Coisas Sobre Nós
7 Eu me sinto muito honrada_ Hyuuga Hinata
Notas iniciais
[POV SHIKAMARU]
Cheguei rapidamente ao hospital carregando Temari desacordada nos braços. Devo ter chego lá aos berros, porque quando percebi já havia uma equipe médica se formando junto com seus equipamentos.
Cuidadosamente coloquei Temari em uma maca branca disponível que trouxeram.
— Shikamaru! – Gritou Ino que deveria estar me chamando a muito tempo – Deixe-a comigo, eu cuido dela daqui em diante! – Seriamente me informou encarando meus olhos.
Mas eu não conseguia largar pelo menos uma das mãos de Temari. Ela estava tão gelada...
— Shikamaru! Você não pode entrar na sala de emergência! Solte-a!
— Por favor... Por favor... Cuide dela – Supliquei em um tom de voz tão baixo que não sei se era possível Ino escutar.
— Eu vou. – Informou convicta encarando. – Mas preciso que a solte. – Ordenou.
Eu a soltei e ainda pude ver no rosto de Temari o sangue que continuava a escorrer de sua boca. Será que ela ainda respirava?
Ino partiu dando ordens para a equipe médica improvisada que já se formava ao redor de Temari e todos se encaminhavam para a sala de emergência mais próxima, enquanto eu permanecia petrificado no corredor.
Por que logo agora Temari tinha que passal mal?
Quanto tempo ela tinha?
Por que justo Ino tinha que cuidar dela!?
Por kami! Isto tudo não era justo comigo! Não era justo com a Ino! Céus! Não era justo com Temari!
— Vim me despedir, Shikamaru. Vim me despedir de você. Está é a última vez que venho a Konoha e também é a última vez que te vejo. Eu estou morrendo, Shikamaru, e não há nada que você ou qualquer outro ninja médico de qualquer país possa fazer. Tsunade está em Suna por isto, mas até mesmo ela não conseguiu achar a cura, então vim para Konoha, Shikamaru. Queria te ver, mesmo sendo apenas mais uma vez, pela última vez.
Encarei minhas mãos completamente tremulas e ensanguentadas.
— Por favor, Ino, perdoe os meus erros e cuide bem dela... – Implorei.
[...]
A vista de Konoha através do prédio dos Kages era linda, principalmente à noite. Concluiu Naruto que estava de pé encarando “sua” tranquila cidade. Ele aproximou de sua mesa extremamente organizada e pegou seu casaco de sexto Hokage tão parecido com o de seu pai.
Alguém bateu na porta e Naruto autorizou entrar, já esperando a despedida do fim do expediente de sua secretária.
— Hokage, já estou indo... Você já terminou tudo?! – Exclamou surpresa ao ver a mesa livre do Hokage, normalmente amarrotada de documentos que seriam talvez resolvidos durante à madrugada ou no decorrer da semana.
— Também estou indo embora. – Respondeu pronto para sair e admirando pela última vez Konoha pelo grande vitral de sua sala.
— Nossa, não me lembro de nós dois sairmos no horário. É estranho você dar conta de tudo, Hokage-sama.
Naruto não a respondeu, apenas fechou a porta e a trancou, mas Shizune não saiu do seu lado. Ela apenas o observava.
— Ultimamente o senhor anda muito sério... Inclusive, hoje não ouvi fazer uma única piada, até mesmo quando Konohamaru voltou de uma missão mal sucedida, você jamais perderia a oportunidade de caçoar dele.
Mas Naruto não a respondeu, apenas colocou a chave dentro do bolso e andou calmamente pelos longos corredores do prédio dos Kages até a saída. Shizune o acompanhou durante o trajeto inteiro.
— Anda comprometido de mais com o serviço e também não foi almoçar no Ichiraku hoje, porque não almoçou ramen hoje? Você sempre quer comer ramen!
— Ultimamente o Ichiraku está sempre muito cheio...
— É claro! O Hokage come lá!
—... Gastaria muito tempo para ser atendido...
— Teuchi sempre o atendi primeiro! – Shizune o acusou, mas a falta de resposta do Hokage apenas a fez soltar um longo suspiro. – Você apenas não queria ser o centro das atenções! Não enquanto estiver desanimado. – Acusou.
E mais uma vez Naruto não a respondeu e permaneceu a andar até a saída do prédio dos Kages.
Ela o observou enquanto ele andava tranquilamente e com o rosto erguido, porem quem o conhecesse bem saberia que havia algo muito errado. Era quase visível o desespero do loiro.
— Vai permanecer quanto tempo assim depois que Hi...?
— A partir de hoje está de férias, Shizune! – Ordenou a interrompendo.
— O QUÊ!?!?!?
Mas ela não teve sua resposta respondida. Assim que Naruto chegou a saída do prédio ele simplesmente desapareceu de sua vista. Deixando-a completamente aturdida.
Shizune almejava à tantos anos suas tão esperadas férias... Mas era certo deixá-lo agora?
[...]
[Pov Ino]
Seu estado geral era lamentável. Pressão baixa, batimentos irregulares e com uma suspeita de hemorragia interna.
— Vamos precisar entubá-la! – Informei a minha equipe – Enquanto isso, verifico se há alguma hemorragia interna – Orientei enquanto me posicionava próxima da região abdominal da paciente.
Paciente que se chamava Sabako no Temari, ou melhor, a amante do meu namorado, ou seria melhor ex-namorado?
— Ino! A frequência dos batimentos estão fracos de mais! Não conseguiremos entubá-la com um quadro tão ruim! – Informou uma das funcionárias.
Imediatamente respirei fundo e concentrei o meu chakra nas mãos e antes de analisar o quadro geral dela precisava estabilizar seus batimentos cardíacos. Apenas atravessei as minhas mãos em seu corpo até chegar ao órgão do coração; e o massageei na frequência certa.
Naquele momento o que importava era que um paciente estava em um estado geral lamentável e jamais permitiria que ele chegasse a óbito em minhas mãos.
Não importava quem fosse, eu iria salvar.
— Estabeleci sua frequência cardíaca! A entubem! – Ordenei. Agora iria investigar o que ela tinha.
[...]
Tudo que ele precisava naquele momento era de silêncio. Shizune estava lhe lançando indiretas à dias. Céus! Apenas Kami-sama sabia o quanto ele estava tendo paciência com ela.
Rapidamente ele chegou até o seu simples apartamento e era tão estranho chegar no início do anoitecer na sua residência! Normalmente ele sempre chegava bem mais tarde.
Naruto sabia que em uma coisa Shizune estava certa: por ele não ter ido almoçar no Ichiraku naquele dia o loiro estava morrendo de fome, mas ele não queria ir a um restaurante naquele horário, não quando soubesse que no momento que chegasse à qualquer ambiente público deixaria o local alarmado e vários olhares para si, sem contar, é claro, das pessoas que sempre iam conversar com ele. Em um dia habitual Naruto adoraria toda essa atenção, afinal ele sempre gostou de chamar a atenção! Mas não durante aquela incomum semana... não enquanto ainda se sentisse tão cabisbaixo.
Ele preparou alguma gororoba na cozinha e sentou-se no sofá para comer e a casa estava exatamente como ele havia deixado durante a manhã. Observou uma camiseta jogada na varanda, assim como deixou no sábado passado depois de uma manhã de treinamento. A casa apesar de não muito bagunçada, já estava precisando ser limpa, ele se lembrou que já se faziam mais que 15 dias que não a limpava. Mas porque isso seria diferente, não é? Ele morava sozinho, do mesmo modo que deixava as coisas elas permaneciam.
Toda vez que ele chegava em casa a louça do café da manhã estava lá, exatamente igual como deixou antes de sair atrasado para o serviço, e desta vez não seria diferente, quando deixou a louça da janta se acumular com a do café da manhã e xingou as coisas por saber que em algum momento ele teria que lavá-las. Por que elas não sairiam do lugar.
Logo depois ele tomou um banho rápido e foi ao quarto colocar um simples pijama para desanimadamente encarar a sua cama. Talvez fosse muito cedo para dormir? Mas o que ele poderia fazer sozinho naquela casa?
Então ele reparou que toda vez que ia a sua cama, ela permanecia da mesma forma bagunçada que deixou quando acordou, com apenas metade da cama bagunçada.
— Vou dormir do outro lado. Assim pelo menos desarrumo ela por inteira! – Comentou para si próprio com humor e se jogou na cama.
Ele se cobriu rapidamente até que de repente sentiu um cheiro incomum no travesseiro. Um cheiro levemente adocicado. Imediatamente ele pulou da cama, completamente alarmado.
— Este cheiro é da Hinata! Não, não pode ser...!
E como em um teste ele voltou a se deitar, procurando o cheiro do perfume dos cabelos dela em seu travesseiro, mas se sentiu frustrado ao perceber que não havia mais nada lá.
— Mas estava aqui! Eu senti! Eu sei que eu senti! – Exclamava frustrado, como se tentasse comprovar a si mesmo que aquilo era verdadeiro. – Mas realmente não pode ser... Faz tanto tempo. – Argumentou sentando-se na cama encarando o travesseiro que segurava. Inspirando fortemente pela última vez na esperança de sentir algo... mas não sentiu. – Hinata... – Sussurrou. – Hinata! Mas porque que eu pensei na Hinata?! – Exclamou irritado — Droga! Vou dormir no sofá hoje. – Concluiu.
Mas se alarmou ainda mais quando ouviu fortes batidas em sua porta. Saiu de seu quarto fechando a porta e sabendo que naquela noite não retornaria para aquele cômodo.
— Espera aí! – Exclamou percebendo que a qualquer momento derrubariam a sua porta, mas não se surpreendeu quando viu Sakura após abri-la.
— Temos que conversar, Naruto! – Exigiu entrando em seu pequeno apartamento sem nem ao menos ser convidada.
— Hoje você não vai me chamar de “Hokage-sama”? – Perguntou irônico fechando a porta e sabendo que encontraria uma Sakura enfurecida.
— POR QUE, NARUTO? POR QUE VOCÊ NÃO ME CONTOU QUE ELE ESTAVA DE VOLTA? – Exigiu enfurecida, mas assim que não conseguiu sua imediata resposta ela se jogou no sofá e suspirou alto – Por kami! Você sabia o quanto eu me perguntava o que havia acontecido com ele? Em nenhum momento você não achou egoísmo de mais não me contar que ele estava aqui...! Em Konoha e CEGO! Eu sabia.... Eu tinha certeza que aqueles medicamentos que me pedia para separar era para alguém importante, mas tinha que ser justo para ele, Naruto? Como pode esconder isso de mim!?
— Foi ele que me pediu, Sakura. – Naruto a interrompeu enquanto suspirava. Realmente aquela noite parecia que seria longa.
— C-como?
— Bem, há algumas coisas que realmente preciso esclarecer a você. – Comentou andando até a sala e sentando-se ao lado dela no sofá. – Mas deixe-me te contar tudo, depois você tira as suas dúvidas, está bem?
Sakura apenas assentiu em silêncio, estava mais do que na hora de saber a verdade sobre o que havia acontecido com o Uchiha.
[...]
O homem loiro que havia entrado no quarto de Temari e presenciou sangue rapidamente procurou o principal hospital de Konoha.
Informado por algumas pessoas na rua, rapidamente ele chegou ao Hospital de Konoha e foi direto à recepção.
— Boa noite, Sabaku no Temari está internada aqui? – Perguntou alarmado e rapidamente.
Ele mais do que qualquer outra pessoa conhecia muito bem o estado clínico e psicológico que Temari se encontrava e assim que chegou em Konoha, foi direto ao Hotel no qual sabia que ela estava hospedada e assim que viu o quarto dela todo ensanguentado imaginou o pior! Céus! Por quantas vezes ele não a pediu para não vir a Konoha!
— Sim, ela está, acaba de sair da emergência, encontra-se em observação. Quem é o senhor? – Perguntou educadamente a recepcionista.
— Sabaku no Dori Tsubasa, o marido dela.
[...]
Naruto estava sentado no sofá e ao seu lado estava Sakura ansiosa por uma explicação e ele finalmente a iniciou:
— Lembra-se que durante a guerra eu e o Sasuke lutávamos com a Kaguya e que muitas vezes ela nos mudava de dimensões?
— Sim, é claro que me lembro! Logo eu e Kakashi-sensei nos separamos de vocês, que lutaram em outra dimensão com ela, apenas nos reencontramos quando vocês a venceram e desativaram Tsukuyomi Infinito... Na verdade apenas nos reencontramos com você que nos informou que depois da luta e do cancelamento do Tsukuyomi Infinito Sasuke partiu em busca de uma nova viagem, a viagem da redenção dele. – Sakura esclareceu as poucas informações que sabia.
— E ele realmente viajou, mas me fez prometer no final de nossa batalha com Kaguya que eu não poderia contar a ninguém que ele estava cego.
— Então ele ficou cego durante a batalha?
— Sim, na verdade foi uma fatalidade, precisávamos dos poderes oculares dele para vencer Kaguya. Nós a vencemos graças a eles, mas isso teve um preço. Achei que o Teme não iria aceitar bem o fato de perder seus tão preciosos olhos Uchiha, mas ele aceitou, disse que talvez fosse o preço a pagar pelos erros que cometerá. Por isto ele viajou sozinho e cego, talvez procurando achar a sua paz de espírito.
— E ele achou? – Sakura perguntou, mas também refletia o quanto deveria ter sido difícil Sasuke se acostumar a não possuir mais o seu poderoso Sharigan, até mesmo o Rinegan, que há pouco tempo havia adquirido.
Naquele momento ela entendeu que para possuir muito poder havia um preço. Naruto possuía a Kyuubi para cuidar de seus ferimentos, mas até ele tinha um preço a pagar, ela como ninja médica sabia mais do que qualquer um. Naruto pagaria com a sua própria morte quando fosse escolhido o novo jinchuuriki da Kyuubi no Youko. Sasuke pagou o preço mais cedo que o Uzumaki, apenas perderia a visão, ainda sim poderia permanecer vivo.
— Sabe, Sakura, eu não sei se ele achou, mas está de volta, não é? E parou de arranjar confusão. – Naruto rapidamente pontuou.
— Por quanto tempo? – Sakura rapidamente questionou, talvez ele estivesse um pouco diferente, mas até que ponto ele tinha voltando a ser o Sasuke-kun que conhecerá na infância.
— Olha, ele está morando em Konoha há quase um ano e até então ele vem se comportando muito bem. Bem até de mais! Já falei que ele pode andar livremente pelas ruas de Konoha, mas ele... Sakura!? Sakura-chan, você está bem?
— U-UM ANO! – Gaguejou impressionada. – UM ANO QUE ESTÁ MORANDO AQUI E VOCÊ NÃO ME CONTOU, NARUTO!
— Ah! Sakura-chan, você tem que entender que a escolha não foi minha...
— UM ANO, NARUTO!
— Eu sei! Mas foi escolha dele, Sakura-chan! Ele não queria que ninguém soubesse que estava de volta. Tive que contar para os conselheiros, é claro, e você não tem ideia como foi difícil conseguir a autorização deles para Sasuke voltar a morar aqui. Sabe, eu sei que ele está cego, mas ultimamente até parece estar mudo! Às vezes eu e o Kakashi-sensei o visitamos, mas não conversamos sobre muitas coisas...
— ATÉ O KAKASHI-SENSEI SABIA?!
— Ah Sakura-chan! Ele era Hokage neh! E apenas com a ajuda dele convenci os conselheiros à permissão do Teme voltar...
— E EU NARUTO? EU NÃO MERECIA SABER QUE ELE HAVIA VOLTADO?
— Sakura-chan – Com calma, Naruto a chamou – Eu concordo com você, eu acho que você deveria também saber, todos deveriam! Mas o Teme anda ainda mais teimoso! Eu não o entendo... Na verdade eu nunca o entendi, mas ele não queria que ninguém soubesse que ele havia voltado. Eu não sei se ele não quer que às pessoas vejam onde ele está ou se... Ele tem vergonha...
— Vergonha? Vergonha do que, Naruto? – Sakura perguntou se aproximando do amigo, tentando descobrir o segredo.
— Acho que ele não quer que ninguém descubra que está cego... E principalmente fraco. Desde então Sasuke nunca mais treinou, Sakura-chan... Acho que sem seus olhos ele não sabe mais lutar.
— Mas como assim!? É lógico que ele consegue!
— Eu não sei, Sakura-chan, mas desde então nunca mais vi o Teme treinar.
Sakura voltou-se a sentar no sofá, perplexa. Para eles ninjas era impossível de repente parar com aquele estilo de vida. Então imaginou aquela importância para Sasuke, ele não tinha família, não era mais um ninja, estava cego... Então o que havia restado para ele?
Porem os dois ficaram surpresos com a visita inusitada de Katsuyu – uma pequena lesma usada pelas aprendizas de Tsunade – que aparecerá na pequena varanda do apartamento de Naruto.
— Sakura-chan, tenho uma mensagem urgente.
Sakura rapidamente se aproximou da lesma que tinha acoplada em seu corpo um pequeno pergaminho, o pegou e o começou a ler.
— Está tudo bem, Sakura-chan? – Naruto perguntou observando a expressão confusa que a médica fazia.
— É da Ino, ela está pedindo que a substitua no plantão de agora e também parece que a irmã do Gaara esteve na sala de emergência, mas o quadro já está estável e foi para a observação. Ela pede que eu acompanhe o caso.
— Temari? O que aconteceu com ela?
— Eu não sei, Naruto, mas acho melhor ir ao Hospital. Bem... Continuamos nossa conversa uma outra hora.
Mas antes de partir pulando pela própria varanda do apartamento do Hokage, ela ainda pode ouvir um curto comentário dele:
— Tem certeza que é comigo que você deve conversar?
[...]
A madrugada era fria, mas a tempestade havia passado e mesmo assim Hinata permanecia no bordel.
A música era alta e mulheres dançavam nuas no palco ou já estavam atendendo seus clientes. O local era escuro e a estrutura era simples. Mesmo não sabendo nada sobre aqueles tipos de estabelecimento, Hinata sabia muito bem que aquele era um bordel simples.
Sentada junto a ela na mesa se encontrava uma mulher com seus quase cinquenta anos e apesar da idade encontrava-se bem arrumada, cabelos presos em um coque bem feito e um leve maquiagem, seu Kimono apesar de simples, não era vulgar como muitas das mulheres que ficavam naquele estabelecimento. Era óbvio que ela era dona do bordel.
— Como se conheceram? – Finalmente Hinata perguntou depois de minutos tentando criar coragem quando chamou a mulher para conversar sabendo que a mesma conhecia a sua mãe.
A senhora apenas ergueu o braço e pediu para alguma funcionária entregar uma bebida à elas, que rapidamente foi entregue. Quando Hinata foi tomar uma gole imediatamente sentiu um cheiro tão forte de álcool que rapidamente afastou a bebida da boca. Tal ação apenas fez com que a senhora desse uma risada.
— Realmente se parece com Hirome. Quando sua mãe tinha sua idade ela também não gostava de sake. – Informou tomando mais algumas doses de seu copo.
— Como se conheceram? – Novamente perguntou.
— Eu a conheci quando também era jovem. Naquela época eu era uma prostituta assim como qualquer outra aqui deste bordel – Informou observando Hinata ficar envergonhada por ouvir tal sinceridade da mulher – Mas uma coisa minha querida é ser uma prostituta durante a madrugada e receber por isto, outra coisa é ser assediada durante à tarde fazendo compras. Uma vez estava voltando de uma feira e um ex-cliente veio me assediar no meio da rua. Não sei se reparou, mas eles não costumam ser gentis... Enfim, sua mãe era uma ninja e deveria estar voltando de uma missão. Ela se assustou ao presenciar a cena e percebeu que eu não queria nada com o camponês. Lembro-me que com poucos golpes ele já estava completamente desacordado e jogado a metros de distância de mim. – Informou dando um leve sorriso nostálgico, logo após tomou um longo gole de sake – Beba – Ordenou de repente.
— C-como...?
— Apenas beba um pouco.
— Eu não gosto – Hinata rapidamente respondeu.
— Como pode dizer que não gosta se nunca experimentou?
— Mas como a senhora sabe disso?
— Já lhe disse, não é? Você é muito parecida com ela. – Informou vendo a Hyuuga ficar cada vez mais sem graça. – O que foi? – Perguntou estranhando o comportamento da jovem.
— Nunca haviam me dito isso... Eu me sinto muito honrada – Informou sorridente. A quanto tempo ela não sentia uma felicidade tão pura! — Na verdade também nunca ouvi muitas histórias sobre minha mãe, papai não gosta de falar sobre isso. – Hinata timidamente desabafou voltando a segurar o copo de Sake nas mãos. No fundo ela sabia que não era necessário beber para a mulher continuar a falar, mas porque não experimentar? E assim que tomou o primeiro gole ela rapidamente se arrependeu, parecia que algo rasgava a sua garganta e pela primeira vez ela sabia exatamente onde era seu estomago. Sentiu o álcool alojado ali. Logo depois, ouviu uma longa risada da senhora ao ver a óbvia careta que a jovem fez. – Eu tomei, agora prossiga – Apesar da ordem o tom de voz da jovem era tão gentil que a senhora rapidamente descobriu que talvez as duas não fossem tão parecidas assim.
— Bem, depois que ela me salvou eu contei a situação para ela, e assim como você fez, ela realizou as mesmas expressões. Pelo visto o clã Hyuuga é tão cortês como sua mãe um dia me explicou, mulheres deste clã apresentam-se ser bem refinadas, assim como você. Não é necessário olhar para os seus olhos para saber de onde é, apenas é necessário ver como se senta, a posição perfeita do seu rosto, o cabelo arrumado, os gestos gentis e a roupa sofisticada. Até mesmo o seu tom de voz é agradável, e bem, eu represento um mundo no qual sua mãe não conhecia e a curiosidade dela fez com que tornássemos amigas. – Comentou tomando uma nova dose de sake. – Mas depois que foi prometida ao futuro líder do clã, tivemos que nos afastar. Eu não era uma amiga ou companhia que sua mãe deveria ter... Depois disso, nunca mais a vi.
— Ela morreu logo após o parto da minha irmã mais nova. Ela já deveria ter uns cinco ou seis anos de casada – Informou com pesar.
— É um pena descobrir isto assim – Lamentou tomando mais uma dose de sake. – Ela era uma amiga divertida.
— Divertida? O que vocês faziam juntas?
A senhora apenas sorriu enigmaticamente e solicitou uma nova dose de sake, para ambas.
[...]
No consultório Sakura lia as anotações e resultados de exames que Ino havia feito com Temari. Quando a Haruno chegou no hospital a Yamanaka explicou toda a situação clínica e logo depois seus motivos de não poder cuidar do caso. Surpresa pela revelação de traição, Sakura rapidamente compreendeu Ino e aceitou cuidar do estado clínico de Temari.
Mas ambas concordavam e uma única coisa, jamais haviam visto ou compreendido um caso daquele e se nada fosse feito em relação à saúde daquela paciente, não seria surpresa nenhuma de Temari ir à óbito em poucos meses. Era necessário um maior estudo do caso para conseguirem tomar alguma atitude.
“Se pelo menos Tsunade estivesse por aqui...” – Pensou Sakura.
— Dra. Haruno – Chamou uma enfermeira que entrou no pequeno consultório. – Não sabia que estava de plantão essa madrugada.
— Oh sim, fiz uma troca com a Ino.
— Ah que bom! Precisava falar com a senhora sobre o caso da paciente... – E a enfermeira olhou na ficha o nome – De Mitsashi Tenten.
— Algum progresso? Os medicamentos fizeram efeito?
— Na verdade ela está começando a ficar mais lucida e a psicóloga está bem otimista sobre o caso.
— Ah que bom! – Exclamou Sakura mais aliviada e pegando todas as prescrições do caso de Temari sobre sua mesa – Daqui dois dias vou fazer uma visita à ela e averiguar o quanto os medicamentos estão fazendo efeito, mas qualquer informação passe para mim, por favor, e sobre o caso que acaba de sair da emergência, Sabako no Temari, você estava na equipe de Ino?
— Oh sim! Quadro terrível! Nunca vi nada parecido! – Exclamou a enfermeira deixando Sakura cada vez mais aflita – Mas achei que o caso fosse da Dra. Yamanaka.
— Agora é meu. Sabe qual é o leito dela?
— Segundo andar, quarto 117.
E assim como orientado pela enfermeira, Sakura juntou todas as prescrições médicas e os resultados de exame disponíveis do caso da princesa de Suna e iria imediatamente até o quarto de sua paciente, para finalmente analisar o quadro dela.
— Sakura – Uma voz conhecida a chamou em alto e bom som.
— Shikamaru? O que faz aqui? – Perguntou ao virar para trás e observar o moreno correndo em sua direção.
— Faz horas que eu estou nesse hospital e ninguém me fala sobre o caso de Temari! Eu a trouxe para o hospital e ela foi atendida na emergência pela Ino. – Exclamou irritadíssimo, mas era visível para Sakura a preocupação do moreno. – Você sabe sobre alguma coisa ou poder descobrir para mim?
Era extremamente incomum os acompanhantes não souberem do quadro clínico do acompanhado, mas então Sakura se lembrou das palavras amargas da amiga que contou que havia sido traída, como uma ótima profissional, Ino não pode se negar a atender Temari no estado clínico que se encontrava, mas pelo visto a maneira que arranjou de se vingar foi não orientar Shikamaru do quadro clínico de Temari.
Então finalmente Sakura o orientou sobre o estado desconhecido da princesa de Suna: que naquele momento ela havia saído da emergência, mas que mesmo na observação, o estado clínico de Temari não era bom e que a mesma permanecia desacordada.
— Temari me contou sobre isso – Relatou Shikamaru surpreendendo Sakura.
— Temari sabia do quadro que se encontrava?
— Sim, ela também me disse que Tsunade também estava investigando o caso dela... mas mesmo com diversos tratamentos, nenhum havia dado resultado – Confessou desanimado.
— Espere! Era o caso dela que Tsunade estava cuidando em Suna?
— Era sim, por que? Você sabe de algo, Sakura?
Sakura temeu sobre aquela afirmação, porque ela sabia sim.
Assim que percebera que estavam já na frente do quarto de Temari, ela abriu a porta sem responder a pergunta de Shikamaru, mas ambos se surpreenderam que Temari não estava sozinha.
— Quem é você? – Shikamaru perguntou encarando um homem alto, loiro, mas com uma cor de pele bronzeada e olhos castanho. Ele estava sentado ao lado da cama de Temari, segurando uma de suas mãos enquanto acariciava o rosto desacordado da loira.
— Quem são vocês? – Ele rebateu com o mesmo tom de voz de Shikamaru.
[...]
Naquela altura da madrugada não havia mais mulheres nuas dançando no palco, a maioria ou já atendiam seus clientes de uma forma mais intima nos diversos quartos do bordel ou através das mesas mesmo, e por conta daquele clima tão exótico Hinata permanecia ainda mais sem graça.
— Percebo que você é muito mais tímida que a sua mãe – Comentou a senhora que observava o desconforto da jovem Hyuuga.
— Sou? O que mais você sabe sobre minha mãe? – Perguntou Hinata voltando para o assunto que ela tanto gostaria de conversar.
— A sua mãe era diferente. Ela gostava do diferente, por isto nos tornamos amigas.
— Minha mãe já foi em algum bordel com você?
— Já, inclusive eu adorava. Por que se o homem era muito rude comigo ou me maltratasse, no outro dia a sua mãe acabava com ele! Ah! Eu adorava essa parte – A senhora respondeu com risadas nostálgicas – Mas ela jamais veio ao bordel como uma prostituta, é claro! Eu trabalhava para sobreviver e sua mãe tinha com certeza mais dinheiro na época do que eu tenho agora. Mas ela gostava da música alta, de descobrir que o mundo não é ingênuo, gostava de observar os pontos fracos dos homens, a maneira como nós, prostitutas, sensualizamos eles e principalmente da bebida! De início ela fazia as mesma caretas que você, mas depois que aprendeu a apreciar um bom sake...Minha nossa! Acho que até hoje as minhas maiores ressacas foram com ela. – E ela voltou a dar risada – Realmente era divertido. Ela me ensinava alguns truques de etiqueta, para me tornar uma mulher mais refinada, e eu a ensinava alguns truques... se é que você me entende. Seu pai foi um homem de sorte. – Comentou com um sorriso malicioso que Hinata realmente desejou não tem ouvido aquela última parte. — Na verdade eu era a fuga que ela precisava.
— Fuga? Ela fugia do que?
— Do seu futuro predestinado.
— Eu não entendo...
— Ah! Você entende sim, Hinata. Se não, não continuaria aqui, você foge tanto quanto um dia ela também fugiu, eu não sei quais são os seus motivos, mas eu conheço os dela.
E tudo que veio na cabeça de Hinata foi um rosto e um nome, UZUMAKI NARUTO.
— E quais eram os motivos dela de querer fugir? – Sussurrou curiosa, desejando poder entender melhor sua mãe, como se quisesse entender melhor a si mesma.
A mulher tomou mais uma dose de saque e suspirou melancólica.
— Você precisa entender que Hirome era uma mulher diferente, muito avançada para a sua época e o clã de vocês, os Hyuugas, eram tradicionais de mais e isto a sufocava. Ela estava cansada das formalidades, da etiqueta e mesmo sendo independente como uma ninja, ela era presa a sofisticação de uma mulher Hyuuga da família principal deveria ser. Ela tinha provavelmente a sua idade... E céus! Como ela era linda! Você é linda... Mas a sua mãe...! Eu não conheço nenhum homem que um dia conseguiu dizer um não se ela o deseja-se, e a beleza dela era um troféu para seus pais que já planejavam planejavam um casamento importante com algum homem do clã, e foi o que aconteceu, ela realmente se casou com o futuro líder dos Hyuuga. Mas saber que seu futuro já estava predestinado a martirizava! Ela tinha tanto para viver! Mas queriam aprisioná-la como um troféu! Casar-se com alguém que não amasse, construir uma família tradicional e exemplar como deveria ser... e tudo isso... céus! A destruía. Não me leve a mal, Hinata, não sei como foi o casamento de Hirome com seu pai, mas saber que seu destino estava preso ao prestígio do orgulhoso e tradicional clã Hyuuga a matava. Ela procurava uma liberdade que sabia que jamais poderia ter, mas como eu posso te explicar sobre algo que não entendo? – E ela fez um sorriso cínico – Acho que apenas você sabe do que estou falando. Provavelmente um dia fez algo que sabia que seu clã soubesse você seria crucificada e nunca seria perdoada.
Imediatamente veio em sua mente o envolvimento sexual nem um pouco romântico com o mais novo Hokage de Konoha, mesmo sabendo que ele era apaixonado por outra.
— Sim, você sabe muito bem sobre o que estou falando. – Acusou tomando mais um dose de sake, que pela sua surpresa, foi acompanhada pela virada brusca de dose que Hinata tomou.
Diferente de sua mãe, Hinata tinha a opção de se afastar daquilo que a sufocava. Ela precisava esquecer Uzumaki Naruto, antes que isto também a sufocasse.
Continua...
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