Coisas Que Eu Nunca Te Disse
24 Coração Partido.
Notas iniciais
Reiji e Ranmaru, finalmente, conseguiram sair do “banho” para poderem jantar.
Ranmaru: quando eu quiser fazer um jantar pra você, tenho que te convidar cinco horas antes para podermos jantar no horário certo.
Reiji riu e imprensou o albino contra a parede.
Reiji: nós não somos exatamente o tipo clichê Ran-Ran… e encontros clichês não combinam com a gente.
Ranmaru sorriu de canto.
Ranmaru: é… eu concordo.
Murmurou com os lábios tocando os de Reiji e depois mordeu lentamente o lábio inferior tirando dele um gemido baixinho. O menor sorriu e quando estava a ponto de beijá-lo, Ranmaru o parou.
Reiji: huh?
Ranmaru: você vai ficar aqui no quarto por um tempo.
Reiji: eh? Mas por que?
Ranmaru sorriu.
Ranmaru: eu preciso preparar a mesa, mas sem você ver. Não vai ter graça se assistir tudo.
Reiji fez um bico inconformado, mas concordou se sentando na cama. Ranmaru riu um pouco e fechou a porta.
Reiji: hmm… o que será que ele tá armando com essa mesa??
Cruzou os braços tentando imaginar. Reiji ficou olhando o quarto do albino, nunca tinha entrado ali.
Reiji: a cama dele é tão fofa, macia…
Ele deitou levemente e inalou o cheiro dos travesseiros e do edredom.
Reiji: o cheiro dele.
Sorriu apertando o travesseiro no rosto. Naquela hora Reiji lembrou que o albino permitiu que o mesmo dormisse na mesma cama que ele em Nagoya.
Reiji: será que um dia dormirei aqui com você?
Perguntou sorrindo apertando mais o travesseiro, não demorou muito e ele escutou passos se aproximando e rápido o arrumou.
Ranmaru: vamos?
Reiji sorriu para ele abertamente.
Reiji: claro!
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Reiji era guiado por Ranmaru a um lugar do apartamento duplex que não conhecia.
Ranmaru: então o que achou?
Deu espaço para Reiji entrar na cobertura do apartamento e apontou para o local que estava simplesmente… perfeito. O lugar era bem grande, mas do que Reiji podia imaginar, metade descoberto onde permitia que visse o extraordinário céu naquela noite e admirar uma vista privilegiada da movimentada cidade de Shibuya.
Na parte em que não era coberta havia uma piscina em formato pentagonal e metade dela era a hidromassagem embutida, havia alguns moveis ali, sofás de dois lugares, uma churrasqueira, tudo ficando na parte coberta. Mas o que realmente chamou a atenção de Reiji foi à mesa redonda que ficava ao centro do local, coberta por uma tolha perfeitamente branca e que era provavelmente de linho, taças de cristal pretas, porcelana, talheres de prata, dois castiçais de cristal com velas aromatizadas, porta guardanapos prata e a cor dos guardanapos era preta, a decoração era perfeitamente P&B e Reiji notou algo.
Reiji: v-você fez um jantar temático de inverno?
Perguntou admirado pela decoração.
Ranmaru: combinar com a estação.
Sorriu de canto.
Reiji: t-tudo isso… toda a decoração foi você Ran-Ran?
Ranmaru: por que essa cara? Eu não sou um ogro sabia?
Reiji riu. Eles se aproximaram da mesa e sentaram.
Reiji: nossa… tá tudo tão lindo!
Ele olhava toda a cobertura, até a noite- apesar de ser inverno- tava perfeitamente combinada com o jantar.
Reiji: e eu amo fondue de carne!!
Disse quase devorando a refeição com os olhos, o cheiro impregnava as narinas do Kotobuki que ficava com ainda mais fome. Ranmaru sorriu.
Ranmaru: é um jantar temático, a comida precisava ser perfeita para a estação. São três tipos de carnes aqui e têm também seis variados molhos especiais, batatas rosties.
Reiji sorriu.
Ranmaru: e combinado com esse vinho francês Chateau Angelus.
Reiji: uau!
Sorriu animado erguendo a taça para Ranmaru despejar o vinho.
Reiji: se continuar assim eu nunca mais vou querer ir embora.
Ele degustou o vinho que era simplesmente fabuloso o gosto.
Reiji: compreensível todos terem se apaixonado, está tornando a tarefa de um ídolo não poder amar impossível Ran-Ran.
Confessou sorrindo embora tivesse muita verdade naquilo, Ranmaru quase corou, mas se conteve e olhou profundamente para Reiji.
Ranmaru: bom… então meu objetivo está sendo concluído com sucesso.
Ergueu a taça para um brinde, Reiji arregalou minimamente os olhos com o que Ranmaru disse e diferente dele, o moreno não conseguiu evitar o rubor. Eles brindaram ainda se encarando. Reiji espetou um pedaço de carne e levou a coquelon sobre o réchaud e fritou até ficar no ponto em que gosta e depois mergulhou em um dos molhos ali e comeu. Reiji arregalou os olhos na hora.
Reiji: você me disse que cozinhava mais ou menos??
Ranmaru: sim, não sou nenhum chefe de cozinha. Mas me arrisco fazer algumas coisas e…
Reiji: é simplesmente delicioso!! Sério! Você cozinha muito bem Ran-Ran!!
Ranmaru riu da empolgação dele.
Reiji: eu vou casar com você, sério.
Ranmaru: mas que interesse. Casar comigo porque cozinho bem.
Revirou os olhos fingindo descontentamento, Reiji sorriu.
Reiji: também porque é lindo e bom de cama.
Provocou e riu do albino corando.
Ranmaru: nem aqui se controla?
Reiji: ehh?? Você me dá esse vinho, faz todo esse jantar e não quer que eu fale isso??
Ele levantou a taça balançando um pouco o liquido.
Reiji: sabia que vinho é uma das bebidas que mais estimulam os hormônios sexuais.
Sorriu malicioso e o Kurosaki acabou rindo.
Reiji: ah! Você sabe não é?? Por isso me ofereceu o vinho! Ran-Ran safado!!
Acusou se divertindo.
Ranmaru: baka! Ofereci o vinho porque é a bebida mais indicada para esse jantar!
Bufou irritado e Reiji riu mais.
Reiji: sei, sei.
Continuou comendo ainda sorrindo da cara do maior. Eles continuaram o jantar conversando sobre diversas coisas e Reiji se surpreendia pelo fato de conviver com o albino por um tempo e está morando debaixo do mesmo teto por um mês e mesmo assim descobrir coisas sobre ele que jamais pensou, uma delas era que Ranmaru Kurosaki sabia ser romântico quando queria. Ele era uma caixa de surpresas que a medida que Reiji vasculhava, mais coisas novas descobria. Depois de um tempo eles terminaram e com a muita insistência de Reiji, o albino tirou a mesa com o Kotobuki o ajudando.
Ranmaru: eu não te convidei pra jantar, para tirar a mesa comigo.
Reiji riu.
Reiji: ah Ran-Ran… mas você teve todo esse trabalho e fez um jantar delicioso! É o mínimo que eu posso fazer!
Sorriu gentil ao maior que concordou suspirando. Ranmaru colocou os pratos e talheres no lava-louça, fez a pré-lavagem e depois de pronta o maior retirou a grade com a sujeira que continha na louça e depois iniciou o processo de lavagem. Depois foi a vez das taças de cristais serem lavadas separadamente, já que eram mais delicadas e o programa era diferente.
Reiji: o que seria das nossas vidas sem um lava-louças??
Ele sentou numa cadeira e apoiou seus cotovelos na mesa embutida que pertencia a cozinha.
Reiji: eu, particularmente, odeio lavar louça. Quando criança, eu tinha sempre um dia na semana que lavava a louça do jantar e sempre quebrava alguma coisa.
Ranmaru acabou rindo.
Reiji: o que?? Nem todo mundo nasceu com 10 empregados ao seu redor sabia?
Cruzou os braços emburrado tirando mais risos do albino.
Ranmaru: eu não tinha 10 empregados ao meu redor. Mas recordo que cada um tinha uma função, dois cozinheiros, o mordomo, motorista, quatro que limpavam a mansão já que era muito grande, uma que lavava só as louças, jardineiro, o que limpava sempre a piscina, um que arrumava a mesa para as refeições, tinha uma doceira também e…
Ele riu da cara de Reiji.
Reiji: continua… to adorando a sessão de humilhação na infância.
Falou irônico, Ranmaru segurou mais uma risada.
Reiji: sempre humilha seus convidados contando como era sua infância?
Ranmaru: hm…
Ficou pensativo.
Ranmaru: não. Se bem que prefiro falar da infância, é menos traumatizante que a adolescência.
Disse ironicamente. Reiji o olhou gentil.
Reiji: Ran-Ran… você sente falta dos seus pais?
O albino se sentou a mesa junto com o Kotobuki e suspirou.
Ranmaru: normalmente… eu diria: claro que não, estou melhor assim. Odiava aquelas regras de família tradicional…
Ele sorriu de leve e fitou Reiji.
Ranmaru: mas acho que seria meio inútil mentir pra você. É como se fosse um detector de mentiras ambulante.
O moreno riu espontaneamente.
Reiji: minha mãe fala a mesma coisa.
Ranmaru sorriu.
Ranmaru: sinto, eu os amo… são meus pais e diversas vezes quis que tudo voltasse a ser como antes. Sinto falta do carinho e amor exagerado da minha mãe, ela sempre foi muito apegada comigo e morria de ciúme de todas as pessoas que ficavam em cima de mim, até mesmo das minhas tias, primos.
O moreno sorriu o vendo falar de sua mãe de forma tão natural.
Ranmaru: meu pai era mais sério, mas na frente dos outros. Só pra mim e minha mãe ele mostrava outra face. Sinto falta dos conselhos dele, sua proteção, ele não era tão… razinza sabe?
O albino riu.
Ranmaru: era até divertido quando tava com a gente. Lembro uma vez que viajamos para o Brasil e ele tem um amigo lá, ficamos uma semana jogando futebol, o amigo dele ensinava pra mim e pra ele como jogar.
Reiji riu.
Ranmaru: mas… já desistir de ter um dia tudo de volta. Eles jamais me perdoarão pela escolha que fiz, por ter fugido.
Reiji abaixou o olhar.
Reiji: eu… eu… queria muito que um dia… vocês pudessem ser uma família de novo Ran-Ran!
O maior o fitou e sorriu.
Ranmaru: incrível como se importa tanto com isso.
Reiji: eu já disse antes… você é importante pra mim! E… eu quero que seja feliz! Algo me diz… que se estivesse com seus pais… você teria a felicidade completa.
Ranmaru ficou o olhando intensamente e isso fez Reiji corar.
Ranmaru: na verdade… ainda faltam duas coisas para que eu tenha tudo que quero, seja alguém completamente realizado.
Reiji corou mais.
Ranmaru: vai ser duro o dia em que os perder, tantos anos que poderíamos estar juntos…
Reiji: é, eu sei como é. Meu pai morreu depois de um ano que já tínhamos voltado a nos falar e doeu. Eu pensei na hora em quantos anos perdi ao lado dele e fiquei tão pouco para recuperar o tempo perdido.
Ranmaru levantou e pegou duas taças e um vinho e depois entregou uma já cheia com o liquido para o moreno.
Ranmaru: eu não me importo com o patrimônio deles, o poder, a herança… nada disso me faz falta. Eu só os queria ter de volta como pais e não como magnatas. Mas vamos mudar de assunto, isso não precisa ser um encontro clichê, mas também não quero que seja deprimente.
Reiji riu e bebeu o vinho.
Reiji: tem algo que quero ver.
Ele sorriu se levantando da mesa.
Ranmaru: o que?
Reiji: aquela estante na sala, algo me diz que tem varias coisas interessantes.
Ranmaru riu e o guiou até o lugar.
Ranmaru: nada demais. Apenas meus Cds, Dvds, livros…
Reiji olhava atento cada coisa.
Reiji: nossa… tem os melhores cantores aqui! Séries também! Esses livros…
Ele arregalou os olhos ao ver os Cds que lançou quando tinha sua carreira solo, até mesmo os dois DVDs.
Ranmaru: que foi?
Reiji estava o olhando pasmo.
Ranmaru: eu disse que seu CD estaria na minha coleção dos favoritos não disse?
Reiji ainda estava incrédulo o olhando.
Reiji: é t-todos os CDs e os DVDs que eu lancei…
O moreno corava a cada segundo mais. Ranmaru sorriu.
Ranmaru: todos são ótimos. E fizeram muito sucesso…
Ele sorriu do olhar interrogativo do menor.
Ranmaru: fiz uma pesquisa logo quando entrou no Quartet Night.
Reiji foi imprensado contra a instante, já que Ranmaru se aproximava cada vez mais e ele acabou encostando na mesma de tanto recuar.
Reiji: eu lembro… daquela conversa que tivemos em que disse que no futuro meu CD estaria na sua estante de CDs preferidos.
O albino o fitou com mais intensidade e apoiou as mãos uma a cada lado de Reiji na estante.
Ranmaru: o que tem esse dia?
Reiji: você me salvou naquela época.
Ele confessou abaixando o olhar.
Reiji: eu realmente ia desistir, não tinha ninguém que me ajudasse, torcesse por mim… até mesmo meu melhor amigo eu perdi naquela época.
Ele levantou sua vista e a prendeu nos orbes bicolores a sua frente.
Reiji: você me ajudou sem nem saber quem era, me falou palavras tão bonitas que me deu força para continuar. Foi você Ran-Ran… foi você o combustível para que o meu sonho não morresse naquele dia.
O maior arregalou os olhos pela confissão.
Reiji: e também foi o que me motivou todos os dias até sair do mestrado. Eu te admirei em segredo, eu sabia quem era Ranmaru Kurosaki, quem naquela academia não sabia quem era um dos mais talentosos da classe S?
Ele riu de leve.
Reiji: quando me disse seu nome… eu fiquei surpreso, mas feliz também. E justamente por ser elogiado por alguém que era tão talentoso, me fez acreditar mais em mim mesmo. Então… você se tornou minha fonte de inspiração na academia e depois no mestrado… todas as músicas…
Ele corou.
Reiji: eu fiz pensando em você. Eu queria ser igual, tão talentoso, incrível, ensaiava dia e noite para poder chegar perto de você.
O Kurosaki estava em choque por todas aquelas revelações, ele também admirou Reiji por todo esse tempo, mas em segredo para que ninguém descobrisse.
Reiji: eu entrei para o Quartet Night… por causa dessa admiração, acho que tinha um carinho por você apesar de nunca termos sido amigos antes de agora.
Ranmaru o livrou do encurralamento e se afastou alguns passos ainda fitando Reiji.
Reiji: err… d-desculpa… falar t-tudo isso e…
Ranmaru: Reiji…
Reiji: huh?
Ranmaru ficou sério e o moreno estremeceu com aquela expressão.
Ranmaru: quando falei aquilo pra você, eu não sabia quem era, apenas quis ajudar porque te achei talentoso o suficiente para ser um ídolo e achei dura as palavras do seu pai.
Reiji: eu sei e…
Ranmaru: mas depois… eu procurei saber quem era Reiji Kotobuki e descobri que era um aluno da classe A energético, esforçado e tinhas as melhores notas da turma inteira.
Reiji arregalou os olhos.
Ranmaru: ouvi uns boatos de namoros, ou melhor, de vários namoros e pensei: esse aí é galinha desde cedo.
Reiji acabou rindo da expressão que Ranmaru fez.
Ranmaru: cada teste, prova, apresentação… tudo… eu acompanhei.
Reiji: o que…?
Ele ficou pasmo.
Ranmaru: eu queria ver como você se sairia e saber se estava certo quando disse que você tinha talento.
Ele voltou a ficar perto do moreno.
Ranmaru: e a cada teste eu tinha mais certeza.
Seus rostos estavam muito próximos, Ranmaru tocou sua testa na de Reiji levemente.
Ranmaru: foi uma pena que você não tenha entrado para o Quartet Night naquela época.
Murmurou e Reiji corou por ele lembrar disso também.
Ranmaru: assim eu não tinha sofrido a quase tentativa de estupro do Saiko e o Quartet Night não teria tido tantos membros.
Reiji riu.
Reiji: nunca se sabe… poderia ter sido eu que tivesse te atacado e assim precisaria trocar de membro.
O albino sorriu de canto.
Ranmaru: por você não teria sido problema.
O rosto de Reiji atingiu uma coloração forte pelo que o outro disse.
Reiji: e… qual a diferença… entre eu e o Saiko?
Ranmaru: Saiko é Saiko. Reiji… é o Reiji. Tem uma enorme diferença entre vocês.
Ele fechou os olhos tocando os lábios do menor com delicadeza.
Ranmaru: “a grande diferença é o amor que sinto por você…”
Reiji entreabriu os lábios para o beijo apaixonado e calmo que recebeu. Ele passou delicadamente os braços pela nuca de Ranmaru e o abraçou enquanto seu corpo era colado ao do albino de forma terna e carinhosa. O beijo durou o máximo que eles conseguiram aguentar sem ar e se afastaram de forma lenta logo encarando um ao outro.
Reiji: Ran-Ran…! Eu preciso te falar uma coisa!
Ranmaru se assustou um pouco pela forma como ele disse.
Ranmaru: o que?
Reiji engoliu em seco.
Reiji: já faz um tempo que eu precisava te dizer, mas de hoje não pode passar! Ranmaru eu t…!
Ele mal abriu a boca para confessar e ambos ouviram batidas frenéticas na porta.
Ranmaru: mas quem pode ser a essa hora??!
Disse irritado indo abrir a porta. Reiji suspirou pesadamente, logo naquele momento que tinha criado coragem.
Ayume: Ranmaru meu amor!!
Ela pulou no pescoço dele logo quando a porta foi aberta. Os orbes dos ídolos alargaram ao ver a modelo ali.
Ranmaru: Ayume??
Ela sorriu docemente a ele. Reiji a fuzilava com os olhos, ela precisava vir com uma saia tão curta e deixar aquelas pernas de fora?! Estava inverno será que ela notou isso??
Ayume: Reiji?
Perguntou incrédula ao ver o moreno ali.
Ranmaru: ah… ele veio…
Reiji: uma pequena reunião, Ran-Ran e eu estamos compondo uma música.
Falou antes que o albino pudesse dizer qualquer coisa.
Ayume: ah tá.
Ela voltou a sorrir para o albino.
Ayume: eu vim te dar uma noticia Ranmaru.
Ranmaru: e não podia ser amanha? Tá muito tarde.
Ayume sentou no braço do sofá provocante e cruzou as pernas, Reiji precisou manter toda a calma em seu interior para não dar uns belos tapas naquela cara de vadia.
Ayume: você tá olhando para a nova patrocinadora do Quartet Night.
Reiji e Ranmaru: hã?!
Ela riu de leve.
Ayume: são vários empresários que patrocinam a banda e pelo sucesso extraordinário de vocês, todos disputam muito pra saber quem vai ser. Saotome uma vez comentou comigo sobre um patrocinador que estava dando muita dor de cabeça e… eu tive a brilhante ideia de dobrar o valor do patrocínio dele, ou seja… você como líder vai ter que tratar todos os assuntos do grupo com a patrocinadora escolhida para representar os outros.
Ela apontou para si mesma.
Ayume: eu.
Os ídolos estavam boquiabertos, era muito dinheiro que rolava naquilo e Ayume com certeza não pagou pouco para ocupar o lugar do cara. Reiji estava fumaçando de ódio, queria esquarteja-la e jogar os pedaços para os tubarões.
Ranmaru: por que fez isso?
Ayume: é um ótimo investimento, vocês dão muito dinheiro sabiam?
Ela riu.
Ayume: além disso, vou ficar perto de você, é o que mais importa pra mim.
Ela se levantou do sofá e se aproximou dele.
Ranmaru: Ayume falamos sobre isso antes. Nós terminamos.
Ela mordeu o lábio inferior controlando a irritação.
Ayume: eu não me importo em te esperar Ranmaru, te amo desde os meus 15 anos e te conheço desde os 9. Ninguém no mundo pode amar você mais do que eu, ninguém pode te conhecer mais do que eu. Não dou a mínima para suas ficantes, suas aventuras, eu sei que todas são sem sentimentos…
Ranmaru: chega Ayume!
Reiji estava controlando as lagrimas ouvindo tudo.
Ayume: nós nascemos um para o outro, somos perfeitos… você me conhece toda. Nosso namoro era maravilhoso lembra? Não brigávamos, não tínhamos crises de ciúme, nunca tivemos em marés baixas… nos fazíamos bem como nenhum outro faz.
Reiji desviou o olhar deles.
Ayume: você pode não me querer agora, mas um dia você vai cansar dessa vida boêmia, vai cansar desses relacionamentos fúteis, dessas noites de prazer sem compromisso, dessas pessoas interesseiras que só querem seu dinheiro e fama… vai querer constituir uma família, ter filhos… e quando esse dia chegar é a mim que você vai procurar.
O Kotobuki petrificou ao ouvir aquilo.
Ranmaru: cala essa boca Ayume!! Isso não é o momento pra falar d…!
Ayume: Reiji desculpe falar isso na sua frente, mas eu amo o Ranmaru! Não sei se amou alguém, mas se sim… entende o que sinto agora.
Reiji a fitava com um olhar vazio.
Ayume: não dou a mínima para suas aventuras, porque sei que quando quiser algo sério e ter uma família… quem será sua escolhida será eu. Eu sou a mulher perfeita pra você, nossos próprios pais falavam isso lembra? Ninguém no mundo vai poder te dar o que eu posso.
Ela pressionou seu dedo no peito dele.
Ayume: ninguém é melhor do que eu quando se trata de você.
Depois daquilo foi como Reiji recebesse um tiro no coração, era como se tivesse aberto um buraco enorme nele, como se fosse uma parede de vidro atrás e que se estilhaçou na hora.
Reiji: é… eu vou embora.
Ranmaru: Reiji espera! Nós não terminamos e…!
Reiji: não Ran-Ran.
Ele sorriu.
Reiji: é melhor vocês ficarem sozinhos. Te vejo depois.
Ele caminhou para a porta rapidamente.
Reiji: tchau Ayume.
Se despediu rápido dela e saiu correndo. Ranmaru tentou ir atrás dele, mas Reiji rapidamente entrou no elevador e se foi.
Ayume: por que você tá assim? Fala com ele amanha. A música não vai morrer se não terminarem hoje.
Disse rindo. Ranmaru deu uma pedrada forte na porta a fechando bruscamente.
Ranmaru: por que falou aquilo na frente dele?!!
Ayume o olhou assustada.
Ayume: R-Ranmaru… qual o problema? Reiji sabe que sou sua ex mesmo e também sabe que eu te amo. Sabe nossa historia e…
Ranmaru: exatamente isso!! “História” é passado e é isso que nós somos Ayume!! Passado!! Eu não quero voltar pra você e eu nunca vou querer!
Ela estava pasma com o albino a tratando assim.
Ayume: eu já disse que não me importo em te esperar!! Pode ficar com quem quiser e…
Ranmaru: eu disse que estava amando alguém não disse?
Ela suspirou.
Ayume: eu sei que vai cansar dela um dia, eu espero. E quando esse dia chegar, vamos ser felizes… você e eu.
O albino passou a mão no cabelo irritado.
Ranmaru: eu nunca vou me cansar…
Ayume: o que ela tem que eu não tenho?!! É mais bonita? Famosa? Rica? O que?!
Ranmaru ficou a olhando por uns segundos.
Ranmaru: não é ela, é ele.
Os olhos da modelo alargaram em choque.
Ayume: c-como assim?
Ranmaru: você entendeu muito bem o que eu disse.
Ayume estava petrificada no lugar.
Ayume: não! Não! Isso é mentira!! Eu me recuso a acreditar nisso! Ranmaru você nunca gostar-!
Ranmaru: me poupe dessa cena Ayume!
Revirou os olhos entediado.
Ranmaru: eu já saí com homens e você sabe disso.
Ayume: quando era mais novo!! Mas depois você me disse que não gostou da experiência e passou a se envolver só com mulheres!
Ranmaru: e eu não menti, realmente saia só com mulheres. Mas aí ele apareceu na minha vida e me conquistou de uma forma que você e nem ninguém conseguiu. Eu me apaixonei por ele!!
Ayume: quem é??
Ranmaru: o Reiji.
Os orbes da modelo alargaram bruscamente com a revelação e sentou no sofá chocada.
Ayume: é mentira não é? Me diz, por favor, que isso é uma brincadeira de muito mau gosto.
Ranmaru cruzou os braços se apoiando na parede.
Ranmaru: por que eu brincaria com isso? Eu realmente o amo! E antes que me pergunte, o problema não é o que ele tem que você não tem… mas sim como ele me faz sentir e você não conseguiu.
Ayume cerrou o punho irritada, estava com um ódio profundo dentro de si.
Ayume: o que ele tava fazendo aqui?
Ranmaru: estávamos em um encontro, até você resolver interromper.
Praguejou sem paciência.
Ayume: como pode gostar dele?!! Ele é um safado!! Galinha!!! Nunca levou ninguém a sério!! Sabe quantas pessoas eu conheço que já saíram com ele?? Quantos tiveram o coração partido por causa das infidelidades de Reiji Kotobuki?! Ele vai te fazer sofrer!! Vai colocar um par de chifres na sua cabeça… aquele cara nunca será de uma pessoa só!! Ele-!!
Ranmaru: cala essa boca!!!
Ele gritou a fazendo calar.
Ranmaru: eu não permito que fale mal dele na minha frente!!! Você não conhece o Reiji!!
Ayume: só o que já ouvir falar é o suficiente!!
Ranmaru: mas eu o amo Ayume!!! Não importa o que me diga… não vai mudar o que sinto!!!
Ele inspirou profundamente.
Ranmaru: eu sinto muito se eu partir seu coração… mas eu nunca te iludir, nunca falei que te amava. Eu tenho muito carinho por você Ayume, mas se continuar falando do Reiji desse jeito nem minha amizade vai ter.
Ela estava incrédula, nunca ouviu o albino defender tanto alguém.
Ayume: vocês estão juntos?
Ranmaru ficou em silencio por uns segundos.
Ranmaru: ele não sabe que eu o amo. Pelo menos por enquanto…
Ayume mordeu o lábio inferior.
Ayume: Ranmaru... me dê uma chance. Só uma!
Ela se aproximou dele, colando seus corpos.
Ayume: eu posso te fazer feliz, eu posso ser fiel… eu posso amar você de uma forma que ele nunca amará. Você nem sabe se ele te ama! Se ele só não tá brincando com você…
Ela aproximou seus lábios dos do albino.
Ayume: essa noite… por favor… me deixe te lembrar o quanto nosso namoro era bom.
Ela fechou os olhos e quando tava quase colando suas bocas, Ranmaru disse algo que a deixou sem chão.
Ranmaru: saber que é ele o dono do meu coração e o único que eu desejo, ainda te faz querer ir pra cama comigo?
Ela arregalou os olhos encarando-o.
Ranmaru: transar com você… eu vou pensar nas vezes que já estive com ele. Se eu sentir prazer… vai ser porque a minha mente estará lembrando das imagens das noites que tivemos.
A modelo se afastou dele irritada.
Ayume: eu não posso aceitar isso…
Ranmaru: não aceite, se não quiser. Independentemente do que falar ou pensar, é o Reiji que eu vou continuar amando. Agora…
Ele se aproximou da porta a abrindo.
Ranmaru: sai do meu apartamento.
Ayume: Ranmaru…
Ranmaru: sai agora!!
A morena mordeu o lábio inferior, nunca foi tão humilhada na sua vida, nunca foi desprezada daquela forma.
Ayume: você vai se arrepender se ficar com ele.
Ela disse antes de ir encarando o maior parcialmente.
Ranmaru: vou me arrepender se voltar pra você e ter essa felicidade de mentira.
Depois daquela resposta ela saiu pela porta batendo o pé com força. Ranmaru desabou ao chão, encostando sua costa na porta.
................................
Reiji chorava muito e era um milagre conseguir dirigir com aquele diluvio em seu rosto. Seu peito doí tanto que até chegava o sufocar, ele nem sabia por onde andava… só reconheceu o lugar quando viu que tinha parado em frente ao condomínio onde a mãe morava. Era isso. Ele precisava do colo de sua mãe. Era tarde já e provavelmente ela já estaria deitada, mas mesmo assim ele desceu do carro e tirou as chaves que tinha da mansão entrando sorrateiramente.
Reiji: mãe…
Ele chamou baixinho ao chegar aos aposentos da senhora, Reiji abriu a porta e viu sua mãe deitada na cama lendo um livro.
Reika: Reiji? O que faz aqui tão tarde?
Reiji não respondeu apenas correu para a cama da mãe desabando outra vez em lágrimas.
Reika: Reiji?? Meu filho o que houve com você??
Reiji: mãe… por favor… eu só preciso chorar…
Reika não estava entendendo nada, apenas levou sua mão aos cabelos do filho e ficou os acariciando até ele se acalmar.
Reika: então… vai me dizer o que fez você chorar assim? Ou quem?
Reiji chorou mais depois da pergunta da senhora a fazendo sorri fracamente.
Reika: Ranmaru?
O moreno arregalou os olhos e a fitou incrédulo.
Reiji: como…?
Reika: você não é de chorar por qualquer coisa, precisaria ser algo forte pra isso. Alguém que tivesse um grande poder sobre você e ele tem… afinal a pessoa por quem estamos apaixonados sempre é o nosso maior ponto fraco.
Reiji ficou boquiaberto.
Reiji: a senhora sabe?
Reika riu um pouco.
Reika: eu já desconfiava antes, mas naquele dia da festa beneficente… eu tive a certeza.
Reiji abaixou o olhar e limpou suas lagrimas.
Reiji: eu… err…
Algumas lágrimas voltaram a descer por sua face.
Reika: o que houve com vocês?
Reiji contou tudo, desde o encontro até a parte da Ayume.
Reiji: desde essa hora… é como se algo estivesse deslocado dentro de mim… doí tanto… me sufoca…
Reika o abraçou forte.
Reika: você, pela primeira vez, está descobrindo a dor de um coração partido.
Reiji fechou os olhos se agarrando a mais velha.
Reiji: faça parar… eu não gosto disso… doí… doí muito…
Reika: meu amor… a única pessoa que pode curar essa dor… é quem a causou. O Ranmaru… é o único que pode consertar seu coração.
Reiji chorou mais sabendo que isso era impossível.
Reiji: eu a odeio mãe!! Eu a odeio como nunca odiei ninguém na minha vida! Ela tem a única pessoa por quem eu me apaixonei! E ela o terá pra sempre! Como a mesma disse… no dia que ele quiser alguém pra casar, vai ser pra ela que ele correrá! Ninguém, quando se trata dele, é melhor que ela!
Ele sentou enxugando as lágrimas incessantes.
Reiji: ela faz questão de dizer… “eu te amo desde os 15!”.
A senhora o fitava compreensiva.
Reika: espere um pouco Reiji, eu vou buscar algo.
Reiji a olhou meio desconfiado, mas concordou se agarrando a um travesseiro e deitando.
........................
Reika saiu do escritório com um caderno em mãos e no caminho encontrou a filha mais nova.
Raiko: o que houve com ele?
Reika suspirou.
Reika: seu irmão tá amando.
A menor ficou a olhando e suspirou.
Raiko: entregue isso a ele…
Ela deu a mãe um copo em que continha um chá.
Reika: isso é…?
Raiko: eu sempre fazia isso pra ele quando o mesmo estava nervoso lembra? Isso o deixa calmo.
Disse fingindo indiferença e caminhando para seu quarto, a senhora sorriu. Pelo visto ela não o odiava tanto assim.
......................
Reiji estava mais calmo, porém ainda desciam poucas lágrimas de seus olhos quando sua mãe entrou.
Reika: tome.
Entregou a ele o copo e o caderno. Reiji a fitou curioso.
Reiji: o que…?
Ele reconheceu na hora o liquido quando tomou o primeiro gole, mas aquele chá só Raiko sabia fazer.
Reiji: mãe ela…?
A Kotobuki mais velha sorriu.
Reika: é pra você se acalmar.
Reiji estava surpreso, mas feliz ao mesmo tempo e um pingo de esperança de ter sua irmã de volta um dia nasceu em seu ser.
Reiji: o que é esse caderno?
Ele abriu lendo as primeiras linhas e encarou sua mãe com incredulidade.
Reika: lembra que você me entregou esse diário logo quando voltamos a nos falar?
Reiji: sim. Eu escrevia nele todos os dias contando as minhas experiências no tempo da academia e do curso de metrado.
Reika sorriu.
Reiji: mas por que me trouxe isso?
Reika se aproximou mais dele, sentando ao seu lado.
Reika: leia essa página bem aqui, está relatando como foi sua primeira vez na Saotome Gakuen.
Reiji mesmo sem entender nada leu a folha.
“Hoje foi meu primeiro dia na Saotome Gakuen, aqui tudo é incrível! Tão grande! Mas ainda sinto aquele vazio no peito por ter fugido de casa, meus pais jamais me perdoarão e por mais que me doa abrir mão da minha família, mas eu sei que preciso lutar pelo meu sonho.
Ah! Algo aconteceu logo quando cheguei, como perdi o tempo determinado para entrar na academia o jeito foi pular o muro. Perigoso, mas não tive escolha. Apesar de ter quase me machucado ao pular… eu consegui e ia andando sorrateiramente pelo jardim quando ouvi vozes de garotos que pareciam ser da minha idade, mas antes de me esconder por não saber quem era senti um forte baque contra meu corpo e pior… a pessoa ainda pisou no meu pé!!!
Droga! Eu já tinha começado com pé direito minha inclusão na academia, mas para o meu espanto na hora que levantei o rosto pra ver quem era que me atingiu eu me deparei com o garoto mais lindo que vi na vida inteira. Ele perguntou meio aflito se eu estava bem, se tinha torcido meu pé e pediu desculpas… mesmo meio atordoado eu disse que estava bem o fazendo abrir um sorriso revelando seus dentes perfeitamente lindos e brancos, na hora senti minha respiração parar e meu coração falhar uma batida para depois acelerar drasticamente. Acho que ele deve ter minha idade, não deu tempo de perguntar nada porque o garoto que tava com ele era meio impaciente e ficava o apressando toda hora, isso me lembra… o nome dele é Ranmaru pelo que ouvi o garoto- que se chamava Saiko- falar. Ele deve ser aluno daqui e eu to torcendo para que possamos ser da mesma sala! Ele é muito lindo, deveria ser proibido alguém ser tão bonito daquele jeito.
Ele- ao contrario do amigo dele- foi bem gentil comigo e me ajudou a levantar. Foi estranho… porque quando ele me deu sua mão para segurar, eu senti um estimulante e estranho calafrio percorrer pelo meu corpo quando nossos dedos se tocaram e o mais estranho foi porque os olhos dele prenderam nos meus e com certeza eu devo ter corado, porque mesmo fria à noite eu sentir minhas bochechas quentes. De novo o amigo dele interferiu dizendo que eles tinham que ir porque se os pegassem fora do dormitório, eles seriam punidos. Aquele tal de Saiko não foi muito com a minha cara pelo olhar fulminante que ele me lançava e parecia ser meio possessivo com o Ranmaru, antes que se fosse completamente ele me mostrou onde ficava o corredor para os alunos da classe A e quando ele estava indo embora se virou pra mim sorrindo e me pediu desculpas pelo pisão que deu no meu pé. Aaaah… ele é magnifico! Espero que o encontre outra vez… bom, esse foi o meu dia! Um garoto lindo pisou no meu pé. Doeu? Claro que doeu, mas quando ele pediu desculpas e sorriu… nem lembrei que tinha pé. Acho que me apaixonei hahaha.”
Reiji estava mais do que petrificado na cama.
Reiji: m-mãe… o-o q-que…?
Reika riu.
Reika: seu primeiro contato com ele não foi no dia em ele te ajudou depois da briga com seu pai, como foi há tanto tempo… acho que você tinha esquecido desse dia.
Reiji estava perdido em suas memórias e acabou recordando desse dia.
Reiji Pov.
Reiji com muita dificuldade pulou o muro da academia, tinha perdido o horário que era para os alunos novos estarem lá. Pra sua sorte sabia como encontrar o dormitório, o problema era encontrar o corredor que o levava ao lugar. Enquanto caminhava ouviu vozes masculinas e o deixou em pânico com medo que fosse algum inspetor, mas antes que conseguisse se esconder seu corpo foi fortemente levado ao chão e a pessoa que o derrubou ainda fez o favor de pisar no seu pé.
Reiji: itai!!
Ele gemeu de dor e passou a mão no local.
?: me desculpa! Eu não tinha te visto! Você tá bem??Torceu seu pé?
Reiji retirou o capuz de sua cabeça para encarar o sujeito responsável por isso. Seus orbes alargaram ao ver o menino que devia ser mais ou menos de sua idade, apenas um pouco mais alto e forte, cabelo curto meio desgrenhado prateado igualmente aos seus olhos que também eram pratas, pele alva, traços do rosto lindos e no processo de amadurecimento.
Reiji: etto… err…
?: você tá bem? Eu te machuquei?
Reiji balançou a cabeça negativamente.
Reiji: foi só o tombo que doeu mesmo.
Sorriu meio sem graça.
?: Ranmaru vamos!! Qual o problema?
Ranmaru: espera Saiko! Eu o derrubei, quero ver se ele tá bem!
Disse um pouco irritado.
Saiko: ele parece tá bem!
Disse meio indiferente encarando Reiji que desviou o olhar do garoto que parecia ser meio rude.
Ranmaru: tsk!
Ele voltou sua atenção ao moreno.
Ranmaru: quer ajuda?
Perguntou sorrindo e estendeu a mão para Reiji que aceitou, quando suas peles se tocaram os dois sentiram um calafrio percorrer suas espinhas que os fizeram encarar um ao outro meio incrédulos.
Reiji: obrigado.
Agradeceu corando pelo olhar do outro.
Ranmaru: você é novo não é? Tá perdido?
Reiji: eu perdi o horário que os alunos estavam entrando, então precisei pular o muro.
Riu sem graça.
Reiji: eu sou da turma A e to tentando encontrar meu dormitório.
Ranmaru sorriu.
Ranmaru: os da classe A ficam naquela direção e aí é só procurar pela numeração que recebeu.
Reiji afirmou.
Reiji: obrigado.
Eles continuaram se olhando e quando o albino ia perguntar seu nome, novamente foi interrompido por Saiko.
Saiko: Ranmaru nós precisamos ir!! Se o inspetor nos pega pra fora do dormitório estamos mortos! Vamos logo!
Ele puxou o braço do Kurosaki que bufou.
Ranmaru: ok, ok!!
Antes dele ir se virou para Reiji.
Ranmaru: desculpa pelo tombo e por ter pisado no seu pé. Até mais.
Sorriu de um jeito que fez o coração do menor acelerar e seu rosto ruborizar.
Reiji: kami-sama… ele é tão lindo.
Sorriu bobamente.
Reiji Pov.
Reiji olhava para mãe completamente em choque que fez a mulher rir.
Reika: eu acho… que isso foi amor à primeira vista.
Reiji: o que?! Não mãe! Eu… só o achei bonito! E nem me lembrava desse dia! Eu acho que se já estivesse apaixonado no mínimo eu me lembraria não é?? Eu não ia passar 9 anos o amando sem saber!!
Exclamou emburrado.
Reika: é mesmo? Então olhe todas as paginas desse diário… não tem uma que não envolva o nome do Ranmaru.
Reiji ficou surpreso.
Reiji: o que?!
Ele começou a revirar todas as paginas e realmente, todas continham o nome do albino. Reiji não podia acreditar naquilo, como foi possível ele ter se apaixonado por ele aos 14 anos e só agora ter notado?!
Reika: você passou sua adolescência inteira até hoje observando o Ranmaru, tudo… pode ter a prova lendo esse diário e a cada folha você o descrevia de forma mais intensa, mais apaixonada.
Ela folheou algumas paginas e mostrou uma a ele.
Reika: leia o que diz nessa.
Reiji engoliu em seco e fez o que ela disse.
“ Olá meu diário hihihi, bom… hoje eu to meio triste. Eu conseguir passar no teste e foi ótimo! Mas… eu fui bisbilhotar o teste da classe S, ou melhor, bisbilhotar o Ranmaru. Acho que já virou um vicio meu observá-lo, mas ele é tão incrível e tão oposto de mim… me faz ter a vontade de chegar perto dele, queria falar com ele… mas é impossível. O incrível é que eu nunca senti tudo que sinto por ele por outra pessoa, nem mesmo pelo Nitori… acho que isso é mais que admiração, talvez eu tenha me apaixonado? Bom, se for isso eu to pra lá de ferrado por que ele jamais olharia pra mim… fora que tem aquele melhor amigo dele irritante, o Saiko. Cara! Eu odeio esse garoto! É o tempo todo em cima dele, o bajulando… ele deve ter bem uma queda por ele, só pode!
Mas vamos voltar ao meu relato… quando eu tava olhando a apresentação do Ranmaru, eu tive uma bela surpresa e adivinha de quem? Do Saiko. Acho que ele já havia percebido que observava o amigo dele desde o começo. Ele me disse coisas muito cruéis, como por exemplo, que esse amor platônico pelo Ranmaru nunca dará em nada, porque alguém como ele jamais iria ficar com um passa-rodo como eu e ainda por cima da classe A… nem capacidade para tá na classe S eu tinha, falou também que eu jamais estaria no nível dele e que se fosse para o Ranmaru escolher um namorado, ele seria o mais indicado. Aquilo doeu, apesar de ter ficado com minha cara de indiferença… doeu muito porque eram tudo verdades. O Ranmaru jamais vai olhar pra mim, é um sonho inalcançável… um amor impossível.
Meu coração doí, isso que chamam de “dor de amor”? Hmm… o que eu posso fazer? Eu não escolhi isso. Eu não queria amá-lo, nem ele e nem ninguém. Sou tão novo ainda… mas… no fundo eu sabia, sabia que ia amar você Ranmaru, desde a primeira vez que te vi.
Só espero que um dia esse sentimento passe… porque ter você, eu nunca terei.”
A cada palavra o coração de Reiji batia mais apertado.
Reika: entende agora? Você o admirou todos esses anos achando que era somente isso, mas confundiu o amor com admiração. Talvez para evitar sofrer você o camuflou e quis convencer a si mesmo de que não era nada mais que isso.
Reiji: mãe…
Reika: tudo que fez em sua vida rodava em torno dele. Seu esforço para ser melhor cada dia mais, suas músicas, o teste que fez quando mais novo para o Quartet Night e o teste que fez agora no qual foi aceito.
Reiji estava completamente corado.
Reika: é só pensar meu amor… pense e vai ter a certeza que esse amor pelo seu colega de banda nasceu muito antes do Quartet Night existir.
O menor abaixou o olhar.
Reiji: mas… como eu poderia não lembrar mãe??
Reika riu.
Reika: ele apenas ficou adormecido, mas nunca se foi e quando passou a conviver direto com o Ranmaru ele veio a tona com força total. Por isso você se apaixonou tão depressa, na verdade só descobriu um sentimento que já existia em seu peito.
Reiji suspirou pesadamente.
Reika: por isso com todos os namoros, os ficantes… você nunca amava ninguém. É porque seu coraçãozinho já tinha dono, apesar de você não lembrar disso.
Sorriu meigamente acariciando os cabelos do filho.
Reiji: eu lembro… que meu coração sempre ficava inquieto quando ouvia algo sobre o Ran-Ran ou quando o via em programas, shows.
Ele fitou a mãe.
Reiji: quando descobriu isso?
Reika: quando você entrou para a banda e começou a falar sem parar deles, eu notava seu sorriso e o brilho nos olhos sempre ao mencionar o Ranmaru, mas achava que devia ser uma atração que sentia. Quando o vi naquela festa, os vi juntos… algo estalou em minha mente e naquele dia eu fui reler seu diário e confirmei minhas suspeitas. Que o Ranmaru que o ajudou na infância era o mesmo garoto que te fez se apaixonar a primeira vista e os dois… era seu novo colega de banda.
Reiji arregalou os olhos e recordou de algo.
Reiji: além disso… sempre fui fã desse grupo! Apesar de nunca ter falado com nenhum deles, eu os conheço desde quando estávamos na Academia Saotome e depois fomos para o Master Course, mas eles seguiram a carreira em grupo e eu a carreira solo.
Tokiya: fã do Quartet Night ou… do Ranmaru Kurosaki?
Reiji: o que vocês querem dizer com isso?? Otoyan e Toki!!
Otoya: sempai… não é de hoje que sabemos da sua paixão platônica pelo líder do Quartet Night.
O rosto de Reiji voltou a ruborizar. Realmente… ele sempre amou o albino, até seus kouhais desconfiavam disso antes dele entrar pra banda. De tanto verem o comportamento de Reiji a algo relacionado ao Kurosaki, como ver o absurdo de fotos, pôsteres, Cds e DVDs que ele tinha da banda… era tudo para ter o albino perto de si.
Reiji: droga! Agora mesmo que to ferrado!! Por isso eu estranhava o amar de forma tão gradativa e intensa.
Reika sorriu.
Reika: então… isso te faz tão merecedor do amor dele quanto essa tal de Ayume, ela o ama desde os 15? Você desde os 14.
Ela riu um pouco tirando um sorriso do filho.
Reiji: mas ela continua sendo ideal a ele.
Reika: ideal é a pessoa que ele amar e o próprio já disse que não a ama.
Reiji: mas não signifique que ele me ame.
Reika o abraçou, o moreno se aconchegou nos braços da mais velha.
Reika: eu acho que você tem grandes chances de conquista-lo, afinal… até para um jantar romântico ele te convidou.
Reiji não respondeu nada e ficou pensando no que a mãe disse.
Reika: enquanto o Ranmaru for solteiro, você sempre terá uma chance com ele. Lute pela pessoa que ama Reiji, como você sempre lutou sua vida inteira pelas coisas que quis.
Reiji: a senhora acha que ele pode me amar?
Reika sorriu.
Reika: ele seria muito idiota se não amasse.
O moreno riu.
Reiji: nee nee mãe… eu posso dormi aqui.
Reika: a casa da sua mãe assim como os braços dela sempre estarão abertos pra você.
O menor sorriu e fechou os olhos se permitindo ser vencido pelo sono.
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