Cold Hell (RKKT - Season 3)
1 Check-in
Notas iniciais
DOIS ANOS E MEIO DEPOIS
TERÇA — FEIRA
HESTER
Hester jogou a colcha em cima da cama. O edredom rosa caiu perfeitamente em cima do colchão, tampando-o. Pela janela, ela via o sol brilhava por entre as árvores.
Dois anos e meio tinham se passado desde o incidente da universidade em que ela estudava e no hotel luxuoso, que se tornara um sanatório durante sua estadia. Ela sentia calafrios só de pensar nos dois casos.
Mas, felizmente, muito tempo havia se passado e nenhum assassinato tinha ocorrido.
Foi até a janela, ver se o pessoal já estava acordado. Aquela vista sempre a fascinaria.
Ela e seus amigos sobreviventes tinham vindo parar naquela vila, que parecia um acampamento de verão, com suas casas de madeira e florestas em volta. Montanhas podiam ser vistas no horizonte e um enorme lago ficava um pouco antes das árvores, onde as crianças e se divertiam.
Olhou no relógio. Eram oito e meia da manhã. Se não se apressasse, iria perder o café da manhã. Foi se trocar, colocando uma camiseta que ganhou no acampamento, de cortesia. Colocou também um shortinho, que mostrava bem suas pernas.
Foi até o espelho, pentear seus cabelos. A tristeza sempre a abatia quando ela fazia isso. Uma de suas orelhas tinha sido cortada por Gigi, uma louca assassina, que queria vingança. Ela tinha conseguido se recuperar, não tinha perdido o outro ouvido também, mas ainda sentia muita raiva de Gigi.
Penteou os cabelos rebeldes e prendeu em um rabo de cavalo no alto da cabeça. Pegou seu celular (também tinha sido cortesia do acampamento, já que tinha perdido o seu na Kappa Kappa Tau). Abriu a porta e o sol quase a cegou. Ouviu gritos de crianças se divertindo, enquanto jogavam água umas nas outras. Virou-se para fechar a porta, tendo um último vislumbre de seu chalé, que só voltaria a ver no final da tarde, pois tinha muito trabalho a fazer no acampamento.
Seu chalé ficava praticamente no centro. Eram trinta no total, distribuídos em um círculo, com uma fogueira no centro. Na extremidade da direita, ficava o refeitório. Na da esquerda, a casa de Mr. Joseph, o dono daquilo tudo. Além de vários prédios espalhados por todo o perímetro, como por exemplo, o que ficava na floresta, para aqueles que quisessem passar uma noite explorando. O lago ficava próximo a ele.
Trancou a porta e desceu os três degraus que separavam sua varanda da terra. Uma das crianças que estava brincando no lago, Drew, veio correndo e abraçou-a, sorridente.
– Hoje vai ter recreação, né tia Hester? — disse a menina, que deveria ter uns cinco anos de idade.
– Claro! — disse.
A menina sorriu mais ainda e correu de volta ao lago, para espalhar a notícia. Hester viu a cena, deu uma risadinha e foi em direção ao refeitório, para tomar seu café da manhã. Passou pelas portas duplas de madeira e sentiu o cheiro de comida invadir suas narinas, e então percebeu que estava morta de fome. Pegou um prato e foi se servir. Colocou duas torradas, manteiga e uma omelete. Serviu-se de um copo de suco e foi procurar uma mesa para se sentar. Quase todas estavam cheias, mas encontrou uma em que estavam sentados Nathan, seu novo namorado (Eles tinham se apaixonado no ano anterior e agora estavam juntos faziam sete meses) e Chanel #2, segurando Maggie, sua filha, nos braços. A garota havia tido um parto complicado, mas tudo deu certo no fuinal Sua filha nasceu em um hospital um, pouco distante da vila. Os dois riam de uma piada que Nathan provavelmente contara.
Ela se sentou na frente dos dois.
– Bom dia. — disse.
– Bom dia. — disseram os dois juntos.
De perto, Hester conseguia perceber o quanto Maggie era parecida com a mãe. Já tinha dois anos. Ela dormia em seu colo, sem fazer barulho algum.
Era, com certeza,a criança mais linda daquele acampamento.
– Fiquei encarregada de cuidar das crianças hoje. Alguém quer me fazer companhia? — perguntou.
Nathan sorriu e respondeu:
– Eu percebi a indireta, então eu aceito.
– Ainda bem que percebeu.
Os três riram.
Chanel #2 se levantou, carregando a bolsa de Maggie e a filha nos braços.
– Bem, eu tenho que ir. Hoje é meu dia de folga, então quero dormir o dia inteiro. Ser mãe solteira cansa.
Pete, o antigo namorado dela (e pai do bebê) tinha sido assassinado dois anos antes, pela mesma pessoa que tinha arrancado a orelha direita de Hester. Pelo menos, com a garota, ela tinha tido piedade.
– Imagino. — disse Hester. — Vai lá, mais tarde nos encontramos.
– Assim espero — ela sorriu e saiu pela porta, deixando os dois sozinhos no meio do refeitório.
Nathan terminou de comer e ficou encarando Hester, do jeito que ele sempre fazia.
– O quê foi? — perguntou a garota.
– Nada. — ele respondeu.
– Aham, tá bom. É sempre alguma coisa.
– Mas dessa vez, não é nada. Juro.
O assunto morreu por ali mesmo.
– Vocês me dão cárie. — disse uma voz vinda de trás da garota.
Hester se virou e deu de cara com Chanel, sua antiga amiga. As duas tinham tentado restabelecer uma situação harmoniosa, mas não tinha dado certo, porque Chanel tinha morrido e voltado à vida, o que era um pouco estranho. Tudo bem, que uma outra amiga dela, Chanel #2 também tinha voltado, mas Hester quase nunca falava com aquela garota.
Enfim, Hester se sentia desconfortável com Chanel desde que ela tinha demonstrado alguns sentimentos pela garota. Mas, a garota rezava para que sim, eles tinham passado.
– Ah, oi Chanel. — disse a garota.
Nathan ficou quieto. Ele não gostava nem um pouco da garota.
Chanel olhou para o garoto.
– Não vou demorar muito, só vim para avisar que eu falei com Mr. Joseph. Ele trocou nossos turnos. Eu vou cuidar das crianças hoje. Você tem o dia de folga.
Hester ficou surpresa. Aquilo era uma boa ação. Chanel Oberlin nunca praticava boas ações.
– Qual a piada? — perguntou ela.
– Nenhuma. Só quero que você se divirta, piranha.
E com isso, saiu do refeitório.
***
ELLIE
O sol refletia nos óculos escuros de Ellie, fazendo com que eles brilhassem ainda mais. As pérolas em volta eram brancas e eram limpas toda noite.
Abriu a porta do carro e desceu, colocando seus pés para fora. A terra sujou seus saltos brancos.
– Sabia que não era uma boa ideia vir parar aqui. — reclamou.
Ela tinha ido passar férias naquele acampamento por insistência do pai, que queria que a filha fizesse alguma coisa nas férias de verão da faculdade. Ellie cursava Engenharia.
Era rica e filha de um dos mais ricos e influentes homens do país.
Começou a andar pela trilha, alisando seu vestido branco e indo em direção ao que ela julgou ser o prédio de administração.
Abriu as portas de vidro e entrou. Olhou em volta e ficou com nojo da decoração de madeira. As paredes tinham janelas gigantescas que tinham vista para o acampamento, que ficava alguns metros abaixo.
– Ótimo! — disse. — Estou em uma montanha!
Aproximou-se da janela e observou as pessoas caminhando lá embaixo. Pareciam pequenas Barbies e Kens. Viu um lago enorme que ficava perto da floresta. Deu uma olhada nos chalés.
– Espero que tenham ar-condicionado. — Pensou em voz alta.
– Eles tem sim. — disse uma voz atrás dela. Ellie se virou e deu de cara com um menino. Parecia um pouco mais velho que ela. Talvez uns 22 anos. Era mais alto, com os cabelos castanhos. Usava uma blusa azul escura, de mangas compridas e jeans.
A garota ficou sem palavras, assustada.
O garoto riu.
– Sou Alec. — Ele se apresentou, estendendo uma mão para cumprimentá-la.
Ela sorriu e apertou a mão dele, dizendo logo em seguida:
– Sou Ellie.
– É um prazer conhecê-la.
– Igualmente.
Eles soltaram as mãos e Alec foi até um balcão, que Ellie não tinha notado.
– Você veio fazer seu check in? — Alec perguntou.
– S-sim. — Ela disse, se aproximando da mesa. — Você trabalha aqui?
Ele pareceu surpreso com a pergunta. Algo parecido com fúria passou por seu rosto, mas logo desapareceu.
– Sim. Meu pai é dono disso tudo aqui. — Ele fez um gesto com as mãos, sinalizando toda a sala, mas Ellie entendeu que o pai dele era dono de todo o acampamento. — Ele me obriga a trabalhar aqui todos os verões.
Ellie apenas olhava-o com admiração.
"Meu Deus, ele é muito lindo!", pensava a garota.
Alec estava entregando uma ficha de inscrição para ela.
– Preencha tudo e assine aqui. — Ele apontou para um espaço em branco, escrito "assinatura" embaixo.
Ela fez o que Alec pediu.
Estavam deixando as malas dela no chalé, quando o menino perguntou:
– Quer que eu leve você para conhecer o lugar?
Ellie colocou uma mala azul na cama. Olhou em volta e viu suas outras cinco malas espalhadas pelo quarto. Ela teria que arrumar tudo depois. Mas, antes, queria tomar um pouco de ar.
– Seria ótimo.
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