Coisas De Garotos E Garotas

2 Capítulo 1 - Jogos de baralho


Notas iniciais
Cadê os reviews galera?

Meu ano de faculdade começou como qualquer outro, porém, muitas coisas aconteceram e que valem a pena serem contadas.

No primeiro dia de faculdade reconheci uma colega de escola. Acabamos nos reconhecendo e ficamos juntas desde então. Seu nome é Pilar, tem minha idade e virou minha melhor amiga. Ela quer Publicidade e estagia fora da faculdade. De um corpo com curvas e cabelo preto, era uma menina atraente. Olhos pretos que adorava destacar com rímel e delineador. Estava sempre com seu Ipod grudado aos ouvidos.

- Que bom que achei alguém conhecido por aqui. Odeio ser a novata de um lugar. – disse ela. Estávamos sentadas num dos bancos do pátio vendo os calouros que estudariam com a gente na mesma sala, chegarem. Uma menina baixinha, de cabelo loiro com pontas avermelhadas, curto, chegou e veio em nossa direção. Tinha olhos mais claros, era magra e usava um vestido florido com all star. Já eu, meus cabelos eram de um castanho escuro e meus olhos, igualmente escuros, destacavam-se com o rímel que eu sempre uso.

- Oi, vocês são calouras também? – perguntou. Assentimos e ela sorriu. – E sabe qual é nossa sala?

- Ainda não. – respondeu Pilar, olhando-a. Olhei em volta e notei que dois meninos chegavam juntos. Estudávamos à tarde e a faculdade estava vazia. Apenas meia dúzia de veteranos e poucos calouros enchiam o pátio.

- Será que vamos ter trote essa semana? – perguntou Rebecca.

- Não. – respondi. – O trote começa semana que vem. Provável que seja terça. O da manhã será segunda.

- Nossa como sabe? – perguntou.

- Apenas um instinto. – falei, sorrindo. Ela me olhou e acabou sentando ao meu lado.

- Vocês querem o que?

- Jornalismo. – falei.

- Publicidade. – respondeu Pilar.

- Eu quero Publicidade também. – disse Rebecca sorrindo para Pilar. Ficamos em silencio reparando em quem chegava. Fiquei fitando os dois meninos que haviam chegado. Estavam sentados num banco frente ao nosso. Olhavam ao redor e de vez em quando comentavam alguma coisa. Um deles tinha cabelos loiros e pelo que deu pra ver, olhos claros. Parecia ser alto. O outro era moreno, um tanto forte e olhos castanhos. Este encontrou meu olhar, o sustentando. Ficamos nos olhando, sem pensar em desviar os olhos. Ele acabou sendo obrigado a desviar por que seu amigo chamou sua atenção. Ele olhou pro amigo e depois pra mim. Seu amigo acabou me olhando também e deu um soquinho no braço do moreno. Olhei para as meninas e elas conversavam animadas.

- Vamos ver onde é nossa sala? – perguntei, querendo sair dali. Elas concordaram e nos levantamos. Passamos pelos garotos e subimos. Encontramos outros alunos no terceiro andar. Perguntamos a uma garota qual era a sala: 25. Entramos na sala e nos sentamos.

A sala foi enchendo aos poucos. Os dois garotos entraram e se sentaram em carteiras que virados de lado, podíamos ver uns aos outros com perfeição. Virei-me para frente. Pilar estava de lado conversando com Becca – ela pediu que a chamássemos assim -, que se sentara em outra fila, na carteira ao lado da nossa.

- Temos aula de português agora. – disse Becca. Olhei em volta. A sala estava mesmo cheia. Meus olhos acabaram parando no garoto moreno e encontrei seus olhos em mim. Olhei para frente. Passei a mão pelos cabelos. Recostei-me na cadeira e olhei para o lado, os dois garotos me olhavam. Ai é demais! Levantei-me e sai de sala, dando de cara com um senhor.

- A aula já vai começar. – disse ele. – Não demore a entrar, faço a chamada no meio da aula. — Que ótimo! Primeiro dia de aula e já tenho uma bronca do professor.

- Vai ser rápido, vou apenas ao banheiro. – falei passando por ele e andando rapidamente até o banheiro. Onde era o banheiro? Fiquei parada no corredor. Acabei apoiando-me no muro e olhei para o pátio. Um garoto chegava e olhou pra cima. Eu o reconheci. Ele franziu a testa enquanto ia em direção as escadas. Quando chegou ao terceiro andar, parou ao me encontrar ali.

- Eu te conheço. – disse ele. O olhei e cruzei os braços.

- Acho que sim. Você estudou na Mackenzie? – perguntei.

- Sim, estudei. – ele se aproximou de mim. – Você conhece a Julia, né? – sorri e assenti. – Que demais! – ele sorriu. – Qual a sala?

- 25. – falei e apontei pro canto do corredor.

- Você não vem?

- Já vou. – ele sorriu e se dirigiu à sala, entrando nela. Lembrei o nome dele: Caio. Nem ao banheiro eu queria ir. Apenas sai da sala por causa do garoto. O mesmo que vinha agora na minha direção. O olhei e revirei os olhos, me apoiando de novo no muro. Ele levantou a sobrancelha e passou por mim, descendo as escadas. Bufei e voltei pra sala. Sentei-me e Pilar se virou pra mim.

- Nossa, demorou, onde você estava?

- Banheiro. – respondi. Passei a mão pelos cabelos os puxando para trás, enrolei e o prendi num coque. A porta se abriu, mas nem virei pra trás, sabia quem era. Passei o resto das aulas olhando apenas para frente, para o professor.

No intervalo descemos e nos sentamos num dos bancos. Os veteranos também desceram, conversando e com baralho nas mãos. O pátio não ficava tão cheio quanto eu havia imaginado. Algumas pessoas ocupavam as mesas perto da cantina, sempre com um baralho. Outras, a lixeira – era como um tampo de mesa -, também com baralho.

- O que eles devem jogar? – perguntou Becca, olhando também para os quartetos formados. Pilar ouvia suas musicas no Ipod, alheia ao que falávamos.

- Tenho uma leve ideia de que seja sueca. – falei, notando que o moreno e o loiro desciam as escadas conversando animadamente. Prendi a respiração ao reparar que eles viam na nossa direção.

- Oi. – disse o loiro.

- Olá. – respondeu Becca antes que qualquer uma ousasse responder.

- Sabem jogar sueca? – perguntou o moreno. Olhei para as meninas. Pilar tirara um fone do ouvido e me olhou como “que, que vocês tão falando?”; Becca torceu a boca com a pergunta.

- Não, não sei. – respondeu Becca. Pilar negou com a cabeça.

- E você? – perguntou o moreno para mim.

- Sei. – falei, o encarando.

- Tá a fim de jogar? – perguntou o loiro me mostrando o baralho.

- Falta uma pessoa. – respondi.

- Não seja por isso. – disse o loiro. Ele saiu andando deixando seu amigo ali conosco. Foi falar com um dos veteranos que esperava para jogar junto com outro quarteto.

- Meu nome é Bernardo. – se apresentou o moreno.

- Eu sou Becca. Esta é Pilar – Pili deu um “oi”. — E ela é a Marina. – o fitei.

- Prazer. – Becca foi a única que sorriu. O loiro voltava com o veterano. Pararam ao lado da lixeira. O loiro chamou Bernardo, que me olhou, esperando que eu me levantasse para jogar. Acabei levantando e me coloquei em frente à lixeira. Olhei para as meninas. Pilar e Becca ouviam musica.

- Aqui. – o veterano me entregou o baralho. – Embaralhe. – mandou. O olhei e comecei a embaralhar.

- Qual teu nome? – perguntou o loiro. O olhei e respondi:

- Marina. – e continuei a embaralhar.

- Sou Bento. – o olhei. – Que?

- Nada. – respondi. Entreguei o baralho a ele. – Corta. – ele o fez e entregou para Bernardo dar as cartas. Ele puxou a de cima, tirando um seis de copas. Distribuiu as cartas e começamos a jogar. Bento falava um “boa garota” sempre que eu cortava, ou levava a mão com uma carta maior. No final do jogo, ganhamos de 70x50. Ficamos jogando durante o intervalo inteiro. As meninas se cansaram de ficar lá embaixo e subiram. Terminando mais um jogo, no qual ganhamos de novo, subi também.

- Você joga bem. – disse Bernardo vindo atrás de mim.

- Obrigada.

- Você conta as cartas, não é? – o olhei parando na escada. Ele bebeu água e depois me olhou.

- Você não? – perguntei.

- Não tá bem quanto você. É uma boa jogadora. Sabe jogar pôquer? – perguntou. Assenti voltando a subir. Andamos pelo corredor em silencio. Entramos na sala e tomei meu lugar. O professor começou a aula e não voltei a olhar pra ele até a saída.

Depois desse dia, minhas conversas com Bernardo só começaram.