Cold Coffee
1 Submersa
Notas iniciais
-Como ela consegue ficar tanto tempo embaixo d’água? – Perguntou Harry cutucando Ed.
Ele subiu os óculos escuros e olhou para a água no ponto em que eu deveria estar. Ele sorriu e deitou a cabeça na areia.
-Ela está lá há quanto tempo?
Harry deitou na areia também ao lado de Ed e sua namorada, Naya.
-Cerca de um minuto, eu acho – Respondeu Naya, vendo que Harry estava distraído com o próprio cabelo.
Ed se sentou bruscamente e olhou desesperado para o casal.
-Ela vai acabar se matando! Eu vou lá conferir se ela está bem.
-Meu cabelo está mais comprido que o seu! – Disse Harry exibindo um sorriso inocente e colocando seu cabelo próximo ao de Naya para provar que estava certo.
Naya olhou para ele com a sobrancelha arqueada, mas sorrindo.
-Harry, seu cabelo é mais comprido do que de várias mulheres...
Percebendo que tinham deixado Ed falando sozinho, ela colocou uma mão cobrindo o rosto do namorado para ele, que estava totalmente fora do assunto, parar de distraí-la. Ed sorriu debochando do amigo.
-Pode deixar que eu vou, Ed – Ela disse já se levantando – Não deixe o Harry comer areia.
Ela exibiu seu melhor sorriso para os meninos, e seu sorriso era maravilhoso, e foi andando em direção ao mar. Harry só começou a comentar depois que Naya estava numa distância segura.
-Acho que conhecemos as duas brasileiras mais bonitas, e ainda temos a oportunidade de vir com elas à praia.
Ed apenas sorriu, sem olhar para o amigo. Os dois olhavam na mesma direção, mas estavam atentos a coisas diferentes. Ed olhava aflito para o mar e Harry encarava Naya se afastando até o mar e apenas comentou uma última coisa que fez Ed soltar uma risada tão alta que até Naya virou para ver o que estava acontecendo:
-Biquínis brasileiros são bem melhores, né?
O ar estava fresco pra quem estava acostumada com o calor do Brasil como eu e Naya, e a água também estava gelada. Não sabia como conseguia ficar tanto tempo submersa. Eu faço isso quando sinto saudade de casa, quando tenho muita coisa pra pensar ou uma decisão importante para tomar. Sempre fui apaixonada pelo mar e pela praia, mesmo eu sempre me queimando muito devido à minha pele branca. Além disso, a água me ajuda a pensar, é como se ajudasse a diluir todos os meus pensamentos, e quando eu volto para a superfície é como se esses pensamentos diluídos se organizassem e voltassem a minha cabeça mais nítidos. É muito mais fácil se concentrar submersa, já que ouço apenas o som abafado das ondas se quebrando e sinto a água mexendo meu corpo calmamente. Esse era o meu momento de reflexão e inspiração, e Ed, Harry e Naya respeitavam isso.
Estávamos há muito tempo em Londres e sem previsão alguma de voltar para o Brasil. Ao mesmo tempo em que sentia uma absurda saudade de casa e da minha família, não queria e nem podia deixar Ed. Tinha que aproveitar esse tempo em que ele e Harry não estavam no meio de nenhuma turnê. Ouvimos muito das pessoas que namorar famosos só traz problemas, e eu e Naya fomos para o olho do furacão. Era como se falássemos: não é bom namorar famosos? Ok! Então, eu namoro o Ed Sheeran e você, Naya, namora o Harry Styles!
Nada foi programado, essas coisas nunca são. O destino tinha apenas decidido parar de passar a perna em nós e decidiu ajudar ao menos uma vez. O ponto negativo era que acabamos perdendo Mary no meio do caminho. Eu, Naya e Mary somos melhores amigas desde o ensino médio, e já formadas decidimos viajar para Londres. Compramos passagens de ida e volta, mas acabamos vendendo as de volta.
Quando nós conhecemos Harry e Ed de uma forma bem peculiar, os meninos acabaram apresentando um amigo deles para Mary. Foi praticamente amor à primeira vista. Ambos muito ligados à arte, cultura indiana e coisas alternativas do tipo. Não sabia se a maneira que eles eram parecidos me assustava ou deixava feliz por ter achado alguém compatível. Depois de uma semana juntos, os dois também muito impulsivos e espontâneos, decidiram viajar de mochilão pela Europa. Peter, o namorado de Mary, não é famoso, então isso acaba proporcionando mais liberdade para ela que pra nós.
Tínhamos prometido três coisas antes de viajar, mas não estávamos cumprindo uma delas muito bem. No dia em que começamos a cogitar viajar, Naya se voltou a mim, principalmente, e estipulou três regras, digamos assim.
Nesse dia estávamos no quarto de Mary, e elas estavam me julgando um pouco pela tal proposta e porque elas sabiam também que eu fazia isso para tentar conhecer o Ed, então Naya disse, com a sobrancelha arqueada como geralmente fazia:
-Primeiramente, essa viagem será para nós três, não ficaremos perseguindo o Ed. Segundo, se você não conseguir conhecê-lo não ficará chateada, porque nosso principal motivo é comemorar nossas últimas férias juntas. Terceiro, mas não menos importante, não volte grávida!
Nunca vou me esquecer do sorriso que ela me lançou depois da última regra. Essa eu vinha cumprindo bem, mas sempre ia viver com o peso da primeira regra se cair no esquecimento.
Eu e Naya estávamos aproveitando mais que nunca juntas, o fato de nossos namorados serem melhores amigos ajudou muito, mas faltava Mary. A viagem acabou sendo para nós, mas de uma maneira totalmente diferente do que esperávamos. Não me arrependia nem um pouco de minhas decisões e a mídia ainda não tinha notado a nossa presença, apenas a ausência de Ed e Harry.
Há duas semanas estamos os quatro morando numa pequena, mas confortável casa que Harry tinha escondida no meio de uma floresta ao lado do mar. Aquela praia era deserta, apenas os quatro, Mary e Peter sabem da existência da praia e da casa. Nossa privacidade estava a salvo enquanto permanecêssemos ali, mas infelizmente Ed e Harry não podiam sumir para sempre.
A vida naquela pequena casa de madeira estava perfeita e em completa harmonia, os quatro viviam juntos com tanta naturalidade que não tinha como ter dúvidas que era pra ser assim. Comunicava-me semanalmente com os meus pais, mas sem dar a menor dica de localização. Nossos pais sabem que namoramos os meninos, entretanto deixamos claro que não poderiam contar nem mesmo para os meus irmãos. Nossas famílias achavam que tínhamos conseguido emprego e Londres e as três estavam morando juntas.
Estava tão presa nas minhas reflexões que assustei quando ouvi Naya gritando o meu nome. Emergi tão rápido que engoli um pouco de água do mar e comecei a tossir. Ela veio em minha direção com uma cara de desgosto.
-Ed tem razão, você vai acabar se matando.
Eu sorri e tirei o cabelo molhado do rosto. Olhei para praia e Ed e Harry estavam deitados na areia conversando.
-Eles formam um belo casal – Disse rindo para Naya.
Sempre que movimentava a cabeça sentia o meu cabelo rapando em minhas costas. Meu cabelo molhado chega no quadril, mas quando os cachos das pontas se formam novamente chegam um pouco abaixo da cintura. E além de liso, quando molhado fica mais escuro. Em vez de castanho avermelhado fica um castanho escuro. O cabelo de Naya era ainda maior que o meu, mas antes de viajarmos ela cortou seus longos cabelos pretos no ombro. Diferente do meu, seu cabelo era extremamente liso. Sua pele é morena, seus olhos são castanhos e seus cílios são de dar inveja de tão grandes.
Enquanto saíamos do mar, eu sentia a necessidade do meu óculos de sol, já que a luminosidade estava incomodando meus olhos azuis, e protetor solar para impedir que minha pele ficasse ainda mais vermelha.
Os meninos sentaram no pano em que estavam deitados antes quando viram que estávamos chegando. Ajoelhei-me no pano em que Ed estava sentado e dei-lhe um beijo na bochecha. Ele sorriu e colocou a mão na minha nuca e perguntou angustiado se eu estava bem. Fiz que sim e passei minha mão em seus cabelos ruivos.
-Por que você não tirou sua camisa xadrez, Ed? Só estamos nós aqui, você não precisa se preocupar. E outra, vai ficar com a marca da bermuda e da camisa – Disse ainda acariciando seu cabelo.
-Eu não quero dar ar em ninguém, moça.
Eu ri e estiquei meu pano ao lado do dele. Após os quatro passarem o resto da tarde conversando decidimos que era hora de ir embora. Harry pegou o isopor em que as comidas e bebidas estavam guardadas e abriu pra conferir se nada estava faltando.
-Vocês não comeram nada? Nem um sanduíche? – Perguntou ele.
As duas fizeram que não com a cabeça, já sabendo o que estava por vir.
-Vocês não acham que já estão magras o bastante? Vocês não comem nada!
Eu realmente não comia, não tinha me habituado com a comida deles, e não era sempre que íamos para a cidade comprar ingredientes para eu cozinhar algo que gostasse. Quando morava no Brasil eu tinha cinquenta e seis quilos, e agora estava com cinquenta e quatro, o mínimo do meu IMC. Ambas estavam com a barriga seca. A genética não sendo muito gentil comigo não permitia que nada da minha cintura para baixo fosse muito fino ou pequeno, então disfarçava um pouco o quanto estava magra. Devido a isso também a minha cintura, que por sinal sempre fora fina, estava ainda mais. Naya consideravelmente mais baixa que eu, então estava pesando ainda menos.
Harry notando que não argumentaríamos segurou a mão de Naya com a mão que estava livre e foi andando em direção à trilha. Ed e eu dobramos os panos que estávamos deitados, eu coloquei a minha saída de praia e fomos andando com os braços enlaçados até a divisa entre a floresta e a praia. Empurramos as folhas das árvores que camuflavam a trilha que levava até a casa e fomos em silêncio pelo percurso.
Nós não estávamos tensos nem chateados, apenas fazíamos isso. Gostávamos de andar em silêncio, assim nossos pensamentos ficavam totalmente focados no outro. Eu ouvia a sua respiração tranquila e satisfeita, notava a intensidade com que ele me encarava quando virava o rosto e sentia o cheiro de seu perfume. Eu segurava o seu braço direito com as duas mãos como se estivesse abraçando-o. Essa caminhada que fazíamos diariamente eu não trocaria por nada no mundo, mesmo sem palavras era o momento em que mais estávamos próximos. Chegamos num degrau que era difícil de subir por ser bem alto, e ele sempre colocava as duas mãos em minha cintura para me ajudar a subir. Seu toque era quente, seguro e, como tudo o que ele fazia, com muita paixão.
Quando já estava estabilizada, dei as duas mãos para ajudá-lo a subir. O único que conseguia subir aquilo com facilidade era Harry, mas ele é enorme. Ed era apenas uns quatro centímetros mais alto que eu.
Abrimos a porta de casa que dava direto na sala e guardei as toalhas num armário de madeira ao lado da tevê. Logo ao lado da sala ficava a cozinha e a sala de jantar grudada. O quarto tinha três suítes, mas uma estava totalmente desocupada. Estávamos na suíte de lados opostos da casa pra proporcionar mais privacidade, mas mesmo assim a casa não era a prova de sons.
Nós entramos na banheira que era grande o suficiente para os dois, mas gostava de ficar entre as pernas de Ed com as costas em seu peito e a cabeça deitada e seu ombro. Sempre ficávamos horas conversando na banheira, aproveitando a água quente e a espuma. Eu sempre ficava falando e observando as linhas de sua mão, sentia que sempre tinha mais alguma coisa para descobrir. Com a outra mão ele acariciava o meu cabelo, meus ombros e colo. Estava prestes a beijá-lo quando ouvimos Harry batendo na porta do quarto e gritando:
-Ed, vem cá! Julinha que falar com a gente!
Vi a decepção em seus olhos, mas ele me deu um beijo rápido, porém intenso, se secou e colocou qualquer roupa no corpo. Aproveitaria para lavar o cabelo enquanto ele estivesse fora. Enquanto ele passava a toalha pelo cabelo para secá-lo melhor ele gritou perguntando pra Harry:
-Não a avisamos que ficaríamos um tempo fora? O que ela quer agora?
Não tinha perguntado nada, mas queria saber a mesma coisa. Julia era a agente de Harry, e os três eram amigos bem próximos. Ela não sabia o motivo de estarem fora e nem onde estavam, mas sempre tive a curiosidade de conhecê-la.
-Ela quer nos contar as especulações do nosso sumiço dos olhos da mídia...
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