Coisas Sobre Nós

13 Inseguranças do passado_Vanessa-vvf


Notas iniciais
Boa noite! Acabo de terminar de escrever o capítulo, sei que estou uma semana atrasada, mas realmente tive dificuldade de escrevê-lo, pelo menos ele está bem enorme, acho que é o maior que escrevi kkkk. De qualquer forma... BOA LEITURA

Capítulo 13: Inseguranças do passado_Vanessa-vvf

[Pov Hinata]

Estávamos dentro de um cômodo qualquer da casa, provavelmente o escritório dela, arrumado demais, com móveis obviamente caros e finos, carpete vermelho sobre o chão e com objetos caríssimos que decoravam seu escritório. Tudo muito refinado e chique! Também, sendo uma dona de Okiya e vendendo o mizuage das gueixas em um preço altíssimo, não poderia ser diferente. Em outra palavras, fácil demais em ganhar muito dinheiro tendo o destino de outras pessoas em suas mãos.

Sobre uma fina superfície macia no chão nós estávamos sentadas uma de frente a outra, com apenas uma baixa mesa entre nós, com dois copos de porcelana e uma garrafa de sake que a moça prendada, uma gueixa aprendiz, trouxe para nós.

— Aqui teremos mais privacidade de conversar, ninguém nos incomodará – Informou com uma voz suave despejando sake de modo tão gracioso que até mesmo eu me surpreendia, mas antes que ela despejasse sake no outro copo eu já alertei que não gostava de beber.

Imediatamente ela fez um sorriso desdenhoso, com certeza imaginando que eu jamais bebi. Realmente ela não me conhecia...

— O que faz por aqui, Hinata?

— Antes que qualquer líder assumir o clã é necessário sair de Konoha por um tempo – Informei com os olhos abaixando e apertando as minhas mãos, nervosamente, pela primeira vez eu conversava com a minha mãe.

— Assumir o clã... Não seja tola! – Encarei-a assustada, naquele momento sua voz não era nem um pouco gentil — Sabe que jamais uma mulher assumirá o clã! Mas você sabe disso, por isto seu pai sempre quis ter um filho homem!

Desviei o olhar do dela. Porque sim, eu sabia, sempre imaginei que jamais poderia assumir o clã, não sendo uma mulher... E ainda por cima, fraca!

— Já sabe com quem eles te farão se casar? – Ela perguntou com um tom de voz voltando a ficar gentil.

Eu a olhei inserta, me casar? Meu pai teria coragem de fazer isso comigo? Provavelmente me casar com o homem que realmente fosse o futuro líder do clã? Os conselheiros permitiriam que eu assumisse o poder... sozinha?

— Pelo jeito não – Comentou Hirome dando um novo gole em seu copo de sake. – Quantos anos tem, vinte?

Realmente ela não me conhecia e não fazia questão de conhecer.

— Vinte e quatro. Hanabi tem dezenove.

Um silêncio constrangedor permaneceu entre nós. Ela virou o copo de sake, terminando toda a bebida no recipiente.

— Por que.... Por que você foi embora?

Hirome voltou a encher o copo de sake, encarando o líquido transparente.

— Eu tinha vinte anos quando me casei. Quando tinha menos idade que você eu já engravidei, mas perdi o feto, era um menino. – Hirome voltou a tomar um gole de sake – Não demorou para engravidar novamente e então você nasceu. Eu não era uma boa mãe e você deve se lembrar disso. Sei que provavelmente vai ser difícil de entender, mas eu nunca quis me casar, nunca quis ter filhos, mas me obrigaram, tudo para o bem do grandioso clã Hyuuga – Suas últimas palavras saíram com um tom de deboche – Seu pai sempre foi um homem honrado, muitas vezes frio, mas era um homem bom, mesmo assim nosso casamento não ia muito bem. Eu era completamente infeliz e seu pai sabia muito bem disso, mas os anos após o seu nascimento apenas pioraram a nossa relação. Eu tinha gerado uma menina que era a herdeira do Clã Hyuuga e fui por muito tempo julgada pelos conselheiros do Clã Hyuuga. Afinal, fui destinada a me casar com seu pai por ser extremamente bonita e por ser muito nova, me julgavam fértil. Mas demorei mais de cinco anos para engravidar e ainda sim gerei mais uma menina.

— C-como você... Mas.... – Eu balbuciava, chateada por tanta sinceridade – Éramos suas filhas! – Explodi me erguendo e me afastando dela – Como você pode fazer isso com a gente? Precisávamos de uma mãe! Achávamos que você estava morta!

— Vamos ser bem sinceras uma com a outra, não sei o quanto você me idealizou, mas eu jamais seria a mãe que você procurava.

Olhei-a indignada, como ela poderia transmitir tanta calma? Tanta... frieza?

— Após o nascimento de sua irmã seu pai me deu uma proposta, a melhor proposta que tive... E aceitei. Forjaram a minha morte e eu fugi de Konoha, fazendo a promessa que jamais poderia voltar para o clã e que não pertenceria mais a ele.

— E você só teria que abandonar suas duas filhas, não é? – Apesar de sussurrar ela poderia me escutar muito bem e inclusive perceber a minha magoa.

— Pela primeira vez me ofereceram a oportunidade de ser dona do meu próprio destino e eu não iria perder a oportunidade.

De pé e de costas para ela eu já sentia mais uma lágrima escorrer por meu rosto. Eu poderia até entender que sua vida não se tornou exatamente o que ela realmente imaginou, mesmo assim, abandonar duas filhas? Céus! Hanabi era ainda uma recém nascida!

Então finalmente as coisas fizeram mais sentido! O incomodo do meu pai todas as vezes que eu ia a lápide de minha mãe. Todas as vezes que ele se irritava quando eu chorava por ela! Todas as vezes que ele me obrigava a ser mais forte. Céus! Ela havia nos abandonado! Não só a mim, mas a minha irmã e a ele também! Ela esqueceu de sua vila, de seu clã e de sua família! Ela realmente não era uma mãe e sim uma mulher apenas extremamente egoísta!

Agora era uma dona rica de uma okiya, cuidando de jovens que poderia ter quase a minha idade. Ceús! Poderiam ter a idade de Hanabi! Até mais jovens! Mas ela não as tratavam como filhas?! Não...! Eram apenas mulheres treinadas por ela para mais tarde enriquecê-la com a venda de seus corpos!

Hirome havia se tornado aquilo que ela mais odiava. Uma pessoa que tinha o destino de outros em suas mãos, assim como um dia já tiveram o dela.

— V-Você... Em algum momento, um pequeno momento, nos amou? – Perguntei com os olhos marejados, provavelmente com algumas lágrimas no rosto, mas aquela seria a última vez que me importaria em demonstrar que chorava na sua frente – Apenas... se importou?

E sem pestanejar ela respondeu:

— Seu pai era a melhor escolha que vocês tinham.

Abracei meus próprios braços e dei mais um passo para trás, mesmo assim, não parei de encarar aquela mulher. Porque eu sabia! Aquela era a última vez que permitiria vê-la ou sequer também me importar com ela. Minha mãe estava morta e está era a melhor escolha também!

— Não se preocupe. – Informei tentando deixar a minha voz o mais firme possível, mesmo sabendo que aquela era uma tentativa frustrada. – N-Ninguém jamais vai descobrir que a gente se encontrou. Muito menos o meu pai ou minha irmã. Poderia até mesmo pedir para jamais tentar se aproximar de mim e principalmente de Hanabi, mas sei que isto não é necessário. Você jamais vai tentar fazer isso.

E com rápidos passos fui em direção da saída daquele cômodo e logo menos daquele vilarejo que eu jamais me atreveria colocar os pés novamente.

— Você estava certa, meu pai era muito mais capaz de nos criar do que você. – E sem olhar para trás fui embora. Apenas me questionando como uma mulher extremamente bonita por fora poderia ser tão... desprezível por dentro!

Talvez tivesse esperança que ela me chamasse mais uma vez, me pedisse perdão em algum momento... que pelo menos tentasse! Céus! Que tentasse ser uma mãe! Que tentasse fazer as coisas certas desta vez!

Mas ela não me chamou, muito pelo contrário, permitiu que eu saísse facilmente de sua okiya e principalmente de sua vida. Ao invés disso, Madame Hari foi a única que me chamou ao me ver de saída, mas eu a ignorei, não poderia naquele momento conversar com mais ninguém.

Não quando meu coração já machucado, estava mais estilhaçado do que eu poderia imaginar. Ser rejeitada pelo Naruto, doeu como jamais um dia poderia imaginar, mas ser rejeitada pela minha própria mãe...!

O mínimo que ela deveria sentir era carinho e amor assim que pegasse suas pequenas filhas no colo. Mesmo que sua vida não tivesse se tornado aquilo que esperava.

Ela poderia ter nos amado se pelo menos tivesse tentado! Erámos apenas bebes! Seus bebes!!! Serezinhos sensíveis que precisavam de proteção! De sua proteção!

Quantas vezes quando era criança tinha sonhos com ela. Quantas vezes observava outras crianças da academia com suas mães e sonhava com a minha! Sonhava com mimos durante as brincadeiras e que me contava histórias antes de dormir. Ou até mesmo que poderia dormir com ela nos dias de tempestade.

Quantas vezes durante a adolescência tinha perguntas que apenas poderia perguntar para ela! A primeira menstruação! Como era ser a única menina do time ninja! Como eram as missões! Ou até a primeira paixão!

Quantas vezes não me imaginei contando sobre o Naruto para ela. Provavelmente ela poderia ter me alertado que nem todas as primeiras paixões dão certo! Que o primeiro sexo não é bom! Ou até mesmo me consolado quando levei o fora do homem que amava! Provavelmente ela nem tinha que me falar nada, mas só um abraço, um simples consolo, provavelmente me faria um bem muito maior do que guardar tudo para mim mesma. COMO EU SEMPRE FIZ.

— Hinata... Você está bem? – Perguntou alguém colocando as mãos em meu ombro.

Apenas naquele momento percebi que já havia voltado para o bordel de Madame Hari e estava em meu quarto, jogando de qualquer forma os meus pertences dentro de minha mochila.

Encarei Sayuri, que me observava tão piedosamente que eu sentia dó de mim mesma apenas do modo que ela me encarava. Eu estava acabada! Chorava! Tremia! Gritava!

Eu apenas a abracei e comecei a não sentir meus pés, meu corpo estava fraco demais! Minha alma estava frágil demais!

Ela devolveu o abraço e senti-a segurando meu corpo por inteiro, até que sentadas no chão, apoiei o meu rosto em seu colo e chorei, compulsivamente.

— Ela está morta – Murmurava tentando me convencer disto, mesmo que Sayuri me perguntava-se quem havia morrido e o que estava acontecendo, mas eu não a respondi, apenas deixava meu coração dilacerado expressar a dor que ele sentia e depois de um tempo, ela entendeu e me deixou chorar em seu colo sem questionamentos.

Mas depois comecei a rir de mim mesma, me sentindo a pessoa mais estúpida quando dias atrás conversei interessadíssima com Madame Hari sobre o que ela sabia sobre minha mãe. Agora apenas me sentia envergonhada por ter dito que eu me parecia com ela!

Nunca desejei ser tão diferente de Hyuuga Hirome quanto agora, além de entender que a minha mãe morreu dias depois do nascimento de Hanabi.

— Ela está morta!

Naquele momento me decidi que partiria aquele dia mesmo daquele bordel, daquela região e principalmente ficaria mais distante que meus pés poderiam me levar daquele vilarejo.

— Ela está morta!

[...]

[Pov Choji]

Sabia que aquela missão seria bem complicada, como há muito tempo não era. Mas começá-la sem o Shikamaru era um agouro palpável.

— Estamos nos aproximando de... – Kiba pareceu pensativo e comprometido, como se cheira-se algo no ar – três pessoas. São eles?

— São – Afirmei olhando para a bússola de areia que segurava nas mãos e indicava para ir ao norte, na mesma direção que Kiba e Akamaru sentiam cheiro de pessoas. – E o Shikamaru? Ela já está voltando para se juntar com a gente?

— Não, ele está bem distante, mal sinto o cheiro dele – Kiba informou olhando para trás. Apesar de não possuir uma amizade tão intensa com o Nara como eu tinha ele ainda sim se preocupava e muito com nosso “líder”. – Em alguns metros nos encontraremos com o time de Suna, já Shikamaru demorará horas. Ele precisou de muito tempo.

— Mas quando voltar ele estará melhor – Informei querendo acreditar em minhas próprias palavras.

— O time de Suna parou de se mover, provavelmente perceberam que estamos nos aproximando. Poderei fazer perguntas sobre a missão a eles, não é? – Depois da súbita discussão com Shikamaru, Kiba pareceu meio inseguro sobre o que poderia ou não questionar sem que uma bomba explodisse.

— Precisamos de respostas pra que essa missão termine bem.

Era mais do que óbvio que existiam muitos segredos.

[...]

[Pov Ino]

O time de Suna estava horas a minha frente, mas por sorte, eles pararam de correr e pareciam aguardar alguma coisa, por um longo tempo, o que permitiu que diminuísse bastante a distância entre eles.

— Sei que não foi à decisão certa a se fazer, mas minha obrigação era protegê-lo de qualquer jeito, mesmo se isso significasse sacrificar Shikamaru – Ecoava a voz de Temari em minha mente.

Desde o momento que cheguei em Suna um bombardeamento de informações foram reveladas e rapidamente entendi porque Shikamaru sempre narrava para mim que Temari era uma mulher misteriosa e percebi que ela era muito mais misteriosa do que o gênio poderia definir.

Pela primeira vez não apenas perdoei algumas atitudes dela, mas entendi algumas coisas... Mas não pense que gosto dela! Não! Ela ainda é uma arrogante e age como se fosse alguém realmente importante. Tesc! Só porque é da realeza, fala sério, ela realmente é uma metida! Embora por um momento, um ligeiro e pequeno, entendi suas ações, provavelmente eu faria a mesma coisa, mesmo sabendo que teria que sacrificar alguém.

Aos poucos as dunas de areia foram se suavizando e algumas árvores iam aparecendo, até que finalmente o terreno arenoso foi substituído pelo solo e adentrei em uma floresta não tão fechada.

Corria o mais rápido que conseguia, precisava encontrar o time de Suna! Precisava resgatá-los! Eles eram a minha responsabilidade! E não vou permitir que a verdade seja revelada e desencadeie uma série de conflitos! Não sabendo que Konoha também estaria envolvida.

Quando percebi já havia chego no mesmo ambiente que o grupo de Suna estava, mas pela minha surpresa eles não estavam sozinhos.

— Achei que você nunca ia conseguir nos alcançar! – Exclamou Kiba se aproximando ainda mais de seu cachorro pronto para montá-lo. – Vamos! Aguardamos demais por você!

Surpreendida olhei ao meu redor. O time de Suna era composto por Kankurou, Matsuri e Tsubasa, enquanto o de Konoha era por Kiba e Choji... Mas faltava uma pessoa. Cadê o Shikamaru?! Tenho certeza que o Gaara — ou melhor, o Kazekage – tinha informado que o Shikamaru também vinha!

— Você não vai falar nada para eles, não é!? – Perguntou rapidamente Kankurou se aproximando de mim junto de seu cunhado.

— Boa tarde, para você também, Kankurou.

— Não se faça de desentendida, Yamanaka... – Resmungava Kankurou. Aff, acho que ele e o irmão possuem mania de me chamar só pelo sobrenome. I-N-O, meu nome é Ino! Muito mais fácil de chamar, com certeza. Mas antes que eu pudesse retrucar o marido de Temari se aproximou ainda mais de mim.

— Por favor, não conte para eles – Pediu com um tom de voz suplicante, embora permanecesse com expressões sérias no rosto. — Ele não po...

— Ele não pode descobrir. – O interrompi me afastando daquele homem perigosamente muito bonito. O que posso dizer, Temari pelo menos tinha bom gosto para homens e eu um péssimo habito de escolher os errados – Mas você deveria se preocupar, porque Shikamaru vai descobrir. Não por mim, é claro! Mas ele sempre descobre tudo.

Afastei-me do time de Suna, mesmo sabendo que Matsuri me observava aflita e quando me aproximei do time de Konoha fui novamente bombardeada por perguntas.

— O que você não pode nos contar? Qual é, Ino! Tem algo muito errado nessa missão e porque ninguém não nos conta nada!? – Kiba rapidamente me questionava furioso, havia esquecido que ele tinha o olfato e audição bem mais apurados do que pessoas normais. Choji e ele se aproximaram de mim buscando respostas o mais discretos que conseguiam e eu me sentia como uma dupla espiã! Mas que merda! Nunca soube guardar segredos!

— Ino, que merda que está acontecendo nessa missão?! – Exigiu Choji me surpreendendo, Choji só sabia exigir suas comidas

— Calma, nada que por enquanto seja relevante vocês descobrirem, mas de uma forma ou de outra sei que esse segredo não vai durar muito tempo. Preciso que vocês confiem em mim! Está bem? Apenas confiem, por favor.

Insertos, mas prestativos, ambos entenderam que por enquanto era melhor eles permanecerem no escuro.

— Mas cadê o Shikamaru, ele não ia vir junto de vocês?

Kiba e Choji trocaram olhares tão intensos que eu sabia que havia algo errado.

— O Shikamaru...

— Não, espere! – Exclamou Kiba interrompendo Choji e prestando atenção nas ações de Akamaru que parecia muito afoito – Tem algo errado, isto está cheirando mal... PAREM! – Gritou olhando para o time de Suna que estavam alguns metros na nossa frente – ISTO É UMA ARMADIL...!!!

Antes que Kiba pudesse alertá-los já era tarde demais.

Uma bomba já havia sido explodida, sobre o time de Suna e próxima de mais de nós.

Coloquei os braços na frente do rosto e tentei dar um pulo para trás, mesmo assim era inevitável nossos corpos não serem atingidos pela onda de pressão da bomba, sendo jogados e arrastados metros de distância.

Pela minha sorte, ou ordem do Kiba, Akamaru correu em minha direção, usando seu próprio corpo para amortecer a minha queda.

— Obrigada...

Tentei me erguer apesar de já sentir o corpo levemente dolorido, mal conseguia respirar ou enxergar, uma poeira intensa pairava sobre o ar.

— Choji! Kiba! Onde vocês estão?!

Mas antes que eu pudesse ir atrás de meus companheiros ou do time de Suna desviei de uma Kunai. Mesmo com dificuldade e olhando na direção que surgiu a kunai sabia que uma ninja se aproximava de mim, principalmente quando Akamaru começou a rosnar.

— Na primeira vez que te vi, poderia realmente ter te machucado, mas te deixei para trás, você é realmente muito bonita para ganhar cicatrizes no corpo. Deveria ter aproveitado a chance que te dei, gracinha.

— Você! – Exclamei vendo um homem alto e forte se aproximando, mas o que mais me chamou a atenção era que ele usava uma bandana da vila da areia! Anteriormente, quando nos encontramos, achei que apenas fosse um disfarce para conseguir se infiltrar e raptar a princesa de Suna, mas talvez fosse porque ele realmente era da vila! Céus! Aquilo era uma traição interna! Com todos os homens de confiança de Gaara aqui no resgate quem é que ficou com o Gaara em Suna?! – Onde é que está a princesa de Suna e a ...

-... A criança de Konoha?! Por favor, não faça essa cara de surpresa, você realmente não achou que um dia não descobriríamos do bastardo da princesa? Sabemos que Gaara faria de tudo para proteger a sua irmã, mas arriscar a segurança da vila! Os laços de segurança da população à um Kazekage é muito mais importante do que apenas os laços entre irmãos! Foi ele que nos traiu primeiro!

— Onde eles estão?!

— Mesmo doente a princesa de Suna deu mais trabalho do que esperávamos, mas o que podemos dizer... Uma mãe protege sua cria de qualquer jeito, mesmo que isto custe a sua vida!

— Então desde o começo...

— Sim! Sabaku No Temari só veio junto por circunstância do momento, sempre estivemos atrás de Sabaku No Dori Shikadai, o bastardo.

Mas eu e o inimigos nos surpreendemos com uma voz que surgiu entre a névoa ao meu lado:

— Uma criança de Konoha. – Murmurou Kiba se aproximando de nós e principalmente de Akamaru – Agora entendi porque fomos chamados nessa missão.

— Há mais alguma coisa para nos contar, Ino? — Perguntou Choji que também vinha de outra direção aparecendo de soslaio pela névoa e se aproximava de mim.

— Sempre há – Disse quando meus dois parceiros estavam do meu lado e encarávamos juntos um único inimigo – Mas seria decepcionante saber que toda essa confusão foi formada por apenas um homem e que ele pensou que uma simples bomba poderia dizimar um time profissional de Suna. Não é porque separou os dois times e tem dois reféns que você pode sequer imaginar que nos derrotou.

Então nosso inimigo fez um sorriso desdenhoso e logo depois inúmeras silhuetas que mal conseguia contar iam aparecendo pela névoa que começava a abaixar e me permitia sentir meus olhos arderem menos e respirar melhor.

— Foi o Kazekage que traiu seu povo primeiro. – O inimigo alertou erguendo os braços com inúmeros ninjas de Suna atrás de si.

— Você tinha que abrir a sua enorme boca, não é, Ino!?

— Calado, cachorro.

[...]

[Pov Sakura]

— Este é o lugar? – Lee perguntava deslumbrado observando o grande casarão que seria utilizado como laboratório.

Mas ele não era o único deslumbrado, realmente o local era enorme.

Após o meu acordo com o Uchiha, imediatamente tomei as medidas necessárias para começar minha pesquisa a doença de Temari.

Discutia o caso médico com Tsunade a dias! Mas sem um laboratório apropriado eu não conseguia auxiliá-la muito, embora soubesse que o progresso de Tsunade para a cura estava muito longe de acontecer.

Me encontrei sem querer com Lee no hospital, ele estava lá tentando visitar sua antiga colega de time, Tenten, mas parecia que o psicólogo não permitiu a visita do sobrancelhudo, disseram que ela estava muito agitada para visitas e depois do que passei com ela eu realmente concordava com eles.

Percebendo que eu estava ocupada, Lee veio conversar comigo, e imediatamente ele se ofereceu a me ajudar com a “mudança” de equipamentos, quando lhe expliquei sobre o laboratório que eu tinha que montar o mais rápido possível ele inclusive gritou pelo hospital que transportaria todos os equipamentos o mais rápido que conseguia como treinamento, na verdade, pela primeira vez gostei de tal atitude.

Fomos juntos até o clã Uchiha e apesar de aquela não ser a primeira vez que estrava no clã parecia que jamais ia conseguir parar de me arrepiar toda vez que adentra-se naquele local.

O engraçado era que Lee parecia tão assustado quanto eu, pois é, acho que talvez realmente estivesse.

A rua era tomada por mato, às casas eram velhas e algumas haviam até mesmo desabado com os anos, sobrando assim, apenas o alicerce. Outras mostravam até uma bela arquitetura, porém, com a pintura antiga e o telhado destruído viraram apenas ruínas. Aquele cenário com certeza assustava mais o Lee do que eu imaginava, ele quase já me chamava para irmos embora daquele local. Até que finalmente vimos uma casa, mais ao centro do clã, estava com a pintura em ordem, o telhado limpo e até mesmo a grama aparada. Como se alguém realmente morasse lá.

— Esse lugar é mal assombrado! – Lee exclamou olhando indignado para aquela casa, como se imaginasse que provavelmente um fantasma morasse lá – Por que o seu laboratório tem que ser justo nesse clã?! Muitas pessoas morreram por aqui...

— Relaxa, Lee. Estamos seguros, lá é apenas a casa de Sasuke...

— Sasuke!? Uchiha Sasuke!? Ele voltou? Ele está morando em Konoha? Desde quando? – E assim como eu tive milhões de perguntas quando descobri que Sasuke estava de volta em Konoha, Lee havia tantas perguntas quanto eu.

Provavelmente Sasuke ficaria irado quando descobrisse que mais alguém sabia que ele estava de volta a Konoha. Mas o que isso importa para mim? Primeiramente precisava de ajuda para montar o laboratório e sem contar que se ele realmente queria ser tão reservado, não teria andando em plena luz do dia pelas ruas de Konoha hoje de manhã. É! Estou certa! Não preciso agradá-lo!

Expliquei rapidamente a história para o Lee, acho que ele se surpreendeu ao saber que o orgulhoso Uchiha havia perdido aquilo que ele tinha mais orgulho, seus olhos. De todo modo, expliquei sobre nosso acordo e que eu poderia pegar qualquer casa daquele clã para iniciar a minha pesquisa.

Havia apenas mais duas casas levemente reformadas, não estavam tão inteiras como a mansão Uchiha, mas eram habitáveis. Uma delas, possuía um enorme galpão e foi por conta disso que decidi qual seria o imóvel que utilizaria como laboratório. Infelizmente era próxima de mais da casa do Uchiha. Eu preferiria que fosse distante o suficiente de não conseguir esbarrar com ele pelo caminho, mas se ele não saísse de sua casa e eu deste laboratório provavelmente não nos trombaríamos. É! Com certeza não teríamos nada a dizer um para o outro ou trocar conversas agradáveis. Pensando bem, acho que nunca tivemos uma.

Escolhido o imóvel, Lee se prontificou a trazer todos os equipamentos que eu já havia separado no hospital para cá. Eu apenas agradeci e enquanto começava a limpar o lugar e organizar do modo que eu queria, Lee saiu de lá gritando que faria ainda mil flexões enquanto trazia os equipamentos o mais rápido que ele poderia. O que eu posso dizer, este é o Lee, não é?

Enquanto eu limpava o lugar o silêncio daquela região realmente começava a me incomodar. Diferente da minha casa ou do Hospital de Konoha que eram localizados no centro de Konoha, aquele distrito além de ser distante do centro ainda era extremamente desértico. Se não fosse ainda dia, provavelmente morreria de medo de ficar sozinha naquele imóvel. Talvez Lee estivesse certo, muitas pessoas haviam sido mortas por aqui, o que trazia uma energia estranha.

Era triste a história de Uchiha Itachi ter matado todos os membros de seu clã, inclusive seus pais que eram os líderes do clã, e por um pequeno momento entendia o motivo da existência de tanto ódio que Sasuke guardou por anos. Será que ainda não guardava? Ficar nessa região, sozinho, por quase um ano não traziam lembranças difíceis?

De qualquer forma eu sabia que não me sentia confortável sozinha naquele imóvel. Era como se eu fosse observada o tempo todo. Por um momento não me questionei se Sasuke não soubesse que eu já estava aqui, mas depois dos berros de Lee sobre completar o treinamento eu duvido que ele não tenha escutado. Ele era cego, não surdo.

Me perguntei se ele não me acompanhava a distância. Tola! Como se ele fosse perder o seu tempo comigo! Acho que essa foi a ideia mais estupida que tive! Realmente este lugar mexe com as pessoas.

[...]

[Pov Shikamaru]

Ter como refém uma pessoa a beira da morte não fazia sentido! Por que sequestrar Temari?! Quais eram os motivos? E se o interesse era realmente ela, por que não a mataram? Quem eles estão querendo atingir com o sequestro? O seu marido, sua família, talvez o Kazekage!?

Kiba estava certo, havia algo muito errado com aquela missão! Omissão de muitos fatos essenciais! E quem era a segunda pessoa sequestrada? Ino, talvez?!

Compreendo que Suna e Konoha possuem um vínculo muito mais afetivo do que com as outras vilas, principalmente depois que Naruto entrou ao poder. Não era segredo a ninguém que como Jinchuurikis, Gaara e Naruto possuíam uma ligação que não poderia ser explicada. Além de tudo isso, foi polêmica a missão quando Naruto resgatou Gaara da Akatsuki mesmo sendo apenas um adolescente. Resgate que nem ao menos os ninjas de Suna conseguiram realizar. Era mais do que clara a relação próxima de Suna e Konoha. Talvez por isto nosso time foi a campo? Para ajudar a irmã do amigo de nosso Hokage?

Porém meus pensamentos foram interrompidos com uma enorme explosão, muitos metros a baixo do desfiladeiro, então finalmente entendi que fiquei tempo demais sem ir atrás do meu time. Provavelmente aquela explosão era de uma luta do meu time com os sequestradores de Temari.

Isso realmente era um problema! Puta que pariu! Eu estava quilômetros de distância, provavelmente demorarei mais do que duas horas para chegar lá! ISTO ERA REALMENTE PROBLEMÁTICO! EU PRECISAVA SALVAR TEMARI!

[...]

Naruto estava sentando em sua costumeira mesa, assinando e lendo diversos papéis, até que ouviu batidas na porta, pedindo para entrar e já sabendo quem era.

— Hokage, informo que a partir de hoje irei cobrir os plantões de Sakura no hospital.

O loiro encarou confuso sua secretária, esperando por mais informações, tinha absoluta certeza que não havia enviado a Sakura para nenhuma missão. Não enquanto esse boato entre o relacionamento dos dois ecoassem por toda Konoha.

— Achei que você soubesse...

— Soubesse do que, Shizune? A Sakura-chan está bem?

— Oh, sim! Ela está bem, apenas ficará mais focada para encontrar a cura da doença para a princesa de Suna no laboratório que está criando no clã Uchiha.

— Clã Uchiha?!

— Achei que você soubesse do acordo...

-... É lógico que não sei de nada! Mas você como sempre sabe de tudo!

Shizune ficou um tempo incerta, sem saber muito bem se aquilo era um elogio ou não.

— Enfim, de qualquer forma, Sakura estará muito ocupada, então vou para o hospital, cobri-la durante o plantão e talvez tentar ajudá-la um pouco na pesquisa. Nunca vi Tsunade encontrar tantas dificuldades em descobrir a cura.

— A vovó ainda não descobriu!? Realmente deve ser algo muito difícil então... Bem! Mas você está certa, eu me viro aqui sozinho, pode ir cobrir o hospital e ajudar a Sakura-chan. Ei! Mas que acordo que você está falando? É entre a vovó e a Sakura?

— Não, entre o Sasuke e a Sakura. O Uchiha fez a proposta que se a Sakura ajudasse em um tratamento ocular ele disponibilizaria um local para um laboratório que a Sakura... Hokage! Você está bem!? – Shizune exclamou se aproximando de seu chefe vendo-o caindo para trás com a cadeira.

— O QUE!!! O SASUKE, O UCHIHA SASUKE, PEDIU QUE A SAKURA AJUDASSE ELE?! VOCÊ TEM CERTEZA!? – Naruto exclamava tentando se erguer da cadeira e olhava numa mistura de surpresa e curiosidade para a Shizune.

— E tem outro Sasuke na vila? É lógico que é o Uchiha, baka! E sim, tenho certeza, mas não foi uma ajuda, e sim, uma cooperação.

E tudo que ela viu foi ele caindo para trás, enquanto ela apenas conseguia xingá-lo de idiota mais algumas vezes. Talvez Naruto não houvesse mudado tanto agora sendo Hokage. Na realidade Naruto faria qualquer coisa para ver a cena de Sasuke pedindo ajuda, não apenas para qualquer pessoa, mas sim, a sua companheira de time.

[...]

[Pov Shikamaru]

Finalmente havia chego no local da batalha. O terreno que era uma floresta estava completamente devastado e pela minha surpresa haviam mais do que 20 ninjas no chão, todos com a bandana de Suna e a maioria terrivelmente machucados, eu não duvidava se houvesse alguns mortos. Parecia que Suna estava desesperada para resgatar a sua princesa.

— Choji! – Exclamei correndo em direção do meu amigo magro e ensanguentado no chão.

Corri em sua direção e o segurei nos braços, pelo meu alívio ele estava vivo e o sangue vinha de feridas não visíveis.

— Não se preocupe – Apesar dele já me reconhecer e mal abrir os olhos a sua voz era arrastada e bem fraquinha. – Ino já fez os primeiros socorros...

— Ino está aqui!? – Apenas recebi um aceno positivo do meu colega.

— Usei muito chakra...

— O que aconteceu? Quem eram os inimigos?

—... S-Suna... – Choji sussurrou, prestes a perder os sentidos – Ela e Kiba... F-Foram atrás...

— Eles foram atrás da Temari, não é?!

Antes que tivesse minha resposta Choji perdeu os sentidos. Meu melhor amigo estava certo, não havia momento pior do que esse para ter perdido a minha racionalidade. Se o inimigo eram pessoas de Suna, o problema era muito maior do que o imaginado. Quem era aliado ou não? O time de Suna que meu time foi se encontrar eram inimigos também?

Tudo que eu tinha absoluta certeza era que não poderia deixar Choji para trás, não com tantos ninjas de Suna ao seu lado. Pela minha sorte, Choji tinha usado muito chakra e energia, ficando na sua forma magra, bem mais fácil de ser carregado pelas costas.

— Eu estou indo, Temari. Aguente apenas mais um pouco.

[...]

[Pov Sakura]

Pela minha enorme sorte, Lee era muito mais eficiente do que eu imaginava. Assim que ele objetivou que montar o laboratório era como uma missão o local ficou pronto em menos de poucas horas. O que era realmente impressionante. Sem perder tempo, comecei a trabalhar, agradecendo bastante o Lee por me ajudar antes que ele partisse.

No meio da tarde Katsuyu, a pequena lesma, foi enviada por Tsunade de Suna com um relatório para mim com várias informações de estudo e até mesmo amostras da princesa de Suna. Tsunade e eu estávamos trabalhando juntas para encontrar a cura.

— Não está dando certo! Droga!

Encarei pela milésima vez aqueles tubos de ensaios, analisando a reação certa daquelas soluções com o tecido enriquecido de células da própria princesa de Suna.

— Não perca a calma, Sakura-chan. Tsunade está tendo os mesmos problemas. Vamos conseguir achar a cura! – Exclamava a pequena lesma, Katsuyu.

Depois que recebi alguns estudos mais avançados de minha mestra acreditei que conseguiria ter algum progresso, mas infelizmente nada! A única coisa que finalmente descobrimos eram que algumas células corporais dela estavam sofrendo uma má formação tão generalizada que o agravamento desta má formação estava influenciando no funcionamento inadequado de alguns órgãos internos. Mas regenerar essas células doentes ou minimizar seus efeitos nos tecidos humanos era uma missão praticamente impossível! Mesmo com a nossa medicina avançada!

Me aproximei do microscópio e analisei mais uma vez um pequeno pedaço do tecido degenerado de Temari, analisando como poderia curá-lo, mas depois de ficar minutos o observando me afastei frustrada.

Já havia passado do prazo de descobrirmos uma cura da doença e isto me deixava ainda mais preocupada!

Fui até uma janela qualquer do cômodo esperando que novos ares me inspirassem, mas tudo que vi foi um lindo pôr do sol, além disso, a casa do Uchiha com luzes acesas, não que ele precisasse de alguma, mas provavelmente estavam ligadas e nem mesmo o moreno sabia.

E se o caso da princesa de Suna não fosse o único que eu não poderia resolver? E se eu não fosse capaz de ajudá-lo também!?

— Sakura-chan, vamos voltar. Não temos tempo a perder.

Infelizmente eu apenas sabia que Katsuyu estava certa.

[...]

[Pov Shikamaru]

Percebi que uma longa batalha ocorreu naquela região observando devastada enquanto carregava Choji nas costas.

Precisava descobrir onde Ino e Kiba estavam, mas como se eu não era um ninja rastreador? Lembrei-me que Choji estava com uma bússola de areia que fazia com que localizássemos o time de Suna, sendo eles aliados ou não, era a única direção que poderia me guiar. Com sorte, achei a bússola nas vestes de meu amigo e guiado por ela adentrei em uma região da floresta que não havia sido afetada pela luta.

A minha grande dúvida era saber se o time de Suna que Choji e Kiba foram se encontrar eram inimigos ou não. Sabia que Ino havia se juntado ao grupo em algum momento da viagem, mas com quais outras pessoas estava indo me encontrar? Um time com pessoas desconhecidas ou com alguém como Kankurou, sim! Provavelmente Kankurou estaria escalado, afinal, quando Gaara também foi sequestrado o seu irmão havia também ido tentar resgatá-lo.

Indo a direção apontada pela bússola, comecei a ouvir sons de metais se chocando. Poderia a luta não ter acabado?

Correndo em direção dos sons, logo conseguia ouvir vozes:

— Gatenga no Jutsu [Jutsu dupla serra canina] — Eu tinha certeza que essa voz e jutsu eram do Kiba. Beleza! Estava na direção certa.

Corri até eles, localizei Ino e Kiba/Akamaru lutando com um ninja de Suna de longos cabelos negros e pele morena.

— ELE VAI SE TELETRANSPORTAR DE NOVO! – Alertou Ino para Kiba apontando para duas carruagens que apenas agora visualizei.

— Shikamaru! – Exclamou Kiba provavelmente sentindo o meu cheiro.

Assustado pela aparição de um novo ninja no local, o inimigo correu em direção das carruagens. Ino e Kiba gritavam e perseguiam o inimigo, porém tudo se passou muito rápido. Meus companheiros estavam longe de mais das carruagens, diferente de mim. Até mesmo Akamaru não conseguiria chegar ao inimigo antes que ele chegasse perto das carruagens.

Vendo o desespero no rosto de Ino, sabia que algo tinha que ser feito exatamente naquele momento, antes que algo acontecesse.

Larguei Choji no chão e corri o mais rápido que poderia até o inimigo.

— Proteja a carruagem da esquerda. – Ino gritou – DA ESQUERDA!!! – Assim que todos ouviram a sua ordem o inimigo foi até a carruagem da direita, pronto para tocá-la. Mas se ele fosse mesmo capaz de se teletransportar, apenas uma das carruagens poderia ser teletransportada juntas, já que estava longe o suficiente do ninja de Suna para conseguir teletransportar ambas.

Mas eu sabia, Ino tinha uma grande magoa de Temari, se ela me pediu para ir à carruagem da esquerda, queria dizer que Temari estava na da direita, e está foi a direção e decisão que tomei.

— MAS O QUE... – Ino gritou percebendo que eu mudei de rota, o inimigo foi para a carruagem da esquerda, enquanto eu, a da direita. Achei que tivesse ouvido um berro de uma criança – VOCÊ ESTÁ... – O inimigo se teletransportou assim que tocou na carruagem da esquerda – FAZENDO!!!???

Ignorei os berros de Ino e rapidamente abri a porta da carruagem, encontrando uma mulher extremamente magra de longos cabelos loiros presos desgrenhadamente sem brilhos, seus olhos cobertos de olheiras negras, sua pele parecia ressecada e sem brilho, seus lábios finos e sem cor. Se eu não a conhecesse tão bem, jamais iria reconhecê-la. Temari estava longe de aparentar a mulher forte e altiva de meses atrás.

— Temari – Murmurei entrando na carruagem de qualquer jeito e a segurando nos braços, ignorando qualquer som que ouvisse.

— Ele...Ele está bem? – Perguntou com os olhos semisserrados e com a voz extremamente tremula. Ela perguntava de quem? De seu marido, talvez? Mas o olhar dela se encontrou com o de alguém na entrada da carruagem. Era Ino, que a encarava com um olhar melancólico, Temari percebeu que havia algo errado – Cadê ele?! – Gritou Temari tentando se livrar de meus braços e se erguer sozinha, tentativa frustrada. – CADÊ ELE!!!??? – Gritava da melhor maneira que seu corpo permitia, mesmo assim estava fragilizada demais.

Pela minha surpresa foi Ino que a respondeu:

— Eu prometo que vamos encontrá-lo...

— VOCÊ ME PROMETEU QUE IA ME AJUDAR A PROTEGÊ-LO! – Gritava desesperadamente Temari à Ino, que lutava para que eu a largar-se. Logo depois ela encarou meus olhos e informou – Shikamaru, ele era a prioridade do resgate, não eu! Mas que droga! – Exclamou puxando a gola da minha roupa e eu não duvidaria que ela fosse capaz de me bater, mesmo na situação física deplorável na qual se encontrava. – Você precisa...! – Suplicava com os olhos completamente marejados – Resgate-o, por favor, por favor!

— De quem você está falando, Temari? – Perguntei enquanto a via chorar desesperadamente, escondendo o rosto em soluços.

— Meu filho – E quando achei que ela não poderia me surpreender mais, ela sempre conseguia – Por favor, resgate meu filho! – Suplicou ao choro tentando se erguer, mesmo não conseguindo.

[...]

[Pov Sakura]

Estava começando a anoitecer e agradeci pelas luzes da mansão Uchiha estarem acesas, isto fazia com que sentisse menos medo. Aquele Clã me dava calafrios.

Entrei na casa de Sasuke fazendo mais barulho do que o normal, logo depois chamando por seu nome, pela primeira vez ele respondeu, informando que estava na cozinha e ele realmente estava.

Me surpreendi que ele estava cozinhando, alguma coisa como arroz e na pia ele cortava cuidadosamente legumes já descascados. Mesmo cego, Sasuke parecia saber se virar muito bem sozinho. De todo o modo, ele sempre foi muito independente.

— Fizemos um acordo que você poderia ficar no imóvel que escolhesse no clã, isso não quer dizer que precise me vigiar – Informou rispidamente como sempre, mas agora, suas palavras frigidas não me feriam mais.

— Não estou aqui para te vigiar, muito menos para fazer companhia. Apenas vim avisá-lo que hoje à noite iremos começar o seu tratamento, para isto, preciso que tome um banho.

— Achei que fosse uma grande médica, desde quando a minha aparência vai ajudar a recuperar a minha visão?

— Se estivesse fazendo isso por aparência pediria que cortasse o cabelo e principalmente a barba. Você não fica bem com ela. – E eu estava realmente certa. Sasuke sempre foi conhecido pela beleza, mas eu realmente o odiava com aquela barba enorme, tinha quase certeza que poderia ter resquícios de comida escondida nela. — Apenas, termine o seu jantar e depois tome um banho, de qualquer forma estarei no laboratório é um casa aqui perto...

— Ouvi os berros de Lee, acho que sei onde é – Informou me cortando e voltando a se focar em realizar o seu jantar.

— Hum... Então é isso, bem, você sabe onde me procurar. – Disse meio incerta pronta para sair da cozinha e principalmente de sua cala.

— Sakura – Ele me chamou e isso realmente me surpreendeu – Achei que os meus resultados de exame só iriam sair amanhã.

— E irão, mas antes que eu estude mais profundamente o seu caso eu quero testar o que poderá ser inútil ao seu tratamento. Curar dojutsus oculares são bem mais complicados do que qualquer outro tratamento. Levará meses e teremos que testar várias coisas...

— Serei sua cobaia, então. – Ele rapidamente pontuou, virando na minha direção, mesmo que não olhasse para o sentido certo.

— Foi você que fez a proposta primeiro – Informei esperando mais alguma resposta ríspida dele, mas nada veio – Hum... Então até já. – E saí de sua casa antes que o clima ficasse mais estranho do que já era.

Mesmo não gostando, trabalharia todos os dias até tarde naquele clã, mesmo que isso me desse arrepios. Tinha três casos difíceis de tratar: Temari, Tenten e Sasuke, e nenhum deles eu tinha alguma certeza que iria dar certo. Mas que droga!

[...]

[Pov Shikamaru]

Filho?! Temari havia confessado que tinha uma filho!? Desde quando?!

Seria possível eu ser o ... Puta que pariu! Teria como ser mais problemático?! Não! Lógico que não! Ela jamais poderia ter escondido uma coisa dessas de mim! Não se eu realmente fosse o pai!

Ela era casada, casada com aquele tal de Tsubasa, possivelmente a existência dessa criança era o motivo desse casamento tão repentino.

Mesmo em prantos, consegui tirar Temari da carruagem no colo e logo ouvi pessoas a chamando e indo até o nosso encontro. Pela minha surpresa eram Tsubasa, Kankurou e Matsuri, logo percebi que eram eles o time de Suna que o meu time tinha que se encontrar. De toda forma eles pareciam ter lutado tão arduamente quanto Kiba e Ino, suas roupas estavam sujas e rasgadas, além de todos estarem com diversos cortes e hematomas sobre os corpos. Kankurou tinha um ferimento tão feio quanto o meu no braço da mordida de Akamaru horas à trás.

O marido chato dela foi o primeiro a chegar até mim, e sem pedir permissão, tirou ela de meus braços e a carregou no colo sozinho. Enquanto ela apenas começou a chorar mais intensamente em seus ombros.

Ninguém precisou perguntar algo para descobrirem que apenas ela havia sido resgatada, principalmente depois do marido de Temari e Ino trocarem um longo olhar em silêncio.

— Ele é um garoto forte, vai ficar tudo bem, querida. Eu vou trazê-lo de volta, eu prometo.

Apenas o vi levar até Ino, colocá-la cuidadosamente no chão e Ino já começou a diagnosticá-la, tirando uma bolsa de soro da mochila e pronta para além de medicá-la, começar a usar suas mãos repletas de chakra e realizar os primeiros socorros.

Para minha surpresa o Tsubasa voltou a se afastar de Temari e veio em minha direção, com um semblante tão sério quanto aquele que um dia ele fez quando descobriu que eu e ela tínhamos um caso.

— Venha comigo – Ele pediu e não era necessário fazer isso duas vezes.

— Tsubasa... Não... – Sussurrava Temari, como tentasse impedi-lo de algo.

— Já está mais do que na hora, Temari. Apenas confie em nós. – Informou a distância e voltando a encarar Ino.

— Eu preciso levá-la até Suna – Ino não perguntava.

— Eu sei, por favor, cuide bem dela, Ino. Matsuri irá com vocês, é perigoso transportá-la sozinha. Enquanto eu, Kankurou e o time de Konoha continuaremos nossas buscas.

— Tsubasa...!

— Nem tente se opor, Temari, isto não é um pedido. Infelizmente não está em condições de nos ajudar nesse resgate, se realmente quer nos ajudar, permaneça viva até trazermos o nosso filho de volta. – Informava Tsubasa e nunca imaginei que tais palavras me incomodariam tanto – Venha, Shikamaru. Vamos lá fora.

Sabíamos que os responsáveis pelo sequestro eram de Suna, então não sabia definir até que ponto o time de Suna também era confiável. Sem questionamento fui atrás dele. Ele sendo inimigo ou não, tinha as respostas que eu precisava.

[...]

[Pov Sakura]

Como disse uma vez, realmente foi muito boa a ideia de Lee ter me ajudado na mudança. Além de todos os equipamentos médicos e de laboratório que ele transportou, ainda por cima trouxe uma maca, móveis de escritório e até mesmo os meus livros medicinais.

Sem nenhum progresso nas minhas experiência, peguei alguns livros medicinais que Lee trouxera, na esperança de achar alguma informação que me ajudasse na cura de Temari.

Apesar do livro ser realmente muito interessante, não achava nada que fosse útil.

— Sakura – A voz rouca e extremamente reconhecível me chamava e imediatamente sorri, logo depois já me xingava mentalmente por ficar feliz apenas pela sua presença. Estúpida! Agradeci por ele não conseguir me enxergar.

Sasuke guiava-se com uma muleta qualquer, enquanto na outra mão ele apalpava uma parede para se manter na direção certa, mas quase que imediatamente ele se trombou com um balcão de vidrarias.

— Oh, cuidado! – Informei, mas já era tarde demais.

— Não preciso de ajuda! – Sasuke disse rispidamente assim que deve ter ouvido eu correndo até a sua direção.

— Oh, por favor! Não vim até aqui para te ajudar – O que era uma grande mentira, eu fui sim, mas o que posso fazer? É um movimento involuntário ajudar os necessitados, por isto sou uma médica! Não penso se isso vai ferir o orgulho da pessoa, ou um orgulho gigantesco como no caso de um Uchiha – Vim impedir que derrubasse minhas vidrarias, aqui está metade da minha pesquisa, sabia?! – O que também não era mentira. – Você quase quebrou os meus béqueres!

— Algum progresso?

— Não quero falar sobre isso – Era realmente desestimulante discutir um caso no qual mesmo querendo ajudar não se sabia como. – Venha por aqui – E quase saí andando e esperando que ele pudesse me seguir, até me lembrar que ele não conseguiria fazer isso. – Hum... Eu posso te guiar até lá? – Perguntei incerta.

— É lógico que não! – Realmente era uma pergunta idiota a minha, como se ele um dia pudesse me pedir ajuda. Ué! Mas acho que ele já fez isso. – Apenas me fale qual é a direção.

Obedecendo seu pedido, informei onde ficava a maca e sozinho ele chegou até lá, com passos lentos e do jeitinho que Sasuke aprendeu a se virar sem a visão, mesmo assim chegou no lugar certo e com segurança.

Pedi que se deitasse na maca e logo depois comecei a analisar não só a região do seus olhos, mas a de seu corpo também.

— O que você está fazendo?!

— Seu estado físico também interfere a recuperação dos seus olhos. Percebo que perdeu muita massa corpórea. – E realmente ele havia perdido, Sasuke sempre teve mais músculos do que os homens em geral, até mesmo dos ninjas. Não que agora ele estivesse feio, acho que isso realmente era difícil de acontecer, apesar de realmente não gostar dele com barba.

— Não treino mais como um ninja...

— Já te vi treinar! – E tinha visto mesmo, uns dias atrás, momentos antes de nossa pequena discussão.

— Aquilo um treinamento!? Por favor, não caçoe de mim. Não sou o mesmo ninja que antigamente.

— Nem o mesmo homem.

Assim que terminei de falar rapidamente tinha me arrependido de ter dito. Um silêncio constrangedor permaneceu entre nós e minha escapatória foi continuar a analisar seu estado físico.

— Aquele barulho... – Sasuke murmurou como se lembrasse de algo. Era impressão minha ou ele estava puxando assunto comigo? Sasuke nunca foi de começar algo. –... da mesa que bati. Tinha o que lá?

— Vidrarias de laboratório. Por que?

— Aquele som me lembrou do esconderijo de Orochimaru.

Tal confissão me deixou por um tempo atônica, Uchiha Sasuke havia compartilhado uma memória comigo!?

Acho que naquele momento foi ele que assim que terminou de falar rapidamente se arrependeu por ter compartilhado o seu pensamento.

Eu apenas voltei para a região dos seus olhos e com chakra concentrado nas mãos permaneci naquela região. Esperando que o básico da medicina ninja pudesse me esclarecer alguma coisa.

[...]

Tsubasa e Shikamaru haviam se afastado do grupo ninja, longe o suficiente de até mesmo Kiba e Akamaru possuírem grande dificuldade de ouvir sem o auxílio de um jutsu.

— Acho que aqui já está longe o suficiente – Shikamaru informou tão sério quanto o semblante que Tsubasa também possuía. – O que você tem para me contar?

— Na verdade não seria eu a pessoa certa para te contar a maioria das coisas, mas Temari não tem condições físicas ou mentais para conversar com você.

Shikamaru soltou um longo suspiro, colocando as mãos no bolso pronto para puxar um cigarro.

— A segunda pessoa sequestrada é uma criança – Shikamaru não perguntava, apenas afirmava, naquele momento ele comprovou que os gritos de uma criança na hora em que estava escolhendo as carruagens eram verdadeiros – Filho da Temari, ou melhor, o nosso filho, não é?

Tsubasa abriu a boca para falar, mas logo depois a fechou, incerto. Aquela insegurança era o que fez o Nara ter certeza.

— Filha da puta! Ela não tinha o tinha o DIREITO...!

— É você que não tem o direito de julgá-la!!!

— Eu tenho um filho! UM FILHO! Céus! Eu poderia ter salvado ele! Eu permiti que meu próprio filho voltasse a ser refém, porque nunca alguém me contou a verdade!

— Temari apenas quis...

— Ela sempre foi egoísta. Foi egoísta a cinco anos atrás quando sumiu. Foi egoísta agora quando não pensou o que isso seria para mim!!!

— Você está errado – Tsubasa murmurou e olhou para Shikamaru de forma melancólica, como se lembrasse de coisas que presenciou – Ela nunca priorizou o que era melhor para você, ou até mesmo para ela, ela apenas decidiu o que era mais seguro para ele!

— Segurança!? Realmente, ele deve estar muito seguro agora...

— E POR QUE VOCÊ ACHA QUE ELE FOI SEQUESTRADO?! Você não entende... Céus! Talvez fosse por isso que ela nunca te contou.

— Do que você está falando?

— Acho que você não entende muito bem as leis de Suna, não é? Apesar de conhecer algumas pessoas daqui, ter visitado a vila algumas vezes você REALMENTE nunca entendeu como as coisas funcionam por aqui. Você acha que os irmãos de Temari e ela são tão diferentes por acaso?

— A onde você quer chegar, Tsubasa?

— Gaara é ruivo, Kankurou é moreno e Temari é loira, me falaram que você era inteligente, não achei que isso passasse despercebido por você.

— É lógico que tinha reparado nisso, são de mães diferentes! Mas a onde você realmente quer chegar?!

— Mas apesar de Temari e Kankurou serem mais velhos, suas idades são muito parecidas...

— Você está querendo me dizer que todas as mães deles eram casadas com o Kazekage?

— Lhe disse que as leis daqui são diferentes. Nunca vi em outras das cinco grandes vilas existir a realeza. Temari não é apenas conhecida como a irmã do Kazekage, ela também é conhecida como...

— Princesa de Suna.

— Você acha que tudo isso é pura coincidência?! Você realmente acha que Temari foi mandada para visitas de trabalho regulares em Konoha apenas depois da morte de seu pai e do terceiro Hokage à toa? O responsável pelo grande desastre da prova chunin quando vocês eram apenas crianças foi Orochimaru, um ninja de Konoha. Já ouviu a expressão “mantenha seus amigos perto de si e seus inimigos ainda mais perto”?

— Temari foi enviada para realizar as provas chuunins em Konoha justamente por ser a princesa de Suna.

— Está finalmente pegando o espírito da coisa. Tudo aqui é relacionado com política, inclusive o Naruto.

— Nanadaime?

— Raciocine comigo, Shikamaru. A relação entre as cinco grandes vilas sempre foram extremamente instáveis. Konoha e Suna possuem um histórico extremamente sangrento, para ambos os lados. Até que o novo Kazekage, um jinchuuriki é extremamente amigo de um estrangeiro, não de qualquer país, mas justamente de Konoha. Logo depois, esse amigo não é apenas reconhecido como o jinchuuriki da raposa de nove caudas, ele ainda é o herói do mundo Shinobi, considerado por muitos como o homem mais forte! Só que a guerra acabou, cada país voltou para o seu território, mas já estava comprovado que a relação de Suna e Konoha permanecia mais fortalecida do que nunca. Principalmente quando anos depois o anuncio que o “Herói do mundo Shinobi” seria o novo Nanadaime. Como você acha que as outras vilas realmente se sentiam? Gaara e Naruto sempre foram próximos, geograficamente não eram países tão distantes um do outro e juntos dominariam toda a região Sul do mundo Shinobi. Agora imagine se além disso tudo, a princesa de Suna estivesse gravida do conselheiro e mão direita do Nanadaime.

— Como você sabia disso?

— Não pense que é a toa que Tsunade está em Konoha e Shizune permanece em seu posto como mão direita do Hokage. Você não poderia assumir o seu posto, mesmo com o pedido de Naruto, que obviamente foi negado.

— Então elas sabiam de tudo isso?!

— Não só elas, os conselheiros de Konoha também, já Naruto eu não tenho certeza.

Shikamaru puxou um cigarro de seu maço e com mãos tremulas colocou-o na boca, tento dificuldades de acender o isqueiro.

— Temari não é apenas uma ninja, Shikamaru. Ela tem responsabilidades, inclusive manter a paz em seu país por ser da realeza. Sem contar, é claro, que assim que fosse divulgada a verdade sobre a sua gravidez de um estrangeiro não apenas acarretaria na pena de morte para si aqui em Suna, mas também para o seu bebê assim que nascesse. É a lei mais importante em Suna, Shikamaru, pessoas da realeza não podem “sujar” seus sangues, apenas mantê-los puros com pessoas da mesma vila. Agora imagine o que você não faria se Suna fosse responsável pela morte não apenas de Temari, mas de seu filho também.

— Desertaria Konoha e seria esperto o suficiente de armar uma grande confusão com todos os conselheiros de Suna até terminar com essas legislações ridículas!

— São tradições...

— Tradições problemáticas que não só reprimiram a minha vida e a de Temari, mas dessa criança também! Isto não é justo!

— Nunca disse que seria, mas lhe disse que Temari apenas tomou as decisões certas para que mantivesse o nosso filho o mais seguro possível! Ela é forte, tão forte quanto qualquer outra pessoa, e mesmo assustada, ela mentiu e fez o possível para mantê-lo em segurança. Ela se afastou de você, casou com o melhor amigo, deu o sobrenome dele ao seu filho, construiu a mentira com ajuda de várias pessoas, Naruto subiu ao poder, Shizune permaneceu como o braço direito do Hokage, Tsunade fez o seu parto e então ela prometeu jamais retornar a Konoha até...

— Estar no leito de morte.

— Já existiam vários boatos da relação de vocês antes dela até mesmo engravidar, depois quando o menino nasceu... Bem, vamos dizer que ele não se parece muito comigo ou com a Temari. Mas ela ter voltado a Konoha e ter ido direto a você foi o estopim. Ninguém deseja mais guerras, Shikamaru. Por isto, não me surpreendo com a traição de pessoas da nossa própria Vila, esses ninjas fariam tudo para garantir a paz e o nosso filho está no caminho. Temari está assustada, Shikamaru. Não sabemos o que poderão fazer com ele, por isso ela foi junto, porque sabia que sua importância política garantiriam uma vaga para ser sequestrada e que sua salvação era que uma refém à beira da morte não era uma refém muito poderosa, mesmo assim, ela estaria ao lado dele, protegendo-o de tudo. Mas ela não está mais e não sabemos o que farão com ele.

Shikamaru nada mais respondeu, apenas deu um longo trago em seu cigarro, perdido de mais em seus próprios pensamentos.

— Olhe, eu sei que é informação demais. Mas eu criei aquele moleque, sou tão pai dele quanto você e enquanto estamos tendo essa discussão mais distante o meu filho está de mim. Precisamos voltar! Agora!

Shikamaru jogou o cigarro ainda pela metade no chão, pisando em cima dele garantindo que fosse apagado.

— Apenas me responda mais uma coisa – Pediu se virando para Tsubasa e finalmente ambos os homens se encararam e apenas naquele momento Tsubasa viu os olhos do Nara completamente marejados – Qual é o nome dele?

Apenas naquele momento Tsubasa sentiu pela primeira vez dó do Shinobi de Konoha, era justo ele nem ao menos saber o nome de seu próprio filho?

— Shikadai, Sabako no Dori Shikadai. Ele tem quatro anos de idade e é um pivete preguiçoso extremamente inteligente para a sua idade. Ele tem os olhos dela, apenas isso.

Então finalmente partiram, sem trocar mais palavras, apenas tinham o objetivo que resgarem o filho, o filho de ambos.

[...]

[Pov Hinata]

Sayuri ficou comigo até minhas lágrimas secarem e não questionou mais o por que eu chorava, apenas entendeu que eu precisava partir.

Ela me ajudou a fazer minhas malas, até se prontificou a me fazer uma última marmita.

Saí de lá antes mesmo que Madame Hari retornasse da casa de minha... Bem, da casa da dona da Okiya. Não me despedi das meninas, na verdade, mal dei “Tchau” para Sayuri, mas ela correu em minha direção e me abraçou o mais forte que poderia e me desejou melhoras, seja lá qual fosse o mal.

Então eu finalmente voltei para a minha jornada e fui a direção da vila que eu iria antes que parasse dias atrás naquele bordel.

Tudo que desejei era que Suna pudesse me orientar como ser uma grande líder e afagar as inseguranças do meu passado.

Continua...

Notas finais
Olá! Bem, esse foi um capítulo que deu mais trabalho do que o normal, mas acredito que ficou tão bom ou melhor do que o anterior. Aos fãns de NaruHina apenas posso pedir paciência, mas prometo que não desapontarei vocês com o casal! Afinal ele também é o meu favorito e muitas cenas de ambos estão por vir! Bom, os mistérios de Temari estão bombardeando o nosso querido Shikamaru, vamos ver quais são as surpresas que estou aprontando com esse casal. Sem esquecer de ressaltar que a escolha de salvar a carruagem de Temari e deixar para trás o outro refem foi unicamente ideia do Shikamaru, então, coitado, vai ter que prender a lidar com isso. Bom, SasuSaku esta começandoooooo a ser desenvolvido, espero que estejam gostando. Eu adoro escrever o jeito rispido do Uchiha kkk Esperando aqueles reviwes enormeeeeeeeee que eu amo! Por favor, caprichem! E desculpe se demorei, mas o capítulo foi grande, vai! Aos leitores fantasmas, olá! Se apresentem para mim, juro que não mordo! Adoro novos leitores, na verdade ♥ Obrigada pela atenção é até a próxima semana bjs Nessa
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.