Colegas de classe

2 Uma provalvel amizade ?


Ela percebeu que ele fervia de indignação, terminando por quebrar a pena de tanto pressioná-la contra suas anotações. Mas quando voltou a falar, sua voz era suave e sem emoção.

–Infelizmente, eu acho que não posso concordar.

–Infelizmente, isso é problema SEU, não é mesmo? – Lílian retrucou, num tom de voz ainda mais calma, mas com um estranho brilho no olhar pois estava começando a achar a atitude do rapaz divertida.

Fez-se um silêncio constrangedor entre eles. Lílian, então, abriu um sorriso e disse:

– Olha, vamos fazer um acordo. Um tratado de paz. Vamos tentar trabalhar juntos hoje. Se você achar que a minha colaboração está abaixo dos seus padrões de qualidade- Disse com um risinho- eu aceito a sua proposta inicial. E prometo nem tentar puxar conversa com você até o final do sétimo ano...

O tom era obviamente irônico, mas o sorriso amistoso dava um toque de brincadeira à sua fala.

Severo hesitou um pouco mas por fim disse:

– Aceito.

Lílian revirou os olhos. O garoto era mesmo uma figura, de uma arrogância impressionante. Mas o que ela mais gostava era exatamente isso: aceitar um desafio, provar sua competência. Juntaram os materiais e começaram a trabalhar num único caldeirão.

Eles agora estavam tão próximos que ele podia sentir o perfume suave dela, enquanto inspecionava a mistura começando a ferver. Era suave, doce. Ela provavelmente já nascera com esse cheiro, ele se pegou especulando.

Lílian Evans.

Ele conferia todos os movimentos dela, descontraídos e precisos, com o canto do olho. Aos poucos, ia notando alguns detalhes. A maneira como ela assoprava as mechas rebeldes e ruivas que teimavam em cair sobre os seus olhos, enquanto media a quantidade correta de cogumelos. O modo como depois mordia de leve o lábio inferior ao adicionar os tais cogumelos, cuidadosamente, à mistura borbulhante.Ele também percebeu que ela era inteligente, parecia realmente saber oque fazer, mesmo nos momentos que deixava o livro de lado para adicionar alguns ingredientes na poção.

Ele notou o quanto ela era bonita.

Ele se surpreendeu ao perceber o quanto ela talentosa.

– Faltam só dez minutos para o final da aula! – Slughorn exclamou para a classe. – Vou começar a inspeção...

O professor parou diante do caldeirão dos dois. Observou a cor e a consistência do resultado. Inclinou-se um pouco para frente, aspirando ao aroma delicado da poção já pronta. E então, abriu um enorme sorriso de aprovação, dizendo:

– Perfeito! Esplêndido! Ótimo trabalho! Dez pontos para Grifinória e dez para Sonserina pelo trabalho dos dois!

Lílian sorriu, exultante com o comentário. Em seguida, virou-se para o seu parceiro, que parecia se recusar a encará-la.

– E então? – ela exigia uma reação dele, com uma das mãos na cintura.

– Eu suponho que você esteja esperando uma medalha? – Severo retrucou com a ironia habitual, esperando irritá-la.

Mas Lílian deu uma gostosa gargalhada.

– Pode ser... Mas só depois que você se desculpar...

– Acho melhor você procurar uma cadeira bem confortável para esperar por isso...

Ela continuava rindo quando ele lhe virou as costas ostensivamente, fingindo guardar suas coisas. Porén ela persistiu.

–Então oque você acha ?

Severo parou, sem se mexer, de costas para ela.

–O que você espera, Evans? Algum tipo de elogio? De mim? Por ter feito a sua obrigação?

Não. – a voz era séria agora, mas parecia tranquila. – Aceite o fato de que você tem uma ótima parceira. E, a partir de agora, pode me chamar de Lílian ou Lily... Severo.

E saiu daquele seu jeito intempestivo de sempre, deixando Severo sem fala.

As semanas foram passando, e a situação entre os dois se mantinha mais ou menos na mesma. Lílian nunca se alterava com as contínuas demonstrações de indiferença e desprezo, ou reagia mal às inúmeras farpas que Severo lhe dirigia. Não! Ela parecia achar tudo aquilo uma grande piada. Ela ria das suas provocações, ignorava demonstrações óbvias de pouco-caso, e, ainda por cima, sempre o superava na aula.

Às vezes, fazia alguma pergunta para ele, pedia uma opinião a respeito da aula. Com freqüência, deixava escapar comentários mordazes e divertidos sobre alguma coisa. Em voz baixa, de modo que só ele escutasse.

Severo queria muito detestá-la. Em primeiro lugar, porque ela era sangue-ruim, era filha de trouxas. E ele odiava trouxas. Eles representavam a própria causa dos seus problemas: o seu pai abusivo, a família do pai, que tratava sua mãe e ele como duas aberrações.

Além disso, pelo pecado imperdoável de ser da Grifinória. A Grifinória era a Casa dos metidos, arrogantes. Dos bonitões, dos atletas, aqueles que se achavam melhores do que todo o mundo e andavam por aí rindo, aprontando e se dando bem. Sempre. Ele odiava a Grifinória, especialmente aquele grupinho asqueroso formado por Tiago, Sirius, Remo, Pedro.

Mas estava ficando cada vez mais difícil não gostar dela. Ela continuava tratando-o bem. E era divertida. Espirituosa. Inteligente. Bonita. Enfim…

Alguns meses se passaram, sem maiores novidades. De repente já estavam no inverno. Os dias cada vez mais frios faziam com que descer às masmorras para a Aula parecesse quase com a sensação de um encontro com Dementadores. Mas o professor Slughorn parecia decidido a animar a turma, quebrando o clima gelado.

– Vamos, vamos, turma! Está na hora de começarmos a trabalhar. Abram na página dez do livro de vocês. Hoje vamos preparar a Poção Restauradora. Alguém sabe para que serve essa poção?

– Para curar gripes e resfriados, professor... E também para fazer sair fumaça pelas orelhas... Por horas! – Lílian respondeu, levantando a mão enquanto falava, com um sorriso atrevido, antes que qualquer aluno pudesse ter tempo de pensar.

Slughorn deu uma gostosa gargalhada.

– Ah, Lílian, Lílian... Espirituosa como sempre! Mas também absolutamente certa! Dez pontos para a Grifinória pela resposta... Bem, eu sei que essa é uma poção um pouco complexa para o segundo ano... Não espero que ninguém faça uma poção perfeita... mas vocês já têm conhecimento suficiente para fazer uma tentativa válida. Vamos pelo menos tentar...podem começar !- disse o professor, como sempre sorridente .

Hmpf! Severo sentia a fumaça já saindo das suas orelhas sem necessidade de poção nenhuma. Ah, fique quieta, sua sabichona! Rápida feito um raio...

Sem demonstrar nenhuma emoção, ele discretamente observava o trabalho da parceira. Toda sorridente e distraída, ela escolhia com cuidado os ingredientes da poção, separando-os cuidadosamente : hortelã-pimenta, raiz de urtiga seca, essência de beladona, raiz de gengibre... milefólio... milefólio? Por que raios milefólio? Isso não está no livro...

Snape anotou mentalmente a adição do milefólio, mas continuou seguindo as instruções do livro, de maneira precisa.

Como era de se esperar, ao final da aula, só os dois tinham conseguido acabar a poção corretamente. Lílian virou-se para Severo, dando uma piscadinha marota.

Quase no mesmo instante, o caldeirão de Tiago Potter explodiu ruidosamente, soltando uma nuvem de fumaça colorida e brilhante. Em questão de segundos, através da fumaça, surgiram dezenas de dragões formados por faíscas vermelhas e douradas. As figuras ficaram voando para cima e para baixo pela masmorra e produzindo pequenas explosões que pareciam espirros, lançando labaredas pelo caminho. A turma ficou boquiaberta com a façanha, para em seguida cair na gargalhada. Até mesmo Slughorn parecia ter achado engraçado, e tentava sufocar uma risadinha.

Passada a confusão, o professor veio inspecionar o resultado dos seus alunos prediletos.

–Muito bem, Severo! Um resultado perfeito. – Slughorn acenou em aprovação, seguindo para conferir o trabalho de Lílian.

Então, uma expressão de puro prazer e encantamento tomou conta do seu rosto.

– Mas que idéia criativa, Lílian! Essa poção parece absolutamente maravilhosa!- exclamou Slughorn batendo palmas. — Hmmm... você acrescentou um galhinho de milefólio, não foi? Inventivo, heterodoxo… aumenta o poder descongestionante, tira a coceira do nariz... Ah, de onde você tira essas idéias geniais, menina? E pensar que sua família é trouxa…

Perturbado, Severo rapidamente fez uma anotação, com sua caligrafia apertada, na margem do seu livro de poções: "acrescentar um galhinho de milefólio na mistura antes de ferver."

Lílian sorriu mais uma vez, e sussurrou, de uma maneira que só Severo podia ouvir:

– Foi... uma espécie de palpite de sorte. O milefólio costuma esquentar o rosto e descongestionar o nariz, numa poção para entontecer, não é?

Com essa, ele ficou realmente surpreso e impressionado com a garota. Sem perceber, mesmo que ainda com muita má-vontade, ele começava a admirá-la de verdade.

O ano foi passando normalmente a relação de Lílian com severo havia mudado bastante desde o ocorrido do milefólio.

Lílian ainda falava com Severo normalmente, sempre sorrindo. Já Severo , sempre aguardava as aulas de poções com entusiasmos ,também já se pegou olhando para a mesa da Grifinória tentando encontra-la .Começou a querer saber mais sobre ela, afinal ele nunca tinha conversado muito com ninguém, seria a provalvel chance de um amizade ?

Essa era uma duvida que dominava Severo.Na verdade perturbava.

Notas finais
Agora o ultimo capitulo, quis fazer pequeno pra n fikar intediante. Mas posto mais se vcs quiserem