Notas iniciais
Acho que muitos que lerem o titulo do capitulo entenderão do que ele tratará né?? *Ah!! Terá Momentos ReixRan* ^_^ Espero humildemente que gostem dele e espero ansiosa pelos seus comentários. Não me deixem no vácuo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Boa leitura

Três dias se passaram e Syo não conseguia voltar ao normal, seu peito ainda doía e toda noite antes de dormir ele chorava, as lagrimas vinham quase que automaticamente só de ouvir o nome ou lembrar de Ai.

Ren: Kurusu… você ouviu alguma coisa de que falamos?

Syo despertou dos seus pensamentos depressivos e olhou para o colega de banda que o fitava preocupado, na verdade todos os seus amigos ali estavam do mesmo jeito, o olhando com uma mistura de preocupação e pena.

Syo: eh… desculpa gente. Eu não ouvi o que falavam.

Ele sorriu fracamente.

Cecil: Syo você ta assim há três dias! Ta começando a nos deixar preocupados com sua saúde, você não ta comendo direito… vai acabar ficando doente!

O indiano disse apreensivo.

Otoya: você não quer desabafar? É sempre melhor por pra fora.

Syo ficava os olhando e apesar de ser agradecido por ter amigos tão bons, mas ele não queria falar sobre isso com ninguém. Nem mesmo com Natsuki ele desabafava.

Syo: é melhor não falar.

Masato: Kurusu…

Syo: eu não vou prejudicar a banda! Esse fim de semana cantarei como se nada tivesse acontecido, eu juro!

Ele disse de um jeito convicto tentando acabar com aquele assunto.

Tokiya: não é só com isso que nos preocupamos. Você também… por que não fala? Enfrentar tudo isso calado não faz bem pra ninguém.

Ren: você não é o primeiro de nós que já sofreu por amor. Todos aqui temos uma lista grande de sofrimentos…

Todos suspiraram e se entreolharam.

Ren: mas sempre procuramos desabafar com alguém.

Syo: não é que eu não queira… eu não posso.

Disse simplesmente.

Natsuki: como assim Syo-chan?

Syo: se eu falar no nome dele… eu vou desabar de novo. Ele é um assunto que eu não quero tocar… por favor entendam.

Ele se levantou do sofá e caminhou ao corredor que levava aos dormitórios.

Syo: “só quem arrepia cada centímetro do seu corpo e faz você sentir o sangue bombear em um ritmo fascinante, é capaz de estragar seu mundo quando parte.”

Ele sorriu fracamente lembrando dessa frase que uma vez o disseram.

Syo: entendo tão bem disso…

Ele sussurrou a si mesmo enquanto ia embora para seu quarto.

...........................

Quartet Night ensaiava as novas músicas que haviam feito para o CD que lançariam antes da turnê pela Europa. O ensaio estava ótimo, as danças que eles haviam criado perfeitas, não ouve pelo menos um único erro durante o ensaio inteiro e isso era ótimo pra banda… porém os deixava mais preocupados.

Ranmaru: arrasamos… como sempre.

Ringo: uhoo!! Você foram incríveis! Se fizerem metade do que fizeram agora, a turnê será um completo sucesso!

Os parabenizou animado.

Ai: bom saber disso.

Falou calmamente tomando um copo de agua, seus amigos todos o olhavam.

Ai: Ranmaru acabou o ensaio por hoje né?

Ranmaru: hm… sim, por que?

Ai: eu preciso sair, tenho que comprar umas coisas e resolver um assunto com um conhecido meu.

Falou o olhando com aquela expressão de “Ai normal”.

Camus: tem certeza? A cidade inteira ta em ritmo de natal, os shoppings estão lotados.

Ai afirmou com a cabeça indo até a porta.

Ai: vejo vocês a noite.

Se despediu deles e foi embora. Os três se olharam.

Reiji: o Ai-Ai ta começando a me dar medo…

Ranmaru: ele voltou a ser o Ai Mikaze que conhecíamos antes do Syo.

Ringo: qual o problema?

Perguntou se aproximando deles.

Camus: o Mikaze.

Ringo: o que tem o Ai-chan? Ele não ta bom nos ensaios?

Ranmaru: ao contrário, ele ta ótimo. Não erra nenhum passo, nenhum arranjo, nenhuma letra…

Falou sério.

Ringo: então qual o problema?

Reiji: esse é o problema Rin-chan. É perfeccionismo demais… nada natural, ele não coloca mais a alma e os sentimentos dele nas canções. O Ai-Ai é profissional demais, leva tudo super a sério e nunca deixa suas emoções o atrapalharem. Ele ta sofrendo, mas não demonstra.

Ringo: sofrendo??

Perguntou surpreso.

Camus: ele e o Kurusu terminaram, pela traição daquele fedelho. Ai o pegou aos beijos com o Satsuki.

Ringo quase tem um enfarte na hora.

Ringo: eeehh?!! O Syo-kun t.traiu o Ai-chan?! Mas ele o amava tanto!

Reiji: é isso que também não entendemos.

Falou triste.

Ranmaru: o amor é o verdadeiro atrapalho de vida!! Não faz nada a não ser nos iludir e depois enfia uma facada nas costas que deixa cicatrizes pra sempre!

Exclamou irritado.

Reiji: também não é assim Ran-Ran! O amor vale a pena!

Ranmaru: tsc! Diga isso pra quem foi traído…

Reiji: o amor quando é sentido pela pessoa certa, nos dá ânimo de vida, é uma razão pela qual existir.

Ele disse convicto, Ranmaru ficou o olhando.

Ranmaru: pelo que eu saiba nunca amou alguém, não pode falar do amor como se já tivesse o sentido.

Reiji arregalou os olhos.

Reiji: mas se eu tivesse sentindo, mesmo assim o defenderia!

Ranmaru: então como sabemos quando encontrar essa tal “pessoa certa”?

Perguntou sarcasticamente. Reiji suspirou.

Reiji: quando encontrar alguém que o deixe feliz por viver. Essa é a pessoa que você deve amar.

Ranmaru ficou estático o olhando, Camus e Ringo observavam os dois.

Reiji: eu acredito em amor verdadeiro. Não acho que todo mundo possa evitar sofrer, se machucar ou chorar um dia por alguém, mas… todo mundo deveria ter a sorte de ter um amor verdadeiro. Daqueles que duram, pelo menos, até o fim da vida da pessoa.

Ele falou sorrindo. Ranmaru suspirou.

Ranmaru: você é romântico demais pra um homem.

Reiji sorriu mais.

Reiji: e você é frio demais Ran-Ran. Mas um dia encontrará alguém pra dissipar essa frieza toda.

Riu da cara que Ranmaru fez pra ele.

Ranmaru: espero que no dia de são nunca!! Se amar significar ficar idiota como você ou sofrendo como o Ai prefiro morrer sozinho.

Reiji revirou os olhos.

Reiji: quero que repita isso no dia que se apaixonar.

Sorriu desafiadoramente para o albino.

Camus: que tal mudarmos de assunto? Esse papo todo de amor me cansa…

Falou suspirando.

Ringo: outro anti-romântico!

Reiji riu.

Reiji: me pergunto como esses dois cantam músicas de amor tão intensamente, mas na realidade são totalmente anti-amor e nunca se apaixonaram!

Camus: isso se chama profissionalismo.

Disse cinicamente.

Ranmaru: é o sujo falando do mal lavado. Você também não é exatamente o tipo certo de homem apaixonado. Parece uma vassoura, varre tudo o que vê pela frente!

Reiji: Ran-Ran!!

O repreendeu corado.

Reiji: eu só me divirto ok?? Eu não tenho culpa se ainda não encontrei alguém pra amar, não foi por falta de tentativa.

Camus: a vida sabe o que faz.

Ranmaru riu.

Reiji: o que você quer dizer com isso Myu-chan?

Camus: acho impossível você ser fiel a alguém, não imagino você preso a uma só pessoa pelo resto da vida.

Reiji ficou em silencio.

Reiji: bom…eu realmente nunca fui do tipo fiel, mas… eu sinto que no dia que me apaixonar, só terei olhos pra essa pessoa. Não vou precisar procurar em outras o que acharei só nela.

Disse convicto. Ranmaru sorriu de canto.

Ranmaru: duvido. Homem safado nasce e morre assim. Tenho pena de quem amar você…

Reiji virou a cara emburrado.

Reiji: essa pessoa será alguém de sorte! Porque o dia que eu a encontrar vou encher de mimos, vou dar muito amor e vou cozinhar só pra ela. Você nunca mais provará da minha comida por ser tão chato Ran-Ran! Minha culinária será reservada só para meu futuro amor.

Camus e Ringo não seguraram a risada da cara que Ranmaru fez.

Ranmaru: idiota!!

Ele virou as costas e caminhou em rumo a porta.

Reiji: aah Ran-Ran tava brincando!! Não fica com raiva!

Ele correu atrás dele e o agarrou pelo braço.

Reiji: vamos fazer o seguinte eu cozinho pra você até o dia que encontrar minha alma gêmea! Depois… hum… você pode ir na casa que morarei com essa pessoa e comemos todos juntos que tal??

Perguntou animado.

Ranmaru: como se eu fosse querer conviver com você apaixonado! Se já é um saco assim, vai piorar quando se apaixonar!

Ele falou emburrado.

Reiji: Ran-Ran!! Você não pode me deixar! Amigo que é amigo aguenta o outro apaixonado!

Ranmaru suspirou.

Ranmaru: uma coisa é aguentar amigo apaixonado, outra é aguentar Reiji apaixonado!

Reiji riu. Camus e Ringo vinham um pouco atrás deles.

Ringo: se bobear esses dois vão acabar se apaixonando.

Camus sorriu minimamente.

Camus: antes eu até duvidava, mas depois de um tempo… não descarto essa opção.

Eles riram e continuaram observando Ranmaru gritar com o moreno pra solta-lo e Reiji se agarrava mais ainda ao braço do albino caminhando ao lado dele.

...................

Ai caminhava tranquilamente pelos corredores (meio lotados) do shopping, já tinha sido abordado várias vezes pelos fãs pedindo fotos, autógrafos e outras coisas, pelos menos nada de paparazzis irritantes até agora. Ai tinha umas sacolas em suas mãos, outras já havia deixado no porta-malas do seu carro, em um momento sentiu seu celular vibrar.

“Ai tudo resolvido. Possivelmente em dois dias mando a confirmação para o endereço em que está morando atualmente.”

Ai ficou fitando aquela mensagem e lembrou o favor que tinha pedido a um amigo de longas datas, há mais ou menos uma semana. O bluenette suspirou.

“Obrigado Suien-kun, desculpe incomodá-lo.”

Não demorou para receber a resposta.

“É sempre um prazer inenarrável ser útil a você Ai… nos vemos por ai. Não suma de novo, sei que vive ocupado pelo trabalho com a banda, mas não esqueça seus velhos conhecidos.”

Ai sorriu minimamente, sempre tão dramático…

“Ok, ok. Não sumirei. Vá me visitar em casa também, por enquanto estou na casa da banda, mas pode ir lá sempre que quiser.”

“Irei com certeza. Sinto sua falta…”

Ai ficou um tempo pensativo.

“Vá me visitar e essa carência acabará logo.”

“Ei! você pensa que eu to exagerando é? Realmente sinto sua falta. Hahahaha tchau Ai.”

“Tchau Suien-kun.”

Ai bloqueou o celular enquanto entrava em outra loja de roupas masculinas e logo na entrada deu de cara com Natsuki.

Natsuki: Ai-chan??

Ai arregalou minimamente os olhos observando seu kouhai. Natsuki corou ao vê-lo, não estava preparado psicologicamente pra encarar o veterano depois de tudo.

Ai: ah… oi Natsuki. O que está fazendo aqui? O Starish deveria estar treinando, vocês tem show no domingo.

Natsuki mordeu o lábio inferior levemente, ia dizer que a banda tinha adiado o ensaio daquele dia pelo fato de Syo não conseguir se concentrar, mas achou melhor não tocar no nome do menor.

Natsuki: estávamos um pouco indispostos hoje sempai.

Falou envergonhado, Ai o fitava com aquela calmaria que era típica dele, mas Natsuki sabia que por dentro ele estava arrasado.

Ai: indisposto, mas vem ao shopping?

Natsuki riu.

Natsuki: vim comprar umas roupas novas! Sabe o fã-clube do piyo-chan?? Ele respondeu ao meu email e mandou que eu enviasse um vídeo, vim comprar roupas pra minha performance.

Disse animado, o bluenette sorriu e surpreendeu Natsuki na hora.

Ai: eu disse que conseguiria se tentasse.

Natsuki: mas ainda to na fase de aprovação, nada concreto.

Ai: você vai conseguir.

Falou adentrando a loja.

Natsuki: e o senhor o que faz aqui? Nunca gostou muito de shoppings.

Ai: eu precisava terminar de comprar umas coisas que preciso levar para a turnê. Vamos passar muitos dias na Europa e ainda não tinha comprado tudo.

Comentou analisando umas roupas de frio.

Natsuki: mas não é perigoso? O senhor andando por aqui sozinho com todo esse fluxo de gente.

Se sentou em uma poltrona confortável da loja.

Ai: to com seguranças.

Natsuki arregalou os olhos.

Natsuki: onde??

Perguntou olhando para todos os lados fazendo Ai sorrir.

Ai: estão disfarçados Natsuki, justamente pra não saberem que são seguranças. Saotome não nos deixa sair sem eles, ficam na nossa sombra praticamente o tempo inteiro… é cansativo.

Disse exausto.

Ai: foi essas roupas que comprou?

Perguntou pegando nas roupas que estavam com Natsuki, Ai estreitou levemente os olhos ao ver que algumas roupas ali eram “pequenas” demais para o loiro.

Natsuki: eh… s.sim… essas são… para o Nagi-chan.

Ai o olhou e concordou com a cabeça, mesmo sabendo que era mentira. Aquela boutique de grife do shopping era a preferida de Syo e aquelas roupas eram exatamente do gosto e estilo dele, é obvio que Natsuki tinha comprado aquelas roupas para o Kurusu.

Ai: são muito bonitas, ele vai gostar.

Deu ênfase na palavra “ele”. Natsuki ficou o observando e sabia que seu sempai não era idiota, tinha entendido tudo. Natsuki estava preocupado com o melhor amigo e queria a todo custo anima-lo e por isso resolveu comprar algumas coisas pra ele.

Natsuki: o senhor acha que ele vai gostar?

Ai: tenho certeza, mas não leve aquela bermuda… ele odeia essa cor.

Disse simplesmente e isso fez Natsuki sorrir.

Natsuki: “o senhor o conhece tão bem.” É tem razão.

Ficaram um tempo em silencio, Natsuki observava o mais velho olhando alguns sobretudos e seus olhos se estreitaram, seu peito também doeu e acabou abraçando o veterano calorosamente e isso derrubou um copo de agua que a empregada da boutique tinha dado a Ai para tomar, na roupa do mesmo.

Ai: N.Natsukii! O.O que é isso??

Perguntou meio envergonhado por aquele abraço de urso do rapaz que era mais alto que ele.

Natsuki: sempai…

Sua voz era chorosa.

Ai: Natsuki estamos no shopping! Pode ter algum paparazzi, isso vai ser estranho e…

Natsuki: eu não queria, eu juro!! A última coisa que queria era machucar vocês dois! Eu amo os dois! O senhor é meu sempai, me ensinou tantas coisas e ele… ele é meu melhor amigo! Ele te ama tanto e…!

Estava soluçando em meio as lagrimas. Ai estava paralisado, não esperava aquilo do kouhai.

Natsuki: não me odeie!

Ai ficou um tempo em silencio e depois suspirou.

Ai: Natsuki aqui não é o lugar mais indicado pra conversar sobre isso. Que tal você me soltar e depois que eu acabar de comprar algumas roupas nós vamos aquela lanchonete daqui que você adora? Eu pago.

Sua voz estava serena e confortável, Natsuki sorriu.

Natsuki: t.tudo bem.

Limpou as lagrimas com a palma da mão. Ai soltou um muxoxo se olhando.

Ai: vou precisar comprar uma roupa daqui e usar imediatamente, você ensopou toda minha roupa.

Natsuki riu.

Natsuki: desculpe.

Ai escolheu uma nova veste rapidamente e trocou de roupa, Natsuki se ofereceu pra guardar a roupa que ele usava antes em uma das suas sacolas.

Natsuki: podemos ir agora??

Perguntou sorridente. Ai concordou e pagou as mercadorias que tinha comprado saindo junto com o maior da loja.

Não demorou muito e os dois já estavam ocupando umas das mesas da enorme praça de alimentação com seus lanches.

Natsuki: o senhor realmente ta com fome.

Ai sorriu minimamente.

Ai: não comi nada o dia inteiro, Quartet Night tava ensaiando desde cedo e desocupamos só agora.

Natsuki: como vai as novas músicas?

Ai: ótimas. Já fomos gravar metade delas no studio agora falta fazer mais algumas e voltar lá para gravar novamente, tudo isso antes do natal.

Natsuki: é muito pouco tempo sempai.

Ai: sim, mas já passamos por um aperto desses antes. Estamos acostumados.

Disse calmamente. Natsuki ficou um tempo encarando seu próprio lanche.

Ai: Natsuki… sobre aquilo… não se sinta culpado.

Disse por fim.

Natsuki: mas eu sou o culpado! Se eu pudesse controlar o Satsu-chan nada disso teria acontecido. Ele não poderia ter agarrado a força o Syo-chan!

Ai estremeceu levemente ao ouvir o nome do menor e isso não passou despercebido por Natsuki.

Ai: ele agarrou, mas Syo correspondeu. E isso Satsuki não poderia fazer por ele.

Falou friamente.

Ai: Syo nunca tinha namorado antes… talvez ele tenha confundido o que sentiu por mim e…

Natsuki: ele ama o senhor, só o senhor sempai!!

Ele disse firmemente. Ai ficou o olhando.

Natsuki: ele… ta sofrendo demais, chora toda noite apesar de tentar disfarçar, não se concentra nos ensaios, não ta comendo direito e…

A fala se perdeu, Ai ficou em silencio olhando para o nada.

Ai: você o ama?

Natsuki: sim!

Ai o olhou.

Natsuki: como meu irmão mais novo.

O bluenette arregalou levemente os olhos.

Natsuki: Nagi-chan disse que era pra eu descobrir o que sentia por ele e descobrir. Syo-chan sempre será meu fofo e amado Syo-chan, mas agora eu o vejo como irmão, não como homem.

Disse sorridente, Ai sorriu de canto.

Ai: que bom que esclareceu seus sentimentos, assim poderá ser feliz com o Nagi.

Natsuki soltou um muxoxo.

Natsuki: ele não quer me ver, com toda essa confusão ele descobriu sobre o beijo e… o senhor sabe.

Ai: vocês se entenderão. Ele te ama.

Disse tentando conforta-lo.

Natsuki: e quanto ao senhor e o Syo-chan?

Ai ficou um tempo pensativo.

Ai: isso é algo que eu preciso resolver com ele, só não sei quando.

Natsuki se entristeceu, sentiu que o veterano não ia mudar de ideia.

Natsuki: o senhor ta com raiva de mim?

Ai o olhou surpreso.

Ai: claro que não Natsuki. Se é pra ficar com raiva de alguém ficaria da sua versão prepotente e cheio de si.

Natsuki riu, sabia que ele não estava falando sério.

Natsuki: fico mais aliviado por saber que não está com raiva de mim.

Ai sorriu e se levantou.

Ai: está ficando tarde, vamos embora? Te deixo na academia.

Natsuki concordou e se levantou pegando suas sacolas.

Não demorou muito pra eles chegarem ao portão principal do Saotome Master Course.

Natsuki: obrigado sempai, vejo o senhor no domingo. Irá ao show certo?

Ai ficou um tempo pensativo, mas afirmou com a cabeça.

Ai: não vá dormir tarde. E ensaie bastante, esse show é importante, diga ao seus “companheiros” para deixar a indisposição para depois que o concerto acabar.

Natsuki no fundo sabia que isso era um recado para Syo, sorriu ao veterano e acenou entrando na academia.

.........................

Syo estava jogado no chão jogando no seu Xbox, aquilo pelo menos o divertia um pouco, mas agora ele lembrava que jogava muito isso com Ai, o bluenette era ótimo com esses jogos e aí bateu de novo a tristeza. Tudo naquele quarto lembrava ele, ou melhor, tudo ao redor de Syo tinha um pouco do veterano.

Natsuki: Syo-chan… pensei que já tivesse dormindo.

Syo: são 10 horas ainda Natsuki.

Falou baixo.

Natsuki: mas você ultimamente ta dormindo cedo.

Syo suspirou, realmente ele ia se deitar logo depois das nove, por alguma razão continuava seguindo aquele cronograma idiota do bluenette.

Syo: mas hoje to sem sono!

Disse meio irritado. Natsuki suspirou.

Natsuki: eu trouxe uns presentinhos pra você Syo-chan!!

Disse animado se atirando ao chão do lado do chibi.

Syo: roupas?

Natsuki sorriu.

Natsuki: daquela grife que você adora!

Syo começou a olhar as roupas e sorriu com a atitude do amigo, as roupas eram todas muito bonitas.

Syo: não precisava ter gasto seu dinheiro comigo Natsuki.

Natsuki: isso é o de menos. Quero ver apenas meu Syo-chan feliz de novo!

O abraçou ternamente. Syo sentiu um aroma e acabou levando uma das roupas até o nariz inalando aquele cheiro… aquele cheiro que ele conhecia tão bem.

Syo: “Ai…”

Ele fechou os olhos fortemente evitando novamente aquelas lagrimas irritantes de virem. Syo sem perceber acabou sorrindo involuntariamente ao cheirar todas as roupas e ver que tinha o cheiro do veterano.

Syo: Natsuki por que minhas roupas estão com o perfume do Ai?

Natsuki estremeceu e não sabia como dizer que havia se encontrado com o veterano. Havia esquecido que tinha colocado as roupas do sempai na sacola em que estava as que tinha comprado pra Syo e apesar de ter devolvido as roupas ao bluenette, o cheiro possivelmente continuaria.

Natsuki: perfume?? Eh… bom…

Syo: esse perfume… só ele tem. Eu reconheceria esse cheiro a km de distância.

Falou baixo inalando novamente aquele aroma que ele sempre adorou no mais velho.

Natsuki: eu me encontrei com ele no shopping.

Syo olhou para o amigo surpreso.

Syo: ele em shopping? Que milagre.

Disse rindo um pouco, Natsuki sorriu pelo ato e contou tudo que havia acontecido, apenas ocultando a conversa que ele tivera com o Mikaze.

Syo: ele não falou nada de mim?

Perguntou com medo da resposta.

Natsuki: Syo-chan… acho que você e ele precisam conversar.

Syo soltou um suspiro derrotado.

Syo: ele não atende nenhuma das minhas ligações, não veio mais aqui. Ta na cara que ele ta me evitando.

Natsuki: e por que você não vai aonde ele ta morando?

Syo o olhou.

Syo: Rei-chan é bem legal, mas o Ranmaru e o Camus querem devorar meu fígado. Se eu for lá eles vão me por pra fora.

Disse meio irritado e na hora passou uma ideia por sua cabeça.

Syo: a não ser…

Natsuki: a não ser?

Syo: que eu entre escondido. Eu sei todas as formas pra entrar naquela casa e na portaria do condomínio o segurança me deixará entrar, afinal sabe que eu sou kouhai do Ai!

Disse animado se levantando do chão, Natsuki sorriu.

Natsuki: é uma boa ideia Syo-chan!

Syo: vou amanhã lá! Hoje já ta tarde.

Piscou ao mais velho, amanhã o Mikaze não escaparia de uma conversa com ele.

...................

Era tarde da noite, praticamente todos já tinham se recolhido e Ranmaru estava jogado no sofá da sala de estar e estava compondo uma canção, ele não era muito de compor, isso era trabalho de Camus; ele, Ai e Reiji que escreviam as letras e algumas vezes Camus também escrevia. Reiji era responsável para criar as coreografias e Ai e ele os arranjos da música.

Mas por alguma razão naquele dia ele estava inspirado para compor uma canção.

Reiji: Ran-Ran o que está fazendo??

Ranmaru sentiu que Reiji estava atrás do sofá.

Ranmaru: compondo uma canção.

Respondeu sem desviar sua atenção da partitura. Reiji abaixou seu rosto e o colocou apoiado no ombro direito de Ranmaru. O albino estremeceu levemente ao sentir a respiração quente do moreno batendo contra seu pescoço.

Reiji: ela ta ótima!

Exclamou animado como sempre.

Reiji: você ta fazendo pra você mesmo??

Ele olhou da partitura para o rosto do albino que estava tão perto do dele. Reiji ficou um tempo o admirando, Ranmaru era tão perfeito, sua pele tão macia, seu rosto com traços marcantes, delicados apesar de ser tão másculo, o nariz pequeno e afilado, a boca tão bem delineada, os olhos penetrantes e exóticos, o cabelo que caia perfeitamente para a beleza única que o albino possuía.

Ranmaru: por que ta me encarando?

Reiji foi despertado dos seus pensamentos quando ouviu a pergunta do maior e o viu virando em sua direção para encarar seus olhos que estavam levemente arregalados. Seus rostos estavam perigosamente muito próximos, a respiração de ambos batiam contra o rosto do outro e apesar disso Ranmaru não se afastou nem um pouco do moreno e continuou com seus olhos fixos nos dele.

Reiji: nada demais. Tava só examinando seu rosto, você realmente é muito lindo Ran-Ran.

Ranmaru arregalou os olhos com esse elogio e odiou a si mesmo profundamente quando sentiu as bochechas esquentarem.

Ranmaru: você é impossível.

Suspirou fundo. Reiji alargou mais o sorriso.

Reiji: estou apenas dizendo o que acho. Já deve ter ouvido isso de muitas pessoas…

Ranmaru ficou em silencio. Realmente, um elogio banal daqueles ele ouvia desde pequeno, mas com Reiji era diferente. Esse elogio saindo da boca do moreno fazia com que cada centímetro do corpo do Kurosaki se arrepiasse e seus batimentos cardíacos acelerassem no mesmo instante.

Ranmaru: você é um homem, é estranho.

Falou por fim desviando seus olhos do moreno e voltando a se concentrar em sua canção.

Reiji: nada de estranho. Já fizemos coisas que podem ser consideradas mais “estranhas”, é apenas um elogio sincero.

Ranmaru corou mais com esse comentário e apesar de Reiji ter achado muito bonitinho preferiu não comentar nada.

Reiji: você não respondeu, essa música é pra você mesmo?

Ranmaru: não sei, to pensando ainda. Se me vier alguma letra…

Reiji: me dá ela!

Ranmaru: não.

Reiji: ah por favor Ran-Ran!! Eu prometo escrever uma letra digna dela!

Ranmaru ficou em silencio, Reiji soltou um muxoxo.

Reiji: p-o-r f-a-v-o-r Ran-Ran!

Ele disse pausadamente.

Ranmaru: me dê um bom motivo.

Ele voltou a encarar o moreno.

Reiji: eu quero cantar uma música composta por você!

Disse decidido e Ranmaru ficou surpreso por essa resposta.

Ranmaru: as músicas do Camus são ótimas.

Reiji: mas você é você!

Ranmaru quase cora de novo.

Ranmaru: “por que esse cara me deixa tão idiota?!”

Ele pensou.

Ranmaru: tudo bem, ela é sua. Me deixa só terminar.

Reiji deu um pulo de alegria e o abraçou forte.

Ranmaru: Reiji me solta!!

Ele gritou tentando se desfazer do abraço do Kotobuki.

Reiji: eu to te agradecendo Ran-Ran! É um abraço ou… um beijo, você escolhe.

Ele falou isso no ouvido do albino sensualmente fazendo-o sentir cada nervo do seu corpo estremecer.

Ranmaru: eu prefiro um simples “obrigado”.

Disse emburrado, embora quisesse na verdade ter dito outra coisa, mas reprimiu seu desejo.

Reiji: você é muito chato… mas ainda é cute cute!

Disse de um jeito brincalhão ainda o abraçando.

Ranmaru: irritante…

Reiji riu mais do mal humor do albino.

Reiji: você realmente nunca amou ninguém Ran-Ran?

Ele perguntou isso voltando a apoiar seu queixo no ombro de Ranmaru e permanecia abraçando o mesmo.

Ranmaru: não. O amor é um conto de fadas para idiotas…

Reiji: então eu sou o maior idiota de todos… porque eu sonho em viver um grande amor. Um amor que revolucione minha vida, me faça chorar de ódio e amor, um amor que me marque pra sempre.

Eles ficaram em silencio.

Reiji: por que você odeia tanto esse sentimento?

Ranmaru: porque não acho que ele valha a pena.

Reiji: qualquer sentimento que seja verdadeiro, vale a pena.

Ranmaru: cada um com suas teorias…

Reiji sorriu levemente.

Reiji: sabe o que eu acho? Que você tem medo que alguém te ame, você tem medo de amar. E isso não vai mudar enquanto não encontrar alguém que o toque profundamente pra acabar com essa repulsa do amor.

Ranmaru ficou surpreso com esse ponto de vista do Kotobuki.

Ranmaru: isso é impossível.

Reiji: por que?

Ranmaru: eu não sou nada fácil, não acho que encontrarei algum dia alguém louco o suficiente pra me amar. Sou uma grande enrascada.

Disse sarcasticamente. Reiji sorriu depois de um tempo.

Reiji: eu torço muito pra encontrar alguém que tenha o atrevimento de se apaixonar por mim. Quem sabe um dia encontraremos algum louco nesse mundo que nos ame?

Disse brincalhão, Ranmaru ficou em silencio.

Reiji: Ran-Ran…

Ele o chamou, Ranmaru virou o rosto na direção do moreno e foi surpreendido pela boca do mesmo. O albino ficou estático, mas mesmo com o susto correspondeu o beijo do Kotobuki. O beijo era calmo e lento, a língua de Reiji acariciava cada parte da boca do Ranmaru e suas mãos estavam cada uma em um dos lados do rosto do albino o puxando pra ele. Aquele beijo estava diferente de todos os outros, era delicado, eles queriam usufruir de cada segundo daquele contato. Ranmaru soltou um suspiro de satisfação entre o beijo quando os dedos do moreno se agarraram a cabeleira prateada dele fazendo vez ou outra um carinho em sua nuca. O moreno separou seus lábios do Kurosaki bem lentamente, como se não quisesse desgrudar deles nunca mais e antes de se separar definitivamente o deu um selinho demorado.

Reiji: um dia você fará alguém muito feliz Ran-Ran. Essa pessoa será alguém de sorte…

O sorriso do moreno era algo encantador para Ranmaru.

Reiji: eu disse que ia cobrar aquele beijo de reconciliação não disse?

Disse a última parte no ouvido dele e logo em seguida deu um beijo na bochecha do Kurosaki que ainda estava estático pelo beijo.

Reiji: vou esperar ansioso por essa música.

Deu uma piscadela pra ele e saiu o deixando sozinho.

Ranmaru: “por que me entrego tão rápido?”

Ele jogou a cabeça pra trás e suspirou longamente.

Ranmaru: “meu coração… acelera toda vez que eu fico perto dele. É uma sensação boa e angustiante ao mesmo tempo.”

Ele mordeu os lábios irritado.

Ranmaru: eu não vou me apaixonar por ele… não vou

No fundo Ranmaru realmente tinha medo de amar e estava começando a ter medo de Reiji, medo daquele sorriso que o ganhava tão facilmente, da sua boca que o fascinava, medo do que ele poderia significar pra ele, medo daquele cara que ele estava começando a se apaixonar todos os dias.

.................

Reiji entrou em seu quarto meio ofegante, seu coração batia tão rápido que chegava até a deixa-lo com um pouco de falta de ar.

Reiji: por que eu simplesmente não consigo parar de querer ele?

Ele foi deslizando a costa pela porta até o chão.

Reiji: será que eu…

Ele fechou os olhos.

Reiji: to me apaixonando… pelo Ran-Ran?

Ele suspirou e abraçou suas pernas.

Reiji: eu to tão confuso… nunca senti nada assim antes. Mas e se eu estiver apaixonado por ele? Como será que ele vai reagir? Uma coisa é atração outra é amor.

Ele ficou lá perdido em seus pensamentos.

.......................

O outro dia chegou rapidamente e a rotina do QUARTET NIGHT não foi diferente do dia anterior, eles ensaiaram a manhã inteira e boa parte da tarde. Variando com as músicas antigas, as que eles já gravaram para o novo álbum e as que eles tinham acabado de terminar, faltando poucas para concluir o álbum. E depois ensaiavam as coreografias, pelo menos as que eram inéditas. Depois que o ensaio terminou cada um saiu pra fazer algum compromisso, o único que ficou em casa foi Ai, ele estava exausto daquela correria.

......................

Syo conseguiu enganar o porteiro do condomínio e andava rapidamente pelas alamedas procurando a mansão.

Syo: esse condomínio poderia ser menos exageradamente grande!

Ele olhava as casas que praticamente ocupavam uma alameda inteira de tão grandes que eram, Saotome e suas extravagancias. Até mesmo para os membros do Quartet Night que gostavam de luxo e conforto, aquele condomínio era demais.

Syo: finalmente…

Falou ofegante olhando a casa e rapidamente adentrou sorrateiramente pulando uma janela que dava a biblioteca da mansão.

Syo: agora é só tomar cuidado e ir para o quarto dele.

Syo olhava para todos os lados a procura de algum amigo de Ai, mas para sua sorte a casa estava silenciosa demais, talvez eles estivessem saído.

Syo: espero que ele esteja.

Não demorou e encontrou o quarto de Ai, tirou do seu bolso a chave que tinha e abriu a porta devagar. Quando Syo entrou viu o bluenette deitado, possivelmente dormindo, em sua cama. Ele se aproximou dele sorrateiramente e ficou o fitando por uns segundos e seu peito começou a doer de novo, ele sentia tanta falta dele. Syo tomou coragem e cutucou levemente o veterano, como ele tinha sono leve acordaria logo.

Ai: Syo?

Ele perguntou surpreso por ver o kouhai ali na sua frente.

Ai: como você…?

Syo: entrei escondido, desculpe…

Falou envergonhado.

Syo: você ta me evitando há 4 dias… foi a única forma que encontrei de falar com você.

Ai o observava atentamente e suspirou.

Ai: o que você quer falar?

Syo estreitou as sobrancelhas.

Syo: eu quero me explicar Ai! Você não me dá a menor chance de te dizer o que houve naquele dia!

Ele falou irritado.

Ai: ele te agarrou a força?

Syo: sim.

Ai: você o beijou?

Syo arregalou os olhos.

Syo: s.sim, mas…

Ai: o correspondeu e estava quase transando com ele quando entrei naquele quarto.

Syo cerrou os punhos.

Syo: eu não ia transar com ele!!

Ai: ele tava por cima de você, te beijando no pescoço, uma mão em seu peito e a outra por dentro da calça e você ainda estava visivelmente excitado… tem certeza que se eu não chegasse você ia conseguir pará-lo?

Perguntou calmamente e Syo ficou sem palavras.

Syo: não dá pra falar com você…

Suspirou pesadamente.

Ai: estou apenas relatando o que vi ali, aumentei alguma parte?

Syo: não.

Respondeu baixo.

Ai: então… não precisa me explicar nada Syo. Tudo que vi estava bastante explícito, explicito até demais.

Se levantou da cama. Syo ficou o observando ir até o criado-mudo e tomar um copo de agua.

Syo: você não vai me perdoar não é?

Ai ficou em silencio e permaneceu de costas ao mais novo. Syo sentiu as lagrimas caírem de seus olhos pela milésima vez naqueles dias.

Syo: só me explica uma coisa… como funcionava pra você essa coisa que chamávamos de amor? Porque você superou muito melhor e mais rápido do que eu.

O choro era visível em sua voz que saiu fanha. Ai reprimiu o desejo de correr até ele e abraça-lo e dizer que o amava mais do que qualquer coisa no mundo, mas ele não faria isso, seu peito ainda doía, seu coração estava ferido e possivelmente teria cicatrizes pra sempre.

Ai: você não faz ideia do que significa pra mim perder você.

Syo fechou os punhos e as lagrimas caiam mais intensamente.

Syo: você ta com tanta raiva de mim?

Ai: não é raiva… é magoa. Sabe o que eu sentir vendo você entregue aos braços de outro? Eu… perdoei você, mas estaria mentindo se dissesse que não lembro a cada vez que te olho da cena que vi naquele quarto.

Syo: eu amo só você!! Eu nunca vou amar assim novamente!!

Ai segurou forte as lagrimas que queriam desabar do seu rosto novamente. Seus olhos até tentavam, mas não conseguiam mentir, não importa o que fizesse, jamais conseguiria fugir das infinitas recordações que o tempo jamais conseguiria cessar. Não importa o quão frio se tornasse, nada seria maior que sua fragilidade. Esquecer não fazia parte das suas maiores habilidades e nada suprimiria a saudade que ele sentiria do seu chibi.

Ai: ontem eu sonhei com você e consequentemente acordei querendo ouvir sua voz. Todos os dias sinto um vazio… é como se faltasse um pedaço de mim. Digo a mim mesmo que é bom deixar as coisas para trás de vez em quando, mas mesmo assim meu coração insiste em sentir sua falta.

Ele olhou para Syo que estava com o rosto molhado de lagrimas e tentava inutilmente seca-las.

Ai: queria ter a certeza que o tempo realmente pode curar todas as feridas que ta no meu coração e que ele me ajudaria a esquecer você. Mas eu não tenho… porem eu to disposto a esquecer tudo, e você também tem que ta. Você tem seus amigos, sua banda e o Natsuki. Quem sabe agora… você possa ficar com ele, eu ficaria feliz se…

Syo: chega!! Não tenta me jogar para os braços do Natsuki!! Tem ideia do quanto eu amo você??! Acha mesmo que eu vou encontrar alguém e simplesmente colocar essa pessoa no teu lugar e ficará tudo bem?!

Ai ficou em silencio.

Syo: eu te dei um pedaço meu! Minha vida vai ser uma droga sem você!!

Ai: somos jovens demais pra que a nossa vida acabe por causa de um coração partido.

Syo paralisou e o olhou estático.

Ai: podemos dar um tempo e…

Syo: isso não existe pra mim. Tempo é como terminar um namoro da forma mais sutil.

Ai suspirou.

Syo: eu só preciso que você me fale… quer um ponto final?

Ai ficou em silencio por uns segundos e o olhou. Syo segurou com todas as forças as lagrimas que queriam desabar mais uma vez, seu peito doeu tanto que ele pensou que fosse morrer na hora.

Ai: eu sempre serei seu sempai, continuaremos convivendo e podemos ser amigos…

Syo: como eu posso ser amigo de alguém que tanto amei??

Ele perguntou, mas no fundo não queria uma resposta.

Ai: você tem 16 anos, sua vida ta só começando. Se não for o Natsuki, será outro. Dor de amor não mata ninguém Syo.

Ele tentava ser forte, mas por dentro estava desabando também.

Syo: eu escolhi você. Te escolhi ciente de todos os seus defeitos e qualidades, sabendo que você jamais seria perfeito, te fiz a minha única e melhor opção e não importa quantos apareçam na minha frente. Eu ainda escolheria você, só você.

Ai o olhou e resistiu a vontade de beija-lo, aquilo estava doendo mais do que ele pensava.

Syo: eu só preciso saber uma coisa… você me amou? Ou foi só um namoro dos milhares que já teve?

Ai começou a suspirar devagar, fazia isso pra não chorar. Como dizem:” o suspiro é o choro da boca”.

Ai: nunca foi só um namoro, um caso, uma paixão das esquinas da vida. Você é a pessoa que mais amei em toda minha vida e a que fui mais feliz.

Sua voz e seu olhar eram sinceros e isso fez Syo sorrir fracamente em meio a algumas lagrimas teimosas que caiam em sua face.

Syo: fomos felizes… um ano e quase cinco meses inesquecíveis. Eu… espero… que um dia consiga olhar pra você… e não ter vontade de chorar…

Syo fez menção de ir e antes que Ai o chamasse.

Syo: não se preocupe. Eu vou me esforçar como nunca para a banda, isso não vai me atrapalhar. No domingo cantarei com a máscara de felicidade que vou vestir toda vez que subir no palco, não desapontarei você Ai-sempai.

Ai arregalou minimamente os olhos o ouvindo chama-lo como Syo fazia antes. Syo caminhou até a porta e antes de sair por ela, falou de costas mesmo.

Syo: eu quero que saiba uma coisa. Não importa quanto tempo passe, ou o que aconteça, ou quem encontraremos durante a vida ou até mesmo no que nos transformaremos. O que realmente importa é o que guardamos dentro de nós e não esqueça nunca disso: eu vou te carregar comigo todos os dias… pra sempre.

Ele depois de ter dito isso saiu pela porta a fechando com força. Ai ficou paralisado no mesmo lugar e só então se permitiu desabar.

Ai: acho que vou sentir sua falta pra sempre…

Ele falou baixinho se jogando na cama e deixando as lagrimas tomarem conta dele. Parte dele queria isso, outra parte queria perdoar e voltar para Syo de novo, ele ainda não havia terminado de ama-lo… e nunca terminaria.

.......................

Syo corria pelos corredores daquela casa aos prantos e acabou esbarrando em alguém.

Hyuga: Kurusu o que houve?

Perguntou preocupado.

Syo: Hyuga-sensei não é nada, eu preciso ir.

Ele tentou ir embora, mas o mais velho o segurou.

Hyuga: Kurusu! Você ta muito desnorteado pra ir embora assim.

Syo: eu quero ir embora daqui sensei!

Hyuga: o que aconteceu?

Syo mordeu o lábio inferior levemente.

Syo: já amou tanto alguém que mal podia respirar?

Hyuga ficou o observando e suspirou.

Hyuga: eu te levo pra academia, venha.

Ele saiu puxando Syo pelo braço para a garagem da mansão.

........................

Camus, Ranmaru e Reiji estavam acompanhando uma sessão de fotos dos seus kouhais para uma campanha. Reiji sorria observando seus kouhais e achava lindo o jeito que Tokiya que apesar de estar mal-humorado sorria para Otoya.

Ranmaru: fecha a boca, vai acabar babando.

Reiji: eu não to babando.

Falou emburrado.

Ranmaru: por pouco… desse jeito vou achar que ta apaixonado pelo Tokiya.

Disse sério. Reiji revirou os olhos.

Reiji: ainda esse assunto?? Eu já expliquei o porquê tava dando em cima dele Ran-Ran!

Ranmaru deu de ombros.

Ranmaru: por que está o olhando tanto então?

Reiji sorriu mais e voltou a observar os dois juniores.

Reiji: olha o sorriso dele… Toki só fica assim quando ele vê o Otoyan. E o olhar já percebeu?? Ele brilha toda vez que o vê se aproximar dele. Apesar de ser tão mal-humorado fica mansinho perto dele, cora, é tão lindo… (N/A: le deja vú *comportamento do Ran-Ran com o Rei-chan é igual* *_~)acho que isso é amor. Essas sensações tão boas que sentimos perto de quem amamos.

Ranmaru ficou olhando para expressão do moreno e reprimiu a vontade que tinha de beija-lo. Droga! Por que estava sendo tão difícil ficar perto dele?

Ranmaru: ainda esse assunto idiota?

Reiji: não é assunto idiota Ran-Ran!!

Ranmaru: amor é coisa de louco!

Reiji: se pudesse não iria querer pra você??

Ranmaru: é claro que não!!

Disse irritado o fitando.

Reiji: você precisa de alguém que o faça mudar de ideia!

Eles ficaram se encarando e saíram do transe ao ouvir a risada de Camus.

Camus: vocês parecem um casal.

Ranmaru e Reiji: não somos um casal!

Camus: mas brigam como se fossem.

A resposta de Camus os deixou sem fala.

Reiji: Ran-Ran que é muito chato.

Ranmaru: e você que é muito irritante.

Reiji mostrou a língua para o albino que se irritou mais.

...................

Ai ainda estava deitado na cama, não tinha conseguido fazer absolutamente nada desde que Syo havia ido embora, seu peito ainda latejava e seus olhos estavam cansados de tanto que chorou, nunca imaginou que pudesse existir tantas lagrimas dentro de si.

Ai: será que eu to fazendo o certo?

Perguntou baixinho a si mesmo.

Ai: não… eu não posso voltar atrás. Eu nunca fui bom o suficiente pra ele, Syo merece alguém melhor. Quem sabe o Natsuki? É… com o tempo ele vai desistir de mim e vai querer outros relacionamentos. Adolescentes são bons em esquecer…

Falou amargamente.

Ai: do mesmo jeito que eu esquecerei dele.

Se levantou com dificuldade e viu que o clima havia esfriado. Ele lavou o rosto e trocou de roupa, vestindo uma mais quente e saiu do quarto querendo ir a cozinha preparar algum chocolate quente.

Reiji: Ai-Ai! Que bom que saiu do quarto!

Disse com um grande sorriso, Ai forçou sorrir um pouco.

Ai: acordei há uns instantes e vi que ta frio, to indo fazer um chocolate quente.

Reiji: como ta o coração?

Perguntou gentilmente, ele e os outros membros do Quartet Night souberam que Syo havia ido lá pelo Hyuga (com uma pequena crise do Ran-Ran e do Myu-chan querendo arrancar cada membro do corpo de Syo por ele ter feito isso) e que eles tinham terminado oficialmente.

Ai: acho que ele ta bem. Bombeando sangue, conduzindo oxigênio e ajudando a expelir o gás carbônico.

Sua voz era indiferente e outros que não conhecessem Ai acharia que ele estava sendo sarcástico, mas Reiji no fundo soube que ele desconversou aquela pergunta, não queria tocar no assunto Syo.

Reiji: que bom! Eu não sabia que o coração tinha tantas finalidades! Foi uma bela aula de fisiologia.

Piscou ao bluenette que sorriu mais verdadeiro pelo humor do moreno.

Ai: você sabe como tirar um sorriso de alguém…

Reiji: é minha principal característica. Bom… mas como seu coração sobreviverá, quero que venha comigo a um lugar!

Passou o braço no ombro de Ai e o trouxe mais para si.

Ai: hã? Aonde? Eu não to afim de sair Reiji…

Falou desanimado. Reiji sorriu.

Reiji: é aqui mesmo Ai-Ai. Lá na sala de cinema.

Ai: na sala de cinema? Mas…

Reiji: não seja chato! Venha logo.

Foi o levando até a sala, durante o pequeno percurso Ai não disse nada. Quando Reiji abriu a porta o ambiente estava escuro, muito pouco iluminado e Ai quase não conseguia ver nada. Mas de repente a luz abriu e ele pode ver seus dois amigos jogados no enorme e confortável sofá-cama e um monte de almofadas espalhadas pelo chão e em cima do sofá e das duas poltronas reclináveis do lugar.

Ai: o que é tudo isso??

Perguntou surpreso e pode ver um monte de guloseimas em cima de uma pequena mesa no meio da sala.

Ranmaru: juro que tentamos impedir o Reiji de fazer isso.

Falou se levantando e colocando as mãos pra cima como defesa.

Camus: como se isso fosse possível…

Falou sarcasticamente e Reiji riu.

Reiji: que tal uma noite do pijama hein??

Ranmaru e Camus gemeram em desaprovação e Ai o olhou como se perguntasse “você enlouqueceu?!”.

Camus: somos homens adultos Kotobuki, noite do pijama é muita viadagem.

Falou cruzando os braços e recebeu um tapa na cabeça de Ranmaru.

Ranmaru: a sensibilidade te dá um “oi” baka!

Falou apontando a cabeça na direção de Ai. Camus suspirou.

Camus: foi mal Mikaze. Eu realmente não queria ter dito isso! Você sabe eu nunca tive nenhum tipo de…

Ranmaru: ok, já entendemos Camus! Melhor parar antes que fale no nome daquele…

Ele olhou pra Ai.

Ranmaru: projeto de anão…

Falou baixo só pra Camus escutar, se referindo a Syo.

Reiji: vocês são dois idiotas!

Falou caindo na gargalhada.

Camus: olha quem fala!

Ranmaru: o rei dos idiotas!

Reiji: vocês são maus comigo!

Falou manhosamente e Camus e Ranmaru viraram o rosto irritados. Ai estava observando toda aquela cena dos três e acabou rindo, sim produção… Ai riu!

Ai: vocês não existem…

Os três estavam chocados vendo Ai rir tão abertamente e acabaram sorrindo por terem conseguido arrancar um sorriso do bluenette.

Reiji: nós resolvemos fazer esse programinha Ai-Ai! Existe coisa melhor que uma coleção de bons filmes de ação, terror, mistério e comedia combinados com lanches deliciosos e boa bebida pra curar coração partido?

Ranmaru: dei a ideia de sairmos pra encher a cara, mas o Reiji não quis.

Camus: a ideia é melhorar o ânimo do Mikaze e não deixá-lo de ressaca.

Ranmaru: nada mais “pós-coração partido” do que encher a cara e acordar no dia seguinte na cama de um desconhecido.

O queixo de Reiji caiu.

Reiji: você já fez isso Ran-Ran??

Ranmaru deu de ombros.

Ranmaru: o que? É super normal.

Reiji: pensei que só eu fazia isso.

Falou pensativo e Ranmaru sorriu de canto. Camus bateu levemente com a mão em sua própria testa.

Camus: esses dois se merecem. Isso acaba com qualquer imagem do Quartet Night.

Ai sorriu mais uma vez.

Ai: pessoal… obrigado.

Agradeceu sincero e os três sorriram mais uma vez.

Reiji: temos a noite inteira pra assistir todos esses filmes Ai-Ai!

Ai balançou a cabeça.

Ai: vamos começar com qual?

Camus: ação!

Ranmaru: nem pensar! Quero terror!!

Camus: olha pra sua cara e verá um verdadeiro terror!

Ranmaru: posso quebrar essa sua cara de Barbie, ai terá sangue suficiente pra uma cena de ação!

Saiam faíscas dos olhos de ambos. Reiji suspirou.

Reiji: se não calarem a boca vamos assistir Titanic duas vezes como castigo! E ainda cantarei a música da Celine Dion!

Os dois estremeceram.

Ai: não dá pra fazer programa com vocês dois.

Falou rindo e indo até onde estavam os DVDs e pegou um especifico.

Ai: já que o coração partido é o meu… por que não assistimos um de suspense?

Os três se olharam e sorriram concordando.

Reiji: vamos nessa pessoal!! A noite do pijama de “homens adultos”!

Gritou animado se jogando no chão com as almofadas. Os três suspiraram segurando o sorriso que viria, realmente Reiji era a “animação” do Quartet Night.

Notas finais
Então... o que acharam?? O cap ficou grandinho né? Me desculpem aos que não gostam muito. Bom? mal? Querem me matar?? Criticas construtivas? Opiniões? elogios?? kkkkkkkkkkk Obrigada de coração a todos que leram, porque se estão acompanhando a fic até aqui é porque estão gostando né?? *_* *_* *_* Beijos meus, do Ran-Ran e do Rei-chan pra vocês