Colégio Interno - Brittana
55 Beth II
Notas iniciais
Santana acordou com um feixe de luz em seus olhos. A morena resmungou baixinho e apertou o rosto contra o pescoço claro de Brittany, tentando fugir da luz.
Assim que ouviu Santana, Brittany prontamente enterrou uma das mãos nos cabelos escuros e apertou as costas da morena contra seu corpo. Santana lentamente afastou-se do pescoço claro de Brittany e deparou-se com grandes olhos azuis a encarando preocupados. Ela lançou um sorriso fraco para a loira e beijou sua testa. A ruga de preocupação no meio das sobrancelhas de Brittany sumiu e a garota permitiu-se oferecer um pequeno sorriso para Santana.
- Faz tempo que você acordou? – Santana perguntou enquanto afastava alguns fios dos olhos da loira.
- Não dormi. – Brittany respondeu baixinho.
- B…
- O que foi que aconteceu com você? – Brittany perguntou, sentando-se e segurando a mão de Santana entre as suas. – San, eu acordei com você chorando ontem. O que foi que houve? Eu fiz alguma coisa? Alguém fez alguma coisa para você? Ou foi…
- Britt, não tem nada a ver com você. – Santana respondeu depois de tapar os lábios da loira com os seus. – Eu não quero falar disso agora. Por favor.
Brittany assentiu e puxou a morena para o seu colo. Santana agarrou o pescoço da loira e envolveu sua cintura com as pernas. Brittany abraçou Santana e colou seus lábios nos dela, fazendo com que a latina automaticamente sorrisse durante o beijo.
- Eu te amo tanto Britt… — Santana murmurou. – Nunca se esqueça disso. Eu te amo como nunca amei ninguém.
- Eu também amo você, Sanny. – ela sussurrou em resposta. – Mas o que você quer dizer com…
Fortes batidas ecoaram na porta. Santana levantou em um salto do colo da namorada e correu em direção à sua cama, bagunçando os lençóis e deitando-se. Brittany esperou a namorada deitar e caminhou até a porta, abrindo-a.
- Bom dia, irmã. – A loira cumprimentou, forçando um bocejo. – Dia de revista?
A freira arqueou uma sobrancelha e entrou no quarto. Santana sentou-se na cama e começou a se espreguiçar, murmurando um “bom dia” para a loira. A freira revistou o quarto e, minutos depois, saiu, deixando ambas sozinhas.
- Pelo menos estávamos vestidas dessa vez. – Brittany disse com um sorriso torto.
- É, ao menos isso. – Santana murmurou em resposta.
Brittany franziu a testa e caminhou em direção à namorada, sentando-se de frente para ela. Santana tentava não encarar Brittany, mas a loira segurou seu queixo e puxou-o em direção ao seu rosto, fazendo Santana olhar para ela.
- Tem certeza que não quer conversar? – Perguntou.
- Agora não. – Santana disse.
- Ok. – A loira concordou. – Mas você sabe que eu estou aqui para você, não sabe?
- Sei, B. Sei sim.
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Quinn fitava o teto sem muito interesse. Esperava que a namorada voltasse ao quarto o mais depressa possível, pois estava começando a ficar entediada. E Quinn odiava ficar entediada.
Cogitou mais de uma vez sair e fazer qualquer coisa antes de ter que voltar aos jogos, mas a única coisa que passava por sua cabeça era ir ao laboratório, e o laboratório agora tinha um cadeado com correntes na porta, para evitar algum outro “assalto” por alguma das alunas. Ela até pensou em tentar arrombar a porta novamente, mas era muito arriscado. Quinn era uma das principais suspeitas de surrupiar os mais diversos elementos do laboratório, então seria melhor se não fizesse nada por alguns tempos.
Viajava em seus pensamentos quando uma batida na porta a tirou deles. Com um resmungo, levantou-se da cama e caminhou até a porta. Ao abri-la, não podia estar mais surpresa. Shelby a fitava da porta, com uma expressão indecifrável no rosto.
- Podemos conversar a sós? – A mulher perguntou.
Quinn assentiu e fechou a porta, seguindo a mulher para fora. Shelby caminhava com passos apressados, forçando Quinn a andar mais rápido. A loira corria um pouco para tentar acompanha-la, mas os sapatos desamarrados a faziam tropeçar a cada quinze segundos.
Quando enfim chegaram a um quarto, Shelby fechou a porta. Quinn deu alguns passos para trás, a fim de dar mais espaço à mulher. Olhou ao redor. Era um lugar simples, como o seu quarto, só que sem todo o seu equipamento de química e os pôsteres colados na parede. Um armário e duas camas, onde uma pequena menina estava sentada olhando Quinn curiosamente. A voz da loira travou na garganta e um sorriso lento tomou lugar em seus lábios ao ver a menininha abrir um largo sorriso para ela.
- Oi. – Quinn disse em um tom quase inaudível.
- Oi! – Beth respondeu alegre. – Você se lembra de mim?
- Claro que sim. – Quinn respondeu mais segura enquanto se aproximava da cama. – Você é a Beth, não é? Eu te atropelei no corredor.
A menininha riu, mostrando um sorriso sem um dos dentes. Quinn a olhava, admirada, perguntando-se o que mais havia perdido. Três aniversários, a primeira palavra, o primeiro passo, o primeiro dente que caíra, vários natais, páscoas e outros feriados. Era muito tempo perdido, tempo que ela nunca conseguiria recuperar. Mas agora, lá estava ela. Quinn e Beth, mãe e filha. Unidas por uma segunda vez, uma segunda chance.
- Srta. Fabray? – Shelby chamou, a tirando de sua bolha particular. – Ainda precisamos conversar.
- Certo. – Quinn concordou, levantando. – Eu vejo você depois, Beth.
- Ok. – a menina concordou. – Qual é o seu nome?
- Quinn. Quinn Fabray.
A pequena sorriu e voltou à atenção para o desenho que fazia antes de Quinn entrar. A loira voltou-se para Shelby, que a puxou para um canto do quarto.
- Eu preciso de sua ajuda. – Shelby disse.
- Para o quê? – Quinn perguntou.
- Tirá-la daqui.
A loira abafou uma gargalhada. Shelby a olhava, confusa, enquanto Quinn apenas balançava a cabeça.
- Você acha mesmo que eu vou te ajudar a fugir com a minha filha? Pela segunda vez, por sinal? – A loira ironizou.
- É do seu conhecimento que o seu pai está vindo, Quinn. – Shelby disse. – Ele não sabe sobre ela. Ainda acha que a menina está morta. Eu preciso escondê-la. Se ele souber…
A frase morreu no ar. Quinn suspirou e enterrou a mão nos cabelos.
- A verdade é que eu não pretendia ficar com ela, Quinn. O seu pai me pagou para mata-la, não para escondê-la de você. Mas eu… simplesmente não pude machucar um bebê. Eu sei que ela é sua, e o que eu fiz não foi certo, mas eu precisava escondê-la. Eu sei como é ter a sua filha roubada de você.
- O que quer dizer com isso? – Quinn perguntou, arqueando uma sobrancelha.
- Não temos tempo para esta história. Pergunte à Rachel. – Shelby cortou. – Mas eu ainda preciso de ajuda.
Quinn pensou um pouco. Não iria ajudar Shelby a tirar Beth do internato, mas também não podia deixa-la à mercê de seu pai. Precisava pensar em algum lugar na escola que pudesse escondê-la. De repente, um estalo lhe ocorreu.
- Eu posso ter a pessoa perfeita. – Quinn disse. – Mas eu vou leva-la. Só por segurança.
- Tudo bem. – Shelby concordou.
- Arrume as coisas dela. – Quinn pediu. – Ou melhor, faça isto depois. Eu vou leva-la primeiro, depois buscamos o resto.
Shelby assentiu e chamou Beth. A pequena logo se jogou nos braços de Quinn e deixou que a loira a carregasse para fora. Beth ia conversando com Quinn sobre mil e uma coisas, fazendo a loira sorrir com cada uma de suas palavras. Ela era muito inteligente para uma criança de três anos.
Quando chegou ao seu destino, Quinn relutou um pouco. Perguntou-se se seria mesmo uma boa ideia, mas não tinha outra opção. Bateu na porta, que logo foi aberta.
- Srta. Fabray?
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