Coisas Sobre Nós

9 Nunca mais Uchiha Sasuke!_Haruno Sakura.


Notas iniciais
Olá! Dedico este capitulo para Hinata fjg pela linda recomendação, oh ceus! eu adorei muitooooooooooooooo obrigada Também gostaria de agradecer aos poucos leitores que comentam a fic! São vocês que me ajudam a permanecer a escrever a fic, então muito obrigada. Aviso que neste capítulo uso lembranças de diversos outros capítulos. Então as palavras em itálico são memórias de momentos já escritos na fic, talvez apenas narradas por uma pessoa diferente. Coloquei algumas falas, mas a cena de memórias do Naruto foi a primeira cena que escrevi da fic só que narrada pela Hinata. As palavras grifadas são frases mais impactantes, pelo menos na minha singela opinião. Boa leitura!

Capítulo 9: Nunca mais Uchiha Sasuke!_Haruno Sakura.

[Pov Sakura]

Antes de entrar no quarto de Temari e averiguar seu estado clínico pude ouvir um pouco da conversa.

— Você precisa voltar a Suna e estar com a sua família!

— Não vou ir para Suna até terminar o serviço... – Respondeu Temari com a voz rouca.

— Eu conversei com o tal Shikamaru, ele falou que cuida de tudo!

— E-Eu quero estar com a minha família... – Ela pausou antes de continuar a conseguir falar – Mas esse é o meu último trabalho...Também quero terminá-lo... – Disse roucamente

— Isto vai demorar semanas!

— Te peço apenas uma semana para deixar tudo em ordem... Sei que eu e Shikamaru conseguimos r-resolver neste tempo... Se nos propusermos a isso...

— Temari, quando vai entender? Você não está apta a trabalhar e sua família precisa de você! Céus! Eu preciso!

— Desculpa, eu incomodo? – Perguntei ao entrar no quarto, parecia que havia chego em um momento inoportuno. Tsubasa, o marido galã de Temari, parecia extremamente irritado, enquanto Temari tentava se justificar a sua permanência em Konoha.

— Entre, Sakura, por favor... – Pediu fragilmente Temari que tentava se sentar na maca. – Afinal... Fui eu que solicitei... q-que v-viesse. – Informou entre pausas.

Reparei que Temari estava mais pálida que normalmente, possuía também profundas olheira a baixo dos olhos e claramente apresentava perda de peso rapidamente. A mesma permanecia ligada a uma série de equipamentos médicos e as vezes usava a mascará de oxigênio, porem em sua cama estava espalhado diversos documentos.

Antes que conversássemos avalie o estado clínico de Temari, ela se queixava de profundas dores de cabeça, dor aguda generalizada no corpo e náuseas. Informei que poderia injetar morfina nela, mas a mesma se negava a receber, pelo menos por enquanto, a dor a ajudava a ficar acordada e assim conseguiria resolver seu trabalho.

— Bem... Desculpe se s-serei direta demais... – Informou não antes de inspirar fortemente – M-Mas preciso de sua resposta sincera.

Temari não prosseguiu até conseguir meu consentimento.

— Preciso voltar para c-casa... Mas antes, gostaria de saber... Q-Quanto tempo de vida tenho...? Preciso d-decidir quanto tempo... Ainda... Ficarei aqui em K-Konoha.

Sentindo a seriedade do momento apenas me aproximei do casal e fui tão direta e sincera quanto poderia ser.

— Informo que um viagem tão longa como até Suna será extremamente comprometedora para o seu estado clínico atual.

— Ela não pode voltar para casa?! – Tsubasa rapidamente exclamou.

— Eu não recomendo – Respondi com um tom sutil de voz – Tal viagem pode comprometer ainda mais o seu estado.

— Eu preciso voltar – Temari alertou seriamente, apesar de não conseguir gritar, a necessidade da ação estava explicita em cada palavra que pronunciava. – Q-quanto tempo tenho? – Exigiu.

— Um mês, talvez menos.

Temari não pareceu surpresa com a informação, mas seu marido imediatamente mostrou-se aflito e em pânico, sentando-se na cadeira mais próxima com as mãos tremulas no rosto.

— Preciso voltar para casa – Ela não me informava, me ordenava.

Suspirei entristecida sabendo o que uma viagem tão longa a Suna poderia piorar o quadro clínico de Temari.

— Você não poderá viajar como uma ninja – Eu também não a informava, a ordenava – Terá de ir com uma carruagem e todos esses equipamentos médicos terão de ir juntos, provavelmente uma equipe médica também.

— Mas assim demorara muito! – Exclamou emocionado o seu marido, que só naquele momento percebia que chorava em silêncio.

— Provavelmente uma semana de viagem, talvez um pouco mais, mas se viajarem de outro modo, Temari não suportará a viagem – Informei sinceramente.

— Partirei... Depois de... Amanhã – Informou Temari obstinada. Naquele momento percebi que ela deixaria de lado o seu trabalho e voltaria para a sua família, local que realmente gostaria de passar seus últimos dias.

— Então organizarei a equipe e equipamentos necessários para a sua transferência, além de alertar Tsunade de sua chegada e ela poder tomar os cuidados necessários com a sua ida. Também preciso da autorização do Hokage.

Temari apenas acenou com a cabeça e voltou-se a deitar na cama, colocando a máscara de oxigênio do rosto. Provavelmente ter uma conversa tão longa como tivemos fazia com que se sentisse enfraquecida e sem ar.

Apenas vi seu marido voltar a se aproxima dela, despejar um beijo cálido em sua testa e sentar-se ao seu lado, permanecendo suas mãos juntas. Era obvio que ele se preocupava e a amava mais do que o suficiente. Me questiono se um dia terei a sorte de conhecer alguém que se preocupe comigo como Temari tem alguém que se preocupe com ela.

Era até irônico, não é? Enquanto eu não tinha ninguém, Temari não tinha apenas um que se preocupasse com ela, ela tinha dois.

Tenho certeza que Shikamaru mesmo a distância também zelava por ela.

— Ainda estou pesquisando uma cura, Tsunade também. Não perca as esperanças, Temari, nos ainda iremos conseguir uma cura – Informei convicta antes de sair do quarto.

[...]

Cuidadosamente ela entrou no cômodo, atenta para se assegurar que ninguém a visse voltando de sua pequena caçada. Sorte sua que ninguém estava naquele horário da tarde no grande salão e recepção de seus clientes.

Naquele horário da tarde a maiorias de suas funcionárias ou se arrumavam para o trabalho da noite ou dormiam o pouco mais que poderiam.

Com passos cautelosos foi até as escadas e desceu para o andar inferior, indo ao quarto que descansou durante a madrugada, que por sinal era o andar mais isolado possível.

Mas sua sorte acabou assim que entrou no quarto e se deparou com Madame Hari sentada na cama com uma classe que provavelmente apenas um Hyuuga poderia ter, realmente a sua mãe havia lhe ensinado bem.

Assim que seus olhos se chocaram imediatamente Hinata foi descoberta.

— Não era da sua conta se envolver com aqueles ninjas da vila da pedra! – Acusou sem tirar os olhos do corpo de Hinata, a mesma tinha a roupa levemente surrada e até mesmo alguns respingos de sangue, mas aparentemente a Hyuuga não possuía nenhum machucado pelo corpo – Poderia ser muito perigoso.

Hinata não a respondeu, apenas foi em direção da suíte acoplada ao quarto, pronta para tirar suas roupas e tomar um longo banho quente.

— Os matou? – Perguntou com um tom de voz tão calmo que Hinata não sabia se surpreendia-se com a pergunta ou com a frieza.

— Não! – Ela rapidamente exclamou, ela jamais faria algo assim – Apenas garanti que... Bem, que não usem o chakra por um bom tempo – Se justificou sem encará-la e foi direto ao banheiro.

— Logo voltará o chakra deles e então farão que faziam.

— E desde quando matá-los seria a solução?

— E desde quando não seria?

— Você não pode afirmar que voltarão a torturar mulheres.

— Muito menos você. – Informou Madame Hari se erguendo e pronta para partir – Me enganei, você não é parecida com a sua mãe, ela era bem mais forte que você.

Imediatamente Hinata se surpreendeu com a informação. Sua mãe era uma ninja e muitas vezes protegia a sua amiga, mas isso significava que os matava? Ela era capaz de matar pessoas?

— Desde quando matar é sinônimo de força? – Hinata perguntou de repente.

— Força é fazer algo que você julga não ser capaz de fazer.

E sem esperar resposta Madame Hari saiu do quarto deixando para trás uma Hyuuga indignada.

[...]

[Pov Sakura]

Saí do Hospital de Konoha e ia em direção aos prédios dos Kagues, porque precisava conversar com Naruto sobre a transferência de Temari.

No caminho, porém, passei na região próxima do distrito Uchiha “abandonado” e lembrei-me das palavras de Naruto: “[...] — Tem certeza que é comigo que você deve conversar? [...]”. Mesmo sabendo o quanto Naruto fosse inconveniente muitíssimas vezes, naquela vez ele estava certo.

Então desviei o meu caminho e fui em direção do Clã Uchiha, em direção da única moradia reformada e habitável daquele local, a mansão de Uchiha Sasuke.

Como da última vez a porta não estava trancada, apenas entrei deixando os meus sapatos na entrada.

— Sasuke – Chamei sem algum retorno, algo que já esperava. “Como se em alguma vez ele me cumprimentaria alegremente, me convidando para entrar, porque logicamente, Sasuke sempre agia assim”, pensei com sarcasmo.

Passei pela cozinha extremamente organizada e vazia, assim como a sala de estar, o chamei mais algumas vezes, sem nenhum retorno. Descobri um banheiro no fim do corredor, uma enorme sala de jantar no cômodo ao lado da cozinha, outro quarto vazio ao lado da sala, mas tudo inabitado e escuro. A casa realmente parecia grande e bem reformada.

Subi as escadas com cuidado, sempre chamando por seu nome.

Havia mais uns cinco cômodos naquele andar, a maioria quartos organizados e inabitados, apenas um parecia haver vida, talvez por um chinelo largado no meio do cômodo e um kimono dobrado em cima da cama.

O chamei mais uma vez, sem nenhum retorno, e curiosa entrei no quarto. O cômodo era grande e uma cama de casal ficava localizada no centro, um grandioso armário fechado na parede a minha esquerda e uma escrivania na outra parede.

Mas o que chamou a minha atenção foram dois porta-retratos em cima da cômoda. Um possuía a foto de sua família enquanto ele ainda era bem pequeno, ele e seu irmão na frente e seus pais ao fundo, naquele momento entendi que ele havia puxado o olhar sério e carrancudo do pai, tal pensando me fez rir.

No outro porta-retratos eu tinha absoluta certeza que eu e Naruto ainda possuíamos, mas que ele, o homem mais frívolo que já conheci, nuca guardaria uma foto do antigo time sete.

Naquele momento eu percebi que talvez, apenas talvez, ele ainda se importasse com aquele objeto. Porque mesmo não enxergando ele ainda guardava os porta-retratos juntos pelo seu grande significado.

O antigo time sete era importante para ele? Tão importante quanto a sua família para guardar recordações tão intimas?

Sorri confidencialmente pensando que sim e saí do quarto.

Pelo visto Sasuke não estava em casa, o que me deixou intrigada, porque segundo o relado do Naruto, Sasuke não andava por Konoha e não saia de sua casa. Então onde ele estava?

Desci calmamente as escadas e finalmente ouvi alguns ruídos na região leste do terreno. Fui para a sala e percebi que a mesma possuía outra porta que jamais tinha percebido, abri tal porta e vi que dava em direção ao jardim dos fundos. Impressionei-me em imaginar como Sasuke conseguia deixar aquele jardim tão bem cuidado estando cego. A grama era aparada e provavelmente regada diariamente pelo tom verde vivo, as outras mudas eram bem aparadas e tão bem cuidadas que me impressionava como ele conseguia fazer isto tudo sozinho.

Andei calmamente pelo jardim indo em direção dos singelos ruídos que ouvia e assim que me aproximava mais dos fundos da casa vi um Uchiha Sasuke sem camiseta e extremamente suado.

Em silêncio observava seu corpo se mover com gestos sutis de arte macial que jamais havia o visto fazer antes. Seu porte físico parecia mais magro e um pouco menos musculoso, ainda sim, extremamente atrativo. Seu cabelo, mais cumprido que o normal, balançava com o vento de acordo com os movimentos e muitas vezes descobriam os seus olhos, mostrando-os tão esbranquiçados que a distância até parecia que tal homem pertencia ao clã Hyuuga em vez do Uchiha.

Em um movimento brusco, mas completamente previsível para mim, Sasuke jogou uma kunai em minha direção errando pelo menos uns 60 cm de distância do meu corpo, não era necessário nem se dar ao trabalho de desviar, sua precisão estava péssima.

— Quem está aí!? – Perguntou finalmente sentindo apenas agora a minha presença. Realmente a cegueira prejudicava e muito o desenvolvimento dele como ninja.

— É a Sakura-chan, Sasuke-kun.

Imediatamente a sua postura mudou, tornou-se mais rígido e mais sério.

— E o que faz aqui?

Apenas suspirei frustrada ao ouvir o tom de voz entediante que ele se referia a mim, realmente não sei porque ainda tento me aproximar dele.

— Te ver... Saber como está. Dá última vez não chegamos nem a conversar direito, ontem visitei o Naruto, ele me contou algumas coisas, mas gostaria de conversar com você. Entender o porquê voltou para Konoha e se voltou, por que Sasuke-kun... Por que permanece tão isolado?

Ele apenas suspirou emburrado e andou lentamente e com cuidado sobre o jardim, apesar de possuir extrema segurança por onde andava, pelo visto conhecia muito bem todo aquele terreno.

— Você não chegou a pensar que fico isolado, porque eu gosto de ser assim. – Rebateu se aproximando de mim, mas depois seguindo seu caminho para dentro da casa.

— Ninguém gosta de ser assim – Rebati e a única coisa que tive foi um resmungo aborrecido dele. – Por que voltou para Konoha, Sasuke-kun!? – Exigi correndo atrás dele, ele não ia fugir de mim.

— Ué, tenho tanto direito de morar aqui quanto você ou Naruto.

— Você não está vivendo, está fugindo! – Acusei fazendo finalmente ele parar de andar e virar para trás, mesmo olhando para uma direção errada da minha localização.

— Então me diz, Sakura, do que eu fujo? Porque eu realmente gostaria de saber – Comentou com sarcasmo, como se não soubesse do que me referia e fosse uma louca por tal teoria.

— Foge de si mesmo, Uchiha. Tem medo de descobrir o que se tornou.

— Ah sim... Falou a pessoa que me conhece – Comentou acidamente fazendo um sorriso de lado que há muito tempo não o via fazer – Você nunca realmente me conheceu, Sakura. Apenas me idealizou na sua cabeça quando era pequena, e pelo visto, continua fazendo isso – Comentou voltando a me dar as costas e indo para dentro da casa.

— Sim, você está certo! Eu era uma completa idiota por ter sido loucamente apaixonada por você quando pequena! Mas eu cresci e gostaria de te ajudar pela nossa história como time sete, por consideração. Não se engane, Sasuke! Eu cresci e amadureci. Lembro-me muito bem que um dia você tentou me matar...

— Assim como você – Ele rebateu sem alterar o tom de voz, completamente diferente de mim, que já estava completamente irritada.

— Sabe de uma coisa, você está certo, por que tentei me aproximar, não é? Você não precisa de perdão e muito menos de ajuda. É autossuficiente para tudo. Ia me oferecer a cuidar de alguns exames para seus olhos ou ajuda-lo a treinar para voltar a ser o grande ninja que sempre foi. Mas você sabe onde trabalho, sabe chegar até lá e se precisasse de algo iria até mim, mas como você não precisa e jamais vai precisar, porque prefere ser esse idiota ignorante e autossuficiente Uchiha Sasuke! – Exclamei marchando para dentro da casa e indo em direção da saída da mesma, não antes de me sentir decepcionada. Tão perto e ao mesmo tempo tão longe. – Você está certo, Sasuke, eu não te conheço. É realmente decepcionante acreditar no melhor de alguém que nunca existiu— Murmurei saindo da casa e sem esperar resposta.

Porque eu também tinha medo de descobrir que amei uma pessoa que jamais existiu. Era decepcionante e frustrante!

[...]

[Pov Hinata]

Era início de noite e mesmo deitada na cama já conseguia ouvir um movimento maior no andar de cima. Sabia que apenas no tardar da noite e durante a madrugada aquele local era verdadeiramente movimentado.

Surpreendi-me quando alguém bateu e abriu a porta lentamente. A mulher com uma ousada lingerie preta com detalhes lilás adentrou no cômodo com uma pequena bandeja.

— Trouxe algo para você comer. Eu ou qualquer outra das meninas não vimos você na cozinha hoje, deve estar com fome, então pensei que talvez fosse pelo modo que tentei te intimidar hoje de manhã, mas eu realmente fiquei insegura com a sua presença... – Comentou fazendo um sorriso sem graça, acho que o nome dela era Sayuri – Trouxe o jantar para me desculpar.

Sentei-me na cama e sorri, fazendo com que se sentisse mais à vontade e se aproximasse.

— Muito obrigada, mas não precisava.

— Soube também que cuidou hoje de Shihiro. O efeito foi muito bom! Os machucados dela nem inflamaram e estão começando a cicatrizar. Muito obrigada! De verdade! Nunca conheci alguém que se preocupasse com pessoas como a gente...

— Pessoas como vocês...?

— Prostitutas.

— Olhe não sei bem quais são os tipos de pessoas que vocês conhecem – Disse entre suspiros – Mas vocês trabalham tanto quanto eu, se expões ao perigo tanto quanto eu, então realmente não entendo como podem ser menosprezadas por qualquer um ou acreditarem no que outros acreditam.

Sayuri fez um sorriso sem graça e se aproximou de mim com a refeição. Sentou-se ao meu lado e colocou cuidadosamente a bandeja com delicadeza sobre a cama.

— Você é um anjo? – perguntou com tanta doçura e delicadeza que apenas conseguiu me fazer rir com tanta inocência.

— Tenho tantos pecados e desejos quanto qualquer outro humano – desabafei em segredo, conseguindo fazê-la rir.

— Você é uma ninja, não é? – Perguntou quando parou de rir e parecia que queria me perguntar isto a muito tempo.

— Sou.

— Já viajou muito?!

— Sabe, tínhamos muitas missões antigamente, mas após o fim da quarta guerra as missões diminuíram bastante. Mesmo assim, já fui para diversos lugares. Por que a pergunta?

— Me pergunto se as coisas são diferentes lá fora.

— Talvez um dia você mesma se responda.

Apenas a vi sorrir mais e se levantar, indo em direção à porta.

— Você vai subir mais tarde? Eu e Tomoyo vamos fazer um número diferente, se quiser até posso ensinar para você!

Imediatamente corei e dei uma risada tímida.

— Com certeza não levo jeito com isso, Sayuri.

— Ah! Leva sim, você vai ver, amanhã eu te ensino – Comentou sorridente dando um rebolada até o chão e subindo sensualmente antes de abrir a porta – Vai ficar aqui até amanhã, não é? Vou te ensinar, você vai ver, é fácil! Se eu tivesse os peitos que você tem com certeza seduziria muito mais!

Então ela partiu deixando a janta pela cama. Fiquei sem graça só de imaginar como seria o número, provavelmente poderia enlouquecer qualquer homem.

Era irônico, Sayuri dizia coisas que não faziam muito sentido para mim, ela se sentia intimidada com o que de mim? Ela era uma mulher maravilhosa e exótica, aquilo que os homens adoravam! Aquilo que Naruto amava! Ela era extremamente parecida fisicamente com a mulher dona do coração do único homem que amei e mesmo assim se sentia intimidada justamente comigo? Era eu que deveria me sentir assim, porque simplesmente nunca teria chances contra ela.

Suspirei cansada pensando pela milésima vez em Naruto e em seu amor pela sua amiga de infância, Haruno Sakura. Era desgastante perder uma luta na qual nunca tive chances de ganhar.

Olhei para o prato de comida que até então parecia tão apetitoso e que agora não tinha a mínima vontade de comer.

— Até quando irá prejudicar a minha vida, Naruto-kun.

[...]

[Pov Naruto]

Ao abrir a porta do apartamento e ver o escuro dos cômodos já me dava remorso de ter chego a casa.

Mais uma vez me sentia solitário e ver a casa sempre escura e vazia me desanimava cada vez mais, não sei como o Teme conseguia ficar sozinho o dia inteiro naquela mansão Uchiha.

Suspirei cansado ligando todas as luzes na tentativa de me sentir menos sozinho. Tomei um banho e fui desanimado para a cozinha, sabendo que prepararia uma gororoba qualquer.

Encarei o sofá e a porta aberta do meu quarto. Noite passada, havia dormido no sofá, porque tinha delirado em sentir o cheiro da Hinata no travesseiro. Era obvio que não havia mais nenhum cheiro lá, ela não dormia no meu quarto há dias.

Suspirei cansado indo em direção ao quarto, era mais do que merecido conseguir deitar na minha cama.

Joguei-me nela vencido pela solidão. Quando se tinha alguém ao lado era maravilhoso ter uma cama de casal, mas quanto se estava sozinho... Apenas fechei os olhos na crença de conseguir dormir.

Toda vez que se levantava pronta para ir embora eu acordava. Era mais do que plausível sentir a cama esfriar imediatamente quando seu corpo não estava mais ao lado do meu.

A vi andar pelo quarto, procurando suas peças de roupa. A calcinha vermelha estava do outro lado do quarto, jogada de qualquer jeito quando a tirei dela há horas atrás.

A vi vestir a peça intima e as meias finas pretas que subiam até suas cochas, confesso que aquilo era sexy e torneava bastante as pernas dela. Logo depois, ela se abaixou para pegar seu short jogado em outro canto do quarto. Pelo menos eu sabia distribuir bem as roupas dela pelo quarto e vê-la alguns minutos mais com os seios nus era instigante.

Ela pegou o short e o vestiu, logo depois conseguiu achar seus sutiã e camiseta.

— Vai partir de novo sem querer se despedir – Murmurei enquanto estava deitado de bruços e muitos fios do meu cabelo tampavam meus olhos, provavelmente ela não sabia que eu a observava se vestir.

— Mas como sempre nunca consigo – Ela murmurou com a voz doce e angelical que sempre possuía. Era até mesmo estranho imaginar que há minutos atrás aquela voz pura aclamava por meu nome. – Você tem um sono muito leve. — Argumentou enquanto vestia o sutiã e a camiseta.

Virei-me na cama, abraçando o fino cobertor que tentava me esquentar. Eu odiava a parte que ela ia embora, era o clima mais estranho que se estabelecia entre nós. Parecia tão frívolo ir depois de um momento tão íntimo.

Eu tinha que falar alguma coisa para que não percebesse o meu desconforto:

— Procure algo para comer na cozinha... Não saia sem comer nada. Acho que tem ramen dentro da geladeira – Murmurei sonolento, talvez fosse a hora de eu realmente dormir, sei que ela respondeu alguma coisa, mas devo ter dormindo antes que ela terminasse de falar.

Abri meus olhos encarando o teto branco, aquelas lembranças eram tão vivas que parecia que ela estava ali, em pé no meu quarto, procurando suas peças de roupas.

Se eu fechasse um pouco mais os olhos eu sabia que poderia relembrar do sexo na cama, no sofá da sala e no balcão da cozinha.

Céus! Ainda podia sentir a pele macia encostada nas minhas, as pernas maravilhosas enroscadas no meu quadril. Nossa! E quando ela estava em cima! Puta que pariu! O cavalgar era maravilho... Mas ver aqueles seios se balançarem no movimento...! Sem palavras!

Respirei fundo tentando recuperar a calma dos pensamentos que já me levavam a loucura.

Sentia meu pênis começar a latejar de ereção. Era só o que me faltava, ter que terminar à noite na mão! Inclusive, puta que pariu, Hinata batia bem uma punheta, mas chupava melhor ainda! Nem sei quantas vezes gosava e ela ainda engolia.

Naquela boca pequena não tinha como não ser gostoso.

Boca e inclusive buceta tão apertada. Céus! Lembro-me do dia que tirei sua virgindade! Por Kami-sama! Apesar de poder imaginar ela nem me avisou que ainda era virgem quando me consolou pela primeira vez e sempre que eu estocava com força dentro dela parecia que a rasgaria por dentro e era uma sensação tão boa ouvir gemer o meu nome.

Respirei cada vez mais rápido me masturbando. A imagem do rosto febril, das unhadas e os gemidos nublavam a minha mente.

Era tão diferente fazer com ela do que com as prostitutas. Hinata me encarava de um jeito diferente, fazia carinho no meu rosto e realmente aclamava pelo meu nome quando a invadia. Isto tudo por quê? Porque me amava, provavelmente amava muito mais do que eu poderia imaginar.

Encarei novamente o teto branco, completamente broxado.

Carente de carinho eu me deitava com ela, mas logo depois daquele sexo gostoso o arrependimento batia por saber que a usava.

Sabia que um dia a magoaria, incapaz de retribuir tal sentimento.

E a mesma carência que me batia na época, me bate agora, com uma força tão latente que jurava ver meu coração sangrar se pudesse, eu sabia que sentia saudades dela. MUITAS SAUDADES.

Mas não pense que era apenas pelo sexo, o sexo era ótimo, é claro. Mas sinto saudades principalmente do sorriso tímido, da voz angelical, do carinho no rosto ou do cafuné que apenas ela sabia fazer. Eu sabia do meu ponto fraco em relação a ela, por isto nunca trocávamos carinho após o sexo ou dormíamos juntos! Eu sabia que se fizesse isso enganaria até a mim mesmo! E iludiria ainda mais ela! Jamais conseguiria retribuir aquele carinho.

Suspirei cansado e entristecido indo em direção do banheiro, iria tomar um banho torcendo que a água quente tirasse a minha agonia.

Eu nunca fui muito carinhoso com Hinata, porque sabia que jamais ia conseguir retribuir um amor tão sincero, puro e intenso.

Uma voz gritava na minha cabeça dizendo que era eu que não sabia amá-la.

[...]

No outro dia

[Pov Shikamaru]

Ontem trabalhei o dia inteiro no escritório, como havia prometido iria terminar aquele projeto no prazo.

Surpreendi-me que ontem à noite Tsubasa novamente foi até aquele escritório e contradizendo seu pedido de dois dias atrás, pediu que hoje à tarde passasse no hospital, como solicitado por Temari.

Explicou-me que amanha de manhã ambos voltariam para Suna e que Temari estava se encarregando de ler minuciosamente e assinar todos os contratos que havia lhe passado, no intuito de debatermos sobre o serviço, logo que ela não conseguia vir até aquele escritório. Eu já esperava que ela não conseguisse resolver todos os documentos, mas pelo menos sua ajuda teria sido bem útil. Resolver aqueles contratos era realmente problemático.

Juntei rapidamente todas as papeladas que provavelmente poderia debater com ela.

Inquieto, tranquei a porta do escritório e parti para o Hospital.

Depois de sua internação, não há vi mais.

Problemático seria fingir que está tudo bem e que eu não me importo.

[...]

[Pov Sakura]

Após sair do clã Uchiha teria que ter passado no prédio dos Kagues, mas estava tão irritada e magoada!

Fui para casa tentar relaxar.

Profissionalmente não passava por nenhuma crise, mas Tenten era uma paciente minha com sérios problemas psicológicos que não conseguia ajudar, Temari possuía uma doença em estado terminal que nem eu, Ino ou Tsunade conseguíamos resolver. Uchiha Sasuke havia retornado para Konoha e não sabia lidar com isto também!

Minha vida pessoal estava tão destruída quanto em qualquer época. Na verdade, acho que nunca existiu. Apesar de não possuir problemas familiares.

Parecia que as crises da adolescência ainda não tinham passado.

Naquela tarde, me arrastava desanimada até o prédio dos Kages. Estava mais do que na hora de conversar com Naruto sobre a transferência de Temari para Suna.

— Sakura, minha querida, você está doente? – Perguntou Shizune quando cheguei até a entrada da sala do Hokage.

— Não estou — Informei mexendo no cabelo e me preocupando se a minha saúde mental já não afetava a minha aparência – O Hokage está? Preciso conversar com ele...

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Naruto abriu a porta desanimadamente, até demorou um tempo para perceber que estava ao seu lado. Ele parecia bem cansado.

— Sakura-chan, o que faz aqui?

— Preciso conversar com você.

Naruto terminou de vestir a capa de Hokage que sempre usava e foi me informando enquanto isso:

— Estou indo almoçar, é muito confidencial? Se não, debatemos isso no caminho. Realmente estou com fome, dattebayo!

— Oh, certo. Falo-te no caminho, também não almocei, aproveito e como algo antes de voltar ao plantão do hospital.

Na verdade desde o insuportável encontro com aquele autossuficiente Uchiha Sasuke não me alimentei. Tesc! Odiava saber o quanto ele me afetava.

— Mas estou indo pro Ichiraku ramen!

— Você sempre vai pra lá.

— Vamos almoçar juntos?!

Naruto parecia tão incerto e surpreso quanto eu. Por anos ele me chamava para almoçar com ele, por anos recusei. Raramente íamos juntos e quando finalmente ele realizaria seu sonho alguma coisa sempre nos interrompia.

Acho que a última vez que saímos juntos para um momento relaxante foi na época do time sete. Era uma época nostálgica.

— Vamos sim! – Respondi.

Ele apenas sorriu e fomos em direção ao Ichiraku ramen almoçar juntos.

[...]

[Pov Shikamaru]

Estava parado na frente do quarto dela ha pelo menos quinze minutos. Tudo era tão problemático! Não sei por que não conseguia entrar e isto me irritava!

Assustei-me quando vi a porta se abrir lentamente e Tsubasa sair do quarto. Ele me encarou como se soubesse que estivesse lá, provavelmente tinha sentido a minha presença. Espero que Temari não tenha sentido, porque se percebesse era estranho tentar explicar algo que nem eu sabia como.

Ele me chamou mexendo a cabeça, como se pedisse que o seguisse. Provavelmente para Temari não ouvir a nossa conversa.

Sem nem ao menos me cumprimentar ele já começou:

— Ela já está esperando por você, mas não sabe que já chegou. Ela está um pouco magoada por não ter conseguido terminar tudo, mas realmente se esforçou e até ficaria mais em Konoha se pudesse, ela praticamente não dormiu, então tente não demonstrar aborrecimento, ok? Ela já está bem decepcionada com sigo mesma. – Orientou como se tentasse me prevenir de algo. – Tente não demonstrar muita surpresa quando a ver, ela está bem mudada.

— Mudada...?

— Ela está no quadro terminal, como realmente acha que fisicamente ela se apresenta?

Tal informação apenas me fez ficar mais chocado e finalmente entender que Temari não havia melhorado nada desde que a deixei no hospital, muito pelo contrário, que estava piorando.

— Ela se nega a receber morfina, não até conseguir conversar com você. Entenda, Shikamaru, este é o último trabalho dela, então ela necessita que esteja perfeito, por satisfação própria, por isto quer permanecer lúcida e se doar o máximo possível que puder, acho que a dor também a ajuda a permanecer mais acordada para ter conseguido trabalhar quase virada.

— Dor...?! – Balbuciei não querendo acreditar em suas palavras e ele parecia meio confuso pela minha surpresa.

— Você não sabe sobre o estado clínico dela?! Céus! Que bom que o encontrei antes de entrar, Temari não teria psicológico para lidar com isto com você.

— Mas do que você está falando?

— Temari vai morrer! Mas antes ela quer deixar tudo perfeito tanto na vida pessoal como profissional.

— C-como pode...? – Murmurei com tanta raiva e agora era eu que tinha vontade de esmurra-lo. – Como pode desistir tão fácil dela! Droga! Você a conhece melhor do que eu! Como pode não acreditar na força dela!? Como pode duvidar da cura!

Logo depois ficamos em um longo silêncio, eu com expressões completamente angustiada enquanto ele parecia incomodado, mas conformado.

— Eu fiquei do mesmo jeito que você a um ano e meio atrás, mas agora em suas últimas semanas, mesmo se acharem a cura, não tem mais como ela se recuperar, não depois do início das falência de alguns órgãos... Não entre lá até parar de chorar.

Desde quando eu chorava?

— Vou deixar vocês conversarem em particular, mas não demore muito, Temari precisa repousar. Quando ir embora acho que ela permitirá tomar morfina, preciso procurar um médico.

E ele simplesmente partiu, me deixando encostado em uma parede perplexo e chorando em silêncio, me fazendo lembrar de suas palavras no hotel no dia em que me contou que estava doente.

— Eu estou morrendo, Shikamaru, e não há nada que você ou qualquer outro ninja médico de qualquer país possa fazer.

Então finalmente entendi, ela já estava conformada sobre o fim de sua vida a muito tempo.

Eu enxuguei as lágrimas e respirei lentamente diversas vezes. Aquele era o momento que tinha que ser o Nara irracional e agir logicamente, como sempre fiz para direcionar as ações certa e erradas naquele duelo.

O duelo entre a recusa e aceitação.

Fumei um cigarro como a tanto tempo não fazia e logo depois entrei no quarto, determinado que queria vê-la.

Não foi um choque ver um corpo deitado na cama com inúmeros equipamentos ligados a ele. Inclusive a máscara de oxigênio havia sido substituída por uma sonda de oxigênio, um fiozinho que invadia suas narinas para que ela conseguisse respirar melhor, ou então o soro provavelmente misturado com algum medicamento injetado por um cateter em seu braço, mas me surpreendeu ver que também haviam implantado uma sonda vesical, desta maneira, toda vez que Temari urinasse ou defecasse suas excretas iam direto para um saquinho plástico ao lado da cama.

— A-Acho q-que você... já me viu... de maneiras.... m-melhores – Sussurrava mesmo sabendo que provavelmente se esforçasse bastante para conseguir pronunciá-las.

Em dois dias que não há vi, ela estava completamente mudada. Seus cabelos tão loiros e armados estavam agora opacos, presos em um rabo de cavalo qualquer. Seus olhos verdes tão vivos e misteriosos estavam agora cobertos de olheiras e levemente cabisbaixo, além do mais, não brilharem mais. Sua pele parecia ressecada e sem brilho. Seus lábios finos e sem cor. Seu rosto apresentava maças alvas e poucas bochechas, realçando sua perda de peso, em dois dias, realmente havia perdido quase oito kilos.

Ela ergueu um dos braços, apontando para que me sentasse em uma cadeira ao seu lado, mas tudo que pude realmente observar era seu braço invadido por cateteres e que possuía uma aparência tão frágil que facilmente poderia quebrar seus ossos aparentemente ocos.

Sentei-me na cadeira indicada por ela e a vi cuidadosamente abrir uma das pastas, pegando o primeiro contrato da pasta.

— C-contrato do... Comércio de.... K-Konoha... página 23... seção III, pará-g-grafo 3... item 2.

— Céus! Você vai querer discutir todos que você não concorda!?

Temari me lançou um olhar tão mortal que era preferível ter ficado quieto.

— Problemática.

Arrastei a cadeira literalmente ao lado de sua cama, enquanto ela me observava curiosa e em silêncio.

— Vamos fazer assim, você me aponta a clausula e tentamos entrar em um acordo, está bem? Mas já aviso que não vou aceitar todos os seus caprichos, Temari!

Apenas a vi fazer um pequeno sorriso, provavelmente estava começando a se cansar de toda a bajulação por seu estado atual.

E a única coisa que pude fazer era retribuir o sorriso.

[...]

[Pov Sakura]

O Ichiraku ramen estava completamente amarrotado de gente, principalmente depois da chegada do Hokage de Konoha. Era engraçado perceber que enquanto esperávamos um prato de ramen, diversas pessoas viam cumprimentar o loirinho e elogiavam o seu trabalho, muitas mulheres lançavam olhares para ele, apaixonadas por sua aparência, mas Naruto continuava o mesmo desligado de sempre, jamais reparava.

Mesmo com todo o assédio, consegui contar todo o estado clínico de Temari e sobre as necessidades de sua transferência.

— Sabia que ela estava mal, mas não TÃO mal. Afinal, Tsunade está cuidando do caso dela a muito tempo!

Era vergonhoso saber que nenhuma de nós três conseguíamos fazer nada por ela.

— Preciso acompanha-la até Suna e vou levar mais uns dois enfermeiros além de todos os equipamentos.

Naruto parecia muito surpreso, provavelmente por só então entender o quadro de Temari.

Mas estava enganada.

— Você vai para Suna? Não, Sakura-chan! Você não pode partir.

— Por que não posso viajar?

— Ela já partiu de Konoha.... Não posso permitir que você também vai!

— Quem é “ela”...? – Mas ele me interrompeu.

— Está decidido! Você não vai! A Ino sabe sobre o caso, não é? Ela que vai para Suna.

— INO! – Balbuciei. Naruto não sabia sobre o caos de Ino / Shikamaru / Temari?!

— Mas Naruto...!

— Está decidido, Sakura! Você vai ficar aqui em Konoha, além do mais também está cuidando do caso de Tenten.

— Naruto...!

— Você não vai! – Exclamou chamando muitos olhares curiosos sobre nós dois que estávamos em uma mesa isolada, isto me deixou sem graça.

— O ramen de vocês! – Exclamou o tio do ramen quebrando o clima tenso entre nós e entregando nossos respectivos ramens – Bom almoço!

[...]

[Pov Shikamaru]

Aquilo tudo era tão problemático! Como o marido de Tsunade havia me alertado, ela realmente parecia bem empenhada em fazer o seu trabalho.

Após discutirmos sobre algumas cláusulas das duas pastas que ela analisou minunciosamente, quantidade bem superior do que imaginava, finalmente havíamos chego em um acordo com os preparativos da prova chunin.

— Está pasta... e-eu não vi, me... desculpe – Informou envergonhada e achei engraçado.

— Não se preocupe, Temari. Você fez o suficiente, agora é só manter esses ideais e colocar na pratica. Você vai ver, essa prova vai ser a melhor de todos os tempos! – Exclamei sorridente, mas ela não sorrio junto comigo.

— Não vou ver... mas vou i-idealizar.

De repente voltei a realidade e a situação de Temari.

— Shikamaru... – Me chamou pegando uma de minhas mãos, imediatamente senti as suas frias – V-você é... uma pessoa... muito importante e quero... q-que seja feliz. Quero que se case... tenha filhos e envelheça sendo o problemático que sempre foi...

— Não diga essas coisas, Temari! – Imediatamente a pose que até então eu criava se desmanchava em cada palavra dela. Não demorou para sentir minha garganta fechar.

— Todo o tempo que ficamos juntos... você me fez feliz... m-muito feliz.

— Pare com isso, Temari! Que droga!

Me ergui bruscamente indo até a porta.

— Que droga, sua problemática! Nem pense em se despedir de mim! Você nunca se despediu! Não comece agora!

— Shik....

— NÃO! EU TE PROIBO DE SE DESPEDIR! MAS QUE DROGA! POR QUE SOU O ÚNICO QUE ACREDITA QUE VOCÊ NÃO VAI MORRER!?

— Shika....

— Não...! – Exclamei durante um soluço. Droga! Toda a minha imagem que tentava manter se desmantelou e novamente eu chorava. – Sempre foi assim, não é? Sempre achávamos que não íamos nos ver de novo mas sempre nos reencontrávamos. Te proíbo que se despeça de mim, sua problemática! Você não entende? Eu não posso te perder!

— Shika...

— Não! Você vai me escutar, você precisa saber! Droga! Você já sabe a tanto tempo! Eu amo você, Temari! Amo como nunca amei ninguém! Sempre quis que você ficasse comigo! É com você que eu sempre quis me casar! É com você que sempre quis ter filhos! Mas que droga... sua problemática! – Lá estava eu soluçando e chorando como um verdadeiro bebê chorão. – Você não deveria ter desaparecido durante aqueles cinco anos! Eu deveria ter ido atrás de você! Eu deveria ter corrido mais atrás de você! Você não era para ter se apaixonado por outro! Não era para ter se casado! Droga! Não era pra estar doente! Puta que pariu! Você é a mulher da minha vida, Temari! Então não me peça para tentar reconstruir uma vida que não seja com você! Caralho! Eu quero me casar e ter filhos apenas com você! Como só agora me dei conta disso!? Nem pense em morrer, problemática, eu te amo tanto que não sei lidar com tudo isso, muito menos com uma despedida! Você que é a minha família! Mas que droga, porque você está chorando!? Puta que pariu!

Lá estava eu novamente ao seu lado, simplesmente sentei em sua cama e a abracei. Abraço que imediatamente foi retribuído por ela que apoiava em meu peito e soluçava junto comigo de tanto chorar.

— ...por favor, não desista de lutar pela vida enquanto eu ainda não desisti de você...

— Shikamaru... Eu não quero morrer! – Decretou chorando ainda mais intensamente até seu corpo vibrar, ou era o meu por sentir seu desespero?

Então eu vi toda a imagem dela se desmantelar, Temari também não aceitava aquele destino e fingia estar bem para os outros apenas demonstrava o quanto ela era forte.

Assim como eu fui sincero com ela, ela também foi comigo.

Chorávamos juntos sem puderes, numa mistura de desabafo e tristeza.

Eram tantos soluços e lágrimas que realmente me questionei se ainda não existiam novos mistérios.

[...]

[Pov Sakura]

Ao termino do almoço eu e Naruto preferimos sair do Ichirako ramen, era estranho tentar ficar um tempo com meu tão querido e antigo amigo com tanto assedio ao nosso redor.

— Nossa, Naruto, você realmente deve estar gostando de ter se tornado Hokage.

— Como assim, Sakura-chan?

— Bem, lembro-me muito bem que quando criança você adorava chamar atenção, sempre gritava e afanava o monte kage apenas para chamar atenção. E olhe para você agora! Tudo que você sempre sonhou conseguiu conquistar e com mérito próprio!

— Ah! Eu tenho orgulho disso mesmo – Comentou colocando as mãos dentro dos bolsos, mas mantendo um sorriso orgulhoso de si mesmo no rosto.

— Bem! Agora você não se sente mais sozinho, não é?

Imediatamente o sorriso orgulhoso dele se transformou em um irônico.

— Essa bajulação é incrível mesmo, mas acho que nunca estaremos completamente satisfeitos, não é Sakura-chan? — Por um ligeiro momento pude ver tristeza em seus olhos. — Sabe, ultimamente devo estar carente. Todas as noite quando chego em casa e entro naquele apartamento tão silencioso e escuro eu me sinto solitário. As bajulações são apenas quando ando na vila ou no máximo alguns comentários em minha sala, mas no final do dia, apenas volto a me sentir sozinho. Igualmente quando era pequeno.

— Eu não sabia, Naruto...

Dattebayo, mas isso é uma fase. – Informou fazendo o típico sorriso dele, mas eu que o conhecia tão bem, sabia que o sorriso era forçado demais.

Puxei o braço dele e segurei a sua mão, fazendo imediatamente ele parar de andar e completamente confuso.

Não sei explicar, mas havia algo diferente nele.

— Naruto, você está bem?

Ele encarou intensamente meus olhos. Parecia inserto em dizer algo ou não para mim.

Enquanto trocávamos olhares intensos, realmente pude concorda com um comentário inapropriado que Ino uma vez fez para mim.

Agora com seus vinte e poucos anos, Naruto realmente tinha se tornado um grande homem. Era alto, musculoso e seu rosto bem harmonioso, diferente de quando éramos pequenos. Seus cabelos loiros mais compridos, seus olhos azuis tão claros e sua barba mal aparada o deixava realmente sexy. Além de herói do mundo Shinobi e Hokage de Konoha, Naruto era também um magnífico homem. E quem o conhecesse direito, saberia imediatamente, o enorme coração que carregava dentro de si.

Realmente bonito, sensível e poderoso. O que mais um homem teria que ter para ser desejado por mulheres?

— Você não sente isso, Sakura-chan? – Perguntou se aproximando ainda mais de mim e com um olhar tão intenso que parecia não apenas me ver fisicamente, mas também a minha alma.

— O-o quê? – Gaguejei, desde quando gaguejava? Desde quando Naruto me deixava nervosa? Céus! Acho que estou vermelha! Aí meu kami-sama, realmente devo estar vermelha!

— Solidão. Nunca se sentiu solitária?

De repente senti ele apertando com força a minha mão e minha respiração disparou. Oh! Meu Kami-sama, desde quando Naruto deixava-me nervosa?

Tudo que pude lembrar eram das palavras da Ino:

— Olha, Sakura. Eu só acho que apesar de Naruto não ser o nosso Uchiha Sasuke idealizado, ele pode sim ser o cara certo. Se existe uma coisa que tenho absoluta certeza é que Sasuke jamais seria tão gentil como Shikamaru é comigo. Não somos mais crianças, Sakura. Perceba que príncipes encantados não existem, mas sapinhos amáveis sim! E que sapo o Naruto se transformou, ein!

—... Porque ultimamente realmente me sinto solit... – Finalmente o interrompi.

Acabei com a pouca distância de nossos corpos e me aproximei juntando meus lábios gentilmente nos dele, em um simples toque. Imediatamente vi seus olhos arregalados, realmente o tinha surpreendido, na verdade, até a mim mesma.

Mas ele não recuou, muito pelo contrário.

Colocou uma de suas mãos na minha cintura e a outra na minha nuca e quando percebi já intensificávamos o beijo de língua.

O beijo era bom, intenso, macio e provavelmente Naruto tinha muita pegada e saberia enlouquecer qualquer mulher. Mesmo assim...

Nos afastamos afoitos e provavelmente um estava tão sem jeito quanto o outro. Ficamos um tempo em silêncio, sem saber muito ao certo o que dizer, até que finalmente informei:

— Você nunca está sozinho, Naruto.

Dei um passo para trás me afastando dele e encarando seus olhos. Realmente ele parecia tão sem jeito quanto eu.

— Bom, melhor eu voltar pro hospital. – E sem esperar respostas dei as costas e andei tranquilamente. O mais incrível era que eu me sentia estranhamente feliz.

E tudo que conseguia pensar era “Nunca mais Uchiha Sasuke! Está mais do que na hora de valorizar quem me valoriza”.

Continua...

Notas finais
Por favor, por favor não me matem! Eu sei que a maioria dos leitores são NaruHina frenéticos! Eu também sou! Mas tudo tem uma boa razão minha gente! Por favor, acreditem em mim! Confesso que fiquei satisfeita com diversas cenas desse capítulo e com certeza foi o melhor que escrevi desde que retornei! Porque me sinto bem enferrujada. Enfim, estou realmente me esforçando a escrever e espero que estejam aproveitando a leitura. Para mim, a cena SasuSaku, a cena de Naruto sozinho no apartamento e a última cena de ShikaTema foram as melhores. E vocês, o que gostaram? Qual personagens são os seus preferidos e qual desenrolar de história chama mais a sua atenção? Peço, por gentileza, que os leitores fantasmas se manifestem! Bem, eu parei de escrever a fic a muito tempo então não posso julgar ou pedir algo. Mas por favor, me ajudem a manter a fic! E deixar esta pobre pecadora feliz feito uma idiota não custa nada! :] Ter 94 acessos no capítulo anterior e sinco reviwes, vocês concordam comigo que alguns comentários não me fariam mal, certo? Enfim, realmente espero que tenham gostado, porque quanto mais escrevia ainda não chegava no final que planejava, então realmente este capítulo ficou grande. Ah! Mas espero que tenham gostado. Ah! Mas antes aos leitores que gostam de me deixar loucamente/insanamente feliz, faça aqueleeeee comentário enormeee que gasto minutos lendo e respondendo. É tão gratificante! Mereço recomendações?! BJS E ATÉ A PRÓXIMA SEMANA!