Cogito, ergo sum

15 Xv – 12D03M3021A


Eles foram acordados no meio da madrugada por Pino.

— Vince, Vince, Vince!

E como Vincent não acordou logo, de costas para ela e abraçado à Re-l, Pino passou a chacoalhá-lo pelo ombro enquanto gritava. Então ele sentou-se atordoado, os olhos ardendo de sono, e encontrou Pino de pé ao lado da cama. A essa altura, Re-l também tinha acordado e tentava entender o porquê de toda aquela gritaria.

— Pino... —Vincent olhou ao redor. — O que aconteceu?

— Vince! O vento voltou!

— O quê?!

— Tem vento lá fora! — e apontou para a porta da cabine.

Vincent pulou da cama vestindo só as calças, jogou sobre os ombros o lençol que servia de cortina e correu para ver se era mesmo verdade. E ao sair para a escuridão da noite tendo tropeçado nos degraus que levavam à popa, ele sentiu que o vento remexia-lhe os cabelos e caiu de joelhos.

O vento havia voltado.

Obrigado. Obrigado.

— Hora de partir.

Então ele virou-se e viu Re-l junto à porta. E pensou que agora poderia salvá-la.

______________________________________________________

Até que amanhecesse — e o amanhecer era apenas uma claridade sem sol ao invés das trevas —, Vincent permaneceu junto ao leme e o barco avançou sem parar, à toda velocidade. Enquanto o farol iluminava o caminho à frente, ele sentia o vento batendo-lhe no rosto e pensava que agora Moscou não estava muito longe.

Pensava em Re-l dormindo na cabine.

Havia um olhar diferente em seu rosto quando Vincent prometeu a si mesmo que encontraria naquela cidade esquecida as respostas de que precisava e que, independente do que acontecesse, ainda estaria com aquela mulher. Ele sempre voltaria para ela.

E então haveria um lugar para eles no novo mundo que despertava.