Notas iniciais
Oi!

Brittany sentiu o corpo congelar. Suas pernas tremeram e ela temeu que não conseguisse se manter em pé. Quinn arregalou os olhos quando viu o corpo de Brittany estremecer e levantou-se em um salto, segurando a amiga pelos ombros.

- Brittany, você está bem? – Quinn chamou – Britt, pelo menos me diga que você está me ouvindo.

Brittany voltou seus olhos azuis para Quinn e assentiu fracamente. Os lábios da loira estavam entreabertos, como se quisesse pronunciar alguma palavra. Mas nenhum som saiu de seus lábios. Brittany apenas soltou-se dos braços de Quinn e virou-se para começar a correr. As amigas a chamaram algumas vezes, mas Brittany não as ouviu. Santana precisava dela, então nada mais importava agora.

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Santana pôs-se sentada em frente à diretora. A velhota tinha o nariz comprido em forma de bico de arara franzido por causa do sorriso irônico que pairava em seus lábios. Sua aparência amedrontava Santana, mas ela não se deixaria intimidar pela mulher.

- Então, senhorita Lopez, pode me explicar o que este felino fazia no seu quarto? – A velha perguntou segurando o gato no ar.

- Eu... Ele é meu. – Santana respondeu. – Não tenho muito mais o que explicar.

- Bem, nesse caso... – A mulher disse erguendo-se da cadeira. – Teremos que encontrar uma punição apropriada para você. Se fosse qualquer outra aluna, seria expulsa. Mas você rende boas médias para a nossa escola, então deixe-me ver... Oito chibatadas são o suficiente?

Santana engoliu em seco e encolheu-se na cadeira. Sabia por experiência própria que ficaria com marcas mais tarde.

- E quanto a Srta. Pierce...

- Ela não estava envolvida nisto. Eu... Eu a paguei para não contar para ninguém, e ameacei contar uns segredos de seu passado. – Santana disse rapidamente.

- Bem, neste caso, serão doze chibata...

- Espere! – Uma mulher gritou, entrando na sala.

Santana virou-se para a voz e arregalou os olhos ao ver Brittany parada ao seu lado. Ela estava ofegante e visivelmente cansada. Santana notou as olheiras em seus olhos e a palidez ainda mais evidente em sua pele. Ela parecia mais magra e tinha uma aparência doente.

- Srta. Pierce, temo que não tenha sido chamada aqui. – A Megera disse, posicionando-se mais perto da loira. – Peço que se retire, isto não te diz respeito.

- Diz sim. – Brittany cortou. – O gato é meu, Sra. Lewis. Eu pedi para Santana deixa-lo ficar, eu cuidei dele, eu o mantive no quarto. Eu o achei no meio do bosque e o trouxe para cá. Fiquei com pena porque era um filhote, então o escondi de Santana. Ela quis devolvê-lo ao bosque, mas eu não deixei. A culpa é inteiramente minha, Srta. Lewis.

- Brittany, cale a boca. – Santana disse – Saia daqui, não é da sua conta.

- Pare de tentar me defender, Santana. Eu posso assumir as consequências do que eu fiz. Não pode me proteger para sempre. – Brittany respondeu em um tom mais baixo.

As duas ficaram alguns segundos se encarando. Os olhos azuis fixos nos castanhos. A velha observava a interação das duas com um sorriso cínico no rosto.

- Bem, neste caso, — A Megera retomou – seis chibatadas para cada uma. Srta. Pierce, gostaria de fazer as honras?

Brittany engoliu em seco e assentiu. Apoiou-se na cadeira e ouviu a porta fechar-se atrás de si. Fechou os olhos com força e esperou a dor começar.

Do lado de fora da sala, Santana agoniava por dentro. Ouviu o barulho do chicote ricocheteando pela pele de Brittany e sentiu a dor da loira em si. Fechou os olhos com força para impedir as lágrimas de caírem de seus olhos. Odiava saber que Brittany estava sofrendo.

De repente, o som parou. A porta abriu-se e uma loura com os olhos cheios d’água saiu da sala da mulher. Santana encontrou as íris azuis e sentiu seu peito apertar. Brittany não lutava mais contra as lágrimas que insistiam em cair, afastando-as com o polegar.

A velha apareceu na porta e chamou por Santana. A morena respirou fundo antes de entrar na sala e apoiar-se contra a cadeira.

- Reze para não ficar marcada, Srta. Lopez. – A velha falou.

Santana fechou os olhos. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis. Cada vez que o chicote batia em sua pele, ela tinha vontade de morrer. Lutou insistentemente contra as lágrimas. Não poderia deixar-se parecer fraca na frente daquela mulher. Aguentaria até o fim.

Quando o chicote finalmente parou de ricochetear, Santana virou-se e saiu da sala. Manteve-se firme até o fim, e agora queria chorar. Mas não podia ainda. Nunca se permitia chorar em público. A não ser em frente à Brittany. A loura a esperava no corredor, com o rosto já inchado por causa das lágrimas. Santana caminhou lentamente em direção a ela, parando a alguns passos de distância. Brittany encurtou o espaço aproximando-se da morena. Tocou a pele do rosto de Santana e sentiu uma onda elétrica atravessar seu corpo. Tinha vontade de abraça-la, mas temia ser rejeitada. Apenas acariciou a bochecha vermelha de Santana e limpou uma lágrima que escorria pela mesma.

Santana fechou os olhos e deixou que a mão de Brittany acariciasse seu rosto. Esqueceu-se da dor que sentia, agora era apenas ela e Brittany novamente. Sentira falta disto. Quis beijar as mãos de Brittany, mas ainda não era hora. Abriu os olhos e deu um passo para trás, afastando-se da loura. Brittany olhou-a com uma expressão magoada no rosto, voltando a fitar o chão. Santana apenas deu mais alguns passos no corredor e parou. Seu corpo não a deixou continuar. Ela voltou-se para Brittany, sem mais possuir o controle de suas palavras e seus atos.

- Você vem? – Perguntou finalmente à loira, que assentiu e a seguiu com alguns passos de distância.

As duas caminharam no mais absoluto silêncio em direção ao quarto. Santana abriu a porta e deu passagem para Brittany. Era a primeira vez em meses que entravam juntas no quarto e não iniciavam um beijo. Santana direcionou-se para a cama e fez sinal para que Brittany se aproximasse. A loura sentou-se em uma distância segura de Santana e fitou-a com os olhos azuis atentos.

- Vá em frente. Estou escutando. – Santana disse após alguns segundos.

- O que exatamente você viu? – Brittany perguntou.

- O que eu vi? Ah, nada importante. Só a minha namorada beijando uma vadia qualquer no meio da escola. – Santana disse ironicamente.

- Eu não a beijei, Santana. – Brittany murmurou.

- Não a beijou? Certo. – Santana riu – Eu estou ficando louca e cega ainda por cima.

- Ela me beijou, poxa! – Brittany disse saltando da cama. – Ela me forçou, Santana. Mas que merda, você realmente acha que eu trairia você? Eu amo você, Santana. Por que é tão difícil de entender isso?

A voz de Santana morreu em sua garganta. Ela fechou os olhos e deixou as lágrimas caírem. Brittany ajoelhou-se à sua frente e afastou-as com os polegares.

- Eu preciso da sua confiança, Santana. – Brittany disse secando agora as suas lágrimas. – Por favor, San. Confie em mim.

- Você não entende, Brittany. Isso ainda é surreal para mim. Eu nunca fui amada antes, nunca amei. Até eu conhecer você, amor era só uma palavra vazia. E agora... Acontece isso. Você não vê o quanto é difícil para mim. – Santana disse pondo-se em pé.

- Eu amo você. – Brittany disse indo atrás de Santana. – Eu amo muito. Você é especial, Santana. Mas eu não vou lutar por nós sozinha. Eu preciso saber se você está comigo ou não.

Santana apoiou-se na escrivaninha e suspirou. Virou-se lentamente para encarar Brittany que tinha uma expressão suave no rosto.

- Se você não me quer mais, por que você assumiu toda a culpa sozinha? Por que você estava tentando me proteger? – Brittany perguntou caminhando em direção à Santana lentamente.

Santana fechou os olhos com força. Brittany aproximou-se e abraçou a cintura da morena, sem medo de ser repelida. Santana deitou o rosto no ombro claro e ficou em silêncio por alguns momentos, como se tivesse medo de quebrar a paz que sentia com a loira.

- Você me ama, Santana? – Brittany perguntou contra os cabelos escuros.

- Amo. – Santana respondeu baixinho.

- Então nós estamos nisso juntas. – Brittany concluiu. – Eu quero você de volta. Eu preciso de você, San. Mas eu preciso que você acredite em mim. Eu juro que eu não fiz nada, Santana. Eu nunca traí você. Eu te amo demais para sequer pensar nisso. Mas eu não posso fazer nada se você não confiar em mim.

Santana abraçou a cintura de Brittany e beijou o ombro da loira. Brittany acariciou seus cabelos escuros e apreciou o toque suave dos lábios de Santana contra a sua pele.

- Eu confio em você. – Santana disse – Mas eu quero fazer isso do meu jeito. Eu quero você, mas vamos com calma. Eu não quero fazer nada de errado, Britt-Britt.

Brittany assentiu e beijou a testa de Santana. Tateou o bolso e pegou duas gargantilhas de prata com dois anéis de pingente. Entregou-os à Santana que a olhou confusa.

- Quando você estiver pronta, devolva o meu. – Brittany explicou. – Eu vou esperar.

Santana sorriu pela primeira vez em semanas e inclinou-se em direção aos lábios de Brittany. Beijou-a delicadamente, sentindo o corpo queimar com o toque dos lábios. Brittany sorriu e abraçou-se à cintura de Santana, beijando seu pescoço.

- Eu amo você. – Santana sussurrou. – Só você.

Notas finais
E ai, o que acharam? Curiosas com o fim do Lord Tubbington?