Cold Coffee
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Não sei se irão gostar, mas, se gostarem, comentem ai se devo ou não dar continuidade.
Obrigada, e boa leitura. ♥
She's like cold coffee in the morning.
- Não, Emma. Nada feito. Já te disse, se quer comprar a minha parte do café, não aceito menos do que o valor que te passei antes. — Robin suspirou, observando o olhar triste da irmã. — Olha, eu quero vender pra você. Eu quero ir embora daqui o quanto antes, você sabe disso. Mas não posso ir embora de mãos abanando, me arriscando dessa forma! Eu nem sei se meus planos darão certo, preciso ter segurança.
- É claro que vai dar certo, você sempre consegue o que quer, Rob. Você sabe disso! — Emma revirou os olhos pela segunda vez, jogando-se em uma das cadeiras macias, compostas por acentos almofadados do aconchegante café que pertencia aos irmãos Swan.
Passavam-se das dez da noite, e não costumavam ter muito movimento a esse horário. Na verdade, já não esperavam que mais ninguém aparecesse por ali. Por isso, Emma deu-se o luxo de jogar os pés por cima da mesa onde estava, em um movimento distraído, recebendo, como de costume, um olhar reprovador do irmão.
Robin odiava as atitudes imaturas da loira. Oito anos mais velho que ela, sempre fora o mais responsável. O que colocara, ou pelo menos tentara colocar algum juízo na cabeça de Emma, quando os pais morreram em um acidente de carro, numa viagem à Carolina do Norte, há sete anos atrás.
Quando aconteceu, Emma tinha apenas dezesseis anos, estava vivenciando sua fase adolescente-rebelde-insuportável, e, como era de se esperar, não reagira nada bem a morte dos pais. Robin, que na época tinha vinte e quatro anos e estava em Nova Iorque cursando o último ano da faculdade de Gastronomia, tivera que largar tudo e voltar para Storybrooke, uma cidadezinha pequena e aparentemente esquecida pelo resto do mundo. Ficava em algum lugar do Maine, mas nem aparecia no mapa.
Quando viu seus sonhos rasgados pelo trágico acidente que levara seus pais, ele não teve escolha. Permaneceu na cidade natal e cuidou da irmã e do negócio de seu pai. Café Swam. Foram anos difíceis para ambos. Emma mostrou-se completamente fechada para o mundo, ia de mal a pior no colégio e só não reprovou, pela ajuda que recebia da melhor amiga, Ruby. Robin também sofria muito, mas sempre teve a namorada Marian ao seu lado para confortá-lo, então conseguiu superar aquilo com mais facilidade que a irmã.
Com o passar do tempo, e com ganho de maturidade, Emma também conseguiu tocar a vida. Havia se formado no ensino médio, mas nunca pensara em sair dali, nem mesmo para cursar alguma faculdade. Tinha um dom natural para artes. Gostava de desenhar, e, hora ou outra fazia algum trabalho para empresas de cidades próximas à Storybrooke. Às vezes conseguia bastante dinheiro com seus desenhos, e até cogitava se mudar para outro lugar, sabia que teria grandes oportunidades fora dali.
Mas, assim como o irmão, gostava de cuidar do café que lhes fora deixado. Se aventurava na cozinha e conquistava o coração de todos os sulistas que se arriscavam a provar suas rosquinhas, bolos e tortas que eram oferecidos no café. Alguns lhe diziam que tinha mãos de fada. E, ela sabia que era verdade.
Passava quase todo o seu tempo no café com o irmão, mas gostava de ter as tardes livres para desenhar, e, todas as segunda-feiras eram reservadas para seu trabalho voluntário no hospital da cidade. Prendia os cabelos num coque, colocava o nariz de palhaço, pintava a face com tintas coloridas e ia até a ala infantil do hospital, conversar com as crianças e contar-lhes histórias. Sabia todos os contos de fadas melhor que ninguém.
Passava o dia todo ali, e, só ia embora quando conseguia um sorriso da última criança. Era muito admirada por isso, mas não fazia para chamar a atenção de ninguém. Fazia porque sentia que devia isso ao filho que nunca tivera. Mas, essa é outra história, que deixaremos para explicar mais tarde.
Agora, depois de tanto tempo, vivendo na mesma casa que a irmã, também deixada pelos pais, Robin fazia planos de voltar à Nova Iorque. Queria concluir a faculdade, arrumar alguns trabalhos e, quando finalmente tivesse tudo o que precisava, abriria seu próprio restaurante, bem no centro da enorme cidade. Mas precisava de dinheiro para isso, e o que juntara durante esses sete anos, ainda não era o suficiente.
Quando Robin lhe contou quais eram seus planos, Emma ofereceu-se de imediato para comprar a parte do irmão no café, mas, por ser o único e tão movimentado da pequena cidade, valia bastante. E Robin, apesar do amor que sentia pela caçula, não estava disposto a abrir mão daquilo assim.
Os dois irmãos entravam em mais um discussão, quando ouviram a porta da frente se abrir e a campainha soar, avisando que alguém chegava. Os dois olharam no mesmo instante para a desconhecida, e, incrivelmente bonita mulher que acabara de entrar. A estranha sorriu sem jeito, quando notou dois par de olhos esverdeados mirando-a com surpresa. E que sorriso.
- Boa noite. — Ela cumprimentou, deixando que os sapatos de salto alto estalassem no chão de madeira, enquanto caminhava — com uma postura única, até o balcão. Robin estava por trás dele, com um pano de prato pendurado no ombro esquerdo. O rapaz sorriu meio desconcertado, passando a mão pela barba que estava por fazer, completamente embasbacado pela cliente, sem fazer questão de disfarçar. Ela rapidamente notou seu olhar, e soltou uma risada baixa.
- Tudo bem? Pode me fazer um capuccino grande, bem forte, por favor? — Pediu, com a voz suave e melodiosa que tinha. Os lábios marcados pelo batom vermelho-carmim chamavam muito mais atenção, do que qualquer coisa que estava sendo dita. Robin demorou algum tempo para se concentrar.
- Oi, boa noite! — Ele finalmente respondeu, ampliando o sorriso em sua face. — Um capuccino grande, bem forte. Claro, deixa comigo! — E, se afastou em direção às máquinas de café, mas antes, dando uma piscadinha para a mulher a sua frente. Que, mais uma vez sem jeito, sorriu e passou uma mecha dos cabelos negros para trás da orelha.
Emma não disse nada, apenas observou aquela cena à distância. Quem era aquela mulher? Nunca havia visto-a por ali antes, e, se ela morasse em Storybrooke, a loira com certeza saberia. Todos se conheciam na pequena cidade, e não era só um modo de falar. Exatamente todos se conheciam, a população não chegava a mil pessoas, e, embora nem todos fossem amigos e se dessem bem, era difícil não saber o nome de alguém.
A loira encarou o grande relógio de ponteiros, pendurado no alto da parede, que indicavam dez e vinte três da noite. Uma estranha na cidade aquela hora? Atrás de um café? Ela franziu o cenho. Mas, apesar de toda a desconfiança, não podia deixar de instigar a bela morena.
Podia-se ver que possuía belas curvas, bem marcadas pela saia preta e justa, de cintura alta, que moldava perfeitamente a cintura fina. As pernas envoltas pela meia-calça também preta, não eram tão cumpridas quanto as de Emma, mas eram torneadas e bonitas. O casaco cinza lhe cobria boa tarde da bunda, e a loira praguejou por não poder fazer uma melhor observação.
De repente, pegou-se suspirando. Ela era linda. Deveria ter o que? Uns vinte e cinco anos? Vinte e seis, talvez? Não, ela aparentava ser mais velha, Emma supôs. Talvez vinte e oito? Torceu a boca distraidamente, enquanto fazia sua análise da mulher parada em frente ao balcão.
E, como se pudesse adivinhar seus pensamentos, a morena se virou em sua direção. Seus olhares se cruzaram por uma instância de segundos, fazendo com que o coração de Emma disparasse. Tinha um par de olhos negros tão profundos e intensos, como se lhe despisse. Ela era capaz de hipnotizar qualquer um. Emma sentiu seu pescoço queimar e um calor, que há muito não sentia, invadir-lhe o peito. Mas, para a tristeza da loira, aquilo não se demorou muito.
Robin entregou o café à mulher, e, após pagar-lhe e lhe oferecer o troco, ela deu as costas e se foi, da mesma forma que entrara: de repente. Os irmãos Swan acompanharam-a com o olhar, até que a morena desconhecida deslizasse para dentro de seu carro, preto como quase toda a roupa que vestia, e desse partida, sumindo através das neblinas que vestiam a cidade, em mais uma noite terrivelmente fria.
- O que foi aquilo? — Robin perguntou, ainda boquiaberto com a presença que aquela mulher tinha. Emma voltou a fitá-lo, negando com a cabeça e soltando uma risada baixa. Não queria demonstrar que também havia ficado impressionada, afinal, era só mais uma estranha a passar por ali numa noite qualquer.
- O que? Aquela mulher? Não sei, nunca a vi. Por que? — Vendo que o irmão ainda encarava a porta de vidro, com os lábios entreabertos e uma enorme cara de bobo, sentiu-se levemente incomodada. Pegou um dos guardanapos postos em cima da mesa onde estava sentada e fez uma pequena bolinha de papel, tacando-a em Robin. — Hum, ficou apaixonadinho, né? — E gargalhou.
- Não fiquei apaixonadinho, para de graça. — Ele revirou os olhos, guardando o dinheiro que havia recebido da estranha em sua gaveta. — Mas, você tem que concordar que ela era linda, meu Deus, que mulher... — Robin suspirou de trás do balcão.
- Era, sim... — E, como um movimento ensaiado, Emma o repetiu, suspirando também.
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