Dulce
:- Pelo amor de Deus, Dulce, tira essa cara amarrada! – Escutei a voz de Any animada e seu tom já aumentou meu mau humor, emburrei mais a cara.
E quando ia respondê-la passou um engraçadinho fantasiado de Robin jogando confeite em quem estivesse no seu caminho, entre as pessoas eu e Any.
:- Imbecil! – falei alto, mas ele não escutou a música estava alta demais, para isso. – E Any, não posso tirar minha cara, só tenho essa. – revirei os olhos.
:- Cruzes, nunca vi tão chata Dulce, logo no Carnaval. – ela falou sem me olhar – mas, onde será que Christopher foi buscar essa bebida? Detesto essa demora. – ela falou irritada com a demora do marido.
:- Quem está sendo a chata agora, hein Anahí? – comentei rindo pela primeira vez naquela noite de Carnaval.
Confesso que ainda estou me perguntando o que estou fazendo aqui. Por que eu deveria está em casa lendo algum livro ou assistindo algum filme, qualquer coisa menos ficar aqui festejando o Carnaval. Any, tem o poder de me convencer – chantagear – impressionante.
Nesses últimos dias me senti mais sozinha do que nunca em minha vida inteira. Desde que Christian terminou comigo ele também se afastou, como se já não bastasse Poncho ter me abandonado. Foi muito difícil, nunca encontrava os dois em casa, sempre que chegava eles saiam, juntos ou não, sempre que saia eles chegavam. Como se me evitassem mesmo.
Amizade deles parece ter voltado à normalidade, eu fiquei feliz ao ver os dois brincando um com outro, seja na peça ou no ensaio, retomando o companheirismo, mas pensava que quando voltassem a se falar eu estaria ali presente, como eu fui tola. Cheios de gracinhas, os três, me lembrei a contra gosto, sim os três Christian, Poncho e Maite!
Já não bastasse roubar Poncho de mim. Agora parece tomar Christian também, não vai demorar serão Christopher, Anahí e até meu papel como Colombina também, roubar meu lugar literalmente. Continuo sim, com minha implicância com ela, qualquer um teria se tivesse na minha situação. Qualquer um.
Para minha sorte, por que Any me deixaria em paz, e para o alívio dela, avistamos a cabeça de Christopher no meio da multidão, com o cabelo que ele usava difícil seria não encontrá-lo claro que sua altura ajuda no trabalho.
Falando nisso, todos estavam fantasiados para o bloco de rua, Christopher estava fantasiado simplesmente de Wolverine, se igualando na gostosura do Hugh Jackman em X-men e Any vestida de fada, não qualquer uma, uma fada bem sexy por sinal, estava impecável, não esperava menos de uma estilista como ela.
Eu, não tinha me preparado então estava a mais simples de nós três. Vestia um vestido curto, colorido cheio de losangos, maquiagem forte também não estava num bom dia e os cabelos presos que sempre tinham alguns fios revoltos, bem Colombina, bem Carnaval. Na verdade, eu não sei da onde Any tirou aquele vestido, por que nunca o vi tão curto e tão colado antes.
:- Que loucura está aqui, quase não consegui voltar – ele chegou ainda atrapalhado com nossas bebidas.
:- Já ia atrás do senhor. – Any pegou a dela irritada. – Não, quero você sozinho por aí, vão pensar que você está solteiro. – e ainda continuou ciumenta.
Christopher riu apenas e me entregou o meu copo. Tomei com sede, com raiva, quando eu pensei em alfinetar Any por seu ciúme, desisti da ideia ao ver eles praticamente se engolindo em um beijo. Quem me falou que seria legal vir? Ah tá bom.
:- Vamos sair daqui e nos juntar aos meninos? – Christopher falou enquanto Any passava o dedo no canto de sua boca.
:- Meninos? – Any perguntou tomando um gole de sua cerveja.
:- Sim enquanto comprava a cerveja, vi Christian e Poncho e um pessoal perto da banda tocando. – ele me olhou.
:- Christian e Poncho estão aqui e não me avisaram? – perguntei sem esperar a resposta. – Maite está com eles, Chris?
:- Sim. – ele respondeu distraído enquanto olhava para Any.
:- Dulce, por favor, não vamos estragar essa noite, é carnaval. Dia de alegria. Eba! – Ela me olhou com os olhos arregalados imaginando que eu faria se encontrasse todos juntos.
:- Não vou fazer nada Any.
:- Então, vamos? — Chris olhou de Any para mim. – Carnaval só é a mesma coisa quando estamos todos juntos. – ele sorriu provavelmente se lembrando de Carnavais passados.
Christopher deu a mão para Any e ela para mim. Formando uma corrente curta e começamos a andar entre as pessoas e paramos em algum lugar onde o som da música alegre estava bem alto..
:- Antes de ir eu vou em alguma barraca antes, Any! — Eu gritei para ela.
:- Que? Aonde? — Ela também gritou.
:- Ali, Any é perto, não vamos nos perder, qualquer coisa me manda um sms, estou com meu celular. – falei no ouvido dela.
Christopher desistiu de ouvir a conversa e agora dançava limitado já que ainda estava de mãos dadas com Any.
:- Tudo bem, não vou forçar um encontro com ela. Se não quiser, mas não se afasta tanto, ok. – ela também falou no meu ouvido preocupada.
Eu tirei meu celular de um bolso escondido no meio dos babados e balancei na sua frente, ela já saberia o que fazer quando eu sumisse. Depois de assenti ela foi puxada por Chris e começaram uma dança improvisada. Sorri, por que pelo menos eles estavam felizes.
Não demorou para eu chegar em uma das barracas de bebida, impressionante como tudo estava tão organizado que os pedidos eram prontamente atendidos e olha que haviam vários pedidos.
Enquanto observava a festa que ali rolava tomando meu sexto copo de cerveja desde que cheguei ali na barraca notei onde estava o trio, já tinha misturado muita cerveja com o que eu já tinha tomado antes, eu estava começando a ficar tonta, não diria bêbada por que precisaria de muito mais para isso. Como me dizia Christian eu era um poço sem fundo.
Depois de dispensar o nono cara com cantada barata e pegar mais uma bebida, voltei a olhar a festa, Any e Christopher sumiram na multidão aproveitando que estava aqui bebendo, da onde eu estava dava para ver Maite que ainda estava dançando agora tinha um copo de bebida, sua fantasia era diferente das que eu tinha visto, estava fantasiada de anjo, não um anjo qualquer a roupa mesclava entre o bem e o mal.
Vários tons negros e alvos, desde sua bota, acessórios, maquiagem até sua asa. Any adoraria esse look com certeza e mesmo a contra gosto eu admito que caiu muito bem nela.
Amassei inutilmente a garrafa de vodka que tinha acabado de pegar para tomar ao presenciar a cena que acontecia há alguns metros de mim.
Poncho chegou na frente de Maite, sem que eu percebesse, tomou um pouco de sua bebida mesmo sobre os protestos dela e depois os dois começaram a dançar animados, juntos.
Não saberia explicar ou conter o meu sentido de posse diante daquilo, minha vontade era ir até lá e empurrar Maite para que saísse do meu caminho, sem pensar, ela não tinha esse direito de tirar tudo o que eu tinha. Apertei os olhos vendo os dois se divertirem, ele falava algo no ouvido dela, provavelmente com a desculpa da música alta e ela gargalhava enquanto ainda dançavam.
Revirei meus olhos e isso fez com que visse outra coisa próxima deles, sei que falei para Any que não faria nada para atrapalhar o carnaval de ninguém, mas eu precisava fazer aquilo e além do mais colocaria a culpa na bebida depois. Tomei a metade da minha bebida em um gole forte e intenso. Apertei os olhos pelo efeito do álcool e sentia queimando no meu interior o ciúme.
Fui na direção dos dois segura e com a má intenção a flor da pele, praticamente fui tirando as pessoas que estavam no meu caminho, como um abre alas, passei perto deles justamente quando Maite puxava Poncho para irem em algum lugar, ela me viu e mudou o olhar de surpresa para cínica? Só podia ser cinismo aquele olhar, não tive coragem de olhar Poncho, mesmo ele ainda estando de costas para mim.
Segui meu caminho ainda decidida e encontrei o que, ou melhor, quem eu queria.
Christian estava de costas a minha frente e sem pensar ou pensando justamente em coisa errada eu cheguei onde ele estava e o virei da maneira que pude usei de uma força que eu não sabia que tinha e antes que ele fizesse ou falasse algo, o beijei.
O beijei com fúria desejava com coração que Maite e Poncho vissem o beijo, por que infantilmente eu queria que ele sentisse ciúmes de mim. Queria que ele voltasse a falar comigo nem que seja para brigar como foi à última vez que nos encontramos a sós. Parei com o que fazia por um instante.
Com a última lembrança minha e de Poncho juntos no camarim do teatro, aprofundei o beijo reconhecendo aqueles lábios.
...E brincar o carnaval,
Viver uma fantasia real...
♦____________♦
Fale com o autor