Christian

Confirmei o endereço pela mensagem de sms que recebi do Tute, assim como eu chamo o nosso Tutor, homem misterioso que nos auxiliou na vida, falo não só por mim. Como também por Dulce e Poncho, devíamos muito a ele, apesar de nunca ter nos visto pessoalmente.

Eu lotei sua caixa de e-mail, para descobrir o endereço correto, já que não poderia pedir ao Poncho ele estranharia, Dulce também não saberia nada por conta de seu desprezo a Maite, Any e Christopher também não saberiam me informar e correria o risco deles estragassem tudo, então tive que apelar para o Tute, para saber o endereço correto onde Maite morava.

:- U-a-u! – Exclamei ao ver o bairro de luxo onde ficava a mansão, chamada de casa, por Maite, o que não tinha nada de humilde.

Parei na porta e toquei a campainha nervoso, eu realmente esperava estar certo, senão eu faria papel de idiota na frente de Maite.

:- Sim? — uma senhora que parecia ser a empregada da casa, me atendeu e eu passei a mão pela minha barriga sentido suar frio. – Oi, eu sou Christian. – respondi a ela, que fez uma cara de confusa por não me conhecer – sou amigo do Poncho. – Impressionante como sua expressão mudou. – Ah, sim, você quer vê-lo? Entre, por favor. – ela me deu espaço para entrar.

Foi o que eu fiz, mas precisei controlar meu queixo para não cair diante de tanta riqueza, aquela família era podre de tão rica que eram. Também pude observar que a classe e educação de Maite vinham de um berço de ouro, a família refletia isso em cada móvel daquela mansão.

:- Christian? — a senhora me chamou- queria me acompanhar? — eu a segui ainda impressionado com o lugar, isso por que eu ainda não tinha visto nada.

Chegamos ao deveria ser a sala, espaçosa e diferente do que eu imaginava tive a sensação de acolhimento, o lugar refletia isso, eles formavam uma família grande vi pelas milhares de fotos espalhadas pelo lugar. Me surpreendi ao ver uma de Poncho com eles no que parecia um jantar de família. Gelei sem saber o por que pedi a Deus naquele momento para que eu tivesse certo, eu tinha que estar eu ainda sou o melhor amigo de Poncho, o conheço como ninguém.

:- Eu sou a melhor do mundo em correr. – foi muito rápido quando vi o vulto de uma menininha vestida de fada com pantufas de pintinho passando correndo por mim. Eu parei quando vi a senhora parar na minha frente.

:- Maria por Deus!! – um senhor que vinha atrás dela, não tão rápido parou na nossa frente. – Conceição, me ajude não sei o que essa menina toma, mas não pode ser apenas açúcar correndo pelo seu sangue!! – ele exclamou exausto descansando apoiado nos seus joelhos .

:- Claro, senhor Perroni! – ela abaixou a cabeça solicita. – Este é o Christian. – me apresentou.

:- Christian? — ele endireitou a coluna me estendendo a mão. – Prazer, Christian, amigo de Poncho sim? — eu confirmei, estendendo minha mão suada para cumprimenta-lo – desculpe, meus modos essa casa vive uma bagunça. – ele arregalou os olhos olhando por cima do meu ombro enquanto soltava sua mão. – MARIA!!! O vaso chinês de sua... – ele não concluiu sua fala, e eu ele e Conceição fechamos juntos os olhos escutando o estrondo do vaso sendo quebrado em pedaços no chão.

:- Conceição, me ajude sim? — ele me olhou – Foi um prazer conhece-lo Christian, mas tenho que cuidar de uma menina levada. – terminou falando mais alto para que a pequena Maria escutasse.

:- Tudo bem, senhor.

:- Christian, — Conceição falou comigo – eu preciso ajudar ele, você pode ir sem mim?

:- Claro, só me dizer onde ele está.

:- Lá em cima, provavelmente no quarto de Maite, — fiz uma careta – a porta deve está aberta, o quarto é o do meio fica depois do quarto de Pablo, onde tem uma caveira enorme. Você logo achará.

Ela nem deixou eu imaginar o caminho e foi saindo para ajudar a limpar a bagunça que Maria fez.

Subi as escadas nervoso, não sabia exatamente o porquê, mas me incomodava pensar que podia atrapalhar algo entre Poncho e Maite. Cheguei lá em cima e logo avistei uma porta com uma caveira enorme com vários avisos de cuidado ou não perturbe. Ri por imaginar como seria o dono desse quarto.

Encontrei a porta aberta e desconfiado coloquei apenas minha cabeça dentro para ver o que se passava. Para meu alívio só estava Poncho sentado no chão de costas para mim.

:- Maite, ainda bem que você voltou, você não vai acreditar no que eu encon... – ele se levantou falando animado, mas ficou surpreso por me ver ali. – Christian?

:- Hei. – eu entrei envergonhado.

:- Como chegou aqui? — ainda sem crer que eu estava na sua frente, ele me perguntou.

:- Tute. – me limitei a responder.

:- Hum, e o que faz aqui? Aconteceu alguma coisa, com a Dulce? — ele arregalou os olhos com a possibilidade.

:- Ela está bem cara, se tivesse acontecido algo de ruim, você seria um dos primeiros a saber. Eu vim por que...- parei de falar abaixando a cabeça como era difícil fazer isso.- é a minha vez de pedi perdão para você.

Ele me olhou estranho, sem acreditar no que eu falava, entendia era complicado demais e se me contasse sobre essa cena em que vivia, eu não acreditaria. Pisei no meu orgulho pela primeira vez por ele, era muito pouco para o tamanho da minha dívida.

:- Perdão, por tudo o que eu te fiz passar – engoli saliva — por ter te magoado, eu não tinha esse direito, somos tudo o que um para o outro, formamos parte de uma pirâmide. – ele riu por que se lembrou da nossa promessa de criança – E deixamos de ser uma quando um elo se rompe, eu fiz esse elo se romper, me desculpe.

Esperava que Poncho visse a sinceridade nas minhas palavras.

:- Em que mundo estamos, aonde ele vai parar, Você se desculpando por minha causa. – ele comentou – É um milagre.

:- Pois é, olha só o que eu não faço por meu brother.

:- Eu te desculpo Christian, mas por eu também ter errado em me calar e espero que saiba também que as coisas não vão continuar como eram antes.

:- Tudo bem, eu entendo não tem como voltar como era antes mesmo. Mas, agora posso te dar um abraço selando nossas desculpas? — Ele assentiu, Poncho era um cara especial um dos mais generosos possíveis.

:- Tem outro, porém também cara. – ele me olhou sério.

:- Qual é? — nos separamos do abraço com batidas forte nas costas. Antes que ele me respondesse alguém entrou no quarto aplaudindo.

Maite estava encostada na porta do seu quarto nos olhando e aplaudindo sorrindo. Por Deus, como ela estava linda! Senti meu nervosismo voltar novamente e mais forte.

:- Que linda cena, rapazes, me desculpem por atrapalhar! – ele fingiu enxugar uma falsa lágrima do olho. Vejo que fizeram as pazes. – ela se aproximou sorrindo, me olhando e eu estremecendo, que isso Christian se controle, até parece que nunca viu uma mulher, homem.

:- É o que parece.

:- Sim, mas eu ainda tenho que te avisar Christian, — Poncho voltou a me olhar sério – vou ser sincero com você e jogar limpo. Eu vou lutar pelo amor de Dulce.

:- Mas, e você e Maite? Todos pensavam que estavam juntos. – eu joguei verde rezando mil vezes para colher maduro.

:- Não estamos juntos, apesar de que minha mãe ainda te acha um ótimo partido, Poncho. – ela brincou com ele – Sei que todos pensam isso, Christian, mas faz parte do plano. – ela olhou no meu olho e agora piscou para mim.

:- Plano? — perguntei.

:- Sim, quase uma campanha, Dulce Maria note Alfonso e se apaixone por ele, aqui em casa já fizemos nossas apostas. – ela gargalhou tirando uma com Poncho.

:- Brincadeiras a parte, é verdade Maite está me ajudando a conquistar Dulce, de um jeito torto mais que dá resultado. – ele falou para ver se aquilo me atingia.

Fiquei calado, aproveitando o momento para reparar no quarto enorme de Maite, andei por ele e sentei em uma poltrona, já me sentindo a vontade sendo eu mesmo.

:- Eu topo. – falei.

:- Topa o que cabeção? — Maite me perguntou.

:- Fazer parte do plano, campanha, ajuda... Etc. – comentei indiferente como se eu não fosse um dos envolvidos na história.

:- Christian o que você bebeu? — Maite me perguntou novamente. – É, você é namorado de Dulce. – Poncho completou a contragosto.

:- Ex. Ex-namorado. – eu cometei esparramado na poltrona que parecia uma nuvem de tão macia, roendo uma unha. – Dulce e eu terminamos faz alguns dias, você perceberia isso Poncho se não vivesse enfornado aqui. Mas, com um lugar como esse quem não viveria aqui não é? — eu ri sozinho.

:- Você está me falando, que terminou com Dulce e ainda quer me ajudar a conquistá-la? — Poncho perguntou incrédulo.

:- Pois é romântico Pierrot, eu te devo essa.

:- Então isso muda o rumo do nosso plano. – Maite comentou pensativa. – Talvez, seja o momento de você parar de tratar indiferente a Dulce, Poncho. – ela falou com ele. – Tem que dar apoio agora.

:- Você acha Maite?

:- Eu posso me pronunciar? — Comentei me levantando e andando pelo quarto com os braços para trás. – O que você fez até agora Poncho deu certo, conseguiu reações de Dulce, mas chegou o momento de parti para a ação. – parei em frente a uma estante entupida de livros. – Você tem que conquistá-la sendo você mesmo e ao menos tempo sendo tudo para ela. Entendeu?

Poncho me olhou confuso, mas eu foquei meu olhar em Maite que também me encarava querendo saber onde eu queria chegar, me lembrei quando a vi pela primeira vez e o quanto fiquei encantado, me assustei quando fiquei com ciúme com sua relação com o Poncho, não só por perder meu amigo, mas por ela. Senti inveja dele, ela foi outro motivo do meu término com Dulce, eu estava bobamente atraído por Maite Perroni.

E olhando para ela continuei falando.

:- Simples, meu caro, as mulheres se sentem atraída por homens com algumas características, mas elas amam mesmo quanto eles são tudo para elas. Você viveu sendo o amigo de Dulce, quando queria ser mais que isso. – Olhei rápido para Poncho que pensava sobre o que eu disse. – Vamos fazer o seguinte, explicarei com uma língua que eu e você conhecemos muito bem. Arlequim e Pierrô formam o homem ideal, eles se completam por isso Colombina não vive sem nenhum deles, apesar de “escolher” Arlequim.

Ri quando vi Poncho fazer careta.

:- Você a vida inteira foi o Pierrot da Dulce, chegou o momento de ser também, escute o que eu falei também ser o Arlequim. A união dos dois fará você conquista-la, será uma tacada de mestre, não há erro.

:- Você está certo, ela ficou abalada e começou a me notar de uma forma diferente quando brigamos. – ele disse pensativo, relembrando – Mas, essa mudança toda de comportamento foi por causa do beijo, com certeza.

:- Vocês se beijaram? — eu e Maite perguntamos surpresos e ao mesmo tempo.

:- Sim. – ele disse vitorioso. – Foi um beijo entregue, quente, ela correspondeu e se entregou a mim.

:- Ai, ai. Minha cabeça. – eu passei a mão onde supostamente teria um chifre imaginário. – eu não sabia disso, ela só me contou que brigaram, como corno é o último a saber da traição mesmo. Espera aí! – exclamei olhando para os dois. – Isso é um sinal perfeito, se ela não tivesse ficado abalada no mínimo teria me contado.

Nós três sorrimos cúmplices.

:- Poncho, eu posso te ajudar a ser Arlequim e temos o carnaval daqui alguns dias, podemos trocar de papéis, eu me transformo em Pierrot, te darei meu coração para comer. – nos dois rimos da suposta lenda de carnaval, de quem conseguir capturar Arlequim e comer seu coração se tornará o Arlequim.

:- Christian, eu te passo o bastão e agora você está no comando, dessa missão. Usando dos artifícios da ficção mudaremos a realidade e mudaremos o fim dessa história trágica entre Colombina, Pierrô e Arlequim, com um final feliz para todos. – ela sorriu me olhando.

Se ela soubesse que eu estava ali não só para ajudar Poncho em sua conquista como também queria conquistá-la.

:- Arlequim – ela me encarou feliz pelo rumo que o plano estava tomando – dê o seu coração para Pierrô comer.

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