Cogito, ergo sum

10 x – 07D03M3021A


Nesse mundo que se deteriora a cada dia, não há espaço para romantismos bobos. O que não serve para nada é descartado, simples assim. Mas quando estou com Vincent, sinto que nada pode me atingir. Sinto que o abraço de Vincent e o calor de seu corpo são o suficiente para me proteger de todas as coisas. E, às vezes, eu me pergunto se ainda quero descobrir os mistérios de nossa existência.

Eu me pergunto se ainda há razão para mim nesse mundo.

Era noite e ela estava escrevendo no diário, deitada de bruços sobre a cama, quando Vincent chegou do banho com o cabelo ainda úmido e, inclinando-se sobre ela, beijou-lhe uma orelha. Re-l guardou o diário debaixo do travesseiro — não queria que Vincent lesse o que ela escrevia a seu respeito — e esperou que ele se deitasse ao seu lado. Mas isso não aconteceu. Ela vestia apenas a blusa de dormir e uma calcinha e sentiu que ele fazia um caminho com os lábios sobre sua pele, beijando-a desde a nuca, descendo por um ombro e pelas costas, passando por sobre o tecido da calcinha, pela coxa e pela parte de trás do joelho, até acabar num dos tornozelos.

Re-l virou-se para ele e o puxou para cima de si.

E sentiu outra vez aquele volume entre as pernas dele.

— Sabia que a última bala FP* da minha arma ainda está guardada pra você, Vincent?

— Você teria coragem de atirar em mim?

— Se fosse preciso.

Ele a beijou enquanto tirava-lhe a calcinha. Sua respiração estava descompassada e havia qualquer coisa de urgente em seus movimentos, uma pressa em tê-la para si que quase o fez rasgar de uma vez a peça de tecido.

— Não será preciso. — Vincent sussurrou. — Eu prometo.

E afundou dentro dela.

Re-l apertou os lábios contra os dele na tentativa de sufocar um gemido. Aquilo era tão bom que ela poderia gritar se Pino não estivesse recarregando seu sistema — “dormindo”, como costumava dizer — do outro lado daquela cortina. Assim que conseguiu controlar-se, Re-l afastou o rosto para poder olhá-lo nos olhos.

Os olhos verdes de Vincent tinham um brilho que a excitava.

— Você não vai deixar que nada aconteça, não é? — ela disse baixinho.

— Não... Eu vou cuidar de você.

Ele beijou-lhe a ponta da sobrancelha.

— E depois que tudo isso passar, nós ainda vamos estar aqui.

Enquanto Vincent deslizava com força para dentro dela, primeiro devagar e depois como se pudesse devorá-la, Re-l se permitiu acreditar.

Notas finais
* Único tipo de munição capaz de matar um Proxy, pois a substância FP destrói as células Amrita de seu corpo.