Colégio Interno - Brittana
18 Jennifer
Notas iniciais
Brittany caminhou silenciosamente pelos corredores. Santana havia adormecido, e ela precisava pegar um pouco de ar.
Sabia que a latina estava tentando ao seu máximo não se chatear ou irritar-se com Brittany, mas também sabia que a paciência de Santana não era de ferro. Vira a morena morder os lábios muitas vezes para não iniciar uma discussão com Brittany, e sabia que aquilo não era bom. Santana só estava acumulando toda a mágoa e raiva que estava sentindo, e a loira preferia mil vezes que ela descarregasse tudo em cima de si quando tinha vontade do que guardasse tudo em seu peito e explodisse depois. Mas também sabia que a latina só estava tentando o seu melhor para que Brittany conversasse com ela, por isso preferia calar-se ao afastar a namorada de si.
Brittany tomou lugar embaixo da árvore que passava tempo com Santana e fechou os olhos azuis. Ignorou todo o frio que congelava a ponta de seus dedos e a neve que caia sobre seus cabelos louros e deixou o vento frio bater em seu rosto. Aquilo a acordava, fazendo com que ficasse melhor. O silêncio clareava sua mente e ajudava suas ideias a fluírem melhor. Sentiu um pequeno sorriso formando-se em seus lábios e a dor de cabeça que segundos atrás a torturava desapareceu.
– Seus lábios estão ficando azuis. – Ouviu uma voz suave dizer.
Sentiu seu corpo endurecer. Abriu os olhos azuis depressa e deparou-se com grandes íris esverdeadas a encarando com cautela. Brittany levantou e recuou um passo, observando a menina aproximar-se.
– Você cresceu. – A garota observou.
E de fato havia. Brittany estava pelo menos um palmo e meio mais alta, seus cabelos louros antes desgrenhados e curtos agora caíam em cascata por suas costas. Seu corpo estava mais bonito, ela estava mais bonita. Mas ainda carregava o ar infantil, com o sorriso brincalhão e os olhos inocentes.
A voz travara em sua garganta. Ela fitou a menina mais atenciosamente. Os cabelos ruivos com leves ondas estavam presos em um rabo de cavalo desajeitado, e ela não era tão alta quanto Brittany. Os olhos verdes não tinham o mesmo brilho doce e inocente que os de Brittany carregavam, pareciam mais sérios e maduros. O nariz com algumas poucas sardas, que ficavam acentuadas na pele branca, tiravam um pouco o ar adulto que a garota carregava, deixando-a com um rosto mais infantil. Ela tinha uma beleza diferente da maior parte das pessoas, do tipo que chama atenção.
– B, eu não mordo – A ruiva falou em tom brincalhão. – Pode falar comigo.
– Eu não sei bem o que dizer. – Brittany murmurou – Você também cresceu Jennifer.
A ruiva sorriu e aproximou-se da loira. Afastou a neve dos cabelos de Brittany e aos poucos seu sorriso desapareceu.
– Como você está? – ela perguntou.
– Pareço bem? – Brittany retrucou engolindo o choro.
– Não. – Jennifer respondeu. – Você está congelando, Britt. Devíamos entrar, sabe?
Brittany não respondeu, apenas desviou o olhar e ficou brincando com os dedos azulados. A ruiva aproximou-se e segurou os ombros da loira.
– Você parece um Smurf. – Jennifer disse rindo – Sério, B. Vamos entrar antes que você congele de vez;
– Eu não quero entrar. – Brittany respondeu.
– Por quê? – A ruiva retrucou.
– Porque me deixa pior. – ela respondeu. – Eu tenho uma namorada, J. E eu estou escondendo uma parte enorme do meu passado dela porque eu tenho medo que ela me deixe. Cada vez que eu entro naquela escola, eu me sinto suja. Cada vez que eu toco nela, me sinto uma mentirosa. Eu a amo, mas não consigo sequer parar de machucá-la. Isso é uma merda, sabia?
– Se não quer entrar, eu vou ficar aqui fora com você Britt. Queira ou não, você sempre será uma pessoa especial para mim, e eu não vou te deixar agoniando sozinha aqui fora. Nem morrer congelada. Deus, por que você nunca pega um casaco? – A ruiva disse, passando os braços ao redor do corpo da loira e a apertando.
Brittany balançou a cabeça e se deixou levar pela ruiva. A garota deu um rápido beijo na bochecha azulada de Brittany e desviou os olhos para a paisagem que conhecia tão bem.
– Então... Uma namorada? – Jennifer perguntou sorrindo – Isso é novidade.
O rosto de Brittany iluminou-se em um sorriso largo ao lembrar de Santana. A ruiva sorriu ao ver a reação da amiga e deixou o corpo relaxar. Brittany ficaria bem, só precisava de um tempo.
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Santana acordou e sentiu a cama vazia sem Brittany. Sabia onde a loira estava, e sabia que ela deveria estar congelando. Levantou-se preguiçosamente e vestiu seu casaco, pegando um para Brittany. A morena desceu as escadas em direção ao bosque, caminhando apressadamente por causa do frio. Às vezes se perguntava como Brittany não morria congelada com todo aquele frio.
Aproximou-se da árvore com um sorriso estampado no rosto, mas este logo murchou. Sentiu seus olhos se encherem d’água quando viu a loira abraçada à outra menina ruiva. A ruiva passou os braços ao redor do corpo de Brittany e beijou-lhe a bochecha, puxando a loira para mais perto de uma árvore. Ela sussurrou algo no ouvido de Brittany que fez com que o rosto da loira se iluminasse em um sorriso. A latina lutou contra as lágrimas e deu as costas para as duas, saindo correndo do local.
Santana passou como um raio no corredor, indo em direção ao quarto. Deitou em sua cama e escondeu o rosto no travesseiro, deixando as lágrimas escorrerem por todo seu rosto. Perguntava-se o que tinha feito de errado para a loira, por que ela havia mentido. Cada vez que estava prestes a pegar no sono, lembrava-se do sorriso de Brittany, daquele que julgara ser apenas seu.
Após uma hora chorando abraçada ao travesseiro, Santana ouviu a porta abrir. Brittany entrou no quarto, tateando na cama pela namorada. Franziu a testa quando não a achou, forçando os olhos na escuridão do quarto.
– San? – Brittany chamou.
Santana ignorou a loira, encolhendo-se ainda mais na cama. Sentia-se pequena, frágil, e não queria que Brittany a visse assim.
A loira tateou até a cama de Santana e sorriu ao encontrar a latina deitada. Santana estremeceu com o toque frio do corpo da loira, desviando dela.
– San? Por que saiu da cama? – Brittany perguntou acariciando os cabelos escuros da latina – Ei, está tudo bem? Eu sei que está acordada, Santana Lopez.
A loira tentou abraçar a cintura de Santana, mas a latina levantou-se da cama, abraçada ao travesseiro e saiu do quarto. Brittany levantou-se e foi atrás dela, puxando-a pela cintura.
– Santana, o que houve? – a loira perguntou, afastando uma mecha escura de sua testa.
– Volte para a cama – a latina respondeu escondendo o rosto – Não venha atrás de mim.
Brittany ficou parada no corredor, observando a silhueta de Santana desaparecer aos poucos. Sentiu o corpo fraquejar e os olhos encherem-se d’água, mas não foi atrás de Santana. Não sabia o que havia de errado, mas não iria piorar as coisas indo atrás dela. Apenas voltou para a cama, abraçando-se no próprio travesseiro e deixando que as lágrimas rolassem por suas bochechas.
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Quinn tinha o rosto na curva do pescoço de Rachel. A loira dormia profundamente com um sorriso no rosto até ser despertada com batidas nervosas na porta. Rachel resmungou alguma coisa e Quinn levantou, tentando ao máximo não fazer cara feia para a pessoa que batia na porta. Surpreendeu-se ao ver Santana abraçada no próprio travesseiro com os olhos inchados.
– Eu posso dormir aqui hoje? – A latina perguntou chorosa – Por favor, Q. Eu juro que não incomodo vocês.
– O que aconteceu? – Quinn perguntou, puxando a amiga para dentro.
Os olhos da latina marejaram e ela começou a chorar. Rachel despertou com o choro e levantou-se com uma expressão questionadora no rosto. Quinn abraçou a amiga e deitou a cabeça da morena em seu colo, esperando que ela pegasse no sono. Assim que Santana adormeceu, Quinn levantou-se e voltou para a cama com Rachel.
– O que aconteceu com ela? – A morena perguntou.
– Não sei – Quinn respondeu – Mas eu espero que Brittany tenha uma boa explicação para isso. Caso contrário, juro por deus que a esgano, mesmo sendo minha amiga.
– Como sabe que tem a ver com Brittany?
– Ela é a única pessoa que pode deixar Santana assim.
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