Colégio Interno - Brittana
2 Como uma Rosa
Notas iniciais
O primeiro mês na escola passara voando na opinião de Santana. Ela e Brittany acabaram por se tornarem grandes amigas, passando boa parte do tempo juntas. Mesmo assim, Santana era difícil de lidar, pois tinha uma imensa dificuldade em se abrir com qualquer pessoa que fosse, até mesmo Quinn.
Santana, assim como Brittany, tinha todos os horários pós-aula livres. O único interesse extracurricular da latina era música, mas o coral fora cancelado pela diretora. Santana tinha uma grande curiosidade em saber o que levara a velhota a cancelar uma atividade que deixava os alunos melhores, mas sempre se convencia de que era apenas amargura de uma velha solitária.
As duas estavam sentadas no pátio coberto da escola, observando a chuva que caía aos montes.
– Hoje vai ter temporal – Brittany murmurou.
– Parece que vai. – Santana concordou, rabiscando em seu caderno – Eu fico com você se tiver.
– Eu sei. – Brittany respondeu com um sorriso.
Após a primeira noite de tempestade em que Santana vira a reação de Brittany, ela passou a dormir com a loira cada vez que caia um raio dos céus.
– Eu me pergunto às vezes, como uma coisa tão bonita pode ser tão perigosa? – Brittany disse cortando o silêncio.
– Como assim? – Santana perguntou, tirando os olhos do caderno.
– Como um raio. É lindo, mas mata se pegar em você. – Brittany divagou.
– Eu acho que depende. Às vezes, é por mal. Outras vezes, é por pura defesa. – Santana respondeu, entrando na mente da loira.
Uma das coisas que as duas mais faziam era discutir teorias sobre qualquer coisa. Das mais sérias as mais malucas que alguém poderia imaginar. Todas tendo início na mente de Brittany.
– O que quer dizer? – A loira perguntou, sentando-se ao lado da latina.
– Uma rosa. É linda, mas tem espinhos. Os espinhos são para se defender, não porque ela queira propositalmente causar mal para alguém. Já um raio não tem desculpa. Não tem do que se defender, então atinge alguém por pura maldade. O exterior não compensa o interior.
– E quais são os nossos tipos de espinhos? – Brittany perguntou – Machucamos as pessoas por pura maldade ou por puro instinto? Não sei, não faz sentido.
– Algumas coisas não tem que fazer sentido, Britt.
– Quais são os seus espinhos?
– O quê? – Santana perguntou arregalando os olhos.
– Não acredito que você repele as pessoas por maldade. Acho que você é como uma rosa. Só me pergunto do que você está se defendendo.
– Não estou...
– Santana, eu “moro” com você ha um mês. – Brittany disse cortando a morena – E mesmo assim, chegar a você é uma tarefa complicada. Eu aprendi a ler você, mas às vezes é difícil. Por exemplo, agora você está ficando nervosa. Posso ver porque está brincando com uma mecha do cabelo. Provavelmente está com medo de que eu cutuque alguma coisa que possa te machucar, não sei.
Santana baixou a cabeça. Queria qualquer coisa, menos encarar os olhos azuis na sua frente.
– San, eu não estou pedindo para você me contar sobre toda a sua vida. Só... Só saiba que eu estou aqui, caso queira conversar. – Brittany disse segurando as mãos da latina.
– Eu sei, Britt-Britt.
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Santana encontrava-se sozinha, encarando o teto do quarto. Não queria a custo nenhum contar à Brittany sobre seus medos, sobre seu passado. Queria a todo custo esquecê-lo, mas ela estava tornando esta tarefa cada vez mais difícil para Santana.
Santana ouviu a maçaneta girar e sentiu um peso na sua cama. Levantou a cabeça e abriu um sorriso ao notar os grandes olhos azuis que a fitavam.
– San, você já ouviu falar da Dama de Branco? – Brittany perguntou deitando ao lado da morena.
– Não é um filme? – Santana perguntou, puxando a loira para mais perto de si.
– Não! A Dama de Branco aqui do internato.
– Hm, não. Essa eu nunca ouvi.
– Diz a lenda que ela era uma estudante aqui do internato. Ninguém sabe ao certo porque ela morreu, mas o corpo foi encontrado na sala do coral. Dizem que a alma dela ainda vaga pela escola, e que quando alguém está muito triste pode ouvi-la tocar o piano da sala do coral.
– Uau. Essa eu realmente não estava esperando. – Santana respondeu – Mas qual é a moral dessa história, B?
– Eu a ouvi tocar.
Santana arregalou os olhos escuros.
– O q-quê? V-v-você está triste, Britt-Britt? O q-que há de errado?
– Eu preciso de um abraço. Do seu, pra ser mais específica.
Santana abriu um sorriso e abraçou a loira, apertando seu corpo com força. Brittany afundou o rosto no pescoço da morena e ficaram em silêncio por longos minutos.
– O que há de errado? – Santana tornou a perguntar.
– Estou frustrada. – Brittany respondeu.
– Sexualmente? – A latina brincou.
– Não, mas agora que você comentou, também. Mas não é isso.
– E então o que é?
– Hoje seria a minha apresentação de dança, San. Eu... Eu sinto falta de dançar. Isso me deixa frustrada. Além do mais, eu não consigo fazer a minha melhor amiga falar abertamente comigo. E agora que você comentou, eu sou sexualmente frustrada. Muito obrigada por adicionar mais uma frustração a minha lista.
– De nada. – Santana respondeu.
– San... Você entendeu que a minha melhor amiga é você? – Brittany perguntou afastando-se do abraço.
A latina engoliu em seco e desviou os olhos dos de Brittany. A loira segurou o queixo da morena, obrigando-a a olhar para ela.
– O que você não está me contando? – ela perguntou.
– Eu não posso fazer isso. Ainda não. – Santana respondeu chorosa – Por favor, não insista mais nisso.
– Eu não vou. – A loira prometeu.
Santana voltou a abraçar a loira, encostando a testa em seu ombro. Não sabia se algum dia estaria realmente pronta para falar do que a incomodava, mas por agora não podia nem pensar em arriscar perder Brittany.
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Santana estava sentada com Brittany ao seu lado, fazendo os temas de Espanhol e Latim. A latina ainda remoía o porquê do fechamento dos espaços artísticos. Achava que aquela história estava muito mal contada, e queria ir mais a fundo.
– Britt, por que a Megera fechou os espaços artísticos? – Santana perguntou enquanto ajudava a amiga.
– Não tenho ideia. Ela é velha e é louca, Santana. Deve ser mais do que o suficiente. – Brittany respondeu, tirando os olhos azuis do caderno.
– Mas ela nunca deu um motivo? Sei lá, qualquer coisa.
– Não, nunca.
Santana abriu um meio sorriso e voltou a escrever no seu caderno. Brittany desconcentrou-se completamente de seus temas e voltou os olhos para tentar ler as expressões de Santana.
– Não consigo ver... – Brittany murmurou – Essa expressão eu nunca vi antes.
– Do que está falando? – Santana perguntou.
– Não consigo ver o que está pensando. Isso está me deixando agoniada. Pelo amor de deus, fale de uma vez!
Santana sorriu e desviou os olhos do caderno.
– E se... E se voltássemos a ter aulas de coral?
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