Colégio Interno - Brittana
57 Família
Notas iniciais
Brittany voltava ao quarto saltitando pelo corredor. Tinha um sorriso bobo pairando em seus lábios enquanto pensava na namorada a esperando. Sua Santana. Era incrível como não conseguia lembrar-se de sua vida antes dela. Parecia tudo tão monótono, tão sem graça. Mas isso não importava mais. Agora, a única coisa que importava era ela e Santana.
Abriu a porta do quarto devagar. Santana estava sentada, olhando fixamente para um ponto na parede. Brittany franziu a testa e entrou no quarto, trancando a porta. Aproximou-se da namorada e beijou-lhe a curva do pescoço, abraçando sua cintura por trás. O corpo de Santana estava tenso, mas relaxou um pouco nos braços da loira.
- Desde quando você usa óculos? – Brittany perguntou, beijando a bochecha da morena.
O rosto de Santana adquiriu uma coloração avermelhada e ela apressou-se em retirar os óculos de aro preto. Quando a sua mão alcançou o rosto, Brittany a segurou e a afastou dos óculos.
- Deixe, eu gosto. – ela pediu. – Ficam bonitos em você.
Santana virou-se para a loira e sorriu fracamente. Brittany voltou a franzir a testa e a apertou mais forte em seus braços.
- San… — ela balbuciou. – Não acha que está na hora de você me contar o que está acontecendo com você?
- Britt…
- Deixe-me terminar, Sanny. – Brittany interrompeu. – Isso não está te fazendo bem. De verdade, amor. Me diz o que é que há de errado, quem sabe eu possa ajudar.
Santana engoliu em seco. Agora era a hora perfeita. Ela podia afastar Brittany, ela podia livrar Brittany de lidar com tudo isso. Mas ela não conseguia. As palavras não se formavam na sua garganta. De todas as histórias que ela pensou em criar, de todas as mentiras que ela tentou inventar, nenhuma soava bem para ela agora. Pensou em dizer que não a amava mais, ou que não se sentia mais atraída por ela, mas jamais se perdoaria por proferir tais mentiras. Ela era egoísta. Não conseguiria afastar Brittany de si, pois seu corpo não permitiria. Sua boca a trairia, ela não poderia mentir. Então, ao invés disso, apenas deixou um soluço alto ecoar de seus lábios e enterrou o rosto no pescoço de Brittany. As lágrimas molhavam a camisa branca da namorada, os soluços altos ecoavam no quarto. Brittany estava sem ação. Abraçava Santana e murmurava coisas sem sentido em seu ouvido, beijava o rosto da latina, mas nada parecia acalmá-la.
- Eu estou cansada, Britt. – Santana murmurou em meio às lágrimas, encharcando o pescoço da loira. – Eu não sei o que eu faço.
- San, eu não sei do que você está falando. – Brittany disse enquanto beijava os cabelos da morena. – Me diz, San. Eu quero ajudar. Eu não aguento mais te ver assim, minha princesa. Só me diz o que houve de errado. F-f-foi alguma coisa que eu fiz?
Santana sorriu fracamente contra o pescoço de Brittany. Afastou-se e encontrou as íris azuis preocupadas, com uma ruga de preocupação no meio da testa. Levantou-se do colo de Brittany e caminhou até a escrivaninha, tirando uma carta de dentro da gaveta. Caminhou até a namorada e a entregou.
- Eu recebi isso semana passada. – Santana explicou. – É… é da minha mãe.
Brittany tomou o papel das mãos da namorada e, receosamente, começou a ler. Conforme lia os breves parágrafos, sentia seu coração apertando. Eram palavras frias, diretas. Não havia um pingo de amor, de carinho. Em um resumo, dizia que eles estavam indo à escola para visitar Santana.
- San, eu não entendo. – Brittany falou. – Quer dizer, eu sei que você e a sua mãe não se dão bem, mas eu não sabia que isso te afetava tanto.
- Britt, não é isso. – Santana disse enquanto Brittany a puxava de volta para o seu colo. – É que a minha mãe, ela… bem, ela não aprova relacionamentos homossexuais.
- Ela não precisa saber de nós. – Brittany falou, brincando com os cabelos de Santana.
- E-eu não quero que ela te cause problemas. – A morena falou com as lágrimas escorrendo pelo rosto. – E-eu tentei te afastar, m-mas e n-n-não consigo ficar longe de você. Eu te amo tanto Brittany, eu não consigo dizer para você ficar longe de mim.
- Então não faça. – Brittany falou com a voz suave. – Pare de me afastar. Vamos fazer isso como sempre fazemos San, juntas.
Santana enterrou a cabeça no pescoço de Brittany e voltou a chorar. A loira afagou os cabelos da namorada e esperou que ela se acalmasse.
- Eu amo tanto você Santana, tanto. – Brittany sussurrou.
- Eu te amo mais.
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Quinn voltou para o quarto com uma alegria infantil. Mamãe. Ela me chamou de mamãe. A loira tinha um sorriso largo estampado no rosto quando entrou no quarto e encontrou Rachel cantando com os fones.
Quinn sorriu ao ver a morena e a abraçou por trás, enchendo o rosto dela de beijos. Rachel sorriu e virou-se, enlaçando Quinn pelo pescoço e colando seus lábios nos da loira.
- Você nem adivinha com quem eu estava hoje. – Quinn disse enquanto puxava Rachel para cama.
- Hm, nem ideia. – A pequena respondeu. – Quem?
- Beth! – A loira disse animada.
- Beth? Onde vocês se encontraram? Shelby sabe disso? Isso não vai acabar mal? Vocês duas…
Quinn pressionou seus lábios contra os de Rachel por alguns segundos. A morena se calou e sorriu para ela.
- Falando demais? – Rachel perguntou.
- Um pouquinho. – Quinn disse beijando os lábios da morena novamente. – Mas eu gosto assim. E respondendo as suas perguntas, Shelby me levou até ela, meus pais estão vindo para cá e eu precisava escondê-la. Depois eu explico melhor, Rach.
- Seus pais estão vindo? – Rachel perguntou. – Ok, por quê?
- Para ver a filhinha preferida deles, é claro. – A loira disse sarcasticamente. – Mas eu não quero falar deles agora. Você não sabe do que a Beth me chamou.
- Não. Do quê?
- Mamãe! – Quinn gritou, levantando-se da cama e puxando Rachel com ela. – Ela me chamou de mamãe, Rach!
A morena riu e Quinn começou a pular e a dançar abraçada nela ao redor do quarto. Quinn levou a namorada em direção a cama e começou a pular com ela.
- Mamãe, mamãe, eu sou a mamãe… — cantarolava, fazendo Rachel gargalhar.
- Eu estou feliz por você, Quinnie. – a morena falou, fazendo a loira parar de pular.
- Quem sabe um dia nós três não seremos uma família? – Quinn falou. – Eu serei a mamãe e você a mãe.
Rachel parou de pular com Quinn no mesmo instante. A loira amaldiçoou a própria língua por ter falado mais do que deveria.
- Desculpe, eu acho que forcei um pouco. – Quinn murmurou enquanto sentava na cama.
- Quinn, olha para mim. – Rachel pediu com a voz suave.
A loira ergueu a cabeça lentamente, com medo do que encontraria. Mas viu exatamente o contrário do que achou que iria ver. Rachel tinha um sorriso que mal cabia em seu rosto, e os olhos castanhos brilhavam.
- Quer mesmo que eu seja mãe dela? – A morena perguntou. – Quero dizer, quer mesmo formar uma família comigo?
- Eu quero. – Quinn disse timidamente. – Eu quero tudo com você. Mas eu pensei…
- Quinn, o seu problema é que você pensa demais. – Rachel falou, puxando o queixo da namorada. – E eu falo demais. Mas não vem ao caso. Eu também quero uma família com você, eu quero uma vida com você. Eu só não sabia se você queria o mesmo.
Quinn sorriu e atirou-se por cima da namorada, enchendo o rosto dela de beijos. Ficaram o resto da tarde deitadas, fazendo planos para o futuro.
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