Às vezes me sinto perdida nessa sociedade, anônima em meio a tantos outros sem rosto. Me sinto presa a esse mecanismo asfixiante, que tenta me conter, me subordinar, me diminuir até que eu me encaixe no padrão deformado de sociedade que me apresentam.

Tento fugir, escapar de alguma maneira das garras avassaladoras do tempo. Tempo, tempo, não tenho tempo. Não há mais espaço no meu tempo, não posso me mover fora das linhas pré-traçadas sem que me machuque.

E quando ouso sair, como um grito agudo de dor em meio ao tempo sem tempo de todos aqueles que me cercam, caio. E como o choro de um esquecido, eu apago sem deixar vestígios. Os rastros de minha dor evaporam junto com as lagrimas, e a indiferença maçante da sociedade de pedra mais uma vez me devora, abortando todo e qualquer resquício de uma imaginação latente que pulsava em meu peito.