Coisas Sobre Nós
4 Por que dói tanto?_Uzumaki Naruto
Notas iniciais
Aos outros leitores, também obrigada pelos lindos reviwes, o que eu mais me surpreendo, é que vocês realmente estão caprichando! ♥ fazendo aqueles comentários que dão gosto de ler. Nunca numa fic minha teve isso em um alto número de leitores! Então MUITOOO OBRIGADA.
Boa leitura!!! Espero que gostem. Mas aviso, preparem o coração, porque neste capítulo haverá cenas dramáticas e o capítulo está grandinho.
Capítulo 4: Por que dói tanto?_Uzumaki Naruto.
O tio do Ichiraku Ramen ainda esperava por uma resposta de Hinata enquanto segurava uma espátula e preparava um pedido que estava sendo grelhado, permitindo se expandir o maravilhoso cheiro de ramen no cômodo.
Já Naruto e Sakura encaravam-na preocupados ao perceberem que a morena agia de um modo estranho. Afinal, ela estava mais pálida que o normal e seu corpo estava tremulo, seus lábios entreabertos e seus olhos possuíam um brilho diferente.
Naruto demorou em perceber que aquilo eram lágrimas.
Mas Hinata estava ainda tão paralisada com a situação, que continuava a encarar o casal. Que se preocupavam cada vez mais com o silêncio da morena.
– Hinata, você está bem? – Naruto perguntou com os cenhos enrugados.
Ainda sem obter resposta e percebendo a grande fragilidade que ela se encontrava, ele se levantou, se aproximando de Hinata, que assim que percebeu a atitude dele, entrou em um desespero ainda maior. Porque a última coisa que ela queria naquele momento, era Naruto perto dela. Porque ela sabia, que a única pessoa que Naruto realmente se importava, ou que realmente queria perto de si, não era ela, e sim, Haruno Sakura; e ela, estava apenas atrapalhando.
Temendo cada passo, em um ato desesperado, ela comentou rapidamente apenas voltando a respirar quando terminou de informar:
– Tenten desapareceu. – Disse com palavras rápidas e baixas, que se uniram durante a pronuncia.
Naruto demorou em realmente entender o que a Hyuuga havia dito, mas assim que entendeu ele enrugou os cenhos, e colocou as mãos nervosamente no cabelo, demonstrando preocupação.
– Tenten não vem agindo normalmente desde a morte de Neji. – Ele afirmou seriamente, olhando para trás e encarou Sakura – Desculpe Sakura-chan, mas marcamos um almoço outro dia, terei que te dever essa.
– Mas Naruto... – Ela tentou gesticular, mas ele a interrompeu antes.
– Acho que sei o motivo que ela desapareceu, e por isso eu preciso ir. – Ainda sério, ele encarou o tio do ramen – Desculpe tio, mas pelo visto vou ter que adiar esse ramen pra outro dia.
– Não tem problema nenhum, Hokage. – Ele respondeu com um leve sorriso, afinal, tinha até orgulho de ver a preocupação do novo Hokage de Konoha com uma simples ninja.
– Põe o ramen da Sakura-chan na minha conta. E Hinata – Diz voltando a olhá-la – Venha comigo, entre todos acho que você é a melhor pessoa para conversar com ela.
– Esperem! Então eu também vou procurar a Tenten com vocês – Falou Sakura, pronta para se levantar e a se juntar com Naruto e Hinata.
– Não precisa, Sakura-chan. Eu encontro a Tenten rapidamente com o chakra da natureza, na verdade, acho que até sei onde ela está. E assim como eu, você não é tão próxima de Tenten. Hinata é realmente a melhor pessoa para conversa com a Mitsashi. Sem contar que acredito que a última coisa que Tenten realmente queira seja a aproximação de qualquer pessoa – E ele fez um leve sorriso – Fique aqui e aproveite o almoço por nós dois.
Sakura se mostrou incerta, mesmo assim, ela não o questionou novamente.
E um Naruto sério voltou-se novamente a Hinata, que continuava tão paralisada quanto na hora que os encontrou.
– Vamos – Ele ordenou já saindo do restaurante.
Ela demorou um pouco para realmente entender que Naruto havia abandonado o seu almoço com Sakura e se juntado a ela na procura de Tenten.
Quando saiu do restaurante procurou com olhares rápidos qual era o caminho que o Uzumaki havia tomado.
Ao localizá-lo, ela correu em sua direção.
Naruto apesar de andar em passos largos e numa velocidade rápida, ele possuía em seu semblante tranquilidade, assim como concentração. E Hinata percebeu isso.
Aquele foi o momento que ela mais visualizou o grande amadurecimento que Naruto havia sofrido até então.
Aquela era a atitude digna de um Hokage, e observou, como Naruto realmente entendia o significado de seu cargo, assim como também se importava com todos de Konoha.
Ela observou as pálpebras dos olhos dele modificarem de cor, tornando-se alaranjadas, logo depois, voltaram ao normal e ele abriu os costumeiros olhos azuis. Localizando rapidamente Tenten.
– Onde imaginei – Murmurou encarando Hinata, que ainda se surpreendia com o comportamento sério que ele mantinha. – O chakra dela está muito agitado, ela não está bem, Hinata.
– Ela está lutando ou lutou com alguém? – Ela perguntou ficando cada vez mais preocupada com a sua amiga, será que ela tinha sido atacada?
– Não. Ela apenas está afoita, muito afoita. – Ele observou dando passos mais rápidos e seguindo um caminho que Hinata começara a perceber aonde a Mitsashi poderia estar.
– Ela está no cemitério, não é?
– Sim, na frente da lapide de Neji. – Ele terminou de informar mantendo um semblante tão preocupado quanto o de Hinata.
[...]
O maior preguiçoso de Konoha e a princesa de Suna trabalham em um cômodo exclusivo no prédio dos Kages.
Shikamaru estava deitado displicentemente em um sofá de couro escuro. Usando um dos braços como apoio da cabeça e o outro segurava uma lista de relatórios na qual ele lia acima do rosto.
Temari que estava sentada corretamente em uma poltrona da escrivaninha de madeira, encarou perplexa a maneira descarada e principalmente preguiçosa que o Nara sempre mantinha.
Ela colocou a caneta que segura nas mãos, para próxima da boca, até que finalmente largou um pergaminho que antes lia em cima da escrivaninha e disse ao Nara:
– Não importa os anos, você realmente não muda, ein!
O Nara que até aquele momento estava concentrado lendo seu relatório apenas tirou o olhar dos papeis e olhou para baixo, encarando a loira com desdém.
– O que quer dizer?
– Tesc! Deixa pra lá, mas vê se não dorme nesse sofá! – Rapidamente argumentou voltando a dar atenção aos pergaminhos que antes lia.
– Droga, você descobriu o meu plano. – Comentou com humor.
– É lógico que descobri. Eu te conheço. Na verdade não duvido nada que tenha pedido ao novo Hokage que colocassem esse sofá propositalmente, já planejando fingir trabalhar, mas na verdade estaria é dormindo. – Rapidamente argumentou sorridente voltando a encarar o Nara. Afinal ele tinha uma escrivaninha igual à dela no mesmo cômodo, mas logicamente ele preferia trabalhar no sofá.
Ambos trocaram olhares silenciosos e sorriram.
– Você realmente me conhece, não é?
– Você não faz ideia – Ela argumentou mexendo um dos cenhos e voltando a observar os papeis que lia na escrivaninha. Mantendo a caneta na boca enquanto mordia ou chupava delicadamente a tampa.
Shikamaru que mantivera o olhar da loira, fez um sorriso malicioso. Apesar de não ser proposital, Temari sempre era uma mulher provocativa. E a loira mal imaginava o que se passava na cabeça mal intencionada do Nara.
– Você também nunca muda – Ele murmurou.
Para Temari aquilo não tinha passado mais do que um resmungo, então perguntou:
– O que você disse?
– Nada, princesa. Nada – Respondeu suspirando enquanto voltava preguiçosamente a ler seu relatório.
E o cômodo ficou em um silêncio desconfortável enquanto eles voltavam a trabalhar.
[...]
Naruto e Hinata andavam rapidamente dentro do cemitério, mas assim que entraram na área do clã Hyuuga, viram a distância Tenten, que estava chorando compulsivamente na frente do tumulo.
E quanto mais eles se aproximavam, mais eram audíveis os soluços desesperados do corpo tremulo da morena.
Já próximos Naruto parou de andar e Hinata confusa o encarou.
Naruto permanecia com o semblante sério, e mostrou com o olhar, que não se aproximaria mais.
Naquele momento, Hinata lembrou o que ele havia dito para Sakura no Ichiraku, então entendeu que ele não se aproximaria, pois sabia que a sua presença era indesejada a Tenten, e que naquele instante, apenas ela iria se aproximar e conversar com a Mitsashi.
Apesar de preocupada, Hinata andava até Tenten com tranquilidade e leveza, queria demonstrar segurança aos sentimentos angustiantes da amiga, que se demonstrava extremamente frágil naquele momento.
– Tenten – Hinata lhe chamou carinhosamente, mas a morena continuava encolhida abraçando a si mesma com força, murmurando palavras que a Hyuuga não conseguia entender. – Tenten – A chamou com maior convicção, e se assustou com o movimento brusco e acelerado de Mitsashi em encará-la.
Foi naquele momento que Hinata percebeu que a amiga estava em uma situação muito pior do que um dia poderia imaginar.
Seu rosto possuía expressões de dor e angustia que Hinata jamais havia visto. Seus lábios estavam entreabertos, esbranquiçados e trêmulos; já seus olhos estavam esbugalhados e extremamente marejados, adquirindo assim um tom muito avermelhado. Sua pele estava completamente enxugada de lágrimas, que escorriam por toda a direção de suas maças e bochechas em uma velocidade e quantidade irregular.
Seus cabelos que talvez de manha possuísse o penteado de sempre, agora, estava desgrenhado e com várias mexas solta.
O corpo encolhido e tremulo. Ela abraçava a si mesma como se quisesse se proteger de algo, mas apenas depois de um tempo que Hinata entendeu que ela não se abraçava por isso, e sim, pelo fato de querer estar abraçando outra pessoa com extrema força, e este era o seu primo.
– Meu deus Tenten, o que aconteceu com você!? – Foi inevitável não se emocionar com a observação do quadro emocional e psicológico que a sua querida amiga se encontrava naquele momento.
A dor que ela sentia era tão forte, que Hinata poderia até tateá-lo. E isto foi o que mais a assustou. Quando percebeu, ela já se abaixava e abraçava fortemente a amiga, chorando tão alto quanto ela.
– Eu o amava tanto... Por que Hinata? Por que essa dor não passa?! – Dizia Tenten com a voz rouca e repleta de emoção – Não é justo, Hinata. Eu o amava! EU O AMAVA TANTO!
– Eu não duvido disso, amiga – Hinata murmurou com a voz também chorosa, passando as mãos delicadamente na cabeça de Tenten, enquanto sentia o corpo tremulo abraçá-la fortemente.
– Se eu não fosse tão fraca talvez pudesse tê-lo protegido... Eu deveria ter dado a minha vida por ele. Eu que deveria ter morrido naquela guerra – Declarou em alto e bom som.
– Se tem uma coisa que eu tenho absoluta certeza, Tenten. É que Neji jamais permitiria que você se ferisse.
Como consequências das verdadeiras palavras de Hinata, Tenten apenas intensificou o choro e os soluços. Porque assim como a Hyuuga, ela sabia que aquilo era verdade.
E a saudades de uma pessoa morta, era algo que Mitsashi não conseguia lidar. Não se essa pessoa era Neji, o companheiro de time dela, o homem que a transformou em mulher e que a fez aprender o que significava aquele sentimento tão puro e ao mesmo tempo tão destrutivo.
[...]
Shikamaru se mexia constantemente no sofá, transmitindo o desconforto. Alem disso, o som provocado pelo seu movimento no couro seco do sofá era o que mais irritava Temari durante a leitura do seu relatório.
– Shikamaru, dá para parar!? – Vociferou irritada, o encarando com os cenhos enrugados.
– Há! Qual é, estamos aqui há horas! Até almoçamos dentro dessa sala! Acho que já trabalhamos de mais.
– Pare com essa infantilidade, ainda nem deve ter anoitecido. Não percebe a importância desse torneio? É a primeira vez que finalmente juntamos guenins das cinco grandes vilas, e Konoha, a sua vila, será a sede para a reunião não apenas desses ninjas, mas também dos kages. Você mais do que eu deveria estar preocupado com a elaboração perfeita dessa prova.
– Tesc! Problemática, é lógico que estou preocupado e tinha reparado nisso – Ele resmungou se levantando e indo a direção de Temari, parando na frente da escrivaninha dela e entregando com a mão direita um relatório. – Já contabilizei os gastos em diferentes setores da prova e como serão as etapas de análise dos inscritos, assim como também quais ninjas tutores avaliaram a prova. Ei, Temari, você está me ouvindo? – Perguntou reparando que ela não parava de encarar a mão dele, estranhamente.
– Desde quando você tem um relacionamento sério com alguém? – Ela rapidamente perguntou confusa encarando-no.
E Shikamaru foi o que mais se surpreendeu com sua pergunta.
Afinal, para que a curiosidade?
Sim, agora, namorando Ino, ele usava uma aliança de prata no dedo anular da mão direita. Costumes da sociedade que ele odiava, mas que a sua namorada fazia questão de ter.
– Já tenho 24 anos, Temari. Um dia eu preciso ter um relacionamento sério com alguém. – Respondeu Shikamaru com desdém. – Você um dia deveria permitir ter esses tipos de relacionamentos. Obter apenas casinhos, depois de um tempo, cansa. Pensei que já tivesse percebido isso.
Temari permanecia atônita com a nova informação, e a reação dela, foi algo que não passou despercebido por Shikamaru.
– Ei, Temari, você está bem? – Ele perguntou preocupado, mas principalmente curioso por tentar entender o que se passava na cabeça de Temari, pois ela, ele nunca conseguia compreender completamente.
Porque aquela era a sua loira enigmática.
– Há! Sim, claro. – Ela respondeu subitamente voltando a respirar e a recolher o relatório que Shikamaru mantinha a segurar.
Misturou o relatório que o Nara tinha lido e feito com os que ela mesma lia.
Voltou a dar maior atenção aos relatórios do que para o moreno que continuava diante dela.
Mas Shikamaru sabia que aquilo era apenas uma maneira dela ignorá-lo, porque ele percebeu que o relato de seu relacionamento com alguém havia a incomodado.
Assim que ele deu as costas a ela, e estava pronto para sair da sala, foi involuntário não sorrir, e perceber que Temari havia sentido ciúmes, nem que fosse em uma questão de poucos segundos.
– Eu já estou indo para casa, não esqueça de trancar a porta quando sair. E bem, você já conhece muito bem o hotel que vai ficar. Amanha, às 10 horas da manhã nós encontramos na frente desse prédio pra voltarmos a trabalhar.
– Às oito horas.
– Tesc! Está bem, às oito horas. – Concordou Shikamaru mesmo a contragosto, já girando a maçaneta e abrindo a porta, pronto para ir embora. – Boa noite, princesa.
– Espere, Shikamaru – Ela pediu.
Soltando um resmungo preguiçoso, o Nara voltou-se a ela, estando parado na porta.
– Diferente dos outros anos, eu irei sair de Konoha mais cedo, só vou ficar por uma semana. Por isso, quero adiantar o quanto antes esse trabalho, ainda mais do que das últimas vezes que trabalhamos juntos.
– Tesc! Quando você ia me avisar isso?
– Estou avisando agora – Ela respondeu com desdém e voltando a dar atenção para os relatórios que segurava.
Contrariado, e voltando a resmungar, Shikamaru fechou a porta, mas continuou dentro daquele cômodo, voltando para o sofá que antes estava deitado e pegou um novo relatório da pilha displicente que ele havia criado no chão próximo do sofá.
Temari apenas sorriu ao ver a atitude que ele havia tomado, e depois voltou a trabalhar.
– Temari – Ele a chamou enquanto fingia ter começado a ler o novo relatório.
– Hun.
– Por que você vai ter que partir mais cedo de Konoha?
Sem tirar os olhos do relatório que lia, a princesa de Suna respondeu com desdém:
– Questões pessoais.
O Nara ainda esperou para ver se ela diria mais alguma coisa, mas nada mais foi pronunciado por Temari naquele momento.
– “Questões pessoais” – Ele murmurou em um resmungo voltando a dar atenção ao relatório novo que havia pegado, querendo realmente voltar a trabalhar.
Porque ele jamais entenderia por completo Temari, pelo simples fato dela continuar sendo a loira enigmática.
Aquilo tudo era tão problemático.
[...]
Ainda conseguia sentir:
Os toques suaves em minha pele;
Os beijos atrevidos, tanto em meus lábios da boca quanto nos lábios da minha intimidade;
Os apertões no corpo;
As sucções em meus mamilos;
A penetrações cuidadosas;
Os movimentos ágeis;
Os orgasmos múltiplos;
A sincronia dos corpos;
Podia ainda ouvir:
Meu nome em suplícios;
Seu gemido moderado;
Seus monossílabos que valiam mais do que frases compostas.
Podia ainda sentir seu cheiro amadeirado;
Podia ainda sentir o gosto de seus beijos;
Podia ainda visualizar cada pedaço de seu corpo, tão bem memorizado quanto o meu; mas lembrava ainda mais de seus raros sorrisos.
E sua voz ecoava em minha mente:
– Já te disse Tenten, eu não me importo com o que meu tio pode achar entre a gente. Se você é uma Hyuuga ou não, a escolha é minha. Se eu aceito isso, ele também precisa aceitar.
[...]
Na sala de espera do hospital de Konoha, Hinata e Naruto dividiam o mesmo sofá, mas Lee perambulava inquietantemente pelo cômodo. Deixando principalmente Naruto mais angustiado do que já estava.
– Lee, dá para você parar e se sentar! – Exclamou irritado o Hokage.
– Há Naruto! Você quer que eu fique como? Desculpe, mas se fosse Sakura-chan no lugar de Tenten, duvido que você conseguisse ficar sentado.
O pior era que todos sabiam que aquilo era verdade.
Mas antes que pudesse começar uma suposta discussão entre os dois, Sakura adentrou no cômodo.
– Sakura-chan! Como a Tenten está?! – Perguntou exclamando Lee, correndo em direção da médica.
Sakura estava com um semblante sério e não esboçava sorriso, o que apenas angustiava cada vez mais a todos.
– Já estabilizamos o quadro dela, e com os remédios, ela está dormindo. Mas não há muito que se fazer, os problemas de saúde são desencadeados pelo psicológico. Irei receitar antidepressivo. E Hokage, Tenten não está bem para realizar missões por um bom tempo. Os familiares dela já foram avisados?
– Sim, seus pais não demoraram a chegarem – Respondeu gentilmente Hinata.
– Bem, Tenten precisa de um tratamento psicológico, muitos cuidados dos familiares e amigos – Ela indicou fazendo um pequeno sorriso, e encarando principalmente Lee.
– Pode deixar comigo, Sakura-chan!
– Ela só precisa de um tempo, e com os cuidados necessários, ficará bem.
– Assim espero... – Murmurou Naruto.
Com o quadro estabilizado, Sakura se despediu dos companheiros e voltou para seu trabalho no hospital.
Lee avisou que continuaria por lá e acompanharia o quadro hospitalar da companheira.
Após a chegada dos familiares de Tenten, o Hokage voltou para os prédios dos Kages, e para seus afazeres diários.
Assim como Hinata ao seu clã.
Mas ela sabia que as preocupações de Naruto sobre Tenten eram vinculadas principalmente ao fato dele se culpar pela a morte do amigo, assim como ela também se culpava pela morte do primo.
[...]
Ela adentrou lentamente do quarto silencioso.
O cômodo era modesto e organizado, e mantinha-se limpo constantemente por alguma empregada da família Hyuuga.
Tudo era mantido no exato lugar que Neji um dia deixou, inclusive seus pertences.
O armário fechado de mogno na parede de frente a porta.
A cama se solteira ao lado do armário com o lençol bem estirado.
A escrivaninha de frente a cama com todos seus pertences ninjas junto com alguns armamentos... Tudo estava em seu exato lugar.
Com passos delicados, ela adentrou no quarto. Deito-se na cama e encarou o teto branco, mesmo se as luzes do quarto permanecessem desligadas.
Perguntou-se quantas vezes seu primo havia feito isso, encarado o teto, pensativo.
Sim, ela estava pensativa.
Refletia sobre o que ele faria se soubesse o estado que Tenten se encontrava.
Ela era a única pessoa que sabia a verdade sobre o namoro escondido na adolescência.
Deu uma suave risada ao se lembrar à primeira vez que viu Tenten saindo na calada da noite no quarto de seu primo. Ambas ficaram tão sem jeito com o acontecido, que ficaram pelo menos um mês sem conseguir trocar olhares. E o que para Hinata era apenas uma duvida, tornou-se uma afirmação.
Até que com poucas palavras, seu primo contou a verdade a ela.
Tenten e Neji namoravam sério desde os 14 anos, e até ele morrer, o namoro durou pelo menos três anos, um relacionamento curto, mesmo assim, muito intenso.
Mas quem era ela para dizer qualquer coisa sobre relacionamentos?
Tinha 24 anos e nunca havia namorado ninguém seriamente, apenas tinha um “caso” nem um pouco romântico com o novo Hokage de Konoha há poucos meses. Tesc! Aquilo nem deveria ser comparado com o namoro que um dia Neji e Tenten realmente tiveram.
Mas seus pensamentos foram interrompidos com o acender de luzes do quarto, e se surpreendeu com a presença de seu pai na porta.
– Estive te procurando o dia inteiro.
– Desculpe, papai. Mas ocorreram alguns problemas com a Tenten...
– Fiquei já sabendo sobre a história da antiga companheira de Neji. Espero que ela supere logo.
Hinata ficou por um tempo confusa, seria possível o seu pai saber dos motivos de sua amiga no hospital?
– Você realmente acha que era a única que sabia sobre o relacionamento dos dois, Hinata? Não se esqueça que sou o líder do grandioso clã Hyuuga. E tudo que se passa aqui dentro, ou com algum integrante, eu sei. – Ele afirmou erguendo os dois cenhos e dando alguns passos na direção da filha.
Hinata rapidamente arqueou os cenhos. Seria possível seu pai desconfiar de seu envolvimento com o Uzumaki?!
– A sua autorização para sair de Konoha já foi concedida pelo Hokage e pelos conselheiros.
E então ela se surpreendeu ainda mais e a única coisa que conseguiu pensar era:
Quanto tempo ainda tinha em Konoha?
[...]
À noite em Konoha estava extremamente fria, mas pelo menos naquele dia não choveu. Diferente da noite anterior.
As ruas estavam mais vazias que o normal e pelo horário tardio e a baixa temperatura, poucas pessoas transitavam pelas ruas do centro.
Mas este não era o caso do ninja mais preguiçoso de Konoha e a princesa de Suna.
– Vou ficar no mesmo hotel de antes, não precisava me trazer, Shikamaru.
– Eu sei, mas já está tarde. Sem contar que faz muitos anos que você não fica em Konoha, já são o que? Uns três anos?
– Cinco – Ela rapidamente corrigiu.
– Que seja... – Ele resmungou olhando para o céu, que naquela noite possuía poucas nuvens, e por isso, eram visíveis várias estrelas que tilintavam.
– Mesmo assim não era necessário, eu não me perderia...
E rapidamente ela recebeu um olhar que a repreendia.
–...Talvez só pegasse um caminho mais cumprido. – Ela rapidamente ponderou, fazendo com que os dois sorrissem.
Ambos andavam um do lado do outro tranquilamente sobre os paralelepípedos da rua. O mais estranho era que em silêncio. Não que antigamente aquilo não ocorresse, ocorria sim, o Nara sempre fora uma pessoa de poucas palavras. Mas não era aquele silêncio tão incomodo.
Na verdade ambos sabiam o motivo.
Que era simples; apenas um assunto mal resolvido de cinco anos atrás.
Mas pararam de andar quando finalmente chegaram no hotel.
– Bem, princesa, é aqui que você fica, a reserva foi feita pela Shizune, mas deve estar no nome do Naruto. De qualquer forma, só avise que era a visita de Suna que estavam aguardando e eles saberão do quarto.
– Obrigada – Ela murmurou mantendo as mãos dentro do bolso. – Então... Boa noite, Nara. – Desejou encarando seus olhos.
– Boa noite, Temari.
Apesar da despedida, nenhum moveu sequer um músculo, muito pelo contrário, continuaram a trocar intensos olhares.
E naquele momento ambos perceberam.
Se havia um problema a ser resolvido... Pelo visto, ele se manteria por um bom tempo.
Porque naquele exato momento, na frente do hotel e na rua deserta, Shikamaru e Temari se beijavam ardentemente.
Talvez fosse apenas nostalgia do tempo, vontade passageira de uma história do passado. Mas talvez, fosse uma questão muito mais complicada que ambos jamais admitiriam para si mesmos ou principalmente um para o outro.
[...]
Apesar de passar assinar, ler, resolver e organizar os pergaminhos parecia que quanto mais ele resolvia, mais os problemas se multiplicavam.
Arg! Ninguém havia lhe avisado que o trabalho de um Hokage era tão burocrático.
Lembrava-se muito bem dos pergaminhos acumulados na mesa de Tsunade quando ele era mais jovem, mas pensava que eram os mesmos acumulados da semana passada, e não por ela ter tirado pelo menos meia hora de descanso.
E ele, Uzumaki Naruto, que ainda tinha marcado um encontro repentino no horário do almoço que terminou no cômodo de espera no Hospital de Konoha por Mitsashi Tenten, havia ultrapassado o tempo estipulado, e assim, acumulado ainda mais pergaminhos.
O pior era que não bastavam os pergaminhos acumulados, o seu estomago não o deixava em paz. Pelo simples fato de não ter comido nada o dia inteiro! E tal empecilho só o atrapalhava e fazia com que ele resolvesse seus problemas burocráticos mais lentamente.
E depois de sua discussão com a Shizune, ela se negou a ir buscar qualquer alimento enquanto ele estivesse agindo como um completo idiota e não percebesse como a sua relação com a futura líder do clã Hyuuga era perigosa.
Como ela havia dito mesmo? Oh sim, algo como “Hyuuga Hinata é a futura líder do clã Hyuuga, o clã mais importante de Konoha. Você acha o que, Uzumaki?! Quem nessa história irá sair machucado? Mesmo falando da delicada e doce Hinata, toda mulher que se machuca em um relacionamento se torna outra pessoa. Quer que o clã Hyuuga tenha o mesmo destino que o Uchiha!?”
Mas o Uzumaki tinha absoluta certeza que jamais o clã Hyuuga teria um final trágico como o Uchiha pelo simples fato que a rixa existente na época entre os Uchihas e a vila de Konoha não tinha nada haver com um caso sexual.
Mas por outro lado, ele entendera o que Shizune quis dizer, e principalmente à parte “quem nessa história irá sair machucado”.
Ele deu um longo e intenso suspiro, pensando qual era a melhor solução para aquilo.
Porque a última pessoa que ele gostaria de machucar era Hyuuga Hinata.
Mas seus pensamentos foram completamente interrompidos quando um intenso e tão familiar cheiro de ramen de porco invadiram a sua sala. Seria possível Shizune ter pena de seu tão querido Hokage e tivesse tido o grandioso ato de ir buscar uma adorável refeição a ele?
Porem Naruto se surpreendeu muito mais ao ver quem realmente havia acabado de entrar em sua sala com sua tão esperada refeição.
A pessoa era ninguém mais, ninguém menos que Hyuuga Hinata.
– Como imaginei, você realmente estava morrendo de fome, não é, Naruto-kun?
– Como você soube? – Perguntou Naruto confuso.
– Se eu me lembro bem, atrapalhei o seu encon... O seu almoço com a Sakura, e você havia me avisado que estava com trabalho atrasado. E-então imaginei... Que não pudesse sair da sua sala. Enfim... T-trouxe algo para você, N-naruto-kun – Explicou Hinata usando o seu jeitinho meigo de sempre, e naquele exato momento Naruto se xingou em não poder corresponder os sentimentos puros e ingênuos da única pessoa que realmente se importava com ele.
Ela se aproximou dele, deixando o pacote da refeição em cima de sua mesa e em silêncio ela já se afastava, e antes que saísse de sua sala, comentou:
– V-vejo que tem muito trabalho. Já vou indo, n-não quero atrapalhar. Boa noite, N-naruto-kun.
E ela realmente teria ido embora se Naruto não a chamasse e avisasse para não partir, porque ambos tinham que conversar.
Obviamente Hinata não conseguia entender os motivos do Uzumaki estar com um semblante tão sério e lhe chamar naquela conversa.
Por mais um pedido dele, ela se sentou na poltrona de frente a Naruto, prontos para iniciarem uma possível longa conversa, que Hinata mal imaginava que iria terminar com seu coração despedaçado.
– Hinata, preciso te perguntar uma coisa, e quero que seja completamente sincera comigo, está bem?
– Está certo, N-naruto-kun. – Respondeu Hinata completamente confusa pelo rumo que aquela conversa tinha sido iniciada, e temia pelo pior.
– Hoje no horário do almoço, quando nos encontramos no Ichiraku Ramen você estava agindo de um modo estranho. Aquela preocupação... Aqueles olhos cheios de lágrimas... Eles não haviam sido pelo desaparecimento da Tenten, não é?
Imediatamente Hinata travou e arregalou os olhos. Aonde exatamente seu querido Naruto-kun queria chegar naquela história? Ela se perguntava.
Ela poderia mentir. Há se poderia! Mas aquilo não fazia parte de Hinata, omitir informações era uma característica que estava adquirindo nos últimos tempos, mas mentir... Não, isso ela nunca havia sido boa. Então inventar uma história ou dizer que aquelas lágrimas eram realmente sobre o desaparecimento de Tenten estava fora de cogitação para a Hyuuga.
Mas dizer a verdade também era, porque era algo que jamais Hinata conseguiria fazer.
Porem, não era necessário. Naruto já possuía a sua tese e ela era verdadeira.
E o silêncio constrangedor de uma Hinata completamente surpresa e corada pela pergunta era a resposta que ele mais temia, mas a afirmação verdadeira.
Nervosamente, ele colocou as mãos nos cabelos e suspirou. Pensou mil maneiras de como dizer aquilo a ela, mas nenhuma obteria um resultado positivo a Hyuuga, então ele soube que tudo que poderia ser era dizer com sinceridade.
– Hinata, você sabe o que eu realmente sinto pela Sakura-chan, não é? – Apesar daquela não ser uma pergunta retórica, ele sabia que ela jamais admitiria isso a ele em voz alta, então ele continuou – Eu não posso continuar com o nosso caso, Hinata. Não podemos continuar a ter o que temos. Principalmente porque não posso mais fazer isso com você.
Naquele momento, Hinata agradeceu por estar sentada, porque se estivesse de pé, tinha a absoluta certeza que não conseguiria se manter daquele jeito.
Se a momentos atrás ela estava surpresa, agora não existia uma palavra concreta para descrever o modo no qual ela se encontrava.
Paralisada, com certeza era uma, mas confusa e magoada eram outras.
Ela já poderia sentir a falta de ar em seus pulmões ou a forte ardência nos olhos repletos de lágrimas ou os tremores de seu corpo acompanhados pelos batimentos descompassados de seu coração.
E apesar de ver o estado que aos poucos a Hyuuga se encontrava, ele tinha que terminar com aquilo, com as piores palavras que ela poderia ouvir:
– Na verdade eu... Sinto muito, mas eu não te amo, Hinata.
E naquele momento ela não soube mais segurar as lágrimas, os tremores ou a falta de ar. Na verdade, infelizmente, ela não soube nem como conseguiu manter a lucidez, talvez fosse até mais fácil desmaiar, e perder a consciência, mesmo que por poucos segundos, talvez aquelas dores inexplicáveis, que ela não tinha ideia da onde vinham, pudessem parar.
Ambos se encontraram em um profundo silêncio constrangedor e sem se encararem.
Naruto percebeu que ela não tinha nem ao menos condições de sair da sala dele, mesmo que a última coisa que desejasse fosse vê-lo.
Então ele se ergueu e deu rápidos passos para a saída de sua própria sala, porque aquele era o mínimo que poderia fazer a ela.
Queria sim abraçá-la fortemente e pedir perdão.
Queria também poder voltar no tempo, e talvez nem ao menos tivesse começado aquele caso com ela, ou o simples fato de querer apagar os sentimentos da pobre garota por ele.
Ele sabia que o maior problema na verdade não era o fato de Hinata ser apaixonada por ele. Não... O maior problema era ele não ser capaz de retribuir aqueles sentimentos.
Assim que saiu da sala e fechou a porta, era impossível não ouvir os soluços do choro ou os gritos de agonia.
A única coisa que ele tinha absoluta certeza era que ela sentiria menos dor agora do que se fizesse isso mais tarde, e a única coisa que ele não gostaria de fazer a ela, era com que se tornasse como uma Tenten.
Porque ele se importava sim com ela. E muito!
Hyuuga Hinata era uma pessoa adorável e extremamente gentil, também era educada, carinhosa, atenciosa e delicada.
Tinha o maior coração que já conhecera, era uma bondade tão extrema que ele não saberia nem explicar.
Ele sentia um enorme carinho e admiração por ela sim! Mas ele sabia que apesar daquilo ser o suficiente a ela naquele momento, em algum instante não seria mais.
Porque entre todas as pessoas na qual ele já conheceu, Hinata era quem mais merecia ser amada!
E isso era a única coisa que ele jamais poderia dar.
– Está feliz agora?! – Perguntou amargurado olhando para o lado, e se encontrando com Shizune, que parecia tão paralisada com o acontecimento anterior quanto Hinata.
Ela queria sim que o Uzumaki tomasse uma atitude. Mas ele tinha duas opções e ela torcia arduamente para uma, a que ele ficasse com Hyuuga Hinata; e não a que ele a largasse. E infelizmente ele não escolheu a opção que ela queria.
Porem, se ele realmente não amava a pequena Hyuuga, ela sabia, mesmo não gostando, que aquela havia sido a decisão certa.
– Shizune... – Ele murmurou com a voz esganiçada – Se essa era a decisão certa, então por que...? – Naruto pausou sentindo gélidas lágrimas escorrendo pelo seu rosto e ainda ouvindo o choro intenso e estridente de Hinata no cômodo atrás de si – Por que dói tanto?
E naquele momento tanto Naruto quanto Shizune perceberam que Hinata não era a única que sairia machucada naquela história. Hinata poderia ser a primeira, mas Naruto seria o segundo.
Só que o casal mal imaginava que aquele não era o final trágico do romance...
Não.
Aquele era apenas o inicio da história.
Continua...
Notas finais
Primeiramente Tenten está em um estado lastimável.
Shikamaru e Temari estão se envolvendo em algo que apenas piorara a situação dos dois.
Ino está sendo traída e nem sabe... Coitada.
E Naruto e Hinata terminaram o que tinham e estão em uma situação deplorável...
Pois é, eu avisei que o drama ia ser forte.
Enfim, espero que tenham gostado do capítulo, no qual iria mandar a vocês apenas amanha, mas achei que era digno de ser lançado hoje as duas e vinte e quatro, o momento que a terminei, mas que só estará no site daqui alguns minutinhos.
Agora vamos para assuntos bons:
Primeiro, SEJAM BEM VINDOS OS NOVOS LEITORES.
Segundo, Gostaram da nova capa ou preferiam a outra?
Terceiro, já falei que odeio o modo de mandar mensagem aqui no Nyah, meu, é um saco ele ficar te travando, e só dificulta o modo de ficar avisando vcs que a fic esta atualizada, então, amanha eu devo mandar pra vcs o meu recadinho de sempre, pq hj to com sono e levo muitoooo tempo avisando a todos respeitando os termos do nyah q vivem me barrando , ele reclama até que mandei a mensagem rápido de mais. Ele quer o que? Eu digito rápido ! O.o!
E estou tão feliz com as minhas duas lindas recomendações que recebi no último capitulo, será que mereço mais?
esperando por seus lindos reviwes tbm
Bjs nessa e até o próximo capitulo, seus lindos!
Fale com o autor