College Boy
2 Capítulo 01
Notas iniciais
Vi-me parada entre as duas placas que indicavam a direção dos dormitórios masculino e feminino. Era – infelizmente – o primeiro dia na faculdade que me colocou presa às garras do sexo oposto.
Suspirei, tomando nas mãos as malas que deveriam pesar o dobro de mim. Encaminhei-me para o lado direito, preparada para que o cheiro dos hormônios masculinos adentrasse minhas narinas e inúmeros pares de olhos me encarassem com curiosidade, como se eu tivesse errado o caminho, não soubesse ler as placas ou fosse simplesmente um travesti, já que não é costumeiro que um par de seios entre na área para homens em pleno início de semestre pós-férias. Principalmente se quem possui este par de seios é dona de longos fios de cabelo pintados de azul claro.
Após poucas trocas de olhares, fui capaz de localizar o quarto setenta e seis, como instruído pela secretária que me meteu nessa roubada.
Assim que coloquei as mãos na maçaneta e empurrei a porta branca do quarto, me deparei com um pequeno espaço preenchido por um beliche com ambas as camas cobertas por um lençol azul, num tom um pouco mais escuro que os meus cabelos, um armário de madeira escura, três janelas revestidas por cortinas brancas, uma escrivaninha e uma porta da mesma madeira do armário que, provavelmente, deve ser para o banheiro.
Coloquei as malas em um canto do quarto e subi para a cama de cima do beliche. Estava prestes a desarrumá-la, se não fosse interrompida pelo som da porta do quarto batendo, indicando que ela foi fechada e eu não estava mais sozinha.
Casper Jenkins.
Eu esperava que meu colega de quarto fosse – na maior das expectativas possíveis – um nerd sem graça, com os óculos maiores que o próprio rosto e provavelmente viciado em games ou qualquer outra coisa que envolvesse tecnologia e seus avanços atuais, mas não era. Jenkins era insanamente obsceno. Ultrapassava todos os limites de beleza que já foram sequer conhecidos por mim.
Linhas muito bem desenhadas, peitoral másculo e provável tanquinho escondido pela camiseta de gola "V" de cor vermelha. Olhos azuis expressivos e que, se encarados por muito tempo, podem chegar a te dar arrepios. Lábios considerados explicitamente beijáveis.
– Você está na minha cama – foi a primeira coisa que ele soltou, num tom ríspido. Piscou seus olhos algumas vezes, esperando uma reação minha.
– E? – perguntei com indiferença. Foi a minha vez de piscar os olhos, enquanto ele cerrava os dele.
– Desça.
A verdade é que eu até desceria se ele pedisse com mais educação. Casper Jenkins é, com certeza, mais bonito de boca fechada.
– Não. Eu cheguei aqui primeiro, a cama é minha – sorri sem mostrar os dentes, de forma sarcástica.
– Você pode ter chego primeiro no quarto, mas não na faculdade.
Casper riu, enquanto eu tentava entender e processar o que aquilo significava.
Ele era mais velho. Deliciosamente mais velho.
– Isso não muda nada, é idiotice – falei, por fim.
– Isso me dá direitos, Lewis.
– Que tipo de direitos? – controlei meu tom de voz, deixando-o mais inocente possível.
– Primeiro, a cama de cima é minha – ele veio até mim e me puxou pelas pernas, pegando-me no colo e colocando-me no chão. Fiquei atônita por alguns segundos, o suficiente para que ele tomasse meu lugar e eu ofegasse com frustração. – Segundo, se você quiser tomar banho ou usar o banheiro ao mesmo tempo que eu, a preferência é minha. Terceiro, nudez explícita ou parcial são totalmente bem-vindas e aceitas. E quarto, pelo menos um dia por semana é a noite dos garotos. Desapareça do nosso quarto nesses dias.
– Noite dos garotos? – forcei-me para não rir. – Você tem ideia do quão gay isso soa?
– Você não acharia gay se presenciasse qualquer uma de nossas conversas – dito isso, um sorriso torto e sedutor apareceu em seus lábios avermelhados.
Calei-me e desviei meus olhos para as minhas malas jogadas no chão. Arrastei-as até o armário e tentei me concentrar em pendurar as roupas nos cabides, deixando alguns para que Casper pudesse pendurar as roupas dele depois.
– O que você está fazendo? – perguntei assim que senti os olhos dele colados em mim.
– Apreciando a vista – soou mais obsceno da boca dele.
– O quê? – questionei-o, sem vontade de obter uma resposta.
– Você.
Encarei-o por poucos segundos antes de voltar a dobrar algumas roupas.
– Você é a única garota que eu conheço com cabelos azuis.
– E você é o único cara que eu conheço que faz festa do pijama.
– É “noite dos garotos”. Não tente afeminar minhas interações sociais.
– Que seja, Casper – relevei. “Noite dos garotos” já era feminino o suficiente, mas ele não precisava saber disso.
– Como você parou aqui? – ele perguntou, fazendo-me parar de prestar atenção nas roupas e sentar-me no chão, encostando minhas costas na porta do armário já fechado – Digo, na área masculina.
– Esqueci-me de pagar a taxa de acomodação no prazo pedido. Só isso.
– O que te levou a esquecer?
Onde Jenkins quer chegar com isso? Francamente.
– Ressaca – respondi, simplesmente.
– Maddie Lewis bebeu o suficiente para ficar de ressaca e esquecer-se dos compromissos do dia seguinte. Quem diria...
– Eu nunca disse que era santa, Casper.
– Só queria me certificar disso – deu de ombros, fitando-me com suas íris azuladas de modo brincalhão. – Sei que alguns garotos ficaram bem surpreendidos ao vê-la atravessando o corredor.
– No entanto, você não me pareceu surpreso – falei sem pensar. Não que me importasse, mas ele aparentou estar totalmente à vontade com minha presença.
– Estou acostumado com peitos.
– Você poderia ter me poupado dessa informação, caso queira saber.
– Não quero que ache que eu seja gay.
– Pode ter certeza que na minha cabeça está bem claro que você não é, de forma alguma, gay – referi-me ao comportamento dele desde a hora que colocou seus pés no chão de madeira de nosso quarto.
– Achei que teria que provar – ele sorriu malicioso.
– Não será preciso, garanto – ri sem vontade, tentando desconsiderar a hipótese de ter os lábios vermelhos dele selados aos meus rosados e, sinceramente, sem graça.
– Não por enquanto, Lewis – ele sorriu torto novamente. Por um minuto, delirei ao tentar adivinhar o sabor da boca de Casper. Ele deve beijar bem. Definitivamente, muito bem.
De todos os caras existentes nessa universidade, logo Jenkins foi selecionado para dividir o mesmo ambiente que eu. A menos que queiram incentivar a reprodução de seres humanos por jovens de dezoito – eu – e dezenove – Casper – anos, deveriam ter repensado nessa decisão.
Eu posso assegurar que não me sentiria devidamente atraída por alguém que só quisesse saber de livros, videogames ou qualquer coisa relacionada.
Entretanto, Casper Jenkins não é obcecado por livros ou videogames. Ele é obcecado por atrair garotas sem qualquer tipo de esforço. E, pode apostar, faz isso muito bem.
Gostaria de perguntar à parte ainda sã do meu cérebro – a que ainda possui um pouco de consciência e bom senso – como eu irei resistir a uma tentação em forma humana e não envolver-me nos músculos dela em questão de segundos.
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