Notas iniciais
Gente UAHSUAUSHAUSH acho que viu passar os dias dos capítulos pra todas as sextas (ACHO) pq já to quase de férias, então vou ter muito tempo pra escrever. Enfim... Enjoy

QUARTA-FEIRA

HESTER

Hester gritou.

Sua amiga estava caída em sua porta, ensanguentada.

Morta.

Maggie chorava ao lado do corpo, toda suja de sangue.

Hester estava em choque. Eram três da manhã e ela tinha voltado da festa, porque teria que acordar cedo o dia seguinte.

O corpo parecia estar ali há algumas horas. Moscas voavam em cima delas. Ela sentiu o celular vibrar em sua mão e viu que tinha uma mensagem de Chanel #2.

– O quê? – pensou em voz alta.

Aquilo não era possível. Chanel #2 estava morta, não mandando mensagens. Correu os olhos pelas palavras da mensagem e notou que era uma mensagem da própria amiga, dizendo que ia dormir em seu chalé naquela noite, porque estava assustada com algo que aconteceu no chalé dela.

A mensagem estava marcada como recebida às 23h44.

Hester se xingou mentalmente. Ela era uma péssima amiga. Agora não teria como se redimir, pois sua melhor amiga estava morta.

A garota foi até o bebê e a pegou no colo, como vira a amiga fazer tantas vezes. Pegou também a bolsa que continha as coisas dela, que estava jogada ao lado de Chanel #2. Abriu a porta do chalé e colocou-a na cama, sentada.

Pegou a mamadeira da bolsa.

Foi até a geladeira, pegando uma embalagem de Nescau, colocando-o dentro da mamadeira. Entregou-a para Maggie.

– Fica aí que eu já volto. É rapidinho. Prometo.

Hester voltou para fora do chalé, para ver o corpo de sua amiga. Teve uma surpresa quando encontrou Chanel ao lado dele.

– Chanel?

A loira olhou pra ela.

– Você a matou! Você é uma psicopata! – ela gritou.

– Shhhhhh! Não queremos acordar a vizinhança.

– São três horas da manhã e o acampamento inteiro está na festa de boas vindas!

Hester concordou.

– Eu sei. Olha, eu não a matei. Ela estava assim quando eu cheguei.

– E você não pirou nem ligou para a polícia? Estranho, senhorita Hester Ulrich.

A morena olhou bem nos fundos dos olhos da amiga.

– Eu não a matei! Por que eu faria isso? Ela é... era... minha melhor amiga.

Chanel pareceu considerar a resposta.

– Ainda é difícil de acreditar.

Houve um minuto de silêncio.

– O que você vai fazer com o corpo?
– E-eu não sei. – disse ela, quase chorando. – Isso tudo está começando novamente, não está?

Chanel permaneceu fria.

– Isso tudo o que?
– Tudo o que aconteceu na KKT, no hotel... Essas ondas de massacres!

– Não. Ninguém tem provas de que ela foi assassinada.

Hester olhou para ela e gargalhou.

– Você está falando sério? Tem sangue nas roupas dela...

– Pode ser a menstruação.

– E tem marcas de facadas por todo o corpo dela!

– Ela pode ter escorregado e se ferido na cozinha.

Hester fechou os olhos, tentando manter a calma.

– Chanel...

– Sim?

– Você é muito burra! – ela gritou.

Chanel se levantou.

– Cala a boca, projeto de Lea Michele do Paraguai.

Hester apenas revirou os olhos.

– Agora, se me dá licença, tenho que cuidar da Maggie, já que nossa amiga foi morta!

– E você não vai comunicar o Mr. Joseph sobre o que aconteceu?

– Não.

Ela entrou no chalé e bateu a porta, trancando-a em seguida.

– Pode deixar que eu vou. Não precisa se preocupar. – ela revirou os olhos.

Chanel olhou para o corpo de Chanel #2 no chão. Esfregou seus saltos sujos de terra nas roupas dela.

– Odeio essa lama.

E saiu, indo em direção à casa do Mr. Joseph.

***

HELENA

Depois de dois anos e meio, Helena finalmente esticou as pernas. Era a melhor sensação do mundo.

Tudo bem, tudo bem. Nem tanto.

Mas, quando você passa dois anos e meio aprisionada em um cordão de concha, esticar as pernas era um milagre. Ela ainda não estava pronta para sair, mas foi jogada fora, quando sua antiga “dona”, Chanel #2 morreu.

A magia que a prendia no cordão se rompera, jogando-a para fora. Helena estava tão surpresa com a situação, que deixou o corpo da garota caído no chão, fugindo para a floresta, onde se encontrava agora.

Sentou-se em uma pedra, alisando o vestido branco que usava.

Não trocava de roupa havia quase três anos e mesmo assim ainda estava cheirando a rosas.

Helena era simplesmente incrível.

Ela não sabia onde estava, porque não dava pra ver muita coisa da concha. Apenas sabia que era um acampamento, no meio do nada. Não sabia em que país ou estado se encontrava.

Não conhecia ninguém naquele acampamento. Provavelmente as pessoas estranhariam ela ter aparecido do nada, mas ela não estava nem aí.

Começou a analisar suas unhas, que estavam pintadas de vermelho. Pensou em sua irmã, socialmente chamada de Gigi. Era a única coisa que se lembrava dela. Por incrível que pareça, ela tinha se lançado um feitiço para que se esquecesse da irmã e não precisasse sofrer por sua morte...

... Afinal, sua irmã era uma serial killer.

Deixou de olhar para suas unhas e passou as mãos pelos cabelos. Ela se sentia uma nova mulher. Ainda tinha seus poderes, ainda queria vingança pelo o que aconteceu com seus pais. Mas, aquilo poderia ser deixado para trás.

Queria mudar sua vida.

Ela seria uma nova mulher, depois de dois anos e meio.

Esse era seu renascimento.

***

ARIANE

Ariane não se socializava muito.

Preferia ficar no quarto, brincando com sua coleção de colheres. Ela era fascinada por colheres.

Ela tinha uma amiga, chamada Jhenifer, que era fascinada por velas. Mas, infelizmente, ela acabou sendo assassinada por uma Peppa Pig loira oxigenada na universidade em que ela estudava.

A garota estava alisando uma colher de prata, quando bateram à sua porta. Ela se assustou. Ninguém nunca bateu em sua porta, em dois anos que ela morava ali.

Levantou-se da cama e foi até a porta, respirando apressadamente. Ela era muito tímida. Não gostava de visitas. Era um sacrifício para ela ir tomar café da manhã ou então fazer qualquer refeição no refeitório.

Girou a maçaneta.

Abriu a porta.

E deu de cara com Mr. Joseph, o dono do acampamento, que nunca era visto. Ele estava acompanhado de dois policiais.

– Senhorita Ariane? — ele perguntou.

– Sim... – ela respondeu apressadamente. – O quê o senhor faz aqui?

Ele ajeitou o paletó que usava, mexendo nas mangas dos pulsos.

– Isso pode ser um pouco complicado, mas... Uma garota foi morta a dois chalés do seu. Durante esta madrugada, enquanto todos os moradores estavam na festa de boas-vindas. A senhorita viu alguma coisa?

Ariane se assustou. Então uma garota foi morta na noite passada. Aquilo era novidade para ela.

– Não. Não vi nada, senhor.

Os dois policiais se entreolharam.

– Podemos revistar suas coisas? – perguntou o mais baixo, com cabelos loiros. – Só por precaução.

– Sim, claro.

E ela deu passagem para os dois, enquanto Mr. Joseph ficou parado na porta e ela encarava os policiais.

Estavam vasculhando suas coleções de colheres, mexendo nas mais raras. Aquilo estava irritando Ariane.

Tudo parecia tranquilo, quando o policial baixinho anunciou algo.

– Encontrei!

Os três que estavam no quarto além do policial viraram a cabeça para ver o que era.

O policial baixinho, que Ariane leu Boybson em seu crachá, levantava uma máscara de um demônio vermelho.

– O quê é isso? – perguntou a dona do quarto.

Mr. Joseph respondeu:

– Você não sabe?

Ariane fez que não com a cabeça.

– É a máscara do assassino. Foi você quem matou a garota na noite passada?
Ariane estava assustada. Ela não tinha matado ninguém.

– Não! Eu juro! Nunca tinha falado com ela! Não teria razão para matá-la!

Mr. Joseph pareceu considerar os argumentos de Ariane por um segundo.

– Entendo...- uma pausa. — Levem-na para a minha sala. Verei o que vou fazer com essa delinquente.