Colegas de classe

1 Trabalho em dupla


Era o primeiro dia do volta as aulas em Hogwarts, infelizmente começou chuvoso . Como no ano anterior os professores decidiram que era melhor seus alunos interagirem melhor entre eles e tinham que fazer duplas com alunos de outras casas.

Os professores já tinham anunciado com quem fariam par em cada matéria, na qual teriam que ser obrigados a trabalhar junto até o resto do ano letivo .

A masmorra parecia mais fria e úmida do que nunca, mas um cheiro agradavelmente insólito de margaridas, um dos ingredientes usados na aula do terceiro ano, enchia o ar. Só esse detalhe já parecia suficiente para deixar Lílian mais animada. Ou talvez as aulas de Poções por si só tivessem esse efeito.

A garota era excelente aluna, principalmente em Poções e em Feitiços, era ao mesmo tempo inteligente e bonita. Mas, o que a fazia especial e popular, Severo reconhecia, era o fato de ser também muito simpática e cheia de personalidade. Seu talento no preparo das Poções só era comparável à sua vivacidade e petulância.

Mas, todo esse conjunto de qualidades, ao mesmo tempo em que encantava o professor Slughorn, representava um verdadeiro pesadelo na vida de Severo Snape. Ele faria par com uma garota Grifinória, popular e sangue-ruim...

O professor de Poções, maravilhado com o talento especial de Lílian Evans no preparo de Poções, tinha tido a fantástica idéia de formar um par com seus dois melhores alunos: Severo Snape e Lílian Evans.

Severo já estava acostumado a ser um garoto solitário. Não, na verdade, ele até mesmo gostava de ser solitário. Desde muito antes de Hogwarts. Feioso, desengonçado, ele sabia que não era uma combinação atraente. Ele era orgulhoso demais, o seu senso de humor era cáustico e crítico demais. Poucas pessoas se davam ao trabalho de tentar se aproximar. E ele não tinha a menor interesse em estimular esse tipo de aproximação. Assim, não era surpresa nenhuma que em Hogwarts o seu isolamento continuasse o mesmo. E ele estava muito bem assim. Por isso, quando Lílian Evans mudou-se para o caldeirão ao lado do seu, abriu um sorriso e se apresentou oficialmente, ele respondeu fazendo uma careta de desagrado e resmungando alguma coisa ininteligível.

Mas a garota não se deixava intimidar facilmente:

– Ah, supere essa má-vontade, tenha dó! – ela retrucou, levantando a sobrancelha. Depois completou, com ironia – Oh, Merlin, parece que o nobre sonserino vai ter que trabalhar com uma trouxa da Grifinória, que horror! E o que é pior: ela é alguém com um cérebro funcionante! Onde é que o mundo vai parar desse jeito?

E, para surpresa total de Severo, não conseguiu segurar uma risadinha , mas voltou sua atenção novamente para a aula. Depois, os dois não chegaram a trocar mais nenhuma palavra por um bom tempo. Continuaram sendo dois estranhos um para o outro fora das Aulas de Poções .

Mas Lílian Evans parecia decidida a mudar isso. Agora no sexto ano , ainda por cima, parecia determinada a fazer amizade com ele. E a garota não era do tipo que desiste fácil de um objetivo. Ele estava fazendo todo o possível para afastá-la. Por Merlin, como estava tentando! Bom, mas Lílian era mesmo diferente. Ela parecia ser impermeável à rejeição.

Naquela primeira manhã, Lílian esperou que Severo se acomodasse primeiro, para se sentar no seu lugar ao lado dele em seguida.

– Hmm... – ela cutucou-o sorridente. – Parece que você se esqueceu que nós vamos trabalhar juntos?

Severo desviou o olhar, parecendo absolutamente entretido na lista de ingredientes da poção do dia.

– Infelizmente não.- disse ele secamente

– Uau!... Parece que alguém acordou do lado errado da cama hoje, hein?- disse ela com um sorrisinho debochado .

– Eu só não aprecio a imposição de fazer parceria com Grifinórios. Acho que todos têm uma espécie de "complexo de herói", é meio exaustivo... e inútil na maioria dos casos.

– Complexo de herói? Ah, essa eu vou precisar que você explique melhor...

– Por que você está fazendo isso?

– Isso o quê, homem? Eu não estou fazendo nada... Eu acabei de me sentar.

– Puxando conversa comigo, dando esses sorrisos...

– Hmmm... Deixe-me pensar... Será que é porque eu sou educada? Ou, quem sabe... Porque somos parceiros na Aula de Poções, que, por acaso, é onde estamos agora?

– Não! – ele balançou a cabeça numa negativa meio frenética e começou a falar, com uma frieza calculada. — Você, como boa grifinória, vive a ilusão de que pode consertar tudo o que não está perfeito no mundo. Está à procura de uma boa causa, um ato heroico, um novo caso de caridade. Por isso decidiu fazer amizade comigo. Eu não sou bonito, não sou simpático, não tenho jeito para esporte algum. Não sou charmoso, nem popular. Não sou agradável, nem mesmo com você. Você acha que eu sou aquilo que você estava procurando... alguém para salvar, como boa heroína. Você, provavelmente, acha que sou um pobre garoto solitário e está decidida a mudar isso. Espera se tornar minha amiga, ser compreensiva, simpática e, quem sabe, me salvar de uma vida patética e deprimente... Pois saiba que eu não estou aqui com a finalidade de fazer amigos ou ser popular. Não estou interessado em jogar conversa fora, em ser agradável. E muito menos eu tenho curiosidade em saber qualquer coisa a seu respeito. Estou muito satisfeito do jeito que sou e ficaria feliz se você se mantivesse concentrada na aula, que é tudo o que me interessa no momento!

– UAU! Ufa... Sabe que, pra alguém decidido a não conversar, você já falou um bocado?- disse sorrindo.

Severo abriu o livro de Poções, ignorando o comentário com uma careta mal-humorada. Lílian parecia estar fazendo uma enorme força para reprimir uma risada, mas não disse mais nada. O Professor Slughorn dava algumas instruções básicas sobre o tema da aula, antes que os alunos começassem a preparar suas poções. A nota da aula ia ser dada para o trabalho da dupla, ao invés da avaliação individual comemora o normal. Era uma poção excepcionalmente difícil e trabalhosa, a classe toda ficou agitada.

– Escute bem, Evans... – Severo achou melhor esclarecer as coisas antes de começarem. – Eu pretendo tirar muito mais do que só "aceitável" nessa matéria. Quero tirar a melhor nota...

– Eu tenho certeza de que isso não vai ser problema.- Lílian respondeu distraída, escolhendo os primeiros ingredientes.

– Acho que você não está entendendo... Eu não estou tão... hã... confiante... quanto você a respeito dessa coisa de trabalho em dupla.

– OK… O que você propõe que a gente faça, então? –Lílian perguntou, de um jeito muito polido, tentando criar um clima cordial, tentando disfarçar, mas sua voz denunciava que estava claramente ofendida

– Eu faço todo o trabalho, você observa e assina seu nome na etiqueta da Poção terminada. Pode colocar o seu nome antes do meu, se quiser. – ele falava sem encará-la, com um tom de desprezo e autoconfiança inconfundível.

‘’Mas oque ele acha que os Grifinórios são ? Trasgos exibidos que não querem nada a não ser fama? ’’ pensou Lily.

– Ah, eu sinto muito... As coisas não funcionam assim comigo. Ao contrário dos idiotas sem cérebro com quem você está acostumado, eu prefiro realmente participar e aprender nos projetos dos quais participo. Eu faço por merecer as notas que tiro. E nem vou me importar com a ordem dos nomes na etiqueta...- respondeu calmamente, porém ainda um pouco ofendida.

Ela percebeu que ele fervia de indignação, terminando por quebrar a pena de tanto pressioná-la contra suas anotações. Mas quando voltou a falar, sua voz era suave e sem emoção.

–Infelizmente, eu acho que não posso concordar.