Colégio Interno - Brittana
53 Margaret Lewis
Notas iniciais
Santana acordou com o rosto enterrado no pescoço de Brittany. Os seus braços apertavam firmemente a cintura da loira, e ela sentia os lábios suaves da namorada beijando o topo de sua cabeça e uma de suas mãos brincando com seus cabelos.
Santana levantou o rosto do pescoço da loira e limpou os vestígios de lágrimas do rosto. Os olhos azuis a encaravam com culpa e alguma tristeza, fazendo o coração de Santana apertar ao lembrar-se da discussão travada algumas horas atrás.
- Oi. – Santana murmurou, a voz ainda rouca.
- Oi. – Brittany respondeu no mesmo tom, sem saber ao certo como agir.
Ambas ficaram sentadas frente a frente por alguns minutos em um silêncio constrangedor. Brittany não encarava Santana nos olhos, apenas fitava as próprias mãos. Santana, por sua vez, observava Brittany pela primeira vez sem saber o que fazer.
- Como estamos? – Santana finalmente perguntou após um tempo.
- Eu não sei. – Brittany respondeu com um suspiro. – Você que me diz.
- A ideia foi sua.
- Foi uma ideia estúpida.
Santana ofereceu-a um sorriso fraco e estendeu a mão para ela. Brittany a segurou e a puxou para o seu colo, abraçando sua cintura com firmeza. Santana beijou a testa da loura e afastou algumas mechas de seu cabelo que insistiam em cair nos seus olhos.
- Então estamos bem? – Brittany perguntou.
- Estamos. – Santana concluiu, inclinando-se para beijá-la.
Brittany sorriu e virou-a na cama, ficando por cima dela. Segurou os braços de Santana acima da cabeça com uma das mãos e encheu seu rosto de beijos, fazendo a morena gargalhar.
- Eu. Amo. Você. – Brittany dizia entre os beijos.
- B, isso faz cócegas! – Santana protestou em meio a uma risada enquanto Brittany esfregava o nariz em seu pescoço.
Brittany sorriu maliciosamente e atacou o pescoço de Santana, fazendo cócegas em toda a região. Santana encolheu-se na cama e riu ainda mais, contorcendo-se com o toque da namorada. Brittany sorriu e parou após um tempo, inclinando-se para beijar a namorada mais uma vez.
- Nós realmente devíamos descer para o jantar. – Santana murmurou.
- Certo. Nós devíamos. – Brittany concordou, mas não fez menção de levantar.
Santana encarou Brittany com os olhos transbordando puro desejo e mordeu os lábios. Brittany não levantou. Segundos depois, estava com os lábios colados aos de Santana, girando-a na cama. O jantar podia esperar.
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Margaret Lewis batia com a ponta da caneta repetidamente nos papéis em sua mesa. Olhava para as fichas de algumas alunas, estudando-as. Em especial, olhava a ficha de Quinn Fabray. Algumas reclamações da outra escola por suas “brincadeiras” com os professores e algumas alunas, como a invasão do laboratório de química para o furto de algumas substâncias para suas engenhocas. Uma delas resultara em uma alergia de pele fortíssima em uma das meninas da escola. A pele da garota inchara e ficara completamente vermelha. Aparentemente, ela havia tido uma pequena discussão com Quinn em uma das aulas. Mas ainda assim, um talento excepcional para química.
Uma das fichas chamava mais ainda a sua atenção. Santana Lopez. Ela tinha um interesse particular sobre a garota. Notas excepcionais, ótimo desempenho em esportes e aparentemente um talento especial para música. Cantava e tocava piano, como constava na ficha. Tinha alguns problemas com várias meninas da escola, pelo fato de não conseguir manter a calma em muitas situações, mas fora isso, sua ficha era perfeita. Tão perfeita que poderia ir para qualquer faculdade, para o curso que desejasse. Um sorriso instalou-se em seus lábios finos enquanto ela pegava um pedaço de papel. Podia não ser a melhor das ideias, mas ainda era uma. Precisava tirá-la dali assim que o ano letivo acabasse. Ela simplesmente não poderia voltar para casa.
Escreveu uma carta com o currículo escolar de Santana anexados no papel. A mulher escreveu um rascunho para uma recomendação sobre Quinn Fabray e, após terminar, pegou as fichas escolares de Brittany Pierce e Rachel Berry. Estas seriam mais fáceis. Estavam na escola a muito mais tempo do que Santana e Quinn, ela as conhecia bem. Seria simples de escrever sobre elas e suas qualidades acadêmicas.
Quatro cartas de recomendação feitas. O mais difícil seria envia-las pelo correio sem que fosse inspecionada por alguma outra irmã. Mas, talvez, tivesse a solução perfeita para isso.
Guardou as cartas na gaveta e trancou-a com a chave que trazia sempre consigo no pescoço. Era melhor que ninguém soubesse, assim ninguém desconfiaria de nada. Mas ainda assim, precisaria de ajuda. Holly Holiday era a pessoa perfeita para o serviço.
Trataria disso mais tarde. A noite caíra e já era hora do jantar. A mulher levantou-se da cadeira com certa dificuldade e encaminhou-se até a porta. Certificou-se de que tudo estava trancado para não correr riscos de receber uma visita inesperada da Srta. Fabray e seus experimentos esquisitos e andou pelos corredores da escola em direção ao refeitório.
O colégio era um lugar escuro, sombrio. As luzes fracas que tentavam iluminar os corredores de pedra não eram o suficiente, nem as velas que estavam igualmente distribuídas em idênticos castiçais dourados e empoeirados. Alguns quadros antigos tentavam dar um pouco de vida para o lugar, mas sem sucesso. Isso frustrava a irmã. A escola nem sempre fora assim, tão sombria, tão largada. Houve uma época em que era um lugar agradável, uma casa para todas as alunas. Nos mais de trinta anos que passara na direção da escola, os últimos dez foram os piores. Tudo começou a decair, e ela não tinha mais o controle da situação. A época em que os pais assumiram o controle da escola. O convento não dava mais importância à opinião de uma velha freira, apenas faziam de tudo para atender os desejos de pais com muito dinheiro. Um deles: banir qualquer tipo de relação homossexual. Outro fora o fim do clube do coral, este pago pelos pais de Brittany. Qualquer resquício de felicidade que ela pudesse ter na escola, eles tentavam dar um jeito de destruí-la. Além disso, pagavam algumas freiras para manter um olho na menina. Sabiam muito bem do relacionamento que ela mantinha com uma amiga, e isto os deixava ainda mais insatisfeitos. Como qualquer família conservadora e católica ao extremo, repudiavam estas relações, pois elas acabariam por manchar o sobrenome Pierce. Mas, como não podiam mantê-la em casa, o mais “sensato” a fazer era pagar alguém para vigiá-la. Nada que o dinheiro não possa resolver.
A irmã chegou ao refeitório sem ânimo para o jantar. Apenas alegrou-se um pouco ao ver Brittany sentada ao lado de Santana, sem nenhuma ação que chamasse atenção para elas. E estavam pontuais, exatamente o que ela precisava para tentar manter o controle. Tudo estava perfeito. Exceto pelo chupão enorme no pescoço pálido de Brittany.
Margaret esgueirou-se pela cadeira e caminhou até a mesa onde Holly estava sentada conversando animadamente com Olivia e o Padre Will. Tocou fracamente o ombro da professora, que a dirigiu o olhar de imediato.
- Boa noite Srta. Holiday. – Cumprimentou. – Teria tempo para uma palavrinha?
A professora assentiu e saiu da mesa, seguindo a velha para um canto do refeitório. A cabeça martelava enquanto ela observava a irmã sentar e remexer nervosamente no anel em seu dedo.
- Preciso de um favor. – ela disse em um sussurro. – Dois, na verdade.
- Em que posso ser útil? – A professora perguntou.
- Primeiramente, quero que tire Brittany do refeitório antes que alguma das irmãs veja a marca horrenda que está no pescoço dela. – A velha falou, fazendo Holly arregalar os olhos.
- Aquela filha da…
- Não fale isto, Srta. Holiday! É deselegante uma mulher falar de tal maneira. – A velha repreendeu.
- Ok, desculpe. – a loira respondeu.
- E segundo, — ela disse enquanto tirava a chave do pescoço. – eu preciso que vá ao meu escritório. Na primeira gaveta da escrivaninha, tenho quatro cartas que preciso que envie pelo correio com urgência.
- Mas…
- Apenas faça isso, certo?
A professora arqueou uma sobrancelha, mas assentiu. A irmã ficou observando a silhueta da mulher encolher até que, por fim, desapareceu no meio das sombras do corredor.
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