Lembro-me de ter desmaiado

De repente, tudo apagado

Bem que ele disse para tomar cuidado.

O perigo é atraente

O desconhecido atrai,

O desconhecido distrai

E pela manhã a dor de cabeça

Ele me corrói.

Ele é o desconhecido.

Uma aspirina, por favor,

Se possível também um cobertor.

A fumaça de seu cigarro me sufoca,

Seu olhar me provoca

Tenho até de me segurar

Ele é um demônio e tudo o que quero

É nele tocar.

Aqueles profundos olhos convidam-me a pecar

Sou capaz de um prédio me jogar.

Ele é mau, ruim

Mas nunca disse que sou boa

Nossos corpos se mesclam,

Me pega e voa.

Foi como um sopro de liberdade

É mais que amizade

É ambiguidade.

Teu gosto permanece em minha boca,

Teu cheiro em minha roupa.

Quero tua voz rouca

Sussurrando que me quer.

Agora o frio abraça

Onde antes tu tocavas

Aos poucos viro fumaça

E desmancho, derreto.

É discreto, não secreto.

Não preciso de LSD para dropar

Teu sorriso já me faz viajar.