Cogito, ergo sum
13 Xlll – 10D03M3021A
Não havia como saber se ela estava mesmo grávida ou não. Re-l pediu que Pino fizesse uma análise de seu sangue, mas então Vincent a lembrou de que Pino era um Autoreiv de companhia e não tinha aquela função no sistema. Se Iggy estivesse ali, seria diferente, ela pensou. Também não encontrava qualquer mudança em seu corpo quando se olhava nua diante do espelho, antes de entrar debaixo do chuveiro — para depois se dar conta de que, se estivesse realmente grávida, só faziam alguns dias, e era óbvio que em tão pouco tempo não daria para perceber nada.
Então Re-l aprendeu a conviver com a possibilidade.
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Naquele dia, Vincent percebeu que quase toda a neve havia derretido e se perguntou como aquilo podia ter acontecido tão rápido. Tudo o que restara da camada de gelo que, até ontem, cobria o solo, eram poças de água e aquela sensação pegajosa de frio. O tempo era uma coisa que ele não entendia mais.
Enquanto Pino brincava de saltar de uma poça à outra, ele recostou-se no leme e perdeu-se olhando para longe. Precisavam sair logo dali. O reservatório de água estava abaixo da metade e a comida que ainda tinham talvez durasse por mais cinco dias, uma semana se racionassem. Mas havia Re-l e a chance de ela estar esperando um filho seu. Ela precisava de cuidados que ele não podia oferecer ali.
Não era possível que o vento tivesse simplesmente desaparecido para sempre.
Pino caiu sentada sobre a água, mas não porque houvesse se desequilibrado ou escorregado. Ela permaneceu quieta, olhando para frente como se sua energia tivesse acabado de repente, e Vincent olhou na mesma direção. Eles viram quando um ponto de luz se expandiu no horizonte distante até se tornar um clarão que iluminou toda a escuridão do céu. Um clarão de explosão, de destruição.
Depois de alguns segundos, a luz diminuiu e desapareceu.
— Pino? — ele chamou. — A que distância foi aquilo?
— Pino não sabe.
Vincent sentiu como se alguma coisa tivesse sido revolvida dentro dele e sentou-se junto ao leme. E de repente, sem entender como, ele soube que a explosão tinha sido em Moscou.
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Dessa vez, as anotações de Re-l foram apenas perguntas que ela fazia a si mesma.
O quanto minha barriga vai crescer se eu estiver grávida? Meus seios vão crescer também e produzir leite? Vou sentir náuseas e querer dormir o dia inteiro? Meu corpo vai ficar pesado e precisarei que Vincent me puxe pela mão para conseguir levantar da cama? Será um menino ou uma menina? Ele se parecerá mais comigo ou mais com Vincent? Que nome lhe daremos? Ele será um humano normal ou terá algum tipo de poder? Eu ficarei bem quando ele nascer? Onde nós estaremos quando isso acontecer?
Perguntas que, por enquanto, ninguém poderia responder.
Vincent voltou para a cabine e ela empurrou aquelas questões para o fundo da mente. Percebeu que ele estava meio pálido e ia dizer qualquer coisa sobre isso, mas então se lembrou de que ele andava mesmo aéreo e pensativo por causa do bebê — que poderia ou não existir. Vincent sentou-se na beira da cama e a olhou como se não entendesse por que realmente estavam ali.
— Eu preciso de você. — ele disse.
E puxou-a para mais perto, para seu colo. Re-l deixou que ele a beijasse como se estivesse com fome, que tirasse a blusa que ela vestia e que lhe sugasse os seios com os lábios úmidos, que a apertasse contra si como se tivesse medo de que a roubassem. Ela tirou-lhe a parte de cima da roupa e abriu os botões da calça dele. Vincent suspirou quando ela colocou a mão lá dentro e trouxe para fora o que queria. Ele afastou-lhe a calcinha para o lado. E sussurrou que a amava quando a penetrou.
Com os braços ao redor do pescoço dele e os lábios se tocando enquanto seu corpo subia e descia sobre o de Vincent, ela disse pela primeira vez que o amava também.
— Vincent Law... — e repetiu. — Eu amo você.
Vincent sentiu os olhos ficando molhados e agradeceu mentalmente por Re-l não ter percebido. Ele havia pensado que não viveria o bastante para ouvir aquilo.
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