Notas iniciais
Esse capítulo está tranquilo também, então sem sexo, nudez e etc.

‘’Não! Você não é a Julinha!’’ tive vontade de gritar, mas apenas sorri e acenei. Voltei ao meu quarto dando passos largos, coloquei meu biquíni, uma saída de praia e tentei não chamar atenção para passar por eles. Fui o mais delicada possível para abrir e fechar a porta da frente, o que foi muito difícil porque ela range demais.

Fui correndo até a praia. Tropecei em muitas raízes, galhos e pedrinhas pelo caminho, mas não liguei. Quando cheguei no gigante degrau percebi que essa era a primeira vez que ia a praia sem o Ed. Juntei todas as minhas forças e pulei. Meu tornozelo queimou um pouco com o impacto, porém ignorei a dor e continuei correndo. Comecei a sentir a brisa do mar batendo em meus cabelos. Logo meu chinelo estava enroscando na quente areia da praia e eu os abandonei para correr mais rápido.

Ao chegar ao local onde as ondas já conseguiam alcançar meus pés eu parei e me curvei, apoiando as mãos nos joelhos. Eu ofegava devido ao esforço e suava um pouco também. Estava com raiva, queria gritar. Respirei fundo para recuperar o fôlego e olhei em volta procurando Naya. Ela estava sentada numa toalha me observando curiosa. Fui até ela, tirei a saída de praia e me sentei também. Eu evitava contato visual, apenas olhava para o mar.

–Você a viu? – Perguntou.

Fiz que sim.

–Eu não vi, assim que eles receberam a ligação dela eu já me arrumei e vim para a praia – Vi na visão panorâmica ela me olhando – E Mabe, não fique brava com eles, ela não deu escolha pra ninguém.

–Por que você não me acordou? Preferia não ter a encontrado.

Naya arqueou as sobrancelhas.

–Ed foi te chamar, porém não conseguiu. Supomos que se seu sono estava tão pesado assim, você não acordaria tão logo. E por que isso? Foi tão ruim assim?

–Basicamente fomos chamadas de prostitutas! – Disse com raiva.

Contei tudo, detalhe por detalhe. Naya ficou boquiaberta e talvez até com mais raiva que eu.

–Não vou mais conseguir defender ela – Admiti – Ou gostar dela. Agora eu estou preocupada, Naya.

Depois de xingar um pouco, Naya respondeu:

–Pelo menos agora eu não vou mais falar mal sozinha.

Esbocei um sorriso, mas não estava inspirada para isso.

–Mas temos que evitar falar mal perto dos meninos, ela pode ser uma vadia, mas ainda é amiga dos meninos.

Naya me fitou com cara de merda.

–Ah, pelo amor de Deus, Mabelle! Depois do que ela fez e falou me sinto na liberdade de falar mal dela o quanto eu quiser. Vadia é vadia, você não precisa ter dó ou remorso de falar mal.

Antes que pudesse falar qualquer coisa, Harry apareceu e se ajoelhou perto de nós.

–Meu Deus, o triângulo amoroso esperado por séculos vai se concretizar! Você vai pedir as duas em casamento! – Disse Naya fingindo estar histérica.

Harry revirou os olhos e cobriu o rosto da namorada com a mão.

–Como eu estava tentando dizer, Mabelle, a presença das damas está sendo solicitada na casa.

Naya tirou a mão dele de seu rosto bruscamente e dava para ver em seus olhos o que ela estava pensando. Ele apenas encarou-a e já respondeu.

–Sim, Julinha ainda está lá. Mas venham, é muito importante, vocês não podem perder isso.

O tom de urgência dele nos fez levantar rapidamente e andar o mais rápido possível. Quando chegamos ao famoso obstáculo Harry ajudou as duas a subir e veio logo depois.

Quando chegamos em casa Harry pediu pra entrar primeiro. Entrei e dei de cara com Ed conversando com a Julinha no sofá da sala. Eles pararam o assunto e teve um longo silêncio constrangedor. Ela olhou para as nossas saídas de praia e comentou:

–Nossa! Vocês não compram roupas para essas meninas?

Naya arqueou a sobrancelha mais do que nunca. Vi que ela estava prestes a falar tudo o que queria, mas segurei o seu pulso e falei:

–Então, Harry, o que era tão importante?

Ed e Harry se entreolharam e Julinha me encarava com um sorriso no rosto.

–Vá ao quarto vazio – Falou Ed – Vocês terão um surpresa.

Trocamos olhares e decidi não discutir. Nenhum dos dois parecia estar num bom dia.

Eu fui andando e Naya seguindo após cochichar alguma coisa no ouvido de Harry. Ela não estava preocupada se isso seria falta de educação. Abri a porta com cuidado e me deparei com uma menina com cabelos castanhos e lisos que chegavam um pouco acima do ombro deitada na cama com o rosto no travesseiro. Ela estava mais magra do que nunca – assim como eu e Naya. Mesmo com o seu quadril sendo um pouco mais largo – assim como o meu – ela aparentava magreza.

–Mary? – Falei

Ela se movimentou um pouco e tirou o travesseiro do rosto. Seus olhos estavam vermelhos e seu rosto molhado de lágrimas. Ela abriu seu largo sorriso com dentes perfeitamente alinhados e secou as lágrimas. Levantou-se então da cama e veio correndo em minha direção. Ela se jogou em mim e deu um abraço com tanta força que até o Hulk ficaria com inveja. Abraçou então Naya e nos olhou com certa gratidão no olhar.

–Senti tanta saudade de vocês! – Falou.

Sentamo-nos na cama.

–O que aconteceu, Mary? Achamos que você voltaria apenas mês que vem. E o Peter?

Sua expressão mudou. Ela estava profundamente triste. Eu sabia que meu sonho não tinha sido um sonho. Sabia que tinha acontecido. Não foi a primeira vez que isso acontece. A primeira vez que vi um clipe de Ed, vi seu rosto, seu jeito, seu sorriso... Soube instantaneamente que eu conheceria algum dia. Minha paixão e admiração por ele era algo maior e diferente que das outras fãs. Nunca me identifiquei com outra fã e sempre tive a impressão de saber o que falar para ele e de como ajuda-lo em qualquer situação antes mesmo de conhecê-lo. Quando sugeri a viagem para as duas, mesmo ambas estando descrentes, tinha certeza que eu pelo menos o veria. É claro que sempre tinha a voz da realidade sussurrando ‘’é tudo coisa da sua cabeça’’ no meu ouvido, e várias vezes quase acreditei.

–Estava tudo muito bem no começo – Ela admitiu – Achava demais a maneira com a qual pensávamos igual e como éramos compatíveis, mas conforme o tempo foi passando as coisas foram mudando... Ele foi mudando. Ele começou a ignorar o que eu queria e interagir com ele começou a me desgastar. Eu me sinto inferior a ele, não porque ele faz alguma coisa para eu sentir isso, é apenas o jeito dele. Até mesmo quando ele era um pouco rude e não dava muita atenção para o que eu estava falando eu pensava ‘’Ah, tudo bem! É o jeito dele, não é por mal!’’. Eu o amo... Ou amava, ainda não sei, mas cansei de me sujeitar a esse tipo de interação. Não quero mais conviver com uma pessoa tão complicada – Ela respirou um pouco e continuou – Eu falei então para ele que queria voltar, fui o mais sincera possível com ele quando falei meus motivos. Ele não tentou me impedir, apenas aceitou. Eu não sei se fiquei feliz ou triste com isso. Acho que achei maduro da parte dele entender o que eu queria. Eu vou sentir a falta dele, ele tem muitas qualidades, ele é incrível... Mas eu não sei se é isso que eu quero para minha vida.

Ela olhou para baixo. Eu sabia que tudo isso tinha sido muito difícil para ela. Sabia que terminar com Peter fora extremamente difícil, já que ela odeia magoar as pessoas.

–Eu acho que você fez tudo certo – Falei – Seria injusto com os dois continuar nessa relação. Você não precisa se culpar, está apenas escolhendo que tipo de vida quer ter, porém infelizmente Peter não podia te proporcionar isso. O dia que você achar alguém que te ofereça isso você verá que valeu a pena tomar essa decisão.

Ela sorriu.

–Você não tem noção do quanto senti falta de seus conselhos, Mabelle.

Ouvimos uma movimentação lá fora e a porta da frente abrindo e fechando logo em seguida. Passos se aproximavam do quarto e logo depois alguém batendo na porta do quarto.

–Entre – Mary gritou.

Ed e Harry apareceram na porta. Harry sorria, mas dava para ver em seus olhos que não estava bem. Ed não tentou disfarçar, sua cara estava péssima.

–Precisamos falar com vocês – Disse Harry.

–Mas é melhor deixarmos a Mary fora disso, não precisamos arrastar mais uma para os nossos problemas – Disse Ed.

Eu e Naya nos levantamos. Eu olhei para Mary, mas ela respondeu o que eu estava pensando sem eu precisar falar.

–Eu estou bem, não se preocupe. Estou mesmo cansada, preciso tomar um banho e dormir.

Fui andando até Ed que passou o braço pela minha cintura.

–Se quiser comer alguma coisa sinta-se a vontade, Mary. Afinal, essa casa é sua também – Falou Ed.

Ela sorriu e agradeceu.

Fechei a porta e fomos andando até a sala. Eu e Naya nos sentamos no sofá, mas os meninos continuaram de pé.

–Parece que vamos levar bronca – Disse brincando.

Naya sorriu.

–Eles não teriam coragem – Comentou.

Ed andava inquieto de um lado para o outro e Harry parecia ter se perdido em seus pensamentos e estava um pouco alheio.

–Pelo amor de Deus, Teddy – Falei – Conte o que aconteceu!

Ele passou a mão nos cabelos e cuspiu as palavras:

–Temos apenas duas opções, Belle!

Ed é o único que me chama assim, mas normalmente apenas quando não estamos sendo observados.

Harry acordou de seus devaneios e completou:

–Não é uma escolha fácil, e são vocês duas que vão escolher.

Eu e Naya nos entreolhamos nervosas.

–É o seguinte – Falou Ed – Nós debatemos com Julinha e percebemos que ela tem razão, não dá mais para vivermos escondidos. Não precisamos voltar em turnê ainda, mas temos que aparecer. Nossas fãs estão com raiva, principalmente as do Harry. Elas são meio malucas. Com certeza todo mundo vai perguntar o que aconteceu, e até podíamos inventar alguma desculpa, mas não poderíamos aparecer em público com vocês e raramente poderíamos vir aqui por ser longe. Vocês não podem ser prisioneiras também. As duas opções, ao menos que vocês pensem em outra coisa, são terminar com o relacionamento ou admitir o relacionamento para a mídia.

–Mas vocês não precisam responder agora – Completou o Harry – Pensem e assim que souberem vocês podem nos responder.

Estava sendo difícil digerir tudo isso. Eu sabia que algum dia teríamos que fazer uma escolha, mas não sabia que seriam tão impactantes. Qualquer uma das opções mudaria minha vida e o curso das coisas bruscamente, e ainda para um curso que eu não queria tomar.

Naya me olhou desesperada, ela também não estava preparada para isso. Estávamos tão mergulhadas na nossa colorida fantasia que esquecemos que precisaríamos tomar uma decisão do tipo em algum momento.

–Nós podemos responder até quando? – Perguntou Naya.

Agora foi a vez de Ed e Harry se entreolharem.

–Sem pressão – Falou Ed – Mas nós dois temos uma entrevista numa rádio amanhã à noite, precisamos voltar para Londres depois do almoço. Agora precisamos separar alguns papéis para a Julinha, deixaremos vocês conversando.

Quando os meninos entraram no quarto de Harry e Naya, ela me abraçou com força e começou a soluçar. Conseguia sentir suas lágrimas molhando o meu ombro.

–Eu não sei o que eu quero, Mabelle – Falou.

Eu a abracei mais forte.

–Pelo menos temos opções, Naya. Poderia ser pior!

Ela recuperou o fôlego, mas ainda estava chorando.

–Mas eu sei o que eu não quero. Não quero abrir mão da minha liberdade e privacidade – Ela tirou a cabeça do meu ombro e me fitou com os olhos vermelhos – Eu vou ter que acabar o relacionamento.

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Notas finais
Não me odeiem haha
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.