Cogito, ergo sum
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Mas havia coisas que, mesmo depois de Moscou e da descoberta de que os Proxies eram os deuses e os demônios daquele mundo que morria, eles ainda não sabiam. Coisas que só se mostraram quando uma civilização inteira se perdeu na destruição e os primeiros raios de sol caíram sobre o novo mundo que começava a se erguer. Até então, eles não sabiam nem se haveria um futuro.
Não sabiam que, no último dia daquela era, Vincent negaria e mataria aquele que havia dentro de si, aquele que era o seu outro, Ergo Proxy, o Emissário da Morte, e tudo o que restaria seria o humano Vincent Law, tão frágil e mortal quanto todos os outros homens. Não sabiam que, depois da queda de Romdo, vagariam por meses na escuridão sem encontrar uma única pessoa ou mesmo um Autoreiv e pensariam que eram os únicos naquele limbo — o domo de Moscou havia sido destruído na explosão que Vincent tinha visto de longe. Não sabiam que, com o tempo, um céu azul se abriria sobre eles, a vegetação começaria a brotar de uma terra fértil e a natureza não seria mais apenas uma projeção virtual, mas uma coisa real e viva. Não sabiam que construiriam uma casa num lugar em que poderiam caminhar descalços sobre a relva e beber a água pura de um rio. Não sabiam que outras pessoas chegariam até eles e que fundariam ali uma vila que depois se tornaria uma cidade inteira. Não sabiam que seu filho seria a primeira criança do novo mundo nascida de um ventre humano, de forma natural. Não sabiam que viveriam tanto.
Vincent e Re-l não sabiam de tantas coisas ao deixarem para trás tudo o que conheciam, tudo o que agora estava morto e acabado, e ao avançar para o desconhecido, mas nunca esqueceram daquela verdade absoluta — em que Re-l também passou a acreditar — e por isso continuaram tentando, um dia após o outro.
Eles eram ligados pela mesma raison d’être.
E aquilo jamais se perderia.
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