Coisas Sobre Nós
6 Ela era a minha mãe - Hyuuga Hinata
Notas iniciais
Capítulo 6: Ela é era a minha mãe_Hyuuga Hinata
[Pov Sakura]
Era realmente ele, Uchiha Sasuke, diante de mim, e apesar de ainda manter o olhar carrancudo ele também possuía algo diferente, uma ausência de brilho e cor no olhar, tornando-os extremamente opacos. Ele estava cego.
– O que faz em Konoha? – Rapidamente perguntei encarando-no, porem ele também olhava em minha direção, mas não para o meu rosto, ele jamais poderia fazer isso cego, ele apenas se guiava de acordo com o som de minha voz.
– Sakura... – Murmurou não antes de dar um resmungo – O que faz por aqui? Que eu saiba apenas Tsunade pode me tratar.
E sem esperar resposta ele se virou e andou com lentos passos para dentro da cozinha, e eu, imediatamente irritada pelo modo indiferente que ele me tratava, corri em sua direção ficando ao seu lado.
– Tsunade e Naruto! Ambos sabiam que você estava aqui e nenhum me contou!!!
Ele parou de frente a pia, e me surpreendi que mesmo não enxergando ele localizou facilmente com o tato um bule de chá e despejou sobre a xícara tal liquido sem derramar nenhuma gota.
– Por que está aqui, Uchiha? – Talvez ele tenha estranhado tanto quanto eu por chamá-lo pelo sobrenome.
Mas como esperado, ele não me respondeu, apenas encostou a xícara na boca e começou a beber tal liquido.
– Por que está cego?
E mais uma vez ele não me respondeu, apenas me ignorou, como sempre fez tão bem.
– Diga alguma coisa!!! – Exigi batendo com tanta força na pia, que rapidamente ela se quebrou, porem, pela minha surpresa, Sasuke ainda conseguiu segurar o bule de chá que não se quebrou como a pia ao cair no chão.
Ele sabia que toda aquela história me irritaria, ele sabia como eu havia mudado se comparado há anos a trás, e como a minha força também era diferente, mesmo assim ele não havia mudado, não o suficiente para me dar explicações e muito menos para me dizer o que pensava.
– Só quero te ajudar, droga! – E me afastei dele, indo em direção a saída daquela estranha casa – Você não muda, Uchiha. – E sem esperar resposta sai de tal casa, e como esperado, sem nenhuma explicação ou palavra dele, que permaneceu a beber tranquilamente o seu chá ignorante completamente o fato de ter me reencontrado depois de tantos anos, afinal sempre foi assim, sempre fui insignificante a ele.
[...]
[Pov Shizune]
Era melancólico lembra-me da noite desagradável de ontem, ao levar a doce e tão frágil garota para o Clã Hyuuga no estado lastimável que se encontrava. E como não ficar daquela maneira, não é mesmo? Pobre garota.
Entrei na sala do Hokage, sem bater na porta e carregando inúmeros pergaminhos comigo, mas pela minha surpresa, Uzumaki Naruto estava em silêncio e de pé em sua sala.
Ele observava pela enorme janela de vidro a linda paisagem de Konoha durante aquela tarde tranquila.
– Hokage! O senhor ainda não assinou os documentos que deixei aqui durante a manhã! – Exclamei encarando os inúmeros pergaminhos que estavam tão organizados quanto eu os havia deixado, era sempre assim, Naruto era tão desleixado no trabalho diplomático, não tenho mais paciência com essas criancices!
– Está enganada, já assinei e até organizei. – Estranhei imediatamente tal noticia dita com tanta tranquilidade e seriedade.
Uzumaki Naruto havia sim amadurecido com o tempo, mas não o suficiente dele possuir aquele semblante tão sério e tranquilo como outros Hokages possuíam, não ele! Aquela postura era muito mais melancólica do que qualquer outra coisa.
Astutamente coloquei os novos arquivos sobre a mesa dele e peguei os que ele já tinha assinado, e realmente, parecia que estava tudo estranhamente ok... Menos o seu semblante.
– Está tudo bem... Naruto? – Sim, era muito difícil de chamá-lo pelo primeiro nome, mas naquele momento eu não estava conversando com o Hokage. Não! Estava falando com o garoto que vi crescer e que possuía uma responsabilidade muito grande em seus ombros mesmo com a pouca idade que já possuía, e por isto, muitos esqueciam que aquele homem era um jovem como qualquer outro, que precisava vivenciar e sofrer com problemas de sua idade.
– Está dispensada, Shizune. – E a nítida rispidez em sua voz era o maior alerta que tinha algo extremamente errado, porem o loiro não me encarou em nenhum momento, apenas continuava a observar Konoha.
– Antes preciso te reportar apenas uma coisa sobre os portões de Konoha... – Ele me interrompeu.
– Já sei que a futura herdeira do Clã Hyuuga saiu para a sua viagem hoje à tarde, se é só isso, pode se retirar.
Era realmente muito estranho ver a maneira grossa que o Uzumaki agia, seria possível apenas a saída de Hinata deixá-lo tão carrancudo daquela maneira?
– Sei muito bem que o senhor sabe disso, afinal até mesmo observou a saída dela pelo monte Kage, talvez fosse melhor ter se despedido dela – E pela primeira vez naquela conversa Naruto me encarou, virando-se surpreso, provavelmente achando que apenas ele saberia daquele fato. – Mas não é sobre isso que vim aqui reportá-lo.
– Então sobre o que seria?
– Sabaku no Dori Tsubasa acabou de adentrar os muros de Konoha.
Imediatamente Naruto enrugou os cenhos e me encarou cada vez mais confuso.
– Achei que ele ainda fosse demorar alguns dias para chegar aqui. Ele realmente deve estar com muita pressa.
– Eu diria que é mais preocupação, Hokage-sama – E ao chamá-lo assim, Naruto até resmungou, odiava ser chamado tão formalmente. – Temari não se encontra em um bom estado de saíde... – Ele me interrompeu.
– Bah-chan vai dar um jeito, ela sempre dá... Ela precisa dar. – Naruto murmura encarando-me com os cenhos enrugados, afinal, provavelmente não era apenas o marido de Temari que estava preocupada com ela, seus irmãos, Naruto e até mesmo seus amigos temiam a realidade se estivessem tão cientes quantos nos dois sobre o estado de saúde da princesa de Suna.
[...]
[Pov Ino]
Hipócrita! É isto que Shikamaru é! Afinal, esqueceu do enterro do meu pai e até mesmo do seu próprio pai! E agora isto?
Olhava abismada a sala vazia, tal sala do prédio dos Kages que foi destinada especialmente para o serviço dos dois responsáveis pela prova chunniun este ano.
E onde eles estavam?
Era possível ver alguns documentos mexidos e espalhados pela sala, provavelmente do trabalho de ontem, da volta NÃO realizada de Shikamaru para casa.
Pois é, passei sim na casa de Shikamaru antes de vir aqui, e minha tão querida sogra, mãe de Shikamaru, avisou que ele nem havia voltado para casa, que ela até mesmo achou que ele provavelmente estivesse comigo.
Obviamente que não! E eu, ainda esperançosa que ele tivesse virado a noite trabalhando! Iludida! Afinal, desde quando o Shikamaru vira à noite trabalhando?!
“É MELHOR VOCÊ TER UMA ÓTIMA EXPLICAÇÃO A MIM, SHIKAMARU!” Pensei irritadíssima dando duros passos para fora daquela sala e quando percebi, já saia apressadamente dos prédios dos kages com lágrimas escorrendo pelo rosto.
“Por kami, que ele não esteja com ela.... Por favor, que ele não esteja com ela!” desejei fielmente.
[...]
O Nara continuava encostado no batente da porta com os braços cruzados enquanto analisava meticulosamente a princesa de Suna injetar uma solução aquosa no corpo com uma seringa.
– Já basta de tantos segredos, Temari. O que é que você tem?
Por um momento, Shikamaru percebeu nos olhos cor de verde musgo, um pequeno tremor, talvez um simples fraquejar, que pelo seu azar, não durou muito tempo. Logo o olhar dela se tornou sagaz e perspicaz como sempre fora, extremamente altiva.
– Que tal pararmos com esses joguinhos? – Ele argumentou contendo ainda esperança de conseguir informações dela.
– Acho que por hoje já deu, não é Shikamaru?
– Do que você está falando?
– Estou falando que tudo que aconteceu entre nós ontem e hoje de manha deve ser esquecido. Isto tudo é uma loucura, Shikamaru. Você segue uma vida e eu outra, e ambas são completamente diferentes, cometemos um erro, novamente.
– Você está certa... Tudo isso foi um completo erro. – Ele concordou com ela, fazendo com que a princesa de Suna se surpreendesse, não sabendo muito bem se era por ele concordar com ela ou pelo conteúdo de suas palavras que a feriam mais do que ela poderia um dia imaginar – Mas não mude de assunto comigo, Temari. O que é isso? – Perguntou apenas indicando com o olhar a seringa que ainda estavam nas mãos da princesa. – Nada está fazendo muito sentido... Na verdade, quando você está relacionada, nada faz muito sentido, mas... Por que voltou para Konoha, Temari? Por que retornou!? E não! Não me diga que foi pelo trabalho, que eu sei muito bem que não é isso! O trabalho foi apenas um pretexto.
E mais uma vez Shikamaru observou o olhar sagaz e perspicaz da imagem altiva de Temari desaparecer e ser substituído por um olhar levemente amedrontado. Sim! Naquele momento ele percebeu que estava no caminho certo.
– Por que voltou a Konoha, Temari?
– Lhe respondo apenas se fizermos um acordo. – Ela rapidamente ponderou.
– Que acordo?
– Quero que vá embora do meu quarto, e principalmente, nunca mais voltemos para o assunto de hoje e nos foquemos no trabalho. Esqueça do que aconteceu entre a gente, Shikamaru. É a melhor escolha que podemos fazer.
E mesmo a contragosto, Shikamaru sabia muito bem que o que ela dizia era o certo e o necessário a ser feito. Pois como ela já havia dito momentos atrás, ambos tinham vidas completamente diferentes, ambos tinham que voltar para a realidade e suas consequências.
– Eu concordo... Então me diga, por que está em Konoha?
Com movimentos frágeis e trêmulos, Temari se levantou, guardou os acessórios médicos dentro de sua mochila com movimentos lentos, e isto, apenas fazia com que a paciência do Nara, até aquele momento contida, se esgotasse por completamente.
– Que droga, Temari! Diga de uma vez! – Exclamou indo até a direção dela e puxando com violência o braço dela, mas sua pose irritadiça passou no mesmo momento em que encarou os olhos dela.
Pela primeira vez desde de que a conheceu, ele observou os olhos dela completamente marejados, com uma singela lágrima começando a escorrer pelo rosto.
– Que merda você está escondendo...? – Murmurou assustado percebendo o estado nada comum que a princesa se encontrava.
– Você já sabe... Pelo menos já imaginou.
– Temari...
– Por que pergunta algo que já sabe, Shikamaru?
– Quero ter certeza...
– Por que...?
– Porque quero estar errado...
Temari fechou os olhos com força e sentiu mais lágrimas escorrendo pelo seu rosto, e assim que os abriu percebeu que não era a única que estava emocionada naquele cômodo, então ela finalmente contou:
– Vim me despedir, Shikamaru. Vim me despedir de você. Esta é a última vez que venho a Konoha e também é a última vez que lhe vejo. Eu estou morrendo, Shikamaru, e não há nada que você ou qualquer outro ninja médico de qualquer país possa fazer. Tsunade está em Suna por isso, mas até mesmo ela não conseguiu achar a cura, por isto vim para Konoha, Shikamaru. Queria te ver, nem que fosse apenas mais uma vez, pela última vez.
E ele temeu, temeu por não ter errado as teorias que havia criado, mas temeu principalmente pelas sinceras palavras dela.
Coitado! Mal imaginava que sempre existiam mais segredos guardados pela sua princesa enigmática.
[...]
Haruno Sakura estava em sua sala, sentada displicente em sua poltrona e analisando os exames de Tenten. Já não bastava o dia extremamente estressante com a descoberta da volta do Uchiha a Konoha, ela ainda tinha problemas sérios em resolver de sua companheira.
Tenten não se encontrava em um momento bom de sua vida, os problemas psicológicos eram tão sérios, que afetava também a sua saúde.
Aturdida e cansada, Sakura jogou os exames sobre a mesa e saiu de sua sala e perambulou pelo hospital.
Naquele momento de paz entre os cinco grandes países ninjas, o hospital se encontrava levemente vazio. Se existia algum problema de saúde, eram muito mais individuais do que por uma missão mal resolvida.
Ela parou de frente a sala de Tenten, adentrou no cômodo, e como esperado a morena continuava a delirar e dizer palavras que ela jamais entenderia.
Como imaginou ela ainda estava com febre e transpirava bastante. Tenten também possuía a pele com uma cor amarelada e tinha seus cabelos desgrenhados e pouco brilhantes. E tudo aquilo pelo que? A morte de alguém realmente atinge as pessoas mais próximas... Mas até quando!?
Até quando o amor que Tenten sentia por Neji estava lhe fazendo bem? E quando ele começou a lhe fazer mal?!
Com Sasuke foi à mesma coisa! Olha só o que ele fez quando descobriu que seu irmão tinha matado seus familiares! Por que o excesso de amor pode ser tão destrutivo?
Isto acabou com o Sasuke! E isto esta acabando com a Tenten! Isto está acabando com sigo mesma!
Sim, ela se sentia a maior idiota, afinal, odiava ainda se preocupar com ele, odiava a forma que ele a tratava, mas parecia que ela queria sofrer! Por Kami! Ele jamais a tratou bem. Nunca! E mesmo assim, ela sempre estava se rastejando até ele! Sentia-se tão idiota por isso, mesmo assim, não conseguia parar. Ele era o seu vício! Sempre! E agora estava de volta a Konoha.
Ela temia que um dia sofresse tanto quanto Tenten está sofrendo, Sasuke jamais foi dela, jamais tiveram qualquer envolvimento, mesmo assim ele a dominava sem ter que fazer nada, e isto era o que mais a assustava!
Haruno Sakura não era mais a menina que o conheceu e morria de amores por ele, porem, agora crescida e mulher, ainda não era independente de todos os seus sentimentos platônicos. E ela mais do que tudo tinha medo da influência que ele ainda tinha sobre ela. Tinha medo de perder o controle de seus sentimentos, assim como Tenten havia perdido os dela.
– Ela realmente está péssima... – Argumentou uma voz tão conhecida pela Haruno.
Surpreendida, Sakura se virou rapidamente para trás e observou Ino encostada no batente da porta do quarto de Tenten, possuindo um olhar tão melancólico quanto o seu.
– E pelo visto não é a única. O que aconteceu, Ino?
– Acho que o Shikamaru está me traindo. E não faça essa cara, ele é homem, eles adoram fazer isso, até mesmo os preguiçosos.
– Shikamaru te adora, ele jamais faria isso.
– Ele não faria se fosse com qualquer mulher... Mas a história toda muda se ela for com a Sabaku no Temari. – Incomodada por suas próprias palavras, Ino entrou no cômodo e encarou sua tão antiga amiga, mudando rapidamente de assunto – Mas e você, por que está com essa cara? Pelo menos não tem problemas com relacionamentos.
– Talvez seja esse o problema... – Argumentou sem encarar a amiga, talvez realmente fosse isso, Sakura jamais se envolveu com ninguém para realmente poder esquecer o Uchiha. Pois como ela mesmo sabia, seus sentimentos pelo Uchiha eram platônicos! Não eram reais!
– Apesar da guerra ter acabado, esse ano não está sendo bom, não é? – Perguntou Ino encarando não apenas Sakura, mas também Tenten.
– Espero que essa má fase passe logo.
– Também espero – Ino suplicou.
[...]
Shikamaru estava aturdido demais.
Quantas informações realmente o abalaram tanto? Principalmente seus pensamentos?
Ele sempre fora extremamente racional, isso sempre o ajudou como ninja, porem até mesmo ele, um ninja tão inteligente estava completamente aturdido.
O Nara perambulava pelas ruas movimentadas de Konoha, sem uma direção certa, afinal, ele realmente havia saído do quarto de Temari, assim como tinha prometido, mas ainda estava perplexo com a notícia da princesa de Suna.
Afinal, era impossível! Simplesmente impossível! Tsunade SEMPRE, absolutamente sempre achava uma cura! Daquela vez não seria diferente.
Temari não iria morrer! Não poderia morrer!
Tsunade ia achar uma cura e iria curar Temari, mais cedo ou mais tarde, afinal ela TINHA que curar Temari.
– Shikamaru! – Uma voz o chama a distância, mas ele estava tão distraído em seus pensamentos que jamais perceberia o chamado de sua amiga de time, mais conhecida atualmente como sua namorada. — Shikamaru! Espera-me! – Mas ele não o fez, apenas continuava a dar singelos passos encarando o chão no qual passava. – Shikamaru!!! – O chamou correndo até a sua direção para finalmente alcançá-lo, desviando de umas três comerciantes no caminho – Eu disse para me esperar!!! – Gritou e tocou no ombro dele, fazendo apenas naquele momento Shikamaru tomar consciência que havia alguém dizendo algo a ele. – O que houve? – Ela rapidamente perguntou assim que ele virou o rosto e viu que era Ino que o chamava – Por que está chorando?
“Chorando?”, ele se perguntou tocando seu rosto e foi apenas naquele momento que percebeu que singelas lágrimas escorriam em seu rosto.
– O que aconteceu? Por que você desapareceu? Tem haver com a data de ontem... Sobre o seu pai? – Perguntou gentilmente Ino logo depois o abraçando fortemente.
E foi naquele momento que Shikamaru sentiu um enorme aperto de dor no peito, mais do que isso, uma mistura de angustia com peso na consciência. Afinal, Ino tentava consolá-lo pensando que ele estava mal pela morte do pai dele! Coisa que, ontem, Shikamaru nem ao menos havia se lembrado direito! Afinal, ele estava distraído de mais com a prazerosa companhia da princesa de Suna.
A mesma princesa de Suna que estava preparando o seu leito de morte... “Mas Ino! Ino é médica! Aluna de Tsunade, porem, ela pode ajudar, não é?! Pode ajudar a achar uma cura junte de Tsunade para Temari!” Ele rapidamente pensou, automaticamente ele também pensou nas supostos argumentos de Ino sobre como ele ficou sabendo sobre o estado de saúde da princesa de Suna. Mas o que aquilo importava para ele naquele momento? Ele apenas precisava que alguém achasse a cura, que alguém a ajudasse. Nem que fosse a sua própria namorada, mas ele necessitava que alguém curasse a sua loira, a sua verdadeira loira.
E foi assim, sem nenhuma cerimônia, no meio da rua, Shikamaru contou tudo que sabia sobre o estado de saúde de Temari a Ino, esperando que ela pudesse ajudar.
Logicamente Ino ficou surpresa sobre o tema da conversa, depois ficou ainda mais surpresa por perceber o modo emocional que seu namorado estava pelo assunto, e sem nenhuma cerimônia também, ela logo perguntou:
– Foi ela que te contou?
– Sim, Ino.
– Quando?
– Hoje de manha.
– Ela passou mal?
– Durante a madrugada.
– Por isso você não voltou para casa, Shikamaru? Você estava com ela? Você estava cuidando dela?
E naquele momento o Nara travou, ele poderia sim mentir, ele poderia sim afirmar tudo que ela dizia, mas ele não o fez, apenas ficou em silêncio e encarando o olhar de Ino se tornar cada vez mais raivoso, mas ele continuou em silêncio, e aquilo era a resposta que ela precisava.
Como imaginou ele recebeu sim um tapa na cara, e um poderoso.
– E mesmo assim você quer que eu a ajude!? Mesmo depois do que... Do que... Vocês dois fizeram COMIGO!? Você não tem vergonha, Shikamaru?! Você é o meu namorado! E cadê? Cadê a sua aliança!? — E naquele momento ele se lembrou que a deixou sobre a mesa no quarto de Temari. E quando percebeu recebeu outro tapa, um empurrão, um outro tapa no peito, e outro, e observou ela puxando a gola de sua blusa com força apesar de possuir mãos tremulas – Eu sabia! Eu sabia que vocês sempre tiveram um caso! Eu não mereço nem um mínimo de respeito? QUE DROGA, SHIKAMARU! Como pode fazer isso comigo...!? – Ele apenas a ouviu chorar e sentiu outro tapa no rosto – Eu não vou ajudá-la, se ela morrer ou não para mim tanto faz, e se você quiser ir junto eu realmente não ia me importar!
E ele apenas a viu se afastar extremamente magoada. Sim, ele havia errado, Ino sua companheira de time e amiga não merecia aquilo, mas não, ele não estava arrependido. Não depois de saber que talvez, aquela tenha sido a sua última vez com Temari.
– Desculpe-me... – murmurou Shikamaru vendo sua namorada, ou mais possivelmente sua ex, se afastar. Mas aquele momento não importava. Não para ele! O Nara precisava achar ajuda para Temari, se Ino não ia ajudar, provavelmente outra médica iria, e sem pensar duas vezes ele foi atrás de Haruno Sakura, porem, antes de tudo, ele precisava descobrir quais eram os sintomas e o pouco de informação da doença desconhecida que Temari possuía, e isso, apenas ela poderia dar a ele.
Sem pestanejar, ele voltou a andar rapidamente em direção do hotel que Temari estava hospedada, por isto ele não percebeu que na recepção existia um homem robusto e loiro de olhos claros procurando informações da mesma mulher que o Nara logo entraria no quarto, e que, quando entrou ele rapidamente ficou em pânico.
A princesa de Suna estava desacordada e jogada ao chão sobre uma possa de sangue, sangue que continuava a escorrer de sua boca.
E sem preguiça nenhuma, Shikamaru correu em sua direção, pegou-na no colo e pulou pelos telhados em busca de ajuda, saindo pela janela do quarto! E apenas por isso ele não se encontrou com o mesmo loiro que estava na recepção que adentrou no quarto de Temari momentos depois e ficou tão perplexo com a cena de sangue no quarto quanto o próprio Nara.
E o encontro destes dois homens não demoraria há acontecer, e quando isto acontecesse, Shikamaru jamais imaginaria que existiam mais segredos do que ele poderia um dia sequer ter imaginado.
Naquele momento a única coisa que o Nara percebeu foi que a sua racionalidade havia se esgotado e seus sentimentos estavam sobre o controle pela primeira vez.
E também pela primeira vez ele finalmente reconheceu e entendeu o que a loira enigmática tanto significava para ele.
[...]
O anoitecer chegou e junto a ele a friagem da noite fria. Cansada e com fome, Hinata apenas observou uma pequena iluminação entre o caminho que realizava, talvez uma simples hospedaria na qual ela poderia passar a sua primeira noite e se alimentar, sem usar seus recursos, afinal, nem mesmo ela sabia muito bem onde estava indo e quando realmente necessitaria deles.
Surpreendeu-se ao entrar no estabelecimento e percebeu um movimento maior do que havia imaginado, lá não era uma hospedaria normal, era um bar também, e quando adentrou percebeu que não era apenas aquilo, lá era um bordel também, e um bem barulhento.
Logo uma mulher quase nua se aproximou dela; imediatamente Hinata ficou sem graça, rubra por sentir vergonha pela mulher. A moça era bonita, e muito; e isto apenas a fazia pensar que circunstâncias da vida a fizeram fazer vender seu corpo para sobreviver.
– Olá, seja bem vinda. Entre, por favor, aí fora está muito frio. – E logo depois ela me guiou para um local bem afastado da porta, fora das correntes frias da tempestade que não demoraria a acontecer.
– Meu Deus, você está muito gelada! Espere um minuto que eu vou pegar uma bebida e já volto.
E antes mesmo de Hinata conseguir negar o copo de bebida, a mulher já havia partido. De inicio, ela estava assustada no lugar, vendo mulheres seminuas dançarem sobre os balcões e sendo observadas pelo sexo masculino como se fossem uns pedaços de carne fresca.
Sem graça, ela se sentou em uma mesa isolada no canto de uma parede. Reparou que o lugar era mais luxuoso do que poderia ter imaginado, o chão misturado com um carpete vermelho e madeira, o estabelecimento também possuía uma ótima iluminação, principalmente nas dançariam, fora à música extremamente alta. Ela jamais havia entrado em um ambiente daqueles. Reprimiu uma risada ao imaginar o descontentamento de seu pai ao saber que o primeiro lugar que ela havia parado havia sido um bordel no meio da estrada.
Logo a mulher que havia lhe recebido na entrada do estabelecimento havia voltando com um copo de bebida.
– Que suco que é? – Perguntou ingenuamente Hinata, e desta vez, foi à mulher que reprimiu a risada.
– Você não costuma visitar lugares como este, não é?
Hinata imediatamente corou, estava tão na cara aquilo? Ela mal imaginava que a mulher que lhe servia não reparava apenas nas palavras da Hyuuga, ela também reparava o tom de voz suave e baixo, típico de uma moça de família tradicional, sem contar a postura ao sentar-se à mesa e as roupas muito bem vestidas e sem estarem amassadas.
– Deve estar procurando uma hospedaria, não é? Mas sinto lhe informar que não há nada nessa região, apenas este bordel... Bem, temos alguns petiscos, algo que dê para você se alimentar. Normalmente as pessoas passam a noite aqui, mas não para dormir, se você me entende... Mas se quiser curtir apenas o ambiente, fique a vontade, a chuva acaba de começar, melhor se manter seca aqui dentro e esperar a chuva passar.
Logo a atendente se afastou e foi receber novos clientes, que como esperado eram do sexo masculino.
Como imaginou, Hinata não se sentia nem um pouco à vontade naquele ambiente, mas aquela mulher estava certa, era bom permanecer naquele lugar até que a chuva passasse, depois, mesmo à noite, ela continuaria a sua viagem, e foi o que fez.
Comeu e bebeu naquele lugar, de inicio ela estranhou o gosto da bebida alcoólica, mas depois começou a apreciá-la, era vergonhoso admitir que jamais havia nem ao menos experimentado uma, porem agora ela tinha certeza que apesar de ter experimentado ainda sim preferia uma boa xícara de chá.
Não demorou a um homem se sentar em sua mesa e tentar uma aproximação, primeiramente ela se sentiu ofendida por ser confundida com uma mulher que trabalhasse lá, porem logo apareceu uma mulher mais velha, também melhor vestida e que logo o tirou da mesa dela, Hinata logo percebeu que tal mulher também trabalhava lá, mas não como prostituta, e sim no ramo da administração.
Quando a chuva parou, não demorou a ir ao caixa daquele estabelecimento e a mesma mulher que havia tirado o homem de sua mesa estava lá.
– Desculpe o incomodo anterior, é difícil recebermos clientes femininos.
– Tudo bem, quanto ficou? – Hinata perguntou educadamente já preparada para abrir a enorme mochila das costas e pegar sua carteira.
– Nada para a senhorita.
– Mas...
– Não foi pelo incidente anterior – A mulher rapidamente articulou – Você apenas me lembrou uma antiga amiga, uma que devo vários favores – A senhora comentou sinceramente.
– Hum... Obrigada pela gentileza então. – Agradeceu fazendo o doce sorriso que sempre acompanhava a face da jovem Hyuuga – Qual era o nome da sua amiga? – Perguntou antes de sair do estabelecimento.
– Hirome... – E Hinata travou apenas ao ouvir aquele nome – Você é uma Hyuuga, da vila da folha, não é? Minha amiga também era.
– Ela se chamava Hyuuga Hirome? – Perguntou Hinata perplexa.
– Sim, a conhece?
– Ela era a minha mãe.
E a única coisa que Hinata conseguiu pensar era como a esposa do grandioso líder do clã Hyuuga conhecia a dona de um bordel isolado no meio da estrada.
Continua...
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