Coisas De Garotos E Garotas

6 Capítulo 5 - Fechamento e bebidas


Notas iniciais
Koé galeriiinha... espero que vocês gostem
Muita coisa ainda vai rolar... vamo que vamo :)

Assim que cheguei a casa, fiz logo o evento da social. Coloquei uma foto de bebida, convidei todos da sala e com a ajuda das meninas, chamei alguns veteranos – isso me fez adicionar alguns. Em menos de uma hora, as 100 pessoas que eu chamei 30 haviam confirmado. Teríamos que cobrar um preço justificável e que cobre todas as despesas. Eu estava ajustando os detalhes do evento quando Bernardo veio falar comigo.

“Parece que essa social vai bombar” – disse ele. Eu olhava aquelas palavras e lembrava o que Pilar havia dito mais cedo “Parece que alguém está afim de você”. Não, ela estava errada. Eu precisava acreditar nisso. Eu precisava. Acabei esquecendo de responde-lo. Aquelas palavras martelavam em meus ouvidos.

“Parece que sim” – acabei mandando. – “Vou sair” – e saí.

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Passaram, enfim, as duas semanas antes da social. Mais de 60 pessoas haviam confirmado presença. Pilar, Becca e Caio recolhiam o dinheiro. Meu primo confirmou a reserva do Solar e tudo estava caminhando bem. Os meninos se apresentaram para ajudar a comprar as bebidas e Caio que morava na Tijuca, sabia onde era, exatamente, o mercado que vendia atacado. Sairia mais barato e era perto do condomínio que seria a social.

- Então, vamos hoje comprar as bebidas? – perguntou Bento. Estávamos no intervalo entre a aula de Filosofia e Teoria. Eu bebia minha coca e resolvíamos os detalhes pra social. Ian descia as escadas e sorriu, ao notar que eu o encarava. Bebi um gole da coca e desviei meu olhar do dele.

- Quanto tem de dinheiro? – perguntou Pilar.

- Das 60 pessoas que confirmaram... – falei. Parei pra lembrar e continuei – 45 já pagaram.

- Tem bastante gente! – vibrou Caio. As meninas estavam caladas e Bernardo, sentado ao meu lado, estava quieto até demais. Ele olhava pra alguém. Deu um empurrão nele e olhando-me, sorriu. Pegou minha coca dando um gole nela, e colocou a mão em minha perna. Senti um arrepio ao seu toque. Olhei para o pessoal e parecia que ninguém percebia o que estava acontecendo ali. Claro, excluindo Pilar. Olhei-a. Ela me encarava e deu um sorrisinho de canto de boca. Revirei os olhos e terminei de tomar minha coca. Fui jogar a latinha no lixo e usei isso como desculpa pra sair de perto de Bernardo.

Voltei e fiquei de pé, em frente a ele. Bento estava ao meu lado e passou o braço em volta do meu pescoço. Becca falava animada com as meninas, contando alguma coisa. Mais tarde eu saberia.

- A social é daqui a uma semana, já podemos comprar as coisas. – argumentou Caio.

- Acho que devíamos comprar na sexta antes da social. – sugeri. Caio me olhou e com os olhos, perguntou por que. – Teríamos mais essa semana para as pessoas entregarem o dinheiro. E indo um dia antes comprar as bebidas, deixamos tudo no salão do Solar pro dia seguinte. – eles assentiram. – E no sábado um grupo vai mais cedo, pra ajeitar as coisas e colocar a bebida pra gelar.

- Vai ter drink? – perguntou Maíra.

- Espero que sim! – disse Juliana. – Podemos fazer Gummy, Capirinha.

- Isso requer Vodka. – comentou Camila. Todos riram. O sinal bateu e subimos pra aula. Na escada, Bernardo me puxou.

- Tudo bem se eu for com você pra esse Solar? Não tenho ideia de como chegar lá. – ele sorriu, dando de ombros. Sorri pra ele e concordei. Fomos pra sala.

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Chegou então, sexta-feira. Tínhamos duas aulas e a ultima era sociologia. Combinamos então, de sair depois da primeira aula pra comprar as bebidas. Eu, Sophia, Pilar, Bernardo, Bento e Caio já estávamos na porta da faculdade, combinando aonde íamos primeiro: Lapa ou Açaí – o mercado de atacado.

- É melhor irmos direto pro Açaí, por que já sabemos o que comprar e lá tem tudo, e é mais barato. – disse Caio.

- Mas a vodka e a tequila podem ser mais baratas na Lapa. – replicou Bento.

- Gente, não é melhor irmos no lugar mais perto do prédio que vai ser a social? Assim não gastamos dinheiro também com transporte. – sugeriu Sophia.

- Eu também acho. – falei.

- Então vamos pro Açaí. – disse Bernardo. Ele passou o braço por meu pescoço e foi na frente, comigo. Andamos até o ponto de ônibus. Fomos conversando sobre banalidades e Bernardo não se desgrudava de mim. Quando conseguimos sentar no ônibus, Sophia sentou-se ao meu lado e sorriu. Bernardo e Bento sentaram-se nos bancos ao nosso lado. Pilar e Caio sentaram juntos e engataram um papo animado. Bento puxava assunto com Bernardo, mas, seus olhos focavam em mim. Sophia puxou assunto comigo:

- Então, parece que eu estava certa. – falou. A olhei e franzi a testa. – Sobre o Bê.

- Você também?

- Mari, só você não quer ver. Ele tá super a fim de você. – sussurrou ela.

- Somos amigos. – afirmei.

- Vocês fazem um casal bonito. – comentou ela com um sorriso. Vi-me olhando Bernardo. Ele conversava com Bento.

- Mas e você? – tentei mudar de assunto.

- Tudo bem, não falo mais sobre isso. – ela passou a mão pelos cabelos loiros e olhou pela janela. – Mas depois não fala que eu não avisei. – o resto do caminho, fomos caladas.

Chegando na Tijuca, descemos no ponto final do ônibus. Andamos até o mercado e chegando lá, fomos direto para onde ficavam as bebidas. Peguei o papel em que havia feito uma lista do que comprar e falei o que precisávamos. Cada um pegou uma coisa e colocamos no carrinho.

- Vodka

- Tequila

- Refrigerante de limão

- Limão

- Tang

- Leite condensado

- Big Apple

- Gyn

- Cerveja

Pegamos tudo. Pilar separou o dinheiro do aluguel do salão e entregou o resto do dinheiro para Caio. O carrinho estava cheio de bebida. Acabamos pegando algumas balas e amendoins. Iriamos fazer drinks, então os complementos pedi a Bento que pegasse. Com tudo no carrinho, fomos pagar. O dinheiro deu certinho. O caixa passava as bebidas e olhava-nos com uma expressão “Deus, que crianças alcoólatras!”. Colocamos tudo dentro de sacolas. Pagamos e fomos embora. La fora, acabamos pegando um taxi. Não daria pra andarmos até o prédio com todas aquelas sacolas. O dinheiro que sobrara das compras pagou o taxi. Chegando do condomínio, liguei pro meu primo. Ele estava chegando então aguardamos.

Quinze minutos depois vi meu primo chegando com um garoto alto ao seu lado. Quando se aproximaram, meu primo abriu um sorriso pra mim e com os braços abertos, me abraçou forte e me levantou. Ele era uns 30 centímetros mais alto do que eu.

- Coé prima! – falou ela me colocando no chão.

- Você cresceu. – comentei. Ele riu. Apresentei-o aos meus amigos e entramos no prédio. Ele nos guiou até o salão de festas. A galera gostou do espaço. Colocamos as bebidas na cozinha e meu primo nos mostrou o salão. Deixamos as compras num passa-prato – um vão entre a cozinha e o restante do salão.

Daria para passar tudo por ali. Eu e o pessoal verificamos o local, onde ficariam as coisas, e meu primo avisou que tínhamos o direito a 10 mesas. Largamos tudo lá e fomos embora.

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No dia seguinte, chegamos umas 15h no Solar. Estava eu, Pilar, Sophia, Juliana, Bento e Caio. O restante chegaria daqui a pouco para ajudar-nos a terminar de arrumar as coisas. Eu e Juliana ficamos incumbidas de fazer os drinks.

- Trouxe um liquidificador. As garrafas estão aqui. – disse Juliana, pegando as garrafas pet e colocando-as na mesa da cozinha. Pegamos a Vodka, o suco Tang, que compramos, gelo e o liquidificador — medimos nele mesmo a quantidade de Vodka. Bento passou uma garrafa quando o Gummy estava pronto. Colocamos a bebida na garrafa. Terminada os três tipos de Gummy, passamos para outro tipo de bebida. Fizemos a Nevada e a Caipirinha. A Tequila estava na geladeira gelando. Os meninos colocavam a cerveja no congelador. As mesas já estavam arrumadas. Tinha gente que traria bebida, por que não havia entregado o dinheiro.

Terminamos de fazer os drinks e arrumar tudo às 18h. O pessoal já chegaria. Sentados nas cadeiras, arrumei meu note para que este ficasse ligado na luz. Peguei minha lista de musicas e coloquei para tocar. Enquanto as pessoas chegavam, a musica tocava e a conversa começava. Bernardo chegou com mais três pessoas. Alguns veteranos o acompanhavam. Ian chegou às 21h e pouco. O salão já estava enchendo e as pessoas bebiam e riam. Alguns quartetos estavam formados, jogando sueca. Outro grupo – Artur, Chris e outros dois garotos que eu não conhecia -, jogavam Pôquer.

Eu já estava em meu quarto copo de Gummy quando Ian veio falar comigo. O salão cheio eu mal notei que ele parara ao meu lado e puxava meu braço chamando-me atenção.

- Você está linda! – disse ele, sorrindo pra mim. Sorri de volta em sinal de agradecimento. – Tem tequila?

- Tem sim. Na geladeira. Bom, se já não acabaram com ela. – falei. Ele segurou minha mão e me levou até a cozinha. Chegando lá, abriu a geladeira e tirou a tequila.

- Bebe comigo! – pediu. Eu ia negar, mas ele já servira um copo pra mim. Entregou-me um pedaço de limão que já estava cortado em cima da bancada, pegou um punhado de sal e o colocou em minha mão. Sorriu. Automaticamente, lambemos o sal ao mesmo tempo e entornamos a tequila, pegamos o limão e o chupamos. Ele gargalhou, me olhando. Sorri pra ele e chupei mais um pouco do meu limão. – Outro? – perguntou.

- Agora não. – falei, sentindo minha cabeça rodar. Eu já havia bebida Gummy e um pouco de Nevada. Essa dose de tequila fizera minha cabeça rodar.

- Vai, anda, mais uma e pronto! – insistiu. Servindo-me outra vez. Depois disso, guardou a tequila. – Viu, só mais essa! – pegou o sal e o colocou em minha mão, me deu o copo com a tequila. Olhei-o, engolindo em seco. Só mais um não vai me fazer ficar pior. Lambi o sal e bebi a tequila. Ele fez o mesmo. Chupamos o limão juntos, nos olhando. Ele riu da careta que eu fiz. Eu já não respondia mais por mim. Estava tonta e minha cabeça rodava. Ouvi uma voz chamar meu nome e olhei pra trás. Era Juliana.

- Amiga pega ai a Nevada. – pediu. Abri a geladeira e a porta bateu em mim. – Você tá bem? – perguntou ela. Sua voz vinha totalmente embriagada. Ela olhou pra mim e começou a rir. Ninguém estava bem. Olhei pelo passa-prato e vi Bento e Pilar se agarrando. Algumas pessoas dançavam. Artur, que não bebia, tomava seu refrigerante e ficara como DJ. Finalmente peguei a garrafa de Nevada e passei para Ju. Ian havia sumido. Sai da cozinha e fui para longe daquela massa de gente bêbada, que se esbarrava em mim e sorriam com um copo na mão. Consegui sair do salão e me sentei num dos bancos que haviam do lado de fora. Recostei minha cabeça na parede e inspirei fundo.

- Você tá bem? – abri os olhos e Bernardo me encarava com as mãos dentro do bolso.

- Acho que sim. – respondi. Minha cabeça rodava, mas, eu consegui ficar alerta.

- Consegue ficar em pé pra poder dançar? – perguntou ele, tirando uma das mãos do bolso e a estendendo para mim. A segurei e ele me ajudou a ficar de pé. Cambaleei um pouco, mas me estabilizei. Ele sorriu e eu fechei os olhos, constrangida.

- Já é a segunda vez que você me vê assim. – murmurei. Ele me segurava pela cintura e eu estava com as mãos em seu peito.

- Na verdade, não tão perto. – falou e deu um sorriso de lado. Passando a mão pelo meu braço, até minha mão, a segurou e devagar me levou para dentro do salão. Todos dançavam, bebiam, conversavam, jogavam. Pedro dançava e era filmado com Pamela. Todos gritavam “Vai Pedro, vai Pedro!”. Acabei parando para ver e ri muito. Bernardo ainda segurava minha mão. Pilar se atracava com Bento, Sophia estava encostada no muro sendo tampada por alguém, quando se afastaram vi que era Matheus. Quem diria! Ri. Não conseguia achar mais ninguém naquela multidão. Não pensei que fosse encher tanto uma social como aquela, organizada pelos calouros. Bernardo tinha razão: é só falar em bebida que nego se anima!

As horas se passaram e ainda tinha gente bebendo. Vi-me dentro do banheiro com Matheus, Sophia, Fernanda – uma menina que morava fora do Rio e muito gente boa -, Bruno – um veterano -, e Marcelo – senti um pouco de atração por ele. Por quê? Havia uma garrafa aos nossos pés e formávamos uma roda em torno dela. Minha cabeça girava, eu não sabia o que estávamos fazendo. Mas pelo jeito brincávamos de Verdade/ Consequência.

Notas finais
reviews?