Coisas Sobre Nós
8 Eu não a conheço tão bem quanto você_Nara Shikamaru
Notas iniciais
[Pov Hinata]
Após conversar com a amiga inusitada de minha mãe, acabei aceitando a proposta de dormir naquele bordel, já que não havia nenhuma hospedaria por aquelas bandas.
O quarto era simples, pequeno, mas bem limpo. Ficava um andar a baixo do pátio do bordel, normalmente os casais iam para quartos à cima do pátio, e por isto ela alertou que todos os quartos à cima do pátio eram os mais barulhentos, informando que me colocaria naquele mais isolado e confortável possível para que pudesse ter uma boa noite de sono. E realmente aquele era o mais isolado, ficava ao lado da cozinha e de um galpão que ela usava como porão.
Todavia ainda sim conseguia ouvir alguns gemidos dos quartos à cima quando me deitei e tentei dormir. Reprimi a risada, era extremamente engraçado como me sentia o mais estranhamente confortável naquele lugar e então eu finalmente entendi porque minha mãe também gostava. A falta de puderes permitia que nós, Hyuugas, sentíssemos liberdade.
Depois que peguei no sono, dormi extremamente confortável naquela cama de casal e apenas acordei porque uma forte claridade da fresta da pequena janela estava no meu rosto. Kami-sama! Que horas deveriam ser para estar tão claro?
Sorri inconscientemente, desde o fora que levei de Naruto-kun, nunca mais havia dormido direito. Isto já é um progresso!
Levantei e fui ao banheiro fazer minhas higienes matinais, tomei um rápido banho e vesti minhas roupas ninjas. Me olhei no espelho e percebi que minhas olheiras haviam desparecido e aparentemente estava com expressões melhores no rosto.
Descobrir sobre minha mãe realmente me fez muito bem. Não me lembrava mais de seu rosto, sua voz e muito menos sobre seu cheiro. Então aprender apenas um pouco sobre ela já me deixava extremamente satisfeita.
Ao sair do quarto e subir um lance de escadas me surpreendi com várias mulheres no pátio. Todas elas faziam trabalhos domésticos, limpavam as mesas, organizavam as vazias garrafas abandonas e outras até mesmo ensaiavam seu número sensual no palco, mas logo que me viram param tudo que estavam fazendo e me encaravam intrigadas, algumas até cochichavam umas com as outras. Então todo aquele sentimento de aconchego acabou.
— Olhem só meninas! – Aproximou-se uma jovem de cabelos róseas e olhos verdes que me relembrava muitíssimo Sakura, afinal, não era muito fácil conhecer pessoas com cabelos róseos. – Parece que Madame Hari contratou uma nova rival... Olhe aqui bonequinha de porcelana, não vai achando que só por ter esses pares de peito e rostinho angelical vai poder passar na frente de algumas de nós, existe um protocolo e os clientes mais ricos já possuem donas!
Assustei-me com o tom de voz e atitude da mulher, acuada dei uns passos para trás.
— Quem você pensa que é para intimidar uma convidada minha, Sayuri?! – Exclamou uma voz atrás de mim, que pela minha sorte, era conhecido.
Imediatamente a jovem deu um passo para trás, curvando-se levemente, sabendo muito bem que levaria uma bronca.
— Desculpe-me Madame Hari, pensei que tivesse ido embora durante a madrugada...
— Pois pensou errado! – A senhora, amiga de minha mãe, parou ao meu lado, alertando a todas as mulheres daquele pátio – Está aqui é uma convidada minha muito especial e não admitirei que a tratem mal, se alguém fizer isso, saiba que será a sua última noite trabalhando neste bordel, estão claras? Você também, Sayuri? — E mesmo a contragosto, ninguém respondeu a Madame Hari, até mesmo a jovem que parecia se chamar Sayuri. – Certo, apresento-lhes Hinata.... E não, ela não irá trabalhar com vocês!
— Não! – Exclamou alegre Sayuri – Ah! Então porque não falou logo! – Exclamou a jovem voltando a se aproximar de mim, porem com um grande sorriso no rosto – Desculpe pela grosseria, mas ter uma rival como você realmente me intimidaria – confessou sorridente e tal comentário apenas me fez corar. – Oh! Você realmente é uma fofa, parece uma boneca de porcelana. Já tomou café? Tomouyo preparou um chá verde com biscoitinhos maravilhoso! – E como se fossemos amigas antigas e intimas ela abraçou o meu braço e me encaminharia até a cozinha, sem nem ao menos me dar tempo para responde-la.
— MADAME HARI! – Exclamou angustiada outra jovem, que descia as escadas correndo – Oh! Por Kami-sama, que bom que está aqui! Fizeram algo com Shihiro! – Alertou angustiada e sem pestanejar Madame Hari ergueu seu longo kimono e andou o mais rápido que poderia para subir as escadas e ir aos quartos do andar de cima.
Encarei confusa Sayuri, que estava ao meu lado e já possui expressões tristes.
— O que está acontecendo? – Perguntei a Sayuri que parou de me guiar até a suposta cozinha.
— Shihiro atendeu ontem dois ninjas da vila da pedra, eles saíram não faz muito tempo. Normalmente não gostamos de anteder dois clientes ao mesmo tempo, principalmente ninjas, mas o dinheiro era bom.
— E o que fizeram com ela?
— Provavelmente o que normalmente homens viciados por carnificina fazem.
E aquela informação foi o suficiente pra que eu a largasse e corresse para a mesma direção que Madame Hiro havia ido.
— Hinata espere...!
Após subir um lance de escadas vi um corredor longo com vários quartos, a maioria com as portas abertas e que exalavam cheiro de suor e goso, mas assim que ativei meu Byakugan localizei rapidamente Madame Hiro, ela estava em um cômodo no final do corredor, um dos últimos quartos.
Quando entrei, além do cheiro de suor e goso costumeiro dos quartos, exalava fortemente também sangue, um cheiro tão ou mais forte que os outros.
Uma jovem estava com os pés e as pernas presas sobre a cama e sua boca amordaçada. Seu corpo coberto de hematomas arroxeados, principalmente nas coxas e virilhas, próxima da região vaginal. Mas o pior eram os cortes distribuídos por todo o corpo, principalmente na área abdominal, imediatamente reconheci os cortes realizados por uma kunai.
— Oh minha querida... – Lamentou Madame Hiro que se sentava ao lado da cama e tirava delicadamente a mordaça da boca da jovem — O que fizeram com você...?
E tudo que ouvi durante o silêncio melancólico do quarto foi um choro angustiado de uma garota, uma garota que não seria mais velha que Hanabi.
[...]
[Pov Sakura]
Ao fechar a porta do quarto de Temari fui em direção dele, que estava pensativo e sentado nas cadeiras do corredor.
— Acabei de analisar o quadro de Temari, aparentemente ela está estável, mas ainda desacordada, mas acredito que logo ela retornará a lucidez. Agora vou checar se chegaram novos resultados de exame e estudar o quadro dela... Shikamaru, você está bem?
Shikamaru permanecia imóvel, estava sentado com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos apoiadas no queixo, ele nem ao menos piscava. Perguntei-me se ele realmente havia escutado o que eu tinha dito.
— Você o conhecia, Sakura? – Ele de repente perguntou. – Sabia que ele era marido dela? Ao menos sabia que ela era casada?
Refleti o desconforto do Nara, quando entramos no quarto de Temari e vimos um desconhecido lá dentro ficamos alarmados, mas depois de me apresentar como médica responsável pelo quadro clínico de Temari os ânimos diminuíram e ele finalmente se apresentou como marido da princesa de Suna. Incomodado, logo no início da averiguação do estado clínico de Temari, Shikamaru saiu da sala. Observando o quanto aquilo incomodava e mexia com o Nara me questionei se realmente um dia ele esteve a fim da Ino, ou se era apenas por comodismo.
— Fiquei tão surpresa quanto você – Respondi com sinceridade e ele nada expressou ou agiu – Se quiser pode entrar e vê-la...
De repente o Nara se levantou colocando as mãos no bolso da calça e respondeu com desanimo:
— Ela já está na companhia de quem precisa. Apenas... Apenas cuide bem dela, está bem?
E sem esperar resposta ele partiu.
[...]
[Pov Naruto]
Como de costume a casa era silenciosa e extremamente organizada. Um cheiro de chá de hortelã exalava da cozinha e silenciosamente fui até o cômodo.
Sasuke usava um kimono negro e seus cabelos estavam cada vez maiores e alguns fios displicentes caiam sobre seus olhos, mas o moreno não se importava com isso.
— Vai ficar parado aí por muito tempo? – Perguntou arrogantemente enquanto despejava o chá sobre a xícara. Nas primeiras vezes eu me impressionava com a precisão do despejo mesmo sem ele enxergar, mas percebi que tudo que ele precisava era do tato e medir a distância mentalmente.
— Você poderia ter sido mais gentil ontem com a Sakura-chan. Você precisa entender que ela também se preocupa com você e ser um pouco gentil de vez em quando ou responder algumas perguntas para ela, não te faria mal.
— Havíamos combinado que ninguém saberia que morava aqui, já não basta os conselheiros e Kakashi?
— Sakura-chan não é qualquer pessoa, merece tanto quanto eu saber a verdade.
— E que diferença isso faz a ela?
— Talvez para você não importe, não quer dizer que para ela não seja importante.
Naruto apenas bufou irritado, era tão contraditório pensar que Sakura se importava porque provavelmente ainda gostasse do Uchiha e que ele, Uzumaki Naruto, gostasse dela. E ele que alertava o Uchiha! Pelo visto algumas coisas realmente não mudavam.
Um silêncio constrangedor surgiu entre os dois, até que finalmente Sasuke falou:
— Se quiser um pouco de chá é melhor pegar uma xícara, antes que esfrie. – Ordenou
— Teme, você realmente é um anfitrião exemplar – Comentei com sarcasmo a procura de um uma xícara.
[...]
[Pov Sakura]
Estava a horas analisando o quadro clínico de Sabaku no Temari, mas não conseguia chegar à conclusão alguma.
Há meses o Hokage me passava medicamentos solicitados por Tsunade, que só agora percebi que eram para o tratamento mal sucedido de Temari e que minhas conclusões eram idênticas as dela!
— Se continuar a enrugar essa testona do jeito que faz, alem de já ter uma testona enorme, vai ter uma enorme e enrugada... Cruz credo! – Exclamou Ino com humor que estava encostada no batente da porta do meu escritório – O que te preocupa tanto? – Perguntou Ino se aproximando de mim.
— Acho que não vai te interessar, porquinha.
Ino imediatamente parou de se aproximar e suspirou, observando apenas uma quantidade absurda de papéis sobre a minha mesa.
— É sobre o quadro de Temari?
Sakura apenas voltou a olhar para os papéis e passou as mãos no rosto, aflita.
— Nunca vi nada parecido, não sei se é genético ou ocasional e se for contagioso!? O que faremos...?
— Não deve ser nada tão sério...
— É sim, Ino! Ela está tentando tratá-lo há seis meses com a Tsunade e nenhum resultado positivo ocorreu desde então e se continuar nesse andamento...
— Acha que isso pode matá-la?
— Eu não acho, Ino. Eu tenho certeza.
Ino apenas voltou a se aproximar de mim e pegar alguns resultados de exame em cima da mesa, analisando o quadro tanto quanto eu fazia.
— Você dá quanto tempo para ela? – Ino perguntou durante um suspiro.
— Não dou mais que um mês. Sozinha não consigo desvendar este caso, já mandei uma lesma para Tsunade para reunir as informações que ela tem, mesmo assim... Não sei se conseguimos achar uma cura.
— Talvez não encontrem nem a causa – Ino murmurou analisando rapidamente o quadro clínico dela. – Isto vai destruir Shikamaru...
Sakura apenas observou as expressões melancólicas da amiga, até cogitou a perguntar sobre o que estava acontecendo com o namoro dela com o Nara ou simplesmente questionar como a loira se sentia com tudo que ocorria.
Mas ao encarar as expressões entristecidas de sua amiga entendi que era melhor não questionar nada.
— Eu também vou estudar o caso, à distância – Ela rapidamente acentuou – Se outras pessoas aparecerem com este quadro e não soubermos lidar com esta doença isto pode se tornar uma epidemia.
Novamente vi Ino deixar seus problemas pessoais de lado para lidar com um bem maior e sabia que era isso que a transformava em uma pessoa tão especial.
[...]
[Pov Naruto]
Após sair do clã Uchiha fui direto ao prédio dos Kages e me surpreendi ao ver Shizune dentro da minha sala, enchendo a minha mesa com novas papeladas.
— Eu não disse que estava de férias?! – Exclamei confuso.
— E deixá-lo sozinho no momento que mais precisa de mim? Tsunade aguenta ficar alguns meses a mais sozinha em Suna – Comentou sorridente despejando os últimos documentos que segurava em cima da mesa.
Apesar de contrariado, não pude reprimir um sorriso pelo carinho que Shizune tinha comigo. Era estranho alguém se importar.
— Acho que deverá mandar uma mensagem para Kazekage.
— Por que mandaria uma mensagem para Gaara?
— Sakura me informou que Temari foi internada, caso clínico que Tsunade cuida pessoalmente há meses, acho importante alertar o Kazekage.
— Sakura-chan dá conta...! – Shizune me interrompeu.
— Alerte o Kazekage! – Ordenou esbravejando e indo para fora da sala
— Shizune – A chamei antes que saísse da minha sala – Sentiria sua falta se saísse de férias – Confessei sorridente e apenas observei ela ficando extremamente sem graça.
— É lógico que sentiria! Jamais ia encontrar uma secretária tão eficiente como eu. – Informou antes de fechar a porta e me fazer rir.
[...]
[Pov Hinata]
Passava delicadamente em cada ferimento de corte da pobre garota uma pomada cicatrizante que sempre carregava comigo.
Agora cuidando da menina mais de perto reparei que além dos cortes e dos hematomas na pele próximo da região vaginal ela também possuía fortes hematomas no pescoço, provavelmente criados por um estrangulamento.
Encarei a expressão vazia da pobre garota encolhida enquanto passava gentilmente mais pomada nas costa dela e a mesma se cobria fragilmente com um fino lençol.
— Sabe, eu tenho uma irmã com uma idade próxima a sua. – Iniciei a conversa para quebrar aquele silêncio tão desconfortável, principalmente para distrair a sua mente. – Nosso pai sempre foi muito severo conosco e fazia levantarmos todos os domingos de manhã para treinar. Uma vez, enquanto treinávamos acabei levanto o treinamento sério demais e feri minha irmã com um corte na bochecha esquerdo. Minha nossa! Minha irmã ficou irada comigo, me sentindo culpada, usei essa mesma pomada que uso em você, e acredite, não ficou nenhuma cicatriz! Você vai ver, logo esses machucados cicatrizarão e esses hematomas desaparecerão. Vão demorar um tempo, mas depois tudo voltará ao normal.
— Você não entende... – Shihiro murmurou e aguardei ela continuar a falar – Logo algum deles voltam...
— Como assim?
A menina suspirou e agarrou mais próxima do corpo o fino lençol.
— A onde pensa que homens como esses extravasam sua sede por sangue em um mundo onde apenas existe paz? Aqui não é Konoha, não existe um Hokage para proteger seus cidadãos.
— Por que não sai desta vida e mora em Konoha?
— E sobreviver como lá? Não pertenço a um clã, não possuo familiares de lá ou dinheiro para iniciar um comércio. A única coisa que posso fazer para sobreviver é usando o meu corpo, e prostituição dentro dos muros de Konoha são proibidos.
Hinata refletiu como poderia ajudar aquela menina, mas sem uma resposta imediata ela apenas perguntou:
— Como eram os homens que te torturaram?
Naquele momento entendi porque Madame Hari dizia que minha mãe a protegia quando encontrava maus clientes.
[...]
[Pov Shikamaru]
Peguei mais um documento, estabelecia mais um cronograma e separava o tema da primeira fase da prova chunin.
Eu deveria estar deitado no telhado de alguma casa observando as nuvens ou simplesmente dormindo na sombra de alguma árvore, ao invés disso, vim ao escritório encarregado pela prova chunin no qual eu e Temari utilizávamos.
Irônico, não é? Eu faria de tudo para não estar naquele lugar e agora tentava o mais rapidamente possível terminar todos os preparativos daquela prova com extrema exatidão. Eu faria a melhor prova chunin já organizada e ainda por cima sozinho. Não queria que ela viesse palpitar sobre a prova como deveria ser por trabalharmos juntos, não queria que ela criticasse algo que saísse errado só porque fui eu que criei e principalmente não queria que existisse um motivo que fizesse vê-la quando ela recorda-se a consciência.
Assustei-me ao ouvir uma chave na maçaneta tentando abrir a porta do escritório que já estava aberta, o pior era saber quem tentava fazer isto.
Um homem alto, loiro, mas com uma cor de pele bronzeada e olhos castanhos ultrapassará a porta.
— Oh! Desculpe-me, achei que estivesse trancada. Você é o Shikamaru, não é?
— Como sabe o meu nome? – Perguntei com rispidez
— Temari. Ela já me contou muito sobre você. – Informou simplesmente. “Engraçado, ela nunca me falou sobre ele”, pensei – E eu sei que no passado você sempre trabalhava com ela para realizar a prova chunnin, então bem... Só pode ser você, não é mesmo? Ouvi no hospital que também foi você que a levou para a emergência, não é? Agradeço muito por isto, se ela tivesse chego mais tarde no hospital, provavelmente não daria tempo de salvá-la. Muito obrigada – Ele agradeceu dando uma leve reverenciada e isto me deixou sem graça – Eu disse para ela não vir para Konoha, não com o quadro atual, mas você sabe como ela é, quando coloca algo na cabeça ninguém é capaz de tirar. – Comentou dando uma leve risada, mas eu continuei em silêncio e o encarando sem expressão. Teria que aturar a educação e bom humor dele por quanto tempo?
— Veio fazer o que aqui?
— Temari recordou a consciência...
Apesar de não transmitir, fiquei muito feliz por descobrir isso.
—... E me pediu para pegar uma pasta desta sala, agora ela quer trabalhar no hospital mesmo. A Dra. Haruno nos informou que provavelmente ela ficará internada em observação por um bom tempo, então Temari vai fazer o que puder para adiantar o serviço... – Eu o interrompi
— Pode informar a princesa de Suna que eu prepararei todo o serviço, no prazo. – Acentuei – Diga também que desejo melhoras e que é melhor ela ficar em repouso, porque cuidei das provas dos últimos cinco anos em que ela não estava aqui, darei conta sem nenhum problema este ano também – Provavelmente minha resposta saiu mais ríspida do que eu esperava, mas não conseguia reprimir tão bem a magoa que sentia.
O marido dela suspirou lentamente e entrou na sala, sentando-se na poltrona na minha frente.
— Olhe... Não estou duvidando do seu serviço, ou algo parecido, apenas me de algo simples, nem que seja contratos para ler ou alguns documentos para assinar.
— Por que eu faria isso?
— Porque você a conhece tão bem quanto eu, e sabe que excluí-la desse serviço apenas fará ela se sentir mal e uma imprestável.
Ele me encarou como se compartilha-se algum segredo comigo.
Vencido, por saber que ele dizia a verdade, entreguei três grandes pastas para ele, cheias de pelo menos 15 contratos. Era trabalho mais do que o suficiente para ela, além disso, realmente seria um saco ler e verificar toda aquela papelada.
— Obrigada – Sussurrou grato se levantando e saindo da sala.
— Está enganado... – Sussurrei, fazendo com que ele voltasse a olhar para trás – Eu não a conheço tão bem quanto você, na verdade eu mal a conheço – E apesar dos anos com ela, eu sabia que isto era verdade, Temari sempre foi cheia de seus mistérios e sempre me surpreendia com eles.
Apenas o vi sorrir ironicamente, dar um longo suspiro e colocar uma das mãos no bolso.
— Você tem certeza disso? – Ele me perguntou ficando sério de repente. – Quando fui buscar a chave dessa sala no quarto do hotel de Temari encontrei isto... – Então ele retirou do bolso um pequeno objeto prateado e arremessou em mim.
Era uma aliança, ele havia encontrado a minha aliança de relacionamento com a Ino, que Temari retirou enquanto transávamos na madrugada de dois dias atrás.
— Com certeza minha esposa não usa uma aliança de namoro, muito menos com o nome de Yamanaka Ino – Ele rapidamente pontuou me surpreendo, porque dentro da minha aliança estava escrito o nome de Ino.
E assim que observei seu rosto e encarei seus olhos, que tinham uma expressão tão séria quanto a minha, eu tive certeza que ele sabia que nós dois havíamos transado no quarto de hotel dela.
— Ela me perguntou hoje sobre você, até informei que passou lá mais cedo, talvez ela espere que você a visite em algum momento, como uma última despedida, mas sei que já se despediram – E ele deu um longo suspiro — E quero que não compareça mais lá.
Ordenou seriamente sem parar de me encarar e eu não conseguia não demonstrar a minha surpresa por suas palavras.
— Espero que estejamos entendidos.
E sem esperar resposta ele partiu e me perguntei o quanto ele não gostaria de me socar e porque não o fez.
Continua....
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