Colégio Interno - Brittana
17 Sempre
Notas iniciais
Santana acordou deitada no peito de Brittany. A loira tinha uma das mãos nos cabelos escuros da latina e a outra em suas costas, pressionando o corpo de Santana contra o seu. A morena escalou o corpo da namorada e mordeu o queixo de Brittany de leve, fazendo a loira sorrir inconscientemente. Santana inclinou-se e beijou os lábios da namorada, sentindo a língua de Brittany encontrar com a sua segundos depois. A loira mal havia acordado e já tinha uma das mãos segurando a nuca de Santana e a outra passeando pelo corpo da latina. As duas se afastaram em busca de ar e Brittany não perdeu tempo em puxar o corpo de Santana para cima do dela.
- Bom dia – Santana murmurou sorrindo.
- Bom dia, princesa. – Brittany respondeu.
Santana sorriu e aconchegou-se novamente no corpo de Brittany. A luz ainda não havia voltado, o que significaria mais um dia sem aulas para elas. A neve caia cada vez mais forte na rua, e Santana não tinha a menor intenção de levantar do peito da namorada. Brittany voltou a acariciar os cabelos escuros de Santana e a fechar os olhos, deixando o sono a dominar. Santana também já deixava o peso de suas pálpebras dominarem, fechando os olhos castanhos e voltando a dormir no peito da namorada.
Quando acordou novamente, Brittany sentiu falta do corpo de Santana. Tateou pela cama e levantou-se quando não a achou. Estava cada vez mais escuro no internato, o que deixava o quarto ainda mais sombrio para Brittany. A loira observou as sombras tomando forma e correu de volta para a cama, escondendo-se embaixo dos cobertores. Tentou manter-se acordada por mais tempo, mas não conseguiu lutar contra suas pálpebras. A loira adormeceu e sonhou.
No sonho, enfrentava os olhares reprovadores dos pais quando afirmou não querer fazer faculdade. Ela sentiu-se pequena perto deles, como se fosse nada. Correu da sala de estar para o banheiro. Trancou a porta e encontrou um par de olhos azuis magoados. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, abriu a porta novamente e correu para o seu quarto. Deitou-se na cama e escondeu-se nos travesseiros. Uma menina ruiva a fitava do outro lado do quarto. Várias cartas idênticas estavam espalhadas no local, penduradas nas paredes e no teto, espalhadas pela casa.
- Eu vou voltar. – a ruiva sussurrou.
Brittany fechou os olhos com força, desejando que aquilo acabasse. A loira sentiu as lágrimas escorrerem por suas bochechas e molharem sua camisa, deixando-a desesperada. Logo começou a soluçar alto, tremendo violentamente.
Santana voltou para o quarto com uma vela em mãos e ouviu o choro de Brittany. Praticamente derrubou a porta para entrar e voou para perto da namorada, tropeçando na escrivaninha. Segurou o rosto da loira nas mãos e tentou acordá-la.
- Brittany, acorda – Santana disse, sacudindo a loira.
Brittany abriu os olhos azuis repentinamente e encarou as orbes negras tristes. A loira esperou a sua respiração se acalmar para conseguir olhar novamente para Santana. A morena limpou os resquícios de lágrimas das bochechas da loira e beijou sua testa. Brittany fechou os olhos, apreciando os lábios da latina em sua pele fria e voltou a deitar. Santana abraçou-a pela cintura e deitou o rosto na curva do pescoço da loira. Elas não disseram uma palavra, não fora preciso. Santana sabia que tinha algo de errado com Brittany e a loira sabia que esconder isso de Santana estava a machucando. Mas sabia que a latina estava tentando ser paciente, pois não era uma de suas virtudes. Queria reunir forças e dizer a ela o que se passava em sua mente, mas ainda não conseguia.
- Eu só espero que um dia você possa confiar em mim tanto quando eu confio em você, a ponto de se entregar por completo para mim – Santana sussurrou.
- Eu confio em você. Só quero te proteger, San. – a loira respondeu fechando os olhos. – Você sabe que eu te amo. Apenas me prometa que sempre vai me amar.
- Eu sempre vou, Britt-Britt. – Santana respondeu sussurrando – Eu amo você.
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Quinn abraçou-se à cintura de Rachel e fechou os olhos. A morena sorriu com o contato e virou-se, buscando o rosto da loira.
- Quinnie – Rachel chamou – Quinn.
A loira resmungou algo e abraçou-se à namorada. Rachel riu e apertou as bochechas da loira, fazendo-a abrir os olhos.
- Ahn? Perdi alguma coisa? – Quinn perguntou sonolenta.
- Nada de mais. – A morena respondeu rindo – Mas vai perder o café da manhã. E eu estou com fome hoje.
- O quê? Ah, certo! Estamos sem luz ainda? – Quinn perguntou esfregando os olhos.
- Sim, o que significa sem aula.
- E quanto ao coral?
- Isso podemos perguntar a Srta. Holiday. – Rachel respondeu, levantando-se da cama.
As duas se arrumaram lentamente, tentando em vão espantar o frio. Ainda não estava na hora do café, então Quinn resolveu falar com a professora antes de descerem.
A loira puxou Rachel pela mão até o quarto da professora, que atendeu a porta com uma expressão sonolenta. A loira tinha os cabelos bagunçados e o rosto inchado de tanto dormir, fazendo com que Quinn mordesse os lábios para não soltar uma risada.
- Mas vocês estão terríveis hoje – a professora disse dando passagem para as alunas – Brittany e Santana já vieram me procurar também.
- Aconteceu alguma coisa? – Quinn perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- O quê? Ah, bem, não convém a mim contar. Mas sim, aconteceu algo. E você, — disse olhando para Quinn – Ajude a sua amiga Salsa Caliente a se controlar um pouco. Ela precisa de mais paciência, sabia?
- Acredite, sei. – Quinn respondeu, lembrando-se da amiga durante os anos no outro internato.
- E o que fazem fora da cama a essa hora? – A professora perguntou.
Rachel e Quinn se entreolharam.
- Café? – Rachel arriscou, arqueando uma sobrancelha.
- O quê? Já? – Holly disse – Dios Mio, essa tempestade de neve vai me deixar louca. O que posso fazer por vocês, meninas?
- O que faremos quanto ao coral? – Rachel perguntou.
- Vejam quem poderá ir. – A professora respondeu – E obriguem Brittany a ir. Ela precisa.
Quinn arqueou uma sobrancelha, mas assentiu. Despediram-se da mulher e saíram do quarto, caminhando lentamente até o refeitório. As velas espalhadas mal iluminavam todo o local, forçando Quinn a apertar os olhos. A loira logo avistou Santana sentada com o braço ao redor da cintura de Brittany. A loira arregalou os olhos e caminhou apressadamente até a mesa, a fim de mandar a morena tomar mais cuidado, mas parou quando viu que Santana estava tentando confortar Brittany. A loira parecia um tomate de tão vermelha que estava, com algumas lágrimas em suas bochechas. Quinn ajoelhou-se ao lado da amiga e afastou as lágrimas de seu rosto, fazendo-a ficar com um pouco de receio ao sentir a pele de Quinn encostar na sua.
- O que há de errado com você, Britt-Britt? – Santana murmurou, beijando o topo da cabeça da loira.
De longe, Holly Holiday observava a interação das quatro. Pareciam uma família, sempre unidas. Arregalou os olhos quando viu os lábios de Santana tocarem rapidamente os da loira, mas acalmou-se ao ver que estavam basicamente as quatro e algumas pouquíssimas outras meninas espalhadas pelo refeitório. Sabia que Brittany estava sofrendo, e sabia acima de tudo que precisava do apoio da namorada. Só não sabia como convencer a loira a falar com Santana sobre o acidente. Pensaria sobre isso depois, já que o primeiro passo seria fazer Brittany aceitar que a culpa não era dela.
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