Cold Coffee

2 As prostitutas de Ed e Harry


Notas iniciais
Esse capítulo está bem inocente (sei que pelo título não parece), então não se preocupem com cenas de nudez e sexo (por hora)

–Alô? – Ouvi Harry dizendo.

Terminei de me lavar e saí. Coloquei minha camisola vermelha e me deitei em nossa cama lendo um livro. Estava muito curiosa para saber do que estavam falando, mas não queria me intrometer.

–Mas onde você ouviu isso? – Perguntou Harry.

Estava com os ouvidos atentos, mas o som da voz de ambos foi ficando cada vez mais distante, então ouvi a porta dos fundos se abrindo e fechando logo em seguida com um som abafado. Prossegui com a minha leitura. Após uns três minutos alguém batia na porta do meu quarto.

–Mabelle? – Era Naya.

Fechei meu livro e o coloquei na mesinha de cabeceira.

–Pode entrar! – Gritei.

Ela abriu cuidadosamente a porta, como se estivesse evitando fazer muito barulho, mas um pouco em vão. O chão e as portas daquela casa eram todos de madeira, então era impossível se locomover sem ser notado. Ela veio andando até minha cama e se deitou ao meu lado. Ela usava uma camisola do mesmo modelo que a minha, mas preta. Seu cabelo, ao contrário do meu, já estava seco.

–O que será que a Julinha estava falando? Eu não confio muito nela...

Eu também não confiava nela, mas confio nos julgamentos de Ed.

–Acho que ela só quer o melhor pra eles, ela deve ser profissional. Os meninos não são bobos.

Naya arqueou a sobrancelha e sorriu ironicamente.

–Mab, eles são homens... Eles são bobos. E outra, eles eram – Ela pensou por um instante – são muito amigos, e agora não são mais próximos, ela vai tentar mudar isso.

Olhava para o ventilador de teto que estava funcionando e passava a mão na renda de minha colcha vermelha que Ed me dera de presente. É a colcha mais bonita que já vi. Tudo absurdamente bonito que seja vermelho Ed compra, já que sabe que é minha cor preferida.

–Talvez possamos achar um equilíbrio – Por fim falei.

Sabia o que ela estava pensando, não precisava nem olhar para ela. Somos amigas e convivemos a tanto tempo que as palavras muitas vezes se mostravam desnecessárias. ''Sempre pensa bem demais de todo mundo, não pode ser tão positiva’’. Era verdade, prefiro acreditar que as coisas vão dar certo.

–Alguma hora esse seu jeito de pensar vai te prejudicar, você tem que ficar esperta – Ela comentou.

Não neguei porque sabia que ela estava sendo sincera – como sempre – e não comentei também porque sabia que ela estava certa – como quase sempre.

–Você está sentindo falta de Mary? – Naya perguntou.

Novamente ela sabia a resposta, mas me conhecia bem o suficiente pra saber que precisava externar isso com alguém também.

–Sinto e muita – Admiti – Sei que ela está aproveitando mais do que estaria aqui, e está com o Peter, mas sinto que ela não está totalmente bem, tem alguma coisa a incomodando.

Assim como não precisávamos de palavras, eu e Mary não precisávamos estar perto. Somos amigas há onze anos, somos praticamente irmãs.

–Ela não entra em contato desde que saiu, também estou preocupada.

Ouvimos a porta da cozinha se abrir novamente e os passos dos meninos pelo chão de madeira. Ambas se ajeitaram na cama de modo que a camisola cobrisse tudo que deveria e ficamos ouvindo atentas. Então uma porta se abriu do outro lado da casa.

–Naya? – Ouvimos Harry gritando.

Então Ed abriu a porta bruscamente, e notei que estava irritado. Vendo que Naya estava comigo ele avisou Harry. Sentamos na cama e Ed se jogou deitando a cabeça em meu colo. Ele bufou e passou sua pequena mão pelo rosto, mostrando seu cansaço. Passava minha mão em seu cabelo como se estivesse penteando-os com meus dedos. Harry entrou pisando duro no quarto e seguiu o exemplo de Ed. Naya começou a fazer chiquinhas nos longos cabelos do namorado.

–Vocês parecem um tanto... Abatidos – Comentei.

Ed abriu os olhos e me encarou. Sua expressão se suavizou instantaneamente.

–Julinha, ela pode ser um tanto complicada às vezes – Comentou.

Harry pegou a mão de Naya e começou a medir com a dele.

–Ela queria que contássemos onde estamos para ela, mas não fizemos – Disse Harry com cara de desgosto – Ela ficou muito irritada. Disse que precisamos aparecer publicamente em algum lugar para não sermos ''esquecidos’’. Sei que realmente precisamos voltar, mas eu não queria. E ela fez isso virar uma obrigação.

Passei do cabelo de Ed para seu rosto, acariciando suavemente suas bochechas.

–Eu amo o que faço, não faria nada diferente – Admitiu Ed – Principalmente porque se não fosse por isso eu não te conheceria. Mas eu preciso de férias, de um descanso e parece que só vocês entendem isso. Entro eventualmente no twitter para comentar alguma coisa para minhas fãs e noto várias perguntando o que aconteceu comigo.

Harry concordou com a cabeça, indicando que o mesmo acontece com ele.

–Mas você já tentou se desculpar e explicar que está tirando um tempo pra você? Poste alguma foto no instagram na praia para elas entenderem.

Ele arregalou os olhos.

–Eu realmente não tinha pensado nisso, eu estava fingindo que nada estava acontecendo. Como você pensa nessas coisas simples que sempre resolvem minha vida?

Eu ri um pouco corada.

–Eu já fui fã, né...

Não gostava muito de falar disso, prefiro esconder minha fase Sheerio. Era fanática, e agora que o namoro não quero que ele pense que estou com ele por ser o Ed Sheeran, quero que saiba que eu amo tudo nele. Sempre amei a pessoa, e não só o cantor famoso e as músicas. É claro que ainda ouvia as músicas em meus fones de ouvido quando ele estava ocupado com outras coisas, suas músicas ainda me inspiram, acalmam, aconselham e aquecem meu coração de uma maneira inexplicável como sempre. Agora ele me inspira a continuar escrevendo poemas e histórias pessoalmente. Ele sempre pede sugestões. Diz que não pode parar de produzir, então várias noites da semana vamos até a praia com seu violão e ele toca, canta, improvisa e faz anotações em seu caderno enquanto sua música me envolve calorosamente e eu aproveito a brisa gelada e salgada lambendo meus cabelos.

Naya, vendo meu desconforto, falou para Harry para voltarem pro quarto deles. Após fecharem a porta Ed tirou a camisa para ficar mais a vontade e deitou onde Naya estava e eu deitei em seu peito. Ele brincava com meus cachos e eu passava a mão pela sua pele extremamente branca. O doce aroma de sua pele me envolvia, assim como o calor de seu corpo. Ele me envolveu com os seus dois braços em um abraço apertado. Eu já o conhecia bem o suficiente para saber que ele não estava inspirado para nada mais agitado. Sabia que não estaria totalmente envolvido no momento porque estava refletindo, seus pensamentos borbulhavam em sua mente e via isso claramente em seus olhos. Senti o carinho dele ficando mais calmo até parar. Deitei a cabeça em meu travesseiro e olhei-o. Ele estava com os olhos fechados e uma expressão tranquila no rosto, fiquei até com dó de acordá-lo para lembrar que a bermuda que estava não era do pijama. Ele estava tão tranquilo que não poderia fazer isso com ele.

Puxei o cobertor para cobri-lo e me levantei para apagar as luzes. Aconcheguei-me ao lado de Ed cuidadosamente para não acordá-lo. Mesmo dormindo minha noite não foi fácil.

Sonhei com Mary.

Ela estava com Peter na Itália, pelo que entendi eles estavam procurando algum lugar para dormir. Eles andavam com suas pesadas mochilas nas costas um ao lado do outro, sem se encostarem. Mary aparentava exaustão e dúvida, mas tentava ao máximo não demonstrar. Peter não percebia que ela não estava satisfeita, mas eu enxergava por trás da máscara que ela tentava colocar. Ele andava animadamente e com toda a energia, enquanto ela ia ficando para trás observando todos os detalhes e fotografando o que mais chamava sua atenção. Ela parou por um segundo e ficou observando Peter se afastando sem perceber que ela não conseguia dar mais um passo. Ela olhou para cima como se pedisse para o além para dar-lhe forças. Ela sentou-se num banco de madeira e esperou até que o namorado notasse sua ausência e voltasse.

Depois de alguns minutos ele voltou correndo preocupado e avistou-a sentada no banco.

–O que aconteceu? – Ele perguntou quase perdendo o fôlego.

O cabelo castanho de Peter estava um pouco maior que o de costume, e sua barba com fios ruivos chegava quase no fim do pescoço. Sua pele branca estava levemente bronzeada do sol e seus olhos castanhos vermelhos de sono. Peter é da altura de Harry, talvez maior, e Ed o considera um de seus melhores amigos.

–Estou muito cansada, não consigo mais andar, querido.

Ele passou seus dedos por sua face como um pedido de desculpas silencioso, e ela fitou-o com seus pequenos olhos castanhos. Ela também estava bem bronzeada. Ele passou os dedos pelos cabelos castanhos e superlisos de Mary, que chegava até o ombro. Ela com sua capacidade de pegar as coisas no ar abriu seu grande sorriso, com dentes perfeitamente alinhados e brancos, e segurou as bochechas dele com as duas mãos.

–Pararemos na próxima pousada, hotel, pensão ou seja lá o que acharmos, tudo bem?

Ele sorriu e deu um beijo nela. Então se levantaram e prosseguiram o caminho de mãos dadas.

A cena mudou, agora eles estavam num pequeno quarto de uma pousada.

–Mas por que você não quer ficar nessa cidade? Não é para sempre, só um dia. Só estou pedindo um dia para recuperar minha energia! – Mary estava evidentemente irritada.

Ele revirou os olhos e fez uma careta.

–Não tem absolutamente nada para fazer nessa cidade! O combinado foi só passar por aqui!

Ela socou o rosto no travesseiro soltando um grunhido gutural.

–Seja menos inflexível! Eu simpatizei com essa cidade, é meio transcendental, não sei. Eu apenas gostei.

Sabia o que ela estava chateada, sabia que parte do discurso dele fora como um soco para ela.

Não tem absolutamente nada para fazer nessa cidade.

Via na expressão dela que remoia isso, que pensava que sua companhia se tornara ‘’nada para fazer’’, mas Peter não a olhava. Ele então saiu do quarto murmurando que ia ao banheiro e eu acordei num pulo.

Os piores pesadelos são aqueles que você sabe que aconteceu ou vai acontecer e nada pode fazer para mudar. Coloquei as mãos no rosto e tentei não me desesperar muito alto para não acordar o Ed. Deitei a cabeça no travesseiro, mas logo notei que não conseguiria dormir. Saí silenciosamente do quarto e me dirigi até a sala.

Fui até o sofá de couro marrom e me deitei. Procurei filmes em todos os canais, mas ou eram de romance ou de drama, e não queria pensar em nada no momento. Enfim, mudando aleatoriamente de canal, vi meu filme preferido passando. Estava no meu próprio mundo, na minha própria bolha pensando sobre o filme e filosofando sobre o tempo quando ouvi alguém se aproximando. Olhei para trás conferindo quem era, e das duas opções possíveis que passaram pela minha cabeça – Ed e Naya, obviamente – foi quem eu menos esperava.

–Espero não ter te acordado, Harry – Falei tentando conter meu tom de voz.

Ele ajeitou o cabelo e se sentou ao meu lado.

–Não se preocupe, não acordou. Vejo que não sou o único que teve problemas para dormir hoje.

Eu sorri e olhei no fundo de seus olhos. Ele é muito bonito, mas minha parte preferida nele são as covinhas.

–Eu consegui dormir, e foi justamente isso que me acordou.

Ele se acomodou melhor no sofá tentando não invadir meu espaço.

–Gosto da sua lógica – Disse rindo – Pesadelos?

Concordei com a cabeça.

–Estou muito preocupada com Mary. Sonhei que ela e Peter estão com problemas, e foi tão real que... – Parei distraída com a TV, já que estava passando uma das minhas cenas preferidas – Ah, bom. É difícil explicar. Faz tempo que estou com a impressão que ela está infeliz.

Ele colocou a mão em meu ombro.

–Não se preocupe, Mabelle. Peter é gente boa. Tenho certeza que se Mary quiser voltar ele a trará de volta. Acho que mesmo eles discutindo ela estará melhor lá. Já basta termos envolvido você e Naya nas nossas complicações, não queria arrastar mais alguém nessa história. E sinto dizer que as coisas só ficarão mais difíceis.

Sentei de perna cruzada no sofá e olhei para ele novamente. Sua expressão estava tensa.

–Foi isso que não o deixou dormir? – Perguntei.

Ele fez que sim.

–Acho que não precisa ser tão complicado assim – Falei.

–Como assim? – Ele perguntou confuso.

Era a primeira vez em que estava tendo uma longa conversa com Harry. Mesmo morando juntos só percebi hoje o quanto gosto dele.

–Bom, pelo menos enquanto vocês não estiverem em turnê. Enquanto permanecerem aqui é só sair de casa e ir onde devem ir. Eu e Naya ficaremos aqui enquanto vocês trabalham, ninguém precisa saber da gente. Vocês combinam uma desculpa por sumirem e quando terminarem vocês voltam. Viramos-nos bem juntas, pode ter certeza. E quando saírem em turnê não tem problema, podemos alugar alguma casa na cidade, arrumar emprego. Assim ninguém desconfia.

Ele olhou para cima, vi que ainda estava processando as informações.

–Realmente, Mab! É simples, mas eu me sinto mal de deixar vocês sozinhas num país que nem é de vocês. E além de tudo não conhecem mais ninguém para pedir ajuda caso necessário.

–Não se preocupe com isso agora, mas tenha certeza que ficaremos bem. Tem muitas coisas que podemos fazer em Londres.

Vi que ele já estava contente novamente vendo que achamos uma solução para o nosso problema. Ficamos um tempo prestando atenção no filme. Harry me ajudara muito com essa conversa, ele me passou certa confiança.

–Afinal, que filme estamos assistindo? – Perguntou.

Eu sorri lembrando da conclusão do filme. Devemos aproveitar ao máximo o tempo, cada segundo como se fosse único, exclusivo e o mais especial. Fazer cada coisa como se fosse a última que faríamos e dar valor a cada mínimo detalhe. Isso acaba tornando cada segundo da vida prazeroso, como se tivéssemos o tempo em nossas mãos.

–É meu filme preferido, chama About time.

Assistimos atentamente até o final do filme. Sei que Harry gosta de comédias românticas, então tinha certeza que amaria o filme. Na última cena do filme olhei para Harry e ele estava chorando.

–Você é uma ótima companhia, Mabelle. Normalmente tenho que obrigar o Ed a assistir esse tipo de filme comigo, agora posso assistir com você!

Eu ri do brilho em seus olhos por ter companhia para assistir comédia romântica.

–É claro, até mesmo porque normalmente eu também tenho que obrigar o Ed assistir comigo.

Fomos então cada um para os respectivos quartos e agora consegui dormir bem.

Acordei e já estava sol. Olhei em volta e não vi Ed. As cortinas brancas de meu quatro balançavam calmamente com a brisa do mar e sentia cheiro de café vindo da cozinha. Levantei-me e fui até a cozinha procurar por indícios de vida humana. A essa altura do campeonato eu e Naya não usávamos mais roupão para perambular pela casa.

Saí do quarto sem avistar ninguém e peguei uma xícara no armário. Enquanto colocava o café olhei para a sala de jantar, que era anexada com a cozinha, e quase derrubei a bebida de susto. Ajeitei meu cabelo e camisola desajeitada e tentei sorrir.

Ed, Harry e uma mulher estavam sentados na mesa. Ela carregava uma papelada e eles a olhavam com certa apreensão. Quando me viu ela sorriu maliciosamente, com certa competição no olhar.

–Pelo visto vocês andam contratando umas prostitutas! Hum... Bem sexy – Falou a mulher.

Fiquei boquiaberta. Não falei nada para me defender, estava chocada demais para isso. Olhei para os meninos para ver se algum iria me defender, mas Ed estava tão chocado quanto eu. Ele a fuzilava com o olhar e Harry só olhava para mim.

–On... Onde está Naya? – Foi tudo o que consegui dizer.

Não me defendi também porque não sabia se ela era da imprensa, não queria dar trabalho aos meninos.

–Na praia – Disse Harry.

A mulher é extremamente magra, com cabelos pretos chegando até o ombro – não sei porque todas as mulheres a minha volta tem cabelo curto – lisos com as pontas azuis. Ela usa óculos retangular e evidentemente não usa maquiagem, mesmo assim ainda era muito bonita.

–Nossa! Duas prostitutas, uma para cada um! Vocês não ligam para gastos mesmo – Disse ela com cara de surpresa – Essa é de quem? Ou vocês revezam?

Eu já ia virar as costas para ir atrás de Naya quando ouvi Ed falando com uma voz seca e com a raiva emanando dos poros:

–Ela é a minha namorada. E Naya é a namorada de Harry.

Agora não era mais a minha vez de ficar chocada. Olhei para a expressão dela e dei um sorriso satisfeito.

–Prazer em conhecê-la, sou Mabelle.

–Igualmente, Mabelle. Você já deve me conhecer. Sou a Julinha.

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Notas finais
Eu sei, a Julinha é diva vlw flw haha Lembrem-se: dicas e sugestões são sempre super bem-vindas!