seu rosto.
- E você? – A loira perguntou.
- E eu o quê? – Santana retrucou.
- Por que está aqui?
Santana engoliu em seco e desviou os olhos.
- É sobre isso que não quer conversar, não é? – Brittany perguntou.
Santana apenas assentiu, virando o rosto. Brittany saiu de cima da latina e sentou ao seu lado. Santana não se moveu, mas deixou que Brittany puxasse o seu corpo, fazendo-a sentar.
- Ei, olha para mim... – Brittany pediu segurando o queixo da garota. – Eu não sabia, desculpe. Não vou insistir.
Santana sorriu e voltou seus olhos para Brittany por um momento. Ficou hipnotizada com os grandes olhos azuis da loira, sempre doces ao olhar para Santana. Os olhos da latina desceram e se perderam por um segundo nos lábios de Brittany. A latina piscou. Não podia, não deveria. Levantou-se e estendeu a mão para Brittany, pronta para voltar para o quarto.
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