Colégio Interno - Brittana
54 Cartas
Notas iniciais
Brittany comia tranquilamente ao lado de Santana até sentir um apertão forte em seu braço. Abafou um gemido de dor e olhou para cima, encontrando uma irritada Holly Holiday a encarando com uma cara nada boa. Santana também havia parado de comer e já dirigia o olhar para a professora, que também olhava torto para ela.
– Boa noite? – Brittany sugeriu, mas a mulher ignorou e a puxou pelo braço.
Santana saltou da cadeira e seguiu as duas para fora do refeitório. Holly andava rapidamente, quase com medo de ser vista. Santana lutava para acompanhar o passo apressado das duas, pois era a mais baixa e, consequentemente, não tinha as pernas tão longas.
A professora só parou de correr quando chegou à porta do quarto das meninas. Santana havia entrelaçado as mãos com Brittany e esperava que a mulher tomasse alguma atitude.
– Vá. Cobrir. O. Pescoço. – A professora rosnou com os dentes cerrados.
Dito isso, Holly desapareceu no corredor. Santana afastou os cabelos de Brittany e arregalou os olhos ao ver a enorme marca vermelha na pele da loira.
– Cobrimos quase tudo. – ela murmurou para Brittany enquanto destrancava a porta do quarto.
Brittany entrou no pequeno cômodo e andou com passos largos até o banheiro. Santana a seguiu e observou da porta enquanto a namorada cobria a marca com maquiagem. A latina podia ler um misto de tristeza e preocupação nos grandes olhos azuis da namorada.
– San… — Brittany chamou. – E se alguém mais viu?
– Eu garanto que ninguém viu, Britt-Britt. – Santana disse enquanto se aproximava, abraçando a cintura da loira e depositando o queixo no seu ombro. – Nós vamos cuidar para que não aconteça mais, ok? Eu prometo.
– Tudo bem. – Brittany murmurou em resposta. – Eu não estou mais com fome. Podemos só ficar por aqui agora?
– Tudo o que a minha princesa quiser. – Santana respondeu, arrancando um sorriso da namorada.
Santana puxou Brittany em direção à cama, deitando ao lado dela. Santana entrelaçou seus dedos com os de Brittany e ficou fitando-a por alguns momentos. Segundos depois, escorregou sua mão para as costas da loira, puxando-a para mais perto. Brittany enterrou o rosto no pescoço de Santana e enterrou uma das mãos nos cabelos escuros, deixando que um silêncio confortável se instalasse no quarto e reinasse enquanto as duas adormeciam.
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Não era a primeira vez que ela invadia um quarto. Claro, já havia feito isso diversas vezes pelos mais diversos motivos, dos quais ela preferia não se lembrar, mas agora era diferente. Nunca havia cogitado invadir o escritório da diretora.
Holly prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e entrou no lugar. Não era como se a Megera não soubesse que ela estava lá. Mas a missão dela era apenas pegar quatro cartas, não revirar o escritório da velha.
Não sabia ao certo o que procurava. Qualquer coisa que denunciasse a bondade da velha poderia lhe ser útil. Ela revirou as gavetas até que encontrou um envelope pardo, sem nenhum endereço, apenas com o nome da diretora. Abriu, sem cerimônias, e começou a ler. Era uma ficha, com o nome de uma das enfermeiras. Holly começou a lê-la, memorizando todas as informações que podia.
– Puta m…
Ela não podia continuar lendo. Não depois do que vira. Não depois do que havia descoberto. Guardou o papel, pegou as cartas e trancou a sala, saindo apressada em direção ao quarto.
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Quinn sentava estática, olhando fixamente para o envelope em suas mãos. A primeira carta que recebera em anos, e por mais ansiosa que estivesse para abri-la, o nervosismo a impedia. Suas mãos tremiam e ela estava pálida, suando frio. O que fosse que estivesse escrito, não poderia ser bom. Mas, de qualquer maneira, ela precisava saber.
Rasgou o papel branco e puxou uma pequena carta, endereçada para si. Pouco era dito, mas era o suficiente para apavorá-la. Depois de tantos anos, eles estavam voltando. Mas a questão que martelava em sua cabeça era, além do por que, se ela realmente queria vê-los. Após tantos anos longe, havia se acostumado a ficar sem eles. Por tantos anos, batalhou para não ser notada, para ser apenas mais uma menina em meio a tantas. Por tantos anos, fora apenas ela e Santana, e ela gostava disso.
Mas agora elas não estavam mais sozinhas. Elas tinham amigas, tinham uma família. Tinham namoradas, pessoas que se importavam de verdade com elas. E, por mais que vivessem dentro de uma ditadura, elas se sentiam em casa. Elas estavam bem, como nunca estiveram antes e como jamais iriam estar. E agora, alguém ameaçava tirar isto dela. Dela e de Santana, que por anos fora para ela sua irmã, melhor amiga, companheira para tudo. Ela simplesmente não podia assistir isto de braços cruzados.
Quinn dobrou a carta e guardou-a de volta no envelope rasgado. Ninguém colocaria sua felicidade em risco. Ninguém colocaria a felicidade da sua melhor amiga em risco. E, acima de qualquer coisa, ninguém colocaria um dedo na sua filha. Precisava pensar. Precisava de mais tempo.
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Santana remexia-se inquieta nos braços de Brittany. A morena tentava desesperadamente ignorar a carta que acabara de receber, mas simplesmente não podia. Aquilo era ruim, aquilo era perigoso. Sequer lembrava a última vez que os vira, não precisava deles de volta em sua vida.
Brittany apertava o abraço em sua cintura, tirando a latina de seus devaneios. Santana virou-se para a namorada que dormia tranquilamente e sorriu. Um sorriso triste e pequeno, um sorriso amargo. Ela inclinou-se e pressionou os lábios contra a testa de Brittany enquanto uma lágrima grossa brotava de seus olhos e escorria por sua bochecha.
Brittany sentiu a pressão em seu rosto e abriu os olhos com um sorriso, mas ele logo desapareceu ao ver a lágrima que escorria pelo rosto de Santana.
– San? – ela chamou. – Amor, o que houve? Fala comigo…
Santana apenas apertou-se mais contra o peito de Brittany e enterrou o rosto no seu pescoço. A loira ficou murmurando palavras sem nexo em seu ouvido, enquanto puxava Santana para mais perto de si. A morena não dizia nada, mas sua mente estava à milhão. Tempo. Aquela era uma possibilidade que ela não queria considerar. Mas, talvez, fosse melhor assim.
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