Poncho
:- Se controla cara.
Perdi a conta de quantas vezes Christian repetia essa frase aquela noite para mim. Estava tão nervoso que bebia o champagne em apenas um gole, parecia que estava num altar esperando a noiva chegar, no caso era Dulce.
Ri sozinho balançando a cabeça me reprovando, já estava alucinando. Estávamos eu e Christian num baile de gala numa mansão dos Uckermann, era aquele tipo de baile de carnaval que aconteciam antigamente na Europa. Todos sofisticados e mascarados.
Any e Christopher se conheceram num desses bailes, é algo extremamente tradicional em suas famílias, como ficamos amigos os dois sempre convidaram Dulce, Christian e eu para irmos juntos a esses bailes, o que era muito divertido, já que envolvia os mistérios de quem seriam as pessoas por trás das máscaras além de que os convidados eram sempre ricos, milionários, bilionários, enfim. Eles deviam ter tanto dinheiro em suas contas que eu sequer podia imaginar.
Terminei um copo de vodka e enquanto arrumava minha máscara no rosto, peguei outro copo de um garçom, também mascarado passava.
:- Se divertindo rapazes? – Any chegou divertida com um vestido negro e alguns detalhes amarelos que por mais estranho, ainda mais usado no carnaval, caiu muito bem nela. Sua máscara era amarela, não aquele tom cegante, aquele que você vê num por-do-sol. Tudo combinou muito com ela, afinal os olhos azuis se destacaram.
Christopher como todos os homens estavam vestia apenas de smoking e uma máscara com várias tonalidades de marrom que com certeza foi feita ou escolhida por Any, ele apenas nos encarava com um sorriso torto na boca. Um sorriso de quem acabou de aprontar.
:- Na verdade não, Poncho só falta cravar um buraco no chão de tanto que anda impaciente. – Christian começou a dizer falsamente tranquilo. — Ele está esperando Dulce que ainda não veio. – terminou sussurrando como se isso fosse algo que ali ninguém soubesse.
:- Como se eu fosse o único a esperar alguém. – também sussurrei. – E vocês aonde estavam que só chegaram agora?
:- Estávamos recontando quantos quartos tem nessa casa, mas Pablo nos interrompeu nos chamando para o baile. – Entortou mais a boca.
E nós três rimos, não só ele falar de sua casa, por que não era simplesmente uma casa e sim uma mansão, que existiam inúmeros quartos. Entendo sua piadinha, eu ri mais por Any ficar apenas calada e sem graça e para ela ficar assim com certeza tinham aprontado algo e Pablo, mordomo a anos da família Uckermann os flagrou. Antes que Christian pudesse fazer piada do assunto, fomos todos interrompidos.
:- Chegamos, finalmente! – ouvi a voz de Maite.
:- Para nossa alegria!! – Christian falou alto, brincando e olhando para ele rapidamente vi o quanto ele estava nervoso, os únicos que riram foram Christopher, Any aliviada por ter escapado de ser o alvo da piada e Maite e Dulce que acabaram de chegar.
Meu olhar com Dulce logo se encontraram só desviei quando ela desviou e aproveitei para olhar melhor seu vestido, era azul escuro que terminava na altura dos joelhos, saltos altos para ficar mais alta, a máscara escura que parecia moldada ao seu rosto feita na medida certa e para acabar comigo de vez o cabelo liso.
:- Vocês chegaram juntas? – Any comentou detalhista, eu teria reparado nisso se não tivesse babando na Dulce, olhei rapidamente para Christian que estava pior que eu, só que olhava para meu agrado apenas para Maite, que por sinal também estava linda, um vestido roxo e máscara num vermelho escuro quase vinho.
:- Pois é, encontrei Dulce na entrada com um probleminha no vestido. – ela pegou uma taça de vinho com um garçom, — Obrigada, — ela sorriu agradecendo ele. – então fomos ao banheiro cuidar desse problema. – ela então tomou um gole de seu vinho falando como se fosse normal toda a situação, como se ela e Dulce fossem amigas de longa data.
:- Como vocês não me chamaram? – Any foi diretamente com a mão para um lugar na lateral do vestido de Dulce próxima aos seios.
:- Não foi preciso, eu dei um jeito. Com minha bolsa mil e uma utilidades. – Maite me olhou rapidamente e piscou, me fazendo lembrar do nosso encontro no bar, rimos rapidamente.
Logo nos calamos por sentir o olhar de Christian e Dulce nos encarando.
Fora que a cena que via era surreal Any, Dulce e principalmente Maite agindo amigavelmente.
:- Bom, o importante que vocês estão aqui. Papai ficará muito contente. – Christopher sorriu gentil. – Pois, Vitor meu sogrão não perde uma festa dessas ainda mais quando esta tocando machinhas antigas de carnavais. – Any falou rindo.
Olhamos para o salão e vimos Vitor e Alê, pais de Christopher dançando animados.
:- Ele vai gostar de te rever aqui, Maite depois de tanto tempo. – Christopher falou.
:- Verdade, não venho aqui desde... Pequena?
:- Sim. Desde que se mudou para Itália. – Any comentou indo ao encontro de Christopher que a esperava de braços abertos.
:- Vocês eram amigos desde pequenos? – foi a primeiras palavras dela aquela noite, Dulce perguntou confusa.
:- Não. Na verdade éramos conhecidas, tínhamos amizade de criança, sabe? Brincávamos como se fôssemos melhores amigos e depois nunca mais nos víamos, isso até eu me mudar. – Maite comentou.
:- Fora que foi dai que nossos pais nos vendo brincando tiveram a maravilhosa de combinar nosso casamento, bebê. – Anahí comentou falando com voz de bebê, aquilo no começo era irritante confesso, porém depois com o passar do tempo você se acostuma.
:- E olha que nós éramos como cães e gatos desde crianças. – Christopher comentou rindo.
Todos riram imaginando.
:- Maite, como você está linda! – Christian exclamou, parecendo que saiu de um transe que começou desde que Maite chegou; estranho para ele, afinal era o mais falante de todos nós.
:- Obrigada, Chris. – ela sorriu agradecida e fez uma pequena reverência. – Você também está um gato. – piscou.
:- Como sempre. – ele se gabou, voltando ao velho Christian de sempre que nos fazia rir. Como agora.
:- Você também está linda. A mais linda de todas dessa festa. – eu comentei baixo apenas para Dulce escutasse. Enquanto os outros conversavam.
Ela se virou sorrindo para mim.
:- E você também está um gato, o mais gato dessa festa. – rimos por repetir os elogios de Maite e Christian, — e olha você cortou o cabelo. – ela levantou a mão e passou na minha cabeça.
:- Só raspei um pouco. Foi hoje cedo, queria saber sua opinião, mas não te encontrei o dia todo.
:- Sai o dia inteiro precisava refrescar um pouco minha cabeça, refletir.
:- Refletir sobre o que?
:- Sentimentos.
Eu estremeci por que eu estava mais que envolvido nessa reflexão, ainda mais por que meu futuro e o dela estavam em jogo.
:- Você é quem??! – Christian gritou nos interrompendo, e olha que a música ainda tocava e alta.
Dulce e eu nos viramos para eles e ver o que estava acontecendo.
:- Pedro Damian. – um homem falou.
:- Isso eu sei, mas... Uau! Pedro Damian, um dos maiores autores e diretores do país! – Christian exclamou ainda assombrado com a presença dele ali.
:- Que isso, obrigado pelo elogio. – ele viu Dulce e eu se aproximando. – E vocês devem ser Dulce e Alfonso?
:- Poncho, eu prefiro. – O cumprimentei depois de Dulce.
:- Oh, sim claro. Então, agora que estão todos aqui, devo dizer que é um prazer conhece-los pessoalmente. – ele comentou sorrindo.
:- Pessoalmente? – Dulce perguntou desconfiada e surpresa.
:- Sim, eu estou aqui devido a duas amigas de vocês. Maite – ele apontou para ela, que ficou sem graça. – E Zoraida.
Zoraida que até então ninguém tinha visto, mesmo que ela estivesse próxima da gente, talvez devida a surpresa de ver Pedro Damian ali, não a vimos. Ela se aproximou sorrindo.
:- Oh, Meu Deus. Zoraida quanto tempo. – Dulce exclamou agitada. Dando um abraço apertado nela.
Zoraida era uma das internas do Orfanato, convivemos por pouco tempo, já que ela foi adotada, pela família Gomez, desde então perdemos o contato. Dulce sentiu muita a sua falta, eram muito amigas. Depois dela me abraçar e Christian, ela cumprimentou Any e Christopher.
:- Então como dizia, graças a Maite que me indicou a peça de vocês eu pude ver o potencial e o talento que vocês possuem, meninos. – à medida que Pedro falava Dulce, Christian e eu ficávamos tão surpresos que apenas abríamos mais e mais nossas bocas e arregalávamos os olhos.
:- Você... você nos viu atuando? – Christian conseguiu perguntar.
:- Sim. – Pedro falou rindo ao ver nossas reações. – E gostei tanto que gostaria de fazer um convite á vocês. – ele ficou sério agora – Gostariam de fazer um casting para minha nova novela?
:- Ah, Meu Deus!!! – Any gritou também surpresa dando alguns pulinhos e batendo palmas, umas três vezes.
:- Peraí. – eu falei confuso. – Você – apontei para ele- quer convidar eu, Dulce e Christian – apontei para cada um de nós – para fazer um casting para sua novela? – voltei a apontar para ele.
:- Isso mesmo.
Todos ficaram em silêncio, por conta, de Dulce, Christian e eu ficarmos calados. Mal, piscávamos nossos olhos.
Imagine passar por tudo que passamos, encontrar uma válvula de escape no teatro e depois descobrir que nascemos para a atuação que essa era nossa missão nesta vida, agora com a ajuda de nossos amigos temos a oportunidade de entrar para uma novela, em uma das maiores emissoras do país? Isso era mais que surreal, era...
:- FANTÁSTICOOOOO!!! – Christian surtou começou a pular e a gritar junto com Dulce, que me puxou para um abraço. – AAAAAAAAAAH!! – Parece que assimilamos a realidade somente agora, por isso demoramos a comemorar. Quando fomos dar conta, já estávamos surtando junto com Christopher e Any, capaz de Maite, Zoraida e até Pedro estarem no meio.
:- Que felicidade!!! – Dulce falou depois de tentar se recompor. No meio de toda gritaria e pulos nossas máscaras caíram de todos ficaram nos pescoços. – Pedro, poxa muito obrigada por essa chance. – ela falou apertando a mão dele e balançando desesperadamente. – Acredito que isso é um sonho e um desfio e vamos aceitar, não é!? – ela nos olhou, com um olhar tão determinado e feliz que me contagiou.
:- Claro que sim. – Christian falou contente abraçando Dulce pelo ombro e me puxando para ficar perto também.
:- Ok, então depois Maite passa todo o meu contato para vocês.
:- Claro. – ela comentou.
:- Hei, morena. Obrigada!! – eu fui até ela e abracei apertado. Ela me ajudou mais do que deveria, era meu anjo na Terra. – Que isso vocês merecem! – Falou após me dar um beijo estalado na bochecha.
:- Isso merece uma comemoração. – Christopher falou feliz, mas foi Any que praticamente puxou o garçom viesse até ela. Dois cachaceiros.
Todos estavam com uma taça de champagne já tínhamos feito um brinde em conjunto e Pedro voltou a falar.
:- Vocês também devem agradecer a Zoraida, ou devo dizer Tute. – Pedro riu, pelo apelido dela, mas ele ficou sério quando Christian praticamente cuspiu o champanhe antes de gritar.
:- COMO É QUE É ??
:- Falei alguma coisa de errado? – Pedro perguntou receoso.
:- Não, Pedro. Na verdade, eu não esperava que eles soubessem assim. – Zoraida, ou Tute, quer dizer... Ah não sei mais o que pensar. – Bom, eu sou a Tute. – ela falou olhando para gente e forçando um sorriso.
:- Não peraí, não pode ser o Tute, ele é homem e velho. – Christian perguntou assustado. E como todos, estava confuso. Dulce e eu estávamos como ele, Maite estava apenas curiosa esperando o desenrolar da história, Any e Christopher também com a diferença que eles estavam bebendo um gole da taça champagne após o outro.
:- Vou resumir tudo para vocês entenderem, — Zoraida começou a explicação – eu queria ajudar vocês de alguma forma desde que saí do orfanato, então pedi a papai que adotassem vocês também, mas ele não podia então me convenceu a encontrar alguma outra forma de ajudá-los, então decidi ser a tutora de vocês. Como era muito nova para isso, eu conversei com a Madre Teresa que lhes ajudaria com uma parcela em dinheiro que eu ganhava da minha mesada.
Zoraida parou de contar por um momento vendo que todos estavam prestando toda a atenção nela.
:- Mas, então tive que me mudar para Estados Unidos, ai veio à ideia do teatro no orfanato. Enfim, vi que vocês se deram muito bem e à medida que eu crescia minha mesada aumentava, afinal sempre fui muito responsável aprendemos a ser assim quando não se tem nada, vocês sabem exatamente sobre o que estou falando, então a ajuda que lhes dava se tornou maior. Passei a falar com vocês por e-mail e os ajudava como eu podia. Mas, nunca tive coragem de falar quem eu era, não sabia a reação de vocês até agora.
:- Cacetada! Tute é uma mulher? – Christian exclamou depois de algum tempo ignorando toda a explicação de nossa tutora. – Por Deus é apenas um ou dois anos mais velha que a gente. – comentou levemente assombrado — Quem disse que não temos sorte, hein? Estamos cercados de pessoas ricas e melhor que são nossas amigas e estão ali sempre que precisamos. – Ele falou para Dulce e eu, de não só Zoraida, como Maite, Any e Christopher. – Que poder nós temos. – fechou as mãos em punho em sinal de força.
:- Gente, — Dulce suspirou rindo de Christian.- traduzindo o que esse besta quis dizer, — ela deu um pequeno beliscão nele – ele está agradecendo a todos vocês pelo o que fizeram em nossa vida inteira. – Realmente não há palavras para agradecer tudo o que fizeram – eu continuei o pensamento e fala de Dulce.
:- Ah, que isso vocês falam como se não fizessem nada por nós também. Além do mais existem várias formas de nos compensar. – Maite falou rindo e fazendo uma cara diabólica.
:- Isso é verdade, ainda mais agora que eles farão uma novela. – Any disse com os olhos brilhando.
:- Que isso a gente nem fez o casting ainda e vocês já estão pensando nisso. – Eu me manifestei. – Não esperava isso de vocês. – fingi desapontamento.
:- Nem vem com essa, Poncho. Como se não nos conhecessem, fora que vocês vão passar nesse teste e ainda fazer o maior sucesso, confiem em mim. Tenho um faro para essas coisas. – Christopher falou enrolado, os primeiros sinais de embriaguez surgiram.
Então naquele momento lembramos que tínhamos vários motivos para comemorar. A noite então seguiu sendo uma festa, algumas implicâncias foram esquecidas, mas mesmo me divertindo algo não saia de minha cabeça. A reflexão de Dulce sobre sentimentos, a minha pergunta era o que ela conclui, ou melhor, decidiu após tudo?
Enquanto vi todos se divertindo dançando, estava de canto bebendo whisky apenas observando, refletindo, e principalmente, me controlando. Nesse último, estava sendo difícil controlar minha vontade era de pegar no braço de Dulce joga-la contra parede. Mas, Maite deixou muito claro que eu não deveria fazer nada quanto a isso, apenas deixasse que ela viria a mim.
Porém, Dulce não faria isso tão cedo e esperar era algo que eu não faria mais, eu devia dar o primeiro passo para que Dulce viesse até mim.
Deixei meu copo em algum lugar e fui em direção à pista onde todos estavam dançando, passei pelos casais, Any e Christopher, Christian e Maite, quando avistei Dulce dançando com Zoraida, trocamos rápidos olhares e esperei um momento sabia que ela estava atenta ao que fazia e para comprovar isso, me afastei um pouco e fingi dançar ao voltar a olha-la ela justamente estava me olhando.
Ao percebe que foi pega no flagra desviou o olhar novamente, essa foi minha deixa me virei de costas e sai da pista de dança indo para uma varanda grande que tinha uma ótima vista para a piscina da mansão Uckermann só foi eu me encostar na grade que ouvi passos atrás de mim. Não só isso como também o seu perfume.
Deixa o dia raiar, que hoje eu sou. Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou, Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Pronto agora Dulce era quem dava as cartas ou seria game over ou recomeçaria uma nova partida.
Ela se encostou também na grade e ficamos lá em silêncio, não seria eu que falaria algo.
:- Eu evitei esse momento a noite inteira sabia? – ela começou a falar olhando para a noite estrelada, como se eu não estivesse ali com ela. – Eu procurei te evitar a noite inteira, mas acabei justamente vindo aqui atrás de você.
:- E por que está me evitando? – comecei a ficar preocupado, afinal, evitar alguém não era um bom sinal, era?
Demorou para que ela voltasse a falar.
:- Por vergonha. – e ela teve que me olhar para ver a confusão no meu olhar. – É ridículo, sentir isso com relação a você. Depois de todo esse tempo juntos.
Todo esse tempo juntos, não de um jeito que eu gostaria. Mas, enfim.
:- Vergonha de quê?
Ela voltou a ficar em silêncio e isso estava me incomodando por que minha preocupação ficava maior à medida que o tempo passava e Dulce não voltou a falar. Só fitava a água da piscina, até mesmo o vento devia está tentando enxergar.
:- Lembra quando estava estudando para ser Colombina e Pierrot e assim soubemos que para essas são personagens não existia tempo, são imortais na ficção. Ali descobrimos que a definição de tempo era diferente, ele não se resume a segundos, dias, meses; e por aí vai. – ela deu os ombros – Sei que não deve entender nada das minhas confusões, mas faz alguns dias que estou me perguntando quando eu realmente me apaixonei por você?
Eu engoli em seco, arregalei os olhos e senti todo um peso imaginário sair de minhas costas, depois da preocupação passei ao nervosismo uma quantidade de saliva veio em excesso meu pulmão pediam mais ar, sobretudo eu estava feliz. Dulce, não notou nada disso acontecendo comigo por que seguiu falando.
:- Eu, eu não se o que você vai pensar de mim. Afinal, num dia eu amava Christian e no outro falo que estou apaixonada por você. Eu queria me explicar...olha o que eu...
Calei Dulce com um beijo.
Não podia mais me segurar, eu fiz isso durante toda a festa e mais eu me segurei durante minha vida inteira, não podia deixar de aproveitar esse momento.
Aproveitei a situação para me aproximar mais dela, colocando uma mão em seu rosto.
:- Não sei o que você tem que se explicar. – falei ainda com meus lábios colado nos dela. – E tão errado assim gostar de mim? – olhei para ela sorrindo bobo, felicidade era tanta.
:- Claro que não é errado, mas como isso aconteceu. Eu quero que saiba, tudo foi uma ilusão minha, confusão, eu era muito mais obcecada pelo Christian do que outra coisa ele era minha paixão platônica, aquela idealização de menina, e quando ele finalmente cedeu minhas investidas o nosso namoro inteiro, não se comparou ao beijo que demos no camarim. – Ela me olhou e sorriu do estalo que o beijo no queixo que eu dei nela.
:- Podemos repetir o beijo se quiser. – levantei a sobrancelha sugerindo.
:- Sim, mas não agora. – ela riu do que eu sugeria – eu só quero que entenda o meu lado e não pense que não estou sendo sincera, eu realmente estou apaixonada por você e não como um amigo. Não, quero que pense mal de mim...
:- Não, não pense assim. Por que eu não penso isso de você, acredito na sua sinceridade e se te deixa confortável. – Pensei melhor nas palavras para tirar a tensão que ela tinha. – Não existe tempo para os sentimentos, eles simplesmente acontecem ou mudam. – ela abaixou a cabeça envergonhada que eu prontamente levantei com minha mão. – Esperei minha vida inteira para ouvir essas palavras de você, por isso não deve ter medo, – beijei sua bochecha esquerda — não deve ter receio, — beijei a esquerda – menos ainda vergonha – beijei seu queixo.
:- Eu sou uma tola eu sei. Só não sei se te mereço, por que olha. – A interrompi. – Calada, não diga besteiras, eu te quero. – abracei sua cintura – você me quer. – puxei para mais perto de mim. – Nos queremos — abaixei minha cabeça – isso que importa. – sorri antes de beija-la rapidamente.
:- Seus olhos assim, fazia muito tempo que não os via. – ela passou a mão na minha bochecha e parou os dedos em cima da máscara negra que eu usava ainda.
:- Assim como?
:- Evidentes, vibrantes, eu olhando assim de perto não sei onde começa o verde ou termina o castanho.
Eu a olhei também de máscara e sorri mais uma vez, perdi às vezes desde que Dulce me seguiu até aqui, e vi a máscara também destacar os olhos castanhos dela.
:- Os seus também estão diferentes, estão felizes.
:- Eu não usei felicidade para definir os seus, apesar de justamente estarem assim. Iguais aos meus.
Depois de rimos juntos me bateu um desejo repentino.
:- Vem! – Peguei a mão dela e a puxei de volta para a mansão.
:- Para onde está me levando?
Não respondi a pergunta de Dulce e voltamos para dentro da mansão, como suspeitava assim que entramos senti o olhar de Maite nos encarar, era muito sabichona. E olhando para a pista vi todos ali ainda dançando felizes, comemorando o Carnaval. E como agora eu tinha todos, ou melhor, dizendo, o melhor motivo do mundo para comemorar.
Arrastei Dulce para um lugar onde todos nos vissem, os nossos amigos é claro, e ela esperando que fôssemos dançar assim que se viu parada, começou alguns passos, mas parou quando eu fiz o que realmente queria. A beijei.
Logo ela se entregou ao beijo.
:- Não, Christian – escutamos Maite dizer, ela estava tentando ele impedi-lo de fazer algo. Inconsciente ou não, Dulce logo me apertou mais ao ouvi-la.
:- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh!!! – Christian chegou gritando e nos abraçando, interrompendo o beijo no auge. – Finalmente estão juntos, minha nossa senhora. – ele olhou para cima agradecendo alguma santa.
:- Christian! Deixa eles em paz, criatura divina. – Maite logo atrás brigou com ele, me deixando risonho e Dulce confusa.
:- Bambina, tenho credibilidade com eles, são anos e anos juntos. Eu tinha que ser o primeiro a saber que estão juntos, até por que sou quase um terceiro membro desse relacionamento. – ele riu sozinho da própria piada — E até que enfim se rendeu ao príncipe branco e preto, hein anã! – Christian comparou o príncipe azul com Pierrô encarando Dulce que ficou sem graça com a piada.
:- Meu Deus eu não pensava que veria uma cena dessa tão cedo. – Any chegou falando enrolado, estava com um sorriso que não cabia no rosto.
:- Estamos muito felizes por vocês, todos. – Christopher chegou abraçando Any pelo pescoço se apoiando nela, já tinha os olhos vermelhos e fez um vai e vem com a mão para sinalizar todo mundo, eu Dulce, Maite e Christian. Bem bêbado.
:- Comandante, esse humilde soldado te parabeniza pelo êxito da missão. – Christian se virou para Maite batendo continência. – Permissão, para descansar comandante.
:- Concedida, soldado. – ela bateu continência rindo do palhaço do Christian.
:- Do que vocês estão falando? – Dulce olhou para os dois confusa.
:- Da missão, campanha, ajuda comunitária sei lá mais quantos nomes deram a isso, que todos participaram para me ajudar a te conquistar.
:- Que? – ela se assustou — Todo mundo estava envolvido?
:- Os Agentes dessa missão foram recrutados em momentos diferentes, pequenino elemento. – Christian voltou a falar sem deixar de implicar com Dulce, que nem ligou para isso queria saber o que ela tinha perdido. – Primeira, a integrar essa ação, foi a comandante Perroni – ele apontou para Maite – Depois eu, soldado Christian, então vieram o casal bêbado ali. – apontaram para Any e Chris que estavam distraídos rindo de alguma outra coisa, bem no mundo deles. – E outras pessoas também indiretamente participaram.
:- Todo mundo se juntou para me juntar com o Poncho? Por isso estavam todo mundo de segredos.
:- Ora, Ora vejam só quem estão juntos? – Dona Alexandra, mãe de Christopher chegou com sua enorme trança e seu vestido perua. – Meus queridos, felicidades. – ela cumprimentou eu e Dulce. – Agora qual foi o resultado da aposta?
:- A aposta. – Maite deu tapa na cabeça ao se lembrar.
:- Droga! Eu perdi a aposta. – Christopher voltou para a conversa, já se lamentando.
:- Que aposta vocês estão falando? – Dulce voltou a ficar perdida na conversa.
:- Algumas pessoas fizeram uma aposta de quando ficaríamos juntos, amor. – Eu esclareci a ela que ficou abobada antes de perguntar agora curiosa. – Quem ganhou a aposta?
:- Segundo o que eu me lembro, foi... – Maite colocou a mão no queixo tentando se lembrar e riu antes de falar. – Acreditem, se quiser...María.
:- Aquela pestinha ganhou? – Christian riu – Ainda bem que não apostei.
:- Não fala assim da menina, Christian. – Any o repreendeu, voltando a conversa.
:-Quem é María? – Alê perguntou.
:- Minha sobrinha. – Maite respondeu ainda rindo, provavelmente pensando no que a sobrinha faria com o dinheiro que ganhou de todo mundo. Ri imaginando nisso também.
:- Bom, já que eu também perdi, vou voltar a curtir meu baile de máscaras. – Alê se virou rodando sua trança, mas voltou a para falar. – Ah, se tiver outra aposta sobre o casamento deles, por exemplo, me chamem – piscou para gente e saiu rindo.
:- Essa aposta eu vou ganhar então. – Christopher sorriu vitorioso.
:- Que vai ganhar que nada, eu sim, por que dessa vez vou participar. – Christian já cortou o sorriso de vitória do Christopher.
:- Não vão começar com isso vocês dois. – Maite se virou falando com eles, mas encarando apenas o Christian.
No meio da discussão que começava sobre uma nova aposta sobre meu futuro casamento e o de Dulce, a senti puxar minha mão para algum lugar, chegamos no guarda volumes e Dulce pegou sua bolsa tirando algo de lá. E voltou a me puxar, só que dessa vez para saímos do baile.
:- Para onde estamos indo?
Ela não me respondeu e paramos na rua, ela tirou sua máscara e a minha e me mostrou o que tinha nas mãos, três potinhos de tinta para o rosto, um preto, um branco e outro rosa.
:- Cansei desse baile, dessa conversa que eu não estava entendendo nada. Quer vir comigo para o Carnaval bloco de rua? – Me olhou sorrindo e me mostrando as tintas.
Eu abri o potinho com a tinta rosa e com os dedos molhados de tinta pincelei no rosto da Dulce. Fazendo, na verdade, tentando pintar seu rosto como de Colombina. Ela riu da minha tentativa, e pegou o as outras tintas molhando todo meu rosto, no final das contas eu estava com uma aparência meio dark para foliar no Carnaval.
Prontos, com uma aparência estranha afinal estávamos de social e com tinha no rosto, fomos atrás de algum bloco de rua. O que realmente era importante, era que eu estava com meu amor, minha Colombina. Finalmente, poderia ser o seu Pierrot.
Conseguimos alcançar um bloco qualquer e lá estávamos nos divertindo muito.
:- Vou beijar-te agora!! – Dulce riu quando viu que eu estava encarando ela que estava cantando e dançando.
:- O que foi? – ela me perguntou.
:- Nada. – eu ri.
:- Vem me abraça. – ela me puxou mudando de expressão.
:- O que foi? Agora eu que pergunto.
:- Tem uma mulher te encarando maliciosamente. – ela falou olhando sério para algum lugar.
:- Ok, assim está bom? – A puxei bem junto de mim.
:- Ótimo. – ela me abraçou pelo pescoço.
:- Mas, eu só te abracei por que tem um cara te olhando também. – eu ri no seu ouvido.
:- E olha que não estamos tão atraentes assim. – ela passou a mão na tinta derretida do meu rosto.
:- Talvez, não seja comum está de social no Carnaval. – eu olhei para nossas roupas ainda do baile. – Mas, quer ver algo que te lembra algo?
:- Sim.
:- Ali. – apontei para o lugar.
:- Onw! Que gracinhas!
Olhávamos crianças vestidas de Arlequim, Pierrô e Colombina. Eles andavam de mãos dadas e a menina no meio e os garotos ao seu lado.
:- Ah se eles soubessem o quanto isso é perigoso, ainda mais com esse trio.
:- São apenas crianças Poncho.
:- Éramos apenas crianças, Dulce. – falei no mesmo tom que ela. – E olha como estamos hoje.
Ela apenas riu e se virou novamente.
:- Não é por que aconteceu com a gente, que pode acontecer com eles também. E isso não importa agora. – me puxou pelo pescoço — Não me leve a mal, hoje é carnaval. – Ela voltou a cantar e quando ia rir do jeito dela.
Ela me beijou.
...Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval...
♦____________♦
Fale com o autor