Notas iniciais
Christian
:- Eu não posso mais, Arlequim! – ela falou finalmente explodindo, me olhando nos olhos. – Eu sinto a falta dele. – E fez uma cara sentida, arrancando a curiosidade dos pequeninos.
:- Colombina? Como? – eu me esforcei para me concentrar na personagem – Você vai me deixar?
:- Sim, eu preciso. – ela suspirou – eu finalmente encontrei, — ela mudou para uma expressão acusadora – todas, absolutamente todas as cartas de amor que ele me mandou. – e me apontando ela explodiu. – Todas, que você escondeu de mim. Por que?
:- POR AMOR! – eu gritei com Dulce, me segurando para não rir. Isso seria totalmente errado e acabaria com todo o encanto das crianças que estavam vendo nossa peça. – Eu fiz por amor! – eu falei derrotado fingindo nervosismo.
:- Amor? Que amor, Arlequim? Você foi egoísta, me queria só para si. – ela falou decepcionada comigo. – Eu me dei conta agora de que nada do que você me prometeu cumpriu. Nada! A vida de aventuras, viver sem limites, nada. – decepcionada ela ficou olhando para o nada. – Ao ler essas cartas me dei conta do que é o certo, Pierrot é o certo para mim. – me olhando ela saiu com uma pequena mala e saiu de cena me dizendo apenas. – Adeus, Arlequim.
As cortinas do palco improvisado que montamos se fecharam e agora para mudar a cena, a peça estava cada vez chegando para o seu ato final.
:- Colombina? – Poncho falou caracterizado assim como o cenário mudou também e que as cortinas se abriram para a alegria das crianças.
Eu estava de lado do palco vendo tudo sorrindo, não nego que eu peguei essa mania de Poncho, é divertido ver como ele e Dulce se saírem depois de tanto tempo de ensaio e ver as reações do público a cada fala nossa ou a cada gesto, tudo é uma recompensa.
:- Voocê.. Vovoltou? – Gaguejando falou Poncho, sendo o romântico e tímido Pierrot de sempre, ao menos a personagem.
:- Voltei. – Dulce sorriu. – Voltei para você, meu amor! – Poncho andou pelo cenário e tanto fez uma expressão confusa no rosto para as crianças quanto para a Colombina na sua frente. – Eu descobri e li todas suas cartas. – ela falou feliz, largando a mala e indo ao encontro de Pierrot.
:- Sobre as car.. – Poncho começou a falar acanhando, mas Dulce o interrompeu. – Chiu! Não vamos perder tempo com explicações nem nada, já perdemos muito tempo Pierrot, vamos viver nosso amor. Isso que importa! – Dulce a seguia as falas de sua personagem e se aproximou de Poncho tocando em seu rosto, fazendo Pierrot acreditar nas palavras de Colombina.
:- Beija logo ela seu frouxo! – uma menina gritou da plateia, arrancando risos de todo mundo.
:- Bela Donzela?! – Poncho se virou para a menina que agora se encolhia, perante o olhares de todos, estava vestida de alguma fantasia de princesa. – Você está certa, não é? Para que perder tempo, não? – Somente depois que a menina balançou em positivo brevemente, Poncho voltou sua atenção a Dulce.
:- Vamos viver nosso amor, Colombina! Juntos! – ele se aproximou de Dulce e antes de fazer qualquer coisa, olhou para a menina que havia gritado e piscou. E então beijou Dulce.
E as cortinas se fecharam indicando o final da peça.
E as crianças do orfanato vieram à loucura, gritando e aplaudindo. Elas respeitaram o silêncio necessário para se escutar a peça, a sua maneira, claro que certos comentários e reações são impossíveis de se controlar. Escutar seus aplausos agora me encheu de alegria, isso me fortalecia, afinal de contas, estava no caminho certo. Na atuação e apesar de toda a minha vida me demonstrava o lado negro de sua face, eu sabia que tinha o outro lado.
Isso só se firmou com o passar da vida, as pessoas que encontrei, os amigos que se transformaram em minha família, nos bons e nos maus momentos, eu só tenho a agradecer a oportunidade de poder voltar às origens, de poder voltar nesse orfanato onde passei grande parte de minha vida e demonstrar que é possível mudar. Que mesmo que nós órfãos tenhamos sidos abandonados, há sim esperança, sempre há.
Assobio alto!
Quando escutei Maite fazendo sinal para mim. Eu voltei a realidade depois de mergulhar de um mar de lembranças e reflexões, aquele era o momento de todos os atores agradecer. Balancei a cabeça, rindo fui para o palco que ainda estava com as cortinas fechadas, e as crianças ainda estava aplaudindo, os atores já estavam lá; e o que me fez rir foi Dulce e Poncho ainda estavam se beijando.
Quem nos viu e quem nos ver.
:- Corta! – eu falei perto deles que nem se esforçaram em se separar. – CORTA, CORTA!!! – Eu gritei imitando Pedro Damian e eles finalmente se separaram. Confesso que foi hilário a cara dos dois de assustados. – Pensei que tivesse que jogar água gelada nos dois, será possível?!
:- Que susto, Christian, por um momento pensei que fosse Pedro. – Dulce colocou a mão em cima de seu coração.
E dessa vez eu gargalhei por me lembrar das gravações da novela que Pedro tinha uma grande dificuldade em separar Dulce e Poncho quando eles tinham uma cena de beijo, que todo mundo vê que nada de técnico é. Já estávamos gravando há algum tempo, muito intensivo e a cada cena e ensaio que fazemos, até mesmo decorar as falas, percebíamos o quanto televisão é um tanto diferente do teatro.
Por incrível que pareça além de passarmos no teste, fazemos um triângulo amoroso na novela, a primeiro momento Marcela, personagem de Dulce, ficara com Fernando, meu personagem, porém tem a chegada de Juan, na estória que é interpretado o Poncho.
Estamos mais uma vez encenando um triângulo amoroso, a primeiro momento Marcela e Fernando ficaram juntos, por serem os mocinhos. Isso acontece ao menos na ficção por que na vida real Dulce e Poncho estão muito bem obrigada, prova disso foi, eles se esquecerem da peça e ficarem aos beijos.
:- Chega de bla, bla, bla as cortinas estão se reabrindo, está na hora do agradecimento. – Poncho cortou qualquer implicância minha com a Dulce ou sua resposta para minhas provocações.
Nos viramos sorrindo e nos abraçamos para em seguida nos abaixar metade do corpo, reverenciando a nossa plateia mirim.
...
:- Então tivemos que correr para os fundos do restaurante, por que tinha muita gente na porta. – Poncho falou comendo um pedaço de bolo.
:- Verdade, acho que só agora nos damos conta que estamos famosos. – eu comentei tomando um gole do meu refrigerante.
:- Nossa, mas foi essa loucura toda? – Zoraida perguntou encostada numa árvore.
:- E como foi! Agora posso dizer que fui assediado. – fiz uma cara maliciosa.
:- Você se aproveita que Maite saiu, né. – Christopher falou deixando de se distrair com seu violão.
Estamos agora todos reunidos para um piquenique em comemoração a peça que fizemos no orfanato, Santa Virgem de Guadalupe, depois do sucesso entre as crianças da peça Colombina entre Pierrot e Arlequim, Dulce, Poncho e eu nos trocamos e fomos comer junto com todos no jardim imenso do Orfanato. Está aqui era um estado de nostalgia, tenho certeza que não só para mim.
Já era fim de tarde e estamos jogando conversa fora.
:- Ele está se aproveitando de que? – Maite chegou me dando um susto e arrancando risadas de Christopher.
:- Nada, bambina! – falei assustado.
:- Sei. Quem não te conhece que te compre, Christian! – ela me encarou desconfiada sentando na toalha xadrez estendida para o piquenique.
:- O que está acontecendo que você esta calada hein? – Zoraida perguntou para Dulce que realmente estava quieta.
:- Não sei, o que ela está fazendo aqui! – Dulce falou agressiva, olhando para baixo.
E eu, Christopher, Any, Zoraida, Poncho ficamos rígidos pensando que era mais uma implicância de Dulce com Maite. Que estranhamente estava calma, como se não fosse com ela. Se for pensar Maite não rebatia as ignorâncias de Dulce.
:- Eu também estou me perguntando isso. – Maite falou no mesmo nível de agressividade.
O que fez todos ficarem confusos.
:- De quem vocês estão falando? – Christopher formalizou uma dúvida de todos. Por que se não era de Maite, de quem Dulce estava falando?
:- Ali. – Dulce falou, voltando seu olhar raivoso para um ponto oposto de onde todos nós estávamos.
:- Ah, vocês estão falando de Angelique? – Zoraida perguntou olhando para a moça encostada numa mesa de madeira.
:- Não sei o que ela faz aqui. – Dulce falou a encarando, Angelique olhava para onde nós estávamos, com um sorriso no rosto, parecia saber que estávamos falando dela.
:- Ela trabalha aqui. – falou Zoraida o óbvio que todos sabíamos.
:- Ótimo, então por que ela não vai procurar algum trabalho para fazer em vez de ficar secando Poncho dessa forma? – Dulce descarregou seu ciúme ainda raivosa encarando Angelique.
:- Apenas Poncho? Ela praticamente se jogou no colo do Christian quando chegamos no orfanato. – Maite compartilhou do ciúme de Dulce.
:- Eu também reparei nisso. – Dulce olhou rapidamente para Maite – Angelique? Esse anjo... Está mais para diabo. – Maite completou enquanto as duas seguiam encarando Angelique, que não desvia o olhar.
Eu e Poncho não conseguimos falar nada tamanha a surpresa dessa cena que estava acontecendo diante dos nossos olhos. Dulce ter ciúme era algo normal até cotidiano, mas Dulce e Maite juntas e ciumentas no mínimo era algo surreal.
:- Meninas, o problema real desse orfanato não é essa tal de Angelique. – Any comentou como se estivesse apenas às meninas naquele piquenique. – E sim quem está do lado dela, quem é aquele projeto de ruiva de quinta?
:- Do lado da Angelique? – Zoraida até desencostou da árvore para ver melhor. – Ah, é a Karla.
:- Pois então, este tipinho de mulher. Estava se oferecendo para o MEU MARIDO! – Any agora olhava com os olhos semicerrados para o mesmo lugar onde estava Angelique e a Karla ao lado dela, também olhando para onde nós estávamos.
Se Poncho, Christopher e eu não estivéssemos tão estáticos devido às demonstrações de possessividade de nossas garotas, estaríamos rindo e muito desse ataque.
:- Vocês estão com ciúmes? – Zoraida perguntou antes de cair na risada.
E foi acompanhada por nós meninos, realmente a cena era muito engraçada, sequer sabíamos da existência de Angelique e Karla nesse orfanato.
:- Não sei agora do que vocês estão rindo. – Maite falou confusa se esquecendo de encarar Angelique.
:- Também gostaria saber o motivo da graça? – Anahí olhava confusa para Christopher que abraçava o violão rindo.
:- Por que não param de rir? – Dulce perguntou para todos, porém olhando apenas para Poncho que já estava vermelho.
:- Ai, tínhamos que ter filmado isso. – Eu comentei parando um pouco de rir e abraçando Maite que ainda estava confusa.
:- Realmente aí reveria sempre as caras de vocês, tipo bad girls. – Christopher conseguiu parar de rir.
:- Só estamos cuidando do que é nosso. – Dulce voltou a falar e antes de encarar de novo para ver se Angelique ainda olhava, ela voltou a encarar o Poncho e sem deixar ele respirar tranquilo pelo ataque de riso ela deu um beijo nele que só acabou quando ele ficou com falta de ar de novo, ela ficou sorrindo vitoriosa, ao perceber que Angelique viu o beijo.
:- Bom, pelo que eu pude ver tem pessoa mais interessante de se ver nesse orfanato. – Zoraida, indicou a cabeça para o outro lado do jardim. – Como por exemplo, Eugenio Siller, o jardineiro.
Todos nos viramos para ver quem era esse tal jardineiro.
:- Ui, papa. – Maite comentou olhando para o cara e ainda estando no meu abraço, mas que cara de pau.
:- Que nossa senhora de Guadalupe abençoe esse orfanato. – Any falou empolgada, fazendo o sinal da cruz, só parou por que Christopher a repreendeu segurando seus braços e tapando sua visão.
:- E que bênção. Olha o tamanho do braço? – Dulce deixou escapar e de tão concentrada não viu a cara fechada de Poncho, se tinha uma coisa pior que Dulce com ciúmes, era Poncho com ciúmes.
:- Chega!!!! Vamos para com isso, até parece que não estamos aqui. – Christopher comentou incomodado.
:- Isso mesmo, não sei por que esse assanhamento todo. – Tapei a visão da Maite para que não visse mais o jardineiro.
:- Para de olhar para ele Dulce. – Poncho falou sério fingindo uma calma, ele também colocou a mão nos olhos de Dulce.
:- Calma! Meninos. Apenas estamos avaliando o futuro peguete da Zoraida! – Dulce falou rindo, tirando a mão do Poncho dos olhos e abraçando ele pela cintura.
:- Tenho que dizer, agora nós que deveríamos ter filmado essa cena a cara de vocês estão hilárias. – Maite olhou cada um de nós e junto com Dulce e Any começaram a rir brevemente.
:- Ha – Ha! Que engraçado! – fingi rir. – Deixa a gente chegar em casa mulher.
:- Vai fazer o que? Homem. – Maite me respondeu a altura me provocando ao levantar a sobrancelha.
:- Arrasou!! – Anahí nos interrompeu, apenas me limitei a dar um sorriso para Maite que foi retribuído.
:- Essa é minha Tute. – Dulce gritou com as mãos para cima.
:- O que eu perdi? – me virei para onde todos olhavam.
:- Nada, Zoraida foi atrás do jardineiro de meia tigela. – Christopher me respondeu.
Olhávamos todos Zoraida conversando animadamente com o Jardineiro, para o meu alívio e dos meninos também tenho certeza. Pelo menos ela não ficava sozinha.
Pensando que esse seria o melhor momento para o que eu queria fazer, eu fui até a garrafa de vinho que eu guardei e peguei as taças e fui distribuindo a todos.
:- Vinho agora Christian? – Any me perguntou enquanto Poncho me ajudava a colocar vinho para todos.
:- Sim, Any. Vinho para um momento especial. – eu suspirei e apertei Maite que ainda estava nos meus braços, mas que agora estava de lado para me ouvir falar. – Quero que vocês prestem atenção, por que esse é o momento em que o palhaço fala sério e também por que dificilmente eu falaria essas coisas sem alguma piada ou ironia.
:- Ui. Poucas vezes eu te vi assim, Chris. – Dulce deixou de tomar seu vinho para me encarar.
:- Pois é, então diga o que você deseja. – Poncho indicou a cabeça para que eu falasse, enquanto com uma mão segurava a taça e a outra enrolava um cacho do cabelo de Dulce encostada no seu peito.
Eu forcei minha garganta antes de voltar a falar.
:- Esse é o momento de agradecer a todos vocês. – Eu olhei em volta do jardim daquele orfanato onde eu passei minha infância e minha adolescência e por um instante voltei no passado e me vi ali correndo, apesar da dureza que a vida foi comigo eu corria e feliz. – Retorna aqui não é fácil, Zoraida, Dulce e Poncho sabem do que eu estou falando, é como encarar o passado, um passado que muita das vezes foi difícil. Sobretudo hoje o meu maior sonho foi realizado, aqui. Com vocês. – Olhei para eles.
:- Meu sonho era voltar aqui e ter uma história de superação para contar, e eu voltei e contei a essas crianças. Afinal de contas, me transformei num ator e estou atuando numa novela, mas nada disso seria possível se não fosse cada um de vocês, Any por assistir a nossa peça e acreditar no nosso potencial – eu ergui a taça para ela – Christopher por escutar a maluca da esposa e escrever para nossas peças. – Ergui a taça para ele.
:- Não tem que agradecer. – Christopher falou e olhou brevemente para Any antes de darem um selinho e ela ficar quieta por que sabia que se abrisse a boca choraria eu via isso nos olhos dela.
Dei um sorriso para ela, então engoli saliva, antes de pensar no que diria para os três.
:- O casal que acabei de falar me perdoe, mas agradecer a vocês três eu não posso fazer com palavras só que eu vou tentar. — Ergui a taça ao casal — namorados, amigos, irmãos e meus. – Dulce obrigada por me mostrar as minhas qualidades, me valorizar, por me ajudar nos momentos difíceis, e graças a Deus percebemos que não daríamos certos juntos. – Todos riram do que eu disse. – Para você. – ergui a taça para ela. – Poncho, irmão! Obrigado por me aturar todo esse tempo, por não me fazer desistir, por abaixar meu ego quando ele estava muito grande e especialmente por me apresentar essa morena aqui. – beijei o rosto de Maite antes de erguer a taça a Poncho.
:- E por último e mais especial, quero agradecer a você bambina, por me dar uma chance de te conquistar a cada dia, sei que temos uma relação mais verdadeira que muitos casais por aí. – me referi ao nossa relação estranha, de namorados / não namorados – E eu escolho você! – Ergui a taça para ela rindo. Ontem estávamos assistindo Pokémon com María e falei a mesma fala para Maite, escolheria ela para ser minha, por tempo indeterminado.
:- Aproveitando esse espaço de agradecimentos, vou fazer o meu também. – Christopher deixou a taça dele ao lado do violão e tirou da mão a aliança dele. – Eu quero agradecer o dia em que eu recebi esse presente mais simbólico da minha vida. – ele olhou para Any e piscou.
:- Eu então agradeço a Alexandra Uckermann, no dia em que me viu brincando, ou seria brigando não sei ao certo, com seu filho e ela teve a maravilhosa ideia de nos juntarmos. – Any retribuiu a piscadela de Christopher.
:- O meu agradecimento vai a uma amiga que me aconselhou que depois de todo o processo de ganhar a mulher que amo, eu não deveria me esquecer de conquistá-la a cada dia, por que amor só sobrevive se estimulá-lo. – Poncho sorriu ao olhar para Maite, fazendo todos entenderem quem era a amiga conselheira dele.
:- Bem, eu quero agradecer a Colombina, por me ensinar a ser mulher, por se minha referência feminina, por me amadurecer para a vida, tenho Colombina em mim. Como Pierrot está em Poncho e Arlequim em Christian e quero agradecer ao último carnaval que tivemos foi ali que minha vida mudou muito. – Dulce sorriu para Poncho antes de beijá-lo.
:- Estranhamente quero agradecer ao amor de Poncho pela Dulce. – Maite riu se ajeitando nos meus braços – graças a ele eu consegui superar algumas frustrações. – Ela se referiu ao uma antiga paixão dela que ficou mal resolvida, apenas Poncho e eu sabíamos sobre isso. – Ajudar Poncho a conquistar Dulce me fez rever conceitos meus, me mudou, ampliou minha visão fechada. – Me olhou de lado. – Além de tudo foi divertido ver Dulce implicando comigo. – ela riu deixando Dulce sem graça. – Também quero agradecer por esse último carnaval, definitivamente foi o melhor de todos os tempos.
:- Ah e agradecemos também a Tute! – Poncho ergueu de novo sua taça quase vazia. – O que seria da nossa vida sem Zoraida?! – Ele brindou comigo e Dulce.
Nós olhamos para ela que seguia entretida com o Eugenio, quem seria nós para atrapalhar.
:- Um brinde, todos! – Any ergueu a taça e todos nós fizemos um brinde. – A nossa união e amizade!
:- Vocês falando tanto em Carnaval, me lembra uma música, que me passaram faz tempo. – Christopher tomou se vinho todo e entregou para Any, para depois pegar seu violão.
Ele arranhou algumas notas no violão, afinou-o.
:- Vejam se vocês lembram. – Ele sorriu antes de começar a tocar.
Conforme as notas iam saindo do violão íamos sorrindo por que reconhecemos a música.
:- Todo dia um ninguém José acorda já deitado. – Any cantou empolgada. — Todo dia ainda de pé o Zé dorme acordado. – Dulce a acompanhou.
:- Todo dia o dia não quer raiar o sol do dia. Toda trilha é andada com a fé de quem crê no ditado. – Eu e Poncho cantamos juntos.
E contagiados pelo Christopher passamos o resto da tarde de domingo cantando músicas que conhecíamos felicidade e tranquilidade dominavam ali. Eu realmente aproveitei aquele momento assim como todos sabendo que ele seria único. Tudo era como se fosse nossa válvula de escape.
Por que quando o dia acabasse voltaríamos a nossa rotina e já não nos veríamos tão frequentemente. Tirando Dulce, Poncho e eu por conta da novela, não que esteja reclamando longe disso, esse era nosso sonho e estávamos vivendo intensamente ele, mas ficar longe dos nossos amigos e nos privar de momentos como esse era difícil.
Não queria dizer isso em voz alta, eu não sou uma pessoa que fale tão abertamente de sentimentos como Dulce até mesmo Poncho, mas eu sentia uma paz tão intensa. Sentia que finalmente estávamos no caminho certo que toda a confusão que um fazia na vida do outro foi resolvida, e justamente por conta disso me sinto aliviado. Dulce finalmente se deu conta do amor de Poncho, ele finalmente teve coragem de assumir esse sentimento e eu deixei meu egoísmo de lado e diferenciei uma atração de uma paixão, essa era a diferença de Dulce e Maite para mim.
Que o universo conspire, isso foi o que Zoraida, quando ainda éramos crianças falou para mim, antes de partir. Que o universo conspire para que sentimentos, momentos e pessoas melhores apareçam na minha vida. Que Any, Christopher, Zoraida, Maite, Dulce e Poncho permaneçam nela eternamente, não sei o que seria da minha vida sem eles. E se tudo der errado? Não importa eu tenho Dulce e Poncho assim como minha vida inteira tive, assim como eles vão me ter. Nossa ligação é inexplicável, muito difícil entender, somos tão parte um do outro que até sentimentos foram confundidos.
Enfim, que a vida venha e me leve para onde ela quiser, eu quero mesmo é me divertir, me aventurar, me apaixonar e amar intensamente quem eu já amo. Quero viver de brincadeiras e ironias, quero sempre ser o Arlequim para ter Pierrot e Colombina ao meu lado, quero que sempre tenha um carnaval para poder foliar e ser feliz. Eu quero é abraçar o mundo mesmo tendo braços curtos.
...Todo o carnaval tem seu fim. Todo o carnaval tem seu fim, e é o fim. Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz...
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♦ F i m ♣
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