Cold Hell (RKKT - Season 3)
2 Hell begins
Notas iniciais
TERÇA-FEIRA
ANNE
– Não, eu não aceito isso! — Riu a garota. — Não vou entrar no lago pelada! Jake, para de ser tão tarado! Ninguém vai te querer assim.
Todos os amigos que estavam em volta da fogueira riram. Era final de tarde e as pessoas já começavam a se aprontar para a festa de boas vindas que sempre ocorria no primeiro dia de verão.
Anne, Jake, Demetria e Hester estavam sentados em volta da fogueira, jogando verdade ou consequência.
– Ah vai sim! É verão, e está calor... — respondeu Jake. — Por favor!
Hester olhou para o amigo.
– Deixa de ser mentiroso! Todas nós sabemos que você só quer vê-la nua.
Ela revirou os olhos e cruzou os braços. — Talvez. — respondeu ele.
– Sua vez, Demetria. — disse Anne. Demetria, que estava digitando algo em seu celular, olhou para eles, assustada.
– O que? — disse.
– É sua vez. — respondeu Hester.
A garota pareceu entender.
– Ah...
Ela girou a garrafa, que caiu virada para ela mesma.
– O que isso significa? — perguntou.
Jake respondeu:
– Significa que nós escolhemos a sua consequência.
– Mas e se eu quiser verdade?
– Você não tem opção.
A garota revirou os olhos.
– Que seja.
Os amigos pareceram pensar. Pelo menos Hester e Anne. Jake olhava para Demetria com um olhar malicioso.
– Você. Eu. Lago. Agora. Sem roupas.
As três se assustaram.
– JAKE! — esbravejou Anne, prendendo seu cabelo castanho em um rabo de cavalo.
Demetria engoliu em seco e ajeitou seu casaco por cima de sua regata rosa.
– Não vou fazer isso. Você é um idiota que só pensa em sexo.
Jake se levantou também.
– Que seja. Vamos? — ele estendeu o braço para ela.
– Já disse que não vou fazer isso. O garoto olhou para ela com raiva.
– Que seja.
Virou as costas e foi para a floresta, acendendo um cigarro.
– É permitido fumar aqui? — sussurrou Hester para Anne.
– Acho que não. — a garota respondeu. — Demetria, me desculpa. Meu irmão é um idiota.
Demetria sorriu, mas sorriso forçado.
– Tudo bem. O que vocês acham de pegarmos alguns marshmellows antes de todos chegarem? — Ela disse, se levantando.
– Eu topo! — gritou Hester, se levantando com pressa. Anne riu.
– Eu vou também então.
***
MAX
Max se serviu de mais cerveja.
Ele adorava aquelas festas de acampamento. Principalmente quando tinha bebidas alcoólicas.
Estava conversando com Finn e Alec, seus melhores amigos.
– Não. Não consegui transar com nenhuma garota ainda esse ano. — admitiu Finn.
Alec e Max riram.
– E vocês, seus bundões? — perguntou Finn.
– Cinco! — vangloriou-se Max.
– Sete. — disse Alec com orgulho.
– Ser filho de um pai rico deve ajudar. — desafiou Max.
– Com certeza. — admitiu Alec.
A festa de boas-vindas estava bombando. Estavam quase todos lá. Infelizmente, Max não sabia o nome de quase ninguém, porque era muita gente para se gravar nomes.
Os três garotos estavam bebendo e bebendo.
Para toda garota que passava, eles assobiavam e a cantavam.
As garotas os chamavam de idiotas e reviravam os olhos, indo embora.
Max avistou uma menina bonita do outro lado da fogueira. Era loira e usava casacos de pele, mesmo no verão. Parecia ser rica e difícil.
Ele adorava as ricas e difíceis.
Deixou os amigos de lado e foi falar com ela.
– Oi, gata
A garota se virou para ele, com ódio no olhar.
– O que te faz pensar que você pode falar assim comigo?
Max levou um susto.
Seus amigos riam, de longe.
– Ahn... Nada. Talvez.. Er... Eu gostei de você.
Ela riu.
– Eu sou Chanel Oberlin! Última na linhagem dos Oberlin. Eu não me meto com gente da sua laia.
Ele olhou incrédulo para ela.
– O-Oberlin?
– Sim.
Ela pegou um copo de refrigerante da mesa, que estava atrás deles.
– Sempre ouvi falar de vocês...
– Tá tá... Não to afim de ouvir você babar o ovo da minha família. Sim, nós somos incríveis e ricos. Então, poupe sua saliva.
– Eu ia perguntar o que você está fazendo nesse acampamento.
Chanel engoliu em seco.
– Minhas amigas me arrastaram para cá. — ela revirou os olhos. — Afinal, cadê elas?
Max olhava para Chanel, com admiração.
– Você é muito bonita.
– Eu sei. E já disse que não me envolvo com gente como você.
Meia hora depois, estavam se agarrando na parede de trás do banheiro.
***
CHANEL #2
Era difícil criar uma filha. Principalmente quando você é mãe viúva antes dos trinta. Era essa a realidade que Chanel #2 vivia no momento.
Ela tinha acabado de colocar Maggie, sua filha, para dormir, quando ouviu uma batida na porta.
Assustou-se, porque era tarde da noite e todos deveriam estar na festa de boas vindas. Onde ela não iria, porque tinha que cuidar de Maggie.
Foi até a porta, olhando pelo olho mágico. Não viu nada.
– Deve ter sido só o vento. — pensou em voz alta.
Voltou para sua cama, dando uma última olhada em sua filha, que dormia como um anjo, antes de se deitar em sua cama. Apagou as luzes, apertando o interruptor que ficava ao lado da cama. Fechou os olhos.
Sentiu uma brisa gelada percorrer-lhe os braços. Estava vindo da janela. Mas ela não tinha aberto a janela.
Ouviu Maggie chorar.
Abriu os olhos rapidamente, sentando-se na cama e ligando as luzes. Olhou para o berço da bebê e a viu, chorando e olhando para a janela aberta.
Chanel #2 foi até a janela e a fechou. Depois, pegou Maggie no colo e começou a niná-la.
– Está tudo bem. Não foi nada.
A bebê parou de chorar e dormiu novamente. Ela colocou-a no berço e se sentou na cama. Tinha perdido totalmente o sono depois desse susto.
O quê havia acontecido?
Ela não tinha mexido na janela naquele dia. Talvez a tranca tivesse frouxa e o vento fez muita força e o pino acabou cedendo.
Talvez.
Mas, naquele dia, não estava ventando. Era início do verão. Não ventava no início do verão.
O medo percorreu suas veias. Decidiu olhar a janela mais de perto.
Percebeu que o pino estava sim fora do lugar. Quebrado.
Alguém tinha arrombado a janela.
Correu os olhos em volta do quarto, mas não viu ninguém.
Talvez tivesse sido o vento.
Ela não ficaria mais naquele chalé aquela noite. Iria no dia seguinte reclamar da janela na recepção. Mr. Joseph iria consertar e ela poderia viver feliz com sua filha ali.
Preparou uma bolsa com as coisas de Maggie e algumas próprias. Seria só uma noite, não precisaria de muita coisa.
Pegou sua filha no colo. Pensou em colocá-la em um carrinho, mas aquilo ia só atrasá-la, e Chanel #2 estava com muito medo. Ela já tinha vivenciado coisas piores, claro.
Mas, depois de dois anos e meio, uma coisa dessas não poderia ser coincidência ou apenas obra do vento.
Foi até a porta, saiu do chalé e trancou a porta. Afinal, não queria ninguém mexendo em suas coisas.
Maggie ainda dormia.
Era possível ouvir a música da festa de seu chalé. A festa estava acontecendo do outro lado do acampamento. Estava meio escuro e deserto onde Chanel #2 morava.
– Droga! — ela sussurrou.
Foi andando bem rápido, quase correndo. Decidiu que mandaria uma mensagem para Hester, avisando que ia passar a noite no chalé dela. Porque a última coisa que ela queria para aquela noite era a amiga gritando de surpresa ao ver elas em seu chalé.
Parou de correr,em frente a um chalé com a luz da varanda acesa. Olhou para os dois lados e apoiou Maggie em uma mesa que estava na varanda. Se ela bem lembrava, aquele era o chalé de Ariane, uma garota que quase nunca era vista fora do quarto.
Com a filha sentada na mesa, Chanel #2 começou a digitar:
"Hester, lembra do combinado de que se acontecesse qualquer coisa, eu poderia dormir no seu chalé? Então, aconteceu uma coisa hoje. Estou indo para aí..."
A mensagem estava enviando. Maggie olhava para algo atrás de sua mãe, com uma cara horrorizada.
– O quê foi, querida? — perguntou.
Maggie começou a chorar.
– Não, não cho...
Ela percebeu o que estava acontecendo quando levou a primeira facada nas costas.
Gritou de dor.
Virou-se para trás e deu de cara com o Red Devil, seu antigo pesadelo.
Aquilo não era possível. Eles estavam muito longe da Universidade Wallace!
Sentiu o sangue escorrer por suas costas. Pegou Maggie no colo e correu, deixando uma trilha de pingos de sangue para trás.
O assassino a estava perseguindo.
Correu mais rápido, mas suas costas estavam doendo muito.
Ela não usava seus poderes havia anos, então não se lembrava mais de como fazer magia.
Chegou ao chalé de Hester, que estava totalmente escuro.
Tropeçou na escada e caiu, com Maggie saindo de seus braços. Sua filha estava caída de costas para baixo, na varanda, chorando.
Chanel #2 estava caída na escada. O assassino as alcançou.
– Por favor, não!
Ela olhou uma última vez para Maggie, antes da faca entrar em seu peito.
Fale com o autor