Colecionadora de Universos
1 Alguém, ninguém
Sou um saco de ossos, sangue e dor
Um infinito aprisionado,
Um grito silenciado.
Leve-me para casa, não estou bem
Vejo ao meu lado um inexistente alguém
Que me faz feliz
Mas com a realidade, não condiz.
Preste atenção
Mantenha-se atento
Cuidado com ele.
Cruel, o vento.
Não posso vê-lo
Não posso toca-lo
Mas sua voz não para de me dizer:
Corra, corra! Eles vão alcançar você.
Os ossos tornam-se porosos
O sangue esquenta e borbulha
A dor aos poucos se esvai.
Ele sorri e se vai.
Coloco um casaco,
Piso em um caco.
Leve-me para casa
Não é só meu pé que está machucado.
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