Coisas Sobre Nós
12 O que faz aqui, Hinata?_Hyuuga Hirome
Notas iniciais
Capítulo 12: O que faz aqui, Hinata?_Hyuuga Hirome
Sayuri estava afoita, com a respiração ofegante e suada. Ela se sentou no chão, aguardando que Hinata estivesse tão esgotada fisicamente quanto ela, mas muito pelo contrário, Hinata sentou-se tranquilamente ao seu lado e ofereceu um copo de água para a companheira.
— Eu sou uma ninja, meu estado físico é melhor do que o seu – Explicou gentilmente já observando o quanto Sayuri se mostrava surpresa.
— Provavelmente uma ninja muito boa – Comentou rapidamente
Sayuri já conheceu outros ninjas, principalmente clientes e nenhum havia demonstrado um rendimento físico tão bom quanto o dela.
Ambas ensaiavam durante a madrugada a horas, aproveitando a música do ambiente de cima para ensaiarem e enquanto Sayuri já demonstrava cansaço, Hinata estava em excelente forma.
— Você pega rápido, tem jeito pra isso – Informou tomando um gole de água.
Antes que Hinata pudesse responder a porta do quarto foi aberta rapidamente, aparecendo Tomoyo, uma das mulheres que trabalhavam no bordel.
— Sayuri! Trouxeram uma nova menina! – Informou rapidamente sem se importar se Hinata estava ouvindo ou não.
— Quantos anos ela tem? É bonita? Trabalhará aqui? – Perguntou demonstrando extremo interesse.
Como um grande segredo a ser compartilhado, Tomoyo fechou a porta e se aproximou das duas jovens, ajoelhando-se na frente delas e informando em um tom de voz baixo e praticamente rouco.
— Ela deve ter uns treze ou quatorze anos, ainda tem jeito de menina, mas é muito bonita: magra, cabelos longos e olhos claros, mas parece que... – E falou com um tom de voz ainda mais baixo — ... vai para a okiya.
— Okiya?! – Perguntou Hinata em um tom mais alto que Tomoyo, sendo repreendida imediatamente pelas duas – Mas o que é uma Okiya? – Sussurrou também.
— Okiya é uma casa onde se treinam gueixas – Explicou Sayuri em sussurros, porem entusiasmada. Percebendo que Hinata não compartilhava da empolgação de ambas as jovens, ela imaginou que provavelmente sua doce e delicada Hinata não soubesse o que era uma gueixa – Gueixas são as mulheres mais desejadas por um homem, elas estudam a tradição milenar japonesa e utilizam elementos artísticos como dança e canto para entreter seus convidados. Este treinamento é caríssimo, por isto normalmente é pago com a venda de seu mizuage, que é a venda da virgindade da gueixa. A companhia de uma gueixa só é apreciada pelos homens mais ricos, além disso, quanto mais popular e bonita for a gueixa, mais caro será o seu mizuage. Mas até que seja feita a proposta de seu mizuage, a gueixa é treinada por anos e mora em uma okiya e sua dívida pelo treinamento pertence a dona da okiya. Quando cheguei aqui, Madame Hari falou que eu não possuía o que era necessário para me tornar uma gueixa, a maioria das meninas aqui gostariam de ser uma gueixa do que trabalhar aqui, mas apenas as mais bonitas e promissoras vão para a Okiya, além do mais, elas precisam ser virgens, porque a virgindade é o que garante o maior sucesso de uma gueixa.
Finalmente Hinata começou a entender melhor aquele mundo, mostrando que a base das jovens mulheres sem futuro próspero era a prostituição ou a venda de seu corpo e seu destino quando mais velhas e treinadas, nada muito diferente do que uma prostituta de luxo. Tudo que se questionou era como que tudo aquilo parecia tão distante de sua realidade como ninja.
[...]
[Pov Ino]
Uma luz intensa nos meus olhos fazia com que recordasse os sentidos. De início só ouvia o apito frequente de uma equipamento médico, barulho já tão familiar.
Ao abrir os olhos demorei para possuir foco em alguma coisa e a iluminação era tão intensa que irritava meus olhos.
— Pelo visto está acordando – Informou uma voz feminina tão familiar para mim.
Tsunade-sama estava em frente ao meu leito, me diagnosticando com uma lanterninha em meus olhos.
Encarei minha sensei que a tanto tempo não encontrava, ela permanecia exatamente igual apesar dos anos, percebo que preciso conversar com ela sobre a fórmula da juventude mais uma vez.
— Ino, ele jamais pode descobrir! Me prometa! Entenda como isso é importante, à todos! – Surgiu tal pedido em minha mente, uma voz feminina gritava comigo.
Afoita, olhei ao meu redor em busca de...
— Ela foi levada – Uma voz grave informou.
— Kazekage-sama, informei que o avisaria quando ela recordasse os sentidos. – Falou aborrecida Tsunade que já se afastava de meu leito.
— Ela está acordada, não é? – Logo depois Gaara, um homem de olhar frio e expressões duras, se aproximou de mim. – E é a única que não foi levada, mas porquê?
Do que eles estavam falando?
E uma mistura de lembranças surgiram em minha mente.
— Uma bomba sonífera... – encarei imediatamente o Kazekage – Temari! Eu os vi tentando levar a Temari antes de apagar!!! – Vociferei.
— Não apenas ela. – Informou Gaara com um olhar melancólico.
Imediatamente levantei da cama, tropeçando de início, se não fosse o Kazekage a me segurar em um movimento ágil. Sem me importar se ele ainda me ajudava a ficar de pé, informei alarmada:
— Eles sabem da verdade!
E isto foi o bastante para deixar todos alarmados.
[...]
[Pov Sakura]
Acordei ouvindo os resmungos de minha mãe indignada por não contar que estava saindo com o Naruto, ou melhor, o Hokage, como ela mesma dizia. E acredite, eu neguei, neguei e neguei, mesmo assim minha mãe não acreditou. Dá para acreditar!? Além de ser acordada deste jeito ainda por cima minha própria mãe acreditava mais naquele maldito jornal do que na própria filha!!!
Saí de casa o mais rapidamente possível antes que isto me irritasse mais do que já estava me irritando.
Mesmo eu e Naruto negando a qualquer um que perguntasse se estávamos saindo, ninguém acreditava em nós, apenas nas fotos e comentários daquele infeliz jornal.
Desde então, até mesmo no hospital, não me chamavam mais de Dra. Haruno, Sakura, kunoichi ou até mesmo a mulher de cabelos rosa, agora era reconhecida apenas como “A namorada do sexto Hokage”! Dá pra entender a minha indignação!?
Aquele era um belo dia, ensolarado e com poucas nuvens. Enquanto eu andava pelas ruas de paralelepípedo para ir ao hospital, ou qualquer outro refúgio que encontrasse primeiro pelo caminho, vários civis passavam por mim me cumprimentando e desejando bom dia, e apesar de estar extremamente mal humorada não conseguia ser rude com essas pessoas, porque tudo que eu menos precisava era de mais uma manchete escrita sobre: “A namorada do sexto Hokage agrediu um casal de velhinhos que a cumprimentava”. Tesc! Fala sério, essa situação não poderia piorar.
Enquanto tentava passar o mais discretamente possível pelas ruas algo me chamou a atenção.
Algumas pessoas desviavam de algo a frente, demorei para enxergar que era uma pessoa que vestia uma enorme capa preta com cabelos médios e barbudo, o mesmo utilizava um cabo de madeira para guiar-se, e minha completa surpresa foi ver que esta pessoa era Uchiha Sasuke.
Olhei curiosa para o mesmo, ele andava calmamente pelas ruas e acompanhei tal passeio. Sozinho, ele se guiava com o cabo de madeira para qual direção ia e se havia algum obstáculo pelo caminho, percebi que algumas vezes ele perguntava para alguém a direção de alguma coisa, alguns civis até se ofereceram para ajudá-lo, ajuda imediatamente negada pelo Uchiha. Ele perdeu o equilíbrio ao pisar num buraco, ao descer uma pequena escada, ao pisar em falso em um desnível da rua, quase trombou com uma criança, um poste, uma parede... Mesmo assim, ele continuou.
Achei interessante que enquanto ele andasse pelas ruas do comércio em nenhum momento fora reconhecido, estranhei isto, porque quando éramos pequenos Sasuke fazia muito sucesso, não apenas com as garotas da escola ninja, mas também pelos civis por ser o último integrante do grandioso, poderoso e instinto Clã Uchiha, porem um pequeno grupo de ninjas passaram pela rua, imediatamente demonstraram-se surpresos, até então eram os únicos que o reconheceu, por um momento o seguiram a distância assim como eu, só para terem certeza se aquele era mesmo o antigo procurado ninja de Konoha, agora cego.
Assim que constataram o fato, trocaram comentários ofensivos sobre ele entre eles. Risadas altas e sorrisos maldosos foram compartilhados. Percebi que Sasuke estava distante de mais para ouvir ou perceber que caçoavam dele, mas eu que os observava a distância não deixaria isto barato.
Me aproximei do grupo, pronta para ouvir sobre o que eles falavam e provavelmente começar uma briga, mesmo estando em desvantagem.
— Ficar cego é pouco para o que esse metido Uchiha fez, ele deveria ser proibido de voltar para Konoha – Comentou um dos integrantes ninjas.
Assim que iria avançar naquele grupo, senti uma mão no meu ombro.
— Não faça isso – Alguém sussurrou
— Kakashi-sensei?! – Exclamei me virando para trás.
— Eles já estão indo embora e os civis não sabem quem Sasuke é, então não chame a atenção desnecessariamente. É a primeira vez a mais de um ano que ele sai da mansão Uchiha, não faça nada que chame a atenção, não deixe que ele se arrependa de ter saído do distrito Uchiha.
E com sabias palavras eu recuei. O pequeno grupo de ninjas que caçoavam de Sasuke haviam partido, enquanto eu e Kakashi-sensei observávamos ele à distância.
Até que finalmente ele pareceu chegar em seu destino. Entrou numa simples padaria, demorou para sair daquele local, mas eu e Kakashi o aguardamos do lado de fora. Ele saiu com um pacote de pães frescos e refez o caminho que tinha feito.
— Pelo visto hoje não preciso levar pães para ele – Comentou Kakashi-sensei com humor.
Acompanhamos também a volta dele para o clã. Uma caminhada que levaria menos que dez minutos, mas que levaram mais de meia hora. Sasuke andava cautelosamente, mesmo assim quando um cachorro passou correndo e chocou-se com ele e com o cabo de madeira que ele segurava, ele caiu. Ao se erguer mal humorado e negando qualquer ajuda de civis ele percebeu que havia derrubado também o pacote de pães, os localizando ele tateou para ter certeza que o pacote não havia se rasgado, e não se rasgou. Irritado, embora tivesse com a missão cumprida, Sasuke retornou ao seu clã, sozinho.
— Isto é um progresso – Comentou Kakashi e mesmo utilizando a máscara costumeira eu poderia apostar que o mesmo sorria.
Mas eu concordava com ele e sorri.
— Bem, agora vou para o hospital. – Informei para o sensei me afastando – É melhor me afastar do Kakashi antes que falem que estou saindo com o ex Hokage e antigo sensei também- murmurei para mim mesma.
— O que você disse?! – Ele perguntou a distância, como se achasse que ainda conversasse com ele.
— Nada sensei! Nada!!!
[...]
O início da manhã era o horário mais calmo daquela casa, pois apenas no final da madrugada que a maioria das prostitutas e seus clientes iam dormir.
Já Hinata estava acordada, arrumando suas coisas e pronta a partir a qualquer momento daquele bordel. Ela sabia que havia passado tempo mais do que o suficiente e o esperado naquele local.
Lembrou-se que apesar de seu motivo imediato de sair de Konoha era Naruto, ela também deveria aprofundar seu conhecimento para se tornar uma grande líder para seu clã, que para isto era recomendado passear nas quatro grandes Vilas Shinobis que ela pessoalmente mal conhecia.
Olhou para a janela de seu quarto e observou que o clima do dia era ensolarado e com poucas nuvens, um ótimo dia para partir e não ser surpreendida com uma tempestade.
Mas algo chamou a sua atenção, Madame Hari saia em silêncio do bordel, acompanhada de uma jovem moça provavelmente mais nova que sua irmã.
Imediatamente Hinata estranhou a mulher sair naquele horário tão incomum e se lembrou da conversa durante a madrugada com Sayuri e Tomoyo deduziu que provavelmente aquela menina estava sendo levada a casa de okiya.
Curiosa por toda aquela situação desconhecida ela permitiu-se segui-las
[...]
[Pov Tenten]
O sol começava a nascer e podia também ver os primeiros sinais de claridade ultrapassarem sua janela.
Observei seu quarto como sempre muito bem organizado. A cômoda só possuía um porta retrato com a foto da equipe ninja e sua bandana de Konoha que ele sempre retirava antes de dormir. O armário de seu quarto com todas as gavetas e portas fechadas e eu sabia que se tivesse que abrir uma de suas gavetas suas roupas estariam perfeitamente organizadas, por cor! Reprimi a risada ao me lembrar disso.
Neji sempre foi mais organizado do que eu ou Lee, na verdade, era organizado até demais.
Eu ainda conseguia me lembrar do cheiro do seu quarto limpo. Neji tinha o toque de passar desodorante todas as vezes que saísse do banho, mas o moreno tomada tantos banhos por dia, que seu quarto sempre cheirava seu desodorante másculo. Confesso que amava aquele cheiro e mesmo que agora estivéssemos deitados em sua cama eu apreciava aquele cheiro.
Mesmo a contra gosto, sabia que aquele era o horário de sair de seu quarto e de seu clã, nós dois namorávamos escondidos a três anos e normalmente sempre saia de seu quarto durante a madrugada, mas ontem à noite tinha sido tão gostoso que tudo que desejei era dormir mais um pouquinho ao seu lado e sair do clã antes que os Hyuugas levantassem.
O clã de Neji era tradicional de mais, integrantes dele só poderiam se relacionar com pessoas do mesmo clã, para manterem o byakugan “puro”. Está pelo menos era a explicação que um dia Neji me deu, mesmo para ele da família segundaria. Por isto, namorávamos em segredo, primeiramente porque gostávamos muito um do outro, sem contar, é claro, que eu jamais iria querer engravidar, não com 17 anos. Então porque ficaríamos separados? Se existia um momento certo para ficarmos juntos, era aquele.
Um tempo depois que Neji me informou sobre as “formalidades” de seu clã, comecei a pensar um pouco na Hinata. Coitada! Não era segredo nenhum que a doce Hyuuga era perdidamente apaixonada pelo Naruto desde que éramos da academia ninja! Apesar de Naruto nunca ter correspondido aos sentimentos dela ela vai que em algum momento ele correspondesse, sabe, acredito que Naruto nunca nem se deu conta dos puros sentimentos da Hyuuga. De qualquer forma, Hinata jamais poderia ficar com ele, não ela sendo da família principal e herdeira do clã Hyuuga! Mesmo assim isso não era da minha conta...
Encarei a janela e percebi que o dia já estava perigosamente claro de mais para permanecer no clã.
Ao tentar sair da cama confortável e quentinha, senti uma mão em volta da minha cintura me puxando de volta para a cama.
— Onde você pensa que vai? – Perguntou uma voz baixa e rouca, perigosamente perto de mais de minha orelha, senti imediatamente meus pelos do braço arrepiarem quando seu corpo quente encostou atrás do meu e não demorou para sentir seu pênis duro me enconchando.
— Parece que dormir te deu energia, ein – Comentei sentido um suave beijo em meu pescoço nu, enquanto ele me abraçava mais forte por trás. – Mas seu tempo acabou, meu querido. Já passou da hora de sair de seu clã...
— Mais cinco minutos... Não! Mais umas cinco horas! – Decretou me fazendo rir, além de não parar de beijar o meu pescoço e me abraçar com mais força por trás para realmente não permitir que me afastasse.
— Você sabe que é o que eu mais queria! Não tem como você fingir que está doente e se trancar no seu quarto? Eu juro que não faço barulho e poderíamos aproveitar – Disse me virando para ele e encontrando nossos olhares pela primeira vez daquele dia.
Ele não me respondeu, apenas me fitava com melancolia e um suspiro de frustação, até que finalmente tirou uma pequena mexa de cabelo que estava no meu rosto e colocou atrás da minha orelha.
— As coisas seriam mais fáceis se você não namorasse comigo. – Neji murmurou.
— As coisas seriam mais fáceis se eu não namorasse com qualquer Hyuuga – Informei.
— Como se fosse sair com outro Hyuuga...
— Você tem uns primos distantes bem bonitos... – Argumentei já observando o semblante de Neji alterar imediatamente, extremamente aborrecido.
A pequena cena de ciúmes me fez rir, rir alto, enquanto o moreno imediatamente me largou e se virou na cama, demonstrando intenso aborrecimento, mas eu adorava deixa-lo daquela maneira.
— É melhor você ir – Ordenou Neji com palavras duras, mas eu não parei de rir, não conseguia me controlar.
— Eu sei que preciso ir – Comentei entre as risadas, começando a me controlar – Hinata me viu da última vez, agora com certeza ela sabe sobre nós, precisamos tomar mais cuidado. Imagina se eu encontrasse com o seu tio? – Refleti assombrada e envergonhada – Não consigo encontrar a sua prima sem ficar sem jeito! E se ela contar para o seu tio ...?
— Não se preocupe, ela não vai – Neji respondeu convicto, porém ainda tinha traços de aborrecimento em sua voz.
— Acho melhor você conversar com ela, Neji, para ter certeza que ela não vai contar – Observei antes de levantar, mas mais uma vez ele me puxou de volta para a cama.
— Neji, eu preciso ir! – Exclamei percebendo que o sol já havia se erguidos a cima das montanhas, deveriam ser quase 6 horas da manhã.
— Antes, eu vou te provar que sou melhor que qualquer outro parente meu. – Informou me deixando imediatamente corada.
— Neji... – E antes que pudesse articular alguma frase de efeito, ele subiu em cima de mim e sugou com vontade o meu mamilo direito, arrancando um suspiro forte meu.
Eu estava completamente nua de baixo de seus cobertores, assim como ele e permanecíamos assim desde o sexo durante a madrugada.
— Neji, eu preciso ir! – Tentei articular, porem senti uma de suas mãos na lateral de meu corpo, terminando no meu sexo, ele arqueou as sobrancelhas ao constatar que...
— Nossa, você está bem molhada para alguém que acabou de acordar – Rapidamente observou. Ué! Em nenhum momento eu disse que realmente gostaria de ir embora, sem contar, que realmente era excitante correr o perigo de ser pega com ele.
— E você também está bem duro para alguém que acabou de acordar – E ele rapidamente concordou comigo, voltando a beijar o meu pescoço, já eu voltei a olhar para a janela, sabia que não tínhamos mais tempo... Mas que se foda! – Neji, seja rápido – Ordenei e imediatamente ouvi uma risada dele como resposta.
Aquele era um dos poucos momentos que o ouvia rir.
— Você precisa esquecer o passado e viver o agora – Orientava alguma voz gentilmente.
Olhei ao meu redor, o quarto era completamente branco, havia uma janela com grades, mesmo assim algumas luzes solares ultrapassam-na.
— Tenten, você está me ouvindo?
Olhei para a pessoa, só então percebi que não estava sozinha... Mas a onde eu estava?
— Tenten, sou eu, Sakura, do time sete, lembra de mim?
Ela usava roupas brancas, tinha um cabelo rosa, mas seu olhar... ele era piedoso?
— Tenten, por favor, preste atenção. – Ela suplicou se aproximando de mim, segurando uma de minhas mãos, estranhei tal contato físico e tentei puxar as minhas mãos para junto de meu corpo, mas ela não permitiu, permanecia a segurá-lo com força – Você precisa esquecer o passado para poder viver o agora!
Ela queria que eu esquece Neji!?
— NÃO DIGA BESTEIRAS! – Imediatamente ela se assustou com meu grito grave e se afastou de mim, largando finalmente a minha mão – QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA ME FALAR PARA ESQUECER DO NEJI!?
— Tenten...
— VOCÊ NÃO SABE DE NADA! NUNCA FOI AMADA POR ALGUÉM!!! Ninguém aguentaria uma pessoa tão irritante quanto você.
Mas ela apenas me encarou, calada e com olhos imediatamente marejados.
— SAIA DAQUI! – Quem aquela mulher achava que era para interromper as minhas memórias!? – EU DISSE PARA SAIR DAQUI!!!
E com passos trêmulos ela saiu.
Levantei-me da cama e fui até a janela, o sol já estava a pino, naquele horário com certeza já havia saído da casa dele.
— Você foi rápido demais, Neji.
[...]
[Pov Gaara]
Se o que Yamanaka Ino falou era verdade, os problemas estavam apenas começando a se agravar. Se isto caísse no pequeno conselho de Suna ou para qualquer outro conselho das quatro grandes vilas... Um grande desastre ocorreria e nas piores das hipóteses tudo aquilo poderia gerar uma nova guerra.
Tudo por conta de um pequeno incidente e escolhas erradas.
E eu não ia permitir que isto se agravasse!
Assim que abri a porta do quarto do hospital, vi a ninja loira terminando de ajustar a sua roupa ninja e colocando uma mochila de viajem nas costas.
— Onde você pensa que está indo, Yamanaka!?
— Eu sou responsável pela sua irmã e foi no meu plantão que ela foi sequestrada!
— Já enviei uma equipe de Suna para se juntar com uma de Konoha, eles partiram ontem.
— Eu vou me juntar a eles...
— Você não...
— Quem vai cuidar da sua irmã quando eles a salvarem?! Tsunade está aqui, focada em encontrar a cura para sua irmã, mas se ela não voltar nas melhores condições possíveis, não haverá cura que poderá salvá-la.
— Vocês não encontrarão ainda a cura e ... agora existem coisas mais em jogo do que apenas a vida da minha querida irmã. – Apesar das palavras duras eu sabia que existiam mais emoção na frase do que realmente deveria conter, provavelmente a ninja de Konoha percebeu isso, aproximando-se de mim sem cortar o contato visual.
— Sempre existem mais coisas em jogo, apenas não podemos desistir. E sim, eu sei de tudo, de toda a verdade, sua irmã me contou. Tsunade recebeu uma carta de Naruto informando que Shikamaru é um dos integrantes do grupo de resgate de Konoha, que irá se encontrar com o grupo de Suna. Até quando vocês acham que vão conseguir manter esta mentira dele? Alguém precisa estar lá para minimizar os estragos, Kazekage-sama.
Eu apenas acenei positivamente, sabia que ela estava certa e não havia ninguém melhor do que a companheira de time de Shikamaru que soubesse de toda a história para minimizar os estragos.
— Gaara – Ela me chamou pelo primeiro nome, me surpreendendo completamente, mas isto se acentuou quando ela se aproximou de mim colocando uma de suas mãos em meu peito... que insolente! – Não desista, por favor. Não enquanto tudo ainda não estiver perdido.
Logo depois ela se afastou, partindo do quarto, do hospital e logo menos de Suna também.
Já eu, apenas permaneci naquele cômodo refletindo.
[...]
Dentro da sala particular dos médicos, Haruno Sakura estava paralisada, sentada em uma cadeira qualquer de sua sala.
Sentia seu corpo tremer, nervosamente. Colocou uma de suas mãos tremulas no rosto, desejando que aquelas palavras não a afetassem mais do que afetavam.
Tenten era sua paciente, que estava passando por um momento de depressão profunda, a maioria das vezes dizendo coisas sem sentido. Racionalmente, Sakura sabia que a moça parecia nem ao menos reconhece-la, provavelmente a morena nem sabia que tais palavras a afetariam mais do que o esperado, mas afetou.
Ela nunca havia contado a alguém sobre o que Sasuke e ela conversaram antes dele partir de Konoha, isto quando ainda eram guenins. Ninguém sequer imaginava como a ofensa de chama-la de “irritante” poderia afetá-la.
“Talvez eu realmente seja irritante, para que duas pessoas me chamem assim” Sakura concluiu deprimida. Sentiu uma lágrima solitária escorrer por seu rosto e jamais imaginaria que palavras de uma pessoa insana poderiam machucá-la tanto.
Ouviu algumas batidas na porta e alguém lhe chamar, rapidamente ela secou a lagrima do rosto e fingiu um sorriso, pedindo para entrar. Pela sua surpresa, acompanhada da enfermeira estava um homem cego de casaco preto, com cabelos mais cumpridos do que o normal e uma barba mal feita, conhecido como Uchiha Sasuke.
— Ele queria conversar com a melhor médica do hospital – Comentou sem graça a enfermeira – Só consegui pensar na senhora.
— Obrigada – Agradeceu lisonjeada – Entre, Sasuke-kun.
O homem cego deu lentos passos para dentro da sala e a enfermeira fechou a porta. Um silêncio constrangedor permaneceu entre eles, afinal, o mínimo que a kunoichi esperava eram desculpas pelas ofensas que ele a disse da última vez que se encontraram, mas como o esperado, ele não se desculpou, na verdade, ele não falava nada. Sakura soltou um suspiro, cansada de mais por esperar alguma palavra de Sasuke.
— Provavelmente você tinha esperanças que a enfermeira lhe apresentasse uma outra médica – Confessou se erguendo e se afastando do Uchiha, ficando de costas para ele e se aproximando de uma janela qualquer.
— Na verdade ficaria decepcionado se ela não me trouxesse até você...
Sakura imediatamente travou por ouvir tais palavras, se virou com as sobrancelhas enrugadas. Aquele não poderia ser Uchiha Sasuke.
—...Já que não é uma ninja muito competente, pelo menos, como médica deveria ser.
Imediatamente Sakura fez um sorriso desdenhoso, com certeza depois daquela ofensa aquele era o Uchiha que ela conhecia, mas dessa vez ela responderia a altura.
— Sou uma ninja muito melhor do que você é hoje.
Seu desejo era ferir o orgulho Uchiha, mas tudo que conseguiu fazer foi arrancar um sorriso desdenhoso, praticamente igual ao que ela fez momentos atrás.
— Por que veio até aqui, Uchiha?
— Não parece que está surpresa ao me ver.
Sakura ficou um momento incerta, pensando qual era a resposta certa.
— Mas eu estou. Só existe um motivo para você vir ao hospital, nunca o vi pedir ajuda...
— Não estou pedindo ajuda, mas sim cooperação.
— Para haver cooperação você deveria me oferecer algo que eu gostaria e não há nada...
— Conversei com Naruto, ele me informou que precisa de um espaço que o hospital não possui. Espaço para montar um laboratório e estudar o caso da princesa de Suna, não é?
Sakura retorceu o nariz, odiava admitir que ele estava certo.
— Não há nenhum lugar com espaço mais amplo que o distrito Uchiha, existem algumas casas reformadas que você poderá usar como laboratório, existem outras em ruinas, caso queira demoli-las e começar um lugar novo, mas que eu saiba não tem tempo para isto.
— E em troca, o que você vai querer? – Sakura indagou sabendo a resposta, mas queria ouvir a necessidade dele admitir tal pedido a ela.
— A possibilidade de um tratamento a minha cegueira.
Vencedora, Sakura se aproximou de uma mesa no escritório e já começava a fazer uma receita.
— Primeiramente preciso analisa-lo e solicitarei alguns exames, mas antes quero deixar bem claro, não há certeza alguma para a recuperação de sua visão.
— Eu sei – Sasuke rapidamente concordou, ciente – Por isto vim atrás da melhor médica.
Sakura se odiou por se sentir verdadeiramente orgulhosa pelo elogio.
[...]
[Pov Choji]
Pela primeira vez, descordei com o Naruto – ou melhor, o Hokage — de escolher Shikamaru como líder responsável pela missão. Estava mais do que claro que suas emoções estavam ultrapassando suas decisões racionais.
Menos de quinze minutos depois do anuncio da missão já havíamos partido de Konoha.
Foi entregue uma espécie de bússola de areia a Shikamaru, tal utensílio era um objeto que seguia o chakra de um dos integrantes do grupo de Suna que deveríamos encontrar. Naruto havia o recebido junto com o pedido de Gaara, na cooperação de resgate à duas pessoas, sendo uma dela a princesa de Suna.
Desde então, Shikamaru dizia poucas palavras, apenas segurava aquele utensílio como se sua vida dependesse disso e corríamos desenfreadamente ao encontro do time de Suna há um dia.
— Está missão está muito estranha – Observou Kiba cansado de tanto silêncio, até mesmo ele que não era da nossa equipe percebia que havia algo errado. – Aquele idiota do Naruto...
— Hokage, para você – Informou irritado Shikamaru, mesmo assim Kiba continuou a falar
—... Não nos deu informação o suficiente para esta missão. Como eles foram sequestrados e onde? Apenas sabemos que a irmã do Gaara foi sequestrada, mas como? E quem é a outra pessoa? Não foi a Ino que escoltou ela de volta para Suna? Onde está a Ino...!?
— Dá para você calar a boca! – Vociferou Shikamaru e imediatamente recebeu um forte rosnado de Akamaru. – Você realmente achou que eu não me questionei sobre tudo isso!? Você realmente sequer imaginou que eu não percebi que há algo escondido no meio de tudo isso?! Temari está morrendo! Porque sequestrar alguém que está morrendo!? Céus! Imagine o suporte médico que ela está recebendo! Você nem ao menos sabe do que está falando, você não a viu! VOCÊ NÃO FAZ IDÉIA DO QUE ELA ESTÁ PASSANDO AGORA!
— SE CONTROLE SHIKAMARU! – Gritei entrando na frente dele e ficando entre ele e Kiba enquanto corríamos pulando entre os galhos das árvores da floresta intensa.
O Nara apesar resmungou algo e respirou fundo, envergonhado por perder a calma tão facilmente.
— Nossa, pelo visto os boatos entre você e a princesinha de Suna não eram mentiras. – Kiba fez o infeliz comentário e isto foi o bastante para o pequeno momento de arrependimento de Shikamaru acabar por completo.
Antes que eu conseguisse segurá-lo, Shikamaru fez movimentos ágeis e avançou em Kiba, que estava tão surpreso com o movimento repentino que não desviou, apenas recebeu um soco de direita na face, fazendo-o cair da árvore e rolar pelo chão.
— Mas que merda, Shikamaru! – Gritei correndo em direção de ambos antes que a situação piorasse.
Enraivecido, Akamaru rosnou e atacou Shikamaru, pronto para morder seu pescoço assim que seu dono foi atacado. Em um movimento de reflexo, Shikamaru protegeu o rosto com o braço esquerdo, pela sua sorte.
— Akamaru, NÃO! – Exclamou Kiba – Mas que droga, Shikamaru! Ele poderia ter arrancado o seu braço! – Exclamou se erguendo do chão e correndo em direção do Nara que havia sido atacado por Akamaru naquele pequeno intervalo de tempo. No mesmo momento, passou a mão na boca, sentindo o gosto de sangue, provavelmente era um corte feio – Filho da puta, mas que merda foi essa!? – Kiba exclamou se aproximando do Nara que agora também estava no chão, urrando de dor no braço completamente ensanguentado. – Puta que pariu! Ele realmente ia arrancar o seu braço, você é louco?! Akamaru, se afasta! – Ordenou para ter certeza que o animal não atacaria novamente seu líder. – Que droga, cara! Deixa eu ver o que ele fez no seu braço, isso daí vai ficar feio...!
— Não se aproxime! – Vociferou Shikamaru – QUE MERDA! IDIOTA! – Shikamaru xingava.
— Você está maluco por me xingar?! Parece que você precisa ser mordido mais uma vez pelo Akamaru!
Shikamaru continuou a falar diversos palavrões ofensivos, demorei para entender que eram xingamentos para si mesmo.
Me aproximei de Kiba, que estava voltando a ficar irritado.
— Ele não esta xingando você, esta xingando a si mesmo – Expliquei a Kiba fazendo com que ele se afastasse de Shikamaru e peguei a bússola de areia no chão que em algum momento foi derrubado pelo Nara durante o ataque – Coloque a cabeça no lugar e só então nos persiga, precisamos de um líder, mas agora ele não é você. Quando colocar sua parte racional como prioridade, encontre-se com a gente.
Sem esperar resposta, eu e Kiba partimos, porém Akamaru se aproximou do Nara, com a cabeça e o rabo abaixados, arrependido.
— Venha, Akamaru.
Porém o cachorro só foi até o dono depois de se aproximar do Nara e lamber o seu rosto, apenas naquele momento percebi que Akamaru lambia as lágrimas displicentes que jorravam da face do Nara.
Pela primeira vez vi Shikamaru chorar e pelo visto eu não era o único que estava surpreso.
[...]
Eram quase dez horas da manhã, inicialmente Madame Hari e a jovem garota saíram do local afastado do bordel e foram por uma trilha da floresta até um vilarejo lá próximo, Hinata permaneceu a persegui-las facilmente. Tal vilarejo ficava no meio do caminho entre Suna e Konoha, diversas vezes Hinata passou por aquele vilarejo durante missões, mas jamais se hospedou ou visitou aquele local. Lembrou-se que apenas uma vez ela parou em uma feira qualquer para comprar comida que faltava na volta de uma missão com o seu antigo time de Kurenai.
O vilarejo era muito conhecido naquela região pelo comércio, por isso suas ruas eram asfaltadas de paralelepípedo e as casas do comércio eram grandes e atrativas, quase iguais aos imóveis de Konoha. Algo muito incomum em um simples vilarejo, porém como o comércio era a principal economia do local, a região era mais enriquecida e vasta do que um vilarejo comum.
Apesar do horário aquele era um dia extremamente quente, o sol brilhava fortemente e iluminava as ruas do comércio. Os vendedores adoravam aquele clima, porque as pessoas costumavam sair mais de suas casas e as vendas prosperavam.
Em um certo percurso, as ruas estavam tão tumultuadas de pessoas e feiras que Hinata achou melhor ativar o Byakugan e permanecer a sua perseguição a distância.
— Oh, uma ninja de Konoha! Difícil encontrar uma aqui, vocês não costumam se hospedar neste vilarejo! Veja este tecido! Azul combina com a senhorita! Sinta a maciez... – Um vendedor tentava chamar a atenção de Hinata enquanto a kunoichi passava e perseguia Madame Hari e a jovem à distância.
— Senhor, eu não...
— Azul escuro realmente combina com você! Sinta...
Antes que Hinata realmente pudesse prestar atenção no que o vendedor falava, ela percebeu utilizando o seu Byakugan, que Madame Hari e a jovem garota saíram da rua principal do comércio e viraram em uma rua qualquer.
Atenta, Hinata nem respondeu o comerciante e logo depois apertou o passo, seguindo o caminho que a governanta fazia.
Um tempo depois, entrou na mesma rua que elas, e aos poucos o barulho de metais e conversas que vinham do comércio foram se minimizando.
Hinata agradeceu por ser um dia tão claro, aquelas ruas eram estreitas, úmidas e sombreadas pelas altas casas. Percebeu que aos poucos as casas eram mais simples, a maioria de vários andares, porém percebia-se que várias famílias diferentes compartilhavam o mesmo imóvel.
Mas havia uma casa com uma área vasta, um portão alto e forte que a rodeava. Madame Hari e a jovem garota estavam de frente aquele portão, até que depois de tocarem um sino, uma jovem veio atendê-las.
Tal jovem era bem vestida, usava um lindo kimono claro. Seus cabelos eram bem escovados e presos em um penteado perfeito. Apesar da distância, Hinata observou que a jovem tinha um rosto gracioso e usava uma delicada maquiagem, apenas que realçava seus olhos e sua beleza. A jovem curvou-se com movimentos tão gentis que por um momento ela imaginou que a jovem fosse do seu clã tradicional, obviamente uma mentira, logo que a moça tinha olhos escuros, muito diferente dos esbranquiçados do clã Hyuuga.
Madame Hari e a jovem garota entraram juntas com a bela moça dentro do imóvel. Curiosa, Hinata ativou mais uma vez o seu Byakugan e observou a distância o movimento de todas.
Percebeu que dentro daquele imóvel existia um majestoso jardim e no centro uma enorme casa. Se vista por fora, provavelmente Hinata julgaria aquele local como um templo, mas depois da conversa que teve durante a madrugada com Sayuri e Tomoyo ela concluiu que aquele local refinado deveria ser a okiya, a casa que treinavam gueixas.
Aquilo fazia sentido, segundo a explicação de Sayuri sobre as gueixas, a moça bonita e elegante que abriu o portão deveria ser uma das moradoras daquele local.
Com o Byakugan ativado, Hinata observou que dentro da casa principal existiam cerca de mais umas sete pessoas distribuídas pela casa.
Madame Hari, a jovem garota e a moça de atitudes refinadas adentraram na casa e foram em direção de um amplo cômodo, onde segundo o Byakugan, havia mais uma pessoa, Hinata concluiu que provavelmente fosse a dona da okiya.
As quatro ficaram um bom tempo juntas, conversando. Até que finalmente começaram a andar pela casa, até terminarem no jardim. Intrigada, querendo entender mais daquele mundo e descobrir quem era a dona da okiya, Hinata se aproximou e pulou no enorme muro do portão. Finalmente vendo a dona da okiya.
A mulher usava um kimono mais refinado que Hinata já havia visto. Ele era de seda, suas cores eram de um degrade do branco ao azul marinho nas extremidades. Seus cabelos negros estavam extremamente bem penteados e presos em um penteado perfeito.
Porém os olhares apenas se encontraram quando a mulher reparou que alguém havia se aproximado do muro, não só isso, que saltou o muro tentando invadir seu imóvel. Em um movimento astuto, a mulher se virou, encarando a jovem Hyuuga no muro do portão vermelho.
Finalmente ocorreu o encontro de ambos os olhos brancos esbranquiçados entre a mulher de quarenta e poucos anos que aparentava ter menos e a jovem futura líder do clã Hyuuga.
— Hinata! Mas o que você está fazendo aqui!? – Vociferou Madame Hari ao ver quem estava parada no muro do vermelho portão.
A dona da okiya, assim que ouviu o nome, tomou uma postura mais firme e rígida, e apenas por aquele comportamento Hinata já concluiu o pior.
Por um momento Hinata fraquejou, imaginou em dar meia volta e correr para longe daquele lugar, mas agora era tarde de mais, tinha chego até ali e descoberto um Hyuuga que morasse não apenas fora de seu clã, mas em um vilarejo afastado.
Com um pulo corajoso, Hinata pulou do muro para o jardim, para dentro da okiya e encarando mais próxima aquela mulher, já imaginando o pior, desejando que fosse mentira.
Além de aquela Hyuuga morar fora de Konoha, ser amiga de Madame Hari e ser dona de uma okiya, Hinata ainda desejava do fundo do seu coração que aquela pessoa não fosse Hyuuga Hirome.
— M-Mãe? – Gaguejou.
Se todas as suas suspeitas eram verdadeiras, isso significava que... Todos aqueles anos, todos os funerais, todos os momento que ela precisava não apenas de uma mãe, mas de uma mulher ao seu lado. Todas as dificuldades de carregar não apenas o peso de ser a futura líder do clã Hyuuga, mas ser mãe e irmã de Hanabi... Tudo aquilo era a mais pura mentira!
Toda a ausência e a saudades! Tudo eram só mentiras em cima de outras mentiras!
— O que faz aqui, Hinata? – A mulher exigiu com duras palavras.
Imediatamente Hinata chorou, não apenas por descobrir que sua vida era completamente cheia de mentiras, mas também ao descobrir que mesmo depois de anos, tudo que recebeu foi um olhar frigido em vez de um abraço reconfortante.
Tudo que conseguiu pensar era que a falta de resposta era a afirmação da verdade. Aquela mulher na sua frente era Hyuuga Hirome, sua mãe “falecida”.
Continua...
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